
RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio
Tataritaritatá especial
com a música do maestro e compositor Eleazar
de Carvalho
(1912-1996): Sympnhony 1 Mahler & òpera Tiradentes – Abertura, 3º & 4º
atos & muito mais nos mais de 2
milhões & 600
mil acessos ao
blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para
conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.
DITOS & DESDITOS – [...] Se
queremos, pois, salvar esta civilização, se não a queremos submersa em séculos
de barbarismo, mas antes consolidar os tesouros da sua herança em alicerces
novos e mais estáveis, torna-se, sem dúvida, necessário que todos os viventes
compreendam bem até que ponto a decadência já avançou [...] embora seja verdade que a sociedade vai tomando
este rumo, isto é, a direção de maior controle técnico no exercício do poder e
do cálculo prudente dos efeitos desejados, o tipo humano tornou-se ao mesmo
tempo mais e mais indisciplinado, mais pueril, mais suscetível a reações do
sentimento, e os nossos governantes não são homens de aço [...]. Trechos
extraídos da obra Nas sombras do amanhã:
diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944),
do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945), defendendo
uma nova cultura no solo da humanidade para uma regeneração interior do
individuo, uma modificação do habitus
espiritual do homem. Veja mais aqui.
DE PERTO E DE LONGE – [...] Queria
mostrar que não existe um fosso entre o pensamento dos povos chamados
primitivos e o nosso. Quando, em nossas próprias sociedades, observávamos
crenças ou costumes estranhos, que contrariavam o senso comum, nós os
explicávamos como vestígios ou lembranças de formas arcaicas do pensamento.
Parecia-me, ao contrário, que essas formas de pensamento estão sempre
presentes, atuantes entre nós. Muitas vezes lhes damos livre curso. Elas
coexistem com formas de pensamento que se apoia no testemunho da ciência; são
igualmente contemporâneas. [...]. Trecho extraído da obra De perto e de longe (Cosac Naify, 2005),
do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Veja mais aqui.
AMERS – [...] Aquela que
se derrama em meu ombro esquerdo e enche a enseada do meu braço, feixe odorante
e lasso, não atado (e tão sedosa foi a história, a meu tato, dessas têmporas
venturosas), Aquela que repousa sobre a anca direita, a face cerrada contra mim
(e grandes vasos assim viajam, em seu suporte de um lenho muito tenro e em sua
sela de feltro branco), Aquela que se anima no sonho contra o remontar das
sombras (e estendi o tendal contra o borrifo do mar e o rocio noturno, a vela é
enfunada para o mais claro das águas), Esta, mais doce que doçura ao coração do
homem sem aliança, me é carga, ó mulher, mais leve que carregamento de
espécies, de arômatas — semente muito preciosa e frete incorruptível no barco
dos meus braços. [...]. Trecho extraído da obra Amers – Marcas marinhas (Ateliê, 2003), do poeta francês Saint-John Perse (1887-1975).
TRÊS POEMAS - O AMOR
NÃO É TUDO - O amor não é tudo: nem carne nem / bebida, nem é sono, lar da
gente, / nem a tábua lançada para quem / se afunda e volta e afunda novamente.
/ O amor não pode encher o pulmão forte, / pôr osso no lugar, tratar humores, /
embora tantos dêem a mão à morte / (enquanto o digo) só por desamores. / Bem
pode ser, na hora mais doída, / ou da minha franqueza arrependida, / buscando
alívio à dor, seja capaz / de vender teu amor por minha paz / ou trocar-te a
lembrança pelo pão. / Bem pode ser que o faça. Acho que não. OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA - Eu
morrerei, mas / isso é tudo que farei pela Morte. / Eu a ouço tirando o cavalo
da baia; / escuto as pisadas no chão do celeiro. / Ela tem pressa; tem negócios
em Cuba, / negócios nos Bálcãs, muitos chamados a fazer nesta manhã. / Mas eu
não vou segurar a rédea / enquanto ela ajusta as correias. / Ela que monte
sozinha: / não lhe darei apoio na subida. / Embora ela fustigue meus ombros com
o chicote, / não vou dizer para onde a raposa fugiu. / Com seu casco em meu
peito, não vou contar onde / o garoto negro está escondido no pântano. / Eu
morrerei, mas isso é tudo que farei pela Morte. / Não estou em sua folha de
pagamentos. / Não contarei a ela o paradeiro de meus amigos, / nem o de meus
inimigos. / Ainda que me prometa muito, / não darei o endereço de ninguém. / Acaso
sou um espião na terra dos vivos / para entregar pessoas à Morte? / Irmão, a
senha e os planos de nossa cidade / estão seguros comigo. Jamais, por minha
culpa, você será derrotado. PRIMAVERA -
Por qual propósito, Abril, de novo retornas? / A Beleza não é
suficiente. / Não podes me acalmar com a vermelhidão / Das folhinhas unidas se
abrindo. / Eu sei o que sei. / O sol queima a nuca quando observo / Os espinhos
do croco. / O cheiro de terra é bom. / É aparente que não há a morte. / Mas o
que isso significa? / Não apenas sob a terra os cérebros / São comidos por
vermes. / A vida em si / Não é nada, / Uma taça vazia, lance de escadas sem
tapetes. / Não basta todo ano, descendo o morro, / Abril / Chegar como um tolo,
balbuciando e espalhando flores. Poemas da poeta e dramaturga estadunidense Edna
St. Vincent Millay (1892-1950) que também usou o pseudônimo em prosa de Nancy
Boyd. Veja mais aqui.
A ARTE DE TANIA BRITTO
A arte da artista visual Tania Britto.
AGENDA
&
Quem olha pros outros não vê a si mesmo, Cecília Meireles, Rubem Alves, Henri Focillon, Imre Kertész,
Neurofilosofia, Deborah Poynton & Luciah Lopez, Almeida Prado, Viviane Hagner, Hans-Joachim Koellreuter & Ophélie Gaillard
aqui.
&
Sou da terra e a ela me dou, Luis Fernando Veríssimo, Martin Buber, Inclusão
Escolar & Maria Teresa Eglér Mantoan, Biblioteca Fenelon Barreto & CED
Dimensão, Baden Powell de Aquino, Alina Ibragimova, Antônio
Meneses, Maria João Pires & Pi-Hsien Chen aqui.