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terça-feira, dezembro 01, 2020

REX STOUT, OUSMANE SEMBÈNE, MARCOS NOBRE, MILLIE BROWN, FALCONET & LUNETA DO TEMPO



TRÍPTICO DQC: JANELOUCA, UMA ÁRVORE DA PEDRA - Ao som dos Seis pequenos prelúdios (2010/11), do maestro, compositor e arranjador brasileiro Walter Branco (1929-2018). – O cenário à janela: antes Mata Atlântica, tudo verdinho, era de se pendurar nos galhos de tudo, cantando sou mato matagal e fugia amedrontado das assombrações pra baixo da cama. Havia tanto que contar, hoje ninguém mais sabe, tudo desmatado morro acima e abaixo, plantio de soja e cana, pasto ao gado. Havia o rio para timbungar no meio do mormaço. A temperatura subiu demais e nem chegou o verão ainda. Dia mais e menos, o rio secava, quarenta e tantos graus. Danou-se! E subindo mais, lá vai. Do mar chega evaporar: a sede é tanta de se beber o suor. Tem mais água não. Da pedra, uma árvore: Que pé é esse? Oxe, quem lá sabe, ora! O fruto na quentura pinga: Que gosto tem? Sorver o sumo, oxente! E os pés, depois as pernas, coxas, tronco, cara, virou gente de pedra: sentimento algum, ombros pros desafios, mãos pra quebradeira, pisadas para rachar. Ah, perdeu a alma. De repente escureceu. Alguém aparece como se estivesse assistido tudo. É Woody Allen: Mais do que em qualquer outra época, a humanidade está numa encruzilhada. Um caminho leva ao desespero absoluto. O outro, à total extinção. Vamos rezar para que tenhamos a sabedoria de saber escolher. Pelas escolhas de milênios já dá para prever como tudo vai terminar, não há outro jeito. É o que o me diz a Música de Juhan Liiv: Em algum lugar do mundo escondido / a primeira harmonia existe. / Está na fúria do infinito, / em órbitas distantes, / no orgulho do sol, / nas flores, na floresta, / na canção de ninar ou no soluço. / Algum lugar tem que ser encontrado / imortalidade, harmonia primeiro. / De que outra forma nossa alma se enche de sua música? Estou só e estão longe os que resistem à pedraria, os demais insensíveis rondam pelos cantos da cidade e estão bem perto, nem sei se dormem ou sonham acordados.

 


A TERRA DIVIDIDA – Imagem: a arte do escultor francês Étienne-Maurice Falconet (1716-1791) - Ao som de Preludiji za harfo, do compositor e educador musical esloveno Alojz Srebotnjak (1931-2010) – De repente a cena de um vilarejo: é Moolaadé (2004), do escritor e cineasta senegalês Ousmane Sembène (1923-2007), um lugar afastado de qualquer cidade grande, onde voga a purificação feminina: a excisão clitoriana como rito de passagem, uma prática comum do Egito à Nigéria. Entre as mulheres, Collé não permite que sua filha seja mutilada e por isso fez a deprecação mágica. Dali em diante, sua filha torna-se uma impura bilakoro, razão pela qual perderá o casamento promissor e seu marido completamente desmoralizado perante a comunidade. Outras jovens pedem a proteção da revoltada e o litígio cultural se intensifica. Ao final, o enquadramento do ovo repousando no cume da mesquita da vila concentrada numa antena de televisão. Eis que uma voz suspende minha reflexão: é Christa Wolf: Quem sou eu, de fato, e o que me impede de ser eu mesma? Entre matar e morrer há uma terceira via: viver. Ela me olha, faz um aceno e sai. Fico ruminando e agora tudo está embaralhado em minha mente. O ovo permanece entre os meus pensamentos. Alguém que desconheço se aproxima como se me deixasse evidenciado que entre confusos e descabelados, não há escapatória: a visada da subjetivação da dominação. Não entendi. Ele me passa um volume: Como nasce o novo: Experiência e diagnóstico de tempo na Fenomenologia do espírito de Hegel (Todavia, 2018), do filósofo Marcos Nobre. Folheio e atento à leitura, ele ainda me joga outros dois livros do mesmo autor: Imobilismo em movimento: Da abertura democrática ao governo Dilma (Companhia das Letras, 2013), no qual realiza uma síntese política dos últimos 30 anos e a blindagem do sistema político que represa as forças de transformação, os escândalos de corrupção, as crises e planos econômicos, as viravoltas eleitorais; e Ponto-final: A guerra de Bolsonaro contra a democracia (Coleção 2020), em que analisa questões como a pandemia, a política de guerra e a destruição da democracia. Procuro por ele para indagar sobre as publicações, não mais ali. Recolho os livros e vou curioso para leitura. Aí aparece o escritor estadunidense Rex Stout (1886-1975): Vou aproveitar minha sorte de vez em quando, mas gosto de escolher a ocasião. Deixa no ar o seu riso irônico e, em mim, a sensação de que realmente entre confusos e descabelados, não há como escapar: encontrou-se os restos da casca do ovo da serpente, ela zanza com a morte por aí. Na cena uma exposição de esculturas. E entre elas, eis que ela surge nua e linda...

 


O QUE RESTA DOS VIVOS – Imagem: a arte da artista visual e perfomática britânica Millie Brown, ao som Pandemic Improvisation #3 5/3/20, de Peter Scartabello. - De suas mãos brotavam flores de rosas de todas as cores distribuídas ao chão. Muitas delas por todos os lados e ao final ela desnuda se deita na cama de flores sussurrando: Quero usar meu corpo para criar arte. Quero criar algo que venha de dentro, que seja bonito, cru e ao mesmo tempo incontrolável. E mais disse passar dias sem comer nem beber e sentir o que é murchar e apodrecer, assim era a vida e ela precisava passar por isso para saber quem e como poderia ser alguém viva de verdade. E no seu delírio mencionava trechos de obras e de vida e morte, abismos, escuridões, e do seu sonho acordar um dia alguém falando ao seu ouvido a frase de Bram Stocker: Há escuridões na vida e há luzes, e você é uma das luzes, a luz de todas as luzes. E se contorcia e chorava porque o imenso amor corroía suas entranhas e o amor não é dor, não é nada disso de angústia, tristeza, sofrimento, o amor é lindo e é vida e é felicidade e tudo o mais que digno de contemplar o ser humano para sua integral plenitude. E mais delirou na sua vertigem até me dizer Jonathan Swift: Nada é constante neste mundo senão a inconstância. E me chamou mais para perto, queria ser possuída como se estivesse morta. Até mais ver.

 

A LUNETA DO TEMPO

O Poder é irmão da Polícia que é prima carnal do Estado e de uma cega chamada Justiça.

O drama A luneta do tempo (2014), de Alceu Valença, estrelado por Irandhir Santos e Hermila Guedes, contando a história da paixão entre Lampião e Maria Bonita, que lideram um bando de cangaceiros pelo sertão pernambucano, enfrentando a polícia local. Seu principal antagonista é Antero Tenente, que foi abandonado preso e de cabeça pra baixo pelo bando de Lampião. Esta disputa permanece com o passar dos anos, quando o filho de Antero torna-se adulto e não aceita qualquer provocação à imagem do pai ou a simples menção a algo que lembre Lampião e seus cangaceiros. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


 

 


terça-feira, fevereiro 03, 2015

TRAKL, ELVGREN, MENDELSSOHN, AUSTER, GERTRUDE STEIN, WOODY ALLEN, SARAH KANE & O BIG SHIT BÔBRAS!!!!!


BBB: A LÁSTIMA DA IMITAÇÃO DO PIOR DO RUIM– Claro que os equívocos da humanidade são lastimáveis, avalie. E que mais? Repetem-se. Ainda mais: e se acumulam século após século. E o que é pior: num efeito em cadeia da bôba-torreiro! Quer dizer: somos o equívoco do erro do engano. Putzgrila!!! Trocando em miúdos: imergimos pras mais profundas funduras da mediocridade. E sem direito a retorno, nem se aceitando devolução. Pois é. É aquela do falhou, lascou! E o defeito de fabricação contaminou geral. Estelionato impune, nem pra recall. Como se não bastasse o que acontece no BBB, se você quiser saber, deve ir agora mesmo pro Big Shit Bôbras: todas as horas de todos os dias e de todas as noites duma forma fidedigna de se esbaldar. Confira mais aquiaqui, aquiaqui.

Imagem: Pin Up – The Normal Rockwell of Cheesecake!, de Gil Elvgren

Ouvindo a suíte Sonho de uma noite de verão (1826), do compositor alemão Felix Mendelssohn (1809-1847), com a Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (OFES), sob a regência do maestro adjunto Leonardo David e as solistas sopranos Maristela Araujo e Meire Norma, narração de Uriel Oliveira e participação especial do Coro Sinfônico da FAMES, sob a regência de Sanny Souza. Veja mais aqui.

A POESIA DO SOL E DO NASCIMENTO – O poeta expressionista austríaco Georg Trakl (188701914) é autor de uma poesia bastante elogiada por Ludwig Wittgestein, Martin Heidegger e Klaus Schulze. Trata-se de uma obra que é marcadamente subjetiva e angustiada com a melancolia do desespero humano, priorizando o mundo interior. Dele destacamos O Sol: Todos os dias o sol amarelo aparece sobre a colina./ Bela é a floresta, o animal escuro, / O homem, caçador ou pastor. / Avermelhado, o peixe sobe no regato verde. / Sob o céu redondo / O pescador segue, silencioso, na canoa azul. / Lenta a uva amadurece , o grão, / Quando calmo o dia se inclina, / O mal e o bem estão preparados./ Quando anoitece, / O peregrino ergue suavemente as pálpebras pesadas; / do desfiladeiro sombrio o sol desponta. E também o seu belíssimo e festejado poema Nascimento: Montanhas: negridão, silêncio, neve. / Vermelha, a caça sai da floresta; / Oh! O musgoso olhar do animal. / O silêncio da mãe; debaixo dos abetos negros / Abrem-se as mãos adormecidas,  / Quando, decaída, a lua fria aparece. / Oh! O nascimento do Homem. Nocturna, a água azul  / Rumoreja no fundo do rochedo. / Suspirando, o anjo caído observa o seu rosto. / Uma palidez acorda no quarto embotado. / Duas luas / Iluminam os olhos da velha empedernida. / Ó aflição! O grito do parto. Com asas negras / As têmporas do menino tocam a noite, / Neve que cai suavemente da nuvem purpúrea. Veja mais aqui, aquiaqui.

CIDADE DE VIDRO DA TRILOGIA DE NOVA YORK – O escritor e cineasta estadunidense Paul Auster é autor é diversos livros, entre eles A trilogia de Nova York (Planeta De Agostini, 2003), que utiliza o método de caixa chinesa sucedendo histórias no interior umas das outras. Desse romance destacamos Cidade de Vidro (fragmento): “[...] A questão é a história em si, e não cabe à história dizer se ela significa ou não alguma coisa. [...] simplesmente deixando-se levar por suas pernas. Nova York era um espaço inesgotável, um labirinto de caminhos intermináveis, e por mais longe que ele andasse, por melhor que conhecesse seus bairros e ruas, a cidade sempre o deixava com a sensação de estar perdido. Perdido não apenas da cidade, mas também dentro de si mesmo. Toda vez que saía para dar uma volta, tinha a sensação de que estava deixando a si mesmo para trás e, ao se entregar ao movimento das ruas, ao reduzir-se a um olhar observador, ele se descobria apto a fugir da obrigação de pensar, e isso, mais do que qualquer outra coisa, lhe trazia uma certa paz, um saudável vazio interior. O mundo estava fora dele, em volta, à frente. E a velocidade com que o mundo se modificava sem parar tornava impossível para Quinn deter-se em qualquer coisa por muito tempo. O movimento era a chave da questão, o ato de colocar um pé diante do outro e se abandonar ao fluxo do próprio corpo. Ao caminhar sem rumo, todos os lugares se tornavam iguais e já não importava mais onde estava. Em suas melhores caminhadas, chegava a sentir que não estava em parte alguma. E isso, afinal, era tudo o que sempre pedia das coisas: não estar em lugar nenhum. Nova York era o lugar nenhum que ele havia construído em torno de si mesmo, e Quinn se deu conta de que não tinha a menor intenção de um dia deixá-la outra vez [...]”. Veja mais aquiaqui.

A ÂNSIA NO TEATRO – A dramaturga inglesa Sarah Kane (1971-1999) é autora de diversas peças teatrais, entre elas Ânsia que se caracteriza pela profundidade psicológica dos personagens e pelas imagens agressivas e chocantes. Desta peça destacamos a passagem: “[...] E quero brincar de esconde-esconde e dar minhas roupas para você e dizer que eu gosto dos seus sapatos e sentar nos degraus enquanto você toma banho e massagear seu pescoço e beijar seus pés e segurar a sua mão e sair para jantar e não me importar quando você comer minha comida e encontrar você no Rudy e falar sobre o dia e digitar suas cartas e carregar suas caixas e rir da sua paranoia e te dar fitas que você não vai ouvir e assistir a belos filmes e assistir a filmes horríveis e reclamar do rádio e tirar fotos de você quando você estiver dormindo e levantar para te levar o café e pãezinhos e geleia e ir ao Florent e tomar café à meia-noite e deixar você roubar meus cigarros e nunca achar os fósforos e contar pra você sobre o programa de TV que eu vi na noite passada e te levar ao oculista e não rir das suas piadas e querer você de manhã mas deixar você dormir mais um pouco e beijar suas costas e acariciar sua pele e dizer quanto eu amo seu cabelo seus olhos seus lábios seu pescoço seus peitos sua bunda sua... e sentar nos degraus e fumar até seu vizinho chegar em casa e sentar nos degraus e fumar até você chegar em casa e me preocupar quando você estiver atrasada e me surpreender quando você chegar mais cedo e te dar girassóis e ir à sua festa e dançar até não poder mais e me desculpar quando eu estiver errado e ficar feliz quando você me perdoar e olhar suas fotos e querer ter te conhecido desde que você nasceu e ouvir sua voz no meu ouvido e sentir sua pele na minha pele e ficar assustado quando você estiver zangada e um de seus olhos ficar vermelho e o outro azul e seu cabelo cair para a esquerda e seu rosto parecer oriental e dizer para você que você é linda e te abraçar quando você estiver ansiosa e segurar você quando você se machucar e querer você toda vez que eu te cheirar e te ofender quando te tocar e choramingar quando estiver do seu lado e choramingar quando não estiver e babar nos seus seios e cobrir você de noite e sentir frio quando você tirar meu cobertor e calor quando você não tirar e me derreter quando você sorrir e me acabar por completo quando você gargalhar e não entender por que você acha que estou te rejeitando quando eu não estou te rejeitando e pensar como você pôde achar que alguma vez te rejeitei e pensar em quem você é e te aceitar de qualquer jeito e te falar sobre o garoto da floresta encantada que atravessou o oceano porque te amava e escrever poemas para você e pensar por que você não acredita em mim e sentir tão profundamente que eu não ache palavras pra expressar esse sentimento e querer te comprar um gatinho do qual eu teria ciúmes porque ele teria mais atenção do que eu e deixar você ficar na cama quando você tiver que ir e chorar como um bebê quando você finalmente for e me livrar das pontas e te comprar presentes que você não queira e levá-los de volta e pedir para você casar comigo e ouvir você dizer não mais uma vez mas continuar pedindo porque apesar de você achar que eu não estava falando sério eu sempre falei sério desde a primeira vez que te pedi em casamento e vagar pela cidade achando que ela está vazia sem você e querer o que você quer e achar que estou me perdendo mas saber que estou seguro quando estou com você e te contar o que eu tenho de pior e tentar te dar o que eu tenho de melhor porque você não merece nada menos do que isso e responder suas perguntas quando eu preferir não responder e dizer a você a verdade mesmo quando eu realmente não queira e tentar ser honesto porque eu sei que você prefere assim e achar que está tudo acabado mas agüentar por mais dez minutos antes de você me jogar fora de sua vida e esquecer quem eu sou e tentar ficar mais próximo de você porque é lindo aprender a te conhecer e vale a pena o esforço e falar mal alemão com você e falar hebraico pior ainda e fazer amor com você às três da manhã e de alguma forma de alguma forma de alguma forma expressar um pouco deste esmagador embaraçoso interminável excessivo insuportável incondicional envolvente enriquecedor-de-coração ampliador-de-mente progressivo infindável amor que eu sinto por você”. Veja mais aqui, aquiaqui.


MEIA NOITE EM PARIS - A escritora e feminista estadunidense Gertrude Stein (1874-1946) é autora do livro Autobiografia de Alice B. Toklas, que se tornou a obra fundamental para a vanguarda das três primeiras décadas do século XX, identificada como precioso documento sobre as origens da arte moderna e de seus criadores. A obra é narrada por Alice, companheira da própria autora, reunindo jovens que se tornaram os maiores nomes das artes, a exemplo de Picasso, Joyce, Nijinski, Matisse, Hemingway, Cocteau, Pound, Apollinaire, Eliot e Fitzgerald, todos os que privavaram de convivência com a escritora. Tudo isso serviu de base para o desenvolvimento do filme Midnight Paris (Meia-Noite em Paris, 2011), uma comedia romântica e de fantasia, escrita e dirigida por Woody Allen, estrelado por Owen Wilson, Marion Cotillard e Rachel McAdams, e que foi o vencedor do Oscar de melhor roteiro original do próprio Woody Allen. Veja mais aqui e aqui.


ADRIANA DA MEIA-NOITE DE PARIS – Nada mais justo, então, que incluir na nossa campanha todo dia é dia da mulher, o papel desempenhado pela atriz Marion Cotillard na personagem Adriana do filme do Woody Allen, Midnight Paris (Meia-Noite em Paris, 2011). Veja mais aqui.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
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terça-feira, outubro 30, 2007

PARAMAHAMSA, WOODY ALLEN, MARIA JOÃO PIRES, LILIA SILVESTRE CHAVES, CLÉO DE PÁRIS, RICHARD BACH & MUITO MAIS!!!


AS PUDICAS QUE ME PERDOEM, MAS SAFADEZA É FUNDAMENTAL! Gente, mulher é a coisa mais melhor de boa, num é? Evidentemente que sim. Seja ela do jeito que for, é a maior das maravilhas que existem na vida de um hetero. Eu mesmo aprecio demais da matéria e não troco por nada nesse mundo. Por isso dedico para elas o Crônica de Amor por Ela. Além do mais, melhor que o furunfado, só dois disso, obviamente. Pois bem, existe uma tipologia vasta para opção do freguês, que vai desde as top de linha feito louraça, bunduda, reboculosa, sonsa, assanhada, quartuda, até as mais modestas catraias, mocréias, feiosas e pinicas. Todas responsáveis pela alegria e perpetuação humana. Seja de que jeito for, é o que é mais perseguido pela natureza humana, valendo-se de homenagens desde a mais chula e brega, até a mais repleta expressão erudita feita por filósofos, doutores e artistas. Tanto é que, por exemplo, Marcel Prost mesmo diz: “(...) Deixemos a mulher bonita para os homens sem imaginação... (...) porque é um desperdício uma mulher bonita para um homem só”. Já o Doro, nessa hora, sai com as suas: “As pudica qui mi perdôi, mas garanhage é fundamentá”. Veja mais aqui & Abundâncias fabísticas e Croniqueta!
(Imagem: nossa! Essa é de primeira. Chegou por mail presenteado que fui pela beldade. Infelizmente não me disse o nome da contemplada. Fica o crédito em aberto para o autor dessa façanha).




Imagem: Nu, do artista plástico húngaro Miklos Mihalovits (1888-1960). Veja mais aqui.


Curtindo a coleção dos vinte cds do Complete DG Solo Recordings (Deutsche Grammophon), da pianista portuguesa naturalizada brasileira Maria João Pires. Veja mais aqui.

EPÍGRAFE - Uma boneca feita de sal tinha como o seu maior sonho conhecer o oceano. Um dia, foi levada ao mar. Extasiada, começou a entrar na água, mas percebeu que à medida que o fazia, ia derretendo. Antes de se dissolver completamente, alguém a ouviu dizer: “Já sei! O oceano sou eu”, frase atribuída ao líder hindu da Índia e influente figura da Renascença Bengali, Ramakrishna Paramahamsa (1836-1886). Veja mais aqui.

DO FERNÃO GAIVOTA AO ILUSÕES - Entre os escritores que povoaram a minha adolescência, isso lá pelos idos da primeira metade dos anos 1970, entre eles está o escritor estadunidense Richard Bach, de quem primeiro eu li o maravilhoso Fernão Capelo Gaivota. Depois li o cativante Ilusões e por aí vai: Nada por acaso, Longe é um lugar que não existe, entre outros. Da sua lavra destaco os trechos: [...] Quando você chega ao limite de toda luz que você conhece, e está a ponto de dar um passo na escuridão, fé e saber que uma dessas coisas vai acontecer: vai haver chão, ou você será ensinado a voar. [...] Quando iniciamos a vida, cada um de nós recebe um bloco de mármore e as ferramentas necessárias para convertê-lo em escultura. Podemos arrastá-lo intacto a vida toda, podemos reduzi-lo a cascalho ou podemos dar-lhe uma forma gloriosa. [...] O que a lagarta chama de fim de mundo, para o Mestre, é a borboleta. Veja mais aqui.

MOIRÃO – Entre os poemas da poeta, artista plástica e professora Lilia Silvestre Chaves, destaco a poesia Moirão: Há limo nos meus olhos / - o limo da tarde - / quando o rio se evapora / em branco véu de adeus / por sobre a ilha. / O tempo e o desengano / na unidade de ser / quebram lágrimas / no moirão do olhar. / Há limo e neblina nos meus olhos. Veja mais aqui.

COSMOGONIA – Em 2005, tive oportunidade de assistir no Espaço dos Satyros, em São Paulo, à montagem da peça Comogonia – Experimento nº 1, texto e direção de Rodolfo García Vazquez, resultado de estudos e pesquisas sobre a cosmogonia de diferentes culturas e diversas mitologias acerca da origem e finalidade do Universo. Neste primeiro experimento é focada a Teogonia de Hesíodo, o primeiro grande relato cosmogônico da cultura clássica grega, contando a história de um cientista que se encontra com duas divindades gregas, a Moira Inflexível e a Musa Calíope. O destaque da peça fica por conta da atuação da belíssima e premiada atriz Cléo de Páris. Veja mais aqui.

MELINDA E MELINDA – O drama comédia Melinda e Melinda (2004), do estadunidense Woody Allen, conta a história de um quarteto nova-iorquino que se encontra num jantar em noite chuva, quando um casal de escritores discute as diferenças entre a comédia e a tragédia, e a partir disso passam a desenvolver duas histórias que vão se desenrolar. O destaque fica por conta da atuação das atrizes Chloë Sevigny, Amanda Peet e Radha Rani. Veja mais  aquiaqui.

EM TEMPO: COISA DAS ALAGOAS – Gentamiga, quando vi o chatoso Aércio das Nerves da Capitininga ganhar o título de cidadão maceioense e, na mesma hora, uma tuia de alagoanos empunhando um cartaz enorme com a foto do Collorido Ventalouca, em que ele exige que o Brasil lhe peça desculpas, fiquei bestificado e perguntando comigo mesmo: que país é este, hem? Minha nossa!!!!!! Veja mais aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da belíssima e premiada atriz Cléo de Páris.


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Zé Corninho & a filharada aqui.
A greia - A fúria dos inocentes aqui

Goethe, Mestre Eckhart, Lúcio Cardoso, Emboladas e Repentes, Nelson Rodrigues, Spencer John Derry, Myriam Taubkin, Chen Kaige & Gong Li aqui. 

Carlos Gomes, Quando mandavam as mulheres, Heloneida Studart, Maria Esther Maciel, Giuseppe Tornatore, Piet Mondrian, Edwin Landseer, Silviane Bellato, Neila Tavares & Monica Bellucci aqui.
 
Lagoa Manguaba, Jorge de Lima, Psicologia & contação de história, Afonso Henrique Fonseca Lisboa, Daniela Botti da Rosa, Nando Cordel & Brincarte do Nitolino aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: Le cinq à sept (Love in the afternoon), da ilustradora e artista plástica Apollonia Sainclair. Veja aqui e aqui.



CANTARAU TATARITARITATÁ
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.





DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...