
DITOS & DESDITOS: [...] À tarde elas saíam juntas, levavam a vida
das mulheres. Ah! Como aquela vida era incrível! Iam aos "chás",
comiam doces que escolhiam com delicadeza e certo ar de gula: bombas de
chocolate, bolinhos e tortas. O ambiente era como um viveiro barulhento,
caloroso, alegremente iluminado e decorado. Elas ficavam lá, sentadas,
apertadas em volta de suas mesinhas, e falavam. Havia, em volta delas, um clima
de excitação, de animação, uma leve inquietação cheia de felicidade, a
lembrança de uma escolha difícil, sobre a qual ainda tinham dúvidas (aquilo
combinaria com o tailleur azul e cinza?, mas claro, ficaria maravilhoso), a
perspectiva de uma metamorfose, de uma evidência súbita de suas personalidades,
de um brilho. Elas, elas, elas, elas, sempre elas, vorazes, barulhentas e
delicadas. O rosto delas parecia marcado por alguma tensão interior, seus olhos
indiferentes deslizavam sobre a aparência, sobre a máscara das coisas,
analisavam-na por um instante (aquilo era bonito ou feio?), depois deixavam-na
cair novamente. E os disfarces davam a elas um brilho duro, um frescor sem
vida. Elas iam aos chás. Ficavam lá, sentadas durante horas, enquanto tardes
inteiras desapareciam. [...] Sempre
disseram a elas coisas daquele tipo. Elas sempre ouviram falar de coisas assim,
elas sabiam: os sentimentos, o amor, a vida, eram essas suas especialidades.
Isso lhes pertencia. E elas falavam, incessantemente, repetindo e girando as
mesmas coisas, depois girando-as novamente, de um lado, depois do outro,
moldando-as, moldando-as, enrolando sem parar entre os dedos aquela matéria
ingrata e pobre que tinham extraído de suas vidas (aquilo que elas chamavam de
"vida", suas especialidades), moldando essa matéria, esticando-a,
enrolando-a, até que ela não passasse de um montinho entre seus dedos, uma
pequenina bola cinza. [...]. Trechos extraídos da obra Tropismos (Luna Parque, 2017), da escritora e advogada francesa Nathalie
Sarraute (Natacha Tcherniak -
1900-1999). Veja mais aqui.
O CINEMA DE NELSON PEREIRA DOS SANTOS
O cinema brasileiro, hoje, é tematicamente plural e expressa identidades
regionais diversas.
NELSON PEREIRA DOS SANTOS – Já publicado diversas vezes por aqui, a
trajetória do cineasta Nelson Pereira
dos Santos (1928-2018) compreende desde a sua incursão na área com o
curta-metragem de 1949, Juventude, até
os documentários A música segundo Tom
Jobim e A luz do Tom, ambos de
2012, passando por Mandacaru vermelho (1961), Boca de Ouro (1962), Vidas secas
(1963), Tenda dos milagres (1977), Memórias do cárcere (1984), Jubiabá (1987),
A terceira margem do rio (1994), Brasília 18% (2004), entre tantos outros. Ele
foi o primeiro cineasta a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras e
foi homenageado in memoriam na cerimônia do Oscar 2019. Confira mais aqui, aqui
& aqui.
A ESCULTURA DE FRANCISCO DOS SANTOS
A arte do escultor e pintor português Francisco dos Santos (1878-1930). Veja
mais aqui.
A OBRA DE DORIS LESSING
Tudo o que você deve fazer, faça agora. As condições são sempre impossíveis.
&
PINTANDO NA PRAÇA