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domingo, março 01, 2026

PHILIPPA GREGORY, JANA ORLOVÁ, CAROLYN PORCO, LUIZ FELIPE PONDÉ & JAQUE MONTEIRO

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som dos álbuns Echolocation (1987), A Delay is Better (2004), A Secret Code (2021), Echolocation - Freedom to Spend (2021) e Simultaneous (2025), da compositora, performer e artista multimedia estadunidense Pamela Z.


 

Cômpito das emoções, desvelo da consanguinidade... - Depois de haver realizado os 12 trabalhos de Hércules e a jornada do herói de Campbell, o andejo Uiruuetê viu-se escolhido sem nem mesmo saber pra quê, errante por um sentido pra sua existência. Afinal, a seu ver, ninguém valia mais que a sua própria morte. E já que era filho da poderosa Uiraçu – a que desde os tempos em que o céu quase esmagou a terra dos Ikolen, salvando-os do desastre e totemizada em símbolo da conexão entre o céu e a terra -, vinha ele de lá degustando paisagens do Paraná, diuturnidades pelo Mato Grosso, alumbramentos pelo Rio de Janeiro, pouso emergencial em Campo Grande, já que repentinamente estava sob escolta e acontecências inexplicáveis. Matutava a querela de ter sido confundido com acauã – ah, por conta do agouro de morte e chamado sinistro da seca, lobrigou -, sendo por isso jogado num ninho de gaviões hostis. Pelava-se de medo, havia no ar a ameaça de ser devorado. Para quem fora abandonado pelo irmão e familiares, era mais uma provação. Uma velha tartaruga veio não se sabe de onde, só cuspir-lhe às faces, punindo-lhe o passado. Insultado ao limite, atacou com vingança até apropriar-se de todas as cores da quelônia. E sua revolta o fez inchar-se peremptório, a ponto de grasnar trovejante e, com toda ferocidade, agitou o brasão do Panamá e nasceu-lhe um penacho na cabeça, a coroa da sua monarquia; seu corpo encheu-se de penas, seus braços eram agora asas possantes e viu-se bípede nas patas com unhas aduncas. Desfez-se o mal entendido e logo foi incorporado à dança dos gaviões do povo Awá-Guajá e, rodopiando entre os Karawara, os espíritos da floresta, tornou-se imediatamente parente dos urubus-buzzards, milhafres-milhanos-queimados, harriers-tartaranhão, buteos e águias. Já estreitado, ele soube da inundação que emergiria dos confins do mundo e teria de partir visando salvar a parentela que deixara longe dali. Chegando lá, a surpresa: foi tratado como a vergonha da família, um pervertido demônio e enxotado aos apupos dos insensatos desafetos. Lamentou-se exilado no meio da tempestade que despencara pro dilúvio dos Tocantins. Sem razão pra viver deu o mergulho fatal e se deixou levar pela correnteza. Sentiu-se envolvido por uma harpia com seus ventos tempestuosos, resfolegou apavorado e, quase afogando-se, usou de sua rapidez, perspicácia e instinto de caça, até desvencilhar-se da morte a cantarolar uma modinha: Voa, voa, voa gavião \ Vai caçar noutro chão \ Vai se embora e volta não... Por um instante respirava aliviado, quando viu lá longe, no topo da montanha, um vulto de mulher. E pra lá se esgueirou apressado: Quem será? Aproximando-se reconheceu Moema, aquela de cujo ventre nasceu o bastardo Brasil, de Adriana Varejão. A nativa Tupinambá havia ressuscitado depois de afogar-se de paixão por seu amado Caramuru, que partiu sem dizer adeus. Tempos depois, um jovem Sioux por ela enamorou-se e, pela segunda vez, desabou em prantos. Estava ali provando da infelicidade: onde sua mãe virou águia para trazer a água e acabar com a seca que assolava. Ledo engano. Por sua incansável faina envelhecera e viera praqui depondo o seu próprio bico, penas e garras, para morrer e ressuscitar. Ainda a viu bicando pedras, mas ela ao avistá-la, logo voou senhora dos ares, rainha do céu, a mãe das aves, para nunca mais. O que fazer então? Assim, noites e dias. Ele, um gavião errante; ela, uma águia enlutada. E a lua era cúmplice das líricas confissões, o Sol esquentava nas veias o teor de arrebatadora paixão. Ali, solidários, o movimento das águas, a dança das estrelas, o mormaço dos corpos, a brisa da paixão. As águas baixavam e o alarme ecoou do monstro Voçoroca, uma ameaça destrutiva e precisavam agir sem demora. Antes, porém, completamente apaixonado, ele ousou indagar: Quem era sua mãe? Uiraçu. Como? Já iminente hora e voaram para cumprir cada qual sua missão. Até mais ver.

 

Wislawa Szymborska: Todo começo nada mais é do que uma sequência, e o livro dos acontecimentos está sempre aberto no meio... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Svetlana Alexievich: Um tempo cheio de esperança foi substituído por um tempo de medo. A era deu uma volta e retrocedeu no tempo. O tempo em que vivemos agora é de segunda mão... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Juliette Binoche: Vivo sempre o presente. Aceito esse risco. Não nego o passado, mas é uma página que preciso virar... Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

 

DOIS POEMAS

Imagem: Acervo ArtLAM.

I - Você se senta diante da morte. \ Está quente e nas alturas \ Você vai arrancar a sua própria pele. \ para atender a uma marca.

II - Tudo é temporário. \ certamente até mesmo que você seja o denominador \ de todos os meus pensamentos \ Em termos de sentimento, há algo \ infantil, e ainda \ É melhor ser um herege do que um santo.

Poemas da poeta, curadora e teórica de arte checa Jana Orlová, autora de obras como: Čichat oheň (2012), Újedě (2017), Падло й інші вірші (2019), Mă fuţi din milă (2019), Choice of Lipstick (2020), Nie uciekniesz (2021), Neutečeš (2022) e Pus (2022).

 

TERRAS MARÉS – […] Ela havia encontrado, incrustada em seu coração, como um poste de campo submerso em um barranco de lama, uma grande determinação para viver. […] Ela permaneceu em silêncio em meio aos sons tranquilos da noite, e a certeza a invadiu. [...] Eram pessoas simples: quando alguém lhes dizia que não tinham nada a temer, sabiam que estavam em apuros. [...]. Trechos extraídos da obra Tidelands (Thorndike Pr, 2019), da escritora e acadêmica anglo-queniana Philippa Gregory, que também se expressa: Acredito em mim, na minha visão de mundo. Acredito na minha responsabilidade pelo meu próprio destino, na culpa pelos meus próprios pecados, no mérito pelas minhas próprias boas ações, na determinação da minha própria vida. Não acredito em milagres, acredito no trabalho árduo... Você precisa escolher o melhor, todos os dias, sem concessões... guiado por sua própria virtude e mais elevada ambição... Veja mais aqui & aqui.

 

NÓS & A TERRAUma poderosa sensação surge dentro de nós quando vemos nosso pequeno planeta azul oceânico nos céus de outros mundos. Num instante, percebemos o quão pequenos, frágeis e solitários realmente somos... Vamos ensinar aos nossos filhos, desde muito pequenos, a história do universo e sua incrível riqueza e beleza. É algo muito mais glorioso, impressionante e até reconfortante do que qualquer coisa que eu conheça, seja encontrada nas escrituras ou em qualquer conceito de Deus... Nós, humanos, embora problemáticos e belicosos, também somos os sonhos, os pensadores e os exploradores que habitam um planeta de beleza comovente, ansiando pelo sublime e capazes do magnífico... Pensamento da planetóloga, astrônoma e acadêmica estadunidense Carolyn C. Porco, que desenvolve o trabalho de exploração do sistema solar, tendo começado no Programa Voyager, nas missões aos planetas Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, nos anos 1980, líder do programa de imageamento da sonda Cassini-Huygens, em órbita de Saturno e atualmente atua na divisão de imageamento da sonda New Horizons, lançada rumo a Plutão, em 2006, e atuando como especialista em anéis planetários e no satélite natural de Saturno, Encélado. Veja mais aqui.

 

LUIZ FELIPE PONDÉ

Sem hipocrisia não há civilização - e isso é a prova de que somos desgraçados: precisamos da falta de caráter como cimento da vida coletiva...

Pensamento do filósofo, escritor, ensaísta e professor Luiz Felipe Pondé (Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé), autor de obras como: O homem insuficiente: Comentários de Antropologia Pascaliana (2001), Crítica e profecia: filosofia da religião em Dostoiévski (2003), Contra um mundo melhor: Ensaios do Afeto (2010), Guia Politicamente Incorreto da Filosofia (2012), A filosofia da adúltera - Ensaios Selvagens (2013), A era do ressentimento: uma agenda para o contemporâneo (2014), Guia Politicamente Incorreto do Sexo (2015), Filosofia para Corajosos (2016), entre outros. Veja mais aqui & aqui.

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VOU CONTAR ATÉ 100, JAQUE MONTEIRO

Acaba de ser lançado o livro Vou contar até 100 (Uiclap, 2026), da escritora e arte-educadora Jaque Monteiro, reunindo 100 microcontos e todos os microtextos com 100 caracteres. Ela é autora dos livros Estações de humor, do I Oficina de Catadupas do Brasil (2025) e As setigonistas ao quadrado (2026). Veja detalhes e muito mais aqui, aqui & aqui.

 

Luiz Vieira aqui

Arlete Salles aqui, aqui & aqui.

Paulo Bruscky aqui, aqui, aqui & aqui.

Tâmara Dornelas aqui.

Nhô Caboclo (Manuel Fontoura 1910–1976) aqui.

Janaína Esmeraldo aqui.

Irandhir Santos aqui.

Bruna Valença aqui.

Reynaldo Fonseca aqui.

Lourdes Nicácio aqui.

 


quarta-feira, outubro 18, 2023

AKIKO YOSANO, KOSTAS AXELOS, MOLLY CRABAPPLE, HERMILO & FLIARP

 Imagem: Acervo ArtLAM.

A alquimia e a magia tratam de como materiais mundanos, benignos e abundantes podem ter um efeito maior do que a soma de suas partes. Para mim, criatividade é alquimia. Quero ter um efeito benéfico em sua fisiologia, mas não é da minha conta o que acontece depois disso... É meu presente para você.

Ao som do Tribute to Wayne Shorter - ARTE Concert (Festival Bielska Zadymka Jazzowa à Gliwice, Pologne, 2023), da contrabaixista e cantora estadunidense Esperanza Spalding.

 

RENASCINZAS... – Um dia e outro o mesmo: não fosse minha inquietude das estrelas, jamais discerniria entre o dilúculo e o ocaso, incólume pelas conflagrações, como se pisasse sobre os ossos dos que fracassaram. Desconfortável andança, mas seguia em frente. Um tanto de vezes sentia-me imerso às tramas do Replay de Ken Grimwood, como se já tivesse feito não apenas doze ou quinze a mais dos trabalhos de Hércules, com o dobro das mil faces de Campbell n’O Groundhog Day de Harold Ramis: não era o que parecia, mas era o amor fati no meu eterno retorno de Nietzsche – e a cada degrau, deserdado e enlouquecido. Tudo revivia a todo instante: era 31 de março e eu só tinha 4 anos no aniversário do meu pai, ou 8 de janeiro e a minha filha pedia atenção pro futuro enquanto estampava a foto de Herzog pendurado pelo pescoço e o dia D pra sindemia de fogo nas Amazônias e Pantanais, um dia e tantos os mesmos como os que doíam nas Filhas da Dor – e uma delas a heroina de Maureen Murdoc: O segredo do seu futuro está escondido na sua rotina diária... Então embarcava na aventura e me jogava de olhos fechados; ao despertar era como se nada houvesse, nada acontecido – pior: parecia mesmo a porta dos infernos aberta e estragasse tudo, porque Andie MacDowell apontava para a procissão da idiocracia – a pandemia de idiotas cheios de razões folgazãs. Era ela Doris Lessing: Aprendizado é isso: de repente, você compreende alguma coisa que sempre entendeu, mas de uma nova maneira... Não é a inteligência que escasseia, mas a constância... Eram outros fevereiros, nada que desse vontade de frevar ou cair na gandaia, muito menos recorrentes dezembros que me causavam asco de tanta hipocrisia. Louise Gluck ali me avisava: Olhamos para o mundo uma vez, na infância. O resto é memória... Eu te aviso como nunca fui avisada, você nunca vai desistir, você nunca ficará saciado... Resolvi então voltar pra casa... Tudo por consertar, tudo, já sabia. Pode ser tarde, mas agirei, tentarei pelo menos. Era como buscasse onde está você que sou eu e restava o mesmo dia e uma charge de Bob Mankoff: Tudo bem, a vida é sórdida, brutal e curta, mas você sabia disso quando se tornou um homem das cavernas... Caminhei sozinho e senti o pulso de Deus: não espero que ninguém me dê a mão, dou as minhas... Não espero que ninguém me dê abrigo, oferto o meu... Do nada nem nenhuma, renascinzas, o amor assim... Até mais ver.

 

UM POEMA... TRÊS...

Imagem: Acervo ArtLAM.

I – segurando os seios; \ entre as mãos, silenciosamente, \ ele remove o véu do mistério: \ aqui estão flores \ de uma cor escarlate intensa!

II – Seu senso de pecado, \ Este é você compassivo; \ Tudo o que estou dizendo é, \ Isso vai me deixar louca, \ Sua criança inocente.

III – A primavera encurta, \ E para a vida imortal! \ Há poder, para tocar, \ Há sangue em meus seios, \ Um bom lugar para a mão dele.

Poemas da poeta, feminista, pacifista e educadora japonesa Akiko Yosano (Yosano Shiyo – 1878-1942).

 

TIRANDO SANGUE - [...] Os radicais muitas vezes suspeitam da beleza da corrupção. Embora às vezes sejam filhos da puta tensos, eles estão certos em uma coisa: a arte por si só não pode mudar o mundo. As canetas não podem enfrentar espadas, muito menos drones Predadores. Mas à medida que a decepção e a violência se espalham, o antídoto é uma generosidade que a melhor arte ainda pode inspirar. [...] O talento é essencial, mas o dinheiro compra a oportunidade de descobrir esse talento. Fingir o contrário é cuspir na cara de todo gênio falido. [...] Para fazer alguém amar você, veja-o como a pessoa que ele deseja ser. [...] Sob lâmpadas nuas, os artistas pintaram fantasmagorias poderosas o suficiente para ameaçar exércitos.[...] A arte é esperança contra o cinismo, criação contra a entropia. Fazer arte é um ato de amor e desafio. [...] Garotas como eu usavam a Web de todas as maneiras que nossos pais temiam. Lemos manifestos anarquistas e trocamos pornografia chocante com homens adultos. Estragamos garrafas de vodca perfeitamente boas tentando fazer absinto com receitas que aprendemos na gótica Martha Stewart. [...] O globalismo dá menos margem de manobra aos filhos brilhantes de um país pobre. [...] Quando pensei em cada proposta ou ameaça que recebi andando pela rua com meu corpo de menina, decidi que poderia muito bem ser pago pelo problema [...]. Trechos extraídos da obra Drawing Blood (Harper, 2017), da escritora e artista estadunidense Molly Crabapple. Veja mais aqui.

 

A TÉCNICA – [...] o Jogo, sem que exista, perpassa toda e qualquer técnica e a técnica mundial em geral em sua totalidade fragmentária e fragmentada. A técnica procura tomar posse do tempo. O Tempo – o jogo do Tempo – é que supera a técnica por inteiro. O futuro da técnica destinado a reger o tempo por vir é ultrapassado pelo Jogo do Tempo que esmaga igualmente a técnica. Se o que está em jogo na técnica é o mundo, a própria técnica constitui uma constelação figurativa e não figurativa do que se joga sob o horizonte do Mundo. Ela é o andaime planetário, a última figura – até agora – do Mundo. Depois da Natureza, Deus e o Homem, é ao Andaime técnico a quem cabe tentar jogar o destino do mundo. Mas o Mundo permanece aberto. [...] Não é a reflexão – ainda que fosse técnico-científica – que pode situar-nos em relação à Abertura do Mundo; é o pensamento. Com a ironia mais penetrante, não se trata somente de apreender as obras visíveis da técnica, mas de encontrar um certo acesso ao Invisível [...]. Trechos extraídos da obra O futuro da técnica - Signos da técnica (Tempo Brasileiro, 1981), do filósofo grego Kostas Axelos (1924-2010), que na obra Horizontes do mundo (Tempo Brasileiro\EdUFC, 1983), expressou que: [...] a luz de cada escrito vem de outros escritos [...] Desde certo tempo, os homens - como indivíduos, como membros da sociedade, como fragmentos da História do mundo - procuram viver e amar, falar e pensar. Eles trabalham, lutam, morrem. Pelo quê? Pelo prazer problemático e pelo bem-estar a ser instalado - para o qual, cada vez mais, tudo se torna muito pouco - pelo reconhecimento - que se faz, de maneira crescente, perspectivista - pela realização da liberdade na terra e pela condição mediada de todos? O que os move e para onde se movem? E para que? O que há com as razões lógicas e mitológicas, com as forças do processo histórico, com os fins humanos? Articulam-se em oscilações ou oscilam articulando-se? Consolidam-se e dissolvem-se na história já jogada, repetem-se continuamente e são constantemente superarticulados. Será que só nos resta - sem saudosismo retroativo, sem desvalorização simplória do presente e sem utopia escaltológica - continuar, aprofundar e alargar o jogo? [...] as perspectivas do pensamento inscrevem nos horizontes do mundo, no horizonte do tempo – com horizontes sempre unitariamente tridimensionais –, porque os horizontes do jogo do Mundo são ao mesmo tempo horizontes do jogo do Tempo. O mundo, o tempo e o Jogo deles obedecem ao mesmo ritmo [...] cada um dos diferentes mundos do Mundo tem seu horizonte específico e só os horizontes do ‘próprio’ Mundo são ilimitados, a saber, podem ultrapassar seus limites. [...]. Já na entrevista Mondialisation without the world (Radical Philosophy, 2005), ele assinalou que: [...] A globalização nomeia um processo que universaliza a tecnologia, economia, política e até civilização e cultura. Mas permanece um pouco vazio. Falta o mundo como abertura. O mundo não é o físico e totalidade histórica, não é o conjunto mais ou menos empírico de conjuntos teóricos e práticos. Ele se implanta. A coisa que é chamada a globalização é uma espécie de mundialização sem mundo [...]. A ele são atribuidos os pensamentos: Perdemos o sagrado da saúde sem termos descoberto o da loucura... Não conheço ninguém que saiba falar do corpo. Apenas se balbuciam banalidades ou coisas enfadonhas.

 

PALMARES & O CORAÇÃO

Ficou o convite, que me lavou o peito, porque afinal de contas neste meu coração despedaçado estão os restos das noitadas no Alto Lenhador, das fritadas de Doroteu, das cachaças de Guará, dos amores de Quiterinha, das fomes periódicas, das humilhações constantes, das revoltas sufocadas, das noites de lua, das líricas namoradas, dos sonhos, das leituras até alta madrugada à luz de candeeiro, das mortes, do que escrevi, do que menti, do que amei, do que me mentiram, que tudo foi Palmares e que Palmares é, na minha obra, mito e realidade...

Trecho extraído da obra Palmares e o coração (FCCHBF, 1997), do advogado, escritor, crítico literário, jornalista, dramaturgo, diretor, teatrólogo e tradutor Hermilo Borba Filho (1917-1976). Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

&

FEIRA DE LITERATURA & ARTES DOS PALMARES (FLIARP)

Acontecerá entre os dias 19 e 21 de outubro, em Palmares – PE, com a participação de Murilo Gun & Admmauro Gommes lançando diversos livros do poeta e escritor Vital Corrêa de Araújo. Veja mais aqui.

 



sexta-feira, maio 01, 2015

CHAPLIN, RODIN, BORGES, HESÍODO, VINICIUS, ZOLA, NELSON, PORTINARI, CHICO, HÉRCULES & PROJETO DE EXTENSÃO.

Imagem: Canavial, de Cândido Portinari

SALMO DA CANA (Luiz Alberto Machado)

Trabalhar a cana sempre nos olhos do amanhã
Trabalhar a cana sempre no breu da barriga
Havendo luz ou sol sempre e o adubo perfeito
Cogitando nas mãos para a cana florescer
A cana e a febre se confundem nas docas
Como canção de cambiteiros que cantam solar
O suor e a cana atravessada no peito
Como tortura de sangue na terra de ninguém
A casa e a cana divisam seu sonho
Transformam a fome em nó de espingarda
O trabalho perfeito justinho nas sementes
Que floram no verde de sangue escondido
Trabalhar a cana sempre nos olhos do amanhã
Enquanto a roupa já se esqueceu de viver
O cangaço a carcaça o trabuco já se faz ofegante
Não suja a cabeça nem trai coração
Sem horizonte sem festa sem ninar
Trabalhar a cana sempre no breu da barriga
Fazendo crescer a desdita risonha
De quem nem na cana pega pra chupar
Trabalhar a cana esmolando um sorriso
À beira da penúria de quem já se foi
Enterrado entre a cana e o bocejo
Trabalhar a cana sempre nos olhos do amanhã
Ilhando a cidade o ventre e o coração
O lacre dos sinos de ventos felizes
São campos de ares senis
A cana. E o ventre já não se refaz
A cara a mesma a cana a mesma
O sol o mesmo a luz e o luar
Somente a cana não pode mudar.
(Veja mais aqui, aquiaqui e aqui)

Imagem: a escultura A Porta do Inferno - em gesso. 576 x 380 x 130 cm, (séculos XIX-XX). Museu Rodin, Paris, do escultor francês Auguste Rodin (1840-1917). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui.

Ouvindo a antológica Construção & todo premiado álbum duplo Chico ao Vivo (1999, disco de ouro) de Chico Buarque. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.


OS DOZE TRABALHOS – O poema épico Heracleia (600-aC), do escritor Peisândro de Rodes, conta uma série de episódios que submeteu o herói grego Hércules ou Herácles à penitência na realização de um ciclo de doze trabalhos para Eristeu, representante de Hera – também descritos nas métopes do Templo de Zeus, em Olímpia. Conta que Hércules, filho de Zeus e da princesa de Alcmena, era odiado por Hera, irmã e esposa de Zeus. Quando o herói casou-se com a princesa tebana Mégara, a deusa por causa disso, fez com que ele enlouquecesse e ateasse fogo em sua casa, matando mulher e filhos. Recuperando a razão, foi ter com o oráculo de Delfos, no qual tomou ciência de que ele deveria servir ao seu primo Eristeu, o rei de Argos, na realização de doze trabalhos. O primeiro deles, consistiu em matar o leão de Nemeia, com o qual ele passou a usar como armadura a pele resistente do leão. O segundo, matar a serpente de sete cabeças venenosas, a Hidra de Lerna, queimando seis das suas cabeças e enterrando a que era imortal, como também usando do veneno para as suas flechas. O terceiro era capturar o javali de Erimanto. O quarto, capturar a corsa de Cerinéia, que tinha os cascos de bronze e os chifres de ouro. O quinto, expulsar as aves do lago Estinfale, na Arcádia. O sexto, limpar os estábulos do rei Augias, da Élida, em um só dia, vez que os mesmos estavam muito sujos, tendo o herói de desviar o curso de dois rios para passarem por dentro deles para realização desse trabalho. O sétimo, capturar o touro selvagem de Minos, rei dos cretenses. O oitavo, capturar os cavalos devoradores de homens do rei Diomedes da Trácia, matando esse rei e distribuindo sua carne aos cavalos. O nono, obter o cinto de Hipólita, rainha das Amazonas, as mulheres guerreiras. O décimo, buscar o gado do monstro Gerião, que vivia além das colunas do Estreito de Gibraltar. O décimo primeiro, levar as maçãs de ouro – os frutos da Árvore da Vida - do jardim das Hespérides para Eristeu. E o décimo segundo, capturar Cérbero, o cão de três cabeças que representava a morte e que guardava o Hades, e mostrá-lo a Eristeu. Com a realização dos três últimos trabalhos, ele alcançou a imortalidade. Certa feita, em viagem com a sua esposa Dejanira, permitiu que o centauro Nesso a carregasse na travessia de um rio; nessa travessia, o centauro tentou violentá-la, levando Hércules a mata-lo com uma flecha envenada e, morrendo avisou Dejanira que guardasse seu sangue como filtro do amor. Assim ela o fez. Tempos depois, o herói apaixonou-se por uma prisioneira de nome Iole, provocando ciúmes na esposa que depositou uma túnica no sengue de Nesso e deu-lhe para vestir, queimando a sua carne, o que o levou a solicitar dos amigos que o colocasse numa pira funerária, sendo, pois carbonizado e levado para a morada dos deuses, o Olimpo (fonte: GRIMAL, Pierre. A mitologia grega. São Paulo: Brasiliense,1987). Veja mais aquiaqui.

OS TRABALHOS E OS DIAS – O poema épico Os trabalhos e os dias (Segesta, 2012), do poeta oral grego Hesíodo que viveu entre os anos 750-650aC., em seus oitocentos e vinte e oito versos trata do mundo dos mortais e sua organização sob os temas do trabalho e da justiça, enfocando o período clássico da Grécia Antiga. Destaco na obra o trecho Uma ética do trabalho: Eu falarei com a melhor das intenções, ó Perses, grande tolo: miséria aos montes te é possível tomar facilmente: plano é o caminho, e ela mora bem perto. Mas na frente da prosperidade colocaram o suor os deuses imortais, e longa e íngreme é a estrada para ela, e espinhosa no início; quando chega-se ao alto, em seguida já é fácil, por difícil que seja. Este é o homem de todo excelente: quem tudo compreende por si só, pensando no futuro e nas coisas que levam a um fim melhor.Também é nobre quem é convencido por quem diz boas coisas; mas quem nem compreende por si só nem, ouvindo a outro, coloca no espírito seus conselhos, esse é um homem inútil. Mas tu, sempre lembrado do meu conselho, trabalha, Perses, ó divina prole, para que a Fome te odeie, e te ame Deméter de bela coroa, a venerável, e encha o teu celeiro de alimento. A Fome é em tudo a companheira do homem ocioso; deuses e homens se indignam com quem ocioso vive, semelhante em caráter aos zangões sem ferrão, que consomem o esforço das abelhas, ociosos a comer; para ti seja caro organizar os trabalhos regrados, de modo que os teus celeiros se encham de alimento no tempo certo. Com trabalho os homens tornam-se ricos em rebanhos e opulentos, e trabalhando serás muito mais querido dos imortais e dos mortais: muito eles odeiam os ociosos. O trabalho não é nenhuma desonra; desonra é não trabalhar. E se trabalhares, logo o ocioso procurará igualar tua riqueza: ao rico acompanham mérito e prestígio. Qualquer que seja tua fortuna, trabalhar é preferível, se o teu louco espírito dos bens alheios desvias para o trabalho e atentas para a subsistência, como te ordeno. A vergonha não é boa para cuidar de um homem necessitado, a vergonha, que aos homens muito prejudica e beneficia: a vergonha liga-se à pobreza tal como a audácia à prosperidade. Bens não são para roubar: os presentes dos deuses são bem melhores. Pois se alguém pela força do braço grande fortuna conquista, ou a arrebata pela língua, coisas que muitas vezes acontecem, toda vez que a cobiça engana a inteligência dos humanos, e a Impudência expulsa a Reverência, facilmente os deuses enfraquecem tal homem e rebaixam sua casa, e a prosperidade o acompanha por pouco tempo. O mesmo acontece a quem maltratar um suplicante ou um hóspede, ou subir à cama de seu próprio irmão para os abraços clandestinos da esposa deste, ato sem cabimento, ou quem impensadamente ofender teus filhos órfãos, ou quem ao pai idoso no malvado limiar da velhice injuriar, dirigindo-se a ele com palavras duras. Contra eles indigna-se o próprio Zeus, e no fim dá uma dura resposta às ações injustas. Tu, porém, delas afasta por completo o louco espírito. De acordo com tua capacidade faz sacrifícios aos deuses imortais de modo limpo e puro, e queima brilhantes coxas; outras vezes torna-os favoráveis com libações e incenso, tanto ao te deitares como quando a sagrada luz do dia chegar, de forma que eles tenham coração e espírito para ti favoráveis, e tu compres a gleba dos outros, não os outros a tua [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aquiaquiaqui e aqui.

GERMINAL – O romance Germinal (1885 - Abril, 1979), é o décimo terceiro volume da série Les Rougon-Macquart, do escritor do Naturalismo francês Émile Zola (1840-1902), narra a greve provocada pelos trabalhadores das extrações minerais pela redução dos salários e condições de vida nos agrupamentos de trabalho, descrevendo o princípio da organização política e sindical da classe operaria. Da obra destaco os trechos: Na planície rasa, sob a noite sem estrelas, de uma escuridão e espessura de tinta, um homem caminhava sozinho pela estrada real que vai de Marchiennes a Montsou, dez quilômetros retos de calçamento cortando os campos de beterraba. A sua frente, não enxergava nem mesmo o solo negro e somente sentia o imenso horizonte achatado através do sopro do vento de março, rajadas largas como sobre um mar, geladas por terem varrido léguas de pântanos e terras nuas. Nem sombra de árvore manchava o céu; a estrada desenrolava-se reta como um quebra-mar em meio à cerração ofuscante das trevas[...] E, sob seus pés, continuavam as batidas cavas, obstinadas, das picaretas. Todos os companheiros estavam lá no fundo; ouvia-os seguindo-o a cada passo. Não era a mulher de Maheu sob aquele canteiro de beterrabas, curvada, com uma respiração que chegava até ele tão rouca, fazendo acompanhamento ao ruído do ventilador? A esquerda, à direita, mais adiante, julgava reconhecer outros, sob os trigais, as cercas vivas, as árvores novas. Agora, em pleno céu, o sol de abril brilhava em toda a sua glória, aquecendo a terra que germinava. Do flanco nutriz brotava a vida, os rebentos desabrochavam em folhas verdes, os campos estremeciam com o brotar da relva. Por todos os lados as sementes cresciam, alongavam-se furavam a planície, em seu caminho para o calor e a luz. Um transbordamento de seiva escorria sussurrante, o ruído dos germes expandia-se num grande beijo. E ainda, cada vez mais distintamente como se estivessem mais próximos da superfície, os companheiros cavavam. Sob os raios chamejantes do astro rei, naquela manhã de juventude, era daquele rumor que o campo estava cheio. Homens brotavam, um exército negro, vingador, que germinava lentamente nos sulcos da terra, crescendo para as colheitas do século futuro, cuja germinação não tardaria em fazer rebentar a terra. Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.



O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO – O poema O operário em construção (Rio de Janeiro, 1959), do poeta, dramaturgo, jornalista, compositor e diplomata brasileiro Vinicius de Moraes (1913-1980), traz a narrativa do cotidiano de um operário da construção civil que não percebe a importância do seu trabalho para a sociedade, expondo a necessidade de tomada de consciência social na função produtiva social e da percepção das condições de vida: Era ele que erguia casas / Onde antes só havia chão. / Como um pássaro sem asas / Ele subia com as asas / Que lhe brotavam da mão./ Mas tudo desconhecia / De sua grande missão: / Não sabia por exemplo/ Que a casa de um homem e' um templo / Um templo sem religião / Como tampouco sabia ;/ Que a casa quer ele fazia/ Sendo a sua liberdade / Era a sua escravidão./ De fato como podia / Um operário em construção / Compreender porque um tijolo / Valia mais do que um pão? / Tijolos ele empilhava / Com pá, cimento e esquadria / Quanto ao pão, ele o comia / Mas fosse comer tijolo! / E assim o operário ia / Com suor e com cimento / Erguendo uma casa aqui / Adiante um apartamento / Alem uma igreja, à frente / Um quartel e uma prisão: / Prisão de que sofreria / Não fosse eventualmente / Um operário em construção. / Mas ele desconhecia / Esse fato extraordinário: / Que o operário faz a coisa / E a coisa faz o operário. / De forma que, certo dia / `A mesa, ao cortar o pão / O operário foi tomado / De uma súbita emoção / Ao constatar assombrado / Que tudo naquela mesa / - Garrafa, prato, facão / Era ele quem fazia / Ele, um humilde operário / Um operário em construção. / Olhou em torno: a gamela / Banco, enxerga, caldeirão / Vidro, parede, janela / Casa, cidade, nação! / Tudo, tudo o que existia / Era ele quem os fazia / Ele, um humilde operário / Um operário que sabia / Exercer a profissão. / Ah, homens de pensamento / Não sabereis nunca o quanto / Aquele humilde operário / Soube naquele momento / Naquela casa vazia / Que ele mesmo levantara / Um mundo novo nascia / De que sequer suspeitava. / O operário emocionado / Olhou sua propria mão / Sua rude mão de operário / De operário em construção / E olhando bem para ela / Teve um segundo a impressão / De que não havia no mundo / Coisa que fosse mais bela. / Foi dentro dessa compreensão / Desse instante solitário / Que, tal sua construção / Cresceu tambem o operário / Cresceu em alto e profundo / Em largo e no coração / E como tudo que cresce / Ele nao cresceu em vão / Pois alem do que sabia / - Exercer a profissão - / O operário adquiriu / Uma nova dimensão: / A dimensão da poesia. / E um fato novo se viu / Que a todos admirava: / O que o operário dizia / Outro operário escutava. / E foi assim que o operário / Do edificio em construção / Que sempre dizia "sim" / Começam a dizer "não" / E aprendeu a notar coisas / A que não dava atenção: / Notou que sua marmita / Era o prato do patrão / Que sua cerveja preta / Era o uisque do patrão / Que seu macacão de zuarte / Era o terno do patrão / Que o casebre onde morava / Era a mansão do patrão / Que seus dois pés andarilhos / Eram as rodas do patrão / Que a dureza do seu dia / Era a noite do patrão / Que sua imensa fadiga / Era amiga do patrão. / E o operário disse: Não! / E o operário fez-se forte / Na sua resolução / Como era de se esperar / As bocas da delação / Começaram a dizer coisas / Aos ouvidos do patrão / Mas o patrão não queria / Nenhuma preocupação. / - "Convençam-no" do contrário / Disse ele sobre o operário / E ao dizer isto sorria. / Dia seguinte o operário / Ao sair da construção / Viu-se subito cercado / Dos homens da delação / E sofreu por destinado / Sua primeira agressão / Teve seu rosto cuspido / Teve seu braço quebrado / Mas quando foi perguntado / O operário disse: Não! / Em vão sofrera o operário / Sua primeira agressão / Muitas outras seguiram / Muitas outras seguirão / Porem, por imprescindivel / Ao edificio em construção / Seu trabalho prosseguia / E todo o seu sofrimento / Misturava-se ao cimento / Da construção que crescia. / Sentindo que a violência / Não dobraria o operário / Um dia tentou o patrão / Dobra-lo de modo contrário / De sorte que o foi levando / Ao alto da construção / E num momento de tempo / Mostrou-lhe toda a região / E apontando-a ao operário / Fez-lhe esta declaração: / - Dar-te-ei todo esse poder / E a sua satisfação / Porque a mim me foi entregue / E dou-o a quem quiser. / Dou-te tempo de lazer / Dou-te tempo de mulher / Portanto, tudo o que ver / Será teu se me adorares / E, ainda mais, se abandonares / O que te faz dizer não. / Disse e fitou o operário / Que olhava e refletia / Mas o que via o operário / O patrão nunca veria / O operário via casas / E dentro das estruturas / Via coisas, objetos / Produtos, manufaturas. / Via tudo o que fazia / O lucro do seu patrão / E em cada coisa que via / Misteriosamente havia / A marca de sua mão. / E o operário disse: Não! / - Loucura! - gritou o patrão / Nao vês o que te dou eu? / - Mentira! - disse o operário / Não podes dar-me o que é meu. / E um grande silêncio fez-se / Dentro do seu coração / Um silêncio de martirios / Um silêncio de prisão. / Um silêncio povoado / De pedidos de perdão / Um silencio apavorado / Com o medo em solidão / Um silêncio de torturas / E gritos de maldição / Um silêncio de fraturas / A se arratarem no chão / E o operário ouviu a voz / De todos os seus irmãos / Os seus irmãos que morreram / Por outros que viverão / Uma esperança sincera / Cresceu no seu coração / E dentro da tarde mansa / Agigantou-se a razão / De um homem pobre e esquecido / Razão porem que fizera / Em operário construido / O operário em construção. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.


INFÂNCIA, IMAGEM & LITERATURA – Realizou-se nesta quinta, 30 de abril, mais uma reunião ordinária do Projeto de Extensão Infância, Imagem e Literatura: uma experiência psicossocial na comunidade do Jacaré – AL, realizado pelos graduandos dos cursos de Psicologia, Jornalismo e Publicidade do Centro Universitário Cesmac, sob a coordenação do Professor Ms Cláudio Jorge Gomes de Morais. Veja detalhes aqui.

INFORME DE BRODIE – O livro O informe de Brodie (Globo, 1976), do escritor, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), traz onze narrativas em que predominam os temas tema da religião da coragem, do culto do valor desinteressado e da perspectiva do fantástico como ressonância que ultrapassam a mera realidade. Da obra destaco a narrativa homônima, na tradução do escritor Hermilo Borba Filho: [...] da região infestada pelos homens-macacos (Apemen) têm sua morada os Mlch, que chamarei Yahoos, para que meus leitores não esqueçam sua natureza bestial e porque uma transliteração exata é quase impossível, dada a ausência de vogais em sua áspera linguagem [...] Outro costume da tribo são os poetas. Ocorre a um homem ordenar seis ou sete palavras, geralmente enigmáticas. Não se pode conter e grita-as, de pé, no centro de um circulo que formam, estendidos por terra, os feiticeiros e a plebe. Se o poema não excita, nada acontece, mas se as palavras do poeta os comovem, todos se separam dele, em silêncio, sob o mando de um horror sagrado (under a holy dread). Sentem que o espírito o tocou; ninguém falará com ele nem o olhará, nem mesmo a sua mãe. Já não é um homem mas um deus e qualquer um pode mata-lo. O poeta, se puder, buscará refúgio nos areais do Norte [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA – A peça teatral Toda nudez será castigada (1966), do escritor, dramaturgo e jornalista Nelson Rodrigues (1912-1980), traz a história de viúvo que pertence a uma família conservadora de beatas e que recebe pedido do filho órfão de um juramento de nunca mais casar-se, quando, apresentado pelo irmão insolvente, é apresentado a uma prostituta porque se apaixona perdidamente e, consequentemente, se casa. No seio da família, a esposa passa se envolver com o enteado que deseja acabar com o casamento do pai para manter uma relação livre com a madrasta. A obra foi adapatada para o cinema em 1972, pelo cineasta Arnaldo Jabor, com música composta por Astor Piazzolla, sendo premiado com o Urso de Prata no Festival de Berlim, dois Kikitos – melhor filme, melhor atriz e menção especial pela trilha sonora – no Festival de Gramado, ambos em 1973, e, também, a melhor cenografia no Troféu APCA de 1974. Destaque meritório de aplausos para a atriz Darlene Glória interpretando o papel da Geni, protagonista da história. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui e aqui

TEMPOS MODERNOS – O filme Modern Times (Tempos Modernos, 1936), do ator, diretor, escritor, comediante, músico, roteirista e compositor britânico Charlie Chaplin (1889-1977), no qual ele atuou, dirigiu, escreveu o roteiro e musicou, traz o personagem Carlito, o vagabundo - notabilizado pelo cinema mudo com uso de mímica e da comédia pastelão -, na tentativa de sobreviver em um mundo industrializado e moderno, fazendo uma crítica forte ao capitalismo, ao stalinismo, ao nazifascimos, ao fordismo e ao imperialismo, além de uma crítica aos maus tratos impostos aos empregados durante a Revolução Industrial, tornando-se um escravo que é substituído pela máquina, vitimando-se por um colapso nervoso. O momento mais singelo do filme é o surgimento do amor do vagabundo pela menina de rua órfã que se encontra realizando pequenos furtos para sobreviver e é perseguida pela polícia para adoção. Imperdível. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
 A charge de As aventuras do homem assalariado, uma foto da mulher no trabalho & Carnival of human bondage de Magda Mraz. Veja mais aqui.


Veja mais sobre:
Mãe é mãe & Deus proteja a minha, a sua, a nossa & o da mãe-joana & e das mães (do guarda, do juiz de futebol e dos políticos) que são coitadas!, Inteligência emocional de John Gottman, o teatro de Máximo Gorki, a poesia de Jorge Tufic, a música de Caetano Veloso, Travessuras de mãe de Denise Fraga, a arte de Luciah Lopez , a pintura de Gustav Klimt & Lena Gal aqui.

E mais:
A literatura de Aníbal Machado, Teoria da alienação de István Mészarós, Semiologia da representação de André Helbo, o cinema de Roberto Rossellini & Anna Magnani, a música de Keith Jarret, Erótica pornográfica de J. J. Sobral, a pintura de Jean-Léon Gérome.& Almeida Junior aqui.
Direitos humanos fundamentais aqui.
A arte de Dhara - Maria Alzira Barros aqui.
Exercício de admiração de Emil Cioran. Abril despedaçado de Ismail Kadaré, O teatro de arte de Meyerhold, Fridha Khalo, A música de Badi Assad, A pintura de Karel Appel, Carlota Joaquina & Clube Caiubi de Compositores aqui.
Brincarte do Nitolino, Tratado lógico-filosófico de Ludwig Wittgenstein, o teatro futurista de Filippo Marinetti, a literatura de Azar Nafisi, a música de Nelson Freire, a pintura de Eugène Delacroix, Augustine de Charcot, a arte de SoKo, a fotografia de John De Mirjian, a cangaceira Dadá & O eco da trombeta de Maria Iraci Leal aqui.
A sina de Agar, A nascente de Ayn Rand, o teatro de Jean-Louis Barrault, Mundos oscilantes de Adalgisa Nery, a literatura de Anita Loos, a música de Cláudia Riccitelli & The Bossa Nova exciting Jazz Samba Rhythms, a pintura de Jose Gutierrez de la Vega & Amor como princípio de Delasnieve Daspet aqui.
Canto de circo de Osman Lins, a arte de Paul Éluard, a música de Paulo César Pinheiro, o teatro de Adolphe Appia, a poesia de Alberto de Oliveira, o cinema de Pedro Almodóvar & Penélope Cruz, a pintura de Francesco Hayez & José Malhoa, A travessia poética de Valéria Pisauro & Programa Tataritaritatá aqui.
Três poemas & a dança revelou o amor... aqui.
A dança dos meninos, a poesia de Manuel Bandeira & João Cabral de Melo Neto, A dançarina de Yasunari Kawabata, A dança poética de Amiri Baraka, A dançarina do Kama Sutra de Kama Sutra, de Vatsyayana, a música de Isabel Soveral & António Chagas Rosa, a pintura de Jose Manuel Abraham, Pas de Deux & a fotografia de M. Richard Kirstel, Dança Alagoas & Ary Buarque aqui.
O voo da mulher & mulheres no mundo, o teatro de Federico Garcia Lorca, Os adoradores de cabras de Gianni Guadalupi & Alberto Manguel, a música de Duke Ellington, o cinema de Lars von Trier & Nicole Kidman, a arte de Tatiana Parcero & Caco Galhardo, Como veio a primeira chuva & Pétalas do Silêncio de Rô Lopes aqui.
O dono da razão, a poesia de Murilo Mendes, Identidade e etnia de Carlos Rodrigues Brandão, Fundamentos da educação de Maria Sérgio Michaliszyn, a pintura de Mônica Alves Torres & Jules Pascin, a arte de Francisco Zúñiga & a música de Ju Martins aqui.
Não era pra ser, nem foi, Entre a vida e a morte de Nathalie Sarraute, a música de Galina Ustvolskaya, a fotografia de Takashi Aman, o ativismo de Emmeline Parnkhurst, o cinema de Sarah Gravon & Carey Mulligan, a gravura de Jean-Frédéric Maximilien de Waldeck, a arte de Paul-Émile Chabas & Carlos Alberto Santos aqui.
A esperança equilibrista, O espaço da cidadania de Milton Santos, Admirável mundo novo de Aldous Huxley, Os saberes da educação de Edgar Morin, a música de Vivaldi & Michala Petri, a fotografia de Andreas Feininger, a pintura de Gianluca Mantovani & Jose De la Barra, a arte de Daniele Lunghin & Dave Stevens aqui.
Eita! Vou por ali no que vem e que vai, a literatura de Ítalo Calvino, Os tempos da Praieira de Costa Porto, a poesia de Louise Glück, Neurofilosofia & Neurociências, a música de Edson Zampronha, Betina Muller & Mike Edwards, a arte de Laszlo Moholy-Nagy & Anke Catesby aqui.
O aperto que virou vexame trágico, As estratégias sensíveis de Muniz Sodré, a poesia de Sophia de Mello Breyner Andresen, Tecnologias: memórias e esquecimentos de Maria Cristina Franco Ferraz, a fotografia de Alexander Yakovlev, a arte de William Mulready & Doris Savard, a pintura de Angelo Hasse, a música de Asaph Eleutério, Ricardo Loureiro & Rádio Estrada 55 aqui.
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    Imagem: Acervo ArtLAM .   Cambalhotas & as coisas nunca davam certas... - Zé Lua vivia por aí, todo acanhado sob a aba do boné, ...