
Imagem: a arte de Steve Hanks
Curtindo o álbum Deliveri moi / Just
a charade
(1985), da cantora e atriz belga Linda
Lepomme. Veja mais aqui.
EPÍGRAFE – Cada qual é livre para dizer o que quer, mas sob a condição de ser
compreendido por aquela a quem se dirija. A linguagem é comunicação e nada é
comunicado se o discurso não é compreendido. Toda mensagem deve ser inteligível,
frase extraída do livro Estrutura da linguagem poética (Cultrix, 1978), de Jean Cohen. Veja mais aqui e aqui.
ALIENAÇÃO – Foi o filósofo alemão
Hegel um dos primeiros filósofos a se referir a um tipo de alma alienada, o que
seria uma consciência separada da realidade. Marx se interessou pelo termo, mas
já fazendo a oposição entre homem e cultura, entre homem e trabalho. Por
extensão, o termo acabou sendo usado para situar uma obra literária
desvinculada da realidade social. As obras, ditas participantes, seriam aquelas
que estariam mais interessadas na critica de um sistema econômico, do que mesmo
no fazer arte. Passava-se da noção metafisica do termo para a noção social.
James Joyce foi considerado um escritor alienado e o seu romance Ulisses “um
vazio e oco experimentalismo técnico-formal”. Esta oposição dos críticos
marxistas, no entanto, está ultrapassada, pois o próprio realismo social sofreu
aberturas: Lukács, Goldmann. O fato é que a obra não reflete a realidade, mas
cria a sua própria, nem tem participação ativa no processo social, mas o engloba
e o situa em sua dimensão de nova realidade. No que diz respeito à alienação, a
pergunta mais objetiva seria esta: de que dose do real precisa a arte? Para
Albert Camus a arte não deve se submeter ao real nem fugir dele. Seria uma
aproximação que não a fizesse desaparecer entre as nuvens nem se arrastar com
solas de chumbo. Alguns escritores brasileiros já foram tachados de alienados:
Machado de Assis por supostamente não ter se interessado pelo problema social
do negro; Gruimarão Rosa por ter criado apenas um sertão metafísico; Clarice
Lispector por se refugiar na consciência de seus personagens. O fato é que a
criação literária tem a sua autonomia, já reconhecida mesmo sob a perspectiva
da sociologia do romance. Para Lucian Goldmann, por exemplo, fatores sociais e
os puramente estéticos fazem parte da estrutura do romance, e o conhecimento
dos primeiros leva à identificação doso segundos. Fonte: Vocabulário técnico de
literatura (Ouro, 1979), de Assis Brasil. Veja mais aqui.
MÚSICA AO LONGE – O premiado romance Música ao Longe (Companhia das Letras,
2004), do escritor Érico Veríssimo
(1905-1975), retrata a decadência econômica e moral de uma rica e tradicional
família sob o ponto de vista de uma jovem professora que é apaixonada pelo
primeiro, dá os primeiros passos em direção à vida adulta e à maturidade. Da
obra destaco o trecho: [...] Um vulto
cresce na escuridão. Clarissa se encolhe. É Vasco [...] Dá dois passos e abre de leve um postigo. A
luz salta para dentro. E o quarto de Vasco se revela aos olhos dela. – Não
disse? Não há mistério. A cama de ferro, a colcha branca, o travesseiro com
fronha de morim. O lavatório esmaltado, a bacia e o jarro. Uma mesa de pau, uma
cadeira de pau, o tinteiro niquelado, papeis, uma caneta. Quadros nas paredes. [...].
Veja mais aqui e aqui.
LE CYGNE – Entre os poemas do poeta e crítico literário francês Stéphane
Mallarmé (1842-1898), destaco Le Cygne, traduzido por Augusto de Campos: Ó virgem, o vivaz
e o viridente agora / vai-nos dilacerar de um golpe de asa leve / duro lado de
olvido a solver sob a neve / O transparente azul que nenhum voo aflora /
lembrando que é ele mesmo esse cisne de outrora / magnifico mas que sem
esperança bebe / por não ter celebrado a região que o recebe / Quando o estéril
inverno acende a fria flora / todo o colo estremece sob a alva agonia / pelo
espaço infligida ao pássaro que o adia / mas não o horror do solo onde as
plumas tem peso / fantasma que no azul designa o puro brilho / ele se imobiliza
à cinza do desprezo / de que se veste o Cisne em seu sinistro exílio. Veja mais aqui, aqui e aqui.
PRÓLOGO DE
ANDRIA – No prólogo
da peça Andria, de Menandro, o
poeta e dramaturgo cômico romano Publius Terentius Afer – Terêncio (185ª.C – 159ª.C), trata a respeito da contaminação: Quando a principio o poeta se dedicou a
escrever, julgou que só poderia que se preocupar com uma coisa: como fazer
aceitar ao publico as obras que compunha. Todavia agora dá-se conta de que a
realidade é bem diferente, pois perde o tempo a compor prólogos não para
referir o argumento das suas comédias, mas antes para responder às invectivas
de um velho poeta mal intencionado [...] Menandro compôs a Adriana e a Perintia. Quem conheça bem uma delas,
conhece ambas: não se destinguem muito no argumento, ainda que difiram na língua
e no estilo. Os pormenores que lhe interessavam, confessa o autor, tê-los
transferido da Perintia para a Adriana e tê-los utilizado como um bem em seu
proveito. E aqui está o que censuram esses indivíduos, defendendo precisamente
que não se devem contaminar as obras. Não é verdade que ao presumirem de
entendidos mostram não entender nada? Efetivamente, ao acusarem-no a ele estão
a acusar Névio, Plauto, Ênio, que o nosso autor tem por mestres e cuja
liberdade deseja imitar de preferencia à obscura exatidão desses censores. Veja
mais aqui, aqui, aqui e aqui.
THE
QUIET AMERICAN – O filme
The Quiet American (O
americano tranquilo, 2002), dirigido por Phillip Noyce, é baseado no romance homônimo
de Grahan Greene, traz a historia ocorrida em 1952, da culpa moral de um senhor
em organizar ações terroristas que visam o governo colonial francês e do
Vietnam, envolvendo um triangulo amoroso entre um jornalista britânico, um
jovem idealista e uma mulher vietnamita. O destaque do filme é a atriz
vietnamita Do Thi Hai Yen. Veja mais
aqui.
VEJA MAIS:
VEJA MAIS:
Matizes, Villa-Lobos, Jean de La Fontaine, Luís Vaz de
Camões, Eurípedes, Gustave
Courbet, As trelas do Doro, Celine Imbert, Clítia, Paulo
Cesar Sandler, Luís da Câmara Cascudo, Woody
Allen & Hans Hassenteufel aqui.
Carybé, Rogério Duprat, Thomas More, Alfred
Adler, Charles Dickens, Hector
Babenco, Sônia Braga & Tchello
D´Barros aqui.
Fonte, Leonardo Boff, Alcântara Machado, John
Milton, Artur Azevedo, Lucrecia Martel, Jane Birkin, Mary Minifie, Ná Ozzetti, Adriana
Alves & Luciah Lopez aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia
é dia da atriz e cantora britânica Lesley-Anne
Down.
CRÔNICA
DE AMOR POR ELA
Leitora Tataritaritatá!!!