quarta-feira, maio 02, 2018

PAULO FREIRE, NOVALIS, BOAL, JOSEPH CONRAD, CAROLEE SCHNEEMANN, VITAL CORRÊA DE ARAÚJO, ANTÔNIO NÓBREGA & LUISA SPLETT

CADA DIA UMA ESQUINA & MUITAS OUTRAS – Imagem: arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann. - Ao virar a esquina, a cada dia, peito aberto, não previa, nunca, o que poderia ocorrer. Sempre assim, a expectativa do imprevisível e inevitável. Podia ser o dia de ontem ou outros que passaram quando feliz por nada ou desolado de esperanças, sem poder pedir ajuda, as escolhas sempre foram minhas e todos fugiam pros seus compromissos, sabia, eu mesmo tenho de dar bom termo para tudo, ou não, cair e pagar o pato, assim seja como for. Podia ser o Galo da Madrugada com zilhões de foliões às fantasias loucas e meio mundo de gente colorida aos pulos pelo embalo da festa carnavalesca fora de hora, só pra dizer que a basta a liberdade de se esbaldar pra ser feliz como puder. Ou um touro bravo desgovernado arrepiando a ocasião e eu paralisado de pânico, sem tempo nem pra olhar pros lados e escapulir por um buraco milagroso aberto na calçada da agonia e eu sumisse daquele aperreio, enquanto uma boiada imensa seguia aterradora pra barca de Noé estacionada não sei onde. Ou um disco voador na caça de me abduzir assim do nada, sem mais nem menos, com tanta gente dando mole, logo eu o escolhido na maior fuga, de nada adiantando, que coisa! E agora? Ou podia ser a Lua que despencou do céu rolando solta e inclemente a esmagar desavisado que aparecer pela frente, como tacada na caçapa. Ou a passeata dos milhões de deserdados,  mulheres, meninos, anciões, toda gente das periferias e centros e adjacências, esfomeados de justiça aos gritos e choros de todas as dores desse Brasilzão arrevirado de porteira escancarada. Ou uma enchente disfarçada de tsunami lavando culpas, ardis e promessas no batismo de toda santidade roubada nas horas mais difíceis. Ou até mesmo Jesus escorraçado pela fúria dos cristãos por preferi-lo crucificado para doer e salvá-los de todos os seus pecados. Ou ainda a Terra rodando ao contrário desgovernada com a fúria dos que revidam toda sorte de exploração. Ou mesmo a morte com cara de raiva pronta para prestar contas comigo. Sem saber o que fazer, desfalecia sem ter mais o que fazer. Ah, nada disso, é o meu pesadelo de olhos abertos, acordei no susto. A vida é minha e vou com todos pra descoberta do que não sei. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do artista e músico Antônio Nóbrega: Madeira que cupim não roi, Pernambuco falando para o mundo & Lunário perpétuo; da pianista suíça Luisa Splett: Sonata nº 5 Scriabin, Vallée d’Obeberman Liszt & Sonata Reminiscenza Nikolai Medtner; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] é preciso que a educação esteja – em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos – adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história. [...]. Trecho extraído da obra Conscientização: teoria e prática da libertação – uma introdução ao pensamento de Paulo Freire (Moraes, 1980), reunindo o pensamento do sociólogo e pedagogo Paulo Freire (1921-1997), que na sua obra Pedagogia do oprimido (Paz e Terra, 2001), observa que: [...] a questão fundamental, neste caso, está em que, faltando aos homens uma compreensão crítica da totalidade em que estão, captando-a em pedaços nos quais não reconhecem a interação constituinte da mesma totalidade, não podem conhecê-la. E não o podem porque, para conhecê-la, seria necessário partir do ponto inverso. Isto é, lhes seria indispensável ter antes a visão totalizada do contexto para, em seguida, separarem ou isolarem os elementos ou as parcialidades do contexto, através de cuja cisão voltariam com mais claridade à totalidade analisada [...], bem como na sua obra Pedagogia da indignação (Unesp, 2000), acrescenta que: [...] Se, na verdade, não estou no mundo para simplesmente a ele me adaptar, mas para transformá-lo; se não é possível mudá-lo sem um certo sonho ou projeto de mundo, devo usar toda possibilidade que tenha para não apenas falar de minha utopia, mas participar de práticas com ela coerentes [...]. Veja mais aqui.

O TEATRO & O PENSAMENTO ESTÉTICO – [...] O pensamento estético, que produz arte e cultura, é essencial para a libertação dos oprimidos, amplia e aprofunda sua capacidade de conhecer. Só com cidadãos que, por todos os meios simbólicos (palavras) e sensíveis (som e imagem), se tornam conscientes da realidade em que vivem e das formas possíveis de transformá-la. [...] Trecho extraído da obra A estética do oprimido. (Garamond, 2009), do dramaturgo, ensaísta e escritor brasileiro Augusto Boal (1931-2009). Veja mais aqui.

A JUVENTUDE & A VIDA - [...] tenho apenas 20 anos – e aqui estou, sobrevivendo a isto tanto quanto qualquer um destes homens, e mantendo meus camaradas inteiros. Eu estava satisfeito. Não abandonaria a experiência por nada neste mundo – ou de outros. Eu tinha momentos de exultação. Toda vez que a velha e esfarrapada embarcação atirava-se pesadamente em direção ao céu, ela parecia me arremessar, como um apelo, um desafio, um grito às nuvens sem piedade. As palavras escrita na popa: Judeia, Londres. Faça ou morra. Ah, juventude! Sua força, sua fé, sua imaginação. Para mim, ela não era um velho traste carregando pelo mundo um monte de carvão como carga – para mim, ela era a empreitada, a prova, o teste da vida. Penso nela com prazer, com afeição, com pesar – como pensaria de alguém morto que um dia amara. Eu nunca a esquecerei... Passe a garrafa. [...]. Trecho extraído da obra Juventude: uma narrativa (Paz e Terra, 2003), do escritor britânico Joseph Conrad (1857-1924).

OS HINOS À NOITEI - Diante do espetáculo maravilhoso do espaço aberto à sua volta, que existência viva, sensível, não ama a deliciosa luz, com suas cores, raios e ondulações, sua onipresença gentil na forma do alvorecer? O mundo gigantesco das constelações despertas inala o dia como a mais profunda alma da vida, e flutua dançando em sua torrente azulada; a pedra tranqüilamente faiscante, a pesarosa planta, o mundo selvagem, ardente e multiforme dos animais o inala; porém, mais que elas, o nobre estrangeiro com olhos brilhantes, andar altivo, lábios melodiosos e cerrados. Como um rei que comanda a natureza mundana, ele invoca os poderes para transformações incontáveis, ata e desata inúmeras alianças, sustenta sob forma celestial cada substância terrena. Sua presença por si só revela o esplendor maravilhoso dos reinos do mundo. E eu me volto para a Noite misteriosa, sagrada e indescritível. Ao longe repousa o mundo, em sepulcro profundo; um lugar solitário e arruinado. Nas cordas do peito golpeia uma tristeza profunda. Estou pronto para mergulhar nas gotas do orvalho, e misturar-me às cinzas. - A distância da memória, os desejos da juventude, os sonhos da infância, as breves alegrias e aspirações vãs de uma vida longa, surgem com uma veste acinzentada, como o vapor da tarde antes do pôr do sol. Em outras plagas a luz assentou suas tendas felizes: e se eu nunca mais retornar para suas crianças, que me esperam com a fé da inocência? O que renova todos os pressentimentos de meu coração, e acalma o ar suave da tristeza? Negra Noite, não terás uma afinidade conosco? O que seguras sob teu manto, cujos poderes ocultos afetam minh'alma? O bálsamo precioso goteja do ramo de papoulas, em tuas mãos. Tu retiras os cravos de aço da alma. De modo obscuro e indescritível, somos tocados: estarrecido de prazer contemplo a face grave que, suavemente e em prece, inclina-se sobre mim, e, em meio a olhares confusos, revela o amor jovial da Mãe. Como a luz parece agora algo pobre e infantil! como é agradável e bem-vinda a partida do dia! - Não é apenas porque a noite arrebata de ti seus servos, e lança aos abismos do espaço teus globos faiscantes, que proclamas, nos momentos de ausência, sua onipotência, e desejas seu retorno? Temos olhos que a noite abriu em nosso interior, mais divinos que aquelas estrelas brilhantes. Sua visão alcança além dos incontáveis hóspedes mais pálidos da noite. Sem auxílio da luz eles penetram as profundezas que abrangem as regiões elevadas com inefável delícia. Glória à rainha do mundo, à grande profetisa dos mundos mais sagrados, à mãe cuidadosa do delicioso amor! ela mandou-te a mim, tu a mais suavemente amada, sol gracioso da Noite. Agora desperto, pois sou teu e meu. Fizeste-me conhecer a Noite, entregaste-a a mim para que se tornasse minha vida; tu fizestes de mim um homem. Consumas meu corpo com o ardor de minh'alma, de modo que eu, tornado ar purificado, possa misturar-me completamente contigo, e assim, nossa noite de núpcias durará eternamente. Poema do poeta alemão Novalis (Georg Philipp Friedrich von Hardenberg – 1772-1801).

A ARTE DE CAROLEE SCHNEEMANN
A arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann. Veja mais aqui.


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&
Quem abre os braços sou eu, a poesia de Virgilio, a escultura de Edward Onslow Ford & a música de Belchior aqui.

GEORGE SAND, DELACROIX, WAGNERT TISO & ESTAÇÃO DO BEM CATENDE

QUEM O AMOR DE TANTOS AMORES – Imagem: George Sand , do pintor do Romantismo francês Eugène Delacroix (1798-1863) – Amandine nasceu como...