sábado, junho 04, 2016

TERRA DO QUE SOU, VIDA QUE ME CABE


TERRA DO QUE SOU, VIDA QUE ME CABE - (Imagem: The Earth Is My Mother by Shelley Bain) - Sou filho deste chão, semente do mundo que brota a cada renascer do Sol no céu de todas as estrelas que alumiam todo caminho das estradas que sei que sou e voo aos infinitos recônditos de mim. Sou das águas essa nascente, fogo do universo feito, vento que sopra de todas as direções, a poeira das pedras, ventania dos temporais. A corrente dos mares, morros de Sol poente, galhos e florais. As nuvens de besouros, a seiva dos troncos, as raízes dos matagais. A música dos pássaros, as abusões das florestas, o sopro dos vendavais. O movimento das pedras, a corrente dos brejos, a atração dos metais. A neblina das matas, o limite das colinas, o reino dos animais. As larvas vulcânicas, a fundura oceânica, o ninho dos corais. A vertigem dos abismos, o clarão dos dias, escuridão das noites, os cardumes fluviais. As flores primaveris, a trilha das formigas, as chuvas invernais. A queda das cachoeiras, as areias do deserto e das praias, o capim rasteiro, mangues ovados, charcos vitais. O sal do suor, o doce da fruteira, lençóis, aquíferos, os contornos dos litorais. Os córregos, penhascos, viveiros, falésias e grutas, os restos mortais. A rotação, translação, a precessão lunissolar, as geleiras, ondas sísmicas, as folhas outonais. As rochas basálticas, as câmaras magmáticas, as temperaturas estivais. Sou filho deste chão, semente do mundo, a expressão da nave mãe: Terra mulher que nasce do que sou, vida que me cabe. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


Imagem: a arte da proeminente figurinista, artista gráfica e pintora do cubo-futurismo russo Natalia Goncharova (1881-1962). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Tatá (Antro, 2004), do guitarrista Eduardo Ponti.

PESQUISA
Galalaus & batorés (EdUFPE, 1981), do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mário Souto Maior (1920-2001), tratando a respeito da briga entre grandes e pequenos, o Clube dos Baixinhos, os galalaus, os batorés e uma série de verbetes recolhidos do anedotário popular. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
Elogio da madrasta (Objetiva, 2009), do escritor e jornalista peruano, Premio Nobel de Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa, contando a história vivida entre a sensual e elegante Lucrécia e dom Rigoberto num idílio de fantasia e sexo, envolvendo a paixão do filho dele pelos encantos da madrasta. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.
Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.
Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.
Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde posssas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.
Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.
Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.
Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.
Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.
É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.
Poema Sugestão (In: Vento Geral - Civilização Brasileira, 1984), do premiadíssimo e traduzido poeta amazonense Thiago de Mello. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Videoinstalação: projeção Nu descendo uma escada (2008), de Rachel Mascarenhas e Ana Paula Pessoa.

Veja mais sobre Rio São Francisco – O Velho Chico, Lampião, Dias Gomes, Turíbio Santos, Ítala Nandi, Hugo Carvana, Neila Tavares, Natalia Goncharova, Even Ruud, Cláudio Manuel da Costa, Isabel Lustosa & Paulette Goddard aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo e artista visual Yan Pierre.
Veja aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Fragile Earth, By Dr Taha Hassaballa Malasi.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.




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