
ESCARAFUNCHANDO PERLS
[...]. Venha, faça os discursos que quiser. Você
fala de si, e não do mundo. Pois há espelhos no lugar da luz e do brilho das
janelas. Você vê a si mesmo, e não a nós. Só projeções, livre-se delas. Self
mais pobre, recupere aquilo que é apenas seu, torne-se essa projeção, entre
nela bem a fundo. O papel dos outros é o seu. Venha, recupere e cresça mais. Assimile
o que você negou. Se você odeia algo que existe, isso é você, embora seja
triste. Pois você é eu e eu sou você. Você odeia em si mesmo aquilo que você
despreza. Você odeia a si mesmo e pensa que odeia a mim. Projeções são a pior
coisa. Acabam com você, o deixam cego, transformam montinhos em montanhas para
justificar seu preconceito. Recupere os sentidos. Veja claro. Observe aquilo
que é real, E não aquilo que você pensa.
Trecho
extraído da obra Escarafunchando Fritz:
dentro e fora da lata do lixo (Summus, 1979), do psicólogo, psicoterapeita
e psiquiatra alemão Friederich Salomon Perls (1893-1970). Veja mais
aqui, aqui, aqui e aqui.
Veja
mais sobre:
Em mim a
vida & o estouro dos confins de tudo, Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistus, Ísis sem véus de Helena Blavatsky, O
jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, a música de Kitaro, a arte de Ewa Kienko Gawlik, a
fotografia de Jovana Rikalo & Tataritaritatá no Encontro dos
Palmarenses aqui.
E mais:
E num é
que a Vera toda-tuda virou a bruxa das pancs na boca do povo, Iluminações
de Walter Benjamin, Os
bruzundangas de Lima Barreto, Marxismo
& literatura de Cliff Slaughter, a música de Guiomar
Novaes, a pintura de Pedro Sanz
& Sara Vieira, a arte de Paolo Serpieri &
Tataritaritatá na Gazeta de Alagoas aqui.
Vamos aprumar a conversa: responsabilidade
dos pais & da família, O amor e
o ocidente de Denis de Rougemont, As
recordações de Isaías Caminhas de Lima Barreto, a música de Stevie Wonder, a poesia de Murilo Mendes
& Raimundo Correia, o teatro de Friedrich Schiller, o cinema de Nelson
Pereira dos Santos, a coreografia de Martha Graham & a pintura de Georges Braque aqui.
Vamos aprumar a conversa, O homem, a mulher & a natureza de Allan Watts, Amar,
verbo intransitivo de Mário de Andrade, a poesia de Pedro Kilkerry & Augusto de Campos,
Amor de novo de Doris Lessing, a música
de Christoph Willibald Gluck, o teatro
de Machado de Assis, Eurídice, o cinema de Walter Hugo Khouri & Vera
Fischer, a escultura de Joseph Edgar
Boehm, a pintura de Jean-Baptiste
Camille Corot & a arte de Patrick Nicholas aqui.
A
responsabilidade do agente político, excesso de poder & desvio de
finalidade aqui.
As
trelas do Doro: olha a cheufra aqui.
Fecamepa:
quando embola bosta, o empenado não tem
como ter jeito aqui.
A vida
dupla de Carolyne & sua cheba beiçuda, Psicologia da arte de Lev
Vygotsky, a poesia de William Butler
Yeats, a música de Leonard Cohen, a pintura de Boleslaw von Szankowski & Raphael Sanzio, o
cinema de Paolo Sorrentino & World
Erotic Art Museum (WEAM) aqui.
Divagando
na bicicleta, Dulce Veiga de Caio Fernando Abreu, Os elementos de Euclides de Alexandria, O teatro e seu espaço de Peter Brook, a música de Billie Myers, a fotografia de Alberto Henschel, a pintura de Jörg Immendorff & Oda Jaune aqui.
A
conversa das plantas, a poesia de Cruz e Sousa, Memória das
Guerras do Brasil de Duarte Coelho, Arquimedes de Siracusa, a música de Natalie Imbruglia, Orientação Sexual, a
arte de Hugo Pratt & Tom 14 aqui.
Leitoras
de James leituras de Joyce, a literatura & a música de James Joyce,
Ilustrações de Henri Matisse, a fotografia de Humberto Finatti
& a arte de Wayne Thiebaud aqui.
Incipit
vita nuova, A divina comédia de Dante Alighieri, Raízes árabes no sertão nordestino de Luís Soler,
a música de Galina Ustvolskaya, a pintura de Paul Sieffert, Ilustrações de Gustave Doré, a arte de Jack Vetriano & Luciah Lopez aqui.
E se
nada acontecesse, nada valeria..., Agá de Hermilo Borba Filho, Fábulas de Leonardo
da Vinci, As glândulas endócrinas de M. W. Kapp, a música de Tomoko Mukaiyama, Compassos Cia de Danças, a pintura de Bruno Di Maio & Madalena Tavares, a arte de
Eric Gill & a xilogravura de Perron aqui.
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Bentevi, Sinhô, Marshal McLuhan, Andrea Camileri, Marcelo Pereira, Mario
Martone, Giulia Gam, Anna Bonaiuto Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado
a sério! &
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JÚLIA DE STRINDBERG
[...] JÚLIA –
Estamos aqui perdendo tempo, falando de sonhos. Vamos, nem que seja até o
parque. (Segura o braço de Jean e encaminha-se para a porta.) JEAN – Quem
dormir sobre nove flores de verão, hoje, terá seus sonhos realizados,
senhorita. (Viram-se perto da porta. Jean tem a mão sobre um olho.) JULIA – Há
alguma coisa em seu olho? Deixe-me ver. JEAN – Oh, não é nada. Apenas um cisco.
Passará num instante. JÚLIA – Com certeza eu o rocei com minha manga. Sente-se
para eu ver. (Segura-o pelo braço, fazendo-o sentar, curva sua cabeça para trás
e tenta afastar o cisco com o a ponta do lenço.) Agora fique quieto, bem quietinho.
(Dá um tapa na mão de Jean.) Faça o que estou dizendo. Ora, parece que você
está tremendo... Um homem tão grande e forte... (Sente seus bíceps.) Quê
músculos! JEAN – (Prevenindo.) Srta. Júlia! JULIA – Oui, monsieur Jean? JEAN –
Attention. Je ne suis qu´un homme. JULIA – Quer fazer o favor de ficar quieto?
Pronto. Saiu. Beije minha mão e agradeça. JEAN – (Erguendo-se) Ouça, por favor,
srta. Julia. Cristina foi deitar-se. Vai ouvir agora? JULIA – Beije minha mão
primeiro. JEAN – Muito bem. Mas a culpa será sua. JÚLIA – De quê? JEAN – De
quê?! Aos vinte e cinco anos a senhorita ainda é uma criança? Não sabe que é
perigoso brincar com fogo? JULIA – Não para mim. Tenho seguro. JEAN –
(Explícito.) Não, não tem. E mesmo que tivesse, não estaria livre de provocar
uma combustão. JULIA – Refere-se a si mesmo? JEAN – Sim. Não é porque eu seja
quem sou, mas porque sou um homem, um jovem, sou... JULIA – Atraente? Mas que
presunção! Tal vez um Dom Juan? Ou um Casanova? Meu Deus, acho que você é mesmo
um Casanova. JEAN – Acha mesmo? JULIA – Temo que sim. (Audaciosamente, Jean
tenta abraçá-la e beijá-la. Ela o esbofeteia.) Tenha modos! JEAN – Verdade ou
brincadeira? JULIA – Verdade. JEAN – Então o que aconteceu antes foi verdade
também. A Senhorita brinca seriamente e isto é perigoso. De qualquer forma,
estou cansado de brincar e peço licença para voltar a meu trabalho. O Conde vai
precisar de suas botas e já passa da meia-noite. JULIA – Deixe-as onde estão. JEAN
– Não. Este é o meu trabalho e eu tenho obrigação de fazê-lo. Mas nunca aceitei
o serviço de ser seu companheiro de brinquedo e jamais o aceitarei. Acho que
sou bom demais pra isso. JULIA – Você é orgulhoso. JEAN – Em certas coisas. Nem
todas. JULIA – Você já esteve apaixonado? [...].
Trecho da tragédia Senhorita Júlia (1888- Brasiliense, 1968),
do dramaturgo, escritor e ensaísta sueco August Strindberg
(1849-1912), contando sobre a
breve relação entre a jovem Júlia e o serviçal Jean, numa noite de verão,
envolvendo amor, batalha dos sexos e classes sociais. Veja mais aqui e aqui.
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Paz na
Terra:
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