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terça-feira, outubro 02, 2018

VALÉRY, DOSTOIÉVSKI, BADEN POWELL, EFLAND, IRENE VÅTVIK & VERNAIDE WANDERLEY


ALMA DE CREDIÁRIO – Imagem: Blue Shadows (2016), art by Irene Våtvik - Por aí cantarolando Belchior entre aqueles que se dizem conhecer o seu próprio lugar e sem saber que sangram com as dúvidas e o que se pode fazer de tão comovido com o incerto agora, já que surrupiaram a razão de viver em encéfalos condicionados implantados subliminarmente e equipados com vistas hipnotizadas, paladares formatados, ouvidos equalizados e os corpos cheios de próteses gerais tunadas, porque pode ter uma cara nova, outra casa, quantas posses, que importa se outros não tenham, nem todos possuem privilégios, vez que uns são escolhidos e os demais são para servir coadjuvantes do sucesso de quem tem e não precisa de ética nem vergonha ou sentimentos, bastam comprar um coração na primeira promoção médica que aparecer, ou mesmo um cérebro livre aparentemente de todas as ideologias, ou outro corpo num negócio vantajoso com garantia de duzentos anos de exigência dando nó cego na humanidade, porque essa coisa de alma é papo furado, só morre mesmo quem não tem dinheiro para bancar tecnologia, só tem solidão quem não tem onde cair morto, e ser feliz por estar por cima da carniça, isso sim, é bom e nenhum direito e nada a reclamar porque tudo foi de mão beijada pelos anjos da guarda de Boal que cantam o desenvolvimento no progresso do mercado, tudo para todo mundo, lugar na mesa do bolo repartido, desde que se tenha dinheiro no bolso, o mundo todo e o universo ao dispor, sem precisar mendigar praqueles que todos pagam e não fazem nada nem nunca estão quando se mais precisa deles, ou se aparecem e impõem seus implacáveis caprichos, não se precisa mais deles, basta ter grana e serão sempre servis pra lamber os pés do primeiro que trouxer um molho de cédulas, tudo vendávcl e comprável só bastando querer e ter, pouco importa ninguém sabe o que se passa pelas cabeças, só que se quer amar e ter o amor dos sonhos, carro zero, muita gaita verdinha no pé do cipa pra estibado, posses, aplausos, sucesso e felicidade passeando pelas vitrines, a comprar o que faz feliz por ser assim que se chama a atenção de todos e se habilita ao clube no qual se brinca com a vida alheia do humano ultrapassado, o desumanizado que vive – coração mole e caridade só botam pra trás! – e a fazer a sua parte puxando a língua estirada de quem mingua para tirar-lhe a cueca pela cabeça e a reinar na ordem dos outros superiores, tratá-los aos pontapés porque jamais souberam o que é carinho, só entendem os bofetões e por isso mesmo é preciso chupar o sangue de quem estiver abaixo até exaurí-lo arrebentado de fadiga, e dormir sem culpa confortavelmente porque sabe que o seu anjo da guarda existe em conluio com os demais e os protegem da violência que só acontece com os outros, e os fazem dotados de uma vida boa que jamais será atrapalhada por quem quer que seja com o paroxismo da fúria do destino com malsinados e imprevisíveis acidentes, porque a vida é uma festa, muitos morrem e outros tantos vivem, tão normal quanto falir de uma hora pra outra e um dia após dia o amanhã distante será sempre agora para quem incólume se ache para nada fazer fora dos procedimentos legais, bem comportado nas ruas e salas, a vida eterna, o céu é perto, a morte ausente e tudo certo agora e sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do saudoso violonista brasileiro Baden Powell de Aquino (1937-2000): Poema em Guitar, Afrosambajazz, Live at Rio Jazz Club & Trio Au Petit Journal & muito mais nos mais de 2 milhões & 600 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS – [...] Nós, civilizações, sabemos que somos mortais. Vemos agora que o abismo da história é suficientemente grande para todo mundo. Sentimos que uma civilização tem a mesma fragilidade de uma vida [...]. Extraído da obra Variedades (Iluminuras, 1999), do filósofo e poeta do Simbolismo francês, Paul Valéry (1871-1945). Veja mais aqui e aqui.

ARTE-EDUCAÇÃO - [...] Uma arte-educação pós-moderna enfatiza a habilidade de interpretar obras de arte sob o aspecto do seu contexto social e cultural como principal resultado da instrução. Isso é válido não apenas para a supostamente séria, a arte erudita, mas também para as tendências e impactos da cultura popular e cotidiana. [...] Ela pode enfatizar o fato de o passado tornar-se referência numa obra contemporânea, haja vista as maneiras pelas quais os artistas pós-modernos reciclam imagens e citações de obras de arte e estilos anteriores. O pós-modernista enfatiza a continuidade com relação aos estilos artísticos do passado. Porém, as tradições do passado não são necessariamente reverenciadas como tradições sagradas, mas podem ser exploradas por meio da sátira e da paródia. [...]. Trechos de Cultura, sociedade, arte e educação num mundo pós-moderno, do professor estadunidense Arthur Efland (1942-2009), extraído da obra O pós-modernismo (Perspectiva, 2005), de J. Guinsburg e Ana Mae Barbosa. Veja mais aqui e aqui.

O AMOR ENTRE TODOS - [...] ele declarou em tom solene que em toda a face da terra não existe absolutamente nada que obrigue os homens a amarem seus semelhantes, que essa lei da natureza, que reza que o homem ame a humanidade, não existe em absoluto e que, se até hoje existiu o amor na Terra, este não se deveu à lei natural mas tão-só ao fato de que os homens acreditavam na própria imortalidade. Ivan Fiodorovitch acrescentou, entre parênteses, que é nisso que consiste toda a lei natural, de sorte que, destruindo-se nos homens a fé em sua imortalidade, neles se exaure de imediato não só o amor como também toda e qualquer força para que continue a vida no mundo. E mais: então não haverá mais nada amoral, tudo será permitido, até a antropofagia. Mas isso ainda é pouco, ele concluiu afirmando que, para cada indivíduo particular, por exemplo, como nós aqui, que não acredita em Deus nem na própria imortalidade, a lei moral da natureza deve ser imediatamente convertida no oposto total da lei religiosa anterior, e que o egoísmo, chegando até ao crime, não só deve ser permitido ao homem mas até mesmo reconhecido como a saída indispensável, a mais racional e quase a mais nobre para a situação [...]. Trecho extraído da obra Os Irmãos Karamazov (34, 2008), do escritor russo Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (1821 - 1881). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

SEXTILHAS PARA AS MENINAS DE RUA - De vocês, / roubei um dia os pés em trapos, / não porque Papai Noel / esquecesse meus sapatos, / mas pela vontade antecipada / de pisar seixos de meus rios. / De vocês, / roubei o esgarçado das vestes, / não porque máquinas de costura / ignorassem o vigor de linhos, / mas pelo destino de espionar espinhos / sob a fúria dos verões. / De vocês, / roubei a alma exposta às chuvas, / não porque o granizo / perfurasse minha casa e telhados, / mas por imitar espantalhos, / afugentando canários nas sobremanhãs. / Tudo isso foi pouco / para enrijecer minha face de palácio, / assim lhes trago nesses versos, / o azul de meu vestido de fustão, / pasteis de todos os Natais, / os carrosséis e seus cavalos brancos. / Tudo isso foi pouco / para enrijecer minha face de palácio, / assim lhes trago o filho que perdi / e os braços para niná-lo, / o hímen adolescente / e a verdade aprendida com as fadas. Poema da escritora Vernaide Wanderley.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual norueguesa Irene Våtvik. 
Veja mais aqui.

AGENDA
Primavera das Mulheres - 03/10, 15hs, Parque 13 de Maio – Recife – PE & muito mais na Agenda aqui.
&
Prazer de viver, nada mais, Jorge de Lima, André Breton, Immanuel Kant, Cintia Moscovich, Thomas Ruff, Sexualidade & Silvana Mara de Morais dos Santos, Adriana Calcanhoto, Steve Howe, Jukka-Pekka Saraste & Rosana Sabença aqui.


quarta-feira, novembro 15, 2017

BACHELARD, MORIN, FAYGA OSTROWER, ANA PAULA TAVARES & SIRINHAÉM

ESTRELAS, OURO & TODAS AS COISAS - Imagem: Litografia (1981), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professora e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). - Quem dera, o cansaço conciliasse o sono desgovernado das andanças de estradeiro, no galope de correr trocando as pernas na lapada do mundo ao deus-dará, já de sobreaviso e a vida no pêndulo ao derredor das circunstâncias, léguas pelos vales de porteira escancarada e o que mais poderia querer na boca da noite, afora do oco vazio prosperando a pulso e o remorso no marulhar das águas, sozinho no terraço. No meio da noite, de um lado, o esplendor da Natureza com tudo e todas as coisas; de outro, a danação da miséria: uns com tanto na servidão de suas mesquinharias e a festa de teres e haveres que são poeiras mais cedo ou mais tarde pras infelizes ganâncias; outros, com tão pouco, quase nada ou nada mesmo e sem ter pra onde ir, se um centavo era seu, por que não, de nada adianta as garras afiadas a mando do umbigo estraçalhado, coisa de quem mata por querer o do outro que não é seu para ser seu a qualquer custo e já agorinha mesmo senão eu morro com um troço atravessado no peito do desgosto. Isso não me interessa, viro pro lado e brinco de rio e mar por entrerrios e outros meios, dizeres de pedras, quantos ontens, recolho estrelas – pra que serve? Se tudo vale ou não, prossigo como quem chuta uma pedra e a estrela sentiu na estrada. A gota da minha lágrima transbordou no copo. Parece que criei meu próprio infortúnio engolfado em negros pensamentos, fraquezas, paradas, tentações. É era pro passo decisivo: não tenho mais pressa, respiro profundamente porque chegou a hora de por termo ao caos de mim mesmo. Agora, adiante. Vez em sempre, sou senhor de mim, não mais escravo do reino manifesto, nem sucumbo ao desânimo. Ouvi o chamamento da sutil e suave voz dentro de mim. Tranquilizei meu intelecto ao saciar a sede de saber, olhos no escuro, silenciei minha voz. Dentro de mim nasce o Sol na manhã e sou a Terra na imensidão do universo. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá Poema on Guitar, Jazz Samba & Afro-Samba, do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000); o Concer to the memorian on the Angel Berg, Violin Bach & Ysaÿes Sonata nº 3 Balade com a violinista russa Alina Ibragimova; o Concert Chello Elga e concertos do violoncelista Antônio Meneses com a pianista Maria João Pires e a Orquestra Jovem de São Paulo; e Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA - [...] Devemos fazer tudo para desenvolver nossa racionalidade, mas é em seu próprio desenvolvimento que a racionalidade conhece os limites da razão e efetua seu diálogo com o irracionalizável [...] Doravante, aqui residirão nosso único fundamento e nosso único recurso possível [...] no esforço da compreensão e não da condenação, no autoexame que comporta a autocrítica e que se esforça em reconhecer a mentira para si próprio. [...]. Trechos extraídos da obra Amor, poesia, sabedoria (Bertrand Brasil, 2012), do antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin. Veja mais aqui e aqui.

CRIAÇÃO & CRIATIVIDADE - [...] Criar é, basicamente, formar. É poder dar uma forma a algo novo. Em qualquer que seja o campo de atividade, trata-se, nesse 'novo', de novas coerências que se estabelecem para a mente humana, fenômenos relacionados de modo novo e compreendidos em termos novos. O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar. [...] ao aprender o mundo, o homem aprenda também o próprio ato de apreensão, permite que, aprendendo, o homem compreenda [...] poderia encontrar uma pessoa na rua e nesse encontro notar certos detalhes, o tom de voz, determinados gestos, olhares, a roupa, a pressa com que caminha, ou outros aspectos isolados; talvez tais aspectos tornem o encontro significativo num sentido inteiramente imprevisto. Isto está fora das possibilidades dos animais, que reagem a situações globais concretas [...] Temos de levar em conta que uma realidade configurada exclui outras realidades, pelo menos em tempo e nível idênticos. É nesse sentido, mas só e unicamente nesse, que, no formar, todo construir é um destruir. Tudo o que num dado momento se ordena, afasta por aquele momento o resto do acontecer. É um aspecto inevitável que acompanha o criar e, apesar de seu caráter delimitador, não deveríamos ter dificuldades em apreciar suas qualificações dinâmicas. Já nos prenuncia o problema da liberdade e dos limites. [...] Criar é poder relacionar com precisão. Ou melhor ainda, criar é relacionar com adequação. O referencial dos limites permite que nos relacionamentos se use o senso de proporção, se avalie a justeza no que se faça. Se por algum motivo tivéssemos que estabelecer uma única qualificação condicional para o que é criativo, essa qualificação seria a da adequação, não seria a inovação nem a originalidade. seria a maneira justa e apropriada por que se corresponderiam as delimitações de um conteúdo expressivo e as delimitações de uma materialidade (os meios usados para se configurar). Não teríamos menos do que no caso fosse necessário, pois o resultado seria pobre, insuficiente e não-criativo, mas também não teríamos mais do que o necessário, cujo resultado por sua vez seria não-criativo no sentido de não-verdadeiro, irreal, excessivo, talvez até bombástico e vazio (consequentemente, a originalidade em si não é critério de criação) [...]. Trechos extraídos da obra Criatividade e processos de criação (Vozes, 2002), da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professor e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001), trazendo um referencial da arte com temática interdisciplinar e encarando a criatividade como um potencial próprio de todos os humanos, notadamente quanto aos processos criativos que em geral importam, tais como percepção, formas, intuição e imaginação, assim como o crescimento e a maturidade das pessoas. Veja mais aqui.

A POESIA & O DIREITO DE SONHAR - [...] A poesia é uma metafísica instantânea. Num curto poema deve dar uma visão de universo e o segredo de uma alma, ao mesmo tempo um ser e objetos. Se simplesmente segue o tempo da vida, é menos do que a vida; somente pode ser mais do que a vida se imobilizar a vida, vivendo em seu lugar a dialética das alegrias e dos pesares. Ela é então o princípio de uma simultaneidade essencial, na qual o ser mais disperso, mais desunido, conquista unidade  [...]. Trecho extraído da obra O direito de sonhar (Difel, 1986), do filósofo, crítico literário e epistemólogo francês Gaston Bachelard (1884-1962). Veja mais aqui e aqui.

SIRINHAÉM – O distrito de Sirinhaém foi criado por Alvará datado de 28 de junho de 1759, tinha por vila a denominação de Formosa, criada em 01 de julho de 1627, en2quanto que a Vila Formosa de Sirinhaém criada em 19 de junho de 1627 e instalada em 01 de julho de 1627. A localidade começou a povoar-se em princípios do século XVII. Em 1614, ediciou-se a capelinha de São Roque. De 1620 e 1621, já bem servida a povboação, foi levantada a igreja de Nossa Senhora da Conceicção. Em 1621’, foi elevada à categoria de fregusia, sendo constituído em município autônomo em face da Lei estadual 52 – Lei Organica do Municipios -, datada de 03 de agosto de 1892. Administrativamente, Sirinhaém é formado pelos distritos-sede, Barra de Sirinhaém e Ibiratinga, e pelos povoados da Usina Trapiche e Santo Amaro. Anualmente, no dia 06 de janeiro, comemora a sua emancipação política, conforme a Enciclopédia dos Municipios do Interior de Pernambuco (FIAM/DI, 1986). Veja mais aqui.

O LAGO, DE ANA PAULA TAVARES
Tão manso é o lago dos teus olhos
que temo avançar a mão
cortar as águas
e semear o espanto
na descoberta
da minha sede antiga
Poema extraído do livro Dizes-me coisas amargas como os frutos (Caminhos, 2001), da poeta e historiadora angolana Ana Paula Tavares. Veja mais aqui.

Veja mais:
A poesia de Jorge de Lima aqui.
A literatura de José Saramago aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora, gravadora, desenhista, ilustradora, professora e teórica de arte brasileira nascida na Polônia, Fayga Ostrower (1920-2001). Veja mais aqui & aqui.
 

quinta-feira, agosto 06, 2015

OUSPENSKY, HERBERTO, GUARNIERI, BADEN, WARHOL, CAPSI & FECAMEPA.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA? UMAS DO REINO DO FECAMEPA – Desde menino que ouço falar de roubalheira. Nos tempos de ginásio e colégio, muitas vezes ouvia de professores de História do Brasil relatos cabeludos de práticas portuguesas e da imitação dos daqui de tomar pra si o que deveria ser todos, conhecendo a realidade do jeitinho brasileiro para tudo. E haja indignação quando o assunto é voltado pros desmandos com a coisa pública. Dia desses vi um distinto professor universitário vociferando indignação de que somos uma gente muito misturada que jamais teríamos a dignidade de ser gente de fato e de direito, exemplificando isso com fatos meritórios do opróbrio popular. Ele falava com tanta firmeza ressaltando as suas virtudes, que tive a petulância de perguntar-lhe: - Mas se o senhor fosse prefeito dessa cidade, qual a primeira coisa que o senhor faria? Ele me puxou pelo braço e me confidenciou aos cochichos: - Eu ia era me arrumar. Hum? Doutra feita, uma distinta doutoranda pisando potoc-toc no salto de suas botas esbanjando elegância, entrou numa repartição pública, furando a fila na maior cara de pau e se dirigindo ao funcionário que educadamente fez-lhe ver a fila. Ela prontamente respondeu: - Sei, mas quero que resolva o meu problema e o resto que se foda! Hem? Uma distintíntissima escritora num evento promovido pela Secretaria de Educação, palestrava ufanamente quando disse: - Nós poetas, somos pessoas especiais que merecemos um tapete vermelho onde quer que a gente chegue, não é não, Luiz? – disse ela virando-se pra mim. Respondi-lhe: Não, você é PNE? (leia-se Portadora de Necessidades Especiais). Foi então que descobri que a figura do Fabo (leia-se Fabricante de Bosta), não estava só na gestão e corpo funcional dos órgãos públicos e nem só nos escusos antros das trambicagens (propinodutos de gatunildos e ladronácios). Verdade, gente! Constatei que não só estavam entre os traficantes de merenda escolar, na afanagem de remédios dos postos de saúde, muito menos apenas nas fiscalizações dos serviços públicos das redes privadas. Não só. Também os Fabos estão do lado de cá promovendo o umbigocentrismo na base do resolva o meu e o resto que vá pra tonga da mironga do cabuletê! E quando o jeitinho não resolve, a primeira coisa a fazer é usar da força das cédulas da vigência monetária. Pronto, tudo resolvido. E deixando o meladeiro do número dois por tolotes identificáveis nas mais simples atitudes e comportamentos gerais. Cá comigo, todo mundo quer acabar com o corrupto. E o corruptor? Nossa, estou começando a me preocupar mais ainda com o fedor dos coprólitos! Qualquer dia desses a inhaca não deixará a gente mais respirar oxigênio seguro. Apois tá, no Reino do Fecamepa o que vale é a espórtula! Qual é a sua? Vai ficar fora dessa ou vai amargar como eu o discurso do liseu? Vamos aprumar a conversa! E veja mais aqui e aqui.


Imagem: a arte do pintor, desenhista, publicitário e escultor da Pop-Arte Andy Warhol (1928-1987). Veja mais aqui.


Curtindo o álbum Suíte Afro-Consolação (1998), do músico e compositor Baden Powell de Aquino (1937-2000).

PSICOLOGIA DA EVOLUÇÃO – O livro Psicologia da evolução possível ao homem: síntese notável, atualíssima, da ciência do desenvolvimento espiritual através da consciência (1945 - Pensamento, s/d), do filósofo e psicólogo russo Piotr Demianovitch Ouspensky (1878-1947), reúne cinco conferências em que o autor aborda seus estudos acerca da psicologia, entre quais destaco os trechos a seguir: [...] A psicologia é, às vezes, chamada uma ciência nova. Nada mais falso. Ela é, talvez, a ciência mais antiga, infelizmente, em seus aspectos essenciais, é uma ciência esquecida [...] Durante milênios, a psicologia existiu com o nome de filosofia. Na Índia, todas as formas de Ioga, que são essencialmente psicologia, são descritas como um dos seis sistemas de filosofia. Os ensinamentos sufis, que são, antes de tudo, de ordem psicológica, são considerado em parte religiosa, em parte metafísicos. Na Europa, até pouco tempo atrás, nos últimos do século XIX, muitas obras de psicologia eram citadas como obras de filosofia. E embora quase todas as subdivisões da filosofia, tais como a lógica, a teoria do conhecimento, a ética e a estética, referiam-se ao trabalho do pensamento humano ou ao dos sentidos, considerava-se a psicologia inferior à filosofia e relacionada somente com os aspectos mais baixos ou mais triviais da natureza humana. Ao mesmo tempo que subsistia com o nome de filosofia, a psicologia permaneceu por mais tempo ainda associada a uma ou outra religião. [...] Aqui é indispensável observar que todos os sistemas e doutrinas psicológicos, tanto os que existiram ou existem abertamente, como aqueles que permaneceram ocultos ou disfarçados, podem dividir-se em duas categorias principais. Primeira: as doutrinas que estudam o homem tal como o encontram ou tal como o supõem ou imaginam. A psicologia cientifica moderna, ou o que se conhece por esse nome, pertence a essa categoria. Segunda: as doutrinas que estudam o homem não do ponto de vista do que ele é ou parece ser, mas do ponto de vista do que ele pode chegar a ser, ou seja, do ponto de vista da sua evolução possível. Estas últimas são, na realidade, as doutrinas originais ou, em todo caso, as mais antigas e as únicas que podem fazer compreender a origem esquecida da psicologia e sua significação. [...] Veja mais aqui.

EMBOSCADA – No livro Histórias ordinárias (O Cruzeiro, 1966), do escritor e jornalista Herberto Sales (1917-1999), reúne contos do autor, entre os quais destaco o trecho de Emboscada: [...] Foi quando o cavaleiro apareceu. Subia a estrada descuidado, assobiando. Guido logo reconheceu o fazendo Pedro Neves. Então, o que havia de incerteza no seu espírito transformou-se imediatamente numa sensação de alívio, marcada a um só tempo de medo e crueldade. Apontou a arma, fazendo mira, sempre com o dedo no gatilho. Viu o homem parar de assobiar, enxugar o suor do rosto, com um lenço que de novo guardou no bolso, e acender o cigarro. Foi quando o velho Patuá comandou: - Fogo! O negro procurava fazer um bom alvo, na pontaria contra o paletó de brim cáqui, onde havia manchas de suor. – Fogo! – repetiu o velho Patuá, num tom de irritação, apertou o gatilho. O negro Guido acompanhou-o. Dois tiros estrondaram, ao mesmo tempo que a caverna se enchia de fumaça. Como se uma invisível mão os enxotasse, os pássaros voaram. Um desabrido tropel foi então ouvido: era cavalo do fazendeiro, que fugia com os arreios vazios. Espantado, corria doidamente estrada abaixo – as caçambas batendo como sinhôs. Como sinos roucos. Estranhamente roucos. Veja mais aqui.


O TEATRO CORPO A CORPO COM A VIDA - O ator, diretor, dramaturgo e poeta ítalo-brasileiro, Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006), é um dos nomes mais representativos da dramaturgia brasileira, com uma carreira iniciada em 1952 quando funda o Teatro Paulista de Estudante e desenvolve uma trajetória que se realiza com a fusão do TPE e o Arena, com a premiação de melhor ator merecedor do prêmio Arlequin, em 1955. Em 1956 ele ganha o prêmio de revelação de ator por sua interpretação no Arena da peça Ratos e Homens. A sua estreia como autor foi com a peça Eles não usam black-tie que, anos mais tarde, foi adaptada para o cinema. Seguiu-se outros tantos textos autorais como Arena conta Zumbi, Arena Conta Tiradentes, Marta Saré, Castro Alves Pede Passagem, Um grito parado no ar, Ponto de Partida, Me dá o mote!, Janelas Abertas, Que Zorra!, entre outras participações no teatro, cinema e televisão. Veja mais aqui, aqui e aqui.

A DAMA NA ÁGUA – O filme A dama na água (Lady in the Water, 2006), do diretor e ator cinematográfico indiano M. Night Shyamalan, com roteiro do próprio diretor e música de James Newton Howard, é baseado num conta de ninar que o próprio diretor contava aos seus filhos e conta a história do abandono por parte dos seres humanos nos tempos modernos, deixando de lado o mito do povo do mundo azul que são as ninfas, para entrar em guerras e conflitos. É quando surge a oportunidade dos seres humanos se comunicarem pela ação de um jovem triste que vive solitário até que encontra uma jovem misteriosa – depois identificada como uma ninfa - que buscava abrigo para se esconder da fuga das passagens da piscina, nas quais criaturas malignas a perseguem e desejam impedir que ela retorne ao seu mundo. O destaque da película fica por conta do trabalho da atriz estadunidense Bryce Dallas Howard. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA 
Foto: Reunião aberta do Centro Acadêmico de Psicologia Martin-Baró (CAPSI), do Centro Universitário Cesmac, realizada nesta quarta, dia 05 de agosto, com debates abertos dos membros e estudantes da instituição sobre temas como Reforma Agrária e Educação, capitaneada por Yuri Gabriel. Veja mais aqui.


Veja mais no MCLAM: Hoje é dia do programa SuperNova, a partir das 21hs, no blog do Projeto MCLAM, com a apresentação sempre especial e apaixonante de Meimei Corrêa. Para conferir online acesse aqui.

VAMOS APRUMAR A CONVERSA?

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...