segunda-feira, março 02, 2015

CHAUÍ, SMETANA, LOWELL, LOO, TIZUKA & TANIA ALVES, ZILDA MAYO & EDUARDO PROFFA.


NO REINO DOS COPRÓLITOS – Nenhum português na atualidade fala mais de Descobrimento do Brasil! Mencionam que houve achamento ou invasão. A segunda a gente já suspeitava desde do registro das bulas papais do séc. XV. A primeira, historiadores pernambucanos já mandavam ver: a cagada! Para mim, a chegada dos perós é o pontapé inicial do Fecamepa: uma bronca que virou avalanche pelos séculos até agora, nos dando a constatação de um verdadeiro reino de coprólitos: mediocridade que mal lava a bunda e tome complexo de vira-lata; frescurite à flor da pele com tinhosidade no nível da prestidigitação; voyeurismo à flor da pele com boataria no prazer da fofoca;; ideologia dos que enricam à custa da desgraça alheia com sonhos de boladas de loteria e afanagens do erário público que se transformam em bandeiras oligárquicas pra dar chiliques de egumbigos exaltados no teitei das grifes no Big Shit Bôbras pra dar Ibope nos veículos de comunicação e pra cantar o Hino Nacional na televisão que virou coluna social de flatulências glamourizadas; coprólitos a peso de ouro no blábláblá de sectários com seus cascos no cromo alemão e solado no cabelinho de sapo, cuecas na peínha e buraco no furico das pregas lascadas pra enganar aqueles que não distinguem sequer ouropéis, europeus e urinóis. Ora, ora! Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.

Imagem do pintor francês Louis-Michel van Loo (1707-1771)

Ouvindo Prodaná nevesta, do compositor tcheco Bendrich Smetana (1824-1884) com a Czech Philharmonic Orchestra e The National Theatre Ballet in Prague, sob a regência de František Filip,

O QUE É IDEOLOGIA – No livro O que é ideologia (Brasiliense, 1980), a professora, filósofa e historiadora Marilena Chauí destaca que: [...] É de grande importância a afirmação de Marx e de Engels acerca da ideologia como algo que não tem história. Por quê? Porque a ideologia burguesa tem o culto da história entendida como progresso. Para a ideologia burguesa, toda a história é o progresso das nações, dos estados, das ciências, das artes, das técnicas. E que o historiador burguês aceita a imagem progressista que a burguesia tem de si mesma, na medida em que a burguesia considera um progresso seu modo de dominar a Natureza e de dominar os outros homens. Com esse culto do progresso, a burguesia e seus ideólogos justificam o direito do capitalismo de colonizar os povos ditos “primitivos” ou “atrasados” para que se beneficiem dos “progressos da civilização”. Assim, quando a antropologia social explica “cientificamente” as sociedades ditas “selvagens” passa a descrevê-las como sendo pré-lógicas, como fez Lévy-Bruhl. Ou então, quando os antropólogos percebem que tal caracterização é colonialista e passam a descrever os “selvagens” de modo a revelar que são diferentes e não atrasados, ainda assim permanecem sob a hegemonia da ideologia burguesa. Por quê? Porque agora mostram que as sociedades primitivas são diferentes da nossa por serem sociedades sem escrita, sem mercado, sem Estado e sem história. Como bem mostrou o antropólogo Pierre Clastres, em seu livro A Sociedade contra o Estado, explicar as sociedades primitivas dizendo o que lhes falta (o “sem”) é manter, implicitamente, como modelo explicativo a nossa sociedade, e como sociedade plena – isto é, com escrita, com mercado, com Estado e com história. Isto não significa que os antropólogos queiram defender o colonialismo (em geral defendem os interesses das sociedades “primitivas”), mas sim que sua ciência permanece presa a uma racionalidade e a uma cientificidade que conserva, silenciosamente, a ideia burguesa de progresso. Porque a ideologia não tem história, mas fabrica histórias imaginárias que nada mais são do que uma forma de legitimar a dominação da classe dominante, compreende-se por que a história ideológica (aquela que aprendemos na escola e nos livros) seja sempre uma história narrada do ponto de vista do vencedor ou dos poderosos. Não possuímos a história dos escravos, nem a dos servos, nem a dos trabalhadores vencidos – não só suas ações não são registradas pelo historiador, mas os dominantes também não permitem que restem vestígios (documentos, monumentos) dessa história. Por isso os dominados aparecem nos textos dos historiadores sempre a partir do modo como eram vistos e compreendidos pelos próprios vencedores. O vencedor ou poderoso é transformado em único sujeito da história não só porque impediu que houvesse a história dos vencidos (ao serem derrotados, os vencidos perderam o “direito” à história), mas simplesmente porque sua ação histórica consiste em eliminar fisicamente os vencidos ou, então, se precisa do trabalho deles, elimina sua memória, fazendo com que se lembrem apenas dos feitos dos vencedores. Não é, assim, por exemplo, que os estudantes negros ficam sabendo que a Abolição foi um feito da Princesa Isabel? As lutas dos escravos estão sem registro e tudo que delas sabemos está registrado pelos senhores brancos. Não há direito à memória para o negro. Nem para o índio. Nem para os camponeses. Nem para os operários. História dos “grandes homens”, dos “grandes feitos”, das “grandes descobertas”, dos “grandes progressos”, a ideologia nunca nos diz o que são esses “grandes”. Grandes em quê? Grandes porquê? Grandes em relação a quê? No entanto, o saber histórico nos dirá que esses “grandes”, agentes da história e do progresso, são os “grandes e poderosos”, isto é, os dominantes, cuja “grandeza” depende sempre da exploração e dominação dos “pequenos”. Aliás, a própria ideia de que os outros são os “pequenos” já é um pacto que fazemos com a ideologia dominante. Graças a esse tipo de história, a ideologia burguesa pode manter sua hegemonia mesmo sobre os vencidos, pois estes interiorizam a suposição de que não são sujeitos da história, mas apenas seus pacientes. Veja mais aqui e aqui.

A FOZ DO HUDSON – Entre os poemas publicados do poeta estadunidense Robert Lowell (1917-1977), considerado o fundador da poesia confessional, encontrei o seu A foz do Hudson, na tradução de Aíla de Oliveira Gomes (Quingumbo – Escrita, 1980): Um homem sozinho fica ali, como a espiar as aves, / e raspa a neve salpicada em preto e branco / de uma bobina grisalha / abandonada, de cabo elétrico Westingghouse / ele não pode descobrir a América cantando / as cadeias dos condenados trens de carga / vindos dos trinta Estados. Que sacolejam, rangem, / rejeitam restos atirados no desvio ali embaixo. / Seus equilíbrios a custo se mantém. / Os olhos pingam / e ele vai à deriva no gelo espedaçado / estalejando o Hudson abaixo até o mar, / como as brancas placas soltas de um jogo de armar. / O gelo desce pro mar, qual relógio, em tique-taque, / Um negro torra / sementes de trigo na fumaça de carvão / que escapa de uma barrica perfurada. / Ar químico / invade New Jersey, / e cheira a café. / Do outro lado do rio / as cumeeiras das fabricas dos subúrbios tostam / ao sol amarelo-súlfur / da paisagem imperdoável. Veja mais aqui.


HOSPEDARIA – Acontecerá no próximo dia 14 de março, a partir das 19hs, no Zeppelin Restaurante e Bar, Maceió, o lançamento do livro Hospedaria, do poeta e integrante da dupla Nó na Garganta, Eduardo Proffa. O livro conta com apresentações de Diógenes Tenório e Edna Lopes, com capa do multiartista alagoano Deyvis. Veja mais aqui.


PARAHYBA MULHER MACHO – Espetacular drama é o premiadíssimo Parahyba Mulher Macho (1983), da cineasta Tizuka Yamasaki, escrito por ela e José Joffily, contando um importante acontecimento histórico do Brasil: o estopim para a Revolução de 1930 e o embate entre os partidos Republicano e Aliança Liberal envolvendo as figuras de João Pessoa e João Dantas. O filme ganhou diversos prêmios no Brasil e no exterior, destacando-se o papel desempenhado pela atriz e cantora Tânia Alves interpretando a poeta, jornalista e professora libertária Anayde Beiriz e a sua liberação sexual e amor por João Dantas. Veja mais aqui.

HOMENAGEM ESPECIAL
 
Como todo dia é dia da mulher, hoje é dia de homenagear a atriz Zilda Mayo. Veja mais aqui.


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