segunda-feira, setembro 03, 2018

CLARICE, NERUDA, BADI ASSAD, COMENIUS, BUCA, ABELHAS & ALTO DO MOURA


ALTO DO MOURA – O aconchego na pisada do triângulo: apesar do frio, qualquer paragem seria, seja onde estivéssemos. Ali tudo é aconchegante, afinal a arte de tudo que se diga ou veja de pesares, a vida nos ares com sonhos folclóricos. Para quem não sabia, ao certo, pra onde é que se ia, tudo bom demais: vivíamos mesmo com o barro nas ruas, a praça dos bonecos e a provisória Biblioteca Comunitária; o sábado aboletado no bar da esquina com a mãe da tocha da Copa, o Memorial de Galdino, o Maracatu e o Boizinho – e tome papo noitardiadentro, a conversa na branca manhã domingueira e viviniciática com Buca, o mistholístico Solar de Lula do Mel, até o Terraço das Meninas, nada perderíamos na memória de tão vivo sentir. O caleidoscópio todo na segunda edição da Festa Literária do Alto do Moura (a FLAL), a gente foi Do barro à lama: Existência e Resistência: exibições culturais, sarau poético, apresentações artísticas de teatro e música, trocas e comercialização de livros com autores e produtores independentes, exposições de imagens e obras artísticas, mostras cinematográficas, palestras, rodas de diálogo, atividades de leitura e contação de história e oficinas para crianças, jovens e adultos, e lá vai teibei no tetéu & cois&tal. Soubemos do que nunca tínhamos visto: Terezinha Gonzaga, Severino Vitalino e João Ezequiel da Silva - o Dão. Também de Nicinha Otília da Silva e, o melhor na chegada do Antonio Lucio da Silva Leite, o Buca, sempre Buca. Até remexemos passos no Clube com o que foi de autoral e fraterno de Daniel Finizola, Drico Correia, Pablo Patriota e Riá Oliveira. O bom mesmo foi privar da companhia na idavolta da professoramiga Ester Rosa (CEEL-UFPE) & musicontroversamigo Celso, e conversado desconversas e coisa e tais com o grande artista Buca, balançar o esqueleto no Maracatu Nação do Barro, descer a ladeira com o Boizinho Menino do Nascedouro entre gente cantante e cores do casario, lápides e banheiros cosmopolitas; trocar ideias com a professora Emília Lins, largar pilhéria com Reginaldo e monitores do Curso de Pedagogia e da Pós-graduação em Educação da UFPE, curtir a contação de história da Cia Agora Eu Era, interagir no Solar das Abelhas com Lula do Mel e fechar a estada no Terraço das Meninas para zarparmos já mortos de saudades da magia de tudo aquilo. O que foi de farra&surpresa&risadagem&sabe-se lá mais auto no alto, horas a fio, ficou inesquecível. Tomara a vida seja sempre assim & vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da violonista, cantora, percussionista e compositora Badi Assad: Milenium Stage Live, California World Fest Live, Replay Guitar Exchange & Ao vivo & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] É evidente que cada um de nós imagina com maior facilidade e clareza como é um rinoceronte se já viu algum, mesmo que tenha sido só uma vez ou pelo menos viu sua imagem. Quando nos faltam objetos podemos servir-nos das imagens que os representam, isto é, de modelos ou desenhos concebidos essencialmente para o ensino. [...]. Pensamento do educador, cientista e escritor checo Comenius - Jan Amos Komenský (1592-1670). Veja mais aqui e aqui.

MUDANÇAS NA LINGUA E NA LINGUAGEM - [...] As línguas não se desenvolvem, não progridem, não decaem, nem agem de acordo com nenhuma das metáforas que implicam um ponto final especifico ou um nível de excelência. Ela simplesmente mudam, como as sociedades mudam. Se uma língua morre é porque seu status na sociedade se alterou, na medida em que outras culturas e línguas a sobrepujaram : ela não morre porque “ficou velha demais” ou porque “se tornou muito complicada”, como às vezes se pensa. Também não se deve pensar que, quando as línguas mudam, elas o fazem numa direção predeterminada. Algumas estão perdendo flexões; outras estão ganhando. Algumas estão se fixando, numa ordem em que o verbo precede o objeto; outras, numa ordem em que o objeto precede o verbo. Algumas línguas estão perdendo vogais e ganhando consoantes; outras fazem o oposto. Se formos usar a metáforas para falar da mudança linguística, uma das melhoras é a de um sistema que se mantem num estado de equilíbrio, enquanto as mudanças ocorrem dentro dele. Outra é a da maré, que sempre e inevitavelmente muda, mas nunca progride, enquanto flui e reflui. [...] Trecho extraído da obra Enciclopédia da Linguagem (Cambridge University Press, 1987), do linguista britânico David Crystal. Veja mais aqui.

A LEGIÃO ESTRANGEIRA - [...] Só muito depois, tendo finalmente me organizado em corpo e sentindo-me fundamentalmente mais garantida, pude me aventurar e estudar um pouco; antes, porém, eu não podia me arriscar a aprender, não queria me disturbar – tomava intuitivo cuidado com o que eu era, já que eu não sabia o que era, e com vaidade cultivava a integridade da ignorância. [...] Ia receber de volta uma realidade que não teria existido se eu não a tivesse temerariamente adivinhado e assim lhe dado vida. [...] O fato é que, tendo uma vez se encontrado na parte secreta deles mesmos, resultara na tentação e na esperança de um dia chegar ao máximo. Que máximo? [...] Foi quando, tendo minha família se mudado para São Paulo, e ele morando sozinho, pois sua família era do Piauí, foi quando o convidei a morar em nosso apartamento, que ficara sob a minha guarda. [...]. Trechos extraídos da obra A legião estrangeira (Autor, 1964), da escritora e jornalista Clarice Lispector (1920-1977). Veja mais aqui e aqui.

CAVALEIRO SOLITÁRIO - Os jovens homossexuais e as moças amorosas, / e as longas viúvas que sofrem a delirante insônia, / e as jovens senhoras emprenhadas faz trinta horas, / e os gatos roucos que cruzam meu jardim em trevas, / como um colar de palpitantes ostras sexuais / rodeiam minha residência solitária, / como inimigos estabelecidos contra a minha alma, / como conspiradores em trajes de dormitório / que trocaram longos beijos espessos como instruções. / O radiante verão conduz os enamorados / em uniformes regimentos melancólicos, / feitos de gordos e magros e alegres e tristes casais: / sob os elegantes coqueiros, junto ao oceano e à lua, / há uma contínua vida de calças e saias, / um rumor de meias de seda acariciadas, / e seios femininos que brilham como olhos. / O pequeno empregado, depois de muito, / depois do tédio semanal, e os romances lidos de noite na cama / definitivamente seduziu sua vizinha, / e a leva para miseráveis cinemas / onde os heróis são potros ou príncipes apaixonados, / e acaricia suas pernas cheias de um doce pelo / com suas ardentes e úmidas mãos que cheiram a cigarro. / Os entardeceres do sedutor e as noites dos esposos / unem-se como dois lençóis me sepultando, / e as horas depois do almoço em que os jovens estudantes / e as jovens estudantes, e os sacerdotes se masturbam, / e os animais fornicam diretamente, / e as abelhas cheiram a sangue, e as moscas zumbem coléricas, / e os primos brincam estranhamente com as suas primas, / e os médicos olham com fúria para o marido da jovem paciente, / e as horas da manhã em que o professor, como por descuido, / cumpre o seu dever conjugal e toma o café, / e ainda mais, os adúlteros que se amam com verdadeiro amor / sobre leitos altos e longos como embarcações; / seguramente, eternamente me rodeia / este grande bosque respiratório e enredado / com grandes flores como bocas e dentaduras / e negras raízes em forma de unhas e sapatos. Poema extraído da obra Residência na Terra - 1925-1935 (LPM, 2004), do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973). Veja mais aqui.

SOLAR DAS ABELHAS
Projeto de iniciativa do biólogo, especialista em genética de abelhas e pós-graduado em Saúde Pública e Apicultura, Lula do Mel (João Luiz Aleixo da Silva), no Parque de Serra dos Cavalos, Alto do Moura, Caruaru (PE), uma importante contribuição para reflexão sobre meio ambiente e educação ambiental. Veja mais aqui.

AGENDA
Biblioteca Comunitária do Alto do Moura & muito mais na Agenda aqui.
&
A arte de Buca (Antônio Lúcio leite)
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O Espaço Cultural Terraço das Meninas – Alto do Moura
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A plenitude da vida, Hermilo Borba Filho, Thomas de Kempis, Nelson Chaves, Pierre Bourdieu, Nicomedes Gomez, Ensino & Aprendizagem, Sexo & Sexualidade, Colégio Estadual Eliseu Pereira de Melo, Instituto Educacional São Francisco de Assis, Ricardo Onorato & Biblioteca Fenelon Barreto aqui.


MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...