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terça-feira, junho 15, 2021

MARGARET DELAND, BALMONT, PAUL RUSESABAGINA & MESTRE NOZA

 

 

TRÍPTICO DQP – Talentos das estrelas... - Ao som do Concerto in A minor, Op 16, de Edvard Grieg, na interpretação da pianista Khatia Buniatishvili & Orchestre National du Capitole de Toulouse, conductor Tugan Sokhiev. - A vida segue, deito a cabeça ao travesseiro de Chen-Tsi-Tsi e logo a cena: flagro o tratamento desumano com os nossos idosos nas filas do banco, nas emergências, nos pontos de condução. Yeats sussurra ao meu ouvido: Espalhei meus sonhos aos seus pés. Caminhe devagar, pois você estará pisando neles. Tomo um susto, procuro evitar, mas nada identifico. Procuro por ele e me deparo com Proust: Acontece com a velhice o mesmo que com a morte. Alguns enfrentam-nas com indiferença, não porque tenham mais coragem do que os outros, mas porque têm menos imaginação. Mediante sua fala, reflito sobre envelhecer: o que sei é que nãoé o fim do mundo. E me perco na fumaça da ideia, lembrando logo o tempo da faculdade em que estudei a Terceira Idade e a sexualidade. Dessa época, guardei comigo a frase da escritora estadunidense Margaret Deland (1857-1945): ... assim que você se sentir muito velho para fazer alguma coisa, faça essa coisa. Também aquela que me foi repetida um tanto de vezes da economista & estilista belga Diane von Fürstenberg: Meu rosto carrega todas as minhas lembranças. Por que eu deveria apagá-las? E ainda teimava em recitar os versos do poeta russo Konstantin Balmont (1867-1942): Procure, com meu coração, o que se foi e se desvaneceu, sem deixar vestígios. Eu sei: é o sol, com seu perfume infinito, Cante músicas comigo e eu canto também. O que sei é que quanto mais o tempo passa, se a pandemia ou o genocídio do Fecamepa ceifam nossa gente, sobretudo nossos idosos, sei que os avós são os mestres do passado, envelhecem para brilhar, não para a cruel violência e o preconceito: direitos da luta pela vida.

 


Duas lágrimas no Hotel Rwanda... - Não sei se despertei de fato ou se foi dentro do pesadelo, uma coisa assim, sei que era tudo diferente. Pareceu-me que era Kigali em pleno genocídio depois do atentado a Habyarimana, quando se rasgou o acordo de paz. Era mesmo, agora tinha certeza. Era a guerra civil, a maioria hutu atacava promovendo a matança: caçavam as baratas tutsis, foi o que disseram, nem sei quem. Estava eu no hotel de refugiados e, cá com meus botões: só me faltava essa! E Paul Rusesabagina, um homem comum, para lá e para cá. Dirigiu-se a mim com um gesto, nenhuma palavra. Ousei mencionar: Sim, Paul. Quantas vezes não ouvimos: A política é poder e dinheiro. E repetem entre si: Temos todas as razões para crer que atos de genocídio têm ocorrido. E nada fizeram, não fazem, nem farão nada, talqualmente aqui. O pior é que sabemos: Sinceramente, acho que as pessoas que virem essa gravação dirão ‘Oh, meu Deus, que horror’, e continuarão jantando. É sempre assim: como se nada acontecesse. E farram e dançam e pulam e vão e voltam. Quem diria, Paul, uma casa confortável no subúrbio, a bela mulher, o filhos. De repente, quantos mortos, estamos desamparados: os cemitérios esborram, corpos apodrecem. Nenhuma ajuda chegará, a deterioração da humanidade, a milícia, o preconceito, a corrupção, a estupidez, a ganância, o massacre, a indiferença. A história se repete em cada parte do mundo. Resta-nos socorrer os desamparados, os dessemelhantes, somos todos um. E: Sempre há lugar! E que não seja apenas o Hotel des Mille Collines. Sim, Paul, As palavras são as melhores armas jamais vistas. A arma mais potente do indivíduo é uma crença teimosa no triunfo da decência comum. Sim, Paul, é como nos sentimos quando o genocídio é vigente: somos um lixo, não valemos nada, a vida não vale nada para genocidas que pisam crânios e promovem mortes. Não sei, cenas do Hotel Rwanda (2004), em que Terry George foca Don Chedle na pele de Paul. Mas, uma coisa é certa: é preciso tomar alguma atitude! Aqui também é Ruanda.

 


Três luas no olhar... – De repente tudo muda novamente, não dá para acompanhar direito. Tudo por um triz. Agora era como se fosse uma sala de cinema. E passava a animação capixaba Mestre Vitalino e nós no barro (Marlin Azul, 2008): um boneco de barro ganha vida e sai para Vitória participar de um baile. Logo em seguida, o Tudo em homenagem ao Mestre Vitalino. Mal dei dois passos para o lado e de cara com a obra de Mestre Noza. Quem? O escultor, gravador e santeiro de Taquaritinga do Norte, Inocêncio Medeiros da Costa (1897-1983), também tratado por Inocêncio da Costa Nick ou Niquel, coisassim. Nunca ouvi falar. Agora estava vendo tudo: xilogravuras, pinturas, esculturas em madeira, artesanato, Luis Gonzaga, o padre Cicero Romão Batista, cambiteiros, caçadores, santos e santas aos milhares, ou quase, dos mais variados estilos e tamanhos. Era de se ver o grande artista do Vale do Cariri com a mão na peixeira rasgando o pedaço de umburana-de-cheiro, a palestra boa, a palavra amiga, as frases picantes, ou histórias inventadas na hora. Isso para quem viu aquele que andou a pé mais seiscentos quilômetros para chegar por ali. Está lá no Juazeiro do Norte, Ceará. Até mais ver.

 

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segunda-feira, janeiro 13, 2020

PAULO FREIRE, KHATIA BUNIATISHVILI, SIDARTA RIBEIRO, CHRISTINE WALTERS, RAFAEL ROCHA & ARTE PERNAMBUCANA


ERA UMA VEZ OS LIVROS DE UMA ESCOLA... - Bastou o Coisonário dizer que o livro é um montão de amontoado, muita coisa escrita para se ler, e foi o suficiente para a farra dos camirangas carniceiros. Entre eles, a urubutinga Maria das Calamidades Calamares atacar com suas garras, mandando jogar os livros comunistas de ciência no lixo mesmo, agora só publicações evangélicas passariam a existir. Para os catartídeos do ódio, um prato cheio. E o negócio pegou feio a ponto da diretora de uma escola e candidata a prefeita simpatizante da legenda do Coiso, a doutora Katavanir de tal-sei-lá-das-quantas-mais, mandar ver no agouro, demitir o bibliotecário da sua escola e sacudir fora todo acervo da biblioteca. Desfolharam-se as árvores da sabedoria, da coisa toda ficar séria e feder além da conta. Ela, nem aí, ainda berrou: Ou vira lixo ou papel higiênico, pronto, resolvido. E, assim, de chapa, espalhou-se a má notícia e os necrófagos bibliófobos mandaram ver: derrama de volumes em Belém do Pará, em Santo Antônio de Jesus, na Praia do Dendê de Teolândia, em Ouro Branco, na Estação do Forró de Salgueiro, na BR 156 do Amapá, na Perimetral Oeste de Caxias do Sul, em lixeiras de Bragança Paulista e Ribeirão Preto, na rodovia de acesso de Rincão, no Uberaba de Curitiba, no lixão de Iporá e por aí vai mundão afora. Vixe! Livro virou urubu quando morre: nem as formigas comem. Até o Ministério do FNDE providenciou descarte num monturo de terreno baldio, nada mais nada menos que quase três milhões daquelas brochuras didáticas, desfazendo-se de opúsculos inservíveis e depositados num armazém alugado dos Correios de Cajamar, sob a condição de que esses alfarrábios perderam a validade. Hem? Afora outros tantos milhões nunca usados, trancados em salas, sob a pecha de desatualizados, ociosos, defasados, irrecuperáveis, antieconômicos ou em desuso, servindo só para urubus leitores. Valei-me! Que coisa! Foram disparadas denúncias que nenhuma autoridade nem polícia apuraram no devido, valendo-se a dita cuja diretora de uma satisfação pública, só no deboche: A coisa toda tava empestada de mijo de rato! Óóóóóóóóó! Quer dizer: quem pegasse naquilo ou limpasse o rabo, morria na hora? Óóóóóóóóó! A coisa tomou termômetro! Nada, era só desculpa de amarelo para comer barro. E a peitica ficou no puxa-encolhe. O que ninguém sabe é que o Coisonário é apenas um ventríloquo do Urubu de Malasarte. É? Eita! E urubu sabe como é, né? Serve-se só de carniça e, como disse Darwin, se diverte na podridão. É isso aí. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] O sonho é essencial porque nos permite mergulhar profundamente nos subterrâneos da consciência. Experimentamos no transcorrer desse estado uma colcha de retalhos emocionais. Pequenos desafios, modestas derrotas e vitórias cotidianas geram um panorama onírico que reverbera as coisas mais importantes da vida, mas tende a não fazer sentido globalmente. Quando a existência flui mansa é difícil interpretar a algaravia simbólica da noite. Por outro lado, não se pode negar nem às pessoas ricas o direito ou a sina de serem atormentadas por pesadelos recorrentes, de íntimo significado. Mas para quem sobrevive à margem do bemestar, para quem verdadeiramente teme dia e noite pela própria vida, para bilhões que não sabem se amanhã terão o que comer, vestir ou onde dormir, sonhar é quase sempre lancinante. Na vida do sobrevivente de guerra, do presidiário ou do mendigo, o sonho é um tobogã de afetos em tons gritantes de vida e morte, prazer e dor nos extremos desejantes. [...] A rotina do trabalho diário e a falta de tempo para dormir e sonhar, que acometem a maioria dos trabalhadores, são cruciais para o malestar da civilização contemporânea. É gritante o contraste entre a relevância motivacional do sonho e sua banalização no mundo industrial globalizado. No século xxi, a busca pelo sono perdido envolve rastreadores de sono, colchões hightech, máquinas de estimulação sonora, pijamas com biossensores, robôs para ajudar a dormir e uma cornucópia de remédios. A indústria da saúde do sono, um setor que cresce aceleradamente, tem valor estimado entre 30 bilhões e 40 bilhões de dólares.3 Mesmo assim a insônia impera. Se o tempo é sempre escasso, se despertamos diariamente com o toque insistente do despertador, ainda sonolentos e já atrasados para cumprir compromissos que se renovam ao infinito, se tão poucos se lembram que sonham pela simples falta de oportunidade de contemplar a vida interior, quando a insônia grassa e o bocejo se impõe, chegase a duvidar da sobrevivência do sonho. E, no entanto, sonhase. Sonhase muito e a granel, sonhase sofregamente apesar das luzes e dos ruídos da cidade, da incessante faina da vida e da tristeza das perspectivas. [...]. Trechos extraídos da obra O oráculo da noite: A historia e a ciência do sonho (Companhia das Letras, 2019), do neurocientista, biólogo, neurobiólogo e professor Sidarta Ribeiro, tratando sobre o sonho e ancestral, psicanálise e deuses vivos, sonhos únicos e típicos, primeiras imagens, evolução do sonhar, a bioquímica onírica, a loucura, dormir e lembrar, a reverberação de memórias, genes e memes, dormir para criar, sono rem, desejos, emoções e pesadelos, o oráculo probabilístico, a saudade e a cultura, sonho e destino, entre outros assuntos.

DESTAQUE: A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER - [...] a leitura critica da realidade, dando-se num processo de alfabetização ou não e associada sobretudo a certas práticas claramente políticas de mobilização e de organização, pode constituir-se num instrumento para o que Gramsci chamaria de ação contra-hegemônica [...] da importância do ato de ler, que implica sempre percepção critica, interpretação e "re-escrita” do lido [...] A forma como atua uma biblioteca popular, a constituição do seu acervo, as atividades que podem ser desenvolvidas no seu interior, e a partir dela, tudo isso, indiscutivelmente, tem que ver com técnicas, métodos, processos, previsões orçamentárias, pessoal auxiliar, mas, sobretudo, tudo isso tem que ver com uma certa política cultural. [...] A mesma compreensão mágica da palavra escrita, o mesmo elitismo reacionário minimizador do Povo, mas o mesmo espírito crítico-democrático de que tanto precisamos neste país de tão fortes tradições de arbítrio. O Brasil foi "inventado” de cima para baixo, autoritariamente. Precisamos reinventá-lo em outros termos. [...]. Trechos extraídos da obra A importância do ato de ler: em três artigos que se completam (Cortez, 1989), do educador e filósofo Paulo Freire (1921-1997). Veja mais aqui.

A MÚSICA DE KHATIA BUNIATISHVILI
Você não tem garantia de que tudo ficará bem, mas sente uma enorme liberdade para criar. Quando criança descobri que muitos dos artistas de quem eu gostava dividiram opiniões em sua época. Hoje ninguém duvida mais deles e de como transformaram a história da música. Eu me acostumei com a controvérsia. As pessoas que prestam atenção a meu físico e minhas roupas tentam me colocar numa caixa. Se eu mudar, significa que os machistas ganharam.
KHATIA BUNIATISHVILI – A arte virtuosista e voluptuosa da consagrada pianista franco-georgiana Khatia Buniatishvili, com suas interpretações dramáticas e decotes profundos. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Meu trabalho é melhor descrito como uma experiência. A arte é uma expressão pessoal. Não sou uma artista treinada, por isso corro riscos que a maioria dos artistas pode não se sentir à vontade. O medo não controla o resultado do que está sendo criado. Divertir-se e deixar que os que estão ao meu redor vivenciem o processo criativo cria uma obra de arte final memorável, capturada em uma pintura, vídeo, música e fotografia. Minha visão da performance art combina todos os meios artísticos em um cenário majestoso é uma questão de tempo e continua a construir uma equipe sólida para realizá-la.
CHRISTINE WALTERS - A arte da artista e performer estadunidense Christine Walters que combina música e pintura em shows apoteóticos por todo planeta. Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
Imagem: arte do artista plástico Rafael Rocha.
A literatura de Osman Lins aqui, aqui & aqui.
A música de Antônio Nóbrega & Quinteto Armorial aqui & aqui.
Roda de Teatro de Rua do Recife aqui.
A poesia viva do Recife aqui.
A Revolução Pernambucana de 1817 & Ana Lins aqui.
Carnaval pernambucano aqui & aqui.
Os fantasmas e o incêndio da biblioteca de Alagoinhanduba aqui & aqui.




quinta-feira, setembro 21, 2017

JULIO VERNE, JOÃO GONÇALVES, EDUCAÇÃO INCLUSIVA & ACESSIBILIDADE NA BIBLIOTECA FENELON!

O ESPADACHIM DO CANAVIAL – Imagem do artista plástico João Gonçalves - O que Zedonho tinha de ocrídio, tinha de trabalhador. Pense num sujeito apegado aos afazeres de só parar quando vencia o prometido. Pra se ter ideia, quando menino de rua, órfão de pai e mãe que nem sabia de qualquer parente nem aderente, pedia pra limpar o mato do terreiro, varrer as calçadas e as ruas, carregar uma mala, engraxar um sapato, coisas do tipo, mas como era criança ninguém levava a sério. – Meu filho cadê seus pais? Tenho não. Ué, você nasceu aonde? Nasci e vivo nas ruas. Era sempre assim. Até o dia em que um idoso japonês que apareceu por essas bandas, inadvertidamente deixou cair umas moedas no chão que rolaram rua abaixo espalhadas, ele recolheu uma a uma na maior das ligeirezas e correu pro ancião devolvendo-as: - Olhe, é do senhor, tinha caído e nem viu! O macróbio ficou tão admirado: - Ah, que bom! Você mora aonde? Na rua. Na rua? Sim. Então, venha. Pegou sua mão e o levou pra uma casa esquisita, nunca tinha visto daquele tipo e ficou maravilhado com o tanto de coisas estranhas que tinha dentro. – Já comeu hoje? Não. Venha, vamos pro desjejum. Que é isso? Venha. È sentaram-se ao chão, ao redor de uma mesinha. Enquanto o longevo nipônico manipulava uns hashis levando aquela comida esquisita à boca, ele fitava detalhadamente, engolindo seco. – Vá, pode comer! Aí ele tentou. – Ah, pegue o hashi assim! Olhou, olhou, nada de aprender, o velho se ria com sua inabilidade. Aí ele invocou-se e meteu a mão na comida, ingerindo tudo duma só vez. Novas risadas do anoso que bateu palmas, dele perguntar: - Tem mais? Uma jovem nissei adentrou trazendo um prato com comidas que lhe foram oferecidas. Nem esperou pela anuência do anfitrião e já foi logo metendo a mão à boca, de fazer bochecha pra engolir. Tem mais? Outros pratos vieram dele se empanzinar de tanto comer, se encostando a um canto e pegar no sono. Quando acordou já era quase noite e ele ficou de olhos esbugalhados com o tanto de comida que estava servida à mesinha. Para mim? Com a anuência do dono da casa, ele avançou e se empanturrou até ficar amolecido de bucho cheio. Um tempo depois a nissei voltou para apanhá-lo e encaminhá-lo pro banho; depois do asseio, já trocado de roupa feito um japonesinho, foi conhecendo cada parte da casa, até descobrir o seu dormitório. Nem esperou ela terminar de falar e já caiu na cama, só acordando no dia seguinte. Assim se passaram dias, semanas, meses, anos, aprendendo artes marciais e os serviços gerais da casa. Já com quase dezessete anos, o seu protetor faleceu, deixando-lhe duas espadas de samurai por presente de herança. O restante, os familiares vieram, limparam tudo, findaram por despejá-lo de não saber o que poderia fazer nem pra onde ir. Era época do inicio de moagem da safra canavieira em Alagoinhanduba, ele aproveitou e se inscreveu no que estavam precisando: cortador de cana. Quando chegou empurrado na plantação, pediu para que escolhessem um pedaço de terra para ele trabalhar. Acharam que era petulância do novato e logo apontaram pruma área só pra vê-lo morrer de trabalhar dias a fio. Duas horas e meia depois apareceu ele pedindo que demarcassem outra área porque aquela já estava pronta. Foram ver e ficaram de queixo caído: não só deu vencimento, como deixou tudo devidamente organizado pra colhedeira passar e pegar. – Como foi que você fez isso, seu cabra? Fazendo. Faça de novo preu ver ali. Apontaram e lá foi ele, a área era maior que a anterior e ficaram só olhando pra caírem na gaitada com a melada dele. Nem notou o sarcasmo de todos, logo se encaminhou pra plantação, sacando as duas espadas e golpeando a cana que já caía certinha aos montinhos. Como é? Ficaram de olhos arregalados, nem acreditaram no que viram e já botaram ele pra outra empreitada maior que as anteriores. Oxe! Nem, nem. O que ele fez num dia, somando a tarefa de todos por um mês, multiplicado por duas vezes e, ainda assim, não davam vencimento. – Ô, mô fio, você aparentado com quem, hem? Eu só órfão de pai e mãe, não tenho parente não. Isso é um apaideguado dum broco, tô perguntando se você é aparentado com Superhomem, com o cabrunco, com coisas do outro mundo, ou o quê? Não, senhor, sou apenas trabalhador mesmo. Isso é o fim do mundo. Vá-se embora e amanhã esteja no ponto no mesmo horário. Todo dia ele batia o recorde e no final da safra foi o campeão com direito a prêmio, festa e tudo. Como estava famoso, logo angariou a simpatia das moçoilas mais matutas, chegando mesmo a se amasiar de uma que nem bola pra ele dava. Ano após ano foi nascendo um bruguelo atrás do outro e ele, quando findava a safra em Alagoinhanduba, ia pro Centro-Sul pra botada das usinas de lá, não se atrapalhava com entressafra, só voltando seis meses depois. Anos e décadas se passando, foi cortando cana que ele montou a casa, educou os filhos, tudo formado com graduação e pós-graduações, tem até um que o mês passado foi laureado com o doutoramento numa universidade da França, e tem mais três que estão terminando o mestrado também no exterior. Quando soube disso, o Gal Langal não acreditou: - Sou que nem São Tomé, só acredito se eu ver com esses olhos que a terra um dia vai ter o trabalho de comer. Verdade. Provaram por a+b, tintim por tintim, testemunhas muitas, fama do homem ia longe, mesmo assim, não acredito. Tiraram a prova dos nove com ele, chamaram Zedonho: - Nada, eu só trabalhei pesado e muito! Nada demais. Estão vendo, cambada? Nada, vá na casa dele e tire a sua conclusão. Gal Langal foi lá, conferiu tudo, confirmou tudo. Mas não acredito. Esse cara deve de ter outra profissão, não pode ser. Não tinha. Ô Zedonho, que danado que você faz pra ter essas coisas e viver desse jeito? Nada, só corto cana. Foi quando souberam que até a polícia desconfiou dele, vez que um sujeito havia cometido um crime e havia escapulido justo pro canavial dele. Ah, eu num disse? Tem coisa. Tinha não. Quando a polícia foi investigar, o bandido estava todo cortado dentro do canavial, até inocentaram o Zedonho porque o sujeito era de alta periculosidade, num foi, Zedonho? Foi isso mesmo, meu senhor. Danou-se. Ô Zédonho e o que tu queres mais da vida, hem homem? Queria só que o mundo vivesse em paz, mais nada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especiais com o violoncelista estadunidense de origem chinesa Yo Yo Ma, executando Brasileirinho, Obrigado Brazil & Cinema Paradiso com participações de Chris Botti, Carlos Prieto & Brasil Guitar; da pianista francesa Khatia Buniatishvili interpretando Concerto de Grieg eRachmaninov & Pictures at na exhbition de Mussorgsky; o guitarrista e violonista Hélio Delmiro com seus álbuns Chama, Emotiva & Compassos; e a dupla formada pela bailarina, cantora e compositora Tatiana Cobbett e o músico e compositor Marcoliva com seus álbuns Parceiros, Bendita Companhia, Corte e Costura & Sawabona Shikoba. Para conferir é só ligar o som e curtir.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Assim pois Phileas Fogg tinha ganho sua aposta. Tinha feito em oitenta dias a viagem ao redor do mundo! Tinha empregado para fazê-la todos os meios de transporte, paquetes, railways, carruagens, iates, navios mercantes, trenós, elefante. O excêntrico gentleman tinha desenvolvido nesta empresa suas maravilhosas qualidades de sangue frio e de exatidão. Mas afinal? O que tinha ganho neste deslocamento? O que alcançara com esta viagem? Nada, diriam? Nada, vá lá, a não ser uma sedutora mulher, que — por mais inverossímil que possa parecer — o tornou o mais feliz dos homens! Na verdade, não faríamos, por menos que isso, a Volta ao Mundo? Trecho extraído da obra Volta ao mundo em 80 dias (Melhoramentos, 2009), do escritor francês Julio Verne (1828-1905), autor de frases célebres como “Os obstáculos existem para serem vencidos; quanto aos perigos,quem pode se orgulhar de fugir deles? Tudo é perigo na vida” e “A imbecilidade humana não tem limite”. Veja mais aqui.

EDUCAÇÃO INCLUSIVAUma educação que seja inclusiva tem sido desejada por muitos sujeitos que, de diferentes ligações sociais, acalentam a ideia de construir uma escola que consiga trabalhar conjuntamente diversidade e conhecimento. Essa proposta tem-se tornado bandeira de muitos movimentos sociais que constantemente levam a publico situações educacionais marcas pelas dificuldades em lidar, no universo da escola, com as diferenças subjetivas. São situações de disseminação social, de gênero, de condição social, de sexualidade, de diferenças físicas, mentais e tantas outras, que são absorvidas pela cultura escolar e transformadas em cenas corriqueiras, nas quais a ausência de um estranhamento e de um desconforto impede mudanças. Silenciadas nos contextos disciplinares e nos aspectos mais formais da escola, essas ideias muitas vezes ficam restritas às vivências socializadoras dos alunos. [...] Dessa forma, aprendizagens caricatas sobre as diferentes vão-se tecendo no espaço escolar, alargando e fomentando preconceitos construídos pela humanidade [...]. Trechos extraídos do artigo Educação especial à educação inclusiva, de Margareth Diniz e Mônica Rahme, extraído da obra Pluralidade cultural e inclusão na formação de professoras e professores: gênero, sexualidade, raça, educação especial, educação indígena e educação de jovens e adultos (Formato, 2004), organizada por Margareth Diniz e Renata Nunes Vasconcelos. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 
PROJETO ACESSIBILIDADE DA BIBLIOTECA FENELON BARRETO - Participação na reunião do Projeto Acessibilidade/Inclusão da Biblioteca Municipal Fenelon Barreto, no último dia 20/09/2017, com as professoras Rute Costa da SEMED-Palmares & Silvana Neves – Coordenadora do Programa de Educação Inclusiva da SEMED-Palmares, e o jornalista Luiz Heitor, da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho. Esta reunião é o resultado das reuniões ocorridas nos dias 31/08 e 20/09, dando andamento à esquematização de ações que propiciem o envolvimento de alunos com deficiência visual, auditiva e cadeirantes para visita à Biblioteca no sentido de levantar as dificuldades encontradas por esse público-alvo, entre outras que serão estudadas para viabilização, resultado de parceria com o IFPE. Veja mais aqui e aqui.

Veja mais:
A história da minha vida de Helen Keller aqui.
Minha alegria de viver de Denise Legrix aqui.
O lamentável expediente da guerra aqui.
Dia Internacional da Paz aqui e aqui.
A literatura de Herberto Sales aqui.
A adolescência no Dia do Adolescente aqui e aqui.
A poesia de Luis Cernuda aqui.
A arte musical de Tatiana Cobbett & Marcoliva aqui e aqui.
A arte do poeta e filósofo latino Virgilio aqui e aqui.
Dia do Radialista aqui.
O pensamento do filósofo alemão Arthur Schopenhauer aqui, aqui e aqui.
A arte musical de Yo Yo Ma aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista plástico João Gonçalves.
Veja mais aqui.
 

MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...