quarta-feira, fevereiro 05, 2020

THOREAU, COLLEEN MCCULLOUGH, MARGOT FONTEYN, CULTURA POPULAR & ARTE PERNAMBUCANA


A SOLIDÃO DE THOREAU – Sou o recluso de concórdia: um pesquisador-sonhador entre a verdade, o erro e a ilusão. Mais, medindo o que há de alegria na tristeza, da clemência à crueldade, da sabedoria à ignorância, ideias e afeições, o tranquilo desespero que todos transitam na experiência. Ninguém me conhece; e, ao me reconhecer, não me entende na tirania débil da opinião pública. Estou só e não sei onde deixei a lanterna de Diógenes, não há. Ademais, sigo maravilhado com a beleza da vida: os fins são fúteis; os meios, insuficientes. A minha contemplação é mais que solitária: cumprir com o meu dever e nas minhas deduções íntimas, a minha obrigação para com a vida: retribuir o devido. Sou uma entidade humana e divago entre a necessidade e o livre arbítrio pela fonte lírica, musical e maravilhosa que é a vida. Só o que posso saber e ver, do insensato até o incoerente: o universo existe em mim, do insignificante ao mais monstruoso. Quando vejo, falo como se a honestidade dos pássaros e todos os outros animais que não sabemos nos comunicar, nos dissesse que não somos unos com a Natureza, a nossa triste história do nascimento à morte e o esquecimento definitivo. Afinal ninguém precisa de sua origem e destino. Só o amor é sabedoria e ninguém conhece seus fundamentos. Apenas canto a minha canção como o Universo canta a sua no meu coração. Devo viver só, sem depender de nada nem ninguém. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Pouco antes de seu décimo quinto aniversário, quando o calor do verão principiava a aumentar, rumo ao seu máximo estupeficante, Meggie notou manchas pardas, irregulares nas calças. Um ou dois dias depois as manchas desapareceram, mas seis semanas mais tarde, voltaram, e a vergonha mudou-se em terror. Na primeira vez julgara-a sinais de um traseiro sujo, e daí a sua mortificação, mas, na segunda, viu que se tratava inegavelmente de sangue. Não tinha a menor ideia da sua procedência, mas presumiu que viesse do traseiro mesmo. A lenta hemorragia desapareceu três dias depois e não voltou por mais de dois meses; a lavagem furtiva das calças passara despercebida, pois era ela mesma que lavava quase toda a roupa. O ataque seguinte lhe trouxe dor, as primeiras cólicas não hepáticas de sua vida. E a sangria foi pior, muito pior. Ela furtou algumas fraldas dos gêmeos, que tinham sido postas fora de uso, e tentou amarrá-las por baixo das calças, horrorizada pela perspectiva de que o sangue pudesse transpassá-las. [...] A morte que levara Hal havia sido como uma visita tempestuosa de algo fantasmagórico; mas essa cessação do próprio ser era aterradora. Como poderia ela procurar Fee ou Paddy para dar-lhes notícias que estava morrendo de alguma doença indecorosa e proibida do traseiro? Somente a Frank teria ela podido contar suas dificuldades, mas Frank estava tão longe que não sabia onde encontrá-lo. Ela ouvira as mulheres falar, à mesa do chá, em tumores e cânceres, mortes lentas e horripilantes, que suas amigas, suas mães ou suas irmãs haviam sofrido, e aquilo lhe parecia, sem dúvida, uma espécie qualquer de tumor que lhe corria as entranhas, roendo-as em silêncio na direção do coração assustado. E ela não queria morrer! [...] Suas ideias sobre a morte eram vagas, como era vaga a ideia que fazia do seu futuro "status" naquele incompreensível outro mundo. Para Meggie, a religião era muito mais um conjunto de leis que uma experiência espiritual, e não poderia ajudá-la de maneira alguma. Palavras e frases acotovelavam-se, aos pedaços, em sua consciência tomada de pânico, proferidas pelos pais, pelas amigas, pelas freiras, pelos padres nos sermões, pelos homens maus nos livros quando ameaçavam vingar-se. Não havia maneira com que pudesse chegar a um acordo com a morte, procurando imaginar se a morte era uma noite perpétua, um abismo de chamas que ela teria de transpor num salto para chegar aos campos dourados do lado oposto, ou uma esfera, como o interior de um balão gigantesco, cheio de coros que se alteavam e luzes atenuadas por janelas sem fim de vidros pintados [...] O pássaro com o espinho encravado no peito segue uma lei imutável; impelido por ela, não sabe o que é empalar-se, e morre cantando. No instante em que o espinho penetra não há consciência nele do morrer futuro; limita-se a cantar e canta até que não lhe sobra vida para emitir uma única nota. Mas nós, quando enfiamos os espinhos no peito, nós sabemos. Compreendemos. E assim mesmo o fazemos. Assim mesmo o fazemos [...]. Trechos extraídos da obra Pássaros feridos (Bertrand Brasil, 1986), da escritora australiana Colleen McCullough (1937-2015).

A POESIA DESOBEDIENTE DE HENRY DAVID THOREAU – [...] A grande arte transcende o presente e sugere o intemporal e o eterno [...] A arte difunde a vida. [...] A poesia é... É somente graças a um milagre que a poesia é escrita. Não se trata de um pensamento recuperável. Mas do matiz de um pensamento evanescente. Nenhuma definição da poesia é adequada a não ser que seja em si mesma poesia. A mais detalhada análise, feita pela mais extraordinária poesia, é ainda insuficiente, e o poeta imediatamente provará que ela é falsa, pondo de lado os seus requisitos. A poesia é, na verdade, tudo quanto ignoramos. [...] Há sempre um poema que não se imprime, mas que coexiste com a produção do poema escrito, e que se acha estereotipado na vida do poeta. É aquilo em que o poeta se transformou através da obra. Todo homem será poeta se puder; se não for possível, será um filósofo ou cientista. Isto prova a superioridade do poeta. [...]. Trechos extraídos da obra O pensamento vivo de Thoreau (Martins, 1965), reunindo obras do ensaísta, poeta, naturalista, ativista anti-impostos, crítico, pesquisador, historiador, filósofo e transcendentalista norte-americano Henry David Thoreau (1817-1852), organizada por Theodoro Dreiser. O seu pensamento engloba o ativismo abolicionista, preocupações ecológicas e ambientais, defendendo a desobediência civil individual como forma de oposição legítima frente a um estado injusto, influencia personalidades como Gandhi, Tolstoi e Martin Luther King. Veja mais aqui, aqui & aqui.

MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR
[...] precisamos acreditar no povo e dar a cada indivíduo as condições necessárias para que ele se transforme em sujeito crítico e participante nos vários níveis da sociedade igualitária. Dessa forma, as pessoas se transformarão em cidadãos plenos, exercitando uma vida democrática, de liberdade de escolha e de participação ativa.
MOVIMENTO DE CULTURA POPULAR - Trecho extraído da obra Movimento de cultura popular: impactos na sociedade pernambucana (Liceu,2010), da professora doutora em Educação Popular, Letícia Rameh Barbosa. A obra é oriunda a tese de doutoramento defendida na Universidade Federal da Paraíba, em 2007, e está estruturado com abordagens sobre o contexto histórico-cultural, os conceitos essenciais para se conhecer o Movimento de Cultura Popular (MCP), a influência nos vários setores da sociedade recifense, a educação com Paulo Freire, os conflitos e declínio, e as contribuições do MCP como movimento social. Veja mais aqui.

A ARTE DE MARGOT FONTEYN
Coisas menores podem tornar-se momentos de grande revelação quando as encontramos pela primeira vez. Se eu aprendi alguma coisa, é que a vida não forma padrões lógicos. É casual e cheio de belezas que tento pegar enquanto passam, pois quem sabe se alguma delas voltará? A única coisa importante que aprendi ao longo dos anos é a diferença entre levar o trabalho a sério e levar a sério. O primeiro é imperativo e o segundo é desastroso. Gênio é outra palavra para magia, e o ponto principal da magia é que é inexplicável.
MARGOT FONTEYN – A arte da bailarina inglesa Margot Fonteyn (1919-1991), apontada como Prima Ballerina Assoluta da companhia pela rainha Elizabetg II, despontando por suas qualidades excepcionais: lírica, dramática, musical e suas proporções físicas perfeitas. Começou a carreira com apenas dezesseis anos, tornando-se a musa inspiradora e intérprete ideal das criações do coreógrafo Ashton.  Veja mais aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte Vitalino Pereira dos Santos
Encontros com histórias, encontro com leitores, das professoras Ester Calland de Sousa Rosa & Maria Helena Santos Dubeux aqui.
O filme Organismo, de Jeorge Pereira & Bianca Joy Porte aqui.
Acorda Mata Sul & HéricAraújo aqui.
Dominando a acentuação gráfica de Arantes Gomes aqui.
Vulvas Livres aqui.
A Serra do Quati, Capoeiras & Raimundo Lourenço aqui & aqui.


MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...