
CONHECIMENTO, TEORIA & PRÁTICA
[...] É importante para a prática saber lidar com
teorias, sem fazer delas uma ideia fixa; não são para serem adotadas, mas
usadas e abusadas. Estudamos autores para nos tornarmos autores, não
porta-vozes ou papagaios. Se, filiar-se, todo professor precisa saber ordenar
sua cabeça e ideias das quais é autor, mantendo sua teorização sempre aberta.
[...] (In: Conhecimento moderno).
[...] Professor é, na
essência, pesquisador, ou seja, profissional da reconstrução do conhecimento,
tanto no horizonte da pesquisa como princípio científico, quanto sobretudo no da
pesquisa como princípio educativo. O estudante que queremos formar não é apenas
técnico, mas fundamentalmente cidadão, que encontra na competência
reconstrutiva de conhecimento seu perfil decisivo. [...] Professor precisa ser formulador de proposta
própria, ou seja, precisa saber elaborar com autonomia. Enquanto sua função de
socializador do conhecimento decresce e será substituída em grande parte,
aumenta o desafio formativo, tipicamente educativo, de fundamentar a
emancipação própria e dos alunos. [...] Professor
atualizado não valoriza apenas o legado teórico, mas sabe fazer da prática trajetória
de reconstrução do conhecimento, desde que a saiba teorizar. Teorizar a prática
significa não separar a produção do conhecimento frente à realidade, como se,
para estudar fosse mister deixar o mundo e ir para a universidade. Na verdade,
a aprendizagem sempre começa com a prática, que logo é teoricamente confrontada. [...] Professor precisa compor-se com a atualização
permanente, porquanto, se o conhecimento, de um lado, é aquilo que a tudo
inova, do outro lado da mesma moeda é aquilo que a tudo envelhece. Nada
envelhece mais rápido que o conhecimento inovador. Como regra, quando os alunos
se formam, já estão encanecidos, seja porque foram apenas “ensinados” ou só
viram “café velho”, seja porque não possuem formação básica propedêutica
adequada que os leve sempre a pesquisar e a elaborar com mão própria. Sem
desprezar o domínio dos conteúdos, necessário para o exercício profissional, o
conhecimento moderno valoriza mais o domínio metodológico, representado no
saber pensar e no aprender a aprender. [...] Não se trata de
fazer de cada estudante um pesquisador profissional, mas um profissional
pesquisador, quer dizer, que sabe manejar as virtudes metodológicas e sobretudo
pedagógicas da pesquisa. Para renovar adequadamente os reptos profissionais num
mercado escorregadio e submetido a processos violentes e geralmente muito
dúbios de inovação, é fundamental saber reconstruir a proposta profissional. Os
conteúdos se consomem no tempo, enquanto a habilidade de saber pensar necessita
manter-se viva, mais que nunca. Se não sabe pesquisar, não sabe questionar. Não
sabendo questionar, não sabe ultrapassar os impasses inevitáveis que toda
profissão encontra em sua prática. Assim, o mais importante hoje na pesquisa
não é o manejo de instrumentos metodológicos, mas o manejo dos desafios inovadores
e por vezes surpreendentes da vida. [...] Como regra, não se
aprende a pesquisar, embora quase sempre se estudem “métodos e técnicas de
pesquisa”. Este estudo quase sempre é feito sem pesquisa, ou seja, estudam-se métodos
e técnicas de pesquisa sem pesquisar. Uma contradição performativa lancinante. Pesa
muito a tradição da aula reprodutiva, considerada pela maioria ainda como
pedagogia fundamental. (In: Professor/Conhecimento)
Trecho
da obra Conhecimento moderno: sobre ética
e intervenção do conhecimento (Vozes, 1997) e trechos do artigo Professor/conhecimento (UnB, 2001), do sociólogo e professor Pedro Demo. Veja mais aqui e aqui.
Veja
mais sobre:
Rua do Sol, Anatomia
da destrutividade humana de Erich Fromm, Museu de Tudo de João Cabral de Melo Neto, Confissões de
Narciso de Autran Dourado, a música de Dawn Upshaw, a pintura
de Ivan Serpa & a
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E mais:
Vamos
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Darío, Soneto luxurioso de Pietro Aretino, O teatro renascentista de Ludovico
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Giannetti, Anatol Rosenfeld & o
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o amado corpo de Luzilá Gonçalves, a pintura de Asztalos Gyula, a arte de Franz
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