segunda-feira, janeiro 13, 2020

PAULO FREIRE, KHATIA BUNIATISHVILI, SIDARTA RIBEIRO, CHRISTINE WALTERS, RAFAEL ROCHA & ARTE PERNAMBUCANA


ERA UMA VEZ OS LIVROS DE UMA ESCOLA... - Bastou o Coisonário dizer que o livro é um montão de amontoado, muita coisa escrita para se ler, e foi o suficiente para a farra dos camirangas carniceiros. Entre eles, a urubutinga Maria das Calamidades Calamares atacar com suas garras, mandando jogar os livros comunistas de ciência no lixo mesmo, agora só publicações evangélicas passariam a existir. Para os catartídeos do ódio, um prato cheio. E o negócio pegou feio a ponto da diretora de uma escola e candidata a prefeita simpatizante da legenda do Coiso, a doutora Katavanir de tal-sei-lá-das-quantas-mais, mandar ver no agouro, demitir o bibliotecário da sua escola e sacudir fora todo acervo da biblioteca. Desfolharam-se as árvores da sabedoria, da coisa toda ficar séria e feder além da conta. Ela, nem aí, ainda berrou: Ou vira lixo ou papel higiênico, pronto, resolvido. E, assim, de chapa, espalhou-se a má notícia e os necrófagos bibliófobos mandaram ver: derrama de volumes em Belém do Pará, em Santo Antônio de Jesus, na Praia do Dendê de Teolândia, em Ouro Branco, na Estação do Forró de Salgueiro, na BR 156 do Amapá, na Perimetral Oeste de Caxias do Sul, em lixeiras de Bragança Paulista e Ribeirão Preto, na rodovia de acesso de Rincão, no Uberaba de Curitiba, no lixão de Iporá e por aí vai mundão afora. Vixe! Livro virou urubu quando morre: nem as formigas comem. Até o Ministério do FNDE providenciou descarte num monturo de terreno baldio, nada mais nada menos que quase três milhões daquelas brochuras didáticas, desfazendo-se de opúsculos inservíveis e depositados num armazém alugado dos Correios de Cajamar, sob a condição de que esses alfarrábios perderam a validade. Hem? Afora outros tantos milhões nunca usados, trancados em salas, sob a pecha de desatualizados, ociosos, defasados, irrecuperáveis, antieconômicos ou em desuso, servindo só para urubus leitores. Valei-me! Que coisa! Foram disparadas denúncias que nenhuma autoridade nem polícia apuraram no devido, valendo-se a dita cuja diretora de uma satisfação pública, só no deboche: A coisa toda tava empestada de mijo de rato! Óóóóóóóóó! Quer dizer: quem pegasse naquilo ou limpasse o rabo, morria na hora? Óóóóóóóóó! A coisa tomou termômetro! Nada, era só desculpa de amarelo para comer barro. E a peitica ficou no puxa-encolhe. O que ninguém sabe é que o Coisonário é apenas um ventríloquo do Urubu de Malasarte. É? Eita! E urubu sabe como é, né? Serve-se só de carniça e, como disse Darwin, se diverte na podridão. É isso aí. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O sonho é essencial porque nos permite mergulhar profundamente nos subterrâneos da consciência. Experimentamos no transcorrer desse estado uma colcha de retalhos emocionais. Pequenos desafios, modestas derrotas e vitórias cotidianas geram um panorama onírico que reverbera as coisas mais importantes da vida, mas tende a não fazer sentido globalmente. Quando a existência flui mansa é difícil interpretar a algaravia simbólica da noite. Por outro lado, não se pode negar nem às pessoas ricas o direito ou a sina de serem atormentadas por pesadelos recorrentes, de íntimo significado. Mas para quem sobrevive à margem do bemestar, para quem verdadeiramente teme dia e noite pela própria vida, para bilhões que não sabem se amanhã terão o que comer, vestir ou onde dormir, sonhar é quase sempre lancinante. Na vida do sobrevivente de guerra, do presidiário ou do mendigo, o sonho é um tobogã de afetos em tons gritantes de vida e morte, prazer e dor nos extremos desejantes. [...] A rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos trabalhadores, são cruciais para o malestar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre a relevância motivacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. No século xxi, a busca pelo sono perdido envolve rastreadores de sono, colchões hightech, máquinas de estimulação sonora, pijamas com biossensores, robôs para ajudar a dormir e uma cornucópia de remédios. A indústria da saúde do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor estimado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares.3 Mesmo assim a insônia impera. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao infinito, se tão poucos se lembram que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chegase a duvidar da sobrevivência do sonho. E, no entanto, sonhase. Sonhase muito e a granel, sonhase sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspectivas. [...]. Trechos extraídos da obra O oráculo da noite: A historia e a ciência do sonho (Companhia das Letras, 2019), do neurocientista, biólogo, neurobiólogo e professor Sidarta Ribeiro, tratando sobre o sonho e ancestral, psicanálise e deuses vivos, sonhos únicos e típicos, primeiras imagens, evolução do sonhar, a bioquímica onírica, a loucura, dormir e lembrar, a reverberação de memórias, genes e memes, dormir para criar, sono rem, desejos, emoções e pesadelos, o oráculo probabilístico, a saudade e a cultura, sonho e destino, entre outros assuntos.

DESTAQUE: A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER - [...] a leitura critica da realidade, dando-se num processo de alfabetização ou não e associada sobretudo a certas práticas claramente políticas de mobilização e de organização, pode constituir-se num instrumento para o que Gramsci chamaria de ação contra-hegemônica [...] da importância do ato de ler, que implica sempre percepção critica, interpretação e "re-escrita” do lido [...] A forma como atua uma biblioteca popular, a constituição do seu acervo, as atividades que podem ser desenvolvidas no seu interior, e a partir dela, tudo isso, indiscutivelmente, tem que ver com técnicas, métodos, processos, previsões orçamentárias, pessoal auxiliar, mas, sobretudo, tudo isso tem que ver com uma certa política cultural. [...] A mesma compreensão mágica da palavra escrita, o mesmo elitismo reacionário minimizador do Povo, mas o mesmo espírito crítico-democrático de que tanto precisamos neste país de tão fortes tradições de arbítrio. O Brasil foi "inventado” de cima para baixo, autoritariamente. Precisamos reinventá-lo em outros termos. [...]. Trechos extraídos da obra A importância do ato de ler: em três artigos que se completam (Cortez, 1989), do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui.

A MÚSICA DE KHATIA BUNIATISHVILI
Você não tem garantia de que tudo ficará bem, mas sente uma enorme liberdade para criar. Quando criança descobri que muitos dos artistas de quem eu gostava dividiram opiniões em sua época. Hoje ninguém duvida mais deles e de como transformaram a história da música. Eu me acostumei com a controvérsia. As pessoas que prestam atenção a meu físico e minhas roupas tentam me colocar numa caixa. Se eu mudar, significa que os machistas ganharam.
KHATIA BUNIATISHVILI – A arte virtuosista e voluptuosa da consagrada pianista franco-georgiana Khatia Buniatishvili, com suas interpretações dramáticas e decotes profundos. Veja mais aqui e aqui.

A ARTE DE CHRISTINE WALTERS
Meu trabalho é melhor descrito como uma experiência. A arte é uma expressão pessoal. Não sou uma artista treinada, por isso corro riscos que a maioria dos artistas pode não se sentir à vontade. O medo não controla o resultado do que está sendo criado. Divertir-se e deixar que os que estão ao meu redor vivenciem o processo criativo cria uma obra de arte final memorável, capturada em uma pintura, vídeo, música e fotografia. Minha visão da performance art combina todos os meios artísticos em um cenário majestoso é uma questão de tempo e continua a construir uma equipe sólida para realizá-la.
CHRISTINE WALTERS - A arte da artista e performer estadunidense Christine Walters que combina música e pintura em shows apoteóticos por todo planeta. Veja mais aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
Imagem: arte do artista plástico Rafael Rocha.
A literatura de Osman Lins aqui, aqui & aqui.
A música de Antônio Nóbrega & Quinteto Armorial aqui & aqui.
Roda de Teatro de Rua do Recife aqui.
A poesia viva do Recife aqui.
A Revolução Pernambucana de 1817 & Ana Lins aqui.
Carnaval pernambucano aqui & aqui.
Os fantasmas e o incêndio da biblioteca de Alagoinhanduba aqui & aqui.




MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...