quarta-feira, março 26, 2008

TOLINHO & BESTINHA



VIII

Quando Bestinha emputecido prestou depoimento arrepiado


- Êpa, eu tumém tô puto, injuriado, amuado, murdido do pôico, puraqui, maió gogó cum esse cominheiro folgado, sigurando na beira du limite, destabocado di jeito ficá pronto prA arriar o sarrafo nesse desinfeliz de modo dispranaviado, sem sabê onde pode s´acabá esse desmantelo! Si tô, ora. Tô tão afogueado de tocá n´mim fica tudo queimado. Si fica, ó. Vou pegá-lo na premera esquina, si vô. Ispremê-lo na algibera di ficá destamaínho! Num adianta s´iscondê in cafua doutro mundo, achu-lo no oco das bandas de longe e mostru-lo quem é qui é o tal. Ôxe, vai si lascá comigo mei metro de inferno adentro de cangaia pru ar! Tô pronto pro maió chabuco e num tem reza forte qui dê jeito! Nem mermo o santo padim pade Ciço descendo aqui sarva a alma dessa desgraceira o cavernoso. Vai si fodê cumigo, ora! Vai s-e-si f-o-fó d-êêêdê: fudê! Ah, si vai, ta fudido cumigo! Ou eu num sô eu! Vô isculhambar esse iscritô de bosta que fica inventando merda pra banda da gente. Maió lero, sem-mais-que-nem-prá-que, patati, patatá, raposeiro, disonrando a morá suada c´a gente conquistô, meu! Ôxe, tais pensano quê? Tais pensano mermo o quê? Tataritaritatá! Mexeu cumigo, tem treta! Sô bom, maisi cum golpe baixo viro capiroto! Dô extrovengada a três pro quatro e só mi aquieto adispois de vê tudo desarranjado. Dou fé! Sô macho indo e vortando. Num levo desafôro pra casa di jeito nenhum. Num abro nem dibaixo d´água! Nem prum trem! Quanto mais, ó. Buliu cumigo, já viu! Sô chato e meu tuim ajuda. Quano tô injicado, pelejo, sorto os bicho, disincoivo a corage, fico amulestado e só páro quano deixo um estirado. É. Cumigo é assim. Boca falô, cu pagô. E si caçoá de mim, rá, dô retorno do sujeitim vê fúria enviesada de guerra braba! Pió qui saculejo de bombardeio. Brinqui! Brinqui e vai ver o rebuliço na casa da peste. Mai teco! Macacada, ora. Destá! Ora, um cavernoso desse tirano onda pra minha banda! Tolinho tá certo! A gente é qui tem qui tomá conta dessa porcaria de istóra, contando as nossa verdades mais quilara e num deixando esse mequetrefe-duma-figa ficá cum invencionice mais sem pé nem cabeça. Tramóia pura! Coisa de enredeiro, de viado candinha. Hum! Vai sentá num balaio de rôla, pirôbo! Vai dá teu cu nouta horta, fresco-da-gaia-mole! Vai si lascá cumigo. Ora, si vai. Vô me amoitá e só quero vê esse fuleiro vim cum pantim pra minha banda, que arrenego e toco fogo, dêxo só o brasêro tostando. Venha pra vê o circo pegá fogo, venha! Venha vê o peso da munheca, seu safado! Cê vai vê só o desacerto du muque, chegue. Cadê? Fica aí cheio de cunversa mole e se acorvadando pra briga. Chegue! Chegue! Venha vê cum quanto pau se faizi uma canoa, chegue! Dô-li um murro no pau da venta do sangue ispirrá. Tá brincano, meu. Eu sô homi, sou homi e honro as calça qui visto! Venha pra cá! Agora, uns cabra safado desse fica alcagüetano a gente, porra. S´eu mi incruzá com ele, vai ter barraco, aviso logo. Vai, mai si vai! Quero vê ele me dizê na lata o qui diz qui diz, quero vê? Sorto-li um cagaiaço no mei das fuças de ficar zanôio pru resto da vida. Venha qui quero quebrá seus dente, cabra safado! Feladaputa! Guenzo, fi´o duma coiteira quenga! Fi´di-côrno! Tramoiento! Tais pensano o quê? Qui sô frouxo, é? Qui sou maloquêro da sua laia, é? Hum, brinqui. Brinqui qui cê vai vê o intêrro vortano pra sua banda, côrno! Ôxe, pode um negóço desse? E tem mai: eu mermo, num sou Bestinha de nada, tenho tino certo, penso indireitado, saculejo as dúvida e num deixo passá nada sem a prova dos nove. Cumigo é tudo preto no branco. Agora, esse tarzinho qui fica dizendo disso e daquilo da gente, merece c´a gente bote ele no canto dele, iscuiambá-lo mostrando quem é esse cabuloso enredêro qui eu e quaiqué um pode se certificá. Ôxe, esse cara bota a gente na maió encurralada da gente ficá no maió sinuca de bico, cara, pode, bicho? Pode um negóço desse? O frebento é só enredando qui só, pode? Espie, tô cum Tolinho e não abro um só centímeto de nada, ôxe! Aviso logo: num sô cofre pra guardá segredo! Si eu disimbucho o que sei, ele tá frito! Fica impiorado mai qui político nas época de inleição! Disculhambo mermo. Ele sabe, mexeu comigo, empena tudo! Num fica pedra sobre pedra.
- Quis brabeza é essa, homi? -, indagou Tolinho
- É o mermo injuriamento qui cê tá com esse... esse... farta até nome ruim pra inclassificar esse boateiro-feladaputa! -, revidou indignado, Bestinha.
- Tô de quengo inchado tumém. Maisi.... e s´a gente s´ajuntá pra fazê essa milonga do jeito c´a gente qué?
- Cuma é?
- Ara, a gente mostrá pro povo o qui a gente é, assim, preto no branco?
- Tais doido, tais?
- Intenda, rapaizi, a gente milhorá a image da gente com os outros...
- Cuma assim?
- Ôxe, o qui dé na telha!
- Num intendi!
- Tu, tamém, hem? Eita besta quadrada da gota!
- Ora?
- A gente chega, conta do jeito da gente, a gente sai qui só artista de cinema, tudo inlogiado, tudo qui num queime nosso filme, esquece as seboseira e fala só das coisa boa...
- Peraí, entonsi...
- Isso mermo...
- Entonsi....
- Entonsi o quê?
- Entonsi, noisis faiz...
- Ih, dessa cachola num sai nada qui preste! Você é retardado ou o quê?
- Peraí, disgraçado, dêxa eu vê.... hum....
- Num s´isquente pra gaia num derretê seu juízo, viu?
- Ora...
- Ora o quê, vamo s´imbora qui Boca-de-frô tá s´arrumando pra gente pintá e bordá poraí. Tem um festêro certo que´le tá mi chamando pra ir e tu vai cumigo. Quem cunvida um, cunvida um muntão. Entonsi, lá a gente faiz a maió maruage e depois a gente se limpa.
- É mió, é mió a gente s´intendê cum Boca-de-frô, antes qui entre mai ôtro quaiqué nessa briga. Mai, ói, s´eu incontrá esse desgraçado por aí, num respondo por mim, num respondo por mim.
- Caima, hômi, num dêxa esquentá a bunda qui o negóço dá na viadage.
- Êpa!
- Tõ ti avisando, tô ti avisando!!!
- Vamo.
- Bora.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.



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