
FANTASMAS DE PAUL AUSTER
[...] reflete sobre como é estranho que tudo tenha
sua cor própria. Tudo o que vemos, tudo o que tocamos – tudo no mundo tem sua
cor própria. [...] Vejamos o azul,
por exemplo, diz ele: existe o azulão, o gaio azul, a garça azul. E existe a
centáurea e a pervinca. Existe o meio-dia sobre Nova York. Existem as bagas do
vacínio e do mirtilo, além, do oceano Pacífico. Existe o azul-piscina, o sangue
azul e a fita azul da Ordem da Jerreteira. Há uma voz que canta o blues. Existe
o uniforme da polícia do meu pai. Existe o loto-azul e o azul anil. Existem
meus olhos e o meu nome. [...] Existem
as gaivotas, diz ele, as andorinhas-do-mar, as cegonhas e as cacatuas. Existem
as paredes deste quarto e o lençol da minha cama. Existem os lírios do campo,
os cravos e as pétalas das margaridas. Existe a bandeira da paz e o luto na
China. Existe o leite materno e o sêmen. Existem os meus dentes. Existe o
branco dos meus olhos. Existe a savelha, o pinheiro branco e os cupins. Existe
a casa do presidente e a roupa do medico. Existem mentiras brancas e cheques em
branco. [...] sem titubear, ele passa
para o preto, começando com a lista negra, o mercado negro e a ovelha negra.
Existe a noite sobre Nova York, diz ele. Existe o futuro negro. Existem os
corvos e as uvas pretas, os blecautes e a mancha negra, a Terça-Feira Negra e a
Peste Negra. Existe a magia negra. Existe o meu cabelo. Existe a tinta que sai
de uma caneta. Existe o mundo que o cego vê. [...] Mas a história ainda não terminou. [...] O mundo é assim: nem um instante a mais, nem um instante a menos. [...]
para onde vai depois, não importa. Pois
devemos ter em mente que tudo isso ocorreu mais de trinta anos atrás, no tempo
da nossa infância. Portanto, tudo é possível. Pessoalmente, prefiro imaginar
que Blue foi para longe, embarcando em um trem naquela mesma manhã e seguindo
para o oeste a fim de começar uma vida nova. É até possível que na América não
seja o ponto final de sua viagem. Em seus sonhos secretos, gosto de imaginar
Blue comprando uma passagem em um navio e viajando para a China. Pois então,q
eu seja a China, e vamos deixar as coisas nesse pé. Pois agora é o momento em
que Blue se levanta da cadeira, põe o chapéu na cabeça e cruza a porta. E,
deste momento em diante, nada mais sabemos.
Trechos
do livro Fantasmas (Planeta De
Agostini, 2003), o segundo do premiado A
trilogia de Nova York, do escritor e cineasta estadunidense Paul Auster,
Contando
a história de um detetive que investiga um certo homem, escrevendo e enviando
relatório ao contratante, findando frustrado pelas exigências de vigilância
contínua do trabalho, esquecendo-se de sua própria vida. Veja mais aqui.
Veja
mais sobre:
Sou
mato, sou mata, sou Mata Atlântica, A hora dos ruminantes de José J. Veiga, a música
de Peter Scartabello, o teatro popular de
Augusto Boal, a pintura de Georges
Rouault & Tom Fedro, a arte
de Pristine Cartera & Patricia Galvão – Pagu aqui.
E mais:
Todo
homem que maltrata a mulher não merece jamais qualquer perdão, Aracelli de José
Louzeiro. Violência doméstica e sexual de Lucidalva
do Nascimento, a música de Geraldo Azevedo & Neila Tavares, Violência
contra a Mulher, Gershwin & Geneviève Salamone, a arte de Yukari Terakado
& Nina Kuriloff, Marcha
das Vadias & O desenlace da paquera entre Melzinha & Brothão aqui.
Brincarte
do Nitolino, As regras humanas de Peter Sloterdijk, Viagem da noite de Louis-Ferdinand Céline, Aprendizagem do ator
de Antonio Januzelli – Janô, a arte de Barbara Parkins & Sharon Tate, a
dança de Isadora Duncan, a pintura de Georges Rouault & a música de Ivete Sangalo aqui.
Espera & Primeira Reunião, Glosas críticas de Karl Marx, Sóror Saudade de Florbela Espanca, a música de Maki Ishii, o teatro pedagógico de Arthur
Kaufman, Musicoterapia de Rolando
Benezon, o cinema de Silvio Soldini & Licia Maglietta, a pintura de Carl Larsson & o atletismo de João do Pulo aqui.
Ética
& moral aqui.
Ascenso
Ferreira: Oropa, França & Bahia aqui.
A poesia
de Mariza Lourenço aqui.
A saúde no
Brasil & o Dia do Serviço de Saúde aqui, aqui, aqui, aqui. aqui, aqui, aqui. aqui
& aqui.
Diálogo
entre ninguém e coisa alguma, a música de Cláudio
Santoro & Lilian Barreto, Natália de Jussara Salazar, a pintura de Viktor
Lyapkalo $ Aprumando a conversa aqui.
A menina
morta, o pai assassino, Debaixo da ponte de Dalton Trevisan, a música de Caetano Veloso & Ute Lemper, a escultura de Jeff Koons,
a arte de Jemima Kirke & Dani Acioli, Cada um sabe a dor e a delícia de ser
o que é aqui.
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no Brasil, a arte de Vik Muniz, a música de Júnior Almeida & Nada satisfaz
e a querer sempre mais e mais aqui.
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do estado sólido de Gert Eilenberger, a música de Chico Mário, a arte de Wesley
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pra chuva é pra se molhar, Da competição à cooperação de Pierre Weil, a
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de dezembro a dezembro, a literatura de Elfriede Jelinek, a música
de Björk, o cinema de Michael Haneke & Isabelle Huppert, a arte de Odawa
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tudo dará certo até certo ponto ou não aqui.
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quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
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