
VIOLETA, A CARA DA INOCÊNCIA
QUADRO XI: E uma carta desde a cara toda da inocência (DESAPARECE
O ECRÃ DE SOMBRAS. NO BANCO DE SEMPRE, LAURA LÊ UMA REVISTA. ENTÃO MARIAN
APARECE RADIANTE.) MARIAN: Laura! Que alegria! Uma carta da Violeta! LAURA: A
sério? Trá-la, por favor! Vamos lê-la já! (LEITURA EM VOZ “OFF” - COM A VOZ DE
VIOLETA - , OU LEITURA DA CARTA DIRETA POR PARTE DE UMA DELAS, AS AMIGAS DE
VIOLETA NÃO DEIXAM DE OUVIR, EMOCIONADAS, CADA UMA DAS FRASES ESCRITAS PELA SUA
AMIGA: Queridas amigas Marian e Laura: Quero começar esta carta pedindo
desculpas às duas. Bem, também a José Manuel. Sei que devia ter-vos escrito
antes mas pensei que era melhor que passasse um tempo para assim ter melhores
coisas que contar, coisas agradáveis e muito diferentes das que nos fizeram ir
embora, à mamã e a mim. Sei também que não foi bom ter-me ido embora assim, sem
me despedir, mas garanto-vos que foi tudo tão rápido que ainda não consigo
acreditar no que me aconteceu. Bem, prometi a mim mesma, antes de escrever, não
contar coisas tristes e vou tentar. Por isso digo-vos que a cidade onde vivo é
muito mais pequena do que a vossa, mas também é bonita. Tem grandes parques e
os edifícios não são tão altos nem há tantos carros. É melhor assim, não acham?
A mamã e eu estamos num apartamento bastante especial. Não é nosso mas as
pessoas que ali vivem e as amigas da mamã fazem com que nos sintamos realmente
bem. Tem o nome de “Centro de Acolhimento” e nele vivem três famílias, e
nenhuma delas tem aqui o seu papá. Agora até tenho, por um tempo, novas irmãs e
irmãos. Quem o havia de dizer! Com o número de vezes que sonhei ter outro
irmão! Comigo, neste apartamento, estão a Carmen, a Luisa, o António, a Inma e
a Isabel. Parece que lhes fez bem. Nós unimo-nos muito. Talvez seja porque temos
o mesmo problema. Não sei. De qualquer forma, sinto tanto a vossa falta! Vocês
sim, é que teriam sido as minhas irmãs ideais! A mamã começou a trabalhar e
está contente por isso. Eu estou num novo colégio e, como prometi à mamã que
estudaria muito para ser alguém importante algum dia, as minhas novas professoras
e professores parecem tê-lo notado e estão contentes comigo. Falei nele no
início e, reconheço que não me esqueço dele nem por um instante. Que mal se deve
ter sentido o José Manuel por esperar tanto! Esta é uma das coisas que mais me
doeram junto com o fato de perder a vossa companhia. Mas asseguro-vos, minhas
amigas, que vos tenho muito próximas de mim, pois aprendi a fechar os olhos e a
sonhar com os três ao mesmo tempo. É assim sempre que quero. E é estupendo. Vocês
querem ver-me? Tenho a certeza que sim. Eu não sei bem quanto tempo vamos levar
até nos encontrarmos. A Mamã e eu temos que estar aqui, neste apartamento e
nesta cidade bastante tempo, até que haja uma decisão judicial. Depois, provavelmente,
verei o papá. Na melhor das hipótese ele leva-me de férias ou aos fins de
semana para a nossa casa, no bairro. Ele continua a viver ali. De certeza que
se sente sozinho. Sabem? Seria fantástico ter-vos muito próximas, sentir-vos a
meu lado, poder abraçar-vos como naquele dia na escola. Lembram-se? Não se
importarão muito que no próximo abraço incluamos também o José Manuel? Não
quero terminar esta carta sem vos agradecer os encorajamentos que seguramente
me enviaram, ainda que não tenham chegado aquí noticias vossas. Vocês não têm
culpa. Não sabiam o meu endereço. Tampouco quero que contem a alguém onde a
mamã e eu nos encontramos. Esse será o nosso segredo... O maior dos segredos! E
agora, sim; agora quero terminar esta carta quanto antes para que não demore
muito a chegar até às vossas mãos. Nela, e bem dentro do seu sobrescrito, quero
enviar para vocês e para José Manuel uma grande parte dos meus abraços e das
minhas caricias, e também outra parte de tudo quanto vejo e vivo nesta cidade
pequenina, dos seus cheiros e das suas cores, de tudo o que ouço e falo neste
sítio, tão longe do vosso e tão próximo, também. Escrever-vos-ei breve.
Entretanto, para cada um, todos os beijinhos do mundo, Da vossa amiga, Violeta.
(COM A
LEITURA DA CARTA E DEPOIS DO ABRAÇO EMOCIONADO DE LAURA E MARIAN, CAI MUITO
LENTAMENTE O PANO.)
Quadro XI - E uma carta desde a cara toda da inocência, do drama teatral Violeta – a cara
da inocência, do dramaturgo e professor espanhol José Cañas Torregrosa,
contando a história de uma menina que vive em um apartamento da grande cidade,
testemunhando as cenas mais severas da dolorosa realidade: um pai agredindo a
mãe.
Veja
mais sobre:
Credibilidade
da imprensa brasileira, a literatura de Cervantes, a História da imprensa
de Nelson Werneck Sodré, a Imprensa de Millôr
Fernandes, a música de Eduardo Gudin, Beijo no asfalto
de Nelson Rodrigues & a arte da
jornalista Enki Bracaj aqui.
E mais:
Todo dia
o Sol se põe para uma nova alvorada..., O homem unidimensional de Herbert Marcuse, a literatura de Amos Oz
& Machado de Assis, a poesia de Safo, a música de Händel & Caroline Dale, o cinema de Blake Edwards & Audrey Hepburn, a arte de Keith Haring, o
humor de Ronald Golias, a pintura de Frederic Edwin Church & François Gerard aqui.
Matizes, a poesia
de Luís Vaz de Camões, a literatura
de Jean de La Fontaine, O
cartesianismo científico de Paulo Cesar Sandler, A lenda do Cavalo sem
cabeça de Luís da Câmara Cascudo, Hécuba de Eurípedes, a música de Villa-Lobos & Celine Imbert, Clítia & a escultura de Hiram
Powers, a arte de Esther Góes, o cinema de Woody Allen, Tiradas do Doro, a pintura de Hans
Hassenteufel & Gustave Courbet aqui.
Brincarte do Nitolino, a literatura de Nélida Piñon, a música de Igor
Stravinski, a poesia de Augusto dos Anjos, O antiteatro de Eugène Ionesco, o
cinema de Graeme Clifford & Jessica
Lange, a arte de Frances Farmer, a pintura de Joan Miró, As emoções de Suely Ribella, Papel no Varal &
Ricardo Cabus aqui.
Freyaravi
& o circo dos prazeres, Cultura de consumo pós-moderna de Mike Featherstone, Os
contos brasileiros de Julieta
de Godoy Ladeira, O kama sutra de Vātsyāyana, a música de Marisa Monte, a fotografia de Ralf
Mohr, a pintura de Crystal Barbre & Luciah
Lopez aqui.
Lualmaluz, De
segunda a um ano de John Cage, Técnica
e ciência de Jürgen Habermas. a História da literatura de Nelson Werneck Sodré, a música de Sally Seltmann, a performance de Marni Kotak,
a pintura de Théodore Géricault,
a escultura de George Kurjanowicz, a arte de
Moisés Finalé & Luciah Lopez aqui.
Quando
tudo é manhã do dia pra noite, A agonia da noite de Jorge Amado, a música
de Bizet & Adriana Damato, o Folclore musical de Wagner
Ribeiro, a pintura de Aleksandr Fayvisovich,
Postuman bodies de r Judith Halbertam & Ira Livingstone, a
fotografia de Christian Coigny & Bryan Thompson, a
arte de Mirai Mizue & Luciah Lopez aqui.
Uma
coisa quando outra, o pensamento de Marshall Berman, a literatura de Adolfo Casais Monteiro, Arquiteturas
líquidas de Marcos Novak, a música de Tom Jobim & Maucha Adnet, Adriana Garambone, a pintura de
Renie Britenbucher, a arte de Alyssa Monk & Luciah Lopez aqui.
Feliz aniversário: resiliência, perspectivas & festas, o pensamento
de Paulo Freire, a literatura de Octavio
Paz, A resiliência de Makilim Nunes Baptista, a música
de Midori Goto, a pintura de Luis Crump, Babi Xavier, a arte de Fabrice Du Welz &
Luciah Lopez aqui.
&
O CINEMA MARGINAL DE ROGÉRIO SGANZERLA
Hoje
quero destacar o cinema marginal do ator e cineasta Rogério Sganzerla (1946-2004), começando pelo filme A mulher de todos (1969), estrelado pela
lindíssima atriz e cineasta Helena Ignez; o interessante drama Sem essa aranha (1970); o documentário Tudo é Brasil (1997), o terceiro da
trilogia sobre a visita de Orson Welles ao Brasil; o drama O signo do caos (2003) e o seu maior sucesso foi o romance policial
Bandido da Luz Vermelha (1968), baseado
na história dos crimes do assaltante João Acácio Pereira da Costa, que
assaltava residências, realizava fugas ousadas e gastava dinheiro de forma
extravagante, até ser encurralado e recorrer a medidas extremas, afora tantos
outros que tive oportunidade de conferir no cinema.
CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na
Terra: curtindo o talento musical da cantora lírica estadunidense, especialista
em colaratura e repertório soprano leggero, Roberta Peters (1930-2017).
Recital
Musical Tataritaritatá - Fanpage.