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quinta-feira, outubro 12, 2017

FERNANDO SABINO, NISIA FLORESTA, LEON ELIACHAR, HELENA KOLODY & CRAIG RUDDY

O SONHO REVELADOR – Imagem: arte do artista australiano Craig Ruddy. - Delzuito não sabia mais o que fazer: o avençado se desmanchava; o caminho certo, topava errado; o que inventasse fazer, era desconstruído no mesmo instantinho, tudo lhe fugia entre os dedos. Nem adiantava agarrar a situação pelos cornos, soltava-se a perder de vista. Disparava em todas as direções, alvos indiferentes; nada dava liga, tudo esgarçado, aos trapos. Pergunta-se o que tinha feito para merecer tudo isso, essa vida tão miserável, não podia ser, Deus estava castigando demais e isso, para ele, era injusto, não aceitava, queria, pelo menos, saber o porquê de tanto sofrimento, tantas mazelas, tantos infortúnios encarreados pra seu suplício sem fim. Restava pegar no ronco e esperar que no dia seguinte alguma luz surgisse no fim do túnel. Depois de catar os fiapos das quedas, restava sonhar vitórias. No sonho era outra pessoa, não tinha a sua feição, mas era como se fosse ele noutro tempo, coisas de mais de século atrás. Era ele, tinha certeza, diferente do que era agora, como se outra pessoa, um notável senhor de muitas posses e serviçais. Sabia ele que já havia sido abolida a escravatura, todavia, ao seu dispor muitos escravos e aos berros: A pobreza é o mal da humanidade! Inexorável, pisava a todos, negociando vidas na defesa dos seus interesses. A qualquer obstáculo, removia desafetos do caminho como quem descarta o indesejável pra lata do lixo. Pronto, resolvido. Agora, maior do que eu só Deus! Abaixo Dele, quem manda sou eu, até aonde a vista alcançar, tudo meu. E tripudiava carrasco contra indefesos ou débeis, tirava proveito de tudo, até da inocência dos imaturos: Chapéu de otário é marreta! Quando queria, estava disposto a tudo: desmoralizar, subjugar, submeter ao mando e gosto. Quando não, atrapalhava a vida de quem ousasse medir forças. De repente acordou esbaforido: Que sonho é esse? Coisa estranha. Levantou-se aturdido e, ao fazer a micção, encarou o espelho: não era ele agora, era aquele do sonho. Como? Esfregou os olhos: isso mesmo, ele era aquele com quem sonhara. Não pode ser? Impossível isso. Virou-se do lado, passou as mãos à face, retornou ao espelho, não era mais, agora ele mesmo. Aliviou-se e voltou pra cama. Tentou dormir enquanto o que sonhara martelava na cabeça. Cochilou e já se encontrava noutro sonho. Era ele agora outra pessoa diferente da anterior, diferente dele mesmo, armado até os dentes, à caça de gente malévola, fugindo da lei, bufando com a mão no crucifixo da volta ao pescoço, mão no cabresto determinando o rumo pro cavalo e a outra na arma do coldre, vigilância de não pregar os olhos por nada, montaria extenuante de dias, cansaço no encontro do chão com o horizonte, terras sem fim. Não era ele como agora, era ele noutro tempo, uns duzentos anos atrás, seguindo estrada afora, a fuga indômita. Viu-se numa cilada, muitos cavalos, tiros, gritos, tudo vinha em sua direção, fugir. Acordou-se lavado em suor. Levantou-se até o espelho: era o mesmo do sonho. Como pode ser? Fechou os olhos, era o do sonho anterior; virou-se de lado e voltou a encarar o espelho: era ele mesmo. Olhou bem firme, ora era ele agora, ora sua face transmudava para as fisionomias dos sonhos, ele antes, ele antes do de antes, tudo era ele. Como podia ser? O que isso quer dizer, hem? Eu ser outros enquanto eu mesmo? Que coisa! Sabia, era ele nos sonhos, fisionomia diferente, porém era ele, sabia, que sonhos loucos! Será que estou endoidando? Não sei, melhor não pensar, sonho é coisa tola, invenção da cachola, só pode. Só em sonho coisas mais sem pé nem cabeça. Se pensar eu endoido, arre. Melhor cuidar da vida. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com a música do cantor e compositor Lenine: Acustico MTV, Live in Cité & O dia em que faremos contato; a cantora russa Sainkho Namtchylak: Stempmother city, Alpha Co & Ethno Orchestra & Delco Session & Ned Rothenberg; da cantora e pianista canadense Diana Krall: Live in Rio de Janeiro, Heineken Jazzaldia & Live@Home; do músico e compositor Edson Natale: Viajante, Toque de Fada, Pequena canção para uma mulher nua, Alfacinha, Guaimbé & Nina Maika. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] O Brasil tinha já fornecido grande cópia de homens ilustrados pelos conhecimentos adquiridos em diferentes universidades da Europa, e a maior parte das brasileiras (mesmo as das primeiras cidades) não logravam a vantagem de aprender a ler. [...] Dizia-se geralmente que ensinar-lhes a ler e escrever era proporcionar-lhes os meios de entreterem correspondências amorosas, e repetia-se, sempre, que a costura e trabalhos domésticos eram as únicas ocupações próprias da mulher. Este preconceito estava de tal sorte arraigado no espírito de nossos antepassados, que qualquer pai que ousava vencê-lo e proporcionar às filhas lições que não as daqueles misteres, era para logo censurado de querer arrancar o sexo ao estado de ignorância que lhe convinha. [...]. Trechos da obra Opúsculo humanitário (M.A. da Silva Lima, 1853), da poeta, educadora e escritora Nisia Floresta (1810-1885). Veja mais aqui e aqui.

O MELHOR AMIGO – [...] Conhecia bem a mãe, sabia que não haveria apelo: tinha dez minutos para brincar com seu novo amigo, e depois… ao fim de dez minutos, a voz da mãe, inexorável: – Vamos, chega! Leva esse cachorro embora. – Ah, mamãe, deixa! – choramingou ainda: – Meu melhor amigo, não tenho mais ninguém nesta vida. – E eu? Que bobagem é essa, você não tem sua mãe? – Mãe e cachorro não é a mesma coisa. – Deixa de conversa: obedece sua mãe. Ele saiu, e seus olhos prometiam vingança. A mãe chegou a se preocupar: meninos nessa idade, uma injustiça praticada e eles perdem a cabeça, um recalque, complexos, essa coisa. – Pronto, mamãe! E exibia-lhe uma nota de vinte e uma de dez: havia vendido seu melhor amigo por trinta dinheiros. – Eu devia ter pedido cinqüenta, tenho certeza que ele dava murmurou, pensativo. Trecho da crônica extraído da obra A vitória da infância (Ática, 1995), do escritor e jornalista mineiro Fernando Sabino (1923-2004). Veja mais aqui e aqui.

AS DEZ MÃES DO ANO & COQUETEL FASCINATION - As dez mães do ano: Mãe moderna é a que faz da filha uma amiga, da amiga uma irmã,do marido um filho, do filho um pai e do pai, pai mesmo, porque pai é pai. Mãe frustrada é a que tenta dezoito vezes ter um filho e tem dezoito filhas. Mãe ingênua é a que sempre diz às suas amigas: "Felizmente, a minha filha foi criada de outra maneira". Mãe aflita é a que espera sua filha chegar do baile do sábado, mas que diabo, hoje já é segunda. Mãe caxias é a que faz tricô de ouvido: passa a noite inteira mexendo com as mãos, mas não tira o olho do noivo. Mãe zelosa é a que vai jogar cartas e se lembra que esqueceu de dar a mamadeira pro menino, pára de jogar, vai lá, depois volta. Mãe vaidosa é a que vive diminuindo a idade da filha, só para poder diminuir a sua, e só não diminui mais senão acaba perdendo a filha. Mãe indecisa é a que tem dois filhos gêmeos e não sabe qual vai se chamar Ricardo, se este ou aquele. Mãe orgulhosa é a que mostra a fotografia do filho no jornal e diz: "Este é meu filho", sem perceber que a seção é policial. Mãe realizada é a que põe seu filhinho no colo e diz: "Agora você já pode casar, meu filho, hoje você completa noventa aninhos". Coquetel fascination: Arranje uma loura de dezoito a 25 anos. Nem menos, nem mais. Que seja bonita e esteja de biquíni. Depois peça a ela pra segurar o copo e comece a despejar, na seguinte ordem: duas azeitonas, duas cerejas, um pouco de cinzano, um pouco de gim, um pouco de martini, um pouco de uísque, um pouco de vodca, um pouco de vinho branco, um pouco de Coca-Cola. Ao abrir a Coca-Cola, verifique se não ganhou um Volkswagen. Se ganhou, largue tudo no chão e vá buscar o prêmio. Mas o mais certo é que não ganhe, pois esses concursos quase levaram à falência a indústria automobilística, tanto que acabaram. Os concursos, digo. Então deixe de fazer divagações, largue a chapinha da Coca-Cola e veja se a loura ainda está segurando o copo. Se não está, bobeou — porque sujeito que tem uma loura de dezoito anos na sua frente, de biquíni, e insiste em preparar coquetel, vou te contar. Extraídos da obra O homem ao cubo (Francisco Alves, 1979), do escritor e jornalista Leon Eliachar (1922-1987). Veja mais aqui e aqui.

SONHAR
Sonhar é transportar-se em asas de ouro e aço
Aos páramos azuis da luz e da harmonia;
É ambicionar o céu; é dominar o espaço,
Num vôo poderoso e audaz da fantasia.
Fugir ao mundo vil, tão vil que, sem cansaço,
Engana, e menospreza, e zomba, e calunia;
Encastelar-se, enfim, no deslumbrante paço
De um sonho puro e bom, de paz e de alegria.
É ver no lago um mar, nas nuvens um castelo,
Na luz de um pirilampo um sol pequeno e belo;
É alçar, constantemente, o olhar ao céu profundo.
Sonhar é ter um grande ideal na inglória lida:
Tão grande que não cabe inteiro nesta vida,
Tão puro que não vive em plagas deste mundo
.
Poema extraído da obra Viagem no Espelho e vinte e um poemas inéditos (Criar, 2001), da poeta Helena Kolody (1912-2004). Veja mais aqui.

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LÁGRIMA DE UM CAETÉ
Lá, quando no Ocidente o sol havia
Seus raios mergulhado, e a noite triste
Denso-ebânico véu já começava
Vagarosa a estender por sobre a terra;
Pelas margens do fresco Beberibe,
Em seus mais melancólicos lugares,
Azados para a dor de quem se apraz
Sobre a dor meditar que a Pátria enluta!
Vagava solitário um vulto de homem,
De quando em quando ao céu levando os olhos,
Sobre a terra depois triste os volvendo...
Poema da poeta, educadora e escritora Nísia Floresta (1810-1885). Veja mais aqui, aquiaqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista australiano Craig Ruddy.
Veja mais aqui.
 

terça-feira, julho 26, 2016

YANOMAMI, MICHAEL HEIM, HELENA KOLODY, GEORGE GROSZ, FLAVIO JOSEFO, ANDRÉ BRITO, ROLLANDRY, FERNANDO ROSA & CARLA TORRINI


DO RAIAR DO DIA AOS NAUFRÁGIOS CREPUSCULARES - Pouco importa que eu viva ou morra, não faz a menor diferença. Tanto é indiferente que, se eu bater a caçoleta agora, vai ter gente que vai pular frevo numa perna só na maior micareta de rojões e outras pipocadas de salvas. Bem empregado, que seja. Pois bem, quando eu for pro saco que eu bata as botas num feriadão, assim ninguém se dará ao trabalho de ir pro meu velório, muito menos pro meu sepultamento - na verdade, bem sei, é só uma desculpa para dizer que eu serei mais um daqueles que só um cachorro guenzo, carregado de carrapato e perebento que acompanhará o féretro até a boca da cova num dia bem chuvoso pra desgosto do coveiro. Até isso! Sei que mereço. Devo mais dizer que seria um santo remédio: menos um pra dar trabalho à humanidade. Afinal, a vida prossegue. Pudera, eu não me prestei pra nada, só dei arrodeios e fui excluído de todas as panelinhas e do bloco do eu sozinho. Inda bem. Se decepcionei os amigos, pelo menos arribaram todos. Nem tenho notícias. Pelo menos não se darão ao trabalho de me ver pelejar, porque eu só dei voo entre arranhões, imprensados, frestas, corda bamba, arame farpado, brechas, réstias, porões e desvãos. Tive a minha vida toda que passar de fininho pelas beiradas, pelos combogóis, clarabóias, persianas, rachaduras entre telhas, ripas e caibros. De utilidade mesmo, só tive as de limpar os coprólitos e perfurmar os ambientes com espessas catingas dos meus borborigmos flatulentos, haja fedorência. O meu labor sempre foi tapar buracos, segurar comportas rompidas, ineficazes remendos em vazamentos improváveis, gambiarras até nos furos de pneus alheios, raios nos troncos, trovoadas, cinzas de ruínas, conter a claridade do sol, aparar chuva com tabuleiro apeneirado e outras contraproducentes empreitadas, avalie. Mesmo assim, antes eu não me arrependia de nada, firme, pronto pra outra. Batia no peito e persistia, insistia, perseverava. Hoje eu me arrependo de tudo que fiz e do que deixei de fazer. Só é diferente quando o dia nasce: estou cheio de gás e pronto pra dissecar broncas, desconstruir aprontações contínuas, encarar o estranhamento das indiferenças e sair abrindo na lapa da venta todos os caminhos que vão entre o bom senso e a insensatez, querendo arrebentar as redomas, couraças, grilhões, até o que aconteceu antes de acontecer, pra saber o que é um tiro pela culatra, o peso dos desabamentos, o susto da topada, o passo maior que a perna e o estouro do topete com a bunda no chão. U-hu! Só da pra mangar e vou me aprontando pros meus naufrágios crepusculares. Não me rendo fácil e enfrento feras diurnas: todo tipo de bicharada pelo dia, todos os meus demônios soltos de noite e a culpa de não ter acertado na veia da vida. Disso só resta o bagaço de corpo que não tem nem onde cair morto. Nessa minha existência toda, uma coisa certa tive de aprender: viver não é nada disso que a gente pensa que é, e o que é eu também não sei. Ah, se soubesse! Só sei que tudo está equivocado, até eu estou redondamente enganado, sei disso, mas algo me diz que a vida é outra coisa maior, tenho essa impressão. Por isso, todo dia arrumo meus mijados e fico pronto só esperando a hora da vez. Enquanto isso, eu vou cantando minha itinerância: e lá vou eu pelas voltas, cheio de nó pelas costas, pro que der e vier, por bem ou por malmequer pelas raias dos ventos. E haja o que houver, até que a vida se esvaia na navalha do tempo! E vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: a arte do pintor e ilustrador alemão George Grosz (1893-1959). Veja mais aqui.

YANOMAMI E NÓS: PACTO DE VIDA
Ter de resisti à dor, à dor. Sem comprender por que à dor, à dor.
Ter de suportar viver à dor, à dor. E sem merecer à dor, à dor.
Se é esse o meu destino, quem é o algoz que o traçou.
Quem me contaminou. Quem me doou a dor.
Homem não existe para ser só animal.
A sua história é mais que corporal.
Abre o sentido para ter, a liberdade.
Com todo mundo que é seu igual, e solidário. Pensará...
Amará... Sonhará... Saberá...
Que a felicidade da cidade não tem que o mato matar.
Ai a dor vai nos unir, o fim da dor começa é assim,
É o filho que não para de crescer, a fruta que vai madurar,
Aquela mão, aquela paz, morena, é aquele olhar
Que é sempre, verde verdejá
É aquele gesto humano, é aquela voz humana,
É aquele amor humano, que chega e diz que vai ficar.
(Milton Nascimento & Fernando Brant), Veja mais aquiaqui e aqui.

PESQUISA:
[...] como tomei parte na guerra contra os romanos e fui testemunha dos feitos que lá se realizaram, conheço vários episódios dela, senti-me obrigado e quase forçado a escrever-lhe a história, para dar a conhecer a má-fé daqueles que, tendo-a escrito antes de mim, obscureceram a verdade [...].
Extraído da coleção História dos Hebreus (Américas, 1956), do históriador e apologista judaico-romano Flavio Josefo (37-100), contando a história do povo judeu e com relatos sobre personagens dos evangelhos de atos dos apóstolos.

LEITURA
Não há mais lugar no mundo. / Não há mais lugar. / Aranhas do medo / fiam ciladas no escuro / Nos longes, pesam tormentas. / Rolam soturnos ribombos. / Súbito, / precipita-se nos desfiladeiros / a vida em pânico.
Pânico, poema extraído do livro Sempre Poesia Antologia Poetica (Imã, 1994), da poeta Helena Kolody (1912-2004).

PENSAMENTO DO DIA: 
[...] porque nossas máquinas nos dão o poder de esvoaçar pelo universo, nossas comunidades crescem em fragilidade, volatilidade e efemeridade na medida mesma em que nossas conexões se multiplicam.
Trecho extraído da obra The metaphysics of virtual reality (Oxford, 1993), do educador e filósofo do ciberespaço MA Ph.D, Michael R. Heim.

IMAGEM DO DIA: 
A arte do artista plástico Fernando Rosa

Veja mais sobre Alter ego, Carl Gustav Jung, Aldous Huxley, Cassiano Ricardo, Bernand Shaw, Gilson Peranzetta & Mauro Senise, Anthony Burgess, Stanley Kubrik, Jean Baptiste Camille Corot, Demócrito Borges & Rachel Lucena aqui.

DESTAQUE:
Caminho sem me reportar a lugar nenhum... Só o sonho, o desejo, o fascínio e a sedução levantam meus pés das areias e remetem meus olhos às estrelas... Caminho em direção ao castelo de cristal a procura do nada de mim mesma... Um nada que nem sei se existe porque não sei o que é sólido, o que é concreto, o que é real... Habito o castelo construído de sonhos e recheado de emoções... A paixão me fascina no orgasmo sedutor da glória de sentir... Se emocionar sempre até as mais íngremes consequências... Sempre adiante sem saber aonde, apenas o mergulho simbiótico da relação de mim... Um ser humano... No seu verbo presente e intransitivo... Agora, já, neste instante... Um ser humano não de ações, mas de emoções... Mais do que isso, de paixões até o dilaceramento do que vem de fora e que sangra o de dentro... Procuro intensamente e mergulho na lama mais pérfida do objeto ser... De braços abertos no corpo e na alma... Um ser humano marcado pela existência do próprio existir, do próprio tempo, com o remorso da não realização, da não vida... De olhos fechados, de braços abertos, numa entrega infinita e eterna que mergulha paulatinamente no abissos do que sou e na sedução que me seduz de ser o verbo agora do ser, sem as verdades absolutas que a realidade prega, mas a verdade da minha arte, da minha obra de arte, que é a minha própria existência...
Estilhaços da catarse, da escritora e jornalista Carla Torrini, autora do livro de poemas Os heterônimos da dor (Oliver, 201.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo André Brito.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
A arte do ator e artista plástico Rollandry Silvério.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...