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quarta-feira, abril 11, 2018

DRUMMOND, RUBEM ALVES, JOAQUIM CARDOZO, NATALIA GONCHAROVA, ADOLFO VÁZQUEZ, ZECA BALEIRO & LIANNE LA HAVAS

PERNAS PRA QUE TE QUERO – Imagem: Peasants dancing (1911), da pintora do cubo-futurismo russo, Natalia Goncharova (1881-1962) - Zé João e João Zé, irmãos de ferro e fogo até dizer basta, um pelo outro nos apertos, tragédias e estripulias, do teste da goma ao cavalo mago, coisa de não haver quem apartasse aquela união de fuleragem, banguelas e trapaças. Um dia, por causa de um desentendimento por coisa de pouca monta, as suas respectivas consortes, entraram em rota de colisão. Isso é coisa que se faça? Ah, mas ou você dá jeito na sua quenga, ou o negócio vai agarrar o pencó de findar num mata-burro! Como é que é? Tais pensando o quê, hem, amarelo fi’duma égua? Isso mermo, ou dá jeito na sua marmota, ou a coisa empena pra sua banda! Danou-se! Os dois quase emendaram os bigodes ali mesmo, de riscarem faca no chão, bufarem, fazerem careta de todo tipo e se amaldiçoarem mutuamente. Coisa com cara de bronca das brabas, de entrar bruguelo, periquito, papagaio, guenzo, sapos, parentes e simpatizantes na roda. É que as comadres acharam de atiçar as diferenças na base do deboche, por conta disso o que era de berilo, caçola, caçarola, bisquís e penico, serviram de armas de guerra por dias, semanas, meses, de findarem intrigadas figadais, duma não aguentar ver o focinho da outra sem largar desaforos. Não fosse a intervenção de terceiros, a coisa já tinha findado em tragédia daquelas sem fim, de não escapar no quarteirão ninguém livre duma sova. Bastou uma jogar uma tigela na outra, errando e acertando um dos irmãos, do negócio ficar feio em clima de temporal dos brabos. Resultado, os inseparáveis tornaram-se inimigos de juras e ameaças na maior das rixas. Quando não era um querendo arrancar os testículos do outro, o arranca-rabo ia ineivado subindo a serra com tabefes, rasteiras, pernadas e enfiadas de quase um matar o outro e os dois mortinhos da silva. Findou o quarteto diante do delegado, botando ordem nas desavenças. Uns aos outros acusando de safadeza, malquerença, mexerico e fingimento, de não mais se suportarem nem de longe. Isso sem contar a truculência de puxada de cabelo, unhada, chute e outros coices menos lesivos, até se verem enjaulados com acusações recíprocas. Foi preciso os policiais separar a arenga e aprisioná-los em celas distantes. Com o interrogatório individual o que se ouviu de asneira não dava pra levar nada a sério. O delegado, de propósito, trocou os casais e esperou pra ver a presepada. Deu-se um pandemônio, não havia jeito de solucionar a encrenca daqueles casais. Foi aí que a autoridade policial teve uma ideia e mandou chamar os dois marmanjos para passar tudo a limpo. Não deu certo. Depois de cuspirem injuriados tudo de raiva do acusado, o chefe da delegacia mandou que os dois resolvessem de jeito que fosse aquelas diferenças. Não deu outra: atracaram-se aos empurrões, dentadas, puxavanques e cusparadas, dos dois findarem vítimas de nocaute. Pronto. Dali mais uns dias, os dois se recuperando, um ao lado do outro sob alta vigilância, dum precisar do desafeto para se levantar e outras necessidades mais íntimas. Longe das esposas, deram-se bem, até serem liberados, um abraçado no outro. Só não esperavam a vingança das inimigas que, agora unidas, saíram prontas para dizimá-los. Deram um carreirão de umas léguas a mais, até pararem mortos de cansados. Olharam um pro outro: E agora? Oxe, quem quer mais aquelas trepeças, Deus me livre de voltar a vê-las! Nem mortas! Fugaram do matrimônio e caíram na gandaia, até se verem metidos em camisa de onze varas com as suas novas namoradas. Parece mesmo que esses dois não têm mesmo jeito, sobrando, apenas, a reciprocidade dos dois bem mais íntima que antes, nada mais. Tem coisa nesse meio, dizem, insinuam. E o que é que tem? A vida é deles, destá. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do cantor, compositor, cronista e músico Zeca Baleiro: Lado Z ao vivo, Líricas & Por onde andará Stephen Fry; da cantora, compositora e multi-instrumentista britânica Lianne La Havas: Live Casino de Paris, Live at AfroPunk & iTunes Festival; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA –[...] o indivíduo – como sujeito dotado de consciência e vontade – deve superar a condição de suporte ou efeito passivo de uma estrutura social para integrar-se livre e conscientemente na comunidade e desenvolver, mais do que nunca, sua responsabilidade social e, com isso, a sua própria natureza moral. [...] Pensamento do filósofo, professor e escritor espanhol Adolfo Sánchez Vázquez (1915-2011). Veja mais aqui.

CASAS QUE EMBURRECEM – [...] Cada ambiente é um estímulo para a inteligência. (É difícil ser inteligente num elevador. No elevador só uma coisa a fazer: apertar um botão.... E pensei que há casas onde a inteligência pode florescer. Não adianta ser planejada por arquiteto, rica, decorada por profissionais, cheia de objetos de arte. Se a decoração se aprende em escola, pergunto se existe, no currículo, uma matéria com o título “Decoração de emburrecer – Decoração para provocar a inteligência”... Essa pergunta não é ociosa. Casas que emburrecem tornam as pessoas chatas. Criam o tédio. Imagino que muitos conflitos conjugais e separações se devem ao fato de que a casa, finamente decorada, emburrece os moradores. Lá os objetos não podem ser tocados. Tudo tem que estar em ordem, um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugara. Orgulho da dona da casa, casa em ordem perfeita. [...] casas que são um tédio: lugar para dormir, tomar banho, comer, ver televisão. Se é isso que é a casa, então, depois de dormir, tomar banho, comer e ver televisão não há mais o que fazer na casa, e o remédio é sair de gaiola tão chata e ir para outros lugares onde as coisas interessantes podem ser encontradas. Sugiro aos psicopedagogos que, ao lidarem com uma criança supostamente burrinha, investiguem a casa em que ela vive. O quarto mais fascinante do sobradão colonial do meu avô era o quarto do mistério, de entrada proibida, onde eram guardadas, numa desordem total, quinquilharias e inutilidades acumuladas durante um século. Ali a imaginação da gente corria solta. Já a sala de visitas, linda e decorada, era uma chatura. A criançada nunca ficava lá. Na sala de visitas a única coisa que me fascinava eram os vidros coloridos importados, lisos, através dos quais a luz do sol se filtrava. Na minha experiência, a inteligência começa nas mãos. As crianças não se satisfazem com o ver: elas querem pegar, virar, manipular, desmontar, montar. Um amante se satisfaria com o ato de ver o corpo da amada? Por que, então, a inteligência iria se satisfazer com o ato de ver as coisas? A função dos olhos é mostrar, para as mãos, o caminho das coisas a serem mexidas. Acho que uma casa deve estar cheia de objetos para serem mexidos. A casa, ela mesma, é para ser mexida. [...]. Trecho da crônica extraída da obra As melhores crônicas (Papirus, 2010), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves (1933-2014). Veja mais aqui.

A MELHOR OPÇÃO - Todos começaram a dizer que o ouro é a melhor opção de investimento. Fernão Soropita deixou-se convencer e, não tendo recursos bastantes para investir na Bolsa de Zurique, mandou fazer uma dentadura de ouro maciço. Substituir a dentadura convencional por outro, precisa e ridícula, valeu-lhe aborrecimentos. O protético não queria aceitar a encomenda; mesmo se esforçando por executá-la com perfeição, o resultado foi insatisfatório. O aparelho não adeira à boca. Seu peso era demasiado. A cada correção diminuía o valor em ouro. E o ouro subindo de cotação no mercado internacional. O pior é que Fernão passou a ter medo de todos que se aproximavam dele. O receio de ser assaltado não o abandonava. Deixou de sorrir e até de abrir a boca. Na calçada a moça lhe perguntou onde ficava a Rua Gonçalves Dias. Respondeu inadvertidamente, e a moça ficou fascinada pelo brilho do ouro ao sol. Daí resultou uma relação amorosa, mas Fernão não foi feliz. A jovem apaixonara-se pela dentadura e não por ele. Mal se tornaram íntimos, arrancou-lhe a dentadura enquanto ele dormia, e desapareceu com ela. Conto extraído da obra Contos plausíveis (Record, 2006), do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui.

MARIANA – Está chovendo sobre o mundo, Mariana. / Todas as portas se fecharam; / Todas as luzes se apagaram / todas as vidas se abismaram. / Está chovendo sobre o mundo. / Estou só, sem destino e sem abrigo. / Vejo a noite descer, cada vez mais negra, sobre a minha cabeça. / Sinto a água correr, cada vez mais fria, ao longo do meu corpo. / Como está chovendo sobre o mundo! / Onde estás? Onde estás, Mariana? / Quero te ver, quero te achar, quero te conhecer, / quero quês estejas perto de mim, Mariana, / quando a luz surgir de novo, quando amanhecer / e o primeiro sol nascer / sobre o dilúvio. Poema extraído da obra Poesias completas (Civilização Brasileira, 1971), do poeta, dramaturgo, engenheiro civil, desenhista, professor e editor Joaquim Cardozo (1897-1978). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora do cubo-futurismo russo, Natalia Goncharova (1881-1962)
Veja mais aqui.


Festival da Canção de Andradas & muito mais na Agenda aqui.
&
Uivos das horas minguantes, a dança de Allison DeBona, Teatro Kabuki & a arte de Thomas W. Schaller aqui.
 

quinta-feira, dezembro 15, 2016

SCHOPENHAUER, CATHERINE RIBEIRO, NATALIA GONCHAROVA & MUITO MAIS!

VAMOS APRUMAR A CONVERSA! - A gente vê de tudo na vida: de farsante se passando por artista de cinema, de maloqueiro amostrado na maior de bicudo rico, manhoso dando jeito de conseguir de tudo na maior tramoia, até sabidos que levam tudo na pontinha do dedo da vantagem e, nenhum deles, dá pra checar uma topada boa ou tombo que seja. A qualquer reviravolta ou desmantelo, viram logo de casaca, cagam fora do penico e arrumam o jeito de se pendurar até no impossível pra dá volta e ficar por cima, sem ao menos dá a menor pinta de honradez, castigando no óleo de peroba e com a boca aberta nos bolsos e na braguilha dos maiorais. Ô gentinha que vende a alma – com a cantilena da fidelização ao cargo, nunca ao homem -, quando não negociam o alheio para não passarem nunca pelo aperto. Bastam fitar de longe um mata-burro de providenciarem imediatamente a remoção de óbice que houver, pra deixar tudo de porteira escancarada ao bel prazer. Eu mesmo fico só no conferido dos engodos e embustes que hoje são do tope das celebridades que desfilam bulhufas e fungados na telinha. Não são muito diferentes daqueles que no dia a dia da gente fingem ajudar, todos solícitos e cordiais escondendo o riso da cavilação e dando pitacos só pra ver a gente derrapar na curva, quando, na verdade, não passam de indiferentes desalmados e olvidam ou se fazem de moucos a qualquer pedido de socorro, na maior vista grossa ou lavando as mãos pra que a gente caia na primeira boca de caieira. Isso quando não são aqueles que são carne-de-pescoço e obstam com tudo, sempre do contra e botando o maior gosto ruim no dicomer, ou encarando a gente como se do pescoço pra baixo fosse tudo canela pro chute ou rasteira. Afora, aqueles que abrem os olhos de seca-pimenteira ao ver o da gente florindo de boniteza e findar murchando na hora, de só sobrar o desolado sem mais serventia pra nada. Ô-lá-lá. Tudo na base do lavou está novo, o que foi já era e o coro do vamos se arrumar. Se alguém lembrar de algo de alguns anos perto deles, na hora aparece apagador com a admoestação de que passado não move moinho. Sou mais a do George Santayana: Aqueles que ignoram o passado estão condenados a repeti-lo. Não seria essa a condenação de todos nós que somos o povo brasileiro? E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Vivre libre (Alby Music, 1995), da cantora e performer francesa Catherine Ribeiro. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Sanha, a história da canção, Bronislaw Malinowski, Wolfgang Amadeus Mozart, Paul Gustave Doré, Sharon Bezaly, Anna Wakitsch, Lendas Africanas, Jaci Bezerra, Silvio Rabelo, Bertrand Bonello, Clara Choveaux, Ivoneide Lopes, Ju Mota & A história de dois moços e quatro moças aqui.

E mais:
Ginofagia da chegada dela pro amor aqui.
Gestão Tributária aqui.
Mandonismo da paixão aqui.
Atos ilícitos & excludentes de ilicitude aqui.
Ela, a incógnita do prazer aqui.
A fibra na dieta alimentar aqui.
Todo dia é dia da mulher aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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DESTAQUE: O SONO ININTERROMPIDO DE SCHOPENHAUER
[...] desviemos um instante os olhos de nossa própria indigência e de nosso limitado horizonte: levemo-lo sobre esses homens que venceram o mundo nos quais a vontade, atingindo a perfeita consciência de si, se reconheceu em tudo que existe e livremente renunciou a si mesma [...] então, em vez desse tumulto de aspirações sem fim, em vez dessas passagens constantes do desejo ao medo, da alegria ao sofrimento, em vez dessas esperanças sempre inalcançadas e sempre renascentes, que fazem da vida humana, enquanto animada pela vontade, um sonho ininterrompido, não perceberemos mais do que esta paz, mais preciosa que todos os tesouros da razão, a calma absoluta do espírito, esta serenidade imperturbável, tal como Rafael e Corregio a pintaram nas figuras de seus santos e cujo brilho deve ser para nós a mais completa e verídica anunciação da boa nova: a vontade desapareceu; subsiste apenas o conhecimento.
Trecho extraído da obra O mundo como vontade de representação (Die Welt als Wille und Vorstellung, 1919 - Unesp, 2005), do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da proeminente figurinista, artista gráfica e pintora do cubo-futurismo russo Natalia Goncharova (1881-1962)
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: 
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.

sábado, junho 04, 2016

VARGAS LLOSA, THIAGO DE MELLO, NATALIA GONCHAROVA, EDUARDO PONTI, MÁRIO SOUTO MAIOR, YAN PIERRE, SHELLEY BAIN, TAHA MALASI & VIDEOINSTALAÇÃO


TERRA DO QUE SOU, VIDA QUE ME CABE - (Imagem: The Earth Is My Mother by Shelley Bain) - Sou filho deste chão, semente do mundo que brota a cada renascer do Sol no céu de todas as estrelas que alumiam todo caminho das estradas que sei que sou e voo aos infinitos recônditos de mim. Sou das águas essa nascente, fogo do universo feito, vento que sopra de todas as direções, a poeira das pedras, ventania dos temporais. A corrente dos mares, morros de Sol poente, galhos e florais. As nuvens de besouros, a seiva dos troncos, as raízes dos matagais. A música dos pássaros, as abusões das florestas, o sopro dos vendavais. O movimento das pedras, a corrente dos brejos, a atração dos metais. A neblina das matas, o limite das colinas, o reino dos animais. As larvas vulcânicas, a fundura oceânica, o ninho dos corais. A vertigem dos abismos, o clarão dos dias, escuridão das noites, os cardumes fluviais. As flores primaveris, a trilha das formigas, as chuvas invernais. A queda das cachoeiras, as areias do deserto e das praias, o capim rasteiro, mangues ovados, charcos vitais. O sal do suor, o doce da fruteira, lençóis, aquíferos, os contornos dos litorais. Os córregos, penhascos, viveiros, falésias e grutas, os restos mortais. A rotação, translação, a precessão lunissolar, as geleiras, ondas sísmicas, as folhas outonais. As rochas basálticas, as câmaras magmáticas, as temperaturas estivais. Sou filho deste chão, semente do mundo, a expressão da nave mãe: Terra mulher que nasce do que sou, vida que me cabe. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: a arte da proeminente figurinista, artista gráfica e pintora do cubo-futurismo russo Natalia Goncharova (1881-1962). Veja mais aqui.

Curtindo o álbum Tatá (Antro, 2004), do guitarrista Eduardo Ponti.

PESQUISA
Galalaus & batorés (EdUFPE, 1981), do escritor, advogado, pesquisador e folclorista Mário Souto Maior (1920-2001), tratando a respeito da briga entre grandes e pequenos, o Clube dos Baixinhos, os galalaus, os batorés e uma série de verbetes recolhidos do anedotário popular. Veja mais aqui e aqui.

LEITURA 
Elogio da madrasta (Objetiva, 2009), do escritor e jornalista peruano, Premio Nobel de Literatura de 2010, Mario Vargas Llosa, contando a história vivida entre a sensual e elegante Lucrécia e dom Rigoberto num idílio de fantasia e sexo, envolvendo a paixão do filho dele pelos encantos da madrasta. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
Antes que venham ventos e te levem
do peito o amor — este tão belo amor,
que deu grandeza e graça à tua vida —,
faze dele, agora, enquanto é tempo,
uma cidade eterna — e nela habita.
Uma cidade, sim. Edificada
nas nuvens, não — no chão por onde vais,
e alicerçada, fundo, nos teus dias,
de jeito assim que dentro dela caiba
o mundo inteiro: as árvores, as crianças,
o mar e o sol, a noite e os passarinhos,
e sobretudo caibas tu, inteiro:
o que te suja, o que te transfigura,
teus pecados mortais, tuas bravuras,
tudo afinal o que te faz viver
e mais o tudo que, vivendo, fazes.
Ventos do mundo sopram; quando sopram,
ai, vão varrendo, vão, vão carregando
e desfazendo tudo o que de humano
existe erguido e porventura grande,
mas frágil, mas finito como as dores,
porque ainda não ficando — qual bandeira
feita de sangue, sonho, barro e cântico —
no próprio coração da eternidade.
Pois de cântico e barro, sonho e sangue,
faze de teu amor uma cidade,
agora, enquanto é tempo.
Uma cidade
onde possas cantar quando o teu peito
parecer, a ti mesmo, ermo de cânticos;
onde posssas brincar sempre que as praças
que percorrias, dono de inocências,
já se mostrarem murchas, de gangorras
recobertas de musgo, ou quando as relvas
da vida, outrora suaves a teus pés,
brandas e verdes já não se vergarem
à brisa das manhãs.
Uma cidade
onde possas achar, rútila e doce,
a aurora que na treva dissipaste;
onde possas andar como uma criança
indiferente a rumos: os caminhos,
gêmeos todos ali, te levarão
a uma aventura só — macia, mansa —
e hás de ser sempre um homem caminhando
ao encontro da amada, a já bem-vinda
mas, porque amada, segue a cada instante
chegando — como noiva para as bodas.
Dono do amor, és servo. Pois é dele
que o teu destino flui, doce de mando:
A menos que este amor, conquanto grande,
seja incompleto. Falte-lhe talvez
um espaço, em teu chão, para cravar
os fundos alicerces da cidade.
Ai de um amor assim, vergado ao vínculo
de tão amargo fado: o de albatroz
nascido para inaugurar caminhos
no campo azul do céu e que, entretanto,
no momento de alçar-se para a viagem,
descobre, com terror, que não tem asas.
Ai de um pássaro assim, tão malfadado
a dissipar no campo exíguo e escuro
onde residem répteis: o que trouxe
no bico e na alma — para dar ao céu.
É tempo. Faze
tua cidade eterna, e nela habita:
antes que venham ventos, e te levem
do peito o amor — este tão belo amor
que dá grandeza e graça à tua vida.
Poema Sugestão (In: Vento Geral - Civilização Brasileira, 1984), do premiadíssimo e traduzido poeta amazonense Thiago de Mello. Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA 
Videoinstalação: projeção Nu descendo uma escada (2008), de Rachel Mascarenhas e Ana Paula Pessoa.

Veja mais sobre Rio São Francisco – O Velho Chico, Lampião, Dias Gomes, Turíbio Santos, Ítala Nandi, Hugo Carvana, Neila Tavares, Natalia Goncharova, Even Ruud, Cláudio Manuel da Costa, Isabel Lustosa & Paulette Goddard aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo e artista visual Yan Pierre.
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Fragile Earth, By Dr Taha Hassaballa Malasi.
Recital Musical Tataritaritatá
Veja aqui.

quinta-feira, junho 04, 2015

VELHO CHICO, TURÍBIO, DIAS GOMES, ÍTALA, CLAUDIO MANUEL DA COSTA, NEILA, LAMPIÃO, CARVANA, PAULETTE, GONCHAROVA & MÚSICA & SAÚDE.


BOM DIA, VELHO CHICO – Venho do mar e meu corpo é veleiro de sonhos no amanhecer. E vou pelo rio que é terra, terra que é água dos surubins e que me lava a alma e me faz renascer. Venho com minha atlântica lavada na alegria de viver e atravessar o país desterrado do chão – sou estrangeiro rouco no meio das algaravias das areias de Piaçabuçu, Propriá, Penedo, Angicos e dou de cara em Petrolina com Geraldinho entoando O Ciúme de Caetano, acenando pra Juazeiro. O meu coração é a encruzilhada entre o cabrunco de Sergipe, os filés de Alagoas, os axés da Bahia e as folias de Pernambuco. E meus conterrâneos me dão por Garabombo mesmo insistindo que sou daqui e na nossa língua, e não sei se no Japão alguém pode viver como eu. Sou o gesto anímico do continente americano que não é considerado América, mas resto dela, as sobras e o lixo. E nas margens todo aparato da tecnologia da barbárie no reinado da prótese: toda pressa no marasmo, tudo glamour de museu por vitrine, tudo devastado pra exumação. Os óbices foram muitos na travessia, quase intransponíveis e sucessivos. E se tornaram vetores que me fizeram melhor no coração e na vida (Bom dia, Velho Chico, Luiz Alberto Machado). Veja mais aqui e aqui.

Imagem: Female Nude (Life Study - Naturshchitsa, 1908-1909), da proeminente figurinista, artista gráfica e pintora do cubo-futurismo russo Natalia Goncharova (1881-1962)

Curtindo o álbum Violão Brasil (Kuarup, 1980), do violonista maranhense Turíbio Santos. Veja mais aqui.

MÚSICA & SAÚDE – O livro Música e Saúde (Summus, 1991), organizado por Even Ruud reúne estudiosos e especialistas sobre a temática da obra, abordando temas como do silencia à fala, o mundo de som e música, musicoterapia na educação social e na psiquiatria, o cérebro por trás do potencial terapêutico da música, comunicação corporal, categorias de resposta em improvisação clinica, o ouvido à escuta da música, os efeitos da musicoterapia em crianças portadoras de deficiência, a importância da música e de atividades estéticas no desenvolvimento geral da criança, música e saúde na sociedade pós-moderna e música como meio de comunicação, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho do texto Música e saúde na sociedade pós-moderna, do filósofo da ciência dinamarquês Hans Siggard Jensen: [...] A arte, no entanto, também é um fenômeno cognitivo. A arte não é apenas uma expressão emocional, mas tambem e principalmente, uma maneira de compreender a realidade. Através da atividade artística e da percepção da arte chegamos a ver e compreender coisas que, de outro modo, não compreenderíamos. Esse aspecto epistêmico ou cognitivo da arte tem sido enfatizado por outras teorias estéticas além da romântica, embora ele também faça parte de certas concepções românticas da arte [...] A música, de um modo geral, não é uma atividade discursiva. Isso significa que a música não pode ser analisada como uma atividade que utiliza uma linguagem no sentido restrito. O discurso é a utilização da linguagem em uma situação comunicativa, onde a aplicação de conceito é essencial. O discurso, portanto, pressupõe uma série comum de conceitos, e se revela na possibilidade de compreensão. É o que percebemos nas situações paradigmáticas tais como diálogos. A música, no entanto, é frequentemente descrita através de termos de um contexto linguístico. [...] A música estabelece seu próprio mundo de referência. Ela é um sistema de referencias internas, e como tal a semântica tem que ser compreendida. Trata-se, sem dúvida, de uma estrutura familiar na teoria estética – nós a encontramos nos conceitos de Roland Barthes acerca da estrutura da linguagem literária. A diferença é que não existe, naturalmente, nenhuma linguagem anterior que possa ser utilizada, apenas uma situação concreta e histórica ou cultural que também produz música. Desse modo, uma questão essencial é que a comunicação musical não conta com um sistema ou estrutura que proporcionem uma série de significados e expressões, que possam ser utilizados por uma comunidade de usuários da linguagem. No entanto, existe uma série de tipos ou estilos anteriores de música, de certa forma uma tradição, e em relação a isso uma estrutura pode ser construída com suas próprias referencias internas. Esse fato, ademais, coloca a música, em essência, como uma forma de arte que tem a ver com tempo oportuno também na sua forma de historicidade [...] Veja mais aqui.

SONETOS DAS OBRAS POÉTICAS – O livro Obras Poéticas de Glauceste Satúrnio (1768), do poeta e jurista mineiro do Arcadismo brasileiro, Cláudio Manuel da Costa (1729-1789), reúne sonetos, epicédios, romances, éclogas, epístolas e liras, entre os quais destaco os sonetos: SONETO XI – Formosa é Daliana; o seu cabelo, / A testa, a sobrancelha é peregrina; / Mas nada tem, que ver coa bela Eulina, / Que é todo o meu amor, o meu desvê-lo: / Parece escura a nove em paralelo / Da sua branca face; onde a bonina / As cores misturou na cor mais fina, / Que faz sobressair seu rosto belo. / Tanto os seus lindos olhos enamoram, / Que arrebatados, como em doce encanto, / Os que a chegam a ver, todos a adoram. / Se alguém disser, que a engrandeço tanto / Veia, para desculpa dos que choram / Veja a Eulina; e então suspenda o pranto. SONETO XIII - Nise? Nise? onde estás? Aonde espera / Achar te uma alma, que por ti suspira, / Se quanto a vista se dilata, e gira, / Tanto mais de encontrar te desespera! / Ah se ao menos teu nome ouvir pudera / Entre esta aura suave, que respira! / Nise, cuido, que diz; mas é mentira. / Nise, cuidei que ouvia; e tal não era. / Grutas, troncos, penhascos da espessura, / Se o meu bem, se a minha alma em vós se esconde, / Mostrai, mostrai me a sua formosura. / Nem ao menos o eco me responde! / Ah como é certa a minha desventura! / Nise? Nise? onde estás? aonde? Aonde. SONETO XXVIII - Faz a imaginação de um bem amado, / Que nele se transforme o peito amante; / Daqui vem, que a minha alma delirante / Se não distingue já do meu cuidado. / Nesta doce loucura arrebatado / Anarda cuido ver, bem que distante; / Mas ao passo, que a busco neste instante / Me vejo no meu mal desenganado. / Pois se Anarda em mim vive, e eu nela vivo, / E por força da idéia me converto / Na bela causa de meu fogo ativo; / Como nas tristes lágrimas, que verto, / Ao querer contrastar seu gênio esquivo, / Tão longe dela estou, e estou tão perto. E o SONETO XXIX - Ai Nise amada! se este meu tormento, / Se estes meus sentidíssimos gemidos / Lá no teu peito, lá nos teus ouvidos / Achar pudessem brando acolhimento; / Como alegre em servir-te, como atento / Meus votos tributara agradecidos! / Por séculos de males bem sofridos / Trocara todo o meu contentamento. / Mas se na incontrastável, pedra dura / De teu rigor não há correspondência, / Para os doces afetos de ternura; / Cesse de meus suspiros a veemência; / Que é fazer mais soberba a formosura / Adorar o rigor da resistência. Veja mais aqui, aqui e aqui.

VIRGULINO FERREIRA LAMPIÃO – O livro De olho em Lampião: violência e esperteza (Claro Enigma, 2011), da historiadora, ensaísta, escritora e doutora em Ciência Política, Isabel Lustosa, conta a vida de Virgulino Ferreira da Silva (1898-1938), o Lampião, nas caatingas, massacres, riquezas, provações, poder, paixão, exploração, miséria, crimes violentos e crueldade, tornando-se um mártir dos oprimidos e ícone do imaginário popular nordestino. A obra é composta de treze capítulos abordando o signo da violência, a realidade da caatinga e sertão nordestino, Canudos, o tempo no Brasil, a família sertaneja, a estratégia de guerrilha, os amigos dos cangaceiros, Padre Cícero, os ataques, o Rio São Francisco, a emboscada, Maria Bonita, Capitão Chevalier e a seca de João Miguel, entre outros assuntos. Da obra destaco o trecho: [...] Embora Lampião tivesse pouca cultura e usasse um linguajar rude, falava bem, sem se perturbar, ouvia atentamente e era cortês. Tinha plena consciência da própria importância e ficava francamente lisonjeado com a admiração que despertava no povo. Gostava de ler ou de ouvir alguém ler jornais e revistas do Rio de Janeiro e de São Paulo, principalmente para saber da repercussão de suas façanhas. Inteligente, articulado, organizado, astuto, hábil nos trabalhos manuais, tendendo para a discrição e os hábitos elegantes, em outras circunstâncias talvez Lampião tivesse usado suas grandes capacidades para fazer algo de útil à sociedade. Mas no mundo do sertão as opções para um jovem de família modesta como a dele não eram muito variadas, e as possibilidades de ascensão social remotíssimas. Então, de alguma forma, pode-se dizer que ele foi um produto de seu meio. E que meio era esse? Veja mais aqui, aqui e aqui.

AMOR EM CAMPO MINADO – Recife, 1984. Teatro Santa Isabel. Na cena: Ítala Nandi e Paulo César Pereio. A cena: uma mulher linda, esguia e nua; um homem de casacão e uma marcha insistente de coturnos com seus calços firmes e inexoráveis nos degraus. O apogeu: o sexo na cama em forma de quepe. Em cartaz: Amor em campo minado (1969), do escritor e dramaturgo Dias Gomes (1922-1999), direção de Aderbal Freire Filho, produção da Aquarius Produções Artísticas. Um texto retratando as consequências das primeiras ações do golpe militar de 1964, contando a história de um jornalista intelectual que precisa se evadir da perseguição de sua prisão e se esconder numa cançoniere. Trata-se de uma reflexão sobre os acertos e erros dos projetos intelectuais de esquerda, traduzindo o contexto vivido no país e as experiências vividas entre autor e texto, estrutura e agente. Destaque para a beleza e talento da sempre maravilhosa da consagrada atriz, diretora, escritora, dramaturga e produtora gaúcha Ítala Nandi que tem deixado com sua trajetória uma marca significativa na história do teatro, cinema e televisão do Brasil. Veja mais aqui e aqui.


VAI TRABALHAR, VAGABUNDO – A premiada comédia Vai trabalhar, vagabundo (1973), do ator, diretor de cinema e televisão Hugo Carvana (1937-2014), conta a história de um malandro que saí da prisão e, a partir da liberdade, passa viver de trambiques para conseguir dinheiro com o objetivo de revanche com os rivais do passado. O filme ganhou diversos prêmios: o Kikito de melhor filme no Festival de Gramado (1974), o Air France (1973), o prêmio Coruja de Ouro do Instituto Nacional de Cinema (1973), Prêmio Curumim do Cineclube de Marília (1975), melhor roteiro e trilha sonora no Festival de Messina na Itália (1975) e o Cariddi d’Óro, de opera prima no Festival de Taormina na Itália (1975). O destaque do filme vai pra escritora, jornalista, compositora e atriz de teatro, cinema e televisão Neila Tavares. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.


IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia de homenagear a atriz estadunidense Paulette Goddard (1910-1990)


Veja mais sobre:
Eu, Etiqueta de Carlos Drummond de Andrade, Formação da literatura brasileira de Antonio Cândido, a música de Adolphe-Charles Adam & Benedito Pontes, a pintura de Antonio Bedotti Organofone & Mulheres de Ana Mello aqui.

E mais:
Mamão, novamente o estranho amor, A desobediência civil de Henry Thoreau, As mil e uma noites, a pintura de Newton Mesquita & Thiago Hellinger, Fecamepa & Big Shit Bôbras, a arte de Raimundo Rodriguez, a música de Dery Nascimento & Planeta MPB aqui.
Poucas palavras & uma dor, Tônio Kroeger de Thomas Mann, A dominação masculina de Pierre Bourdieu, El Cid de Pierre Corneille, o cinema de Paulo Thiago Ferreira Paes de Oliveira & Ítala Nandi, a pintura de Diego Velázquez, a música de Eugénia Melo e Castro & Maysa aqui.
O vermelho da amora, a arte de Larissa Morais & LAM na Radio Difusora de Alagoas com Sténio Reis aqui.
As receitas & despesas públicas & LAM na Rádio Jovem Pan AM-Maceió com Miguel Torres aqui.
Formação docente & ensino médio aqui.
Erotismo & Literatura Erótica, A carta de Pero Vaz Caminha, Dicionário da Cachaça de Mário Souto Maior, Entre a seca e a garoa de Ricardo Ramos, a música de Johnny Alf, o teatro de Max Frisch, o cinema de Marcelo Piñeyro & Letícia Bretice, a pintura de Ricardo Paula, a arte de Frank Frazetta & a poesia de Gilmar Leite aqui.
Direito & antecipação da tutela aqui.
A lágrima de Neruda & Prelúdio, A divisão do mundo de Jiddu Krishnamurti, Destino do homem de Goethe, Elogio ao amor de Alain Badiou, a música de Chopin & Debra Hurd, Tchaikovsky & Elena Bashkirova, a escultura de Salvatore Rizzuti, o teatro de Clarice Niskier, o cinema de Neville de Almeida & Christiane Torloni, a entrevista de Marcio Borges, Palavra Mínima, a fotografia de Harrison Marks, a pintura de Pierre Alechinsky, a poesia de Alvaro Posselt, a arte de Roy Lichtenstein & Jerzy Drużycki aqui.
A solidão de Toulouse, Desejo de Elfriede Jelinek, A mulher celta, a música de Jonatha Broke, a arquitetura de Paulo Mendes da Rocha, a pintura de Henri Toulouse-Lautrec, entrevista de Gilberto Mendonça Teles, Psicologia Ambiental, a fotografia de Marcos Vilas Boas & o grafite de Michael Aaron Williams aqui.
Lavratura, O erotismo da natureza nos megálitos de Orens, O imaginário em Lacan de Antonio Quinet, A maternidade de Francisca Praguer Fróes, a pintura de Joan Miró, a música de Bach & Hilary Hahn, a arte de Peggy Bjerkan & Luciah Lopez, Por um novo dia & Rolandry Silvério, O que sei de mim é só de você & A vida começa no final de semana aqui.
Brincar para aprender aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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Paz na Terra:
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NÊGO BISPO, IA GENBERG, JOUMANA HADDAD & FUXICO CULTURAL

  Imagem: Acervo ArtLAM . Bródio na pareidolia do perdulário pendular... - Alagoinhanduba estava em polvorosa com os estardalhaços causad...