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quinta-feira, junho 11, 2020

PRIMO LEVI, GERTRUDE STEIN, RICARDO RANGEL & FRANCISCO BRENNAND



DIÁRIO DE QUARENTENA – UMA: SOLIDÃO, HORROR & DESGOVERNO - Todo dia varando o pedaço azul da imensidão que me cabe no fluxo incessante dos devires, vou à varanda e é tempo chuvoso, o inverno se avizinha. Logo imagino neste tempo ter de volta aquele de luta pela redemocratização do meu país. Tempo difícil de negrume e a minha gente se esqueceu daquela lição. Deu-me a sensação de Yasunari Kawabata: Talvez o sentimento do mal tivesse ficado anestesiado, confundido com costumes e ordens sociais. Parece mesmo, a nossa democracia é uma jovem sujeita às ilusões das lábias cavernosas dos poderosos dominantes, nossas frágeis instituições sucumbem com facilidade ao poder econômico e os sabidos acham pouco e fraudam até as cotas das universidades. Pois é, com a luta da Carta Cidadã não deu para vaticinar o futuro demolindo o passado, voltamos para a estaca zero. Vou para outra. DOIS: OS VENCEDORES QUE SE CUIDEM – A história oficial sempre foi contada pelos e para os vencedores. Somente a eles dominantes que tripudiaram para se eternizarem, o elogio no poder de ditar o que ficaria para a posteridade. Hoje o que a gente vê de patrimônio histórico e nomes de praças e ruas com o que eles mandaram e desmandaram dão na desfaçatez e indignação. A história haverá de ser reescrita e, ao que parece, já começou: muitos livros, documentários, narrativas, ficções e depoimentos precisam ser levados em consideração. Que os historiadores tomem coragem – alguns já deram o pontapé! Para tanto, no Fecamepa dou meus pitacos nesse sentido e com uma farta referência no final, coisa de doido. Mas para não ficar nessa aguada e tediosa angústia quarentenada, melhor os versos do Espelho de Geraldo Carneiro: do outro lado um estranho / faz simulações como se fosse / um demônio familiar / é sempre noite, um assassino sonha / com mulheres assassinadas em série / sob as palmeiras de Malibu / o mundo é só uma ficção plausível / a imagem que baila ao rés-da-lâmina / é um último e improvável vestígio / da existência de Deus / o resto são ecos de outras faces / gestos de espanto e despedida / a música dos relógios, a morte. De repente a catarse nos sinalize um paraíso qualquer por insinuação. TRÊS: MUDANDO DE CONVERSA PELAS DOIDICES - Gente, que tolidade é esta, hem? A patetada ministerial tesloucou ou é o fanatismo disparatado que está vingando na onda coisada, ou as duas coisas mesmo, só sendo. Haja patacoada: para o da saúde o norte/nordeste está no Polo Ártico; para o da área ambiental, boiadas passam pro desmatamento e tome queimada amazônica; para a doida dos direitos, Jesus na goiabeira quer prender os do contra e cassar os que morreram caçados; pro energúmeno da educação, ditadura nas universidades para gestão privada e desaprendizagens online; pro da economia, enriquecer os ricos e promessas de esmolas para os pobres; isso tudo afora afrontas antidemocráticas, arengas nas relações internacionais e aposta nas sandices de enxofre e alho para combater a pandemia. Olhando direitinho, do fundo do poço não dá pra ver luz nenhuma no fim do túnel: o Planalto pirou e nem se sabe para onde vamos. Como o Brasil está num mata-burro, estou aqui com caraminholas no juízo e ouvindo Vygotsky repetir: O saber que não vem da experiência não é realmente saber. Através dos outros, nos tornamos nós mesmos. E o que tem a ver isso com aquilo? Acho que estou variando, será que a disparatada contagia como a pandemia? Eita! Tenho que tomar tino, vai lá que seja contagioso mesmo, hem? Até mais ver que vou ali e volta já, tá? © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A semente de Auschwitz não deveria voltar a germinar; mas a violência está perto, à nossa volta, e há uma violência que é filha da violência. Existem vínculos subterrâneos entre a violência das duas guerras mundiais e a violência que presenciamos [...]. Trecho extraído da obra Entrevistas y consersaciones (Península, 1998), do químico e escritor italiano Primo Levi (1919-1987). Veja mais aqui e aqui.

CONTANDO OS VESTIDOS DELA, DE GERTRUDE STEIN
[...] PARTE I - ATO I Quando eles não me viram. Eu vi eles de novo. Eu não gostei. ATO II Eu conto os vestidos dela de novo. ATO III Você pode desenhar um vestido. ATO IV Em um minuto. [...] PARTE XXXVII - ATO I Conta os vestidos dela. ATO II Coleciona os vestidos dela ATO III Limpa os vestidos dela. ATO IV Eis o sistema. [...] PARTE XXXVIII - ATO I Ela poliu a mesa. ATO II Conta os vestidos dela novamente. ATO III Quando você pode vir. ATO IV Quando você pode vir. [...] PARTE XXXI - ATO I Reflita mais. ATO II Eu quero mesmo um jardim. ATO III Você quer. ATO IV E roupas. ATO V Eu não menciono roupas. ATO VI Não você não mencionou mas eu mencionei. ATO VII É eu sei disso. [...].
CONTANDO OS VESTIDOS DELA – Trechos extraídos da peça teatral Contando os vestidos dela (7 Letras, 2001), da escritora, dramaturga e feminista estadunidense Gertrude Stein (1874-1946). Esta obra é parte dos estudos realizados pela tese de doutoramento sobre a temática Aqui há uma margem - teatro e exílio em Gertrude Stein (UFRJ, 2007), da professora e pesquisadora Inês Cardoso Martins Moreira, que é graduada em Artes Cênicas – Teatro pela UFRJ. Veja mais aqui.

A ARTE DE RICARDO RANGEL
Temos um país sentado.
RICARDO RANGEL – A arte do fotógrafo e fotojornalista moçambicano Ricardo Rangel (1924-2009), que teve durante sua carreira muitas obras proibidas e destruídas pelos censores portugueses que não foram exibidas até à independência de Moçambique, em 1975, por ser frequente alvo da polícia secreta, a PIDE. Sobre ele o longa-metragem documentário Ricardo Rangel - Ferro em Brasa (2009), do realizador Licínio Azevedo, desatacando-o como símbolo vivo da geração que no fim dos anos 1940, iniciou as primeiras denúncias contra a situação colonial, enquanto fotografava e revelava a desumanidade e a crueldade do colonialismo, até o fim da guerra civil pós-independência. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
 
A arte do escultor, ceramista e artista plástico Francisco Brennand (1927-2019). Veja mais aqui.
&
A música da saudosa cantora e compositora Selma do Coco (1935-2015) aqui.
A obra do poeta e enciclopedista Artur Griz aqui, aqui e aqui.
A arte da artista visual Juliana Lapa aqui.
Organismo, de Jeorge Pereira & Bianca Joy Porte aqui.
Memória da Cena Pernambucana aqui.
&
São Caetano aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.
 

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

RACHEL DE QUEIROZ, GERTRUDE STEIN, ANTONIO GARDUÑO, JESUISIS DO JEGUE & ARTE PERNAMBUCANA


JESUISIS DO JEGUE – Um dia lá, não sei quando, em plena noite dum céu de lua cheia, deu-se em Alagoinhanduba de presenciar o alinhamento dos planetas! Óóóóóóóóó! Dois asteroides do nada apareceram – parece mais que estavam assistindo o espetáculo do alinhado todo, só que cada qual vinha em sentido contrário. E acharam de colidir. Teibei! Pense num estrondo ineivado! Foi mesmo. Do espatifado deles lá apareceu uma estrela radiante daquelas tão chamativas de cair o queixo de quem viu. Danou-se! Eis que três reis momos comemoravam o que não sabiam, ao darem fé do ocorrido, pronunciaram em uníssono: nasceu Jesuisis! Vivaaaaa! Vai ser carnaval dagora em diante! Vamos seguir! Vambora! E foram brindando os birinaites e vira vira virou. Lá pras tantas, já trocando as pernas e línguas enroladas, deram num matagal espesso nas paragens de Paul: um jegue carregava uma mãe amamentando uma criança, puxado pelo pai que fugia por motivo lá não muito bem explicado. Quem podia entender? Estavam meio lá meio cá. Pronde vocês vão? Procurar uma manjedoura. Oxente, a gente ajeita. Fiquem aqui. E ficaram. Logo se afeiçoaram do Jegue que, a partir de então, passou a ser chamado o de Paul. Passaram a noite virando goles e copos, entraram dia de sol claro e perderam a hora e o calendário de tão entretido que ficaram com as façanhas do jegue. Passaram-se os anos, o menino cresceu ensinado pelos pais e os três tios postiços que o botaram a perder. Pense num bruguelo virado! Era queixa atrás de pulha com o capetinha. Ninguém aguentava mais tantas aprontações, só o jegue o protegia. Porém, na adolescência, achou o danado de ter uma epifania num pé de goiabeira e tudo mudou do vinho para água. Ao descer, ele largou reprimenda pro trio arrumar uma lavagem de roupa, enxotando-os; chamou na grande para, depois do maior sermão, abençoar os pais e saiu fora, puxando pelo jegue, claro. Ficaram cabisbaixos e cada um picou a mula pro seu lado. Tempos depois a trindade bebarrona reencontrou os pais e, pelas novidades, tiveram a notícia que uma multidão seguia o menino. Eita! Será que ele está inaugurando o carnaval por onde anda? Não, agora ele é santo. Como? Já deu até discurso na missa. Num pode! Foi! Só que os padres não gostam dele não. Ih! E, em conluio, armaram para cima dele: Quem ele pensa que é? Oxe, dizem que é o novo Jesuisis! Sacrilégio! Só se for de araque! Pode não. Vamos desmascará-lo. E armaram muitas e tantas que, um dia, defendendo pobres e oprimidos numa via por aí, quase se viu sem saída num cerco intransponível. O jegue avisou logo, aos cochichos: Zzzzzzzz. E Jesuisis que não era besta nem nada, aprontou a manha para sair dessa. E saiu. Envultou-se. Na horagá: Cadê o homem? Oxe, sumiu! A gente ia enterrá-lo vivo! Ia, escapuliu, meu. Excomungaram, então. Os pastores aos esconjuros; os pais de santos e outros catimbozeiros se juntaram com a patuleia toda e jogaram duma vez só o nome dele dentro dum sapo cururu inchado que estava por todo escancarado e costuraram a boca do batráquio. Pronto, tome azarão pras bandas dele. Ainda hoje, coitado, anda todo desajeitado como se tivessem torado o corpo caloso na junção dos hemisférios cerebrais lá dele. Um horror de tronchura. Por conta disso, o jegue vingativo apareceu do nada botando a população inteira para correr noites e dias e tardes e madrugadas pelo resto do tempo. Vez em quando Jesuisis reaparece todo desmantelado com seu sermão ali ou acolá, mas ninguém mais ouve. Ele fica sozinho pelas esquinas, todo entronchado e pregando a justiça, os direitos, a paz, a irmandade. Ninguém ouve, também quem entende: O Jesuisis do jegue endoideceu. Isso é uma aberração! É, e o jegue de Paul dando carreira no povo pra cima e pra baixo. Só em pleno carnaval, tanto o Jesuisis como o Jegue de Paul reaparecem para a festança. Na verdade mesmo só o jegue, Jesuisis que é bom, nunca mais deu as caras por essas bandas. Por onde é que ele anda, hem? Quem sabe! Agora corre que lá vem o jegue virado na gota! Vixe! Simbora, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Mas o que fazem mesmo é respeitar a arte e as letras, se você é escritor tem privilégios, se é pintor tem privilégios e é agradável ter privilégios. Sempre me lembro de quando cheguei do campo à garagem onde habitualmente guardava meu carro e a garagem estava cheia mais do que cheia, era o momento do Salão do Automóvel, então perguntei eu o que eu posso fazer, bem disse o encarregado, verei e depois voltou e disse em voz baixa há um canto e nesse canto coloquei o carro de Monsieur o acadêmico e junto dele colocarei o seu os outros podem ficar do lado de fora e é inteiramente verdadeiro mesmo numa garagem um acadêmico e uma mulher de letras têm precedência até sobre milionários ou políticos, têm sim é inteiramente inacreditável mas têm [...] Uma vez escrevi e perguntei do que adianta ser menino quando se é criado para ser um homem do que adianta e do que adianta. Mas na França um menino é um homem da sua idade que ele tem e então não vem ao caso um menino crescer para se tornar um homem e do que adianta porque a cada etapa de estar vivo ele é inteiramente um homem vivo naquele tempo. [...] Quando um país se acha num estado tal que as pessoas que gostam de comprar coisas não conseguem encontrar nada para comprar há alguma coisa errada. [...] Realmente nunca conheci Paris durante uma declaração de guerra. As guerras sempre acontecem em período de férias e em clima de férias, então não estamos em Paris. Paris se encontra sempre lá, pelo menos nós no campo supomos isso embora não estejamos numa ocasião dessas muito conscientes da sua existência, o início da guerra é tão absorvente onde a pessoa está, que mesmo Paris não está lá. Assim é a concentração de isolamento que é a guerra. [...]. Trechos extraídos da obra Paris França (José Olympio, 2012), da escritora e feminista estadunidense Gertrude Stein (1874-1946). Veja mais aqui.

A BEATA MARIA DO EGITO
[...] Cabo: Ai, Beata, seu eu me governasse! Se eu não fosse cativo desta farda, soltava a senhora agora mesmo. Com que gosto estas mãos haviam de abrir aquela porta! Beata (esperançosa): Os santos anjos do Céu e o nosso Padrinho do Juazeiro haveriam de lhe pagar em dobro, Cabo Lucas! Cabo (abana a cabeça): Mas... a senhora não vê? Hei de fazer isso com o Tenente? Quem pagava o pior era ele, que é o chefe. Beata: Quem obedece ao mau, aos maus se iguala. Cabo: Mas eu não posso, Beata! Aquilo é como um filho – ando com ele desde rapazinho, quando sentou praça. Enganar – não tenho coragem. E pedir – não adianta. Nem que eu me arrastasse de joelhos no chão! É homem de cabeça dura que só pedra. Beata (suspira): Enfim... quem sabe se ele não há de enxergar a luz, mais cedo ou mais tarde? Cabo: Sei lá! Mas pode ser... A senhora pedindo, Deus escuta... [...] Tenente: Maria... Mas que loucura é essa? Será que você esqueceu? Então, esta noite... [aproxima-se mais, segura-lhe os braços] Como é que você vem falar de novo em Juazeiro? [tenta beijá-la] Maria... Vai começar tudo outra vez? Meu bem, você esqueceu? Beata (repele-o): Não, não me esqueci de nada. Você, sim, é que parece ter esquecido tudo. Ou pelo menos o que me prometeu. Tenente: Que lhe prometi? Mas o que foi que eu lhe prometi? Meu Deus, Maria, você não entendeu o que houve? Pensou que fosse só por uma noite? Não, para mim você é tudo! Ontem, hoje e toda a vida! [Tenta novamente abraça-la]. Beata (afasta-o friamente): Chega. Não me toque mais. Esta noite, foi porque eu pensei que você cumpria o trato. Tenente: Mas você será mesmo louca? Depois desta noite... depois de tudo! [Segura-a nos braços, sem se importar com a repulsa que ela mostra.] Maria, agora tudo mudou! Beata: Eu não mudei. Abra aquela porta e me solte [...] Beata: Não me importo com o que você fique pensando. Só queria que me soltasse. Tenente: Mas não! Eu vi, eu senti... Conheci! Você era moça! Nunca homem nenhum tinha lhe tocado. Diga, não é verdade? Você nunca... nunca, não é mesmo? Beata: Nunca. Você sabe. E agora – depois de tudo – pensa que estou diferente? Não me tocou. Foi como o sol passando pela vidraça [...] Beata: Esta noite, você me cobrou um preço e eu paguei. Como se pagasse uma passagem de trem – ou como se pagasse a carceragem! Pensei que, se eu lhe desse tudo que você queria, em troca você me soltava, deixava que eu fosse cumprir a minha missão. Tenente: Não sei como pensou isso. E não me fale em missão! Eu não lhe prometi nada, estava iludido. Julguei que fosse amor também [...]. Beata: – O senhor pode pensar essas coisas – mas eles, sei que não pensam. Debaixo deste pano... [pega no hábito]... eles não enxergam nada – nem imaginam. [O Tenente baixa a cabeça]. – Quanto a guerrear – serei a primeira? E eu nem arma tenho: só este rosário. – Eu não brigo, Tenente, eu rezo. Tenente: – Sim, reza. É santa. A santa cangaceira! [...]
A BEATA MARIA DO EGITO - Trechos da premiada peça teatral em 3 atos e 4 quadros, A beata Maria do Egito (José Olympio, 1058), da escritora, jornalista, dramaturga e tradutora Rachel de Queiroz (1910-2003). Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do fotógrafo e fotojornalista mexicano Antonio Garduño (1882-1958), fundador da Sociedade de Fotógrafos da Imprensa. Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte do artista cordelista J. Borges (José Francisco Borges) aqui e aqui.
A música de Antônio Madureira aqui e aqui.
A literatura de Luiz Berto aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
A poesia de Cicero Melo aqui e aqui.
Maria & Mucunã da cineasta Carol Correia aqui & aqui.
A arte de Jaci Borba aqui.
As escritas de Zezinha Lins aqui.
A Ciranda Feminina na Mata Sul aqui.
Vale do Una aqui
&
Outras do Jegue de Paul aqui, aqui & aqui.


terça-feira, fevereiro 03, 2015

TRAKL, ELVGREN, MENDELSSOHN, AUSTER, GERTRUDE STEIN, WOODY ALLEN, SARAH KANE & O BIG SHIT BÔBRAS!!!!!


BBB: A LÁSTIMA DA IMITAÇÃO DO PIOR DO RUIM– Claro que os equívocos da humanidade são lastimáveis, avalie. E que mais? Repetem-se. Ainda mais: e se acumulam século após século. E o que é pior: num efeito em cadeia da bôba-torreiro! Quer dizer: somos o equívoco do erro do engano. Putzgrila!!! Trocando em miúdos: imergimos pras mais profundas funduras da mediocridade. E sem direito a retorno, nem se aceitando devolução. Pois é. É aquela do falhou, lascou! E o defeito de fabricação contaminou geral. Estelionato impune, nem pra recall. Como se não bastasse o que acontece no BBB, se você quiser saber, deve ir agora mesmo pro Big Shit Bôbras: todas as horas de todos os dias e de todas as noites duma forma fidedigna de se esbaldar. Confira mais aquiaqui, aquiaqui.

Imagem: Pin Up – The Normal Rockwell of Cheesecake!, de Gil Elvgren

Ouvindo a suíte Sonho de uma noite de verão (1826), do compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847), com a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (OFES), sob a regência do maestro adjunto Leonardo David e as solistas sopranos Maristela Araujo e Meire Norma, narração de Uriel Oliveira e participação especial do Coro Sinfônico da FAMES, sob a regência de Sanny Souza. Veja mais aqui.

A POESIA DO SOL E DO NASCIMENTO – O poeta expressionista austríaco Georg Trakl (188701914) é autor de uma poesia bastante elogiada por Ludwig Wittgestein, Martin Heidegger e Klaus Schulze. Trata-se de uma obra que é marcadamente subjetiva e angustiada com a melancolia do desespero humano, priorizando o mundo interior. Dele destacamos O Sol: Todos os dias o sol amarelo aparece sobre a colina./ Bela é a floresta, o animal escuro, / O homem, caçador ou pastor. / Avermelhado, o peixe sobe no regato verde. / Sob o céu redondo / O pescador segue, silencioso, na canoa azul. / Lenta a uva amadurece , o grão, / Quando calmo o dia se inclina, / O mal e o bem estão preparados./ Quando anoitece, / O peregrino ergue suavemente as pálpebras pesadas; / do desfiladeiro sombrio o sol desponta. E também o seu belíssimo e festejado poema Nascimento: Montanhas: negridão, silêncio, neve. / Vermelha, a caça sai da floresta; / Oh! O musgoso olhar do animal. / O silêncio da mãe; debaixo dos abetos negros / Abrem-se as mãos adormecidas,  / Quando, decaída, a lua fria aparece. / Oh! O nascimento do Homem. Nocturna, a água azul  / Rumoreja no fundo do rochedo. / Suspirando, o anjo caído observa o seu rosto. / Uma palidez acorda no quarto embotado. / Duas luas / Iluminam os olhos da velha empedernida. / Ó aflição! O grito do parto. Com asas negras / As têmporas do menino tocam a noite, / Neve que cai suavemente da nuvem purpúrea. Veja mais aqui, aquiaqui.

CIDADE DE VIDRO DA TRILOGIA DE NOVA YORK – O escritor e cineasta estadunidense Paul Auster é autor é diversos livros, entre eles A trilogia de Nova York (Planeta De Agostini, 2003), que utiliza o método de caixa chinesa sucedendo histórias no interior umas das outras. Desse romance destacamos Cidade de Vidro (fragmento): “[...] A questão é a história em si, e não cabe à história dizer se ela significa ou não alguma coisa. [...] simplesmente deixando-se levar por suas pernas. Nova York era um espaço inesgotável, um labirinto de caminhos intermináveis, e por mais longe que ele andasse, por melhor que conhecesse seus bairros e ruas, a cidade sempre o deixava com a sensação de estar perdido. Perdido não apenas da cidade, mas também dentro de si mesmo. Toda vez que saía para dar uma volta, tinha a sensação de que estava deixando a si mesmo para trás e, ao se entregar ao movimento das ruas, ao reduzir-se a um olhar observador, ele se descobria apto a fugir da obrigação de pensar, e isso, mais do que qualquer outra coisa, lhe trazia uma certa paz, um saudável vazio interior. O mundo estava fora dele, em volta, à frente. E a velocidade com que o mundo se modificava sem parar tornava impossível para Quinn deter-se em qualquer coisa por muito tempo. O movimento era a chave da questão, o ato de colocar um pé diante do outro e se abandonar ao fluxo do próprio corpo. Ao caminhar sem rumo, todos os lugares se tornavam iguais e já não importava mais onde estava. Em suas melhores caminhadas, chegava a sentir que não estava em parte alguma. E isso, afinal, era tudo o que sempre pedia das coisas: não estar em lugar nenhum. Nova York era o lugar nenhum que ele havia construído em torno de si mesmo, e Quinn se deu conta de que não tinha a menor intenção de um dia deixá-la outra vez [...]”. Veja mais aquiaqui.

A ÂNSIA NO TEATRO – A dramaturga inglesa Sarah Kane (1971-1999) é autora de diversas peças teatrais, entre elas Ânsia que se caracteriza pela profundidade psicológica dos personagens e pelas imagens agressivas e chocantes. Desta peça destacamos a passagem: “[...] E quero brincar de esconde-esconde e dar minhas roupas para você e dizer que eu gosto dos seus sapatos e sentar nos degraus enquanto você toma banho e massagear seu pescoço e beijar seus pés e segurar a sua mão e sair para jantar e não me importar quando você comer minha comida e encontrar você no Rudy e falar sobre o dia e digitar suas cartas e carregar suas caixas e rir da sua paranoia e te dar fitas que você não vai ouvir e assistir a belos filmes e assistir a filmes horríveis e reclamar do rádio e tirar fotos de você quando você estiver dormindo e levantar para te levar o café e pãezinhos e geleia e ir ao Florent e tomar café à meia-noite e deixar você roubar meus cigarros e nunca achar os fósforos e contar pra você sobre o programa de TV que eu vi na noite passada e te levar ao oculista e não rir das suas piadas e querer você de manhã mas deixar você dormir mais um pouco e beijar suas costas e acariciar sua pele e dizer quanto eu amo seu cabelo seus olhos seus lábios seu pescoço seus peitos sua bunda sua... e sentar nos degraus e fumar até seu vizinho chegar em casa e sentar nos degraus e fumar até você chegar em casa e me preocupar quando você estiver atrasada e me surpreender quando você chegar mais cedo e te dar girassóis e ir à sua festa e dançar até não poder mais e me desculpar quando eu estiver errado e ficar feliz quando você me perdoar e olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde que você nasceu e ouvir sua voz no meu ouvido e sentir sua pele na minha pele e ficar assustado quando você estiver zangada e um de seus olhos ficar vermelho e o outro azul e seu cabelo cair para a esquerda e seu rosto parecer oriental e dizer para você que você é linda e te abraçar quando você estiver ansiosa e segurar você quando você se machucar e querer você toda vez que eu te cheirar e te ofender quando te tocar e choramingar quando estiver do seu lado e choramingar quando não estiver e babar nos seus seios e cobrir você de noite e sentir frio quando você tirar meu cobertor e calor quando você não tirar e me derreter quando você sorrir e me acabar por completo quando você gargalhar e não entender por que você acha que estou te rejeitando quando eu não estou te rejeitando e pensar como você pôde achar que alguma vez te rejeitei e pensar em quem você é e te aceitar de qualquer jeito e te falar sobre o garoto da floresta encantada que atravessou o oceano porque te amava e escrever poemas para você e pensar por que você não acredita em mim e sentir tão profundamente que eu não ache palavras pra expressar esse sentimento e querer te comprar um gatinho do qual eu teria ciúmes porque ele teria mais atenção do que eu e deixar você ficar na cama quando você tiver que ir e chorar como um bebê quando você finalmente for e me livrar das pontas e te comprar presentes que você não queira e levá-los de volta e pedir para você casar comigo e ouvir você dizer não mais uma vez mas continuar pedindo porque apesar de você achar que eu não estava falando sério eu sempre falei sério desde a primeira vez que te pedi em casamento e vagar pela cidade achando que ela está vazia sem você e querer o que você quer e achar que estou me perdendo mas saber que estou seguro quando estou com você e te contar o que eu tenho de pior e tentar te dar o que eu tenho de melhor porque você não merece nada menos do que isso e responder suas perguntas quando eu preferir não responder e dizer a você a verdade mesmo quando eu realmente não queira e tentar ser honesto porque eu sei que você prefere assim e achar que está tudo acabado mas agüentar por mais dez minutos antes de você me jogar fora de sua vida e esquecer quem eu sou e tentar ficar mais próximo de você porque é lindo aprender a te conhecer e vale a pena o esforço e falar mal alemão com você e falar hebraico pior ainda e fazer amor com você às três da manhã e de alguma forma de alguma forma de alguma forma expressar um pouco deste esmagador embaraçoso interminável excessivo insuportável incondicional envolvente enriquecedor-de-coração ampliador-de-mente progressivo infindável amor que eu sinto por você”. Veja mais aqui, aquiaqui.


MEIA NOITE EM PARIS - A escritora e feminista estadunidense Gertrude Stein (1874-1946) é autora do livro Autobiografia de Alice B. Toklas, que se tornou a obra fundamental para a vanguarda das três primeiras décadas do século XX, identificada como precioso documento sobre as origens da arte moderna e de seus criadores. A obra é narrada por Alice, companheira da própria autora, reunindo jovens que se tornaram os maiores nomes das artes, a exemplo de Picasso, Joyce, Nijinski, Matisse, Hemingway, Cocteau, Pound, Apollinaire, Eliot e Fitzgerald, todos os que privavaram de convivência com a escritora. Tudo isso serviu de base para o desenvolvimento do filme Midnight Paris (Meia-Noite em Paris, 2011), uma comedia romântica e de fantasia, escrita e dirigida por Woody Allen, estrelado por Owen Wilson, Marion Cotillard e Rachel McAdams, e que foi o vencedor do Oscar de melhor roteiro original do próprio Woody Allen. Veja mais aqui e aqui.


ADRIANA DA MEIA-NOITE DE PARIS – Nada mais justo, então, que incluir na nossa campanha todo dia é dia da mulher, o papel desempenhado pela atriz Marion Cotillard na personagem Adriana do filme do Woody Allen, Midnight Paris (Meia-Noite em Paris, 2011). Veja mais aqui.

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A mulher suméria aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

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