sábado, fevereiro 25, 2012

DRUMMOND, MOACYR SCLIAR, CASSIRER, ANNE CAUQUELIN, ZIPEY, CIDINHA MADEIRO & LITERÓTICA



Arte da ilustradora e artista coreana Zipey Yang Se Eun.

LITERÓTICA: APRONTAÇÃO – Toda sexta-feira, meio dia em ponto, ela vem com assombro pro meu bem-me-quer. E me faz de chofer toda gostosinha tirando a calcinha pra me provocar. E: - qualé, que é que há? -, grita intrigada com manha cismada, querendo aprontar. Eu fico de cá, só no encalço, apertando seu laço, seu sal se pisando. Continua bancando maior enredeira, toda presepeira no flerte enrolado. Jeito caçoado se achega mansinha, fingindo que é minha e que também não. Eu que sou enrolão sei desse expediente, de fingir que se sente e que sente demais. Deu passo pra trás, se faz desleixada com a cheba minada, apertando entre as pernas. É trapaça eterna que faz toda pilha, ela emborca a vasilha toda mandona. E com cara pidona, prometo a munheca e o ferro na boneca no maior caqueado. Chamo no cabo, arreia a catimba, chupa minha bimba na maior diversão. Que degustação! E não tem apelo, eu seguro os cabelos e tome pencó. Bateu no gogó, ela me devorando toda se babando, esborra o chamegado. Aprumo ajeitado, ela quer que eu suste, eu boto sem cuspe até o talo. Engole o gargalo e mais se atrepa, em mim se estrepa e voa aprumado. E com avoado vem toda esbelta feito asa delta cavalgar de montão. Me faz corrimão, sua mala e bocado, mastro desfraldado, consolo e redenção. Me faz seu pirão, o seu de-comer, a razão de viver e doce predileto. Juro que eu não presto, sou profanação, seu bicho de estimação, sua terrina e rito de passagem. Sou sua pilhagem, sua refeição, sua extrema-unção, seu viveiro, seu claustro. Sou seu repasto, medonha agonia, até a luz do dia me fez coroado. Sou deus destronado, sua gota e quebranto, sou até o seu santo caído e safado. Sou enfim seu reinado, espinho na roseira, alma maloqueira que lhe faz só mulher. E nesse trupé, ela goza devassa, em estado de graça e seja o que deus quiser. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.


DITOS & DESDITOS - A primeira faculdade com a qual o homem opõe-se às coisas, tanto quanto ser independente, é a faculdade de desejar. Ao desejar, o homem não aceita simplesmente a redalidade das coisas, porém, istyo sim, as constrói para si mesmo. No desejo move-0se a primeira consciência primityiva: a capacidade para configurar o ser. Pensamento do do filósofo alemão Ernst Cassirer (1874-1945). Veja mais aqui e aqui.

ARTE CONTEMPORÂNEA - [...] Em tal sociedade, o imperativo de ter de ser criativo, de ter de produzir arte, abate-se sobre os decisores: políticos eleitos, administradores encarregado de resolver os problemas urbanos, sociais, de integração das diferenças étnicas dentro de um vasto lugar comum. [...] A arte é o local de reunião simbólica, unificador das diferenças, que deve exercer a função de ligação e servir de substituto a uma coesão difícil de ser conseguida; em suma, deve tomar o lugar do consenso político. Essa operação de reunificação não data de hoje: a atividade artística sempre foi requisitada pelo poder para dar visibilidade aos conceitos que lhe servem de princípios. [...] Assim como falta a ligação entre uma orientação política e sua visibilidade pública, da mesma maneira os estereótipos intervêm agora em seu lugar: um parque público, a instalação de um ecomuseu, o lançamento de uma empreitada artística de grande porte  quem não tem seu festival de verão ou de outono? Pouco importa o conteúdo da empreitada, contanto que ela exista e que o evento seja elogiado. [...] As obras de arte vêem-se, então, não somente confrontadas com a estrutura da comunicação do mercado – no qual os artistas, a despeito de não controlarem as regras, podem, no entanto, gerir o uso e nutrir seu trabalho, como vimos – como também com essa extensão totalizante de uma atividade no domínio da arte, extensão para cima e para baixo [...]. Trecho extraído da obra A arte contemporânea: uma introdução (Martins Fontes, 2005), da filósofa, romancista, ensaísta e artista francesa Anne Cauquelin. Veja mais aqui e aqui.

SONHOS TROPICAIS - [...] o que me espera, neste país? E então o telefone soará. Mas não serei eu, Oswaldo. Tu sabes que não serei eu. Quem será então? Ligação internacional: a mulher dele. Melhor: quase ex-mulher. Processo de divorcio em andamento. Incompatibilidade de gênios. “Ele s[o pensa na carreira, na tese. Não passo de um objeto. E já teve caso com duas alunas...” (Caso com duas alunas: picante, hein, Oswaldo?) Mas a mulher, ou quase ex-mulher, telefonará assim mesmo. O pretexto será um problema qualquer com a filha de ambos, uma garota d quinze anos muito problemática (drogas? Drogas). Na verdade, ela quererá se queixar: você viajou, não avisou nada, se o seu pai não tivesse me dado o telefone desse apart-hotel eu nem saberia onde você está, você fugiu para o Brasil, o pretexto é a tese, mas eu sei que você quer mesmo o Carnaval, as mulheres fáceis. Ele ouvirá em silencio. Finalmente ela se interromperá, ofegante/ ele então tentará ponderar algo – você está errada, eu vim a trabalho – mas então ela começará a chorar. Começará a chorar, e graças à comunicação via satélite, seus soluções atravessarão o espaço em velocidade fantástica; [...]. Trechos da obra Sonhos tropicais (Companhia das Letras, 1992), do escritor e médico gaúcho Moacyr Scliar (1927-2011). Veja mais aqui e aqui.

POEMAS - MULHER ANDANDO NUA PELA CASA – Mulher andando nua pela casa / envolve a gete de tamanha paz. / Não é nudez datada, provocante. / É um andar vestida de nudez, / inocência de irmã e copo d’água. / O corpo nem sequer é percebido / pelo ritmo que o leva. / Transitam curvas em estado de pureza, / dando este nome à vida: castidade. / Pelos que fascinavam não perturbam. / Seios nádegas (tácito armistício) / repousam de guerra. Também eu repouso. NOCORPO FEMINO, ESSE RETIRO – No corpo feminino, esse retiro / - a doce bunda – é ainda o que prefiro. / A ela, meu mais íntimo suispiro, / pois tanto mais a apalpo quanto a miro. / Que tanto mais a quero, se me firo / em unhas protestantes, e respiro / a brisa dos planetas, no seu giro / lento, violento... então, se ponho e tiro. / a mão em concha – a mão, sábio papiro, / iluminando o gozo, qual lampiro, / ou se, dessedentado, já me estiro, / me penso, me restauro, me confiro, / o sentimento da morte eis que adquiro: / de rola, a bunda torna-se vampiro. NO MÁRMORE DE TUA BUNDA – No mármore de tua bunda gravei o meu epitáfio. / Agora que nos separamos, minha morte já não me pertence. / Tu a levaste contigo. Poemas extraídos da obra O amor natural (Record,1996), do poeta, contista e cronista Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). Veja mais aqui.

Arte da ilustradora e artista coreana Zipey Yang Se Eun.


CIDINHA MADEIRO – A homenageada da vez, tanto é uma aplaudida Musa Tataritaritatá, como também uma festejadíssima personalidade da campanha Todo dia é dia da mulher. Trata-se, simplesmente, da alagoana Cidinha Madeiro.

 Ela é médica.

 Ela é crítica literária.

 Ela é fotógrafa.

Além de tudo isso, é um ser humano fascinante.

 Uma amiga.

 Uma pessoa daquelas que a gente quer sempre ter do lado.

Tudo isso e muito mais: ela é Cidinha Madeiro.

Aqui a nossa homenagem.

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