quarta-feira, setembro 19, 2018

PAULO FREIRE, ROSALIA DE CASTRO, CALVINO, LOUZEIRO, RACHEL PODGER & ALVARO POSSELT


O DESMATELO DE AFREDO & MAMÃO - Imagem: arte do poeta e professor Alvaro Posselt - Desde que começaram a trabalhar na loja do Marquito Ladeira, Mamão e Afredo tornaram-se amigos de ferro e fogo, formando uma dupla que se davam por Batman & Robin, Faísca & Fumaça, gaiúdo e corneado, um pelo outro, indo e voltando, a dupla inseparável: Deus fez e o diabo ajuntou. Nada haveria que separasse esses dois pariceiros, carne e unha, arrochados. Em nome dessa amizade, não abriam nem prum trem que ousasse enfrentá-los, pois se tivessem de morrer, que morressem por uma única causa, ou seja, um pelo outro, os dois torrados, lascados, fulminados, espragatados, fodidos e mal pagos, mas juntos. Tanto é que depois de racharem salário, comida, vestes e dedadas, de muito cavalo-mago e pileques homéricos, fizeram ambos um trato com talho nos dedos da mão, juntaram um no do outro e selaram um pacto de sangue: amigos para sempre, seja em que circunstância for. Pudesse cair chuva de canivete, enchente do estopô calango, briga da boba torreiro, trupé da peste rodeira, o que fosse, lá estariam, irmanados, um a favor do outro, contra o que aparecesse de infortúnio ou intriga ou o que porra que desse de revertério. A coisa ia bem entre eles, toma lá dá cá, vai e volta, esse é meu que também é seu, fizeram-se de irmãos que nunca tiveram, só iam pros cantos se fossem os dois, mijavam juntos para não terem nenhuma suspeita, isso até o dia em que Afredo botou as butucas sobre a formosura de Galbidizia, mais conhecida por Dizinha, ah, uma paixonite de fazer um buraco no bucho dele e do coração querer sair pela boca: o cabra roía apertado de paixão pelos cotovelos, cornos e espinhaço. Dia desses Afredo embonecou-se com a domingueira e já saindo todos nos trinques: Pronde vai, Afredo? Vou me encontrar com Dizinha. Quem? Dizinha, rapaz, tô namorando pra noivar! Aquela chupona de rola? Respeite que falei namoro e quero casar com ela. Aquela bundeira, já arregacei minha pomba muitas vezes no caneco dela! Num brinque que ela será minha esposa! Pronto, bastou isso e se estranharam pela primeira vez, mordidos cada qual pro seu lado. Ao se encontrarem, já ensaiavam briga: Você tá com ciúmes, Mamão! Eu quero lá aquela puta safada? Respeite! E a turma do deixa disso permitia apenas os desaforos, nada de se agarrarem em luta livre. E juravam desavença, até de morte. O tempo passou, Afredo namorou, noivou e, ao invés de casar, se juntou com Dizinha num emancebamento bom sob promessa futura de contrair matrimônio de verdade, não antes uns trocentos arranca-rabos com Mamão, de saírem os dois bastante estropiados. Pois tá. Um dia lá, boquinha da noite de sábado, Afredo vai pra casa: Amor, cheguei! Do susto, o estuque não aguentou! Teibei! Arriaram lá de cima e caíram plantados no meio da sala nus, Mamão e Dizinha. Sem ter o que fazer no meio daquele espalhafato, Mamão olhou pro amigo e disse: Eu num disse a tu, Tomé corno da porra! E saiu na maior carreira do jeito que estava, fazendo poeira e deixando o tempo ruim pra trás. Coitado do Afredo, de olhos esbugalhados, não acreditava no que via de sua amada. Ah, o casamento, pelo que sei, parece que foi adiado para não sei quando. Como assim? Ué, eu lá sei! Diziam: eles que são brancos que se entendam. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da maestrina e violinista inglesa Rachel Podger: Bach Violin Partita nº 2, Brecon Baroque Festival, Chiacona de Antonio Bertali & La Stravaganza de Vivaldi & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] Nas aulas verbalistas, nos métodos de avaliação dos conhecimentos, no chamado “controle de leitura”, na distância entre o educador e os educandos, nos critérios de promoção, na indicação bibliográfica, em tudo, há sempre a conotação digestiva e a proibição ao pensar verdadeiro. [...]. Trecho extraído da obra Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 1983), do sociólogo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui e aqui.

PROPOSTAS PARA O SÉCULO XXI - [...] não estou aqui para falar em futurologia, mas de literatura. O milênio que está para findar-se viu o surgimento e a expansão das línguas ocidentais modernas e as literaturas que exploraram suas possibilidades expressivas, cognoscitivas e imaginativas. Foi também o milênio do livro, na medida em que viu o objeto-livro tomar a forma que nos é familiar. O sinal talvez de que o milênio esteja para findar-se com frequência com que nos interrogamos sobre o destino da literatura na era pós-industrial. Não me sinto tentado a aventurar-me nesse tipo de previsões. Minha confiança no futuro da literatura consiste em saber que há coisas que só a literatura com seus meios específicos nos pode dar. Quero pois dedicar estas conferências a alguns valores ou qualidades ou especificidade da literatura que me são particularmente caros, buscando situá-los na perspectiva do novo milênio. [...] Cada vez que o reino do humano me parece condenado ao peso, digo para mim mesmo que à maneira de Perseu eu devia voar para outro espaço. Não se trata absolutamente de fuga para o sonho ou irracional. Quero dizer que é preciso mudar de ponto de observação, que preciso considerar o mundo sob uma ótica, outra lógica, outros meios de conhecimento e controle. As imagens de leveza que busco não devem, em contato com a realidade presente e futura, dissolver-se como sonhos... No Universo da literatura sempre se abre novos caminhos a explorar, novíssimos ou bem antigos, estilos e formas que podem mudar nossa imagem do mundo... Mas se a literatura não basta para me assegurar que não estou apenas perseguindo sonhos, então busco na ciência alimento para minhas visões das quais todo pesadume da minha vida tenha sido excluído. [...]. Trechos extraídos da obra Seis propostas para o próximo milênio (Vozes, 2000), do escritor italiano Ítalo Calvino (1923-1985). Veja mais aqui e aqui.

A LITERATURA E O FAZER LITERÁRIO – [...] Os fatos que substanciam esta narrativa foram tirados do nosso amargo cotidiano. O autor não teve a preocupação de alinhá-los cronologicamente, nem se absteve de descrever situações brutais, que mostram muito bem o grau de desumanização a que chegamos. [...]. Trecho extraído da obra Lúcio Flávio, o passageiro da agonia (Civilização Brasileira, 1973), do escritor e roteirista José Louzeiro (1932-2017), que no artigo Mataram a moça e caçaram o livro (Folha de S. Paulo, 13 jan. 1980), assinalou que: [...] Mas nós temos dois caminhos na nossa literatura. Quando eu digo nós, incluo toda a América Latina. Ou nós polarizamos a literatura ou a literatura se elitizará de uma vez por todas. [...]. Veja mais aqui.

CANTARES GALLEGOS - Nasci quando as plantas nascem, / no mês das flores nasci, / numa alvorada docinha, / numa alvorada de abril./ Por isso me chamo Rosa, / Rosa do triste sorriso, / com espinhos para todos / e sem nenhum para ti. / Desde que te quis, ingrato, / tudo acabou para mim, / que para mim eras tudo, / minha glória, minha vida. / De que, pois, te queixas, Mauro? / De que, pois, te queixas, dize, / se sabe que eu morreria / por te comtemplar feliz. / Duro cravo me encravaste / com este teu maldizer, / com este teu doido pedir / que não sei que quer de mim, / pois te dei tudo que pude, tão avarenta de ti. / O meu coração te envio / e a chave para o abrir; / nada mais tenho para dar-te, nem tens mais que me pedir. Poema da escritora espanhola Rosalia de Castro (1837-1885). Veja mais aqui.

A ARTE DE ALVARO POSSELT
A arte do poeta e professor Alvaro Posselt. Veja mais aqui.

AGENDA
Feira do Livro de Porto Alegre – de 1º a 18 de novembro de 2018, na Praça da Alfândega, Centro Histórico – Porto Alegre (RS) & muito mais na Agenda aqui.
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Outras de Mamão & Afredo Bocoió aqui, aqui, aqui e aqui.
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Eterno aprendizado, Fernando Pessoa, Neurofilosofia, Marilena Chauí, Ralf Waldo Emerson, Amanda Sage, Princípio fundamentais de Filosofia, Márcio Montarroyos, Ana Rucner, Roberto Szidon & Natalia Gutman aqui.


MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...