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quinta-feira, setembro 20, 2018

EDNA MILLAY, PERSE, HUIZINGA, LÉVI-STRAUSS, ELEAZAR DE CARVALHO & TANIA BRITTO


A FOGUEIRA DAS ESCOLHAS - Imagem da artista visual Tania Britto. - Acordar e o primeiro pensamento aos pesadelos terríveis ou sonhos de amanhã, quem sabe qual na corda bamba, se na rede dos desejos tudo é sempre o que vem de jamais chegar ou já foi para nunca mais, só esperança retardatária no agora é tarde e Inês está pra lá de morta faz tempo. Melhor abrir os olhos bem devagar, o dia nem bem amanhecido, ainda o friínho da madrugada, tudo às claras, mas nem tanto, alguma sombra da escuridão emerge pelos cantos escondendo possíveis fantasmas jamais revelados, nem dá pra ver direito outro dia talvez no alvoroço dos pássaros, e tudo poderá acontecer de uma hora pra outra, ou não, o tédio de uma rotina; ou mantê-los fechados ou quase, demorar as pálpebras cerradas pra ver se pega o cochilo perdido e voltar a pensar nas coisas, fantasias desejadas, e descansar de um lado pra outro, pra ver se algo de repente muda tudo, não sei, nem sempre é possível verificar direito o que está acontecendo. Melhor levantar porque acordou Maria Bonita para fazer o café e a polícia ainda dorme ausente, só mais tarde é que o burburinho vai misturar buzinadas e sirenes e motores e passadas e vexames e corre daqui pra acolá, dali pra lá, pra direita ou esquerda, pra lá ou pra cá, pra frente ou pra trás, não há como repassar, só retornar e começar tudo de novo, da estaca zero; e se perder a viagem, não esquenta, pega a próxima ou desiste e vai pra outro lugar. Tudo pronto pra andar, um, dois, passo a passo, pula academia ou finge balançar o esqueleto; e se ficar, tudo pode passar e não terá outra vez; e se for, não vá se arrepender, aprenda como se fosse a primeira vez, passou batido, já era, não é mais, nem tudo volta ou vai duma vez, assimile. Relógio não para, o tempo mudou, não há que esperar coisa ruim nem por milagres que caiam do céu assim do nada, seguir adiante, às piruetas, mesmo que pareça não sair do lugar; não adianta se não sabe de cor, a refazer as pegadas, algum rastro pode desencaminhar e aí era ontem a mesma coisa, só achar o caminho de volta se puder ou pegar o atalho, passar pelo beco, sair na transversal só pra mudar o trajeto que dá no mesmo entre risos e fracassos, nem sempre alegria, nem sempre impune com as reladas de venta, sempre imprevisível, quase possível ou impossível, na vera: quase acusação, quase indefensável; qualquer dúvida olha pra trás e dobra a esquina pra surpresa, ou nada demais, era só expectativa e deu na mesma coisa do labirinto quase desvelado, mas não vá à toa, leme qualquer na bússola para não escarnecer da sorte, porque mesmo à deriva ninguém escapa das lâminas da escolha e o feito está feito, favas contadas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do maestro e compositor Eleazar de Carvalho (1912-1996): Sympnhony 1 Mahler & òpera Tiradentes – Abertura, 3º & 4º atos & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] Se queremos, pois, salvar esta civilização, se não a queremos submersa em séculos de barbarismo, mas antes consolidar os tesouros da sua herança em alicerces novos e mais estáveis, torna-se, sem dúvida, necessário que todos os viventes compreendam bem até que ponto a decadência já avançou [...] embora seja verdade que a sociedade vai tomando este rumo, isto é, a direção de maior controle técnico no exercício do poder e do cálculo prudente dos efeitos desejados, o tipo humano tornou-se ao mesmo tempo mais e mais indisciplinado, mais pueril, mais suscetível a reações do sentimento, e os nossos governantes não são homens de aço [...]. Trechos extraídos da obra Nas sombras do amanhã: diagnóstico da enfermidade espiritual do nosso tempo (Armênio Amado, 1944), do professor e historiador neerlandês Johan Huizinga (1872-1945), defendendo uma nova cultura no solo da humanidade para uma regeneração interior do individuo, uma modificação do habitus espiritual do homem. Veja mais aqui.

DE PERTO E DE LONGE – [...] Queria mostrar que não existe um fosso entre o pensamento dos povos chamados primitivos e o nosso. Quando, em nossas próprias sociedades, observávamos crenças ou costumes estranhos, que contrariavam o senso comum, nós os explicávamos como vestígios ou lembranças de formas arcaicas do pensamento. Parecia-me, ao contrário, que essas formas de pensamento estão sempre presentes, atuantes entre nós. Muitas vezes lhes damos livre curso. Elas coexistem com formas de pensamento que se apoia no testemunho da ciência; são igualmente contemporâneas. [...]. Trecho extraído da obra De perto e de longe (Cosac Naify, 2005), do antropólogo belga Claude Lévi-Strauss (1908-2009). Veja mais aqui.

AMERS – [...] Aquela que se derrama em meu ombro esquerdo e enche a enseada do meu braço, feixe odorante e lasso, não atado (e tão sedosa foi a história, a meu tato, dessas têmporas venturosas), Aquela que repousa sobre a anca direita, a face cerrada contra mim (e grandes vasos assim viajam, em seu suporte de um lenho muito tenro e em sua sela de feltro branco), Aquela que se anima no sonho contra o remontar das sombras (e estendi o tendal contra o borrifo do mar e o rocio noturno, a vela é enfunada para o mais claro das águas), Esta, mais doce que doçura ao coração do homem sem aliança, me é carga, ó mulher, mais leve que carregamento de espécies, de arômatas — semente muito preciosa e frete incorruptível no barco dos meus braços. [...]. Trecho extraído da obra Amers – Marcas marinhas (Ateliê, 2003), do poeta francês Saint-John Perse (1887-1975).

TRÊS POEMAS - O AMOR NÃO É TUDO - O amor não é tudo: nem carne nem / bebida, nem é sono, lar da gente, / nem a tábua lançada para quem / se afunda e volta e afunda novamente. / O amor não pode encher o pulmão forte, / pôr osso no lugar, tratar humores, / embora tantos dêem a mão à morte / (enquanto o digo) só por desamores. / Bem pode ser, na hora mais doída, / ou da minha franqueza arrependida, / buscando alívio à dor, seja capaz / de vender teu amor por minha paz / ou trocar-te a lembrança pelo pão. / Bem pode ser que o faça. Acho que não. OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA - Eu morrerei, mas / isso é tudo que farei pela Morte. / Eu a ouço tirando o cavalo da baia; / escuto as pisadas no chão do celeiro. / Ela tem pressa; tem negócios em Cuba, / negócios nos Bálcãs, muitos chamados a fazer nesta manhã. / Mas eu não vou segurar a rédea / enquanto ela ajusta as correias. / Ela que monte sozinha: / não lhe darei apoio na subida. / Embora ela fustigue meus ombros com o chicote, / não vou dizer para onde a raposa fugiu. / Com seu casco em meu peito, não vou contar onde / o garoto negro está escondido no pântano. / Eu morrerei, mas isso é tudo que farei pela Morte. / Não estou em sua folha de pagamentos. / Não contarei a ela o paradeiro de meus amigos, / nem o de meus inimigos. / Ainda que me prometa muito, / não darei o endereço de ninguém. / Acaso sou um espião na terra dos vivos / para entregar pessoas à Morte? / Irmão, a senha e os planos de nossa cidade / estão seguros comigo. Jamais, por minha culpa, você será derrotado. PRIMAVERA - Por qual propósito, Abril, de novo retornas? / A Beleza não é suficiente. / Não podes me acalmar com a vermelhidão / Das folhinhas unidas se abrindo. / Eu sei o que sei. / O sol queima a nuca quando observo / Os espinhos do croco. / O cheiro de terra é bom. / É aparente que não há a morte. / Mas o que isso significa? / Não apenas sob a terra os cérebros / São comidos por vermes. / A vida em si / Não é nada, / Uma taça vazia, lance de escadas sem tapetes. / Não basta todo ano, descendo o morro, / Abril / Chegar como um tolo, balbuciando e espalhando flores. Poemas da poeta e dramaturga estadunidense Edna St. Vincent Millay (1892-1950) que também usou o pseudônimo em prosa de Nancy Boyd. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual Tania Britto. 
Veja mais aqui.

AGENDA
VI Festival de Teatro Pontal do Paraná & muito mais na Agenda aqui.
&
Quem olha pros outros não vê a si mesmo, Cecília Meireles, Rubem Alves, Henri Focillon, Imre Kertész, Neurofilosofia, Deborah Poynton & Luciah Lopez, Almeida Prado, Viviane Hagner, Hans-Joachim Koellreuter & Ophélie Gaillard aqui.
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Sou da terra e a ela me dou, Luis Fernando Veríssimo, Martin Buber, Inclusão Escolar & Maria Teresa Eglér Mantoan, Biblioteca Fenelon Barreto & CED Dimensão, Baden Powell de Aquino, Alina Ibragimova, Antônio Meneses, Maria João Pires & Pi-Hsien Chen aqui.


segunda-feira, outubro 15, 2007

HEISENBERG, MONIQUE AUGRAS, PINKER, FAUSTO WOLFF, EDNA MILLAY, CLEÓPATRA, ANGELIKA KIRCHSCHLAGER, EUTERPE, LANFRANCO, NEUROCIÊNCIAS, PSICODRAMA, FECAMEPA: PINDORAMA &SARDINHA


FECAMEPA: DE PINDORAMA À CARTA DE CAMINHA - Dando prosseguimento ao FECAMEPA – Festival de Cagadas Melando o País, aos não sei mais que dias do ano da graça de mil e quinhentos e cipapau primeiro, a farra comendo no centro corria solta na maior farofada em Pindorama, ao som do verso de Virgílio que já havia virado sucesso na voz de Caetano Veloso, “Navegar é preciso, viver não é preciso”, quando lembraram lá pras tantas que já deviam ter informado à sua majetade el rei de Portugal da descoberta da grande ilha, a Ilha de Santa Cruz. Não, não era uma ilha, era a Terra dos Papagaios. Isso. Não, não era, era a terra d´além mar, do pau-brasil! Eita! Não, não era. Peraí, afinal o que era? Arre égua! Fala sério, que droga é nove? Era, depois de todas as nomeações cavoucadas possíveis e sequer imagináveis no quengo deles, enfim, o Monte Pascoal na Terra de Vera Cruz, pronto. Isto porque até o nome Brasil já existia há milênios e até que ele chegue em definitivo, muita água ainda vai heraclitamente rolar e já contei outra, tá? Definida então como Terra de Vera Cruz, Cabral revestido dos poderes de deidade corporificada mais sisuda e autorizada, afiando a lucidez antes que tomasse na tarraqueta, ordenou seu escrivão juramentado, oficial bastante nomeado, Pero Vaz de Caminha, que escrevesse em bom termo e forma apropriada à boa nova ao rei, lavrando a certidão de nascimento da terra descoberta (ou melhor, achada e invadida). Ih! O negócio começou a feder. Tanto é que com cara de poucos amigos e daquela expressão sei não, o tal Caminha fulo mais injuriado que as intrigas do Joaquim com Manuel, ficou matutando o que dizer, quase fundindo a cuca já imaginando os maus bofes do rei cheio das perguntas: - Sim, mas tem o que? Lá ia letargicamente escrevendo – ai, que preguiça boa! -, que a terra chã com grandes arvoredos, grandes em tudo, povoada por ingênuos índios todos uns pardos um tanto avermelhados com seus arcos e setas, nus de corpo e alma, de bons rostos (ui!), bons narizes, bem feitos (ai!), sem nada cobrindo as vergonhas e nem aí (uiuiuiuiui!!!).... - Sim e o que mais? -, já imagivana a peiticada do rei. Havia moças gentis dos cabelos compridos e muito pretos e que, cá pra nós, suas vergonhas são tão altas, tão cerradinhas e tão limpinhas das cabeleiras, cheirosinhas, gostosinhas, que, ave!... ah, são todas tingidas de baixo a cima de uma tintura colorida e certo era tão bem feitas e tão redondas das vergonhas tão graciosas... ah, maior trupé pro juízo do cristão!!!! - Ah, tá, sim, sim. E o que mais? Enfim, majestade, trocando em miúdos dos mais trocados que porventura possa deixar como prova dos nove, a terra “em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”. Findo com um ponto final mais na marreta que na necessidade. Foi quando Américo Vespúcio meteu o bedelho tentando dar um outro ponto mais reticente na lenga-lenga: “Pelo visto, nessa terra não tem nada que se aproveite”. Ih! Já deu para sentir, né? Foi quizília por anos e décadas, séculos. E como uma cagada nunca vem sozinha, os tolotes redundaram aos pipocos e a torto e a direito. Pois foi. Enquanto arengavam pra saber o que tinha e o que não havia em Pindorama, os lusitanos nem se tocaram que o Brasil já existia antes mesmo de ser descoberto por eles. U-huuuuu!!! Isso mesmo, pois já estava sacramentado em tombo juramentado pelo Papa Eugenio IV que assinara já em 1445, a bula confirmatória das doações feitas ao príncipe D. Henrique pelos reis D. Duarte e D. Afonso V, quanto à jurisdição espiritual das conquistas religiosa e militar em favor da Ordem de Cristo, cuja sede, na época da descoberta do Brasil, já estaria situada na cidade de Thomar. Confusão dos diabos. Eita, porra! Aí, lascou. Perdeu completamente a graça, né não? Nunca que eu imaginasse que uma coisa já fosse dada por nascida antes mesmo de ser conhecida. Ou acho que é como a cornagem ao postulante à peruca de touro, este sendo o último a saber do seu próprio uso, quando toda paróquia nem levava mais a sério de tão comum se tornara. Ou seja, para mim, no frigir dos ovos, era o começo da maior roubada. E a pagação de mico fica mais evidente quando vem a comprovação de que, na vera, a coisa já era nascida mesmo e também conhecida por todos, menos por eles. Fodeu Maria-preá! E o pior que era mesmo! Provam isso Alonso de Hojeda e Vicente Ianez Pinzon, bem como os maíres que já vasculhavam tudo na região. Verdade, os franceses já eram íntimos dos daqui. Eita, pau! E como falei no antes deste, fenícios, vikings, celtas, iberos, gauleses, bretões, anglos, saxões, francos, germanos, neerlandeses e o escambau fizeram, pintaram e bordaram por aqui muito antes dessa besteirice portuguesa virar essa zona toda. Também não deixam por mentira o fato da existência do Tratado de Tordesilhas assinado entre as coroas de Portugal e Espanha em 7 de junho de 1494, partilhando as terras do Novo Mundo recém descoberto, incluindo o Brasil. Pois bem, conversa vai, enrolança vem, para desembananar tudo, ficou certo que os portugas tomariam conta da terra de Pindorama e fim de papo. Mas a confusão não finda por ai. Verdade, a cagada prossegue e vocês sabem quando é que surge, por que e qual a razão do nome Brasil? Não? Nem imaginam, né? Pois é, mais uma balbúrdia que explicará em parte todos coprólitos até agora constatados. Fica pra próxima. Ou melhor, mais embaixo. Enquanto isso, gente, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais FECAMEPA.

VEJA MAIS:
Episódios do Fecamepa aqui  e aqui.
A bicharada da enrolação aqui.
O esporte é espórtula aqui. 
Aprumando a conversa aqui.
A Fúria dos Inocentes aqui.
Kid Malvadeza aqui.  


Morte di Cleopatra, do pintor do Barroco italiano, Giovanni Lanfranco (1582-1647). Veja mais aqui e aqui.

Curtindo o álbum When Night Falls (Sony Records, 1999), da mezzo-soprano austríaca Angelika Kirchschlager.

PENSAMENTO DO DIA – Tudo que digo deve ser entendido não como uma afirmação, mas como uma pergunta. Pensamento do físico e Prêmio Nobel de 1932, Werner Heisenberg, laureado pela criação da mecânica quântica, cujas aplicações levaram à descoberta, entre outras, das formas alotrópicas do hidrogênio.

OBJETIVIDADE X SUBJETIVIDADE – [...] Do ponto de vista do conhecimento, a fissura entre objeto e sujeito não condena o pensador ao círculo vicioso da procura de uma “objetividade” situada fora do sujeito, nem à prisão de uma subjetividade alheia à realidade. Desemboca ao contrário na síntese que permite integrar, superando-a, a clássica oposição entre “subjetividade” e “objetividade”. Trecho extraído da obra O ser da compreensão (Vozes, 1996), da psicóloga francesa Monique Augras.

NEUROPSICOLOGIA E AS INTERFACES COM AS NEUROCIÊNCIAS – O livro Neuropsicologia e as interfaces com as neurociências, organizado por Eliane Correa Miotto, Mara Cristina Souza de Lucia e Milberto Scaff, reúne diversos autores e estudiosos que abordam questões como aspectos neuropsicológicos das afecções do sistema nervoso central, as base fisiológicas do sistema límbico e lobos frontais, aplicações da ressonância magnética funcional em neurociências, classificação das demências, doença de Alzheimer, taupatias, afasia progressiva primária, epilepsia, acidente vascular cerebral, distúrbios da fala e da linguagem, tratamento das manifestações não motora da doença de Parkinson, avaliação e intervenção neuropsicológica e psicológica em adultos, memória, neuropsicologia no contexto hospitalar, terapia comportamental cognitiva e esclerose múltipla, pseudo-epilepsia, reabilitação neuropsicológica, psicanálise, processamento auditivo, avaliação e intervenção clinica em crianças, transtorno do déficit de atenção, hiperatividade, avaliação do desenvolvimento da competência de leituras em ouvintes e surdos de escolas especiais e comuns, dislexia, novo paradigma de avaliação neuropsicológica na analise dos movimentos oculares e avaliação dos transtornos invasivos do desenvolvimento, avaliação dos problemas de aprendizagem, método ramain-thiers no tratamento do TDAH, bateria Nepsy na avaliação da dislexia do desenvolvimento, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: MIOTTO, Eliane; LUCIA, Mara; SCAFF, Milberto (Orgs.). Neuropsicologia e as interfaces com as neurociências. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. Veja mais aqui.

O INSTINTO DA LINGUAGEM – A obra O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem, de Steven Pinker aborda questões acerca do instinto para adquirir arte, tagarelas, mentalês, funcionamento da linguagem, palavras, os sons do silêncio, cabeças falantes, a Torre de Babel, o bebê nasce falando, órgãos da linguagem e genes da gramática, o Big Bang, os craques da língua, o design da mente, entre outros importantes temas. REFERÊNCIA: PINKER, Steve. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Veja mais aqui e aqui.

EUTERPE - Euterpe, em grego, é aquela que sabe agradar, presidindo a música e a invenção da flauta. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Veja mais aqui.

PSICODRAMA: CIÊNCIA E ARTE – No livro Moreno em ato: a construção do psicodrama a partir das práticas, de Anna Maria Antonia Abreu Costa Knobel, aborda temas como percursos existenciais e certo de constituição do eu, o teatro de improviso e drama da existência, demonstração estética da liberdade, os conflitos da atriz, efeitos do método, construção cênica do método psicodramático, a construção da sociometria, o jogo dos afetos, testes de espontaneidade, situação e role-playing, análise dos jogos espontâneos com foto na espontaneidade, nas situações e nos papéis, o psicodrama clínico, o método psicodramático, processo de reorganização psicodramática do paciente, o grupo, as questões do debatedor e as respostas de Moreno, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: KNOBEL, Anna Maria. Moreno em ato: a construção do psicodrama a partir das práticas. São Paulo: Ágora,2004. Veja mais aqui.

A MENINA – [...] Ela era bela, prendada e virgem, como se esperava numa época em que a pílula anticoncepcional ainda não fora adicionada ao menu da burguesia. Ele também fazia o que dele se esperava, ou seja, nada. Era um playboy rico e ignorante que havia abandonado a universidade e vivia em bordeis e boates; um homem de direita como o seu pai, e que no futuro viria a ser uma autoridade menor da ditadura militar que assolaria o Brasil. [...] De Eduarda se esperava que seguisse os pais da mãe, e de Roberval, os do pai. Tanto o pai dela quando o dele faziam gosto, pois o casamento dos filhos lhes era conveniente. Amor? Dihamos que ela o atraía, pois era bonita e bem feita de corpo. Mas o que um rapaz de 28 anos, com dinheiro no bolso, acostumado com artistas argentinas e prostitutas polonesas, uma amante fixa – moda da época – e garçonière, poderia achar de interessante numa virgem inexperiente? Ela, por sua vez, já despachara vários pretendentes, mas como o príncipe encantado com o qual sonhara não aparecia, deixou-se cortejar pelo rapaz baiano. Se não era bonito – um nariz excepcionalmente grande e tão peludo que só não tinha cabelos nas unhas – era másculo e divertido. Casaram-se com pompa e circunstancia na Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, e foram passar a lua-de-mel em Punta del Este. Para Eduarda a primeira experiência sexual foi dolorida, triste, e nada excitante. Para Roberval, acostumado à expertise das profissionais, uma obrigação a ser cumprida. Dessa falta de amor, dessa egoística manipulação a dois, resultaria Lisa, nove meses mais tarde. Menos de uma semana depois, Eduarda encontrou o marido conversando com uma mulher num dos jardins do hotel. Tratava-se da amante do playbloy, que seguira o casal e se hospedara no mesmo hotel.  Na mesma noite em que Lisa foi concebida, com a desculpa de ir ao cassino, Roberval meteu-se na cama da amante onde ficou quase até o amanhecer. Dividiria as próximas duas semanas entre as duas camas. Eduarda só viria a saber disso mais de um ano depois [...]. Apesar das objeções de ambas as famílias, Eduarda tomou a única atitude corajosa e independente da sua vida: desquitou-se do marido e foi morar com a filha num apartamento em Copacabana. Arranjou um emprego de secretária e um auxílio mensal do pai, pois do ex-marido não queria nada. Quase trinta anos mais tarde, Lisa, de lindos, tristes olhos castanhos (como a mãe, casaria com um jovem que tinha uma amante à época do casamento; como a mãe, teria uma filha; e como a mãe, se desquitaria em seguida) diria a um namorado. – Não tenho inclinação nem jeito para ser feliz. [...]. Como Eduarda não aparecera, uma das freiras arranjou-lhe, à última hora, calcinhas brancas de uma menina um pouco maior, de modo que o elástico não prendia bem em volta da cintura. Mas Lisa estava muito feliz – sua mãe deveria estar escondida em algum lugar da plateria – para se preocupar com isso. Quando, finalmente, dançava contente na ponta dos pés com as outras libélulas, suas calcinhas caíram. Na pressa de levantá-las, acabou tropeçando e se viu no chão. As outras meninas continuaram dançando. Segurando as calcinhas com as mãos e tentando acompanhar as outros, provocou o riso da plateia. Fosse menos triste, fosse mais amada, fosse a filha querida que ansiava ser, não teria se importado com as gargalhadas. Afinal, nós adultos sabemos, não riam dela, mas da cômica situação que dera alguma graça à chatíssima apresentação. [...] Pararam num restaurante para almoçar, onde Eduarda encontrou alguns amigos do Iate que a convidaram para a mesa deles. – Lisinha, por que você não vai tomar um sorvete enquanto a mamãe conversa com os amigos dela? Lisa foi, daquele seu jeitinho sério e decidido. Sabia que só podia confiar nela. Fora traída pelo pai e pela mãe ao mesmo tempo. Seu coraçãozinho se encheu de medo e o medo se transformou em rancor. Sim, agora ela estava preparada para o mundo. Preparada para duvidar. Preparada para fazer sofrer a quem quer que ousasse amá-la. Trechos extraídos da obra Melhores contos (Global, 2007), do jornalista e escritor Fausto Wolff (1940-2008). Veja mais aqui.

NÃO ME LAMENTEIS – Não, não me lamenteis porque a luz deste dia / já próximo do fim não anda mais no céu. / Nem porque a beleza ao passar me fugia / pelos campos, no bosque enquanto o ano correu. / Não, não me lamenteis porque é imigrante a lua / porque vão-se as marés no oceano sem fim, / porque o humano desejo após chegar recua, / porque não mais olhais com o mesmo amor para mim. / Sempre soube senhora o amor – não me admira / é florada que a brisa arrasa num momento / não mais que o vagalhão que sobrer a praia atira / destroços do naufrágio apanhados do vento. / Não, não me lamenteis porque só tarde sabe / o nosso coração do que na mente cabe. Poema da poeta lírica e dramaturda estadunidense Edna St. Vincent Millay (1892-1950).



Veja mais:
Os índios caetés, Plauto, Montserrat Figueiras, Teatro Francês, Miklos Mihalovits, Acmeísmo, Paulo & Virgínia, Luis Mandoki, Jennifer Lopez, G Linsenmayer & Débora Novaes de Castro aqui.  
Arthur Schopenhauer, José Cândido de Carvalho, Victor Brecheret, Johann Nikolaus Forkel & Bestiário Alagoano de Iremar Marinho aqui.  
Big Shit Bôbras, Mike Featherstone, Machado de Assis, Bocage, Pablo Picasso, Milton Nascimento, Visconde Taunay, Alessandra Maestrini, Julia Broad & Maria Martha aqui.  


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja aqui e aqui.

CANTARAU TATARITARITATÁ
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.
 

 

TATIANA DE ROSNAY, VERONIKA KIVISILLA, NIALL FERGUSON & MARIA LAURA LOPES

  Imagem: Fluxo dos devires , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula porcina na cabeça!... -...