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quinta-feira, outubro 24, 2019

ELFRIEDE JELINEK, ALEXANDRA DAVID-NÉEL, FERNANDO ROSA & MAMULENGOS DE HERALDO LINS


SE NÃO FOR DE PERNAS PRO AR, ESTÁ DE CABEÇA PARA BAIXO OU TANTO FAZ – UMA: COMO NASCEU O FABO? – Assim: era uma vez uma tribo, a dos Teaca – que significava “mato verde do calango bom”. Isso para lá de mil e não sei quanto, nem sei onde direito. Vivia por aí entre mata e rio, à beira de morros e litoral. Um dia lá, avistou-se um troço que vinha lá longe, entre o céu e o mar. Que droga é nove? Vem boiando no parati. Aboticou: não era só um, mas dois; não, três, na verdade. Aquilo vinha, chegou e desceu um barbudo, catingoso, cara pálida: o peró. Deu com o nativo: Ei! O aborígene caiu morto só com o bafo. Ao segundo bugre que apareceu, deu-lhe a mão: o autóctone sucumbiu sem vida ao mínimo contato. O terceiro selvagem, ah, uma índia nua, fogosa e aos risinhos. Lindeza, pá! Ajeitou-se, tangeu, bandeou e regalou-se; e ela aguentou submissa a catinga e o fungado no cangote. Ui, que negocinho bom! Emprenhou-la enquanto preava. Nasceu o primeiro Fabo: o mameluco. O curumim crescia entre ouitê e cunhatãs, ê – ê, e o estranho aos desmandos no cangote da indiada esmarrida e dizimada. Tempo passava, o giracá da infância tornou-se um jovem uidadera que encarou o invasor caraiué: Ovuei! O peró nem aí, fazia que não era com ele. Pai! Ô pai! Ah, bastardo, você não é porque meus filhos estão na metrópole! E deu-lhe as costas. E ele insistiu: Pai, o que faço? Curiboca, desgraçado, mate o índio! E com fúria, o Fabo dizimou a todos. Serviço feito, encarou: Pai, matei o índio! Não sou seu pai, já disse, e vá se foder para lá. Mas pai! Rejeitado, procurou parentes e sobreviventes: todos mortos do seu sangue. Vagou sozinho mata adentro, até encontrar outro mestiço, depois outro e uma outra, com ela e outros construíram a civilização alagoinhandubense. DUAS: E AS FABAS? O PAPO DELAS UM SÉCULO DEPOIS – Mulher, eu não te conto! O que foi? Lembra daquela fulana assim assado cruz credo lalari larará, que a gente viu na grota naquele dia da festa? Ah, sim, lembro. Num te conto! Conta logo, vai! Ela viu passarinho verde! Meeeesmo! Verdíssimo! E quem é o varapau bengaludo? Ah, praquela tem que ser disso pra lá! É sim, mas quem é o tal? Não vi, não sei, só me disseram. E deu certo? Ah, me contaram que ela está pra cima e pra baixo com epifá e simpatias para segurar o macho! Ih! Também um trubufu daqueles, quer o quê? Seja quem for, certo ou não, desencalhou. Que coisa, né? Sortuda, a bicha. É. Eu, hem? TRÊS: A FARRA DOS FABOS – O DISPARATE DA MUNDIÇADA: Todos nós somos Fabos, táoquei, porra! E não tem essa só de Papo de Fabo! A gente é quem faz e manda, caga raio e deixa como está e bem quiser, coisominion e chega de blábláblá! Não tem rem-rem-rem, rá-rá-rá nem como é que é! Esse bregueço de filho de Caim é a mãe, porra! Afinal, água ruim, peixe pior! A canalhada dos contra é que vão se ver, com a gente é naquela do que é meu é meu, o que é teu é teu, Deus por cima e o resto por fora! E que se dane! O que é, é; o que não é, nunca será. E com a gente é: Tudo certo, Fabo! E viva o Fecamepa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A paixão pelas viagens, o tipo de obrigação religiosa que elas constituem para mim me levariam a aproveitar a menor oportunidade de aventura exótica. [...] Quantas viagens fiz através de mundos diferentes! E apesar disso, como sou parisiense, pensei sorrindo... Um sorriso consternado, mais triste do que um soluço... [...] Será que existe algo mais fascinante do que duas vias férreas que se estendem até o horizonte! que uma estrada que vai, que vai... [...] São meus sonhos de menininha selvagem que vivo hoje... todas as belas imagens dos livros de Jules Verne. [...]. Trechos extraídos da obra A lâmpada da sabedoria (Rocher, 2006), da escritora e exploradora francesa Alexandra David-Néel (1868-1969). Veja mais aqui.

O MAMULENGO DE HERALDO LINS
Eu queria muito trabalhar com teatro. Tentei fazer teatro de palco com gente, mas é complicado demais. As pessoas nem sempre tem o compromisso, a responsabilidade com o teatro e com a plateia. Me frustrei com o teatro de palco por isso. Desfiz a sociedade com o meu amigo porque ele chegava bêbado para trabalhar, esquecia o texto, sua voz ficava prejudicada por causa da bebida. Isso comprometia a qualidade do show e eu queria fazer um teatro de mamulengos profissional, queria sair do amadorismo. Quando eu comecei a trabalhar com os bonecos percebi que eles me obedeciam, eu tinha o controle da situação. Eu podia ser o diretor de um teatro cujos atores são bonecos que eu posso manipular. A qualidade do espetáculo depende de mim, o compromisso com a plateia, o cumprimento de horários e contratos também são de minha responsabilidade. Trabalhando sozinho na apresentação fiquei livre do estresse de ter que contar com o outro, que nem sempre corresponde ao que eu espero dele, entende? [...] Quando comecei com o teatro de bonecos, o show tinha uma duração de uma hora e vinte minutos. [...] Dois anos depois, já com o afastamento do teatro, refiz os bonecos e até hoje permaneço fazendo shows. [...].
MAMULENGO DE HERALDO LINS – Trechos extraídos da obra Show de Mamulengos de Heraldo Lins: construções e transformações de um espetáculo na cultura popular (EdUFRN, 2014), da professora e antropóloga Zildalte Ramos de Macêdo, sobre a arte do mamulengueiro Heraldo Lins. Veja mais aqui.

A ARTE DE FERNANDO ROSA
A arte do artista visual e fotógrafo Fernando Rosa. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
As regras da arte não existem, porque o que faz da arte arte é o fato de ela não obedecer a nenhuma regra.
A obra da novelista e autora de peças teatrais austríaca e Prêmio Nobel de Literatura de 2004, Elfriede Jelinek
Veja mais aquiaqui.


segunda-feira, julho 09, 2018

PATATIVA DO ASSARÉ, PERLS, MERCEDES SOSA, VIANINHA, KA-LAO-YEH, BIOGRAFIA DO FABO & FECAMEPA


TUDO CERTO, FABO! - Pra Fabo que se preze está tudo bem, tudo certo. Não passa em branco pelas quatro festas do ano: carnaval, maior folião, bronca pra lá, da sexta de Zé-Pereira emendada até só depois do meio dia da quarta-feira de cinzas, aí é que encara – pra ele, o Reino do Momo deveria ser a semana toda, aliás, o mês de fevereiro completo, ora. No São João, de primeiro de junho, passando por SantAntonho, até o final do mês de SumPedinho, maior rastapé – pensar na vida, pra quê? Simbora. No Natal obra caridade e faz cara feia, Deus é brasileiro; e no Ano Novo, pula onda, faz promessa, projeto de vida, simpatia pra enricar e seja lá o que Deus quiser! Isso sem contar que é festa pra todo final de semana: boca de ponche pega arrego até em festa infantil. Durante a semana, da segunda de ressaca começa a dar seus pulos pra chegar na sexta de pé na goela, vôte! Se não deu, parte pra outra, promove maus rótulos: uma boquinha aqui, um ajeitado ali, tudo na base da cama de gato e toque de arrodeio. Completamente imoderado, manguinhas de fora: dá-se uma mão, quer levar logo os pés. Farejador manhoso, rói caladinho pelas beiradas, se aproveita das catástrofes e passa por dignitário. Deprimiu com a angústia de corno, mata ou não mata, bola pra frente e haja mola no trampo, só corre atrás do troco, da sorte e da oportunidade. Passa recibo e paga pra ver. Vacila e paga mico, sai de mansinho: pega o beco. Pra tudo tem jeitinho, ora, ora. Ah, se soubesse! Aprende na marra magoando a pereba da canela, ai, cada raladura só carne viva, fratura exposta, mandíbula deslocada, clavícula fraturada, ai o calo do dedo mindinho quando o sapato aperta, acocha o cinturão, se vira com a dor de dente, gel nas olheiras e ronchas, arranhou o pau da venta, levou puxão de orelha, um safanão aqui, cutucada no espinhaço acolá, eita, descompostura! Pede pra São Lunguinho achar o que perdeu da vergonha, cara mais lisa; lavou, está novo, ora. Puxa o carro. E se a coisa empena, lá vem o enterro voltando. O ruim é espragatar a verruga quando cai de joelhos, valha-me! Está nem aí se a educação é da pior qualidade – uma fábrica de moldes só pra servir o mercado, que é que tem? -, se quiser da boa que pague e olhe lá! Nem esquenta se não tem atendimento médico ou saúde – se quiser, ora, pague plano de saúde. E paga de novo. Quando precisa: seis meses pra ser atendido, xinga a mãe do guarda e faz um auê aos esporros na maior saia justa, desce do tamanco e fecha pra balanço, quando não o quarteirão. Nem liga se não tem direitos, Justiça só pra proteger quem detém poder – e sobrevive à força de lambidas e babações, cada qual que emboneque seu padrinho, meu! Aí fura fula, mexe os pauzinhos, sombra de costa-larga vale. Se aparecer emprego, só serve se não der trabalho. Se está na reta, desinreta; depois quer enretar, maior bronca. Quem quiser que fique pra trás, vai de venta empinada e beiço virado. Pensa que está abafando, o vulgo condena: só faz merda. Como se acha o supra sumo dos perspicazes, alimenta grandíssimas ambições, esquisitices e extravagâncias. Ah, quando veste a camisa da seleção, civismo ufano e bairrismo chauvinista, maior garra e torcida, todo mundo junto e pra frente – mesmo que seja o maior ré-pra-trás no revestrés! Na hora de construir um país melhor, é cada um por si, o outro que se foda! E vamos aprumar a conversa! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música da saudosa cantora argentina Mercedes Sosa (1935-2009) – La Negra, A Voz dos Sem Voz: Concierto em el Rosedal, Trinta Años, Festival Viña del Mar & Volver a los 17 com Chico Buarque, Milton Nascimento, Caetano Veloso & Gal Costa & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Estamos entrando numa fase nova e perigosa. Estamos entrando na fase das terapias ‘estimulantes’: ligando-nos em cura instantânea, em consciência sensorial instantânea. Estamos entrando na fase dos homens charlatães e de pouca confiança, que pensam que se vocês obtiverem alguma quebra de resistência estarão curados, sem considerar qualquer necessidade de crescimento, sem considerar o potencial real, sem considerar o gênio inato em todos vocês. [...]. Trecho extraído da obra Gestalt-terapia explicada (Summus, 1976), do psicólogo, psicoterapeita e psiquiatra alemão Fritz Perls (1893-1970), que em outra de suas obras, Fome e agressão: uma revisão da teoria e do método de Freud (Summus, 2002), expressou: O conflito mais importante que pode levar a uma personalidade integrada ou a uma neurótica é o conflito entre as necessidades sociais e as biológicas do homem [...] com muita frequência o autocontrole exigido socialmente pode ser alcançado apenas à custa da desvitalização e do enfraquecimento das funções de grandes partes da personalidade humana — à custa da criação de neurose coletiva e individual [...]. Veja mais aqui.

CORPO A CORPO – [...] A propriedade privada tornou-nos tão estúpidos e unilaterais que um objeto só é nosso quando o temos, quando existe para nós como capital ou quando é imediatamente possuído, comido, bebido, vestido, habitado, em resumo, utilizado por nós. [...] Em lugar de todos os sentidos físicos e espirituais apareceu assim a simples alienação de todos esses sentidos, o sentido do ter. O ser humano teve que ser reduzido a esta absoluta pobreza, para que pudesse dar à luz a sua riqueza interior partindo de si. [...]. Trecho extraído da peça teatral Corpo a Corpo (Vozes. 1999), do dramaturgo, ator e diretor de teatro e televisão Oduvaldo Vianna Filho – Vianinha (1936-1974), que sobre a peça expressou: Corpo a Corpo não é uma experiência formal nova. É tradicional. Mas a sensação de ir descamando a realidade, de ir tirando pedaços e pedaços de sua superfície para chegar mais e mais até a sua intimidade, seus núcleos, foi o meu propósito. A tonteira da razão. O nunca acabar de relações que dão ao indivíduo, tiram-lhe a razão, formam novas sínteses, desbordam de novo. Uma sanfona de Luís Gonzaga, esticando, tocando, tocando sempre. Noutro texto do autor Um pouco de pessedismo não faz mal a ninguém, recolhido da obra Vianinha: teatro, televisão e política (Brasiliense,1999), de Fernando Peixoto, o dramaturgo expressa: [...] Estamos convencidos de que o trabalho cultural, como todo trabalho, tem por exigência básica a qualidade. Mas, sobre o conceito de qualidade, pesam inúmeros equívocos. Do nosso ponto de vista, a qualidade de uma obra resulta da formulação adequada da experiência na complexidade de suas contradições, isto é, na sua natureza dialética. Conclui-se daí que uma visão estreita do mundo não pode produzir boa obra, pelos simples fato de que, na sua limitação, é incapaz de revelar o verdadeiro conteúdo da realidade de que trata. Assim como não basta estar teoricamente armado de uma visão justa para obter resultados artisticamente positivos, pode um escritor alienado criar boa arte, desde que, no processo formulativo — no fazer —, consiga ampliar sua visão o suficiente para abranger as contradições inerentes a ela. O que não quer dizer que as obras estejam despidas de caráter ideológico ou de classe, mas que elas podem ter qualidade apesar disso. A liberdade é, portanto, condição necessária do trabalho criador. Numa entrevista recolhida da mesma obra, Vianinha trata que: Para reduzir uma sociedade de mais de cem milhões de pessoas a um mercado de vinte e cinco milhões de pessoas é preciso um processo cultural muito intenso, muito elaborado e muito sofisticado, muito rico, para manter, para fazer com que as pessoas aceitem ser parte de um país fantasma, um país inexistente, de um país sem problemas, [...] porque parece que realmente precisa, para circunscrever a minha visão de existência social a esse círculo muito fechado, da duplicação dos produtos de consumo. [...] Veja mais aqui e aqui.

ILUMINEMOS PEQUIM! – [...] O Imperador sentou-se no trono e assim falou: - A nossos ouvidos chegou a voz de que as grandes cidades habitadas pelos bárbaros de pele branca, quando a noite desenrola das alturas do céu os véus da sombra, são iluminadas por milhares de luzes em cada rua e em cada praça. [...] Tomai do nosso tesouro um milhão de taels, e que as ruas de Pequim sejam iluminadas como pela luz do sol. – A cidade será iluminada – respondeu o Camareiro-Mor, e, executando o Kolow, abandonou a audiência imperial. [...] Ali esperava o seu ajudante. - Chame o Grande Eunuco – ordenou. [...] – Saiba, Grande Chefe dos Eunucos, que o Filho dos Céus (que reine por dez mil anos), pela bondade de sua alma, me entregou mil taels a fim de que as ruas de Pequim resplandeçam à noite como de dia. Que as ruas da cidade sejam portanto imediatamente iluminadas. – Ouvir é obedecer! – respondeu o outro, inclinando-se e cumprimentando, conforme o ritual. [...] – O Augusto Imperador – disse o Grande Eunuco – em sua magnanimidade, estabeleceu duzentos e cinquenta mil taels para que as ruas de Pequim sejam iluminadas à noite! Providencie. – O Filho do Céu só concebe o que é justo. Nossa cidade será a maior do mundo. Apresso-me a executar a vontade do Filho do Céu – respondeu o Governador Militar, que voltou imediatamente a seu yamen e mandou chamar o Chefe dos Magistrados. [...] – Tenho o prazer e a honra de informa Vossa Excelência que a Sublime Serenidade, o Filho do Céu, resolveu gastar cem mil taels para que Pequim seja iluminada à noite. Vossa Excelência providencie. – Obedeço incontinente – foi a resposta. E subindo no palanquim, o Chefe dos Magistrados fez-se levar ao escritório dos Vigilantes da Cidade. [...] – O Filho do Céu deu-me cinquenta mil taels para que Pequim seja iluminada à noite. Providencie até amanhã ou receie o seu rigor! Grande foi a surpresa da população de Pequim quando deparou, na manhã seguinte, afixado por todos os cantos da cidade, com este manifesto: “A Serena Sublimidade, o Filho do Céu, o Augusto Imperador, Soberano do Império do Meio, Senhor dos Países Bárbaros, Vassalos e Tributários, decretou que todas as ruas e praças de Pequim sejam e permaneçam iluminadas desde a primeira hora da noite até o romper da aurora. Todo chefe de família, todo artesão, todo mercador, providenciará, portanto, para que seja aceso um lampião fora da porta externa de sua casa, de sua oficina, de sua loja. Perderá a vida quem transgredir a ordem, que será cumprida com o máximo rigor. E foi assim que o Imperador, na noite seguinte, olhando pelas janelas do sétimo andar do pagode de porcelana construído sobre a colina artificial do jardim imperial, pôde ver a cidade iluminada como por milhões e milhões de vagalumes, animais diminuídos que devoram a vasta escuridão, mas não souve jamais de que forma tinha sido gasto o milhão de taels que orçara para aquele fim. Trechos do conto do escritor chinês Ka-Lao-Yeh, recolhido de Maravilhas do conto humorístico (Cultrix, 1969), organizado por Mariano Torres.

BRASI DE CIMA E O BRASI DE BAXOMeu compadre Zé Fulô, / Meu amigo e companhêro, / Faz quage um ano que eu tou / Neste Rio de Janêro; / Eu saí do Cariri / Maginando que isto aqui / Era uma terra de sorte, / Mas fique sabendo tu / Que a misera aqui no Su / É esta mesma do Norte. / Tudo o que procuro acho. / Eu pude vê neste crima, / Que tem o Brasi de Baxo / E tem o Brasi de Cima. / Brasi de baxo, coitado! / É um pobre abandonado; / O de Cima tem cartaz, / Um do ôtro é bem deferente: / Brasi de Cima é pra frente, / Brasi de Baxo é pra trás. / Aqui no Brasil de Cima, / Não há dô nem indigença, / Reina o mais soave crima / De riqueza e de opulença; / Só se fala de progresso, / Riqueza e novo processo / De grandeza e produção. / Porém, no Brasi de Baxo / Sofre a feme e sofre o macho / A mais dura privação. / Brasi de cima festeja / Com orquestra e com banquete, / De uísque dréa e cerveja / Não tem quem conte os rodete. / Brasi de baxo, coitado! / Vê das casa despejado / Home, menino e muié / Sem achá onde mora / Proque não pode pagá / O dinhêro do alugué. / No Brasi de Cima anda / As trombeta em arto som / Ispaiando as propaganda / De tudo aquilo que é bom. / No Brasi de Baxo a fome / Matrata, fere e consome / Sem ninguém lhe defendê; / O desgraçado operaro / Ganha um pequeno salaro / Que não dá pra vivê. / Inquanto o Brasi de cima / Fala de transformação, / Industra, matéra-prima, / Descoberta e invenção, / No Brasi de Baxo isiste / O drama penoso e triste / Da negra necissidade; / É uma cousa sem jeito / E o povo não tem dereito / Nem de dizê a verdade. / No Brasi de Baxo eu vejo / Nas ponta das pobre rua / O descontente cortejo / De criança quage nua. / Vai um grupo de garoto / Faminto, doente e roto / Mode caçá o que comê / Onde os carro põem o lixo, / Como se eles fosse bicho / Sem direito de vivê. / Estas pequena pessoa, / Estes fio do abandono, / Que veve vagando à toa / Como objeto sem dono, / De manêra que horroriza, / Deitado pela marquiza, / Dromindo aqui e aculá / No mais penoso relaxo, / É deste Brasi de Baxo / A crasse dos marginá. / Meu Brasi de Baxo, amigo, / Pra onde é que você vai? / Nesta vida do mendigo / Que não tem mãe nem tem pai? / Não se afrija, nem se afobe, / O que com o tempo sobe, / O tempo mesmo derruba; / Tarvez ainda aconteça / Que o Brasi de Cima desça / E o Brasi de Baxo suba. / Sofre o povo privação / Mas não pode recramá, / Ispondo suas razão / Nas colunas do jorná. / Mas, tudo na vida passa, / Antes que a grande desgraça / Deste povo que padece / Se istenda, cresça e redobre, / O Brasi de Baxo sobe / E o Brasi de Cima desce. / Brasi de Baxo subindo, / Vai havê transformação / Para os que veve sentindo / Abandono e sujeição. / Se acaba a dura sentença / E a liberdade de imprensa / Vai sê lega e comum, / Em vez deste grande apuro, / Todos vão te no futuro / Um Brasi de cada um. / Brasi de paz e prazê, / De riqueza todo cheio, / Mas, que o dono do podê / Respeite o dereito aleio. / Um grande e rico país / Munto ditoso e feliz, / Um Brasi dos brasilêro, / Um Brasi de cada quá, / Um Brasi nacioná / Sem monopólo estrangêro. Poema extraído da obra Cante lá que eu canto cá: filosofia de um trovador nordestino (Vozes,1 984), do poeta popular, compositor, cantor e improvisador Antônio Gonçalves da Silva, mais famoso como Patativa do Assaré (1909-2002). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

BIOGRAFIA DO FABO & FECAMEPA
O brasileiro é só um CPFabo arrodeado de golpes por todos os lados!
Veja mais (é só clicar sobre os títulos):
Abundâncias fabísticas - quando um Fabo faz das suas, valham-me todos os santos, é uma tragédia: não prevê a descarga e, muito menos, a enrabada geral!!
Dicionário Tataritaritatá: o Pai dos Fabos Burros, apedeutas graduados e intelectuais de sovaco

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.

Os livros Hímen de Mallarmé & Crepúsculo do Pênis & muito mais na Agenda aqui.
&
Os milagres de Alagoinhanduba, A história secreta de Donna Tartt, a dança de Ana Botafogo, a música de Toquinho, Rosa Passos, João Bosco & Paula Morelenbaum; a arte de Artemisia Gentileschi & a poesia de Edjane Leal Cruz aqui.

APOIO CULTURAL: SEMAFIL
Semafil Livros nas faculdades Estácio de Carapicuíba e Anhanguera de São Paulo. Organização do Silvinha Historiador, em São Paulo.
 

segunda-feira, agosto 29, 2016

KAFKA, PERLS, MACHADO, CARMELA GROSS, DISCANTUS, LUBA LUKOVA, PAULO ITO & GUTTUSO

PAPO DE FABOS - Teve um cara aí que disse que o Senado é um hospício! Num sei quem foi, nunca vi mais gordo!Foi mesmo? Bingô. Acertou em cheio! Nada, errou feio. Oxe, errou? Errou, porque pra mim não é um hospício, o Congresso todo é um pandemônio no sentido grego da palavra! Grego? Sim: uma concentração de demônios! Vôte! E num é não? Pra mim é a representação do povo! E o povo o que é? O povo é todo mundo! Nada, tudo uns analfabetos, não sabem votar, tudo uns brucutus! E, por acaso, você não faz parte desse povo? Eu não, sou letrado e não me misturo, tenho consciência e se eu estivesse no poder eu daria um jeito no Brasil! Como e que jeito? Oxe, eu sei como fazer, botava tudo na reta! Como, quem seria seus ministros? Ué, minha família! Comigo é assim: pros meus tudo, pros inimigos o paredão! Eita, isso é nepotismo! E tem melhor que minha família e os meus amigos? Danou-se! Danou-se, nada! Sei escolher os amigos e tenho a melhor e a mais honesta família do mundo! E o resto do povo? E eu sei!?! O povo que se dane, eu resolvendo o meu, o resto que se fôda! Comigo é assim: conversa de broco, ouvidos moucos, meu! Eu sei como dá jeito no Brasil! Ah, tá! Quer dizer que os bons estão com você, o resto não presta! Claro, ora, vê se eu elegi algum desses picaretas! E você votou em quem? Votei em branco, não tenho responsabiliade nenhuma sobre a merdaria que grassa agora! Hum, pra você isso é o certo? Todo dia de eleição, faço a minha parte: comprovo e vou lá, voto em nenhum. A culpa é dos outros que não sabem votar! Ah, isso lhe exime de qualquer responsabilidade, né? É, não faço parte dessa mundiça que não sabe votar! Que coisa!?! Sou feito os gringos do primeiro mundo, sei como fazer, por isso que o Brasil não presta, com um povo desse que nem é gente, um bando de preguiçoso e burro! Destá! E você acha que está certíssimo, né? Mas mudando de conversa, vamos deixar esse povo pra lá, tudo uns imprestáveis. Na verdade preciso de um favor seu! Quando levo nisso? Ué, você é dos meus! Sou cristão: é dando que se recebe! Preciso de um favor! Vamos lá, diga o que é e quanto vai cair de ôia na minha algibeira! Não seja mercenário! Pra mim é assim: santo que não me ajuda pode cair da parede! Ah, assim não dá! Comigo não tem venha nós, o vosso reino, mostre logo dindim preu me animar e comprar a sua briga! Amigo é pra ajudar na lição de Jesus! Ah, não sou igreja pra obrar caridade, amigo é pra acudir o outro, comeu, lavou, deixa pra lá; se gostou, vai de novo até abusar e jogar fora! Moral da história: dito pelo não dito, ficou que o Congresso e todos os poderes da Nação são um pandemônio e o Brasil todo é um hospício, eles não. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.

Curtindo o álbum Hortus Deliciarum (Opus 111 - Hymnaire de Pairis Anonymous, Naïve/1998-2003), do octeto de vozes femininas Discantus, dirigido por Brigitte Lesne com composições da mística monja beneditina, compositora, poeta e dramaturga alemã Hildegard de Bingen (1098-1179), a Sibila do Reno.

PESQUISA: 
Preciso escrever sobre mim mesmo. Eu sou meu laboratório. A privacidade das suas experiências não é minha conhecida, exceto por revelações. Não há ponte entre homem e homem. [...] Eu adivinho e imagino, empatizo e sei lá que mais. Pois estranhos somos, e estranhos ficamos, exceto algumas identidades em que eu e você nos juntamos. Ou melhor ainda, onde você me toca e eu toco você, quando a estranheza se faz familiar. Venha, faça os discursos que quiser. Você fala de si, e não do mundo. Pois há espelhos no lugar da luz e do brilho das janelas. Você vê a si mesmo, e não a nós. Só projeções, livre-se delas. Self mais pobre, recupere aquilo que é apenas seu, torne-se essa projeção, entre nela bem a fundo. O papel dos outros é o seu. Venha, recupere e cresça mais. Assimile o que você negou. Se você odeia algo que existe, isso é você, embora seja triste. Pois você é eu e eu sou você, você odeia em si mesmo, aquilo que você despreza. Você odeia a si mesmo e pensa que odeia a mim. Projeções são a pior coisa. Acabam com você, o deixam cego transformam montinhos em montanhas para justificar seu preconceito. Recupere os sentidos. Veja claro. Observe aquilo que é real, E não aquilo que você pensa.
Trecho extraído da obra Escarafunchando Fritz: dentro e fora da lata de lixo (Summus, 1979), do psicólogo, psicoterapeuta e psiquiatra alemão Friederich Perls (1893-1970). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

LEITURA 
A imagem do lar emergia continuamente e as lembranças dele o preenchiam. Também lá erguia-se na praça principal uma igreja, cercada em parte por um velho cemitério e este por um muro alto. Só alguns poucos meninos tinham escalado aquele muro, K. também não o havia conseguido. Não era curiosidade o que os movia, o cemitério não tinha mais nenhum segredo para eles, já haviam entrado várias vezes pela pequena porta gradeada, o que queriam era somente conquistar o muro alto e liso. Uma tarde — a praça quieta e vazia estava inundada de luz; quando K. a vira assim, antes ou depois? — ele o conseguiu de uma maneira surpreendentemente fácil; num lugar onde já fora vencido com frequência, ele escalou o muro na primeira tentativa, com uma pequena bandeira entre os dentes. O cascalho ainda rolava debaixo dele quando já estava em cima. Fincou a bandeira, o vento esticou o tecido, ele olhou para baixo e à sua volta, pelo alto dos ombros, em direção à cruz que afundava na terra, ninguém agora era maiordo que ele ali. Por acaso então passou o professor, forçou-o a descer com um olhar irado, na descida K. feriu o joelho, só chegou em casa com esforço, mas ele tinha estado com certeza em cima do muro, o sentimento dessa vitória parecia-lhe na época o suporte para uma longa vida, o que não fora completamente tolo, pois agora, tantos anos depois, vinha ajudá-lo na noite de neve no braço de Barnabás. [...].
Trecho da obra O castelo (Companhia das Letras, 2000), do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Veja mais aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA:
[...] Pelo que respeita especialmente à patifaria Panamá [...] Não faltam réus na porcaria Panamá, sejam eles castigados, como merecem. [...] Quando um homem tem a glória de Suez e perpetuo renome, é triste vê-lo metido com papeluchos falsos. [...].
Trecho da crônica de 12 de dezembro de 1892 (M. Jackson Inc, 1938), escrita pelo escritor Machado de Assis (1839-1908). Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA; 
A arte da pintora, escultora, artista visual, desenhista, gravadora, professora e artista multimídia Carmela Gross. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre Nascente Poético, Goethe, Martin Heidegger, Victor Assis Brasil, Tônia Carrero, Peter Weir, Man Ray, Giorgio Vasari & Swazi África aqui.

E mais: Edu Lobo, John Locke, Fagundes Varela, David Plante, Jiří Růžek, Oscar Pereira da Silva, Alessandra Negrini, Ana Carolina Lima, A esposa sábia & o Lítero Cultural – Selmo Vasconcellos aqui.

DESTAQUE
A arte do artista de rua Paulo Ito.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor italiano Renato Guttuso (1911-1987).
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Injustiça, da designer e artista visual búlgara Luba Lukova.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


quinta-feira, agosto 06, 2015

OUSPENSKY, HERBERTO, GUARNIERI, BADEN, WARHOL, CAPSI & FECAMEPA.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? UMAS DO REINO DO FECAMEPA – Desde menino que ouço falar de roubalheira. Nos tempos de ginásio e colégio, muitas vezes ouvia de professores de História do Brasil relatos cabeludos de práticas portuguesas e da imitação dos daqui de tomar pra si o que deveria ser todos, conhecendo a realidade do jeitinho brasileiro para tudo. E haja indignação quando o assunto é voltado pros desmandos com a coisa pública. Dia desses vi um distinto professor universitário vociferando indignação de que somos uma gente muito misturada que jamais teríamos a dignidade de ser gente de fato e de direito, exemplificando isso com fatos meritórios do opróbrio popular. Ele falava com tanta firmeza ressaltando as suas virtudes, que tive a petulância de perguntar-lhe: - Mas se o senhor fosse prefeito dessa cidade, qual a primeira coisa que o senhor faria? Ele me puxou pelo braço e me confidenciou aos cochichos: - Eu ia era me arrumar. Hum? Doutra feita, uma distinta doutoranda pisando potoc-toc no salto de suas botas esbanjando elegância, entrou numa repartição pública, furando a fila na maior cara de pau e se dirigindo ao funcionário que educadamente fez-lhe ver a fila. Ela prontamente respondeu: - Sei, mas quero que resolva o meu problema e o resto que se foda! Hem? Uma distintíntissima escritora num evento promovido pela Secretaria de Educação, palestrava ufanamente quando disse: - Nós poetas, somos pessoas especiais que merecemos um tapete vermelho onde quer que a gente chegue, não é não, Luiz? – disse ela virando-se pra mim. Respondi-lhe: Não, você é PNE? (leia-se Portadora de Necessidades Especiais). Foi então que descobri que a figura do Fabo (leia-se Fabricante de Bosta), não estava só na gestão e corpo funcional dos órgãos públicos e nem só nos escusos antros das trambicagens (propinodutos de gatunildos e ladronácios). Verdade, gente! Constatei que não só estavam entre os traficantes de merenda escolar, na afanagem de remédios dos postos de saúde, muito menos apenas nas fiscalizações dos serviços públicos das redes privadas. Não só. Também os Fabos estão do lado de cá promovendo o umbigocentrismo na base do resolva o meu e o resto que vá pra tonga da mironga do cabuletê! E quando o jeitinho não resolve, a primeira coisa a fazer é usar da força das cédulas da vigência monetária. Pronto, tudo resolvido. E deixando o meladeiro do número dois por tolotes identificáveis nas mais simples atitudes e comportamentos gerais. Cá comigo, todo mundo quer acabar com o corrupto. E o corruptor? Nossa, estou começando a me preocupar mais ainda com o fedor dos coprólitos! Qualquer dia desses a inhaca não deixará a gente mais respirar oxigênio seguro. Apois tá, no Reino do Fecamepa o que vale é a espórtula! Qual é a sua? Vai ficar fora dessa ou vai amargar como eu o discurso do liseu? Vamos aprumar a conversa! E veja mais aqui e aqui.


Imagem: a arte do pintor, desenhista, publicitário e escultor da Pop-Arte Andy Warhol (1928-1987). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Suíte Afro-Consolação (1998), do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000).

PSICOLOGIA DA EVOLUÇÃO – O livro Psicologia da evolução possível ao homem: síntese notável, atualíssima, da ciência do desenvolvimento espiritual através da consciência (1945 - Pensamento, s/d), do filósofo e psicólogo russo Piotr Demianovitch Ouspensky (1878-1947), reúne cinco conferências em que o autor aborda seus estudos acerca da psicologia, entre quais destaco os trechos a seguir: [...] A psicologia é, às vezes, chamada uma ciência nova. Nada mais falso. Ela é, talvez, a ciência mais antiga, infelizmente, em seus aspectos essenciais, é uma ciência esquecida [...] Durante milênios, a psicologia existiu com o nome de filosofia. Na Índia, todas as formas de Ioga, que são essencialmente psicologia, são descritas como um dos seis sistemas de filosofia. Os ensinamentos sufis, que são, antes de tudo, de ordem psicológica, são considerado em parte religiosa, em parte metafísicos. Na Europa, até pouco tempo atrás, nos últimos do século XIX, muitas obras de psicologia eram citadas como obras de filosofia. E embora quase todas as subdivisões da filosofia, tais como a lógica, a teoria do conhecimento, a ética e a estética, referiam-se ao trabalho do pensamento humano ou ao dos sentidos, considerava-se a psicologia inferior à filosofia e relacionada somente com os aspectos mais baixos ou mais triviais da natureza humana. Ao mesmo tempo que subsistia com o nome de filosofia, a psicologia permaneceu por mais tempo ainda associada a uma ou outra religião. [...] Aqui é indispensável observar que todos os sistemas e doutrinas psicológicos, tanto os que existiram ou existem abertamente, como aqueles que permaneceram ocultos ou disfarçados, podem dividir-se em duas categorias principais. Primeira: as doutrinas que estudam o homem tal como o encontram ou tal como o supõem ou imaginam. A psicologia cientifica moderna, ou o que se conhece por esse nome, pertence a essa categoria. Segunda: as doutrinas que estudam o homem não do ponto de vista do que ele é ou parece ser, mas do ponto de vista do que ele pode chegar a ser, ou seja, do ponto de vista da sua evolução possível. Estas últimas são, na realidade, as doutrinas originais ou, em todo caso, as mais antigas e as únicas que podem fazer compreender a origem esquecida da psicologia e sua significação. [...] Veja mais aqui.

EMBOSCADA – No livro Histórias ordinárias (O Cruzeiro, 1966), do escritor e jornalista Herberto Sales (1917-1999), reúne contos do autor, entre os quais destaco o trecho de Emboscada: [...] Foi quando o cavaleiro apareceu. Subia a estrada descuidado, assobiando. Guido logo reconheceu o fazendo Pedro Neves. Então, o que havia de incerteza no seu espírito transformou-se imediatamente numa sensação de alívio, marcada a um só tempo de medo e crueldade. Apontou a arma, fazendo mira, sempre com o dedo no gatilho. Viu o homem parar de assobiar, enxugar o suor do rosto, com um lenço que de novo guardou no bolso, e acender o cigarro. Foi quando o velho Patuá comandou: - Fogo! O negro procurava fazer um bom alvo, na pontaria contra o paletó de brim cáqui, onde havia manchas de suor. – Fogo! – repetiu o velho Patuá, num tom de irritação, apertou o gatilho. O negro Guido acompanhou-o. Dois tiros estrondaram, ao mesmo tempo que a caverna se enchia de fumaça. Como se uma invisível mão os enxotasse, os pássaros voaram. Um desabrido tropel foi então ouvido: era cavalo do fazendeiro, que fugia com os arreios vazios. Espantado, corria doidamente estrada abaixo – as caçambas batendo como sinhôs. Como sinos roucos. Estranhamente roucos. Veja mais aqui.


O TEATRO CORPO A CORPO COM A VIDA - O ator, diretor, dramaturgo e poeta ítalo-brasileiro, Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), é um dos nomes mais representativos da dramaturgia brasileira, com uma carreira iniciada em 1952 quando funda o Teatro Paulista de Estudante e desenvolve uma trajetória que se realiza com a fusão do TPE e o Arena, com a premiação de melhor ator merecedor do prêmio Arlequin, em 1955. Em 1956 ele ganha o prêmio de revelação de ator por sua interpretação no Arena da peça Ratos e Homens. A sua estreia como autor foi com a peça Eles não usam black-tie que, anos mais tarde, foi adaptada para o cinema. Seguiu-se outros tantos textos autorais como Arena conta Zumbi, Arena Conta Tiradentes, Marta Saré, Castro Alves Pede Passagem, Um grito parado no ar, Ponto de Partida, Me dá o mote!, Janelas Abertas, Que Zorra!, entre outras participações no teatro, cinema e televisão. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A DAMA NA ÁGUA – O filme A dama na água (Lady in the Water, 2006), do diretor e ator cinematográfico indiano M. Night Shyamalan, com roteiro do próprio diretor e música de James Newton Howard, é baseado num conta de ninar que o próprio diretor contava aos seus filhos e conta a história do abandono por parte dos seres humanos nos tempos modernos, deixando de lado o mito do povo do mundo azul que são as ninfas, para entrar em guerras e conflitos. É quando surge a oportunidade dos seres humanos se comunicarem pela ação de um jovem triste que vive solitário até que encontra uma jovem misteriosa – depois identificada como uma ninfa - que buscava abrigo para se esconder da fuga das passagens da piscina, nas quais criaturas malignas a perseguem e desejam impedir que ela retorne ao seu mundo. O destaque da película fica por conta do trabalho da atriz estadunidense Bryce Dallas Howard. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA 
Foto: Reunião aberta do Centro Acadêmico de Psicologia Martin-Baró (CAPSI), do Centro Universitário Cesmac, realizada nesta quarta, dia 05 de agosto, com debates abertos dos membros e estudantes da instituição sobre temas como Reforma Agrária e Educação, capitaneada por Yuri Gabriel. Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


NÉLIDA PIÑON, OCTAVIO PAZ, AMIA SRINIVASAN, CONCEIÇÃO LIMA & NANÁ VASCONCELOS

  Imagem: Acervo ArtLAM .   Interregno das personas... - Havia o que já foi sem que desse nunca pelo que virá: só crescia de noite para ...