quinta-feira, março 20, 2008

PROEZAS DO BIRITOALDO - XIV


XIV

Quando o Urubu Tá Numa de Caipora, Não Há Pau Que Escore: o de Debaixo Caga no de Cima.


Munga passava as horas no seu idílio despetalando rosas: bem-me-quer, mal-me-quer. Usava de todo tipo de simpatias para tirar olho gordo, mau-olhado, macumba, quebranto qualquer de cima do seu amor, rezando para as estrelas: "estrelinha, estrelinha, que estás no céu a brilhar, se Birito pensa em mim, porta bate, cachorro late e homem assobia". Ôxe, era um teibei de porta, um ganido solto e nego como a gota fiu-fiu pela redondeza.
- A porta bateu, ele gosta de mim; o cachorro latiu, ele me ama; o homem assobiou, ele me adora. Eita! Mais porta batendo, mais cachorro latindo, mais homem assobiando, eita! Ele é louco por mim!
E era. O seu príncipe encantado num seria uma daquelas belezuras de capa de revista, mas dava pro gasto. Ela assanhada e doida pra xambregar com ele, subindo pelas paredes, esperando a hora de ser possuída enquanto fabricava fantasias mil.
Como prova do seu amor inconteste, num tinha simpatia que ela não fizesse: pegava um pedaço de papel em branco, escrevia nele o nome completo do Birito repetidamente e o dela por cima fazendo uma cruz sobre o dele, até preencher toda página. Depois dobrava até ficar um pedacinho bem miudinho e jogando dentro da boca de um sapo-cururu-velho que ela possuía por estimação. Enquanto fazia isso, se ajoelhava sobre uma porção de milho cru e danava-se a rezar pro Santo Antônio, avidamente em súplicas casamenteiras de dar dó só de vê-la ali agoniada.
Quando findava a tarefa, voltava-se pro criatório de aranha que ela mantinha num canto secreto do seu quarto. Para ela aranha dava felicidade e, por isso, colecionava todo tipo da artrópode aracnídea, desde da viúva-negra, armadeiras, até caranguejeira. Ela pegava um punhado delas, levantava a saia, e colocava sobre sua chiranha por onde remexiam horas e horas, lá nela.
- Aranha, aranhinha, aranhola, traga uma rolinha bem grandinha para a minha charanhola!
Durante os festejos juninos, Munga mandava fazer uma fogueira enorme e ao lado dela colocava uma bacia cheia d'água e, de posse de uma vela acesa, pingava no recipiente e ficava atenta para ver a letra que dava. Era um "b", de Birito. Ela endoidava:
- É ele, é ele o meu príncipe encantado! Meu cavalo fodedor! Venha meu corcel dos sonhos, sua eguinha espera fogosa.
Birito realmente apareceu na sua vida depois que ela fez uma simpatia pesada, indo para a igreja bem cedinho e rezando cinqüenta vezes o rosário em intenção de Nossa Senhora, com medo de ficar vitalina, pedindo pra ela botar no caminho dela um homem bonito, lindo, gostoso, maravilhoso! Pois bem, num foi bem o que ela pediu, mas serviu como quebra-galho no seu aperto. Só que o rapaz não dava lá o ar de sua graça. Birito levava aperto mais que parafuso entarraxado. Era encarcado mais que laranja espremida. O Ernestinildo num largava do seu pé, ali, quando menos esperava, dando susto do cara se desmantelar todo. Num havia jeito do cabra sentar o juízo numa coisa, tava cheio de idéias, do emprego, de Munga, em ganhar dinheiro, em ficar rico, em conseguir seu intento, de ser molestado por não cumprir a meta, não atender as exigências do bicho chato, eita, gota! O apaideguado tava mais doido que cego em tiroteio. Tava à toa, sem saber por findar nem começar nada. Tome isso, cadê aquilo, dê-me isso, agora, já, se dane prá caixa-pregos, vá num pé e volte no outro, solte o freio-de-mão, largue a primeira, deixe de ser ronceiro, lasque-se na casa dum caralho-de-asa, fio-da-peste! empene-se acocorado num balaio cheio de rola dura, seboso! Arriba! Bora, se avie! Arreda, corno! Bote jeito, cabra! Se assunte, nego deslavado! Olhe a responsa, moço! O danado, com isso, endoidava, perdia o fio de prumo. E do canto num saía, estatelado. Tinha vontade de correr mas não sabia prá onde, enrolava-se todo, mais cheio de pernas que minhoca atolada. Era mesmo uma marcação cerrada.
Quando não era Ernestinildo, era aquela assombração: - tô aqui, viu? -, isso deixava o macorongo endoidado de comer merda e rasgar dinheiro. O abestalhado sacudia pedra ao léu, dava chute no vento, mãozada nos ares, cabeçada na parede, mordia o chão, sapecava doidice de quem tava com o-não-sei-quê no couro. Até levar uns tabefes de perder o pau da venta, mode se acalmar. Findava estendido no chão como roto desmiolado. Já andava todo atarantado, num dizendo mais coisa com coisa. Se dizia perseguido por uma coisa ruim. Era a maior saia justa todo dia o dia todo.
- Arre! Assim, eu endoideço!!
Aquela situação mais enervava, do cabra andar azuretado com as pupilas dilatadas, os batimentos cardíacos estimulados e provocando uma alta de pressão arterial em seu organismo; a respiração ficava alterada e ofegante, e os brônquios se dilatando; frieza nas mãos e nos pés; tensão nos músculos de ficar entrevado, inibição da digestão de ficar biqueiro parecendo mais com o bicho cheio como a gota, inibição da saliva tornando a boca seca, sensação de desgaste brabo provocando cansaço extremo e lapsos de memória de se esquecer de dormir e ficar acordado dias seguidos; supressão de várias funções corporais relacionadas com o comportamento sexual reprodutor e com o crescimento, como queda na produção de espermatozóides da gala ficar rala e nego num gozar direito por causa da redução de testosterona; supressão total da puberdade, diminuição do apetite sexual de chamá-lo molenga caiador, pau-mole, ferro-frio, veado maloqueiro; doía-lhe a impotência, o desequilíbrio e a exaustão, chegando ao esgotamento físico acompanhado de dores vagas, taquicardia, alergias, psoríase, caspa e seborréia; hipertensão, diabete, herpes, graves infecções, problemas respiratórios, asma, rinite, tuberculose pulmonar, intoxicações, distúrbios gastrointestinais como úlcera, gastrite, diarréia, náuseas, alteração de peso, depressão, ansiedade, fobias, hiperatividade, hipervigilância, alterações do sono com insônia, de quando pregar as pestanas acordar-se com pesadelos violentos ou com o décimo segundo sono em excesso, sintomas cognitivos como dificuldade de aprendizagem, lapsos de memória, dificuldades múltiplas. Eita, pau! Isso é lá gente, meu? O cabra era uma caipora mesmo, coisa ruim num vinha só de jeito maneira, era encarreada de deixar o sem-vergonha estendido na cama por dias.
Dias depois parecia que estava bem, mas novos estímulos como reações emocionais, mudanças de comportamento com distúrbios da concentração e do raciocínio, alterações fisiológicas psicossomáticas, agitação e apatia.
- Gente, tô com o juízo afetado! -, gritava ele.
- É a gaia, meu filho, é a gaia, a bicha afeta o juízo de deixar o cristão doidinho da silva!
A agitação acompanhada de uma certa irritação e eventualmente maior cinismo. Parece preocupar-se demais e por pequenos motivos ficava nervoso, explodia com facilidade, sua paciência ia a zero. Uma ansiedade na expectativa de que algo ruim ia acontecer, freqüente e afetando o sono do desgraçado. Começava a se sentir incapaz, um inútil na vida. A tristeza passou a ser dominante no seu humor, podendo ocorrer vários episódios de choro por um motivo pequeno, ou mesmo sem motivo algum, com fracassos de desempenho que geravam mais ansiedade e depressão. O cansaço parecia vir com mais facilidade. Procurava não falar com as pessoas, mesmo porque parece que não tinha o que falar. Sentia-se cada vez mais desiludido. Na maioria das vezes havia uma mistura da agitação e da apatia, quando o estado de espírito costumava ficar parecendo um ioiô, ora com euforia e um excesso de energia, ora com tristeza e melancolia. Era uma lentificação dos movimentos, a coordenação motora ficando comprometida com pequenos acidentes, como tropeçar na escada ou derrubar objetos, se avolumavam em cada queda de envergar o espinhaço dele. Doutra ficava mais acelerado, falando abruptamente e num tom mais alto, com movimentos globais mais rápidos. Agia às vezes como uma barata tonta, ocupando-se o dia inteiro mas sem conseguir terminar nenhuma tarefa. Ficava confuso, a lógica parecia desaparecer, adiando decisões. Foi aí que apareceram irritações de pele, com eczemas, psoríase, urticária, acne; nos músculos, contração crônica, cefaléia tensional; arteriosclerose, de quase ter um infarto; surgiu ainda asma bronquica, dispnéia ansiosa; gastrite, úlcera, diarréia, constipação. Isso é gente ou um ninho de enfermidades, doido?
O indivíduo passava a depreciar o trabalho e senti-lo como um peso. Tava numa situação vasqueira sem saber o que fazer de ficar, muitas vezes barifônico, sem poder, ao menos, articular as palavras, concatenar as idéias. Virgem! O cabra resolveu então fugar da pressão e sai às tontas. Na boquinha da noite, o maior pé-d'água caindo torrencialmente, quando viu Munga rebolando na calçada. Os seus olhos quase pulam fora! De tão doido que ficou deu uma entrada na traseira do carro da frente de quase botar o automóvel sinistrado pelo avesso. Foi o maior bafafá. Bateu por causa da bunda de Munga. Eita, porra! Depois de calorosa discussão, Munga consegue retirá-lo da bronca, conseguindo ele, no meio da maior tremedeira, acionar o carro e saindo perdido guiando feito um condenado que foge de bronca e da polícia. Consegue, depois, estacionar o veículo em um terreno baldio nos arredores da cidade, escurinho, lugar propício para molhar o biscoito, longe dos olhares curiosos dos atrapalha-foda! Munga mais manhosa que nunca começou se esfregando no sujeito que agora estava mais calmo, num conseguindo tirar os olhos do decote, da cauda volumosa e da cara sem-vergonha dela. Desceram do carro e ficaram sarrando em cima do capô. Era um agarrado todo cheio de vexame, a ponto de incendiar a alma dos dois. O xambrego tava a ponto de um atravessar o outro e sair do outro lado. Tavam travados de num ter quem desengatasse os dois.
Foi aí que um sujeito mau encarado, todo trombudo, do beiço virado, musculoso mais parecendo um Hulk preto, todo cheio da gíria, largou uma mãozada nos maluvidos do Birito dele cair estendido no chão, deixando a Munga toda descabelada na hora do bem-bom quando já ia enfiar o seu pingulim no engole-rola dela.
- Tô aqui, viu? -, disse o negão.
Birito quase teve um troço e ficou rodopiando feito cachorro querendo pegar o próprio rabo. O negão gritou prá ele ficar quieto senão fodia-lhe a alma. O bicho ruim retirou dos bolsos uns fios e amarrou Birito abraçado numa árvore, deixando-o lá. Rumou para Munga que ainda revirava os olhos, puxou-lhe pelos cabelos e, enquanto abria a braguilha, enfiou a cara dela na sua manjuba.
- Chupa direito aí, porra! Se morder, vai apanhar até fofar!
Enquanto ela lambia seu membro ele dava-lhe puxavanques de quase deixá-la careca e obrigando-lhe a engolir aquele avantajado rolão, rasgando-lhe os lábios e a boca, empurrando-lhe até se enganchar na garganta a ponto de sufocar-lhe violentamente, rasgando ainda mais as bordas de sua boquinha. O bruto cada vez mais se infincava empurrando e tirando o cacete com força.
- Lambe, porra! Chupa direito esse caralho que lhe fodo a alma, puta!
E ela lambia de se babar lambuzando com seu sobejo aquela avantajada mangueira, já se acostumando com o seu sabor de deixar-lhe fuviando em baixo, toda minando, doida para ser fodida por aquele caralhudo, mais querendo engulir enquanto era invadida a sua boca em toda a sua totalidade, até que o cara esporrou-lhe abundantemente dela ficar sugando as mínimas gotas expelidas e de ficar lambendo a glande demoradamente até nada mais restar da esporrada. O cara grunhia com isso, batia-lhe na cara enquanto ela insistia em deixar a língua rodopiando o chapéu-de-vaqueiro, o reguinho do pênis, enfraquecendo as forças do brutamontes que urrava de prazer, doido, apertado.
O mastodonte depois empurrou-lhe para dentro do carro e foi restaurar as energias perdidas e a respiração que ofegava até depois de algum tempo se equilibrar e ficar olhando para ela, jogada, arreganhada, deitada no assento do carro.
- Eu ainda vou lhe comer, s'a porra! Fique quieta que vou enfiar na sua cheba e no seu papeiro, puta safada.
Birito tudo olhava e ficava amedrontado com aquela situação. Havia berrado demais enquanto o cara esporrava na boca da sua namorada.
- Você gosta de berrar, né cabrito viado? Você vai berrar agora que eu quero, seu corno de uma gaia mole!
O ajegado se dirigiu a ele, arrancou-lhe a calça, deixou-lhe a bunda à mostra, o cara cuspiu na mão, passou no cu dele e enfiou-lhe sem dó nem pena aquele cacete gigante, arrancando-lhe as pregas todas, do bicho gemer de dor até umashoras.
- Num me cague não, seu fresco safado!
E tome peiada no oiti-goroba do cabra num aguentar de dor e desmaiar.
- Esse é o veado mais fresco que eu já comi. Num aguentou nem a cabeça e foi logo desmaiando, arre, veado safado!
Largou Birito e foi em direção da Munga. Agarrou-lhe pelos cabelos, arrastou-a até o capô do carro, deitou-la de bruços, botou-lhe a saia pela cabeça, arrancou-lhe com força a calcinha, cuspiu de novo na mão, esfregou o cuspe no ânus dela e enfiou-lhe a tromba com força. Ela deu uma impada, sentiu se rasgando toda, até que depois do sacrifício começou a ter prazer.
- Tá gostando, né puta safada?
E se remexia mais, se ajeitando para facilitar o cara enfiar mais aquela mangueira toda no seu cuzinho. Ele enfiava com raiva, ela gostando. Enquanto ele urrava, ela gemia. Sabia ela que se partiria em bandas, que o bruto ia lhe rasgar toda, arrebentando suas entranhas, dilatando sua intimidade, a rola se enfiava no cu e tava já saindo pela garganta de ajegada que era, ela sentia atravessada toda, entalada, arrebentada, a ponto de lhe tapar a respiração. O gozo foi tão repuxado que ela não agüentou a agonia do orgasmo.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.  



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