segunda-feira, junho 06, 2016

MAMÃO, NOVAMENTE O ESTRANHO AMOR


MAMÃO, NOVAMENTE O ESTRANHO AMOR – Depois do episódio escandaloso dO amor da jumenta, Mamão – aquele troço esquisito, aquela coisa horrorosa -, estava novamente envolvido com as coisas do coração. Coisa, aliás, muito fora do seu ser, alheia a sua existência. Todavia, se Quasímodo fora assaltado por sentimentos profundos pela bela cigana Esmeralda e, por isso mesmo, teve de enfrentar a voluptuosa paixão do arcediago dom Claudio Frollo; se o sanguinário Vlad Tepes que se tornara mais tarde o Conde Drácula, se apaixonara por Elisabetha e, 400 anos depois de morta, para sua desgraça e enlouquecimento do seu coração ela reencarna na Wilhelmina Murray, a estonteantemente linda Mina; e se o desalmado Bispo de Áquila, no Ladyhawke, se vira enredado na paixão pela beleza divina de Isabeau d'Anjou, por que um Joseph Merrick de Alagoinhanduba não poderia ter a capacidade de amar de verdade? Logo ele que pra ser um vivente teve de enfrentar um processo seletivo de competição com milhões de espermatozoide e, triunfando na guerra, nasce tristemente ocrídio, tão feioso de se tornar vítima hostilizada pelas agruras da implicância e incompreensão humanas. Não fosse o seu protetor um colecionador e criador de bicho de toda espécie, ele não sobreveria e a gente seria privado da estranha história da lindinha cega e o monstrengo zonzo: ela formosa, requintada, refinada; ele um desajeitado, intrépido, impetuoso. Aquele amor dissipou sua agonia na vida. Bastou vê-la parada numa esquina, mesmo enxergando com dificuldade, encheu-se logo de uma satisfação que lhe fizera valer a pena viver: - É ela. E foi na força da munheca que ele enfrentou tudo e todos que só botavam gosto ruim e que feito mancha de caju queriam atrapalhar de todas as formas o idílio extravagante que surgia entre eles. Estava ela atrapalhada para atravessar a rua, quando ele, nunca antes solidário, se encostou ardiloso nela: - Pricisando, dona? Pra que lado a igreja? Prali. E já saiu apontando pra ela onde era. Ela lá, parada, aflita: - Onde? Mesmo com seu juízo pouco, percebeu alguma coisa nela e pegou-lhe a mão, puxando-a ao destino solicitado. Quando a coitada deu umas tropicadas, foi que ele parou e sem entender ouviu: - Sou cega. Ah, aí ele se tocou. E, então, tornou-se o cavalheiro atrapalhado nunca antes sido. Coisas da vida: nascia ali, naquele instante, um quase impossível grande amor que foi se insinuando por dias, tardes e noites, embalando o casal de forma extraordinária. Em seguida, quase caindo ela se segurou nele. – Sua perna é macia, né? Não era a perna, era o membro descomunal do rapaz. Maior vexame na hora. Coisa inclusive que passou a ser costumeira: - Fica aqui, mão na minha perna, vá? Nossa, mas sua perna incha, fica diferente. Ah, ligue não, deixe a mão aqui. Assim era o namorico que passou a ser noivado do jeito deles, quando tentaram encher a cabeça dela de coisas sobre ele, querendo botar tudo a perder. Ele arretou-se: - Comigo não, violão! E fez os linguarudos bandearem pra casa da peste. Por conta de benefícios previdenciárioas, pode ela sustentá-lo em casa à base de serviços caseiros e ajudas indispensáveis de criado, até tornar-se o marido inseparável até sua prematura morte três anos depois, pra desgraça fatal do sujeito que retornou à estaca zero na vida. Coitado, na solidão de sempre, seguia errante. Deus cuide do coração de Mamão e Paz na Terra aos bichos de boa vontade. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.
Imagem: a arte do pintor, desenhista, gravador, cenógrafo, fotógrafo e escultor Newton Mesquita.
Curtindo as músicas & vídeos do músico, compositor, produtor e critico musical Dery Nascimento & as dicas do blog Planeta MPB.

PESQUISA
Desobediência civil (L&PM, 1997), do filósofo e poeta estadunidense Henry Thoreau (1817-1862), ensaio de caráter anarquista e libertário escrito quando da prisão do autor por se negar a pagar impostos que financiavam a guerra contra o México. Veja mais aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
O Livro das Mil e Uma Noites (Globo, 2005), organizado por Mamede Mustafa Jarouche, reunindo histórias e contos populares do Oriente Médio e do sul asiático. Veja mais aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
MAIS UM CAPÍTULO NA HISTÓRIA UNIVERSAL DA TEMERANÇA
Alô, alô, Brasilzão! Alô, alô gente da melhor cepa:
O reino da Temerança – não será o do Cai Cai? -, é a maior desgovernança no Fecamepa: a quem interessar o golpe, o Big Shit Bôbras agora vai pro assalto dos golpistas ao Palácio do Planalto – agora a Casa da Mãe Temerança – que com fins para lá de lucrativos, deu-se um tiro certeiro: o cabra sabido deu logo pé de peru pro Judiciário, pro Legislativo e pro próprio Executivo, quer mais o que? Depois de comprar os três poderes, o cabra ainda conta com o apoio dos que tão presos na Lava Jato & os sabidinhos da Fiesp, os da burguesia que só querem grana no pé do cipa e um bando de eleitor sem-noção e maria-vai-com-as-outras que vive acoloiado com o noticiário da imprensa sempre vendida sem nunca jamais ter ouvido falar de verdade sobre a História do Brasil. Segura o comboio que o negócio é sério!?! A coisa agora é só a farra do temerante intemperante: fulano delatou sicrano que caiu por cima da grana de beltrano pra prejuízo de outrano e todo blablabla para engalobar todo mundo e consagrar a delação premiada. Além de roubo, dá prêmio: eu digo, ele desmente e a boataria come no centro! É só disse-me-disse e eu onde é que fico? Do lado que a corda se arrebenta, ora! E assim vai: quem se habilita? Vamos aprumar a conversa desaprumada e veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Brasil dos Latifundios (2006), do artista plástico cearense radicado no Rio de Janeiro, Raimundo Rodriguez.

Veja mais sobre Primeira Reunião: Poucas palavras & uma dor, Thomas Mann, Pierre Corneille, Maysa, Diego Velázquez, Eugénia Melo e Castro, Pierre Bourdieu, Sagarana & Ítala Nandi aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu (óleo sobre tela), do professor, desenhista ilustrador, caricaturista e pintor Thiago Hellinger.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Sobras do Mundo (2000), do artista plástico cearense radicado no Rio de Janeiro, Raimundo Rodriguez.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

RILKE, HUYSSEN, MARIA IGNEZ MARIZ, ANTÔNIO PEREIRA, LUCIAH LOPEZ & ARTE NA PRAÇA

PRIMEIRO ENCONTRO: MEU OLHAR, SEU SORRISO – Imagem: arte da poeta, artista visual & blogueira Luciah Lopez . - Da tarde a vida fez-se ...