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terça-feira, dezembro 26, 2017

HARVEY, BOURDIEU, AMADO NERVO, BANCQUART, RAMEAU, PARMÊNIDES, LOUI JOVER, PI-HSIEN CHEN, SCHNEEMANN & XIMÊNIA

SONHOS & SEGREDOS DE XIMÊNIA - Imagem: Arcadia, Loui Jover. - Ximênia sonhou estranho sonho: meninos e meninas clamavam chorosas pela mãe e era ela, a mãe de todos aqueles órfãos. Os abortos doeram pesados, o padre no púlpito condenou as mães que negaram seus filhos, agora o pastor aos berros pelos altofalantes, como pode, ela se via culpada por tudo que rejeitara das escapulidas acossadas pela volúpia, dos indevidos prazeres incendiários, não podia engravidar, todos reprovariam, não tinha ninguém para apoiá-la, até mesmo a quem amava zarpara ao saber da prenhez, e ela sozinha, como agora, culpada pelas perdas, por não ter pensado direito, por se entregar fácil ao primeiro carinho e tesão embaixo da saia, via-se culpada por todos os erros, os seus e os da humanidade, culpada pelas doidices do sexo, pelas bombas explosivas ceifando inocentes, pelas misérias de filhos que perderam seus pais, pelas guerras matando os convocados e pela queda do homem, tudo culpa dela pela costela tomada, o que foi que eu fiz, meu Deus, o choro irrompia feito uma tempestade avassaladora. Desfaleceu de sentir uma agonia medonha por dentro, menstruou de repente e o sangue revelava sua nojeira e culpa, por isso sangrava e muito, todo mês, ah, que fazer, e passou uma noite e um dia, sangreiro entre as pernas e caminhos, dois dias assim, três, quatro, derramava profusamente, quinto dia e vertia sangue cálido, enegrecido, quando isso vai parar, sexto dia e já se acostumava vazar de suas entranhas aquela sina de mulher. Foi então se arrumar, vestiu-se como nunca, escolhendo a dedo a roupa com odor de naftalina tirada do baú nunca mais vasculhado, quase não cabia dentro do vestido de tão apertado, anos guardado, meia-calça, bijouterias, maquiagem e o espelho, não, não era ela, nunca seria, tudo fora do lugar, reprovável, indevido, desvestiu-se de ficar nua por horas encostada ao canto do quarto, pele, unhas e desprezo. O que fazer da vida? Seus sonhos, seus segredos guardados jamais reveláveis, segredos dela, só dela mais ninguém. Segredos que regorgitavam, vinham à tona desavisadamente e até chegavam vivos na ponta da língua de quase vomitá-los todos duma vez, mas não, seria demais, nada disso, e falava sozinha, falava por falar sem querer dizer o que realmente estava pronta pra dizer, não era nada do que dizia, nada disso que eu queria ter dito, era outra coisa, até me esqueci do quê, ah, vou me arrumar e pegou o primeiro vestido e saiu descalça jogando tudo pra cima, seios e ventre aos ventos, não sei o por quê de ainda estar aqui, ora, ora, já devia ter dado cabo da minha vida, pegado o rumo, sumido, ah, se eu pudesse, por que não posso? Claro que posso ir além do portão, e sentiu a chuva e corpo molhar-se de deixar às vistas sua nudez incontrolável, tateando sua carne reviu o passado, quantas e tantas coisas que vivera, melhor pensar no futuro, mas como? O futuro não existe, ou é agora ou nunca. Como era linda a infância, as bonecas cuidadas, os presentes que ganhava e a mãe mandando prender os cabelos a colecionar diademas, tiaras, só dispunha de berilos e bobes, queria a liberdade dos cabelos soltos, esvoaçantes, ah, quem dera cabelo bonito como o da tia Meraldinha, aquilo sim é que era cabelo bonito, aliás, ela era toda bonita, parecia uma daquelas princesas encantadas, queria ser ela, ser como ela, viver a vida dela, isso sim, ah, queria era voltar a ser menina, ah se encontrasse os grãos de feijão da promessa de João e Maria, e enquanto devaneava batia uma tristeza enorme, um filme passava na sua cabeça, o quintal, as pisas, reprimendas, fugidas, até lembrar da morte de ontem da amiga por engano, carta que errou de endereço, era pra vizinha aquela depravada, não pra ela, o marido nem viu quem o destinatário, ligou-se no conteúdo mencionado pelo remetente anônimo, a fúria cegou-lhe, não precisava matá-la daquele jeito, brutalidade sem precedentes, agora, ela morta, enterrada inocentemente; ele, preso, condenado ao opróbrio público, pela mão pesada da lei, inocentemente, tudo por engano, como pode? Chorou e saiu do quintal à varanda às lágrimas, vai e volta casa adentro pranto recorrente, para no portão enxugando os olhos que estão na rua, estala os dedos, dissimula, ronrona, se recompõe, vê-se sozinha desde sempre, quase morre afogada na sua pungente constatação. Até viu seu rosto na poça d’água, correu apressada pro espelho, está na cara: o espelho me condena, não ignora a causa, apenas disfarça, faz que não sabe. Bem que podia ser mais bonita, não era; bem que podia ser atriz de televisão com aqueles galãs das novelas, glamour, felicidade. Ah, não, minha vida é nada, reduzida a isso, só preparar café da manhã, almoço, janta, servia mais pra quê mesmo, hem? Servia apenas para servir, levar beliscão ou tapinha na bunda avisando que mais tarde seria abatida pela violência do seu dono e feitor, mais nada, só queria seus favores de Amélia, casa limpa, roupa lavada, disposição de abrir as pernas e escancarar todo corpo nu pra satisfazer as vontades explosivas dele imprevisível e desconfortável, só quando ele queria e pronto, sempre só quando queria e depois, feito, servido, saciado, virar de costa, ufa!, e livrava-se da obrigação de ter que abrir as pernas, facilitar as coisas, deixar que faça o que quiser, como quiser, não importa o que sinta ou possa, morto de fome e sem saber da sua nem de seus desejos e sonhos, é ele assim que chega esbaforido, fedendo, se cagando ou se mijando ou de pau duro remexendo suas entranhas, aos puxavanques, aos empurrões, a lei é dele, a vontade é dele, tem de tapar o nariz para ver se morre, cerra as pálpebras, como pode tudo isso, ah, essa a minha vida, por acaso isso é vida, e o vuque-vuque, imagina o príncipe a raptá-la e às sacudidas inevitáveis o trote do garanhão e ela estuprada deliciosamente por quem ela sonha, investidas às pressas pela fuga, o sexo dilatado e o futuro da felicidade, caindo na real e tudo despenca com o gozo dele, nem deu tempo pro prazer dela, ele vira as costas e ronca como quem não deve nada e ela sonhando com o noivado engalanado que nunca tivera, a cerimônia na igreja, o véu e grinalda, nada disso, sonhos que se espatifam como vidro espalhado no assoalho da imaginação, ah, isso é que é vida, apenas uma bobabem, sonhava coisa com coisa, via-se a si própria voando nos sonhos e acenando sorrindo pra ela mesma, que coisa! Ah, como queria voar e sorrir entre as nuvens, até via os urubus na festa das carniças zoando pra ela, que bom, aqui sou notada, o voo o seu refúgio, sonhando de voar a memória da infância em que podia de tudo, era só fechar os olhos e tudo acontecia sem pé nem cabeças e onde quisesse e como, era bom sonhar de olhos abertos, isso podia, ninguém nem nada que não quisesse, só o que queria e era bom sonhar, cônscia do sonho, e aprendeu a sonhar o que queria e sonhava todo dia, acordada ou dormindo, sua vida era um sonho que ela inventava e reinventava ao sonhar e vivia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a ópera e héroique ballet Les Indes Galantes (O Amorous Índias, 1735), do compositor do período Barroco-Rococó e maior expressão do Classicismo musical francês Jean-Philippe Rameau (1683-1764), com libreto de Louis Fuzelier, original harpsichord transcritions performed by Kenneth Gilbert & Variations Goldberg Bach, Bethoven op. 26 e Sonata KV 279 de Mozart com a pianista taiwanesa Pi-Hsien Chen. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] concedei-me apenas uma certeza! E que ela seja uma tábua no mar da incerteza, apenas larga o suficiente para permanecer sobre ela. Tomai para vós tudo o que vem a ser, o que é exuberante, multicolorido, florescente, enganador, excitante e vivo; e dai-me apenas a única, pobre e vazia certeza. Oração do filósofo pré-socrático, matemático e poeta grego, Parmênides de Eleia (530-460aC.). Veja mais aqui, aqui e aqui.

A PRODUÇÃO CAPTTALISTA DO ESPAÇO – [...] não podemos perder de vista os insights marxistas essenciais. De um modo ou de outro, o Estado capitalista precisa desempenhar suas funções básicas. Se não conseguir fazer isso, então esse Estado deve ser reformado, ou então o capitalismo deve dar lugar a algum outro método de organizar a produção material e a vida cotidiana [...] investigar o papel que o processo urbano talvez esteja desempenhando na reestruturação radical em andamento nas distribuições geográficas da atividade humana e na dinâmica político-econômica do desenvolvimento geográfico desigual dos tempos mais recentes [...]. Trechos da obra A produção capitalista do espaço Annablume, 2005), do professor e geógrafo britânico marxista David Harvey, tratando sobre a reinvenção da geografia, a geografia da acumulação capitalista, a teoria marxista do Estado, o ajuste espacial, a geopolítica do capitalismo, do administrativismo ao empreendedorismo: a transformação da governança urbana no capitalismo tardio, a geografia do poder de classe e a A arte da renda: a globalização e transformação da cultura em commodities. Veja mais aqui.

MEDITAÇÕES - [...] Aprendemos pelo corpo. A ordem social se inscreve nos corpos por meio dessa confrontação permanente, mais ou menos dramática, mas que sempre confere lugar importante à efetividade e, mais ainda, às transações afetivas com o ambiente social [...] é preciso deixar de subestimar a pressão ou a opressão, coninuas e por vezes desapercebidas, da ordem ordinária das coisas, os condicionamentos impostos pelas condições materiais de existência, pelas surdas injunções, e a “violência inerte” (como diz Sartre) das estruturas econômicas e sociais e dos mecanismos por meio dos quais elas se reproduzem [...] Os agentes sociais, bem como as coisas por eles apropriadas, logo constituidas como propriedades, encontram-se situados em um lugar do espaço social, lugar distinto e distintivo que pode ser caracterizado pela posição relativa que ocupa em relação a outros lugares (acima, abaixo, entre, etc) e pelas distância (por vezes dita “respeitosa”: e longínquo reverentia) que o separa deles. Por conta disso, são passíveis de uma analysis situs, de uma topologia social. [...]. Trechos de Meditações pascalianas (Bertrand Brasil, 2001), do sociólogo francês Pierre Bourdieu (1930-2002). Veja mais aqui.

O FORMIGÃO – [...] Mais longe, na falda de umas colinas, sob o bosque de jericos, uns arrieiros sesteavam com suas mulas, cantando em coro apimentadas coplas, que os ouvidos do rapaz distinguiam claramente: Você diz que me quer muito; / não me ponha tão em cima, / que as folhas desta árvore / não durarão toda vida. [...] Caíra de joelhos, com seus agasalhos, o caderno que estava lendo, e a palvra Orígenes, título do capítulo citado, tornou-se o alvo do seu olhar. Uma ideia espantosa surgiu então em sua mente. Era a única tábua de salvação... A moça estreitava mais e mais o amoroso laço e deitava a alma pela boca, em beijos. O formigão segurou com punho crispado a espátula e a agitou durante alguns momentos, exalando um gemido... Assunção viu correr uma torrente de sangue, soltou um grito e afrouxou os braços, deu um salto para trás, ficando em pé a dois passos do ferido, com os olhos imensamente abertos e fixos, naquele rosto que, contraído pela dor, mostrava, no entanto, um sorriso de triunfo... [...] Trechos do conto do escritor mexicano Amado Nervo (1870-1919). Veja mais aqui.

POR UM ESTÁGIO – Sonho que moro / com um esquilo, lá na sua toca / no aconchego do seu pelo quente / o cavalo da noite / não me atropela / nenhuma fronteira / entre mim e a casca / quando acordo / lembro da minha carte de menor durante a guerra / com um passaporte para ir / de uma metade da França à outra, a casa do meu avô / pensonas cercas de arame farpado sobre toda a terra, hoje / gostaria de voltar / à toca do esquilo / e também abolir / dentro de mim as fronteiras / fazer um estágio de organismo simples. Poema da escritora, ensaísta e critica literária francesa Marie-Claire Bancquart.

A ARTE DE CAROLEE SCHNEEMANN
A arte da artista visual estadunidense Carolee Schneemann, caracterizada pela pesquisa sobre tradições visuais, tabus e o corpo humano nas relações sociais, autora de obras como Cézanne, She Was a Great Painter (1976) e More than Meat Joy: Performance Works e Selected Writings (1997), entre outras.

Veja mais:
Os sonhos de Ximênia aqui e aqui.
O pensamento de Emmanuel Levinas aqui e aqui
A literatura de Carlos Castañeda aqui e aqui.
A arte de Joan Miró aqui.
A literatura de Raul Pompeia aqui.
Os estudos de Dian Fossey aqui.
A literatura de Henry Miller aqui, aqui & aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor, ilustrador e fotógrafo australiano Loui Jover.
Veja mais aqui.
 

quinta-feira, maio 18, 2017

PEDRO DEMO, GRAVURAS DE RODIN, UQBAR & CAMILA ANTONELLI, SONHOS & PESADELOS DE XIMÊNIA


DOS SONHOS AOS PESADELOS DE XIMÊNIA - Era meio dia e Ximênia não tivera a sorte de ter um príncipe parrudo e lindão, que ordenasse aos serviçais do palácio, servir-lhe suntuoso almoço naquele momento. Bem que ela merecia outra sorte, pensava. Ao contrário, restou-lhe a promessa de sapo beberrão e rabugento, a coaxar futebol, cachaça e conversa mole pelos botecos, quando não umas umbigadas dentro da noite, das quais nada sentia nem guardava. Ninguém merece e era meio dia. Nessa hora perdia-se nas lembranças dos tempos da província, menina cheia de sonhos e esperanças que acordou no pesadelo de se mudar pra cidade grande, à procura de melhoras de vida pro marido que não encontrava mais colocação no lugar. Sim, demorou quase uma eternidade, mas ele arranjou emprego – aquilo mais parece escravidão! -, dava pra ajeitar o modesto sustento, encolhendo aqui, espichando ali. Ainda sonhava tudo aquilo mudar, mas era meio dia e tinha de aproveitar o intervalo pro almoço e resolver na companhia gestora de energia, a conta da luz do seu lar – um quarto alugado bem longe depois do fim do mundo, era o que dava pra pagar. – Porra! O marido bem que podia resolver isso! -, reclamava. Não dava e pegou a bolsa e os documentos, depôs o avental e a touca no cabide, e avexada saiu a toda pra pegar a condução. O Sol pesando quente à cabeça, ao primeiro psiu atrevido ela desconcertou o andar. – Enxeridos safados! -, desnorteada com a insolência dos metidos, misturada com a barulheira e o movimento louco do trânsito, às pressas procurando se safar dos galanteios e, depois de muito andar, chegar ao ponto do ônibus, onde pôde delicadamente se espremer com outros pedestres, tentando palmo a palmo espaço embaixo da guarita, pra se refrescar do mormaço e que, apesar de tudo, ventava ainda mais um calor imenso. Mal se aliviara daquilo, a condução estacionou bruscamente e todos como uma boiada solta, invadiram duma só vez a porta estreita do ônibus já lotadíssimo, não cabendo nem meio, quanto mais os tantos que se acotovelavam para conseguir entrar. Sem saber como, ela foi levada aos empurrões pela multidão, sentindo-se esquartejada de não saber onde estavam as suas mãos, corpo, pernas e pés, comprimida no meio da compactação de gente que ocupavam o mesmo espaço e lugar. Sentia-se invadida por mãos que não eram suas e por todo seu corpo, saliências, encostos, enquanto exalava o perfume de sua vitalidade sedutora, tudo em cima e apetitoso embaixo do vestido, era como se estivesse expostas às apalpadelas, encoxadas, alisados, esfregões nela, seios, sexo, glúteos – Meu Deus, acho que me tiraram a roupa e não sei o que fazer! Na confusão dava pra se distinguir lá do fundo um evangélico rezando alto, quando alguém berrou: - Tá amarrado em nome de Jesus! É o cu da mãe! Da sua, seu fresco! E o empurra-empurra, ela inquita no meio do aperto, uma curva aqui, uma freada ali, quebra-molas, catabis, haja catombos pela buraqueira, aos solavancos a coisa ia se organizando, dela tomar pé da situação e sentir-se inteira, se recompondo, até chegar ao ponto de descida e ainda estar entalada no meio da aglomeração. Depois de muito esforço, conseguiu descer no ponto seguinte, quase desnuda e completamente atordoada. Olhou pros lados, não sabia onde estava: - Ô moça, onde fica a companhia de energia elétrica? Ah, descendo por ali, lá no final dobre a esquerda e uns dois quilômetro mais, chega lá. Vixe! Pela dobra do beiço da moça devia ser longe mesmo. E era. Andou que só a má notícia, mas chegou. Pegou a senha na portaria e depois de uns quarenta minutos afinando os cambitos no canto de uma sala, foi atendida pro interrogatório: tem ar condicionado? Não. Máquina de lavar? Não. Chuveiro elétrico? Não. Forno microondas? Não. Ué, na sua casa não tem nada? É só um quarto, banheiro e mais nada. Tem alguém roubando energia da sua casa! Pronto, foi o fim do mundo. Nada resolvido, havia de pagar e pronto. Nem ganho isso, ora! Se vira! Na saída, completamente desapontada, um funcionário aproximou-se dela e disse: Dona, me dê duzentos reais que eu boto um gato e resolve isso! Ela abriu os olhos aos boticões e saiu sem nada dizer, estava já atrasada pra volta ao trabalho, preocupada com os esporros do chefe. E o pior: sem comer nada, não dera tempo, e ter de passar de novo por tudo que passou na condução, maior vexame, chegar lavada de suor e atrasada, embaixo do maior esculacho, ter fôlego de correr para colocar as coisas ordem, sem descanso, maior correria de perder completamente a noção do tempo, já de noite, a hora de largar com afazeres na jornada e ter de voltar pra casa, exausta, a ventania levantando a saia e ela inutilmente tentando conter a nudez, enquanto a rapazeada delirava: - Essa é boa, meu! Ela só queria chegar em casa pro segundo tempo de seus afazeres: limpeza, lavagem de roupa, comida no fogão pra marmita do marido pro dia seguinte, um outro sufoco, melhor que esse, pelo menos. O marido bem que podia ajudar, culpa da mãe dele que dizia: - Filho meu não era viado pra fazer serviços de piniqueira! Segure seu marido e dê conta de deixar tudo nos trinques prele reinar! Megera! Bruaca! Teria de se virar sozinha mesmo! Que raiva! E quando menos esperava, sem mais caber em si, chegava ao ponto de casa, ufa! Até que enfim! Não menos trabalhosa descida, conseguiu respirar fundo o ar puro depois de horas que nem sabia, nem adiantava saber, restava comer algo pra tapiar a barriga e pegar logo na lavanderia com a roupa, a vassoura pela casa, a comida no fogão, os pratos na pia, até desmaiar na cama e ser surpreendida com a barba mal feita e o bafo intragável de cigarro e cachaça, tornando novo pesadelo na sua vida: - Amor, a obrigação, hem? O papai aqui quer lavar a jega! Isso que é vida, resmungava, e do jeito que estava, ele a revirava e se servia, ela nada via até o dia amanhecer toda lambuzada, peguenta, e tudo recomeçar num novo dia. Ah, quem sabe, um dia será diferente. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui, aqui & aqui.

CONHECIMENTO, TEORIA & PRÁTICA
[...] É importante para a prática saber lidar com teorias, sem fazer delas uma ideia fixa; não são para serem adotadas, mas usadas e abusadas. Estudamos autores para nos tornarmos autores, não porta-vozes ou papagaios. Se, filiar-se, todo professor precisa saber ordenar sua cabeça e ideias das quais é autor, mantendo sua teorização sempre aberta. [...] (In: Conhecimento moderno).
[...] Professor é, na essência, pesquisador, ou seja, profissional da reconstrução do conhecimento, tanto no horizonte da pesquisa como princípio científico, quanto sobretudo no da pesquisa como princípio educativo. O estudante que queremos formar não é apenas técnico, mas fundamentalmente cidadão, que encontra na competência reconstrutiva de conhecimento seu perfil decisivo. [...] Professor precisa ser formulador de proposta própria, ou seja, precisa saber elaborar com autonomia. Enquanto sua função de socializador do conhecimento decresce e será substituída em grande parte, aumenta o desafio formativo, tipicamente educativo, de fundamentar a emancipação própria e dos alunos. [...] Professor atualizado não valoriza apenas o legado teórico, mas sabe fazer da prática trajetória de reconstrução do conhecimento, desde que a saiba teorizar. Teorizar a prática significa não separar a produção do conhecimento frente à realidade, como se, para estudar fosse mister deixar o mundo e ir para a universidade. Na verdade, a aprendizagem sempre começa com a prática, que logo é teoricamente confrontada. [...] Professor precisa compor-se com a atualização permanente, porquanto, se o conhecimento, de um lado, é aquilo que a tudo inova, do outro lado da mesma moeda é aquilo que a tudo envelhece. Nada envelhece mais rápido que o conhecimento inovador. Como regra, quando os alunos se formam, já estão encanecidos, seja porque foram apenas “ensinados” ou só viram “café velho”, seja porque não possuem formação básica propedêutica adequada que os leve sempre a pesquisar e a elaborar com mão própria. Sem desprezar o domínio dos conteúdos, necessário para o exercício profissional, o conhecimento moderno valoriza mais o domínio metodológico, representado no saber pensar e no aprender a aprender. [...] Não se trata de fazer de cada estudante um pesquisador profissional, mas um profissional pesquisador, quer dizer, que sabe manejar as virtudes metodológicas e sobretudo pedagógicas da pesquisa. Para renovar adequadamente os reptos profissionais num mercado escorregadio e submetido a processos violentes e geralmente muito dúbios de inovação, é fundamental saber reconstruir a proposta profissional. Os conteúdos se consomem no tempo, enquanto a habilidade de saber pensar necessita manter-se viva, mais que nunca. Se não sabe pesquisar, não sabe questionar. Não sabendo questionar, não sabe ultrapassar os impasses inevitáveis que toda profissão encontra em sua prática. Assim, o mais importante hoje na pesquisa não é o manejo de instrumentos metodológicos, mas o manejo dos desafios inovadores e por vezes surpreendentes da vida. [...] Como regra, não se aprende a pesquisar, embora quase sempre se estudem “métodos e técnicas de pesquisa”. Este estudo quase sempre é feito sem pesquisa, ou seja, estudam-se métodos e técnicas de pesquisa sem pesquisar. Uma contradição performativa lancinante. Pesa muito a tradição da aula reprodutiva, considerada pela maioria ainda como pedagogia fundamental. (In: Professor/Conhecimento)
Trecho da obra Conhecimento moderno: sobre ética e intervenção do conhecimento (Vozes, 1997) e trechos do artigo Professor/conhecimento (UnB, 2001), do sociólogo e professor Pedro Demo. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais sobre:
Rua do Sol, Anatomia da destrutividade humana de Erich Fromm, Museu de Tudo de João Cabral de Melo Neto, Confissões de Narciso de Autran Dourado, a música de Dawn Upshaw, a pintura de Ivan Serpa & a fotografia de Larry Clark aqui.

E mais:
Vamos aprumar a conversa: violência sexual, Tornar-se pessoa de Carl Rogers, Por que não sou cristão de Bertrand Russel, Medeia de Eurípedes, Horizonte perdido de James Hilton, a música de Rick Wakeman, Pelé, A pintura de Eugène Delacroix & Francis Bacon, o cinema de Frank Capra, Jornal Movimento & Luta Antimanicomial aqui.
Pobreza aqui.
Meio ambiente: significação jurídica contemporânea aqui.
A música de Clara Schumann & Todo dia é dia da mulher aqui.
Desejo & Crônica de amor por ela, Espírito apolíneo & dionisíaco de Friedrich Nietzsche, Sóror Filomela de Rubén Darío, Soneto luxurioso de Pietro Aretino, O teatro renascentista de Ludovico Ariosto, o cinema de Jean-Pierre Jeunet & Audrey Tautou, a pintura de Piero Della Francesca. Kiki Sidário, a música de Ibys Maceioh & a arte de Maria Luisa Persson aqui.
Nise da Silveira & Todo dia é dia da mulher aqui.
Ardência & Crônica de amor por ela, Estádio do espelho de Jacques Lacan, A desconhecida de Mariano Latorre, Licuções dos pierrôs de Jules Laforgue, O pensamento de Pitágoras, a música de Max Bruch & Chloe Hanslip, Sábato Magaldi & o teatro elizabetano, o cinema de Philip Kaufman & Ashley Judd, Rachel Levkovits, a pintura de Gustave Doré & Nina Kozoriz aqui.
Marguerite Duras & Todo dia é dia da mulher aqui.
Quando te vi & Crônica de amor por ela, A mudança de Marques Rebelo, A ilusão da alma de Eduardo Giannetti, Anatol Rosenfeld & o teatro shakespeareano, a música de Francis Poulenc & Patrícia Petibon, Esfolhando o amado corpo de Luzilá Gonçalves, a pintura de Asztalos Gyula, a arte de Franz von Bayros, Magda Zallio, Anésia Pinheiro Machado & Marcela Rafea aqui.
Fecamepa: quando o Brasil dá uma demonstração de que deve mesmo ser levado a sério aqui.
Cordel Tataritaritatá & livros infantis aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
A croniqueta de antemão aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
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CAMILA CORRÊA ANTONELLI & GRUPO UQBAR
A arte de Camila Corrêa Antonelli & Grupo Uqbar que realizou a ópera rock O mágico: uma ode a Orfeu. O grupo de teatro se apresenta com música erudita e rock dramatizados pelos atores e cantores, contando uma história sobre o surgimento da música no mundo.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor e escultor francês Auguste Rodin (1840-1917).
Veja mais aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja os vídeos aqui & mais aqui e aqui.
 


sábado, setembro 24, 2016

ABRAHAM YEHOSHUA, HANNAH ARENDT, NIETZSCHE, SCHWATZMAN, CLEMENCIA BARALDI, ERNESTO NAZARETH & MARIA TERESA MADEIRA, ARTURO SOUTO, CIURLIONIS & POBREZA

INEDITORIAL: NO REINO DA COMPETIÇÃO TODO MUNDO TEM DE SER SUPER-HOMEM – O SER HUMANO NÃO É NADA! A banalização da vida chegou ao cúmulo do ser humano não valer nada! A ordem é competir e todo mundo virar super-homem! E esse super-herói é um erro de interpretação do além-do-homem nietzscheano. Ah, equívocos sobram! E tudo isso remete a uma outra chamada daquelas do Nélson Rodrigues de Bonitinha, mas ordinária: - O mineiro só é solidário no câncer! Valha-me! E ainda elegem a educação como a panacéia para todos os males – ô bocado de gente mal-educada! Mas vamos pras novidades que de notícia ruim basta a gente ler qualquer jornal ou sintonizar qualquer emissora de rádio ou televisão: vai gostar de espetacularizar a desgraça na casa de caixa pregos, meu! Vamos lá: Na edição de hoje as novidades são: a croniqueta com a primeira paixão de Ximênia, a prinspa do Coité; a música de Ernesto Nazareth na interpretação da pianista Maria Teresa Madeira, a crise da educação de Hannah Arendt, o livro Shiva de Yehoshua, aprender suportando o equívoco da psicóloga Clemencia Baraldi, As causas da pobreza de Simon Schwatzman, outro trecho da gaia ciência de Nietzsche, a pintura de Arturo Souto e a sonata pictórica de Konstantinas Ciurlionis. No mais, um maravilhoso final de semana procês, vamos aprumar a conversa & Tataritaritatá. Veja mais aqui.

Veja mais sobre
O papel da arte no direito à saúde, Hannah Arendt & O cuidado com o mundo, Francis Scott Fitzgerald, Wolfgang Amadeus Mozart, Gilberto Mendonça Teles, Pedro Almodóvar, Claudia Riccitelli, Gilda de Abreu, Victoria Abril, Suzanne Valadon, Arlindo Rocha & Literatura Infantil aqui.

E mais:
Fecamepa & a escravaria, Hegel, Mário Quintana, Debret & Pauley Perrette aqui.
Presente de Natal, Agostino Carracci, Pal Fried & as previsões do Doro aqui.
Rūmī, Margaret Mead, Martin Page, Tori Amos, Nanni Moretti, Arthur Omar, Pierre Puvis de Chavannes, Laura Morante & Jeová Santana aqui.
O evangelho do Padre Bidião, Edmund Husserl, Dalton Trevisan, Caio Fernando Abreu, Obviedades Cínicas, Carl Sandburg, Zé Barbeiro, Anne Desclos, Pilar Quintana, Corinne Cléry, Ignacio Zuloaga Zabaleta & Ísis Nefelibata aqui.
O toco do Barnabé, Mario de Andrade, Franz Hartmann, Roger Chartier, Felipe Coelho, Rosi Campos, Laetitia Colombani, Albert Arthur Allen, Audrey Tautou, Anna Rose Bain & Helena Ferreira aqui.

DESTAQUE: POBREZA
[...] as causas da pobreza não podiam ser individuais, mas estruturais: a exploração do trabalho pelo capital, o poder das elites que parasitavam o trabalho alheio e saqueavam os recursos públicos, e a alienação das pessoas, criada pelo sistema de exploração, que impedia que elas tivessem consciência de seus próprios problemas e necessidades. [...] Não há solução em curto prazo para os problemas da pobreza no Brasil. Para que a pobreza seja vencida, é necessário vontade política e compromisso com os valores da igualdade social e dos direitos humanos; uma política econômica adequada, que gere recursos; um setor público eficiente, competente responsável no uso dos recursos que recebe da sociedade; e políticas específicas na área da educação, da saúde, do trabalho, da proteção à infância, e do combate à discriminação social, e outras. Tudo isto é fácil de dizer, e dificílimo de fazer. A construção de uma sociedade competente, responsável, comprometida os valores de equidade de justiça social, e que não caia na tentação fácil do populismo e do messianismo político, é uma tarefa de longo prazo, e que pode não chegar a bom termo. Mas não há outro caminho a seguir, a não ser este.
Trecho extraído da obra As causas da pobreza (FGV, 2001), do sociólogo Simon Schwatzman. Veja mais aqui e aqui.

A PRIMEIRA PAIXÃO DE XIMÊNIA - Ximênia passou de menina à moça de quase ninguém notar a transformação. Oxe, ainda ontem era destamaínho, chamego de todo mundo. Tida sempre como a queridinha de todos dali, ela já debutava com uma formosura de encher todos os olhos. Estava moça feita aos quinze anos de idade. Os seios emergiram de fazer ponta no vestido de chita: dois faróis que boliam com o juízo de muitos marmanjos. As pernas e coxas torneadas e roliças mostravam-se salientes por seu infantil jeito de brincalhona, nem dando conta do vento que lhe levantava as saias, a ponto de ver-se o ventre estufado na calcinha apertada coladinha nas suas formas. Até o vento fazia festa, parece. Era um vexame pros que procuravam uma grota que fosse para saciar nas mãos aquela provocação. Aquilo era uma perdição, diziam. Um dia toda macharia entristeceu quando ela começou a suspirar por Marlúcio, o galante filho do coronel que passava vez em quando por ali, resolvendo providências de recrutar capatazes pra fazenda. Toda vez que ele apontava na entrada do arruado, ela se desmanchava com olhares apaixonados, jeito manso, derretida de paixão. Ele, nem nem. Ela não se continha e começava a correr pelo arruado na esperança de que ele lhe desse pelo menos um olhar. E recorria pra Santo Antonio com orações infindas, donativos e devoções. Cada aparição dele, ela se enchia de grandeza. Ele, nem aí. Se viu, fez que não viu, zarpava tão logo resolvesse suas pendências. Noites e dias ela apelava pra todos os santos e anjos, sonhando naquele tórax e envolvida por seus braços másculos, dando-lhe o prazer de ser dele. Anos passavam e ela alimentando aquela paixão desmedida por seu príncipe encantado. Teve um baque e nem se desiludiu quando soube que ele fora pra capital fazer faculdade, um dia ele reapareceria. Nunca mais. Quando reapareceu estava casado com granfina e filhos. E ela guardara aquela paixão escondida, guardada no mais profundo do seu coração e para sempre. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.

UMA MÚSICA
Curtindo os álbuns Ernesto Nazareth & Ernesto Nazareth – Grandes Mestres, da pianista Maria Teresa Madeira, em homenagem ao pianista e compositor Ernesto Nazareth (1863-1934). Veja mais aqui.

PESQUISA: A CRISE DA EDUCAÇÃO - [...] O papel desempenhado pela educação em todas as utopias políticas, desde a Antiguidade até aos nossos dias, mostra bem como pode parecer natural querer começar um mundo novo com aqueles que são novos por nascimento e por natureza. No que diz respeito à política há aqui, obviamente, uma grave incompreensão: em vez de um indivíduo se juntar aos seus semelhantes assumindo o esforço de os persuadir e correndo o risco de falhar, opta por uma intervenção ditatorial,  baseada na superioridade do adulto, procurando produzir o novo como um fait accompli, quer dizer, como se o novo já existisse. [...] Ora, a educação não pode desempenhar nenhum papel na política porque na política se lida sempre com pessoas já educadas. Aqueles que se propõem educar adultos, o que realmente pretendem é agir como seus guardiões e afastá-los da atividade política. Como não é possível educar adultos, a palavra «educação» tem uma ressonância perversa em política — há uma pretensão de educação quando, afinal, o propósito real é a coerção sem uso da força. Quem quiser seriamente criar uma nova ordem política através da educação, quer dizer, sem usar nem a força e o constrangimento nem a persuasão, tem que aderir à terrível conclusão platônica: banir todos os velhos do novo estado a fundar. Mesmo no caso em que se pretendem educar as crianças para virem a ser cidadãos de um amanhã utópico, o que efetivamente se passa é que se lhes está a negar o seu papel futuro no corpo político pois que, do ponto de vista dos novos, por mais novidades que o mundo adulto lhes possa propor, elas serão sempre mais velhas que eles próprios. Faz parte da natureza da condição humana que cada nova geração cresça no interior de um mundo velho, de tal forma que, preparar uma nova geração para um mundo novo, só pode significar que se deseja recusar àqueles que chegam de novo a sua própria possibilidade de inovar. [...] Ora, no que diz respeito à educação ela mesma, só no nosso século é que a ilusão emergente do pathos do novo produziu as suas mais sérias consequências. Em primeiro lugar, permitiu que essa mistura de modernas teorias educativas provenientes da Europa Central, e que consiste numa espantosa salganhada de coisas com sentido e sem sentido, revolucionasse todo o sistema de educação sob a bandeira do progresso. Aquilo que na Europa não passou de uma experiência, testada aqui e além, em algumas escolas e instituições educativas isoladas, estendendo depois, gradualmente, a sua influência a alguns setores, produziu na América, de há cerca de vinte e cinco anos a esta parte e, por assim dizer, de um dia para o outro, uma transformação completa no que diz respeito às tradições e aos métodos estabelecidos de ensino e de aprendizagem. [...]. Trecho do ensaio A crise da educação, extraído da obra Entre o passado e o futuro (Perspectiva, 2005), filósofa política alemã de origem judaica Hannah Arendt (1906-1975). Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

UM LIVRO, UMA LEITURA:
[...] Ele recebe a criança com uma expressão luminosa, tanto que se pode presumir ter deixado para trás seus dias de insanidade e abandonado a teimosia de que o globo terrestre permanece estático no lugar, que cada hora encerra-se em si mesmo, e nada jamais se perde no universo. [...].
Trecho extraído da obra Shiva (Companhia das Letras, 2001), do escritor, ensaísta e dramaturgo israelense Abraham B. Yehoshua, contando a história de um jovem médico que sofre uma grande uma transformação na vida ao viajar para a Índia, dilacerado por um amor impossível e uma carreira oscilante, passando a percorrer caminhos que tornam sua vida com outros significados.


PENSAMENTO DO DIA: APRENDER E SUPORTAR O EQUÍVOCO – [...] O erro e sua correção são um dos temas em que o discurso pedagógico mostra maiores contradições. Esta questão surge fundamentalmente do conceito de quem “corrige” sobre aquilo que se corrige, por que e como sendo a primeira das questões: o que se corrige? [...]. Trecho extraído da obra Aprender: a aventura de suportar o equívoco (Vozes, 1994), da psicóloga, psicopedagoga e psicoanalista argentina, Clemencia Baraldi, observando que o mal denominando erro, evidencia a originalidade e a particularidade do pensamento infantil por estar muito além ou distante dos modelos de pensamento que o adulto oferece, uma vez que o pensamento de cada criança releva com a mesma quando está raciocinando, expondo as suas idéias através das escritas, por seu pensamento ser natural, próprio de cada uma. Para a autora, é delicado para o educador exterminar da sua prática pedagógica o erro no ato em que se corrige, tendo em vista para que o aluno exponha suas idéias ou como ele está se raciocinando naquele momento, não poderia ser considerado como tal.

A GAIA CIÊNCIA
[...] Não esqueçamos disto: basta criar novos nomes e estimativas e verossimilhanças para, a longo prazo, criar novas “coisas”. [...]  olhando-nos de longe e de cima e, de uma distância artística, rindo sobre nós ou chorando sobre nós, temos de descobrir o heroi, assim como o parvo, que reside em nossa paixão do conhecimento, temos de alegrar-nos vez por outra com nossa tolice, para podermos continuar alegres com nossa sabedoria! [...] somos mais pesos do que homens [...].
Trechos extraídos do Livro II, da obra A gaia ciência (Companhia das Letras, 2012), do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Female nude, do pintor galego pós-impressionista Arturo Souto (1902-1964).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra com a Sonata VI, do pintor e compositor lituano Mikalojus Konstantinas Ciurlionis (1875-1911).
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO

  Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Ressaca aluada de panacei...