sexta-feira, fevereiro 27, 2015

LI TAI PO, RICOEUR, SAURA, MILLÔR, MÕNICA SALMASO, URGEL &RALPH GIBSON.


LAMENTO DO GUARDIÃO DA FRONTEIRA – O poeta predestinado ou imortal chinês Li Tai Po (701-762) possui uma obra composta de mais de mil poemas reunidos em vinte e quatro livros e divididos em doze cadernos, nos quais manifesta sua imaginação extravagante ao comunicar sua personalidade e espírito livre que exorta a vida faustosa, suas interações com a natureza, o amor pelo vinho, a amizade e o olhar aguçado sobre a vida, tendo sido condenado à morte por mais de uma vez, suicidando-se embriago ao se atirar no rio Yang-tsé Kiang. Dele destaco o poema Lamento do Guardião da Fronteira, inserido no ABC da Literatura, de Ezra Pound, traduzido por Augusto de Campos: Pelo Portão do Norte sopra o vento carregado de areia, / solitário desde a origem do tempo até agora! / Árvores caem, no outro a relva amarelece. / Galgo torres e torres / para vigiar a terra bárbara: / desolado castelo, o céu, o amplo deserto. / Nenhum muro de pé sobre esta aldeia. / Ossos alvos com milhares de geadas, / altas pilhas, cobertas de arvores e grama; / quem fez com que isto acontecesse? / Quem trouxe a cólera imperial flamante? / Quem trouxe o exército com tambores e timbales? / Bárbaros reis. / De uma primavera suave a um outono de sangue e sangue, / trezentos e sessenta mil, / e tristeza, tristeza como chuva. / Tristeza para ir, tristeza no regresso. / Desolados, desolados campos, / e nenhuma criança de campanha sobre eles, / não mais os homens para a ofensa e a defesa. / Ah! Como sabereis de toda esta tristeza no Portão do Norte, / com o nome de Rihaku esquecido / e nós, guardiões, pasto de tigres? Veja mais aqui e aqui.

  Imagem: Infanta nude (2011), do premiadíssimo fotógrafo estadunidense Ralph Gibson.

Curtindo o dvd Alma Lírica Brasileira ao vivo (2011), da cantora Mônica Salmaso.

INTERPRETAÇÃO E IDEOLOGIAS – A obra Interpretação e ideologias (F. Alves, 1990), do filósofo francês Paul Ricoeur (1913-2005) aborda temas como a tarefa da hermenêutica numa trajetória que vai da epistemologia à ontologia, a função hermenêutica do distanciamento, a efetuação da linguagem como discurso, o discurso como obra, a relação entre a fala e a escrita, o mundo do texto, compreender-se diante da obra, a ciência e a ideologias, os critérios do fenômeno ideologia, as ciências sociais e ideologia, a dialética da ciência e da ideologia, a alternativa de uma hermenêutica crítica, os neoconflitos das sociedades industriais avançadas, ausência de projeto coletivo, o mito do simples e esgotamento da democracia representativa, a ideologia da conciliação e do conflito a todo preço, a nova estratégia do conflito, entre outros assuntos. Na obra destaco o seguinte trecho: A marginalização constitui, sem dúvida, o maior perigo, que correm atualmente os grupos de contestação. Essa marginalização é a contrapartida do reforço de todos os poderes estabelecidos, num sentido cada vez mais repressivo e policialesco. A polarização —que se pretende nos impor a todo preço — está em vias de produzir no mundo todo seus frutos amargos: o ciclo contestação repressão está esboçado, mas funciona cada vez mais em proveito do poder e em detrimento das liberdades públicas. Quanto à ação, ou antes, à pseudo-ação, já se encontra contaminada pela busca do espetacular, pela teatralização. Ê interessante notar como a ação, ao tornar-se ineficaz, tende a converter-se em espetáculo. Certamente' compreendo a intenção: quando a palavra ordinária perdeu sua eficácia, pode parecer hábil aplicar uma terapêutica de choque nas massas cloroformadas. Mas o efeito é tão desastroso sobre aqueles que aplicam o remédio quanto sobre os que o recebem. É o que chamo de a teatralização. Por teatralização, entendo a substituição da política real por uma espécie de política-ficção, incapaz de separar a fantasia do real, e reduzida a uma encenação. Bem que eu gostaria que a "guerilla-theater", tal como a vi funcionar nas universidades americanas, fosse um meio novo e eficaz para abrir as massas à política, mas parece que ela indica apenas que a própria ação se tornou teatral. Sem dúvida, a ação simbólica tem sua força, como a tinham os gestos simbólicos dos antigos profetas de Israel. Mas o que há de mais perigoso que uma ação reduzida a uma fantasia e sub-repticiamente subtraída às condições reais da ação eficaz? A ação possui suas leis, sua racionalidade própria. Um dos sinais da contracultura consiste em negar essas leis e essa racionalidade. Mas há um preço a pagar: a impotência de influir sobre a sociedade. O mais grave de tudo é o progresso da não-comunicação na sociedade. A patologia do conflito em nossa sociedade chega ao cúmulo quando o adversário nem mesmo é reconhecido. Já se falou da sociedade em migalhas, em todos os planos: profissional, cultural, religioso. O aspecto mais grave da sociedade em migalhas consiste na ruptura do vínculo social no nível do casamento, dos estilos de vida, e no surgimento de uma sociedade paralela ou, como dizem os americanos, da altemative society. Mas que alternativa, senão a dissidência que deixa tudo no mesmo lugar, que inquieta e ameaça, mas sem lançar as sementes de mudança? Veja mais aqui.

FLÁVIA, CABEÇA, TRONCO E MEMBROS – O texto teatral – ou como assinala o próprio autor: tragédia ou comédia em dois atos -, Flávia, cabeça, tronco e membros (L&PM, 1977), do saudoso escritor, dramaturgo, tradutor, desenhista, humorista e jornalista Milton Viola Fernandes, ou simplesmente Millôr Fernandes, é um dos primeiros projetos de uma mulher liberada em 1963, que usa seu fascínio e liberdade ao absurdo das caricaturas ao abordar sobre poder, força e a permanente capacidade de mistificação inerente ao ser humano. Destaco a cena do segundo ato, em que o Juiz Paulo Moral pega um papel na mesa e fala: Mao Tsé me mandou um telegrama, aplaudindo minha sentença. Esse me compreende, sabe o que estou dizendo. Que nosso irmão querido é uma ameaça no espaço. Constante. Nos roça mais de que devia. Nos aperta mais do que podia. É isso. Já nos aperta. Já somos gente demais. Assim, se não temo coragem de fazer uma eliminação sumária é preciso ao menos estimular os que têm e eliminam. (Bem coloquial). Inda ontem mesmo estava eu as seis horas da tarde na Avenida Copacabana e o fantasma da superpopulação esbarrou no meu braço. Quase me estrangulou. E além de tanta gente chafurdando nas ruas, milhões no aconchego de alcovas, camas de randevus e até leitos burgueses preparando mais gente. Mais gente e mais, mais gente, muito mais, muito mais gente. Até minha velha senhora espera um neto! Alguém pode evitar que se procrie? (Quase gritando). Eu absolvo todos! São todos livres para o novo exemplo. Vocês sabem, vocês sentem, se já não sentiam, se já não sabiam: o homem abdicou da alma. O avião da asa. Vem aí o omelete sem ovo! (Assina, rápido, um papel com uma grande pena de ave, colorida. Em tom geral). Ide, missa est. [...] (Em tom terrível) Posso. Pelas chagas de um Cristo fracassado, posso. Posso pelos princípios da força e da fraqueza. Posso por uma visão essencial da Queda. Pela felicidade que poucos merecem e menos compreendem também posso. Posso pois voltei ao Sinai e trouxe tabuas de matéria plástica. Novas revelações, novas palavras, novos vícios, erros novos. Quem será condenado se de repente explodir um astronauta e podre e em fragmentos ficar em torno de nos girando o seu fedor por toda Eternidade? Quem será condenado? Belle époque, lei seca, padrão-ouro, melindrosas, não morrestes em vão! O fogo é fresco, a água seca; o infinito uma limitação. Pela última dor do ser humano, posso. Posso por Hiroshima, amor de mis amores. Posso. Eu, Paulo Belmonte Joaquim Moral, juiz, posso. Pelo direito infernal, pela Santa Moral, por algo que me dói aqui no peito, pelos dez mandamentos idiotas, pela jura de Hipócrates hipócrita, por todos os códigos mais feitos, pelo feroz direito da impotência, posso, Meritíssimo, posso. Posso até fazer nascer um dia novo! (Sem transição, apenas mudando de tom). E além disso estou armado. (Puxa violentamente uma Lugger da toga. Arma-a com ruído violento. Avança lenta e firmemente para a frente. O promotor vai recuando rapidamente, some. Moral continua avançando, com o olhar firme no público. Quando atinge a linha do proscênio o pano cai). Fim. Veja mais aqui e aqui.


LARA, DUPLA IDENTIDADE – Neste sábado, dia 28 de fevereiro, acontecerá o lançamento de mais um romance da série "Lara - Dupla Identidade", do poeta e escritor tricordiano Ronaldo Urgel Nogueira. Serviço: Dia 28/02, das 17 às 21 horas, na Savel no Santa Tereza, em Três Corações, sul de Minas (Info: Meimei Corrêa). Veja mais aqui.


SALOMÉ DE AÍDA GOMEZ –O encantador filme Salomé (2002), do cineasta e roteirista espanhol Carlos Saura, começa como se fosse um documentário sobre os bastidores de preparação para o espetáculo Salomé, com o diretor passando as instruções para os bailarinos. Na cena os iluminadores e cenografistas estão trabalhando simultaneamente. Entre os ensaios, os bailarinos apresentam a encenação da peça. Eis que surge a magistral bailarina e coreógrafa Aída Gomez e encanta toda cena. Imperdível. Veja mais aqui.



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