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sexta-feira, fevereiro 26, 2021

THEODORE STURGEON, GRACE METALIOUS, LINDA ALTERWITZ, VICTORIA ROWLEY & SEBASTIÃO PEDROSA

 

 

TRÍPTICO DQC: TerraMãe – Ao som da Symphony of Nature (2015), de Marcus Viana & Transfônica Orkestra - Sou rio para mar... Sim, porque esperar pelos outros e o que esperar dos outros, não é a minha nem se encaixa, é tudo irrespondível: guerra, miséria, astúcias, domínio. Não faço parte dessa leva, quem quiser que vá. Falo sozinho e, às vezes, uma presença qualquer me assalta, penso em voz alta. Numa dessas da vida, o escritor estadunidense Theodore Sturgeon (1918-1987) me escutou e disse: O amor é um tipo de coisa diferente, quente o suficiente para fazer você fluir em algo, interfluir, esfriar e recozer e ser uma solda mais forte do que você começou. Depois pigarreou, foi até o canto da jantela e voltou-se: Há em certas almas vivas uma qualidade de solidão indescritível, tão grande que deve ser compartilhada como a companhia é compartilhada por seres inferiores. Essa solidão é minha; então saiba por isso que na imensidão há alguém mais solitário do que você. Por que devemos amar onde o raio cai, e não onde escolhemos? 90% de tudo é lixo! Cuspiu, fez um aceno e se foi como se nada tivesse acontecido. Cá comigo, sim: sorrio para amar, sim. Não sou melhor que nada, apenas mais um. Com as árvores aprendi o vento e as raízes na Terra. Com os peixes assimilei a travessia das correntezas até as profundezas abissais oceânicas. Com todos os demais seres vivos compreendi o viver: coisas de arregalar os olhos, outras nem tanto. Ademais, voo vivo.

 


DOIS: Do perigo & o prazer de saber - Imagem: arte da artista visual estadunidense Linda Alterwitz, ao som de Spiritual State (Hydeout, 2011), do compositor japonês Nujabes. – Meu pouso nas andanças, comigo a apreensão de tudo percebido e o trâmite do visinvisível. Do lado, escuto Steven Pinker: Temos que ser gratos agora que suas opiniões foram expressas em suas épocas e eventualmente foram vitoriosas e, portanto, nos tempos atuais, temos que preparar terreno para ideias desconfortáveis, porque não sabemos, até que permitamos que elas sejam avaliadas, se elas têm mérito ou não. A moralidade vem da universalização de suas próprias preferências e isso dá sentido à vida: tornar a vida o mais benéfica possível para o maior número de pessoas possível; eliminar a fome, a doença, a guerra e a ignorância; e eu acho que isso fornece razões suficientes para a existência. Compreendo exatamente o que ele diz. Daí mais um pouco, do outro lado, Stephen Hawking: Não importa quanto a vida possa ser ruim, sempre existe algo que você pode fazer, e triunfar. Enquanto há vida, há esperança. Mesmo as pessoas que dizem que tudo está predeterminado e que não podemos fazer nada para mudá-lo, olham para os dois lados antes de atravessar a rua. Há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade; e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vai ganhar porque ela funciona. Entendi cada palavra e sentido do que disse, sou permeável aos mais paradoxais que sejam quaisquer pensamentos e teorias, discernimento valendo resiliência. Não muito depois, Maturana & Varela quase em uníssono, frase ecoada: Esse é o fundamento biológico do fenômeno social: sem amor, sem a aceitação do outro ao nosso lado, não há socialização, e sem socialização não há humanidade. Não se trata de moralizar — não estamos pregando o amor, mas apenas destacando o fato de que biologicamente, sem amor, sem a aceitação do outro, não há fenômeno social. Se ainda se convive assim, é hipocritamente, na indiferença ou ativa negação. Cegos diante da transcendência de nossos atos, fingimos que o mundo tem um vir-a-ser independente de nós, justificando assim nossa irresponsabilidade e confundindo a imagem que buscamos projetar, o papel que representamos, com o ser que verdadeiramente construímos em nosso viver diário. A manifestação deles premia a minha solidão e o mundo, apesar dos pesares, segue adiante.

 


TRÊS: Ainda no meio da noite – Imagem da série Silk road - Show Off Silks (2017), da artista visual britânica Victoria Rowley, ao som de Mid of the Night, symphonic poem (1904 - Chandos, 2006), do compositor britânico Frank Bridge (1879-1941), The BBC National Orchestra of Wales and Richard Hickox. - O chão repleto de estrelas, a noite paradisíaca, a lembrança dela. Certa vez, espalmada sobre o tapete de sua arte, ela me disse de Grace Metalious: Não pode haver beleza, nem confiança, nem segurança entre um homem e uma mulher se não houver verdade. Não sei a razão dela assim se expressar e, virando de lado, continuou no mesmo tom: Se cada homem... parasse de odiar e culpar todos os outros pelos seus próprios fracassos e deficiências, veríamos o fim de todo mal no mundo, da guerra à calúnia. Mais uma vez rolou sobre o tapete e manteve o tom: Pessoas mortas não podem te machucar. São os que estão vivos, você tem que tomar cuidado. O público adora criar um herói... Às vezes acho que eles fazem isso pela alegria de derrubá-lo do pico mais alto. Como uma criança que constrói uma casa de blocos e depois a destrói com um chute violento. Você nunca percebeu como são sempre as pessoas que desejam ter algo ou feito algo que odeia mais? Levantou-se, vestiu a blusa e pegou o copo para uma dose. De repente virou-se, afastando-se: Eu olhei para aquela garrafa vazia e me vi. E se foi nua dançando feliz na minha cabeça. Até mais ver.

 

A ARTE DE SEBASTIÃO PEDROSA



A arte do artista e educador de arte Sebastião Pedrosa, PhD pela University of Central England em Birmingham, Reino Unido. Foi professor do Departamento de Arte e Comunicação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e é professor do Departamento de Teoria da Arte da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), onde é Coordenador da Arte. Sua arte pode ser vista na Arte Plural Galeria. Veja mais aqui e aqui.

 



terça-feira, setembro 01, 2020

TARSILA DO AMARAL, MILLÔR, PINKER, SERRES, CENDRARS, ROSEMBERG CARIRY, SONIA EBLING & LUZILÁ GONÇALVES FERREIRA



DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... DECÁLOGO DO IMBROCHÁVEL COISONÁRIO – Nas últimas horas foram anunciadas as últimas medidas do governo em cadeia nacional e que ninguém viu! Lá vai para ciência de todos. Primeiro: Todo problema será resolvido por bem ou por mau! Não teve acordo, já era, pro saco! Essa a solução socioeconômica para tudo e todos, viva o consumo! Segundo: Todo concurso público só terá provas que avaliem a fé em Deus e o patriotismo. Entre os escolhidos, só os medíocres e chatos (do lado da gente, né?). Esta a nossa e verdadeira meritocracia. Às mulheres acrescente-se prova de remexido dos quadris e nenhum conhecimento, tenho dito! Afora isso, é fundamental que todos façam silêncio, vamos organizar esta porra de zona. Terceiro: Todos terão que trabalhar até os 100 anos ou mais! Aposentados e vagabundos serão metralhados em praça pública! Quarto: A moeda corrente nacional será o jeitinho: uma mão lava a outra e todo mundo resolve as coisas. Quem quiser estudar que pague! Será lançado um Guia Educacional só com uma regra: é pau pra lamber sabão e pau pra saber que sabão não se lambe, assim! Livro é um bocado de letras só pra fazer confusão e os dicionários não mais terão palavras difíceis que serão erradicadas para descomplicar as coisas. Quinto: A história terá apenas feitos militares e todo o resto queimado e esquecido para sempre. Todas as ruas, avenidas e logradouros voltarão a ter apenas nomes de heróis soldados e santos, chega de lugar disso ou daquilo, pronto, assim todo mundo saberá a quem obedecer e apelar. Sexto: Todos terão uma renda básica de 200 coisonários para morrer aos pouquinhos e ninguém ficará pra semente (e que morra logo, de preferência). Além do mais, viver é caro pra dedéu, só pros ricos. Sétimo: Não haverá mais fábricas brasileiras, todas serão americanas pra gente usufruir tudo do bom e do melhor dos United States. E só. Oitavo: Revoguem-se as disposições em contrário e fim de papo! (Ei, mas são dez, tem que ser dez! Por que? Porque é um decálogo. Por que? Como os 10 mandamentos, ora! Ah, é. Então bota aí...) Nono: A democracia será como as lições práticas do quartel, escreveu e não leu, o pau comeu. Pronto. (Falta uma! Taoquei, porra! Bota aí...) Décimo: Assino e determino, assim será a minha democracia de hoje em diante. (Ah, mas é a mesma coisa do nono! É isso mesmo, fechaí. Ponto final e vá pra porra!). Aí com essa, até Millôr ressuscitou: Conseguiram o que queriam: transformar o povo num cão que não morde. (Mas também não abana o rabo.) Ser brasileiro me deixa muito subdesenvolvido. Agora, pausa para o intervalo comercial! Click.

DUAS DEDADAS NO ESCURINHO DO CINEMA – Naquela noite eu caminhava à toa quando ela passou por mim. Ôpa, para quem já vinha ponteando a trilha dela, não poderia jamais deixar passar. Ela se virou e sorriu a mais linda noite enluarada. Era como se a Lua em forma de mulher me fizesse enamorado Selenito, enfeitiçado por seus encantos. Vai pra onde? Passeando. Papo vai, papo vem. Estávamos próximo do cinema. Que tal? Vamos! Nem sei que filme passava, comprei os ingressos. Já começou a sessão? Já. O porteiro cochilava, entrei no meio da escuridão medonha, um zoadeiro incrível na tela. Aboletados, logo me acheguei cochichando ao seu ouvido, até ousei o braço por cima dela para facilitar a conversa, ela aquiescente, atenta. Não prestávamos atenção no filme, só um ao outro. Ao gesticular na conversa íntima, inadvertidamente rocei a mão ao seio, a outra em sua nuca, ela envolvida, achegada, virou-me a face e não pestanejei: um beijo demorado, mãos buliçosas percorrendo toda sua geografia. Foi, fomos fundo, quase às vias de fato, não fosse acenderem as luzes e me flagrarem com a mão e tudo mais na botija dela, era o fim da sessão. Não havia outra, era a última. Buscamos outra guarida, lavamos a égua. O filme? Só anos depois soube: Caldeirão da Santa Cruz do Deserto (1986), do Rosemberg Cariry, só revisto um dia quando resolvi ver Corisco & Dadá (1996), Pedro Oliveira, o cego que viu o mar (1999), Lua cambará, nas escadarias do palácio (2003), Patativa ave oupoesia (2007) e Os pobres diabos (2013), entre outros que vi dele e não lembro. Não sei qual a razão, mas toda vez que os filmes dele passavam, me vinha a imagem de Tarsila do Amaral me dizendo: Minha força vem da lembrança da infância na fazenda, de correr e subir em árvores. E das histórias fantásticas que as empregadas negras me contavam. Não sei, coisas muito próximas da minha existência, revejo em cada uma de suas cenas.

TRÊS ESTALOS & A EXTINÇÃO DE TUDO - (Imagem: arte da escultora Sonia Ebling Kermoal) - Apesar da pandemia e dos reiterados alertas dos cientistas sobre a proximidade da extinção humana, nem só indiferentes desfilam, como os que jogam contra contribuindo para o desaparecimento definitivo de mamíferos, inclusive humanos, pelo desmatamento, poluição e aquecimento global, conforme aquela Torre de Babel de Steven Pinker, desde os de antes dele e até agora. Como parece que o Brasil e o planeta entraram num apagão sem fim, na verdade esgotamos o planeta. E a nós apenas cabe assistirmos a tudo isso de forma passiva e conivente, enquanto poderosos estúpidos mandam e desmandam passando boiadas e tocando fogo para a ganância deles e desertificação de tudo. O que nos resta fazer senão a nossa própria parte. Resta-nos a utopia da transformação, ou como diz Michel Serres: Não há progresso sem utopia. A maioria das grandes descobertas ou a maioria dos progressos locais que fazemos vem, sem dúvida, do sonho de alguém que nos precedeu, como uma espécie de utopia. E a minha é escrever, quem sabe, alguém leia e comigo possamos fazer alguma coisa juntos. Afinal, como bem diz Blaise Cendrars: Escrever é uma percepção do espírito. É um trabalho ingrato que leva à solidão. Sim, à solidão criativa, capaz de mudar em mim e em todos nós. Até mais ver.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

A GARÇA MAL FERIDA
[...] - Anna, chamava Gisbert. Anna, bem te acostar. – Logo vou. Mas só dali a muito minutos chegava e se aprestava para o sono, para o amor. Naquela noite eles se haviam amado muito. Nos gestos, nas palavras, na entrega que se escapava e se dava; Gisbert reconhecia a sua Anna, acrescida de uma doçura nova, mesclada a uma tristeza que ele nunca vira nela. As mãos de Anna, o rosto de Anna, o corpo de Anna, falavam, falavam. – Te amo, diziam os lábios. – Te amo, diziam as mãos. Quando se esgotara o desejo, os dois estendidos lado a lado, os olhos no teto de treliças, Anna lhe havia tomado a mão. E após um longo silêncio falara: - Eu te amei muito, Gisbert. [...]
A obra A garça mal ferida: a história de Anna Paes D’Altro no Brasil Holandês (Lê, 1995), da escritora, professora, feminista e pesquisadora Luzilá Gonçalves Ferreira, trata de uma brasileira do século XVII, cuja vida era dividida entre o sentimento da terra e suas ligações de amor com os cavalheiros flamengos, trazendo o incêndio de Olinda e a criação de Recife, a administração de Nassau com sua grande tolerância religiosa frente a um catolicismo marcado pela inquisição que fazem o pano de fundo ao exercício de amor da heroína, o qual se dá em outro plano, diferente do mundo dissoluto da colônia, que libera todo pecado ao sul do equador. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


segunda-feira, outubro 15, 2007

HEISENBERG, MONIQUE AUGRAS, PINKER, FAUSTO WOLFF, EDNA MILLAY, CLEÓPATRA, ANGELIKA KIRCHSCHLAGER, EUTERPE, LANFRANCO, NEUROCIÊNCIAS, PSICODRAMA, FECAMEPA: PINDORAMA &SARDINHA


FECAMEPA: DE PINDORAMA À CARTA DE CAMINHA - Dando prosseguimento ao FECAMEPA – Festival de Cagadas Melando o País, aos não sei mais que dias do ano da graça de mil e quinhentos e cipapau primeiro, a farra comendo no centro corria solta na maior farofada em Pindorama, ao som do verso de Virgílio que já havia virado sucesso na voz de Caetano Veloso, “Navegar é preciso, viver não é preciso”, quando lembraram lá pras tantas que já deviam ter informado à sua majetade el rei de Portugal da descoberta da grande ilha, a Ilha de Santa Cruz. Não, não era uma ilha, era a Terra dos Papagaios. Isso. Não, não era, era a terra d´além mar, do pau-brasil! Eita! Não, não era. Peraí, afinal o que era? Arre égua! Fala sério, que droga é nove? Era, depois de todas as nomeações cavoucadas possíveis e sequer imagináveis no quengo deles, enfim, o Monte Pascoal na Terra de Vera Cruz, pronto. Isto porque até o nome Brasil já existia há milênios e até que ele chegue em definitivo, muita água ainda vai heraclitamente rolar e já contei outra, tá? Definida então como Terra de Vera Cruz, Cabral revestido dos poderes de deidade corporificada mais sisuda e autorizada, afiando a lucidez antes que tomasse na tarraqueta, ordenou seu escrivão juramentado, oficial bastante nomeado, Pero Vaz de Caminha, que escrevesse em bom termo e forma apropriada à boa nova ao rei, lavrando a certidão de nascimento da terra descoberta (ou melhor, achada e invadida). Ih! O negócio começou a feder. Tanto é que com cara de poucos amigos e daquela expressão sei não, o tal Caminha fulo mais injuriado que as intrigas do Joaquim com Manuel, ficou matutando o que dizer, quase fundindo a cuca já imaginando os maus bofes do rei cheio das perguntas: - Sim, mas tem o que? Lá ia letargicamente escrevendo – ai, que preguiça boa! -, que a terra chã com grandes arvoredos, grandes em tudo, povoada por ingênuos índios todos uns pardos um tanto avermelhados com seus arcos e setas, nus de corpo e alma, de bons rostos (ui!), bons narizes, bem feitos (ai!), sem nada cobrindo as vergonhas e nem aí (uiuiuiuiui!!!).... - Sim e o que mais? -, já imagivana a peiticada do rei. Havia moças gentis dos cabelos compridos e muito pretos e que, cá pra nós, suas vergonhas são tão altas, tão cerradinhas e tão limpinhas das cabeleiras, cheirosinhas, gostosinhas, que, ave!... ah, são todas tingidas de baixo a cima de uma tintura colorida e certo era tão bem feitas e tão redondas das vergonhas tão graciosas... ah, maior trupé pro juízo do cristão!!!! - Ah, tá, sim, sim. E o que mais? Enfim, majestade, trocando em miúdos dos mais trocados que porventura possa deixar como prova dos nove, a terra “em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo”. Findo com um ponto final mais na marreta que na necessidade. Foi quando Américo Vespúcio meteu o bedelho tentando dar um outro ponto mais reticente na lenga-lenga: “Pelo visto, nessa terra não tem nada que se aproveite”. Ih! Já deu para sentir, né? Foi quizília por anos e décadas, séculos. E como uma cagada nunca vem sozinha, os tolotes redundaram aos pipocos e a torto e a direito. Pois foi. Enquanto arengavam pra saber o que tinha e o que não havia em Pindorama, os lusitanos nem se tocaram que o Brasil já existia antes mesmo de ser descoberto por eles. U-huuuuu!!! Isso mesmo, pois já estava sacramentado em tombo juramentado pelo Papa Eugenio IV que assinara já em 1445, a bula confirmatória das doações feitas ao príncipe D. Henrique pelos reis D. Duarte e D. Afonso V, quanto à jurisdição espiritual das conquistas religiosa e militar em favor da Ordem de Cristo, cuja sede, na época da descoberta do Brasil, já estaria situada na cidade de Thomar. Confusão dos diabos. Eita, porra! Aí, lascou. Perdeu completamente a graça, né não? Nunca que eu imaginasse que uma coisa já fosse dada por nascida antes mesmo de ser conhecida. Ou acho que é como a cornagem ao postulante à peruca de touro, este sendo o último a saber do seu próprio uso, quando toda paróquia nem levava mais a sério de tão comum se tornara. Ou seja, para mim, no frigir dos ovos, era o começo da maior roubada. E a pagação de mico fica mais evidente quando vem a comprovação de que, na vera, a coisa já era nascida mesmo e também conhecida por todos, menos por eles. Fodeu Maria-preá! E o pior que era mesmo! Provam isso Alonso de Hojeda e Vicente Ianez Pinzon, bem como os maíres que já vasculhavam tudo na região. Verdade, os franceses já eram íntimos dos daqui. Eita, pau! E como falei no antes deste, fenícios, vikings, celtas, iberos, gauleses, bretões, anglos, saxões, francos, germanos, neerlandeses e o escambau fizeram, pintaram e bordaram por aqui muito antes dessa besteirice portuguesa virar essa zona toda. Também não deixam por mentira o fato da existência do Tratado de Tordesilhas assinado entre as coroas de Portugal e Espanha em 7 de junho de 1494, partilhando as terras do Novo Mundo recém descoberto, incluindo o Brasil. Pois bem, conversa vai, enrolança vem, para desembananar tudo, ficou certo que os portugas tomariam conta da terra de Pindorama e fim de papo. Mas a confusão não finda por ai. Verdade, a cagada prossegue e vocês sabem quando é que surge, por que e qual a razão do nome Brasil? Não? Nem imaginam, né? Pois é, mais uma balbúrdia que explicará em parte todos coprólitos até agora constatados. Fica pra próxima. Ou melhor, mais embaixo. Enquanto isso, gente, vamos aprumar a conversa & tataritaritatá!!!! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais FECAMEPA.

VEJA MAIS:
Episódios do Fecamepa aqui  e aqui.
A bicharada da enrolação aqui.
O esporte é espórtula aqui. 
Aprumando a conversa aqui.
A Fúria dos Inocentes aqui.
Kid Malvadeza aqui.  


Morte di Cleopatra, do pintor do Barroco italiano, Giovanni Lanfranco (1582-1647). Veja mais aqui e aqui.

Curtindo o álbum When Night Falls (Sony Records, 1999), da mezzo-soprano austríaca Angelika Kirchschlager.

PENSAMENTO DO DIATudo que digo deve ser entendido não como uma afirmação, mas como uma pergunta. Pensamento do físico e Prêmio Nobel de 1932, Werner Heisenberg, laureado pela criação da mecânica quântica, cujas aplicações levaram à descoberta, entre outras, das formas alotrópicas do hidrogênio.

OBJETIVIDADE X SUBJETIVIDADE – [...] Do ponto de vista do conhecimento, a fissura entre objeto e sujeito não condena o pensador ao círculo vicioso da procura de uma “objetividade” situada fora do sujeito, nem à prisão de uma subjetividade alheia à realidade. Desemboca ao contrário na síntese que permite integrar, superando-a, a clássica oposição entre “subjetividade” e “objetividade”. Trecho extraído da obra O ser da compreensão (Vozes, 1996), da psicóloga francesa Monique Augras.

NEUROPSICOLOGIA E AS INTERFACES COM AS NEUROCIÊNCIAS – O livro Neuropsicologia e as interfaces com as neurociências, organizado por Eliane Correa Miotto, Mara Cristina Souza de Lucia e Milberto Scaff, reúne diversos autores e estudiosos que abordam questões como aspectos neuropsicológicos das afecções do sistema nervoso central, as base fisiológicas do sistema límbico e lobos frontais, aplicações da ressonância magnética funcional em neurociências, classificação das demências, doença de Alzheimer, taupatias, afasia progressiva primária, epilepsia, acidente vascular cerebral, distúrbios da fala e da linguagem, tratamento das manifestações não motora da doença de Parkinson, avaliação e intervenção neuropsicológica e psicológica em adultos, memória, neuropsicologia no contexto hospitalar, terapia comportamental cognitiva e esclerose múltipla, pseudo-epilepsia, reabilitação neuropsicológica, psicanálise, processamento auditivo, avaliação e intervenção clinica em crianças, transtorno do déficit de atenção, hiperatividade, avaliação do desenvolvimento da competência de leituras em ouvintes e surdos de escolas especiais e comuns, dislexia, novo paradigma de avaliação neuropsicológica na analise dos movimentos oculares e avaliação dos transtornos invasivos do desenvolvimento, avaliação dos problemas de aprendizagem, método ramain-thiers no tratamento do TDAH, bateria Nepsy na avaliação da dislexia do desenvolvimento, entre outros importantes assuntos. REFERÊNCIA: MIOTTO, Eliane; LUCIA, Mara; SCAFF, Milberto (Orgs.). Neuropsicologia e as interfaces com as neurociências. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2007. Veja mais aqui.

O INSTINTO DA LINGUAGEM – A obra O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem, de Steven Pinker aborda questões acerca do instinto para adquirir arte, tagarelas, mentalês, funcionamento da linguagem, palavras, os sons do silêncio, cabeças falantes, a Torre de Babel, o bebê nasce falando, órgãos da linguagem e genes da gramática, o Big Bang, os craques da língua, o design da mente, entre outros importantes temas. REFERÊNCIA: PINKER, Steve. O instinto da linguagem: como a mente cria a linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2004. Veja mais aqui e aqui.

EUTERPE - Euterpe, em grego, é aquela que sabe agradar, presidindo a música e a invenção da flauta. Ao seu lado estão papéis de música, oboés e outros instrumentos. Veja mais aqui.

PSICODRAMA: CIÊNCIA E ARTE – No livro Moreno em ato: a construção do psicodrama a partir das práticas, de Anna Maria Antonia Abreu Costa Knobel, aborda temas como percursos existenciais e certo de constituição do eu, o teatro de improviso e drama da existência, demonstração estética da liberdade, os conflitos da atriz, efeitos do método, construção cênica do método psicodramático, a construção da sociometria, o jogo dos afetos, testes de espontaneidade, situação e role-playing, análise dos jogos espontâneos com foto na espontaneidade, nas situações e nos papéis, o psicodrama clínico, o método psicodramático, processo de reorganização psicodramática do paciente, o grupo, as questões do debatedor e as respostas de Moreno, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: KNOBEL, Anna Maria. Moreno em ato: a construção do psicodrama a partir das práticas. São Paulo: Ágora,2004. Veja mais aqui.

A MENINA – [...] Ela era bela, prendada e virgem, como se esperava numa época em que a pílula anticoncepcional ainda não fora adicionada ao menu da burguesia. Ele também fazia o que dele se esperava, ou seja, nada. Era um playboy rico e ignorante que havia abandonado a universidade e vivia em bordeis e boates; um homem de direita como o seu pai, e que no futuro viria a ser uma autoridade menor da ditadura militar que assolaria o Brasil. [...] De Eduarda se esperava que seguisse os pais da mãe, e de Roberval, os do pai. Tanto o pai dela quando o dele faziam gosto, pois o casamento dos filhos lhes era conveniente. Amor? Dihamos que ela o atraía, pois era bonita e bem feita de corpo. Mas o que um rapaz de 28 anos, com dinheiro no bolso, acostumado com artistas argentinas e prostitutas polonesas, uma amante fixa – moda da época – e garçonière, poderia achar de interessante numa virgem inexperiente? Ela, por sua vez, já despachara vários pretendentes, mas como o príncipe encantado com o qual sonhara não aparecia, deixou-se cortejar pelo rapaz baiano. Se não era bonito – um nariz excepcionalmente grande e tão peludo que só não tinha cabelos nas unhas – era másculo e divertido. Casaram-se com pompa e circunstancia na Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, e foram passar a lua-de-mel em Punta del Este. Para Eduarda a primeira experiência sexual foi dolorida, triste, e nada excitante. Para Roberval, acostumado à expertise das profissionais, uma obrigação a ser cumprida. Dessa falta de amor, dessa egoística manipulação a dois, resultaria Lisa, nove meses mais tarde. Menos de uma semana depois, Eduarda encontrou o marido conversando com uma mulher num dos jardins do hotel. Tratava-se da amante do playbloy, que seguira o casal e se hospedara no mesmo hotel.  Na mesma noite em que Lisa foi concebida, com a desculpa de ir ao cassino, Roberval meteu-se na cama da amante onde ficou quase até o amanhecer. Dividiria as próximas duas semanas entre as duas camas. Eduarda só viria a saber disso mais de um ano depois [...]. Apesar das objeções de ambas as famílias, Eduarda tomou a única atitude corajosa e independente da sua vida: desquitou-se do marido e foi morar com a filha num apartamento em Copacabana. Arranjou um emprego de secretária e um auxílio mensal do pai, pois do ex-marido não queria nada. Quase trinta anos mais tarde, Lisa, de lindos, tristes olhos castanhos (como a mãe, casaria com um jovem que tinha uma amante à época do casamento; como a mãe, teria uma filha; e como a mãe, se desquitaria em seguida) diria a um namorado. – Não tenho inclinação nem jeito para ser feliz. [...]. Como Eduarda não aparecera, uma das freiras arranjou-lhe, à última hora, calcinhas brancas de uma menina um pouco maior, de modo que o elástico não prendia bem em volta da cintura. Mas Lisa estava muito feliz – sua mãe deveria estar escondida em algum lugar da plateria – para se preocupar com isso. Quando, finalmente, dançava contente na ponta dos pés com as outras libélulas, suas calcinhas caíram. Na pressa de levantá-las, acabou tropeçando e se viu no chão. As outras meninas continuaram dançando. Segurando as calcinhas com as mãos e tentando acompanhar as outros, provocou o riso da plateia. Fosse menos triste, fosse mais amada, fosse a filha querida que ansiava ser, não teria se importado com as gargalhadas. Afinal, nós adultos sabemos, não riam dela, mas da cômica situação que dera alguma graça à chatíssima apresentação. [...] Pararam num restaurante para almoçar, onde Eduarda encontrou alguns amigos do Iate que a convidaram para a mesa deles. – Lisinha, por que você não vai tomar um sorvete enquanto a mamãe conversa com os amigos dela? Lisa foi, daquele seu jeitinho sério e decidido. Sabia que só podia confiar nela. Fora traída pelo pai e pela mãe ao mesmo tempo. Seu coraçãozinho se encheu de medo e o medo se transformou em rancor. Sim, agora ela estava preparada para o mundo. Preparada para duvidar. Preparada para fazer sofrer a quem quer que ousasse amá-la. Trechos extraídos da obra Melhores contos (Global, 2007), do jornalista e escritor Fausto Wolff (1940-2008). Veja mais aqui.

NÃO ME LAMENTEISNão, não me lamenteis porque a luz deste dia / já próximo do fim não anda mais no céu. / Nem porque a beleza ao passar me fugia / pelos campos, no bosque enquanto o ano correu. / Não, não me lamenteis porque é imigrante a lua / porque vão-se as marés no oceano sem fim, / porque o humano desejo após chegar recua, / porque não mais olhais com o mesmo amor para mim. / Sempre soube senhora o amor – não me admira / é florada que a brisa arrasa num momento / não mais que o vagalhão que sobrer a praia atira / destroços do naufrágio apanhados do vento. / Não, não me lamenteis porque só tarde sabe / o nosso coração do que na mente cabe. Poema da poeta lírica e dramaturda estadunidense Edna St. Vincent Millay (1892-1950).



Veja mais:
Os índios caetés, Plauto, Montserrat Figueiras, Teatro Francês, Miklos Mihalovits, Acmeísmo, Paulo & Virgínia, Luis Mandoki, Jennifer Lopez, G Linsenmayer & Débora Novaes de Castro aqui.  
Arthur Schopenhauer, José Cândido de Carvalho, Victor Brecheret, Johann Nikolaus Forkel & Bestiário Alagoano de Iremar Marinho aqui.  
Big Shit Bôbras, Mike Featherstone, Machado de Assis, Bocage, Pablo Picasso, Milton Nascimento, Visconde Taunay, Alessandra Maestrini, Julia Broad & Maria Martha aqui.  


CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Veja aqui e aqui.

CANTARAU TATARITARITATÁ
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.
 

 

NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...