sábado, maio 20, 2017

EDUCAÇÃO & TRIMEMBRAÇÃO DE STEINER, O MAGMA DE SAVARY & AS BAILARINAS DE MATISSE


QUANTO VALE UMA VIDA – Judilinho vivia desde menino na mesma ladainha: vencer a qualquer custo para ser gente na vida, não um fracassado. O pai carrancudo exprobrava: - Seja homem e vença na vida! O que é seu, é seu; o que é dos outros, é dos outros. Aprendeu? Achado não é roubado, cabeça de otário é marreta! De tanto ouvir a ranzinzice, aprendeu de cor e salteado todos os ditos e chistes do opróbrio popular. Na escola teve ampliado o seu repertório de descaramento: o sabido é que leva a melhor! Assim cresceu usurário e mão de figa, dando as costas pro que não lhe desse proveito: - O que ganho com isso? Ah, é? Então, 20%. A vida lhe ensinara a ser, a escola era só conversa mole, na prática não servia pra nada: - Se não tiver tirocínio, vive só de levar toque de arrodeio. Assim prosperou na base da agiotagem: - Caridade é na igreja, comigo é só ganhando nas costelas dos molengas! Fez um pé de meia, juntou uma meia água e passou a dormir com um olho fechado e outro aberto, pra não ser roubado e ter de voltar a ser pobre: - De novo, não! Vigilante inarredável, todo dia passava na porta do banco pra ver se estavam cuidando direito do seu suado dinheirinho: - Cuidem direitinho, seus cabras! Não bebia, não fumava, nem tinha lá tanta fé assim. Todavia, jogava, isso sim, do primeiro ao quinto, seca, do milhar ao terno, risco no chão e apostava por tudo: tinha o ganhador aberto. Diziam: - Esse nasceu de cu pra lua. Tinha lá suas superstições, cultivando pé de coelho, trevo de cinco pontas, mealheiro do lado, até cortava caminho dos azarados e dos pedintes: vai que a sorte se manda, avalie. Estava atento a tudo: telejornal, noticiário da rádio, telenovelas, manchetes de jornais, procurava entender de qualquer jeito a economia do país, a bolsa de valores, os investimentos, no frigir dos ovos, patavina por resultado. Que coisa! Contudo, uma coisa remoia no quengo: por que tanta violência? Pronde se virasse era assalto, furto, malversação, assassinato. Ficava aflito quando botava o pé na rua e ouvia do primeiro que encontrasse que agora mesmo uma senhora tivera sua bolsa roubada e um outro que reagiu levou um tiro entre os olhos e estava estendido no chão. Ele se arrepiava ao ver viaturas policiais pra cima e pra baixo aceleradas, só teatro, não diminuindo em nada os arrombamentos das casas, os furtos dos veículos, as mãos pro alto nas esquinas, andava temeroso. Tentava compreender a situação e não conseguia, foi aí que resolveu ter com o Doutor Zé Gulu, aboletado na mesa do canto de bar: - Doutor, por que tanta violência e roubalheira, hem? Gostava de ouvir as explicações do erudito, muito embora, muitas vezes saíra sem entender nada do que ele tinha dito. E insistiu na pergunta, sentando-se ao lado dele. De forma costumeira, o intelectual ajeitou os óculos no pau da venta, encostou-se mais na cadeira e começou o palavrório explicando que há milhares de anos haviam os aedos, os poetas da antiguidade, que cometiam seus ditirambos contando das façanhas dos vencedores! Que proezas eram essas? Tomadas de poder na marra, guerras usurpadoras, brigas familiares de reinados, violência de pai pra filho e vice-versa, ofensas e maledicências de todo tipo. Louros aos vencedores. Isso influenciou a vida de todo mundo e os escritores daquele tempo, criaram a Mitologia Grega para mostrar como se comportavam os ricos tidos como deuses e os pobres como humanos condenados aos caprichos deles. Tanto é que influenciou o Velho Testamento e outros livros religiosos. Pelo visto, desde a metáfora de Caim matar Abel e começar a acumulação, que a violência reina no mundo. Tudo sempre foi um conflito: Apolo versus Dioniso, razão versus emoção; Platão versus Aristóteles, fisicalistas versus animistas, Oriente versus Ocidente, bem versus mal, bom versus mau, ou lá ou cá, e a merda fedendo do mesmo jeito. Surgiu a lei pra reger a conduta humana, deu algum resultado? Sob a maior repressão, até o sexo era só para reprodução – e pelo que sei, salvo engano, foram os taoístas que alcançavam orgasmos sem ejaculação, valorizando ainda mais a reprodução. Adiantou alguma coisa? Passou-se o tempo e guerra pralí, invasão pracolá, violência crescente, intolerância, dissensão, golpes, invasões, desrespeito, servidão, privilégios para uns poucos, carestia para todos os demais, tanto matavam e, ao contrário, deu-se a superpopulação que os malthusianos tornaram escatalógica, surgindo a ideia do controle de natalidade. Alguém parou de pular a cerca? Quanto mais riqueza, maior miséria; do mesmo jeito, quanto mais lei e repressão, maior violência. O que tem haver o cu com as calças? Seguinte: alguma coisa mudou desde então? Hoje em dia, a mesma coisa. E o que estou tentando dizer é que de positivo por esses milhares de anos que existe gente na face da terra, só mesmo as extensões e próteses. Cuma? Sim, só isso. Esse homem está endoidando ou me fazendo de besta? Não, arrepare bem: aprendemos a escrita e a linguagem para nos comunicar, essa uma forma positiva pras nossas extensões, conversar, trocar ideias com o outro, dialogar, existir. Afora isso, só aprendemos mesmo a lascar a pedra por meio da técnica para as artes e tecnologias. Por isso, o que a gente fez de mesmo foi criar próteses, como automóveis, aviões, navios, computadores, celulares, óculos, armas, explorações, etc e o escambau, mais nada. De humano mesmo, tirante uma coisinha ou outra lá no meio do inventário de saúde pra doente, não avançamos nada: somos os mesmos e fazemos as mesmas coisas que nossos ancestrais há porrilhões de séculos e milênios faziam. Ainda hoje precisamos aprender a aprender no reino das dicotomias e paradoxos. Aos olhos vistos todo mundo parece hoje ser civilizado; porém, às escondidas, é o animal que prevalece. E quando a cabeça da piroca é quem pensa, vá ver: é merda certa! De fato, só nos tornamos mais hipócritas. Negamos ser preconceituosos, mas basta um espaço pra gente dizer uma frase e já se distingue o quanto somos dissimulados, arcaicos, conservadores, falsos e egoístas! Além do mais, a humanidade continua a mesma desde o tempo do ronca, tudo a mesma coisa com os podres de rico que usam de tudo e todas as formas escusas para manter e aumentar seus recursos, não precisam de leis porque são as próprias e tudo sob seu mando transnacional, pois o que ganham são só pra si e, quando muito, pros amigos e amigos dos amigos, ninguém mais: o resto que se foda; da mesma forma os mais ou menos de sempre que são espremidos, meio lá e meio cá, fazem de tudo pra ficar só lá temendo escorregar pra cá, medíocres burgueses que não se acham e não sabem como vivem ou como estão no meio de tantas ideologias; e a mundiça que somos nós pobres coitados, entre os sacrificados, os babaovos afilhados que são trampolineiros oportunistas, sectários cabeças de fósforos, os miseráveis e os Marias-vão-com-as-outras. Assim caminha a humanidade! Quando Judilinho ia abrindo a boca pra perguntar, entra esfuziante no recinto o folgado Gerdinaldo, riso largo, abraços pra todos, brinca com um, tira dedada em outro, acena pros demais, pede a bênção ao doutor Zé Gulu, faz uma mangação com Judilinho, toma uma pinga, chupa um caju e se despede. Com tudo voltando ao normal no ambiente, Judilinho tenta continuar o assunto, quando o doutor se levanta para ir ao mictório e, de repente, ouve-se um pipoco, gritos e correria. – Que é que houve? Todos saem pra ver e dão de cara com a cena: Gerdinaldo estirado entre a calçada e o meio fio, sangrando com um tiro na nuca. O rádio de pilha no bar anunciava cantarolando: Tá lá um corpo estendido no chão... © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A EDUCAÇÃO & TRIMEMBRAÇÃO SOCIAL DE STEINER
Educação e ensino devem tornar-se uma arte baseada no real conhecimento do homem.
Pensamento do filósofo e educador austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), autor das obras A arte da educação: I – O estudo geral do homem, uma base para a Pedagogia, II – Metodologia e didática do ensino Waldorf e III – Discussões pedagógicas (3 vols – Antroposófica, 1999), defendendo a Trimembração Social: Liberdade para o Espírito, a Igualdade perante o Direito e a Fraternidade na Economia. A pedagogia Waldorf tem por princípios a Antropologia Evolutiva, pela qual a educação deve ser totalmente dedicada às necessidades do desenvolvimento da criança; ênfase na importância das artes e o amor pela natureza; inteligência manual com ensinamentos práticos facilitando o diálogo da criança consigo mesma e o aprendizado por meio de imagens que estimulam a capacidade de representação; o papel dos contos de fadas na formação do patrimônio cultural e como instrumento essencial para o crescimento das crianças e compreensão das suas emoções; pedagogia curativa voltada para a educação terapêutica e terapia social, considerando as imperfeições físicas, psíquicas e espirituais dos indivíduos; emulação e experimentação, pelas quais as crianças aprendem por imitação; professores como educadores, entre outros princípios. Veja mais aqui.

Veja mais sobre:
Quando renasci pra vida depois de morrer pela primeira vez, Moll Flanders de Daniel Defoe, Presenças de Otto Maria Carpeaux, o teatro de Hugo von Hofmannsthal, a música de El Hadj N'Diaye & Érica García, Hope 2050, a pintura de Antonio Dias & Xul Solar aqui.

E mais:
O pavor dos acrófobos à beira do abismo, o pensamento de Comenius, A jornada do poema de Margaret Edson, a música de Leoš Janáček & Kamila Stösslová, Toponimia pernambucana de José de Almeida Maciel, a poesia alemã de Olívio Caeiro, a pintura de Pierre Alechinsky & Philip Hallawell aqui.
As ideias do doutor Zé Gulu aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A violência aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
O pensamento de Isaac Asimov aqui.
A arte do pintor e escultor Henri Matisse aqui, aqui, aqui & aqui.
Vamos aprumar a conversa: pedagogia & Brincarte do Nitolino, A mulher de trinta anos de Honoré de Balzac, o teatro de Nelson Rodrigues, Desenvolvimento psicossocial de Erik Erikson, Os doze gozos de Maria Teresa Horta, a música de Joe Cocker, a arte de Lucelia Santos, a pintura de Eugène Delacroix & Paul Nash aqui.
Vamos aprumar a conversa & George Kelly, A natureza do preconceito de Gordon Allport, a poesia de Alexander Pope, Capital Federal de Artur Azevedo, Repertório selvagem de Olga Savary, a música de Naná Vasconcelos & Uakti, a pintura de Henri Rousseau, a arte de Ana Botafogo, o cinema de Mike Nicholson & Natalie Portman aqui.
A oniomania & o shopaholic, o pensamento de Mestre Eckhart, Guia dos perplexos de Moisés Maimônides, a poesia de Píndaro, o Catatau de Paulo Leminski, a arte de Gilton Della Cella & Programa Tataritaritatá aqui.
O ritual do amor & a pintura de Jacqueline Ripstein aqui.
Tataritaritatá no Palco Aberto aqui.
Literatura de cordel: A mulher, de Oliveira de Panela aqui.
As trelas do Doro: A capotada do guarda aqui.
Proezas do Biritoaldo: Quando o muxôxo dá num engasgo, o peso enverga o espinhaço de chega ficar de venta esfolando no chão aqui.
Ada Rogato & Todo dia é dia da mulher aqui.
É pra ela & Crônica de amor por ela, Ofício de escritor de Ernesto Sábato, Guerra e paz de Liev Tolstói, Soneto de amor de Pablo Neruda, a música de Heitor Villa-Lobos & Rosana Lamosa, o pensamento de Horácio, o teatro de Délia Maunás & Magali Biff, o cinema de Aluizio Abranches, Julia Lemmertz & Alexandre Borges, a arte de Aurélio D'Alincourt & Alipio Barrio, Michelle Ramos & Zine Brasil aqui.
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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O NOME NO MAGMA DE OLGA SAVARY
Diria que amor não posso
dar-te de nome, arredia
é o que chamas de posse
à obsessão que te mostra
ao vale das minhas coxas
e maior é o apetite
com que te morde as entranhas
este fruto que se abre
e ele sim é que te come,
que te como por inteiro
mesmo não sendo repasto
o fruto teu que degluto,
que de semente me serve
à poesia.
Poema Nome, extraído da obra Magma (Massao Ohno/Roswitha Kempf, 1981), da escritora paraense Olga Savary. Veja mais aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra:
As bailarinas do pintor e escultor francês Henri Matisse (1869-1954).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.


ERNESTO SÁBATO, EDWIGES DE SÁ PEREIRA, MARIA FIRMINA DOS REIS, ADMAURO, LUCIAH, FENELON & PNTANDO NA PRAÇA

PINTANDO NA PRAÇA - Manhã ensolarada de sábado, nuvens em trânsito e chuva passageira para amainar o calor, olhares dispersos, muita conve...