DITOS & DESDITOS:
[...] o ser humano está
metido entre dois polos: um polo material, que não diz respeito na realidade, à
pessoa verdadeira, mas antes à sombra da personalidade ou o que chamamos, no
sentido estrito da palavra, a individualidade; e um polo espiritual, que diz
respeito à personalidade verdadeira [...] O fim da sociedade
é o bem da comunidade, o bem do corpo social.
[...] O bem comum da cidade não é nem a
simples coleção dos bens privados, nem o bem próprio de um todo(como a espécie,
por exemplo, a respeito dos indivíduos, ou a colmeia a respeito das abelhas)
que dirige só para si e sacrifica as partes. É a boa vida humana da multidão,
duma multidão de pessoas; é a sua comunhão no bem viver; é, portanto comum ao todo e
às partes, sobre as quais se derrama e que devem beneficiar dele; com risco de
se desnaturar si mesmo, implica e exige o reconhecimento dos direitos
fundamentais das pessoas [...] comporta
como valor principal a mais alta acessão possível (isto é, compatível com o bem
do todo) das pessoas à sua vida de pessoa e à sua liberdade de expansão, - e às
comunicações de bondade que, por sua vez, daí procedem. [...] O que constitui o bem comum da sociedade
política não é, pois, somente o conjunto dos bens ou serviços de utilidade
pública ou de interesse nacional (estradas, portos, escolas, etc.) que supõe a
organização da vida comum, nem as boas finanças do Estado, nem o seu poder
militar, não é somente o conjunto de leis justas, de bons costumes e de
instituições capazes que dão a sua estrutura à nação, nem a herança das suas
grandes recordações históricas, dos seus símbolos e das suas glórias, das suas
tradições vivas e dos seus tesouros de cultura. O bem comum compreende todas
estas coisas, mas muito mais ainda, e mais profundo, mais concreto e mais
humano [...] envolve a soma ou
integração sociológica de tudo o que há de consciência cívica, de virtudes
políticas e de sentido do direito e da liberdade, e de tudo o que há de
atividade, de prosperidade material e de riquezas do espírito, de sabedoria
hereditária inconscientemente posta em ação, de retidão moral, de justiça, de
amizade, de felicidade e de virtude, e de heroísmo nas vidas individuais dos
membros da comunidade, enquanto tudo isso é, numa certa medida, comunicável, e
recai numa certa medida sobre cada um e auxilia assim cada um a completar a sua
vida e a sua liberdade de pessoa. É tudo isso que faz a boa vida humana da
multidão [...] O bem comum é coisa
eticamente boa. E no próprio bem comum está incluído como elemento essencial o
máximo de desenvolvimento possível hic et nunc das pessoas humanas, daquelas
pessoas que constituem a multidão unida, para constituir um povo, segundo
relações não somente de força, mas de justiça. [...].
Trechos extraídos da obra A pessoa e o bem comum (Morais, 1962), do
filosofo francês Jacques Maritain (1882-1972). Veja mais aqui, aqui,
aqui e aqui.
A POESIA DE MONTALE
Se me afasto dois dias
os pombos que bicam
na minha sacada
começam a se agitar
seguindo as instruções corporativas.
Ao meu regresso a ordem se refaz
com suplemento de migalhas
e para desapontamento do melro que faz a
naveta
entre o respeitado vizinho de frente e eu.
A tão pouco se reduziu minha família.
E há quem tenha uma ou duas, que esbanjamento
meu Deus!
Solidão,
poema do poeta, prosador, jornalista e tradutor italiano Eugenio Montale (1896-1981), Prêmio Nobel de 1975. Veja mais aqui & aqui.
CRÔNICA
DE AMOR POR ELA
A arte
da poeta, ilustradora, fotógrafa e designer Ayssa Bastos, autora do livro de poesia visual Aguardados (2012), que possui formação em cinema e desenho
industrial e tem realizado exposições de artes plásticas, ilustrações, poesia
visual.
&
A OBRA DE QORPO SANTO
Cruzes! Estou hoje tão científico que até
pelos calcanhares sinto entrarem-me pensamentos, ideias e não sei que mais...
A obra do
dramaturgo, escritor e jornalista José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido
como Qorpo Santo (1829-1883) aqui.
















