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domingo, novembro 28, 2021

LÁZARO DROZNES, PEDRO JUAN GUTIÉRREZ, VERA ALBERS, BRONOWSKI, ILANA YAHAV, ANITA CARRIJO, AORU AURA, NADIA BATTELLA GOTLIB & FÁTIMA FERREIRA

 

 

TRÍPTICO DQP – É aqui. É agora. O primeiro degrau... Ao som de Violina, do compositor húngaro Frigyes Hidas (1928-2007), na interpretação da premiada violinista argentina Betina Stegmann, integrante do Quinteto D’Elas, com a Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, Marcos Sadao Shirakawa, conductor. - Uma escada e não sei onde vai dar. Não é a que dá acesso à minha casa, íngreme e, ao que parece, vai dar por várias camadas e dobras, desconfiado olho entre o falsificador e o autêntico, uma coexistência com as tramas hipercomplexas e híbridas, quando não cíbridas e glocais, prenhe de plurivalência, o que me fazia não poder descurar de sobreposições e complementaridade. Dali me afastei e, de repente, algo parece que havia desprendido do cinturão de asteroides e eu tentei a todo custo voltar para casa, pois sabia que ia piorar aquela situação de fedentina e ar fúnebre que se abateu no meu país inteiro há tanto tempo por conta do golpe que deu no Fecamepa do Coisonário. As ruas desertas de um outro lugar que sequer sabia e, na primeira esquina, esbarrei na criança de Taung que me disse ter vindo para uma conferência dos gorilas de Dian Fossey, a festa dos patos de Lorenz e dos camundongos de Tsien. É? Sim, um evento e tanto, pois haverá um show dos macacos de Jane Goodall, o malabarismo dos ratos de Skinner, a festa do céu do sapo Aderbal com todas as feras e mansas e que o Camonge aprontou e deu a maior treta! Bem movimentado, hem? Ah, sim, bastante. E logo me disse que havia chegado de uma longa viagem feita entre o Taj-Mahal e Machu Pichu, contando-me da experiência de reviver a Utopia de More, a Atlântida de Bacon, da Aurora de Boehme, da Loucura de Erasmo, e com ar de extrema comiseração e mãos de Budha, comentou-me sobre a indecisão do jovem Hamlet. Ela não era mais que uma antropoide do sul, australopithecus, nem parecia e disse-me: Vamos logo que ainda quero ver o acasalamento dos pombos de Dan Lehrman. Quem? Não conhece o psicólogo naturalista estadunidense? Não. Af! E foi me levando até divisarmos com o risonho matemático húngaro John von Neumann (1903-1957) com sua teoria dos jogos: A vida real não é como no xadrez. A vida real consiste em blefes, em pequenas táticas de despistamento, em pergunta a si próprio o que o parceiro está pensando sobre qual será nosso próximo movimento. É esse o tipo de jogo sobre o qual minha teoria se interessa. Ele era engraçadíssimo e logo travou uma conversa animada com ela sobre hestórias. Como? Logo ouvi sobre A escalada do homem (M.Fontes/UnB, 1979), do historiador polonês Jacob Bronowski (1908-1974), no qual estava inscrito que: História não são eventos, mas, sim, pessoas. Além disso, não são pessoas apenas recordando; é o homem vivendo seu passado no presente. História é o ato instantâneo de decisão do piloto, que cristaliza em si todo o conhecimento, toda a ciência, tudo aquilo que foi aprendido desde o surgimento do homem. Conversaram efusivamente e logo saíram os três de braços dados, me deixando sozinho no ermo da rua. Outra escada e resolvi subir: era a vez do próximo degrau.

 


A balança & a gangorra... Imagem: a arte da artista israelense Ilana Yahav. – Umoutro: estava eu perdido, deveras; o que foi e virá, a centopeia das horas e o cheiro da noite na notícia encenada do assassinato da dentistescritora e militante Anita Carrijo (1900-1957) e eu chocado com as condições em que ela foi encontrada em seu apartamento. Tudo registrado como latrocínio na crônica policial, e apenas foram levadas das suas posses uma máquina de escrever, os originais de um livro que estava escrevendo sobre tóxicos em São Paulo envolvendo personalidades da alta sociedade e um pequeno aparelho de diatermia. O principal suspeito, um seu ex-assistente italiano, aspirante a ator e insatisfeito com a sua demissão, justo porque ela defendia os direitos das mulheres, ressaltando a emancipação feminina, o direito ao divórcio, a creche para as crianças de mulheres trabalhadoras. Depois de sua morte, uma forte campanha de difamação logo ocorreu, acusando-a de traficante de drogas e prostituição. E era ela, na verdade, Mira Sorvino ao meu lado a me dizer Virginia Woolf: A liberdade intelectual depende de coisas materiais. A poesia depende da liberdade intelectual. E as mulheres sempre foram pobres, não apenas nos últimos duzentos anos, mas desde o começo dos tempos. As mulheres têm sido menos liberdade intelectual do que os filhos dos escravos atenienses. As mulheres, portanto, não têm tido a menor oportunidade de escrever poesia. E logo me envolveu na trama onírica de Lulu on the Bridge (1998), de Paul Auster, com sua voz suave a me mostrar fotos de beldades sensuais e a me perguntar pelo saxofone. Qual? Ela insistia na indagação e a lhe dizer que jamais tive tal instrumento, quando testemunhamos a cena no bar de frente: um louco que atira no músico e depois se mata. Que coisa! Ela me disse: Era você, felizmente sobreviveu ao atentado. Cadê a pasta? Que pasta? A do número de telefone, a boceta de Pandora e a pedra brilhante que levita? Não sei do que está falando! Você ligou pra mim e me trouxe a pedra! Como assim? Vou embora, preciso ir para as filmagens na Irlanda e quanto a você, se cuide, vai terminar preso. Por que? Deu-me um beijo e saiu. Logo desconhecidos apareceram e me sequestraram: A pedra ou a sentença de traição! Jogaram-me um exemplar do livro De Traidor a Herói: O falsificador de Vermeer de Göring que enganou a Holanda e os nazis (Babelcube, 2019), do dramaturgo e escritor espanhol Lázaro Droznes. Escolha! Como assim? E insistiam no interrogatório. Além da pedra que jamais vira, fora imputado contra mim o crime de Han van Meegeren por falsificar quadros do pintor Vermeers (1632-1675). A pedra ou a condenação por alta traição! Você falsificou para mais de 50 pinturas. E logo me vi nas cenas do The Last Vermeer (2019), dirigido por Dan Friedkin, e tudo parecia um pesadelo interminável. Ao despertar era a atriz inglesa Olivia Grant dizendo-me de Fritz Perls: Se você odeia algo que existe, isso é você, embora seja triste... Ao lado dela, ele emergiu do nada como se me lesse um trecho do seu Escarafunchando. Ouvi atento e ao procurá-la era Jenny Holzer: A propriedade privada criou o crime... Proteja-me do que eu quero. Um homem jamais saberá o que é ser mãe. Justiça eu sei não há nem aqui nem sei onde mais – mera extensão de poder dos sabidos e salafrários, vendida e vendável. De mesmo só gangorra. O tempo apaga os ardis e só resta a ameaça da variante Omicrom. Agarrei-me a ela para me proteger.

 


A aventura humana...- A arte da multiartista Aoru Aura. - Átimímpeto, ela múltipla; se uma ou outra sinuosa jamais a mesma e me pedia perdão porque perdoava tudo ensandecida de paixão e tão vulcânica com suas mãos de artesã na minha pele e um difuso arrepio tocava a alma com a emanação do seu sexo vivo energizando o meu ser desarvorado latejante coma revelação que fez da professora Nadia Battella Gotlib: Estórias há de conquistas e perdas. Estórias que seguem para frente. Ou para frente retornando. Variam de assuntos e nos modos de contar. Até quando? Às vezes invisível na minha obstinação, a incoerência extravasava e evaporava o mistério das asas nas unhas dela a me reter no seu casulo onde escavacou meu ser e me disse do suor na clareira ao contar aos matos verdes e pedras de ponta nossas confidências e queria fazer tudo feito louca fugidia, nômade na verdade, reinventando as ausências nas corredeiras do tempo. Virou-se e foi até à porta, trouxe-me não sei como o escritor e jornalista cubano Pedro Juan Gutiérrez: Gosto de ser belicoso, como bom filho de Ogum. Quando me virem tranquilo, é que já estou apodrecendo. Não entendi direito e logo me presenteou os volumes da sua Dirty Havana Trilogy (FSG, 2001) e arrematou: Não tenho motivos para ser amável, nem para fazer concessões. O escritor no fundo é um sujeito amargurado, confuso, sem explicações para nada, e pouco lhe importa se o compreendem ou não. Se é bem ou mal recebido. Se é simpático ou antipático. Se tem dinheiro ou é um morto de fome. Se você é escritor, tem que saber que essas são as regras do jogo. Do contrário, você é um palhaço. E vai ter sempre alguém por perto tentando transformar você em palhaço. Disse-me e saiu tal como aparecera. Ela foi, trancou a porta e voltou com um trecho do transconto Verba (Reformatório, 2021) da escritora Vera Albers: Existem quatro comportamentos básicos no homem: consumação, gratificação, punição (fuga e luta) e inibição (quando o siri chia)... Existem quatro cérebros no homem: sobrevivência; alimentação e cópula; memória; associação criativa... Sorriu solto e da poeta recitou o poema Vida: Virás ensolarada / pela estrada das pedras. / Postes hão de pontear / os teus passos poeirentos. / E caracóis eternos colarão / sua baba a teu intento. / Arrasto-me no lodo seco / e fujo. / Tu, cão sabujo, / segues-me. Sim, nem sabia que perseguia seus passos e, abraçando-me, recitou-me Fátima Ferreira: Eu vim do mar... “Qual as águas do mais turvo oceano, nada apagará de minha mente a certeza de que te amo”. Lembra? Perguntou-me e prosseguiu terna: Nada como um náufrago tentando salvar-se. Chego sã à margem contrária. Mas já sem fôlego... Disfarço e engulo seco, molhada e turva. Estranhas as cartas de amor que continuam a existência independente do alvo. Amarro-as com uma fita de cetim cor-de-rosa pela delicadeza... Não brinco mais de duvidar. Só brinco agora de ostra guardando pérolas. Esse náufrago não sabia mas era eu mesmo; essas cartas talvez, não sei, minhas... Prestei atenção, encarei toda panorâmica, ela era mais que real e linda, a minha cidade era o embuste e tanto barulho, onde o silêncio? Até mais ver.

 

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segunda-feira, julho 09, 2018

PATATIVA DO ASSARÉ, PERLS, MERCEDES SOSA, VIANINHA, KA-LAO-YEH, BIOGRAFIA DO FABO & FECAMEPA


TUDO CERTO, FABO! - Pra Fabo que se preze está tudo bem, tudo certo. Não passa em branco pelas quatro festas do ano: carnaval, maior folião, bronca pra lá, da sexta de Zé-Pereira emendada até só depois do meio dia da quarta-feira de cinzas, aí é que encara – pra ele, o Reino do Momo deveria ser a semana toda, aliás, o mês de fevereiro completo, ora. No São João, de primeiro de junho, passando por SantAntonho, até o final do mês de SumPedinho, maior rastapé – pensar na vida, pra quê? Simbora. No Natal obra caridade e faz cara feia, Deus é brasileiro; e no Ano Novo, pula onda, faz promessa, projeto de vida, simpatia pra enricar e seja lá o que Deus quiser! Isso sem contar que é festa pra todo final de semana: boca de ponche pega arrego até em festa infantil. Durante a semana, da segunda de ressaca começa a dar seus pulos pra chegar na sexta de pé na goela, vôte! Se não deu, parte pra outra, promove maus rótulos: uma boquinha aqui, um ajeitado ali, tudo na base da cama de gato e toque de arrodeio. Completamente imoderado, manguinhas de fora: dá-se uma mão, quer levar logo os pés. Farejador manhoso, rói caladinho pelas beiradas, se aproveita das catástrofes e passa por dignitário. Deprimiu com a angústia de corno, mata ou não mata, bola pra frente e haja mola no trampo, só corre atrás do troco, da sorte e da oportunidade. Passa recibo e paga pra ver. Vacila e paga mico, sai de mansinho: pega o beco. Pra tudo tem jeitinho, ora, ora. Ah, se soubesse! Aprende na marra magoando a pereba da canela, ai, cada raladura só carne viva, fratura exposta, mandíbula deslocada, clavícula fraturada, ai o calo do dedo mindinho quando o sapato aperta, acocha o cinturão, se vira com a dor de dente, gel nas olheiras e ronchas, arranhou o pau da venta, levou puxão de orelha, um safanão aqui, cutucada no espinhaço acolá, eita, descompostura! Pede pra São Lunguinho achar o que perdeu da vergonha, cara mais lisa; lavou, está novo, ora. Puxa o carro. E se a coisa empena, lá vem o enterro voltando. O ruim é espragatar a verruga quando cai de joelhos, valha-me! Está nem aí se a educação é da pior qualidade – uma fábrica de moldes só pra servir o mercado, que é que tem? -, se quiser da boa que pague e olhe lá! Nem esquenta se não tem atendimento médico ou saúde – se quiser, ora, pague plano de saúde. E paga de novo. Quando precisa: seis meses pra ser atendido, xinga a mãe do guarda e faz um auê aos esporros na maior saia justa, desce do tamanco e fecha pra balanço, quando não o quarteirão. Nem liga se não tem direitos, Justiça só pra proteger quem detém poder – e sobrevive à força de lambidas e babações, cada qual que emboneque seu padrinho, meu! Aí fura fula, mexe os pauzinhos, sombra de costa-larga vale. Se aparecer emprego, só serve se não der trabalho. Se está na reta, desinreta; depois quer enretar, maior bronca. Quem quiser que fique pra trás, vai de venta empinada e beiço virado. Pensa que está abafando, o vulgo condena: só faz merda. Como se acha o supra sumo dos perspicazes, alimenta grandíssimas ambições, esquisitices e extravagâncias. Ah, quando veste a camisa da seleção, civismo ufano e bairrismo chauvinista, maior garra e torcida, todo mundo junto e pra frente – mesmo que seja o maior ré-pra-trás no revestrés! Na hora de construir um país melhor, é cada um por si, o outro que se foda! E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da saudosa cantora argentina Mercedes Sosa (1935-2009) – La Negra, A Voz dos Sem Voz: Concierto em el Rosedal, Trinta Años, Festival Viña del Mar & Volver a los 17 com Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso & Gal Costa & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Estamos entrando numa fase nova e perigosa. Estamos entrando na fase das terapias ‘estimulantes’: ligando-nos em cura instantânea, em consciência sensorial instantânea. Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência estarão curados, sem considerar qualquer necessidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. [...]. Trecho extraído da obra Gestalt-terapia explicada (Summus, 1976), do psicólogo, psicoterapeita e psiquiatra alemão Fritz Perls (1893-1970), que em outra de suas obras, Fome e agressão: uma revisão da teoria e do método de Freud (Summus, 2002), expressou: O conflito mais importante que pode levar a uma personalidade integrada ou a uma neurótica é o conflito entre as necessidades sociais e as biológicas do homem [...] com muita frequência o autocontrole exigido socialmente pode ser alcançado apenas à custa da desvitalização e do enfraquecimento das funções de grandes partes da personalidade humana — à custa da criação de neurose coletiva e individual [...]. Veja mais aqui.

CORPO A CORPO – [...] A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e unilaterais que um objeto só é nosso quando o temos, quando existe para nós como capital ou quando é imediatamente possuído, comido, bebido, vestido, habitado, em resumo, utilizado por nós. [...] Em lugar de todos os sentidos físicos e espirituais apareceu assim a simples alienação de todos esses sentidos, o sentido do ter. O ser humano teve que ser reduzido a esta absoluta pobreza, para que pudesse dar à luz a sua riqueza interior partindo de si. [...]. Trecho extraído da peça teatral Corpo a Corpo (Vozes. 1999), do dramaturgo, ator e diretor de teatro e televisão Oduvaldo Vianna Filho – Vianinha (1936-1974), que sobre a peça expressou: Corpo a Corpo não é uma experiência formal nova. É tradicional. Mas a sensação de ir descamando a realidade, de ir tirando pedaços e pedaços de sua superfície para chegar mais e mais até a sua intimidade, seus núcleos, foi o meu propósito. A tonteira da razão. O nunca acabar de relações que dão ao indivíduo, tiram-lhe a razão, formam novas sínteses, desbordam de novo. Uma sanfona de Luís Gonzaga, esticando, tocando, tocando sempre. Noutro texto do autor Um pouco de pessedismo não faz mal a ninguém, recolhido da obra Vianinha: teatro, televisão e política (Brasiliense,1999), de Fernando Peixoto, o dramaturgo expressa: [...] Estamos convencidos de que o trabalho cultural, como todo trabalho, tem por exigência básica a qualidade. Mas, sobre o conceito de qualidade, pesam inúmeros equívocos. Do nosso ponto de vista, a qualidade de uma obra resulta da formulação adequada da experiência na complexidade de suas contradições, isto é, na sua natureza dialética. Conclui-se daí que uma visão estreita do mundo não pode produzir boa obra, pelos simples fato de que, na sua limitação, é incapaz de revelar o verdadeiro conteúdo da realidade de que trata. Assim como não basta estar teoricamente armado de uma visão justa para obter resultados artisticamente positivos, pode um escritor alienado criar boa arte, desde que, no processo formulativo — no fazer —, consiga ampliar sua visão o suficiente para abranger as contradições inerentes a ela. O que não quer dizer que as obras estejam despidas de caráter ideológico ou de classe, mas que elas podem ter qualidade apesar disso. A liberdade é, portanto, condição necessária do trabalho criador. Numa entrevista recolhida da mesma obra, Vianinha trata que: Para reduzir uma sociedade de mais de cem milhões de pessoas a um mercado de vinte e cinco milhões de pessoas é preciso um processo cultural muito intenso, muito elaborado e muito sofisticado, muito rico, para manter, para fazer com que as pessoas aceitem ser parte de um país fantasma, um país inexistente, de um país sem problemas, [...] porque parece que realmente precisa, para circunscrever a minha visão de existência social a esse círculo muito fechado, da duplicação dos produtos de consumo. [...] Veja mais aqui e aqui.

ILUMINEMOS PEQUIM! – [...] O Imperador sentou-se no trono e assim falou: - A nossos ouvidos chegou a voz de que as grandes cidades habitadas pelos bárbaros de pele branca, quando a noite desenrola das alturas do céu os véus da sombra, são iluminadas por milhares de luzes em cada rua e em cada praça. [...] Tomai do nosso tesouro um milhão de taels, e que as ruas de Pequim sejam iluminadas como pela luz do sol. – A cidade será iluminada – respondeu o Camareiro-Mor, e, executando o Kolow, abandonou a audiência imperial. [...] Ali esperava o seu ajudante. - Chame o Grande Eunuco – ordenou. [...] – Saiba, Grande Chefe dos Eunucos, que o Filho dos Céus (que reine por dez mil anos), pela bondade de sua alma, me entregou mil taels a fim de que as ruas de Pequim resplandeçam à noite como de dia. Que as ruas da cidade sejam portanto imediatamente iluminadas. – Ouvir é obedecer! – respondeu o outro, inclinando-se e cumprimentando, conforme o ritual. [...] – O Augusto Imperador – disse o Grande Eunuco – em sua magnanimidade, estabeleceu duzentos e cinquenta mil taels para que as ruas de Pequim sejam iluminadas à noite! Providencie. – O Filho do Céu só concebe o que é justo. Nossa cidade será a maior do mundo. Apresso-me a executar a vontade do Filho do Céu – respondeu o Governador Militar, que voltou imediatamente a seu yamen e mandou chamar o Chefe dos Magistrados. [...] – Tenho o prazer e a honra de informa Vossa Excelência que a Sublime Serenidade, o Filho do Céu, resolveu gastar cem mil taels para que Pequim seja iluminada à noite. Vossa Excelência providencie. – Obedeço incontinente – foi a resposta. E subindo no palanquim, o Chefe dos Magistrados fez-se levar ao escritório dos Vigilantes da Cidade. [...] – O Filho do Céu deu-me cinquenta mil taels para que Pequim seja iluminada à noite. Providencie até amanhã ou receie o seu rigor! Grande foi a surpresa da população de Pequim quando deparou, na manhã seguinte, afixado por todos os cantos da cidade, com este manifesto: “A Serena Sublimidade, o Filho do Céu, o Augusto Imperador, Soberano do Império do Meio, Senhor dos Países Bárbaros, Vassalos e Tributários, decretou que todas as ruas e praças de Pequim sejam e permaneçam iluminadas desde a primeira hora da noite até o romper da aurora. Todo chefe de família, todo artesão, todo mercador, providenciará, portanto, para que seja aceso um lampião fora da porta externa de sua casa, de sua oficina, de sua loja. Perderá a vida quem transgredir a ordem, que será cumprida com o máximo rigor. E foi assim que o Imperador, na noite seguinte, olhando pelas janelas do sétimo andar do pagode de porcelana construído sobre a colina artificial do jardim imperial, pôde ver a cidade iluminada como por milhões e milhões de vagalumes, animais diminuídos que devoram a vasta escuridão, mas não souve jamais de que forma tinha sido gasto o milhão de taels que orçara para aquele fim. Trechos do conto do escritor chinês Ka-Lao-Yeh, recolhido de Maravilhas do conto humorístico (Cultrix, 1969), organizado por Mariano Torres.

BRASI DE CIMA E O BRASI DE BAXOMeu compadre Zé Fulô, / Meu amigo e companhêro, / Faz quage um ano que eu tou / Neste Rio de Janêro; / Eu saí do Cariri / Maginando que isto aqui / Era uma terra de sorte, / Mas fique sabendo tu / Que a misera aqui no Su / É esta mesma do Norte. / Tudo o que procuro acho. / Eu pude vê neste crima, / Que tem o Brasi de Baxo / E tem o Brasi de Cima. / Brasi de baxo, coitado! / É um pobre abandonado; / O de Cima tem cartaz, / Um do ôtro é bem deferente: / Brasi de Cima é pra frente, / Brasi de Baxo é pra trás. / Aqui no Brasil de Cima, / Não há dô nem indigença, / Reina o mais soave crima / De riqueza e de opulença; / Só se fala de progresso, / Riqueza e novo processo / De grandeza e produção. / Porém, no Brasi de Baxo / Sofre a feme e sofre o macho / A mais dura privação. / Brasi de cima festeja / Com orquestra e com banquete, / De uísque dréa e cerveja / Não tem quem conte os rodete. / Brasi de baxo, coitado! / Vê das casa despejado / Home, menino e muié / Sem achá onde mora / Proque não pode pagá / O dinhêro do alugué. / No Brasi de Cima anda / As trombeta em arto som / Ispaiando as propaganda / De tudo aquilo que é bom. / No Brasi de Baxo a fome / Matrata, fere e consome / Sem ninguém lhe defendê; / O desgraçado operaro / Ganha um pequeno salaro / Que não dá pra vivê. / Inquanto o Brasi de cima / Fala de transformação, / Industra, matéra-prima, / Descoberta e invenção, / No Brasi de Baxo isiste / O drama penoso e triste / Da negra necissidade; / É uma cousa sem jeito / E o povo não tem dereito / Nem de dizê a verdade. / No Brasi de Baxo eu vejo / Nas ponta das pobre rua / O descontente cortejo / De criança quage nua. / Vai um grupo de garoto / Faminto, doente e roto / Mode caçá o que comê / Onde os carro põem o lixo, / Como se eles fosse bicho / Sem direito de vivê. / Estas pequena pessoa, / Estes fio do abandono, / Que veve vagando à toa / Como objeto sem dono, / De manêra que horroriza, / Deitado pela marquiza, / Dromindo aqui e aculá / No mais penoso relaxo, / É deste Brasi de Baxo / A crasse dos marginá. / Meu Brasi de Baxo, amigo, / Pra onde é que você vai? / Nesta vida do mendigo / Que não tem mãe nem tem pai? / Não se afrija, nem se afobe, / O que com o tempo sobe, / O tempo mesmo derruba; / Tarvez ainda aconteça / Que o Brasi de Cima desça / E o Brasi de Baxo suba. / Sofre o povo privação / Mas não pode recramá, / Ispondo suas razão / Nas colunas do jorná. / Mas, tudo na vida passa, / Antes que a grande desgraça / Deste povo que padece / Se istenda, cresça e redobre, / O Brasi de Baxo sobe / E o Brasi de Cima desce. / Brasi de Baxo subindo, / Vai havê transformação / Para os que veve sentindo / Abandono e sujeição. / Se acaba a dura sentença / E a liberdade de imprensa / Vai sê lega e comum, / Em vez deste grande apuro, / Todos vão te no futuro / Um Brasi de cada um. / Brasi de paz e prazê, / De riqueza todo cheio, / Mas, que o dono do podê / Respeite o dereito aleio. / Um grande e rico país / Munto ditoso e feliz, / Um Brasi dos brasilêro, / Um Brasi de cada quá, / Um Brasi nacioná / Sem monopólo estrangêro. Poema extraído da obra Cante lá que eu canto cá: filosofia de um trovador nordestino (Vozes,1 984), do poeta popular, compositor, cantor e improvisador Antônio Gonçalves da Silva, mais famoso como Patativa do Assaré (1909-2002). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

BIOGRAFIA DO FABO & FECAMEPA
O brasileiro é só um CPFabo arrodeado de golpes por todos os lados!
Veja mais (é só clicar sobre os títulos):
Abundâncias fabísticas - quando um Fabo faz das suas, valham-me todos os santos, é uma tragédia: não prevê a descarga e, muito menos, a enrabada geral!!
Dicionário Tataritaritatá: o Pai dos Fabos Burros, apedeutas graduados e intelectuais de sovaco

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

Os livros Hímen de Mallarmé & Crepúsculo do Pênis & muito mais na Agenda aqui.
&
Os milagres de Alagoinhanduba, A história secreta de Donna Tartt, a dança de Ana Botafogo, a música de Toquinho, Rosa Passos, João Bosco & Paula Morelenbaum; a arte de Artemisia Gentileschi & a poesia de Edjane Leal Cruz aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

sábado, maio 13, 2017

ESCARAFUNCHANDO PERLS, JÚLIA DE STRINDBERG, SAUDEK, ENTRE BOATOS & CABUETAGENS!

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA QUEM ESTIVER LIVRE DE BOATO E CABUETAGEM! - Ontem mesmo o padre disse que o juiz falou que o prefeito viu que o promotor investigou que o pastor soube que o advogado defendeu o que ninguém sabe e a corda de guaiamum aumentava de ficar até findar nos arquivos da memória dos desmemoriados. E foi? No meio do disse-me-disse, fulano acrescentou que beltrano bateu o pé que sicrano não estava lá mas viu de longe o buruçu e a coisa empenour de ficar todo mundo escondido! Foi mesmo? Oxe, isso não é nada, tem muito mais na avalanche da presepada! Pronto, para semear a discórdia, onde há fumaça há fogo! A lei da boataria passa a viger pra validar a insegurança e o medo no reino dos sabidos, com todo mundo sabendo aonde a corda vai arrebentar, né? Ah, saber, sabe; só faz que não vê! Quanto mais remexido na caçarola dos coprólitos oficiais, mais a catinga da destampada boceta de Pandora traz nos ventos a fetidez de nossas autoridades atoladas até o pescoço enrolado pelo rabo preso às tramóias. Pronto, faz tempo que o circo pegou fogo e ninguém, mas ninguém mesmo, pelo jeito, vai sair ileso do chamuscado. Está na hora de se precaver, pois tudo vidro trincado na cara pro óleo de peroba. Não há reputação que se mantenha incólume, tudo maior desgraceira de farinha do mesmo saco misturado entre joio e trigo que, no frigir dos ovos, é mesmo só merda. Vai ver: bosta! Não adianta, quem posa de probo hoje, vira vilão amanhã, pode escrever – O Nosferatu Temeroso que o diga! Se antes valia o ditado caiu na rede é peixe, hoje é cagada a dar com pau. E viva o Fecamepa, todo mundo morrendo afogado no próprio cocô! Ainda anteontem disseram que viram, parece, o João Pistolão, meio dia em ponto, em sua possante camionete, ao ser saudado pelo Jutilinho na calçada, saudação de velhos amigos. Os pneus da gabaritada cantaram na freada, engatou marcha à ré cantando pneus de atropelar e passar por cima do rapaz. Todo mundo viu o rapaz acenar sorridente e, na mesma hora, viram o atropelamento e o sisudo descer da ineivada máquina, sacando o revólver e descarregando todinho, bala por bala, na vítima indefesa estendida no asfalto, depois cuspir o seu asco nas faces do desfalecido e sair como se nada tivesse acontecido, acelerando pras cantadas das rodas e novamente passar arrastando por cima do já assassinado atropelado e se mandar, sacando o celular e convocando a capangagem para cobrir o incidente. Todo mundo viu que quando a polícia chegou não tinha mais nem graça nenhuma, a multidão de gente arrodeando o falecido e as perguntas investigativas para apuração do crime e um cabueta do criminoso se adiantou logo alegando de pronto que o delinquente abatido queria assaltar o João Pistolão que reagiu e conseguiu superar o meliante em legítima defesa, foi ou não foi pessoal? Todos os presentes anuíram, unanimidade de todos balançando a cabeça afirmativamente e ficou o dito pelo não dito e veio a convocação policial do rol de testemunhas e ninguém viu, só estava passando, só soube agora da tentativa de assalto e o revide da vítima se defendendo, quando a família do trabalhador chega aos prantos a gritar por justiça e, no outro, o maior chororô e o protesto no enterro, ao mesmo tempo, depois de livrado o flagrante, Pistolão dava um banquete na sua suntuosa fazenda pros juízes das comarcas da redondeza, promotores de justiça, delegados regionais, prefeitos, deputados, governadores e outros abonados pela fortuna da região, num faustoso evento regado a uísque escocês e culinária grã-fina, no meio da exposição com desfile de gado e cavalo de pedigree e uma tarde de hipismo. Assim foi e quem não morreu ainda está vivo, seguindo à risca que quem vê faz que não viu; e quem não viu, não quer nem saber! Só naquela: livrandoo meu, o resto que se dane! Entre o houve isso e ouvi aquilo, trocentas maquinações pro engodo, tudo vira fofoca ou manchete pra burla geral. Como é que é? Ah, já passou, perdeu. Foi decretado desde não sei quando que se faz uma coisa dizendo ser outra, por não ser mais novidade nenhuma assim proceder por já fazer parte da promoção de marmelada, vai ver, é só embuste enredado, haja sofisma de denorex! A coisa está tão desmantelada que basta um ato virtuoso mínimo que seja, pra todo mundo ficar de queixo caído, como se o dever de cada um virasse extraordinário! Pudera, no país em que tudo é só fraude, ilegalidade e deixa pra lá, na velha mania de positivar tudo pro domínio geral das condutas, enquanto só se aplica a jurisprudência para garantir a chuva no molhado, não dá pra levar nada a sério, porque o juiz só decide pra onde for o menor prejuízo, e o gestor público não faz porque resguarda a cláusula da reserva do possível, e pode espernear, invocar pelos céus e inferno, está longe uma Nação de verdade, que o diga o dia que país quis ser levado a sério aqui. Até parece. Enquanto isso, nas filas dos postos de saúde, previdência, bancos e órgãos públicos, idosos, enfermos e convalescentes são vítimas da violência institucional, tratados aos esporros, como se desmentisse a propagada na tevê anunciando as realizações de bem-estar para todos, mostrando o rabinho da mentira mais deslavada; nas periferias os estornados se penduram como podem na beira dos morros e da sociedade, sem contar nada além de sua própria sorte, submetidos a todo tipo de facção criminosa a serviço dos ricaços e a ditar as leis e condutas nas quebradas, ou segue calado, direitinho, ou deixe as medidas aqui pro caixão e missa de sétimo dia; nos supermercados e lojas a remarcação e os preços iguaizinhos entre os concorrentes nas festeiras gôndolas e vitrines, com as disfarçadas promoções que mascaram o desgoverno inflacionário das tramóias políticas e outros teréns de truques por baixo dos panos e das poeiras elevadas; e a todo instante empreendimentos diversos cerram as portas em nome da sonegação e da lavagem de dinheiro escuso, desempregado aqueles que se encontravam agarrados aos subempregos da contravenção legalizada, aumentando o exército de reserva que se venda a troco de banana podre, de não valer tostão furado qualquer profissão e dignidade, porque, afinal, se o Fecamepa tá valendo os olhos da cara, também é certo que vai dar o maior Big Bode! Quem tiver colhão grande que aguente o saco encher de esborrar melando tudo outra vez. E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui.

ESCARAFUNCHANDO PERLS
[...]. Venha, faça os discursos que quiser. Você fala de si, e não do mundo. Pois há espelhos no lugar da luz e do brilho das janelas. Você vê a si mesmo, e não a nós. Só projeções, livre-se delas. Self mais pobre, recupere aquilo que é apenas seu, torne-se essa projeção, entre nela bem a fundo. O papel dos outros é o seu. Venha, recupere e cresça mais. Assimile o que você negou. Se você odeia algo que existe, isso é você, embora seja triste. Pois você é eu e eu sou você. Você odeia em si mesmo aquilo que você despreza. Você odeia a si mesmo e pensa que odeia a mim. Projeções são a pior coisa. Acabam com você, o deixam cego, transformam montinhos em montanhas para justificar seu preconceito. Recupere os sentidos. Veja claro. Observe aquilo que é real, E não aquilo que você pensa.
Trecho extraído da obra Escarafunchando Fritz: dentro e fora da lata do lixo (Summus, 1979), do psicólogo, psicoterapeita e psiquiatra alemão Friederich Salomon Perls (1893-1970). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Em mim a vida & o estouro dos confins de tudo, Corpus Hermeticum de Hermes Trismegistus, Ísis sem véus de Helena Blavatsky, O jardineiro do amor de Rabindranath Tagore, a música de Kitaro, a arte de Ewa Kienko Gawlik, a fotografia de Jovana Rikalo & Tataritaritatá no Encontro dos Palmarenses aqui.

E mais:
E num é que a Vera toda-tuda virou a bruxa das pancs na boca do povo, Iluminações de Walter Benjamin, Os bruzundangas de Lima Barreto, Marxismo & literatura de Cliff Slaughter, a música de Guiomar Novaes, a pintura de Pedro Sanz & Sara Vieira, a arte de Paolo Serpieri & Tataritaritatá na Gazeta de Alagoas aqui.
Vamos aprumar a conversa: responsabilidade dos pais & da família, O amor e o ocidente de Denis de Rougemont, As recordações de Isaías Caminhas de Lima Barreto, a música de Stevie Wonder, a poesia de Murilo Mendes & Raimundo Correia, o teatro de Friedrich Schiller, o cinema de Nelson Pereira dos Santos, a coreografia de Martha Graham & a pintura de Georges Braque aqui.
Vamos aprumar a conversa, O homem, a mulher & a natureza de Allan Watts, Amar, verbo intransitivo de Mário de Andrade, a poesia de Pedro Kilkerry & Augusto de Campos, Amor de novo de Doris Lessing, a música de Christoph Willibald Gluck, o teatro de Machado de Assis, Eurídice, o cinema de Walter Hugo Khouri & Vera Fischer, a escultura de Joseph Edgar Boehm, a pintura de Jean-Baptiste Camille Corot & a arte de Patrick Nicholas aqui.
A responsabilidade do agente político, excesso de poder & desvio de finalidade aqui.
As trelas do Doro: olha a cheufra aqui.
Fecamepa: quando embola bosta, o empenado não tem como ter jeito aqui.
A vida dupla de Carolyne & sua cheba beiçuda, Psicologia da arte de Lev Vygotsky, a poesia de William Butler Yeats, a música de Leonard Cohen, a pintura de Boleslaw von Szankowski & Raphael Sanzio, o cinema de Paolo Sorrentino & World Erotic Art Museum (WEAM) aqui.
Divagando na bicicleta, Dulce Veiga de Caio Fernando Abreu, Os elementos de Euclides de Alexandria, O teatro e seu espaço de Peter Brook, a música de Billie Myers, a fotografia de Alberto Henschel, a pintura de Jörg Immendorff & Oda Jaune aqui.
A conversa das plantas, a poesia de Cruz e Sousa, Memória das Guerras do Brasil de Duarte Coelho, Arquimedes de Siracusa, a música de Natalie Imbruglia, Orientação Sexual, a arte de Hugo Pratt & Tom 14 aqui.
Leitoras de James leituras de Joyce, a literatura & a música de James Joyce, Ilustrações de Henri Matisse, a fotografia de Humberto Finatti & a arte de Wayne Thiebaud aqui.
Incipit vita nuova, A divina comédia de Dante Alighieri, Raízes árabes no sertão nordestino de Luís Soler, a música de Galina Ustvolskaya, a pintura de Paul Sieffert, Ilustrações de Gustave Doré, a arte de Jack Vetriano & Luciah Lopez aqui.
E se nada acontecesse, nada valeria..., Agá de Hermilo Borba Filho, Fábulas de Leonardo da Vinci, As glândulas endócrinas de M. W. Kapp, a música de Tomoko Mukaiyama, Compassos Cia de Danças, a pintura de Bruno Di Maio & Madalena Tavares, a arte de Eric Gill & a xilogravura de Perron aqui.
Manoel Bentevi, Sinhô, Marshal McLuhan, Andrea Camileri, Marcelo Pereira, Mario Martone, Giulia Gam, Anna Bonaiuto Fecamepa – quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério! & Parafilias aqui.
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JÚLIA DE STRINDBERG
[...] JÚLIA – Estamos aqui perdendo tempo, falando de sonhos. Vamos, nem que seja até o parque. (Segura o braço de Jean e encaminha-se para a porta.) JEAN – Quem dormir sobre nove flores de verão, hoje, terá seus sonhos realizados, senhorita. (Viram-se perto da porta. Jean tem a mão sobre um olho.) JULIA – Há alguma coisa em seu olho? Deixe-me ver. JEAN – Oh, não é nada. Apenas um cisco. Passará num instante. JÚLIA – Com certeza eu o rocei com minha manga. Sente-se para eu ver. (Segura-o pelo braço, fazendo-o sentar, curva sua cabeça para trás e tenta afastar o cisco com o a ponta do lenço.) Agora fique quieto, bem quietinho. (Dá um tapa na mão de Jean.) Faça o que estou dizendo. Ora, parece que você está tremendo... Um homem tão grande e forte... (Sente seus bíceps.) Quê músculos! JEAN – (Prevenindo.) Srta. Júlia! JULIA – Oui, monsieur Jean? JEAN – Attention. Je ne suis qu´un homme. JULIA – Quer fazer o favor de ficar quieto? Pronto. Saiu. Beije minha mão e agradeça. JEAN – (Erguendo-se) Ouça, por favor, srta. Julia. Cristina foi deitar-se. Vai ouvir agora? JULIA – Beije minha mão primeiro. JEAN – Muito bem. Mas a culpa será sua. JÚLIA – De quê? JEAN – De quê?! Aos vinte e cinco anos a senhorita ainda é uma criança? Não sabe que é perigoso brincar com fogo? JULIA – Não para mim. Tenho seguro. JEAN – (Explícito.) Não, não tem. E mesmo que tivesse, não estaria livre de provocar uma combustão. JULIA – Refere-se a si mesmo? JEAN – Sim. Não é porque eu seja quem sou, mas porque sou um homem, um jovem, sou... JULIA – Atraente? Mas que presunção! Tal vez um Dom Juan? Ou um Casanova? Meu Deus, acho que você é mesmo um Casanova. JEAN – Acha mesmo? JULIA – Temo que sim. (Audaciosamente, Jean tenta abraçá-la e beijá-la. Ela o esbofeteia.) Tenha modos! JEAN – Verdade ou brincadeira? JULIA – Verdade. JEAN – Então o que aconteceu antes foi verdade também. A Senhorita brinca seriamente e isto é perigoso. De qualquer forma, estou cansado de brincar e peço licença para voltar a meu trabalho. O Conde vai precisar de suas botas e já passa da meia-noite. JULIA – Deixe-as onde estão. JEAN – Não. Este é o meu trabalho e eu tenho obrigação de fazê-lo. Mas nunca aceitei o serviço de ser seu companheiro de brinquedo e jamais o aceitarei. Acho que sou bom demais pra isso. JULIA – Você é orgulhoso. JEAN – Em certas coisas. Nem todas. JULIA – Você já esteve apaixonado? [...].
Trecho da tragédia Senhorita Júlia (1888- Brasiliense, 1968), do dramaturgo, escritor e ensaísta sueco August Strindberg (1849-1912), contando sobre a breve relação entre a jovem Júlia e o serviçal Jean, numa noite de verão, envolvendo amor, batalha dos sexos e classes sociais. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, desenhista e fotógrafo tcheco Jan Saudek.
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 

terça-feira, dezembro 23, 2014

MARJANE SATRAPI, PIZARNIK, SARTRE & ZHANG RUOXU

 


UMA CANÇÃO PARA ALEJANDRA... – Alejandra era também Flora, uma bela taurina, poeta até o útero. A infância difícil de Bluma em Buenos Aires com seus pais imigrantes ucraniano-judeus: a irmã mais velha e a família estrangeira firmaram suas dores desde já. A sombra do nazismo e da segunda guerra obscurecia a sua infância com os temores dos pais. Os problemas com acne, asma, tartamudez, autopercepção física e a tendência ao sobrepeso prejudicavam sua autoestima com uma angústia perene. Descobriu a sexualidade para ser ora ousada e sensual, ora tímida e silenciosa. Tornou-se diferente: um caráter caótico e instável, rechaçava o apelido rompendo os laços familiares: abandonava a mãe e tudo que a lembrasse de Flora, Bluma, Blímele, envolvendo-se com filosofia, literatura e artes plásticas, aficionada pela poesia maldita. Tornava-se rebelde, excêntrica, subversiva – uma garota estranha na dependência de anfetaminas abundantes em seu armário. Anticonvencional dedicou-se ao existencialismo e se destacava triunfante com seus próprios escritos. A leitora agora escrevia a infância perdida e a morte: O temor ao futuro me prevê sigilosamente: o que será de mim?... Adotou o seu diário e nele o desapontamento materno e o protetorado de Bajarlía nos seus estudos, a personagem se assumindo órfã, estrangeira, onírica com toda atração pelo fim. Vieram então as sessões de terapia para salvar a autoestima da ansiedade e depressão. Foi para Paris, o refúgio na casa de familiares e lá expôs suas pinturas e desenhos, escreveu seus poemas e teve ocultada a sua sexualidade. Fantasiou casar-se com um outro poeta e não era: ele morria num acidente aéreo e os versos de Memoria. Publicou poemas, críticas literárias e traduziu Artaud, Michaux, Césaire e Bonnefoy. Dedicou-se aos estudos das religiões e escreveu no diário: – Sim, estou grávida. De repente, surge a ideia de não reagir com medo e chorar. Faça o que precisa ser feito com extrema confiança e lucidez. Esta é uma nova armadilha... E seu desgaste emocional e a frustração, a reclusão progressiva e a primeira tentativa de suicídio. Regressou à terra natal e publicou três dos seus mais importantes livros. O seu pai faleceu de um infarto: A morte do meu pai tornou minha morte mais real... Sumia a sua alegria nômade. Mudou-se com a namorada fotógrafa e ampliou a dependência de medicamentos. A sua poesia intensa se expressava como um diário hermético, escrita íntima, lúdica, visionária, poemários líricos. Vieram os prêmios de Guggenheim e da Fullbright, a sua voz no Escrito con un Nictógrafo de Carrera. Era ela com as perguntas recorrentes - do que seria culpada, por que o sofrimento eterno, o que a fez merecer tantos golpes duros e ruins: Temo que meus desejos de escrever não sejam mais do que meios para alcançar o fim desejado de sucesso, glória, fé em mim. Também podem ser desculpas, já que não estudo “a sério”, já que não vivo “a sério”. Pode ser também que, dada minha escassa facilidade de expressão oral, eu recorra ao papel para não me engasgar, para cuspir o fogo das minhas angústias... As crises depressivas e as tentativas de suicídio: Lá fora há sol / Eu me visto de cinzas... Internada não havia diagnóstico claro de sua doença mental, dois dos psicanalistas morreram e, o que restou, negou-se a tal. Apenas suas últimas palavras no meio de uma overdose de Seconal: Se não escrevo poemas não aceito viver... Veja mais abaixo e mais aqui e aqui.

 


DITOS & DESDITOS - A melancolia é, creio eu, um problema musical: uma dissonância, uma mudança de ritmo. Enquanto por fora tudo acontece com o ritmo vertiginoso de uma catarata, por dentro é o adágio exausto de gotas d'água caindo de vez em quando cansada. Por esta razão, o exterior, visto do melancólico interior, parece absurdo e irreal e constitui “a farsa que todos devemos representar”. Mas por um instante – por causa de uma música selvagem, ou de uma droga, ou do ato sexual levado ao seu clímax – o ritmo muito lento da alma melancólica não se eleva apenas ao do mundo exterior: ele o domina com um ritmo inefavelmente feliz. exorbitante, e a alma então vibra animada por novas energias delirantes... Porque ninguém tem mais sede de terra, de sangue e de sexualidade feroz do que as criaturas que habitam os espelhos frios... Pensamento da escritora argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972). Do seu livro Diarios (Lumen, 2013), o trecho: [...] Como é fácil calar-me, ser sereno e objetivo com aqueles que não me interessam verdadeiramente, a cujo amor ou amizade não aspiro. Então sou calma, cautelosa e perfeita dona de mim mesma. Mas com os poucos seres que me interessam... Aí fica a pergunta absurda: sou uma convulsão, um grito, um uivo de sangue. [...] Já das suas Obras completas (2000): [...] Nua. Fadiga do corpo transparente como uma árvore de vidro. Perto de você você ouve o rumor brutal de um desejo inextricável. Noite cegamente minha. Você está mais longe do que eu. Horror de verificar você nos gritos do meu poema. Seu nome é a doença das coisas à meia-noite. Eles me prometeram um silêncio. Seu rosto está mais perto de mim do que o meu. Memória fantasma. Como eu adoraria te matar... [...]. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALGUÉM FALOU: Não importa aquilo que fizeram de você, importa, sim, aquilo que você faz daquilo que fizeram de ti... Pensamento do filósofo, escritor e crítico francês Jean-Paul Sartre (1905-1980). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

BORDADOS – [...] Falar pelas costas dos outros é o ventilador do coração. [...] Ser amante de um homem casado é ter o melhor papel. Você percebe? A camisa suja, a cueca nojenta, o passar roupa diário, o mau hálito, as crises de hemorróidas, a agitação, sem falar no mau humor e nas birras. Bem, tudo isso é para sua esposa. Quando um homem casado procura sua amante... ele está sempre branqueado e passado, seus dentes brilham, seu hálito é como perfume, ele está de bom humor, é cheio de conversa, está ali para se divertir com você. [...] Ninguém nasce corajoso, torna-se corajoso. [...] O amor é o oposto do bom senso [...] O orgulho dos homens está situado no escroto. [...]. Trechos extraídos da obra Embroideries (Pantheon, 2003), da escritora, quadrinista, ilustradora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

DOIS POEMASRESPONDENDO AO SONHO DE UMA NAMORADA - É cedo para passar pelo portão, então não desvie o olhar da torre. \ Experimente as roupas quentes e abra o espelho para ver a luz da primavera. \ As andorinhas espiam pela cortina e as abelhas vêm pintar as roupas. \ O amor impulsiona as flores de pêssego e ameixa, e o coração é enviado para a orquestra voar. \ A maquiagem sai e nos tratamos pela manhã, mas o vento e as flores nunca mais voltam. \ Onde quer que a alma onírica entre, o silêncio cobre a porta. UMA NOITE DE LUAR NO RIO - Na primavera o rio sobe tão alto quanto o mar, \ E com o nascer do rio a lua surge brilhante. \ Ela segue as ondas ondulantes por dez mil li, \ E onde o rio corre, ali transborda sua luz. \ O rio serpenteia ao redor da ilhota perfumada onde \ todas as flores desabrochando à sua luz parecem neve. \ Você não pode distinguir seus raios da geada no ar, \ Nem da areia branca da praia Farewell abaixo. \ Nenhuma poeira manchou a água misturada com o céu; \ Uma roda solitária como a lua brilha por toda parte. \ Quem à beira do rio viu pela primeira vez a lua surgir? \ Quando a lua viu pela primeira vez um homem à beira do rio? \ Ah, gerações vieram e desapareceram; \ De ano para ano as luas se parecem, velhas e novas. \ Não sabemos esta noite por quem ela lança seu raio, \ Mas ouça o rio dizer adeus à sua água. \ Longe, longe está navegando uma única nuvem branca; \ Em Farewell Beach, os pinheiros ficam verdes. \ Onde está o andarilho navegando em seu barco esta noite? \ Quem, definhando, nos trilhos iluminados pela lua aprenderia? \ Infelizmente! A lua paira sobre a torre; \ Deveria ter visto a penteadeira da feira.\ Ela levanta a cortina e a luz entra em seu caramanchão; \ Ela lava, mas não consegue lavar os raios da lua ali. \ Ela vê a lua, mas seu amado está fora de vista; \ Ela o seguiria para brilhar no rosto de seu amado. \ Mas os cisnes portadores de mensagens não podem voar para fora do luar, \ nem os peixes que enviam cartas podem saltar do seu lugar. \ Ontem à noite ele sonhou que as flores que caíam não permaneceriam. \ Infelizmente! Ele não pode ir para casa, embora metade da primavera já tenha passado. \ A fonte de água corrente desaparecerá; \ A lua que declina sobre o lago irá afundar em breve. \ A lua em declínio afunda-se numa névoa pesada; \ É um longo caminho entre os rios do sul e os mares do leste. \ Quantos podem voltar para casa ao luar e sentir falta? \ A lua minguante derrama anseio sobre as árvores ribeirinhas. Poema do poeta chinês do início da dinastia Tang, Zhang Ruoxu, que é mais conhecido por “A Moonlit Night on the Spring River” (Chun Jiang Hua Yue Ye), um dos poemas Tang mais exclusivos e influentes, que inspirou inúmeras obras de arte posteriores. O poema na primeira parte descreve o cenário do rio Yangtze iluminado pela lua na primavera; a segunda e a terceira lamentam a efemeridade da vida, bem como a tristeza dos viajantes e dos entes queridos que deixam para trás, marcando uma ruptura estilística com a poesia das Seis Dinastias anteriores e antecipa o conteúdo e o estilo da poesia High Tang, tornando-se “o poema de todos os poemas, o cume de todos os cumes”.

 

OUTRAS SACADAS

 

OS DRAGÕES DO ÉDEN – A obra Os dragões do Éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana, de Carl Sagan, trata sobre o calendário cósmico XXIII, os genes e os cérebros, o cérebro e a carroça, a metáfora do éden, a evolução do homem, as abstrações das fe4ras, os contos do éden sombrio, os amantes e os loucos, a futura evolução do cérebro equipotente, afeto, informação extragenética e extra-somática, cérebro trino, neocórtex, alexia, primatas, craniotomia, filogenia e ontogenia, anaglifo, seleção natural, bits, sinapses, sistema de liberação, entre outros importantes assuntos.  REFERÊNCIAS: SAGAN, Carl. Os dragões do Éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980. Veja mais aquiaquiaqui.

VIDA E EDUCAÇÃO – A obra Vida e educação, de John Dewey aborda temas como educação como reconstrução da experiência, a escola, a criança e o programa escolar, os dissídios teóricos, elementos fundamentais do processo educativo, o mundo infantil, o mundo escolar, soluções diversas, disciplina contra interesse, necessidade de uma conciliação, importância do problema, interpretação e direito, exageros da velha e da nova educação, as matérias de estudo, a ideia de desenvolvimento, aspecto lógico e psicológico da experiência, os dois aspectos de toda matéria ou ciência, o esquecimento desse duplo aspecto, consequências, falso arranjo psicológico das lições, interesse e esforço, a atividade integrada, atividade dissociada, interesse e esforço, erro da teoria do esforço, arguição contra a teoria corrente do interesse, exame das teorias, integração entre esforço e interesse, interesses diretos e indiretos, aspecto ativo ou propulsivo, objetivo e emocional, direto ou imediato, indireto ou mediato, critério para julgar o interesse transferido, meios e fins, apelo a interesses adventícios, relação da matéria com a atividade infantil, esforço, atividade mental e motivação, tipos de interesse educativo, papel do interesse na teoria da educação, entre outros assuntos. REFERÊNCIAS: DEWEY, John. Vida e educação. São Paulo: Melhoramentos, 1973. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A GESTALT TERAPIA – A obra Gestalt terapia explicada, do psicoterapeuta e psiquiatra Fritz Perls (1893-1970) propõe o conceito de que o desenvolvimento psicológico e biológico de um organismo se processa de acordo com as tendências inatas desse organismo, que tentam adaptá-lo harmoniosamente ao ambiente. Com essa obra, o autor critica a psicanálise com base em pesquisas sobre percepção e motivação. Nesse livro Perls lança uma importante discordância teórica com relação à psicanálise: a ideia de que a base da agressão e do sadismo está na fase oral e não na fase anal do desenvolvimento infantil. A obra trata ds fundamentos da gestalt terapia, o reconhecimento da conduta, o trabalho do terapeuta, percepções e descobrimentos, evasão, ansiedade, percepção, vazio, frustração, paralização e maneiras de seguir adiante, divisões e polaridades, projeções, a voz, os sonhos, a autoregulação organísmica, a realidade do aqui e agora, o organismo como totalidade, a unidade organismo/meio, a dominância da necessidade emergente e uma reflexão sobre o conceito de agressão, que é entendida como uma força biológica importante para o crescimento, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: PERLS, Fritz. Gestalt terapia explicada. São Paulo: Summus, 1976. Veja mais aqui, aqui,  aqui e aqui.

CÉREBRO E COMPUTADORES – A obra Cérebros e computadores: a complementaridade analógic0-digital na informática e na educação, de Robinson Moreira Tenório, aborda temas como gênese da relação analógico-digital, noção de analogia, opostos em informática, dispositivos analógicos e digitais, calculo analógico e digital, conversão analógico-digital, a tensão, comunicação, codificação, informação, modelos, imagens, cognição, computadores, redes neurais, analogia, simulação, diagramas e gráficos, entre outros assuntos. REFERÊNCIA: TENÓRIO, Robinson Moreira. Cérebros e computadores: a complementaridade analógic0-digital na informática e na educação. São Paulo: Escrituras, 2011. Veja mais aqui.

PROGRAMA TATARITARITATÁ – O programa Tataritaritatá que vai ao ar todas terças, a partir das 21 (horário de Brasilia), é comandado pela poeta e radialista Meimei Corrêa na Rádio Cidade, em Minas Gerais. Confira a programação desta terça aquiTALENTOS PERNAMBUCANOS, ALAGOANOS E MINEIROS FAZEM A FESTA DE NATAL  - Logo mais, a partir das 21hs, acontecerá mais uma edição do programa Tataritaritatá Especial de Natal e comemorando os mais de 418 mil acessos do blog, apresentação da querida Meimei Corrêa e com as seguintes atrações na programação: Wagner Tiso, Simone, Yes, Milton Nascimento, Roupa Nova, Carlos Moura, Tunai, Tavito, Petrúcio Amorim, Sônia Mello, Ricardo Machado, Zé Linaldo, Millane Hora, Júlio Uçá, Luiz Wanderley, Wilson Monteiro, Ádila Becker, Paulynho Duarte, Mazinho, Marquinhos Cabral, Ozi dos Palmares, Tony Câmara, João Albrecht, Wilson Miranda & muito mais! Veja mais aqui.

SERVIÇO:
O que? Programa Tataritaritatá Especial de Natal
Quando? Hoje, terça, 23 de dezembro, a partir das 21hs
Onde? No MCLAM 
Apresentação: Meimei Corrêa



INTERVENÇÕES URBANAS NO CALÇADÃO DE TRÊS CORAÇÕES - Nesta terça-feira, 23 de dezembro, a partir das 17hs, Paulo César de Barros, Banda Decibéis, Gustavo Valin, Odair Lemes, a banda pop-rock Sapato Mudo e muitos outros poetas e grupos musicais, estarão no Calçadão 18, em Três Corações (MG), em grande festa para a população com seus talentos. Imperdível!  (Inf. Meimei Corrêa),


NUNCA COMPRE PRODUTOS CCE – Quem avisa amigo é: Cuidado Com o Engodo! Vem aí o segundo capítulo da novela Nunca compre produtos CCE e saiba tudo o que um consumidor não deve passar com o descaso de empresas que não respeitam o cidadão! A novela está longe de terminar. Nesse capítulo você saberá que moro numa rua que não existe (Vôte, será que eu existo mesmo ou to que nem Garabombo, o invisível?). Também: não coloque a bolinha de palhaço no nariz toda vez que lhe derem um código de postagem inválido. Procon e Justiça, armado de Código de Defesa do Consumidor, podem não funcionar na hora, mas servem pra você cobrar seus direitos. E muito mais, você não perde por esperar. Confira o primeiro capítulo aqui


EDUCAÇÃO DAS NOSSAS CRIANÇAS – O artigo 205 da Constituição Federal vigente, determina que: “Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Essa previsão constitucional foi regulamentada com a edição da Lei 9394/96, definindo como deve ser desenvolvida a educação no Brasil. Afinal, o Estado cumpre a sua parte? E a escola e os pais? Se a gente apertar direitinho veremos que ninguém faz sua parte, razão pela qual a educação é essa tragédia (tanto na rede pública, como na rede privada que só se diferencia da outra pela limpeza e disciplina, mas a tragédia é a mesma). O que fazer? Faço uso das instruções sugeridas pela Universidade Rose-Croix Internacional (URCI): “A condição primordial em matéria de educação consiste em darmos aos nossos filhos o exemplo de comportamento que desejamos inculcar neles. Com efeito, nós somos o referencial cotidiano deles. Assim sendo, como esperar que eles sejam pontuais, ordeiros, corteses, prestativos, tolerantes, etc., se nós mesmos não o somos? Naturalmente, ninguém é perfeito e o papel do educador é difícil, mas devemos nos esforçar em ser o mais fiéis possíveis ao nosso ideal de educação [...] Lembremo-nos sempre de que nosso dever de adultos é o de educá-los no sentido de elevar sua consciência aos ideais espirituais e humanistas [...]”. Veja mais educação aqui.



O NOVO PARADIGMA CIENTÍFICO – Estudando sobre o paradigma holístico, deparei-me com o artigo O novo paradigma científico: a experiência da fenda dupla – fundamento da mecânica quântica, de Robert Bouleau, trata da afirmação de que estamos interconectados, considerando aquilo que percebemos, a teoria das cordas como o Santo Graal da física moderna, a partícula de Deus como origem de tudo, a mensagem da água como o poder do espírito sobre a matéria, assinalando pra gente que: “A mecânica quântica é a teoria física e matemática que descreve a estrutura e a evolução no tempo e no espaço dos fenômenos físicos em escala das partículas que constituem o átomo [...] que partículas estejam conectadas entre si de um extremo a outro do universo (teoria das cordas) revela a não-dualidade do mundo. [...] que os valores platônicos da protoconsciência, a bondade e a verdade, existem num nível fundamental da geometria espaço-tempo e influenciam nossas ações. Se estivermos abertos a este processo, esta influência nos conectará exaustivamente com o restante dos seres do universo [...] estamos todos conectados. [...] A teoria das cordas vibrantes reúne todas as equações numa só e demonstra dessa forma a interconectividade de tudo no universo”. Veja mais aqui e aqui.


Veja mais sobre:
Aventureiros do Una, Maurice Merleau-Ponty, Carlos Heitor Cony, Castro Alves & Eugênia Câmara, Sergei Rachmaninoff & Yara Bernette, Amália Rodrigues, Jules Joseph Lefebvre, Wolfgang Petersen & Diane Kruger aqui.

E mais:
Autoestima aqui.
O pensamento de Karl Marx aqui, aqui e aqui.
Meu ensino de Jacques Lacan & Disco Friends aqui.
Quadrinhos, a nona arte aqui.
Os catecismos de Zéfiro & O Rol da Paixão aqui e aqui.
O pensamento de Parmênides de Eléia aqui.
O eleatas & Xenófanes de Colofão aqui.
Heráclito de Êfeso aqui.
Husserl & a fenomenologia aqui.
O pensamento de Pitágoras aqui.
O período naturalista do pensamento grego: Os Jônios & Anaxímenes aqui.
O pensamento jônico de Anaximandro aqui.
O pensamento de Benedetto Croce aqui.
O pensamento de Tales de Mileto aqui.
O Budismo aqui.
A pirâmide alimentar aqui.
Dos temores da infância aos arroubos juvenis, Estrella Bohadana, Nuno Ramos, Mariana Aydar & Leonid Afremov aqui.
O verbo no coração do silêncio, Ástor Piazzolla & Eduardo Isaac, Steve Hanks, Wassily Kandinsky & Eliane Potiguara aqui.
Pra quem só vê superfície, todo rio é sempre raso, Zygmunt Bauman, Maria Azova, Anna Ewa Miarczynska & Júlio Pomar aqui.
A vida solta no calor do coração, Teodora Dimitrova, Carlos Baez Barrueto, Claudia Rogge & Robert Delaunay aqui.
Os véus dos céus & o prazer do amor, Djavan, Luciah Lopez, Christine Jeffs & Kirsty Gunn aqui.
Escândalo do coroinha, Ferdinand Hodler, Aldine Müller, Helena Ramos & Zaira Bueno aqui.
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