sexta-feira, março 07, 2008

AS TRELAS DO DORO



VAI TOMAR NO QUIBA, PORRA!!!!


O Doro estava virado na porra naquele dia. Despranaveado mesmo. Já viu alguém injuriado? Multiplique por mil, assim estava ele.
Foi o seguinte: estava ele lambendo os beiços no maior caqueado, só saboreando umas e outras para clarear as idéias e amainar o disminlinguamento do trampo, quando um certo tipo oriundo de alhures, instou-lo com admoestações.
- Não desperdice sua vida com as tentações da carne.
- Cuma? -, intrigou-se arregalando os olhos para o distinto.
- Deus criou o homem para fazê-lo cordeiro de sua obra!
- Fodeu, Maria-preá.
- Não se afunde na bebida fazendo de sua vida uma desgraça!
- Ai, meu saco! -, replicou Doro, palitando o tiragosto dos dentes.
- Deus mandou-me para salvá-lo desse mau caminho.
- Espie aqui, seu mondrongo: quando eu tô me lascando na labuta ninguém chega pra pidi preu parar de trabaiar. Muito pelo contráro, destabocam que trabaiá indignifica o hômi. Agora intô discansando a alma e a carcaça numa bebericage de leve e no sociá que hoje num é dia de amundiçamento. Faz favô, vá sentá num balaio cheíim de rola dura voadora, vá!
- A oportunidade da sua salvação é agora ou nunca!
- Ih, esse cara qué me infezá. Já to veno! Qualé a tua, hem?
- Primeiro, quero levá-lo para o AA. E, depois, encaminhá-lo na senda do senhor –, disse o sujeito num tom exagerado de solenidade.
- AA? Qui droga é nove?
- Alcoólicos Anônimos. E depois, para o coração de Cristo.
- Taí, apreciei sua lorota. Vamo nessa? Diga lá e eu vô prontinho da silva.
Com a anuência de Doro o cara arribou deixando as recomendações para ele se dirigir no dia seguinte para o endereço indicado.
Doro como não é flor que se cheire, foi.
Antes de ir, tomou logo umas bicadas boas para não passar em branco e aprumar a conversa logo antes de chegar no recinto indicado.
Bem atrasado da hora do convite foi ele chegando lá só no balanço do navio e já mareando da idéia.
Sentou-se e teve paciência de ouvir os depoimentos e os alarmes que o vício da bebedeira provocam no sujeito.
Volta e meia apertava os olhos e a idéia, preparando revide para tanta leseira.
Quando chegou sua vez de falar, ôxe, aprumou-se, pigarreou, empostou a voz, bateu na caixa dos peitos e derramou verbo tresloucado. Jurou o último gole e mandou buscar uma garrafa da que-matou-o-guarda como despedida na presença de todos.
Primeiro gole ingerido, a doidice começou num relato muito troncho de deixar todo mundo azoretado só com as curvas da pabulagem.
Gente, não tem quem acompanhe o seu raciocínio mesmo.
Aí, meu, ninguém agüentou o tombo da baboseira e logo estavam todos topando com a dois-dedinho na comemoração.
Daí, Doro balançou o coreto e a franga soltou-se coletivamente.
Resultado: todo mundo trocando os olhos e as pernas no maior pileque.
Dias depois, eis que diviso Doro encasquetado com um sujeito.
- Que se assucede, Doro? -, perguntei prevendo o pandemônio.
- Esse cara, meu, só me enchendo o saco, ora! –, respondeu-me bastante irritado.
- Um despropósito! -, reclamava o outro que eu nem conhecia.
- Foi a vorta do enterro -, asseverou Doro todo ingicado. E arremedou: - Fui tirá a prova dos nove para vê si todo mundo era siguro no qui dizia. Ôxe, intraru na roda e foi maió salseiro.
- Mas, afinal, o que se deu?
- Este sujeito foi encaminhado com as graças de Deus para o Alcoólicos Anônimos e, do nada, desencaminhou todo mundo!
- Como foi isso Doro?
- Ué, deixei os acólicos anômo tudo nos beóço bicados. De AA para BB.
- Deus vai castigar você.
- Ora, vá tomar no...
Eis que nessa hora, surge a santa mãezinha do Doro e ele alivia no verbo.
- Ora, arrispeiti minha mãe que hoji é o dia internacional das mulé e vá s´imbora antes que eu sorte meus cachorro todo...
- Isso ficará na conta dos seus pecados, Deus há de castigar você.
- Ora, vá tomar.... vá tomar... vá tomar no... no quiba, porra! Adisculpi o palavrão, minha santa mãezinha.
- Ora, manda esse fresco tomar no cu mesmo, meu filho.
Pronto.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui



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