O QUE APRENDI DA LUA - Imagem: Arte da artista moldava Olga Rykova. - Aprendi primeiro a escuridão: havia temores na
noite. Foi só fechar os olhos e todos os fantasmas se dissolveram ali. Assim aprendi
a singrar os céus e os astros sem sair de casa e nenhum passo, a saborear da
luz antes sequer imaginada, a me convencer da alma animando meu corpo e o
renascimento simbólico na âncora da vida. Aprendi a noite em pleno dia de
Palmares, a cantar Lunik 9 de Gil
pelas ruas: Poetas, seresteiros,
namorados, correi, é chegada a hora de escrever e cantar... a reverenciar os
gestos, as distâncias, os olhares, a loucura e a solidão dos corpos celestes e
todas as coisas do mundo, entre mitos e lendas, como a da bela índia Bororo
branca de olhos claros e cabelos dourados como a manhã, não hesitava em seus passeios
noturnos. Ela trocava a noite pelo dia como eu tetéu de tanto desabrigo. Amaldiçoada
pela índia escura aliada à cascavel, ficou muito triste por não gostarem dela,
pois não tinha ninguém disposto a com ela conviver ou conversar. A sua solidão
era a minha e ela conseguiu apenas a amizade da coruja que a instruiu a preparar
então uma escada de cipós e ajudá-la a amarrar ao céu. Com a escada pronta, ela
subiu e subiu e subiu até se exaurir e dormir exausta numa nuvem e no outro dia
tornou-se Lua acesa nas trevas, iluminando a minha vida. Em certos períodos,
ela se parece carregada de presságios, a boa sorte dos esquimós e a representar
a emoção instintiva, a impulsionar transformações de dentro e de fora, para que
eu aprenda mais do que sou. Quando é azul, dá-se cheia reverberando no céu astrológico
e eu posso seguir como se manhã ensolarada na minha vida. É no perigeu que ela se
aproxima da terra e fica maior e mais brilhante, tão perto de mim, a sussurrar coisas
que nem sempre entendo e sei tão valiosas. E quando é cheia de sangue, mexe com
o passado por incertezas e dúvidas, fazendo-me aprender com a dúvida de sempre
pra nunca ter certeza alguma de nada. Com isso mais aprendi a falar Bororo com
a pedra e a taquara. E a pedra me anunciava uma vida longa, e a taquara me
ensinava a morrer e a voltar. A pedra então me ensinou a não dobrar com o sopro
dos ventos e a força das chuvas, enfrentando o calor, as dores e a preocupação,
e a taquara me ensinou a ressurreição nos filhos com a raiz germinando a
nascer, crescer, até morrer ouvindo o canto dos pássaros. Aprendi, enfim, a mim
mesmo com o inexato e o improvável de tudo, as palavras, pensamentos e ações, e
a ir até o começo dos tempos com a música das esferas, vida após vida, todos os
dias, o propósito e a razão, a emoção e os mistérios, meios e fins, a
transcender as dependências na armadilha da ilusão. © Luiz Alberto Machado.
Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.Zineblog de Literatura, Teatro, Música & Pesquisas de Luiz Alberto Machado (LAM). Show, cantarau, recital, palestras, oficinas, dicas & informações. Contato & Chave Pix: luizalbertomachado@gmail.com
terça-feira, agosto 28, 2018
NABOKOV, AMADO NERVO, CONFÚCIO, MICHAUX, COCO CHANEL, CLAUDIA VILLELA, OLGA RYKOVA & TCHELLO D’BARROS
O QUE APRENDI DA LUA - Imagem: Arte da artista moldava Olga Rykova. - Aprendi primeiro a escuridão: havia temores na
noite. Foi só fechar os olhos e todos os fantasmas se dissolveram ali. Assim aprendi
a singrar os céus e os astros sem sair de casa e nenhum passo, a saborear da
luz antes sequer imaginada, a me convencer da alma animando meu corpo e o
renascimento simbólico na âncora da vida. Aprendi a noite em pleno dia de
Palmares, a cantar Lunik 9 de Gil
pelas ruas: Poetas, seresteiros,
namorados, correi, é chegada a hora de escrever e cantar... a reverenciar os
gestos, as distâncias, os olhares, a loucura e a solidão dos corpos celestes e
todas as coisas do mundo, entre mitos e lendas, como a da bela índia Bororo
branca de olhos claros e cabelos dourados como a manhã, não hesitava em seus passeios
noturnos. Ela trocava a noite pelo dia como eu tetéu de tanto desabrigo. Amaldiçoada
pela índia escura aliada à cascavel, ficou muito triste por não gostarem dela,
pois não tinha ninguém disposto a com ela conviver ou conversar. A sua solidão
era a minha e ela conseguiu apenas a amizade da coruja que a instruiu a preparar
então uma escada de cipós e ajudá-la a amarrar ao céu. Com a escada pronta, ela
subiu e subiu e subiu até se exaurir e dormir exausta numa nuvem e no outro dia
tornou-se Lua acesa nas trevas, iluminando a minha vida. Em certos períodos,
ela se parece carregada de presságios, a boa sorte dos esquimós e a representar
a emoção instintiva, a impulsionar transformações de dentro e de fora, para que
eu aprenda mais do que sou. Quando é azul, dá-se cheia reverberando no céu astrológico
e eu posso seguir como se manhã ensolarada na minha vida. É no perigeu que ela se
aproxima da terra e fica maior e mais brilhante, tão perto de mim, a sussurrar coisas
que nem sempre entendo e sei tão valiosas. E quando é cheia de sangue, mexe com
o passado por incertezas e dúvidas, fazendo-me aprender com a dúvida de sempre
pra nunca ter certeza alguma de nada. Com isso mais aprendi a falar Bororo com
a pedra e a taquara. E a pedra me anunciava uma vida longa, e a taquara me
ensinava a morrer e a voltar. A pedra então me ensinou a não dobrar com o sopro
dos ventos e a força das chuvas, enfrentando o calor, as dores e a preocupação,
e a taquara me ensinou a ressurreição nos filhos com a raiz germinando a
nascer, crescer, até morrer ouvindo o canto dos pássaros. Aprendi, enfim, a mim
mesmo com o inexato e o improvável de tudo, as palavras, pensamentos e ações, e
a ir até o começo dos tempos com a música das esferas, vida após vida, todos os
dias, o propósito e a razão, a emoção e os mistérios, meios e fins, a
transcender as dependências na armadilha da ilusão. © Luiz Alberto Machado.
Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.quinta-feira, agosto 09, 2018
TAGORE, LEZAMA, SHOSTAKOVICH, MALEBRANCHE, MILLÔR & FLÁVIO, MARIO CRAVO NETO, O SOL & A LUA
O AMOR DO SOL E DA LUA - Antes não havia
nada. A terra era o céu. A manhã vivia no coco de cajubi, guardado pelo
urubu-rei que morava num buraco vermelho na Via Láctea. Um susto com a chegada
do urubu-branco, sem querer, quebrou-se o coco e surgiu a alvorada. A partir de
então reinava o dia e, com ele, Mbud-ti que desceu primeiro a terra e admirou-se
com tudo, a seguir muito feliz pelas maravilhas. Dias se passaram e se sentiu
sozinho. A noite adormecia no fundo das águas, no coco do tucumã, guardado pela
Cobra Grande e Azã gritando tati para acordá-la na vigilância. Mbud-ti queria a
noite para dormir e aproveitou-se do cochilo dos vigias e levou-o consigo. O
coco fazia um barulhinho: ten, ten, tem - eram os grilos, corujas, rãs, sapinhos,
urutaus, morcegos e todos os seres noturnos. Espicaçava a curiosidade, ansiava
por libertar a noite daquela prisão. Tomando distância, bateu com o coco numa
quina duma pedra e, ao se quebrar, a noite apareceu com seu silêncio e trevas, bichos
e coisas. Tudo se transformou na escuridão. Aracuã, Jacupeba, Urutau, antes
homens, tornaram-se pássaros noturnos. Foi ali que Mbud-ti viu pela primeira
vez a sonâmbula Mbudu-vri-re, a linda e nua Capéi, vagando sem rumo. Saiu a
toda carreira na direção dela, mas ela desapareceu repentinamente. Ao acordar Capéi
se viu nua e a sua brancura alumiava tudo, regulando as marés e a germinação
das sementes, o brilho das pedras, o fluxo das mulheres, o nascimento das
crianças e bichos. Ao acordar, de longe ela viu um belo vulto, era Mbud-ti que
rondava. Assustada, escondeu-se numa moita. Ele passou tristemente
procurando-a, sem que pudesse vê-la escondida. Ela viu melhor aquele por quem
seu coração palpitou de amor no primeiro instante. E ao segui-lo, não mais
conseguiu encontrá-lo. Havia sumido. O solitário coração de Mbud-ti tremia de
paixão, levando-o a vagar por dias e noites no seu encalço. O dela, também,
entregue a paixão por aquele que apenas viu passar. Depois de muita busca e
espera, deu-se um eclipse, foi quando miraram um ao outro e suspiraram de amor.
Apesar da curta duração do evento, ambos logo ansiaram pelo reencontro. Como
não conciliavam o tempo e o espaço, abateu-se uma grande tristeza nos
enamorados. Durante o dia Mbud-ti perseguia de leste a oeste à procura dela.
Por toda noite Capéi sonhava com a chegada do seu amado. Os solitários cumpriam
a sua sina. Logo as estrelas apareceram para consolar Capéi que lamentava a
dura sorte, sempre cheia ou nova com as lembranças dos momentos com o seu amado,
crescente ou minguante quando entristecida com sua ausência. Veio então, muito tempo
depois, um novo eclipse e puderam namorar: ele abraçou-a, deitou-se sobre a sua
brancura aos beijos, envolvendo-a com sua imensa paixão, e se amaram com
êxtase. Nesse momento todas as aves cantaram para alegria deles. No prazer dos
corpos, eles foram elevados aos céus, transformando-se no eterno amor entre o
Sol e a Lua. PS: Recriação das
lendas recolhidas de O selvagem (CEN,
1940), de Couto de Magalhães; Mitos dos
índios Tembé do Pará e Maranhão e Os
Apinajé (RPHAN, 1986), de Curt Nimendaju Unkel; e Entre os aborígenes do Brasil Central (Cultura, 1940), de Kar von
Den Steinen. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui & aqui.sábado, outubro 14, 2017
ÍTALO CALVINO, ARENDT, NIETZSCHE, CECÍLIA KERCHE, CUMMINGS, WOLF VOSTELL, RENATO JANINE, MAKABRESKU, O SOL & A LUA.
O SOL E A LUA - No tempo
em que o Sol e a Lua eram gente, certo dia, o curumin caeté Fiietó brincava de
caçar na mata, quando encontrou uma linda menina e se aproximou dela: Você está
brincando de caçar? Tô não, tô perdida. Perdida? Sim, saí atrás de uma linda
bobroleta e perdi o caminho de volta pra casa. Onde você mora? Não sei, estou
perdida. Qual a sua tribo? Sou caingang. Nunca ouvi falar. Acho que corri
demais atrás da borboleta de não perceber tão longe que fui. E você, é de qual
tribo? Ah, sou caeté. Nunca ouvi falar, também. E agora? Não sei, estou
perdida. Vamos brincar por ali pela lagoa, aí você, quem sabe, não encontra o
caminho de de sua casa, hem? É, vamos. Como é seu nome? Iaravi. E o seu?
Fiietô. Ah, tá, vamos pra lagoa? Vamos. E saíram os dois até chegarem à lagoa e
ficaram brincando de mergulhar com os peixes. Pulavam, timbungavam, maior
festa. Vamos ver de nós dois quem atira cipó mais longe dentro d’água? Nunca
brinquei disso. Ah, porque você é menina, não sabe como é brincar coisa de
menino. É, então vamos, quero aprender. E ficavam pegando gravetos e cipós no
chão da mata e jogavam dentro d’água. Os peixes pulavam pra pegar as coisas
jogadas no ar. Virou uma competição. Aí Fiietó gritou: Saiam, não é pra vocês
pegarem, estamos apostando quem joga mais longe. Ah, os peixes nem deram conta,
pulavam mesmo assim e interceptavam tudo no ar. Vocês estão atrapalhando nossa
brincadeira! Ah, deixa, eles estão brincando com a gente, vamos nadar com eles?
Então, vamos. E saíram nadando com os peixes e estes, para provocar os dois,
ficavam apenas com o rabinho fora d’água só pra provocá-los a virem nadando
atrás deles. Iaravi ia prum lado atrás dos que via, Fiietó ia pro outro com o
mesmo objetivo. Tanto foram pra lados opostos que se distanciaram e, quando
menos esperavam, esbarraram um no outro. Eita! Batemos com a cabeça. Foi. Estou
cansada com esses peixes, eles me botaram para nadar muito. Eu também, vamos
voltar pra margem? Vamos. E retornaram, ficaram olhando o brinquedo dos peixes
pulando fora d’água e se riam muito com isso. Já estava escurecendo quando
Iaravi ficou preocupada em voltar: E agora? Como volto pra casa? Ah, a gente se
esqueceu de procurar o caminho, vamos ver se a gente encontra. Saíram, andaram,
andaram, nada de Iaravi achar, quando Fêetó resolveu levá-la pra tribo dele. Lá
chegando os dois se juntaram aos demais, cearam e foram dormir. No outro dia
acordaram, tiraram o jejum e foram ver se achavam o caminho de volta pra casa
dela. Foram pra mata e lá começaram a brincar de esconde-esconde, o que é que
é, até que encontraram uns pica-paus e ele pediu um chapéu daquele cor de fogo
feito os deles. Logo um dos pica-paus retirou um e deu pra ele, fazendo-o de
leque. Bonito? Sim. E pra ela? Outro pica-pau deu um pra Iaravi. Eu estou bonita
agora? Está. Vamos? Vamos. E ambos brincaram comos pássaros, de pula-pula e
correr e voar. Lá pras tantas os pica-paus se despediram e foram embora, eles
estavam felizes com os leques feitos chapéus cor de fogo na cabeça. Ah, agora
você se faz de cega preu brincar de lhe guiar pela mata, tá bom. Nessa brincadeira
ela muito tropicou nos galhos quebrados e secos, nas raízes e muitas pedras, a
ponto de invocar-se e não querer mais brincar disso não. Ao abrir os olhos
avistou uma casa de marimbondos. Vixe! Vamos embora, corre, olha ali uma casa
de marimbondos. Era tarde, correram tanto que findaram mergulhados dentro da
lagoa. Alguns peixes pularam e comeram alguns dos marimbondos que não
resistiram e foram embora. Visse? Não fosem os peixes, a gente ia morrer
afogado. Era mesmo, ainda me ferraram. E Fiietó realmente constatou inchaço nas
faces e nas costas de Iaravi. Está doendo? Está. Vamos lá pra minha tribo
cuidar disso. E voltaram. Chegaram lá, foram pro feiticeiro que passou uns ungüentos
na pele de Iaravi e lhe deu um remédio para beber, demorou um pouquinho, a dor
passou, mas continuava com a face e as costas inchadas. Ela então se deitou no
chão da oca e ali adormeceu. Será que ela vai ficar boa? Vai, é só efeito do
remédio que eu dei, logo ela acorda e volta a brincar com você. No outro dia
Iaravi acordou e foram brincar de esconde-esconde de novo, ela tanto se
escondeu que Fiietó não mais encontrou. Perdeu-se, sumiu-se. Caçou ele por tantos
lugares e lonjuras, não mais encontrou Iaravi. Ele ficou muito triste, estava
com saudades dela. Encostou-se numa pedra perto da lagoa e logo os peixes
apareceram pulando na água. Ela desapareceu, não achei mais não. Queria era
crescer, ficar grande, para encontrá-la. Quem sabe, ela esteja perdida na mata.
Nessa hora um peixe deu um pulo maior e com um toque de barbatanas fez Fiietó
crescer, agora um rapaz forte, bonito, guerreiro. Obrigado, amigos peixes,
agora vou procurar Iaravi, se vocês encontrarem me avisem, viu? Vamos. E saiu morro
acima, montanha abaixo, terras distantes nunca vistas. Bem distante dali,
estava Iaravi soluçando na beira de um rio distante, quando os peixes pularam
foram d’água. Ah, amigos peixinhos, que bom encontrar vocês por aqui. Viram Fiietó?
E um dos peixes pulou, bateu a barbatana e Iaravi cresceu, tornando-se uma
linda cunhã. Os peixinhos ficaram pulando como se a chamassem para nadar. Vocês
sabem onde está Fiietó? Eles mais pulavan, ela entendeu que era pra segui-los.
E ela nadou dias e noites. E Fiietó procurou por ela noites e dias. Cansavam,
descansavam, tornavam a procurar um pelo outro, ao cabo de uma semana, quando
ambos já haviam perdido as esperanças, sentaram cada qual na beira oposta de um
grande rio, extenuados e sem mais esperanças. Estavam desapontados por não
reencontrarem um ao outro. Ela olhava tudo ao redor, o céu, a terra, o mato,
quando percebeu os peixes pulando de novo e não entendia. Vieram os pica-paus
em bandos cantando, ah, os amiguinhos pica-paus, que vocês querem? Não
entendia. Da mesma forma, na outra margem do grande rio, também os peixes e os
pica-paus faziam o mesmo com Fiietó e ele não entendia. O que vocês querem? Os
peixes mais pulavam e os pica-paus mais bicavam no ar, como se mandando ele a segui-los.
E assim foi, ele mergulhou no grande rio e pôs-se a nadar acompanhando os
peixes e os pássaros. Lá longe Iaravi avistava outros pica-paus voando aos
pulos dos peixes na água, enquanto os que estavam com ela aumentavam no bater
das asas e nos pulos na água. Demorou pra ela perceber umas braçadas firmes de
gente na água, acompanhando os pulos dos peixes e o vôo dos pássaros, vindo em
sua direção. Mais um pouco os braços se aproximavam e os pica-paus que vinham
se encontravam com os outros que estavam com ela e, na água, aumentou em muito
os pulos com muitos peixes até a chegada dele na beira do rio. Era Fiietó. Ela
ficou feliz. Fiietó? Iaravi? Era o reencontro. E se abraçaram, se beijaram e
juraram nunca mais se afastarem um do outro. Tanto é que passaram a tomar conta
do mundo, ele de dia passou a ser o soberano Sol brilhando do amanhecer até o
final das tardes, e ela, de noite, tornou-se a radiante Lua com suas fases para
iluminar o caminho dos que se perdem. (Recriação a partir das lendas indígenas
amazônicas recolhidas de Notícia dos Ofaié-Xavante
(Revista Museu Paulista, 1951), de Darcy Ribeiro, e Os apinajé (Boletim do Museu Paraense Emiolio Goeldi, 1956), de
Curt Nimuendaju). © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui & aqui.um pouco como música,um
pouco mais como uma cor curvando-se(por exemplo
laranja)
um maravilhoso odor no meu pensamento,
como a minha menor pulsação se torna menos.
E então toda a beleza dela é um torno
subitamente luminoso e preciso
cabelo dela.
O
lírio
do céu
cheio de todos os sonhos,
desce
cerca-a de intricados débeis pássaros
com margaridas e crepúsculos
Aprofunda-a,
sobre a sua
carne
as pérolas
quarta-feira, dezembro 31, 2014
PAULA SIMONETTI, LAUREN KATE, MARIANNE WILLIAMSON, JORDAN PETERSON, BASUKI & LITERÓTICA
CAPÉI, A DEUSA SELENE – A noite saiu do coco de
Tucumã e a moça das águas da cachoeira, sozinha no fundo dos bosques, acendeu
os vaga-lumes e à beira do lago sua imagem influenciou a natureza e regulou as
marés, a germinação das sementes, o fluxo das mulheres, o nascimento das
crianças e dos bichos e o brilho de certas pedras de cor. E a moça branca das
águas da cachoeira vivia sozinha no fundo dos bosques, o meu amor proibido. Sua
lágrima se fez Amazonas e alumiou meus versos de ermitão. E eu a segui até o
terminadouro, navegante solitário, seguindo seus passos até me envolver em seu
breu para nunca mais raiar o dia. Nela eu virei tetéu e se fez eterna guardiã
para cantá-la: quero-quero e pra vigiar a volta do sol. E cantando comigo me
fez Selenito, andejo da noite em que a coruja segura o ponta do céu como se o
meu amor tivesse ido e se foi, o meu amor já se foi, já foi, foi... Era ela nua
aos meus pés pagãos, um discípulo que dela se apropriou: ela diz que sou seu
amor, ninguém sabe, desde então ela sempre me amou. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui e aqui.
DITOS & DESDITOS - Insanidade é fazer a mesma coisa
repetidamente esperando resultados diferentes. Não há progresso sem mudança de
atitude. É melhor se arrepender de algo que você fez do que se arrepender de
algo que não fez. O que define você é o que você faz quando se sente mais
entediado... Pensamento do psicólogo, escritor e professor canadense Jordan
Peterson, autor da obra Maps of Meaning: The Architecture of Belief (Routledge, 2000). Veja mais aqui.
ALGUÉM FALOU: O amor é com o que nascemos. O medo é o que aprendemos. A jornada espiritual é o desaprendizado do
medo e dos preconceitos e a aceitação do amor de volta em nossos corações. O amor é a realidade essencial e nosso
propósito na terra. Estar consciente disso, experimentar o
amor em nós mesmos e nos outros, é o sentido da vida. O significado não está nas coisas. O significado está em nós...
Pensamento da escritora
estadunidense Marianne Williamson.
Veja mais aqui.
QUEDA - [...] A confiança é, na melhor das hipóteses, uma busca descuidada. Na pior das hipóteses, é uma boa maneira
de morrer. [...] A única maneira de sobreviver à eternidade
é poder apreciar cada momento [...] Você sabe que
todo mundo adora odiar um casal feliz de pombinhos. [...]. Trechos extraídos da obra Fallen (Galera, 2010), da escritora estadunidense Lauren
Kate, que na obra Torment ( Ember, 2011), expressou que: [...] Às vezes, coisas bonitas surgem em nossas
vidas do nada. Nem sempre conseguimos entendê-los, mas
temos que confiar neles. Eu sei que você quer questionar tudo, mas
às vezes vale a pena ter um pouco de fé. [...] O amor
nunca morre [...] A solidão no meio de uma multidão
era o pior tipo de solidão, mas ela não conseguia evitar.
[...]. Já na obra Rapture (Delacorte,
2014), expressou que: [...] Quero que você saiba que eu faria tudo de novo. Eu escolherei você todas as vezes. [...].
E na Passion (Ember, 2012), expressou que: […] Amarei você de todo o coração, em cada
vida, em cada morte. EU não
estarei vinculado a nada além do meu amor por você [...]. Além disso é
autora de frases como: A sabedoria segura uma vela para a
experiência, mas você tem que pegar a vela e caminhar sozinho... O passado é importante por todas as informações
e sabedoria que contém. Mas você pode se perder nisso. Você precisa aprender a
manter o conhecimento do passado com você enquanto busca o presente...
EU NÃO VOU FALAR - vou
falar sobre outra coisa \ nunca é isso \ não vou te falar \ Suficiente \ Eu vou
te desenhar assim sutil \ paraíso de papel \ sem te contar sobre os piolhos ou
os sonhos \ o olhar que se abre para uma breve infância \ vou falar \ sobre as
redes \ os rosários \ talvez você não reze \ que você não balançou \ ontem \ Manhã
\ nunca \ Não vou retomar a conta \ hematomas que desaparecem, mas para dentro \
explodir novamente no gesto das crianças \ de seus filhos e ad eternum \ Vou
esquecer mais tarde quando estiver falando \ a ninguém \ por Picasso \ isso \ machuca
\ não sua mão firme como \ a rigidez de um louco \ você virou o rosto e outro
voltou \ de uma só vez, seu filho se tornou um homem \ Você não vai me dizer
que eles são crianças \ vou falar sobre outra coisa \ embora eu volte \ para
este alfabeto \ que só fala de você e da minha infância \ nada mais \ não diz o
suficiente \ Não foi feito para dizer o suficiente \ Não vou falar do golpe e
da marca \ a maneira como sua mão esmaga o gesto \ do seu filho como se ele
fosse uma mosca de verão \ Vou falar sobre a maneira como sua mão \ surge de
dentro do poema \ e desfaz. Poema extraído da obra En la boca de
los tristes (Editorial Lo que Vendrá, 2014), da poeta e professora Paula
Simonetti.
AS MULHERES DE BASUKI ABDULLAH
A arte do pintor e professor indonésio Fransiskus Xaverius Basuki Abdullah (Muhammad Basuki Abdullah - 1915- 1993), espancado até a morte por três agressores durante a invasão de sua casa em Jacarta.
SACADOUTRAS
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
A crise tá virando zona
Cada um por si todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down the high society
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá pra atola, Alá
Tá cada vez mais down the high society
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down the high society
The high society
Down, down, down
The high society
Down, down, down
High society
Down, down, down, down, down
High society
High society, high society, high society, high society
Down, down, down
High society
Down, down, down, down down
High society
Down, down, down
High society
Down, down, down
Ah, Deus
RAQUEL VARELA, OMAIMA AL-KHAMIS, OLIVE SENIOR & SANDRA RIBEIRO
Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Ressaca aluada de panacei...
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Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Fábula dos embeiçados desavindos... ...
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DORO, A TEIBEI & ORÁCULO... – Doro aperreou-se: a situação não estava nada auspiciosa; de promissor mesmo, só a vontade de tom...
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Imagem: Contornos da ubiquidade , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM . Ressaca aluada de panacei...
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TATARITARITATÁ: PROJETO CORDEL NA ESCOLA - Trata-se de um projeto que envolve palestras e oficinas sobre Literatura de Cordel para estu...
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Art by Maxwell Dickson GALOPE DO AMOR DOIDO DE ALEGRIA – O galope só é bom quando a beira-mar é o corpo da mulher amada, mar q...























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