segunda-feira, março 23, 2015

FROMM, KUROSAWA, SCLIAR, RIMSKY-KORSAKOV. DEL PICCHIA, FLANDRIN & SANHA!!!


SANHA – Estava eu na segunda metade dos anos 1980, quando compus a música Sanha. Música e letra saíram duma vez, após assistir um festival de filmes do cineasta grego Costa-Gavras e a leitura do poema Os homens ocos, de T. S. Eliot. Eram tempos difíceis e de redemocratização. Não conseguia conciliar a rudeza dos que se instalaram no poder abusando da repressão e desumanidade, com os meus sonhos libertários de um mundo melhor paratodos. A canção – música e letra – saíram porque eu sangrava a dor de ver a liberdade adiada e sempre preterida. A letra da música fiz constar na parte das canções do meu livro Primeira Reunião (Bagaço, 1992). Já por volta de 1996, eu empunhava o violão a cantá-la, quando o saudoso cantor Auri Viola ouviu e pediu para gravá-la. Anos depois, realmente, ele gravou com um belo arranjo que me fez inseri-la no meu show Tataritaritatá. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Imagem do pintor francês Jean-Hippolyte Flandrin (1809-1864)

Ouvindo: Sheherazade, do compositor russo Nikolai Rimsky-Korsakov (1844-1908), com a Philadelphia Orchestra, conducit Leopoldo Stokowski.

NATUREZA E CARÁTER DO HOMEM – O livro Análise do Homem (Zahar, 1978), do psicanalista, filósofo e sociólogo alemão Erich Fromm (1900-1980), trata sobre a ética humanista, a ciência aplicada da arte de viver, a natureza e caráter do homem, a personalidade, a orientação receptiva, orientação exploratória, orientação acumulativa, orientação mercantil, orientação produtiva, o prazer e a felicidade, o problema moral de hoje, entre outros assuntos. Da obra destaco: [...] O homem é o mais inerme dos animais, mas essa mesma debilidade biológica é a base de sua força, a causa principal do desenvolvimento de suas qualidades especificamente humanos. [...] Tendo consciência de si mesmo, percebe sua impotência e as limitações de sua existência. Ele visualiza seu próprio fim: a morte. Nunca se vê livre da dicotomia de sua existência: não pode livrar-se de sua morte, mesmo que o quisesse; não pode livrar-se de seu corpo, enquanto estiver vivi – e seu corpo faz com que ele queira estar vivo. [...] O homem é sozinho e, ao mesmo tempo, relacionado com outros. Ele é sozinho por ser uma entidade original, não-idêntica a outrem, e cônscio do próprio eu como uma entidade independente. Ele tem de ficar sozinho quando precisa julgar, ou tomar decisões exclusivamente baseado no poder seu raciocínio. E, no entanto, ele não suporta ficar sozinho, desligado de seus semelhantes. Sua felicidade depende da solidariedade que sente com os outros homens, com as gerações passadas e futuras. Veja mais aqui e aqui.

A MULHER QUE ESCREVEU A BÍBLIA – O romance A mulher que escreveu a Bíblia (Companhia das Letras, 1999), do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar (1927-2011) é uma deliciosa obra de ser lida. Do livro destaco: Salomão esperava-me, reclinado no largo leito. Foi infinitamente gentil comigo: fez com que eu me deitasse a seu lado, acariciou-me, perguntou-me o que eu esperava dele. Na verdade, eu queria que me deixasse dormir, mas jamais formularia um pedido tão extravagante. Por isso: - Tua boca cubra-me de beijos – eu disse, mas um tanto receosa: funcionaria a fórmula mágica? Não estaria eu correndo o risco de uma nova decepção? A formula mágica funcionou. Deus, funcionou mesmo. O cara era bom de cama; e eu, estreando, não me saí mal. Meu ventre era como uma taça, e dessa taça ele sorveu, abundante, o vinho da paixão. Não foi a prosaica noite de núpcias que eu esperava: foi uma celebração, um verdadeiro banquete de sexo, todas as posições, todas as variações sendo experimentada. De zero a dez, nota oito, com desconto dado por minha modéstia. Levantei-me de madrugada. Ele dormia ainda, sonhando – com quê, eu nunca descobriria, e nem queria saber: preferia o mistério. Beijei-o pela última vez e saí. Caminhei sem ruídos pelos corredores, cheguei ao jardim. De seus abrigos, fitavam-me os pombos. Sem dificuldade, pulei o muro do palácio. Corri pelas ruas da cidade adormecida, em direção ao sul, ao deserto. Ia atrás de um certo pastorzinho. Se me apressasse, poderia encontra-lo em dois ou três dias. À altura de certa montanha. E de suas enigmáticas, mas promissoras, cavernas. Veja mais aqui.

CANÇÃO DO MEU SONHO ERRANTE – No livro Chuva de Pedra (José Olympio, 1974), do poeta, jornalista, advogado e pintor brasileiro Menotti Del Picchia (1892-1988), destaco o belíssimo poema Canção do meu sonho errante: Eu tenho a alma errante / e vago na terra a sonhar maravilhas... / não paro um momento! / Eu busco inquieto o meu sonho inconstante / e sou como as asas, as velas, as quilhas, / as nuvens, o vento... / Eu sou como as coisas inquietas: o veio / que canta na leira; a fumaça que voa / na espira que sobe das achas: o anseio / dos longos coqueiros esguios; / a esteira de prata que deixa uma proa / no espelho dos rios. / Eu tenho a alma errante... / Boêmio, o meu sonho procura a carícia / fugace, procura / a gloria mendaz e preclara. / Sou como a vela fenícia / ao largo, uma vela distante.../ Eu tenho a alma errante... / E sinto uma estranha delícia / em tudo que passa e não dura, / em tudo que foge e não para... Veja mais aqui.



YUME – O filme japonês Yume (Sonhos, 1990) do cineasta Akira Kurosawa (1910-1998), reúne uma série de histórias que são baseadas em seus sonhos nos mais diferentes momentos de sua vida: um raio de sol através da chuva, o jardim das pessegueiras, a tempestade, o túnel, corvos, Monte Fuji em vermelho, o demônio que chora e o vilarejo dos moinhos. Maravilhoso e imperdível. Veja mais aqui e aqui.



Veja mais sobre:
O nome da rua, a pintura de Alfredo Volpi, a música de Air &Alessandro Baricco, a arte de Xue Yanqun & Poemiudinho aqui.

E mais:
O queijo e os vermes de Carlo Ginzburg, O cortiço de Aluísio de Azevedo, a música de Arrigo Barnabé & banda Sabor de Veneno, a poesia & arte de Mano Melo, a arte de Ítala Nandi, a pintura de Otto Lingner, Acontece Curitiba & Claudia Cozzella, a fotografia de Robert Doisneau &  Programa Tataritaritatá aqui.
Atos ilícitos & excludentes de ilicitude aqui.
A poesia de Raymundo Alves de Souza aqui.
A mulher fenícia & a cura do inhame aqui.
Felicidade de Eduardo Giannetti, Amores & arte de amar de Ovídio, Taras Bulba de Nikolai Gógol, Diana/Ártemis, a música de Xangai, a escultura de Jean Antoine Houdon, a gravura de Agostino Carracci, o cinema de Bob Rafelson & Theresa Russel aqui.
Jacques Lacan & Slavoz Žižek, o teatro de Peter Brook, a música de Modest Mussorgsky, o cinema de Charlotte Dubreuil & Marie-Christine Barrault, a fotografia de Tan Ngiap Heng & a poesia de Cicero Melo aqui.
As águas de Alvoradinha, A semente da mostarda de Bhagwan Shree Rajneesh, a literatura de Milan Kundera, a poesia de John Keats, o Texto/contexto de Anatol Rosenfeld, a música de Jorge Ben-Jor, O amor de Endimião & Selene, o cinema de Philip Kaufman & Lena Olin, a pintura de Anthony van Dyck, A viola emprenhada de Teco Seade, a literatura infantil de Socorro Cunha & Maria Mulher de João Lins aqui.
O equilíbrio mortevida do malabarista, a poesia de Vladimir Maiakovski, William Blake, Dante Alighieri, a entrevista de Silviane Bellato, A gaia ciência de Friedrich Nietzsche, Educação de Antonio Dias Nascimento & Tânia Maria Hetkowski, a pintura de José Manuel Merello & Camila Soato & Victoria Soyanova, a dança de Svetlana Zakharova, Teatro de Anônimo, Billion Dollar Crop, a música de Nádia Figueiredo & as bossalidade da Nega besta aqui.
Todo dia é dia da criança, A formação social da mente de Lev Vygotsky, Escritas das crianças de Paulo Freire, Os jogos infantis de Eliza Santa Roza, Paracoera de Lauro Palhano, O futuro das crianças de Clara Bellar, a escultura de Protásio de Morais & Dona Irinéia, a xilogravura de Amaro Francisco, a arte naif de Ronaldo Mendes, a entrevista da professora Rachel Lucena, Cordel na Escola, Galeria do Dim, O lobisomem zonzo & Luciah Lopez aqui.
O que tiver de ser, será, A sociedade dos indivíduos de Norbert Elias, a música de Lola Astanova, Caminhos da transdisciplinaridade Maria Lúcia Rodrigues, a escultura de Zhang Yaxi, A morte como efeito colateral de Ana Maria Shua, Teatro Tá na Rua, o cinema de Cristoph Stark & Lavínia Wilson, a entrevista de Clara Redig, Brincar para aprender, a gravura de Gustav Klimt, a pintura de Mino Lo Savio & Pavlos Samios, a dança de Nadja Sadakova & A sedução da serpente aqui.
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