segunda-feira, janeiro 27, 2020

MOZART, KLÁRA WÜRTZ, SCHELLING, JENNA GRIBBON, CARTA DE AMOR & ARTE PERNAMBUCANA


CONSTANZE, UMA CARTA DE AMOR - Esta a minha carta de amor, o amor que me faz vivo até agora. O amor que me faz recordar da infância tão promissora nos meus olhos grandes de Salzburgo, eu já era a nona maravilha entre aplausos e gentilezas. Herdei a música do meu pai, reis e rainhas eram reais, não um jogo de tabuleiro, eu sentado à mesa com a distinção de grau de cavaleiro, logo via os homens que pouco se apreciavam uns aos outros. O amor pelos devaneios, La finita semplice, e com a adolescência tornei-me infeliz criatura: desprezado, humilhado, a frieza das amargas verdades. Era o amor sempre e vivia tocando para as mesas e cadeiras, indiferença e hostilidades. Mesmo assim, a Missa da Coroação, a Sinfonia Concertante, a Posthornserenade, Idomeneu, tudo pelo amor. Eu sonhava quartetos de cordas, concertos, sinfonias, óperas. E ao despertar, a insatisfação corroía, valia-me das carícias e beijos da priminha e de outras saltitantes moças que me caíam às graças. Logo Rosa foi a primeira paixão para os andantes de deusa. Fui para Mannhein e me apaixonei pela Aloysia, a voz soprano de ouro na beleza estonteante. Para ela muitas árias e sequer me reconheceu no segundo encontro, fui rejeitado. Caí no mundo por força de um pontapé, fui bater em Viena, não menos recusado, expulso. Logo Constanze, antes cunhada, com seus olhos penetrantes deu-me abrigo nos seus braços abertos e o Rapto de Serralho na nossa fuga. O amor, altos e baixos, extravagâncias, as minhas angústias: melancólico, irrequieto, a busca pela conquista da liberdade e amava demais até As Bodas de Fígaro! Apesar do sucesso, a pobreza não era o único obstáculo: o ataque secreto dos inimigos. Quanto desamor. Na verdade, mais um fracasso: ondas exitosas seguiam-se por desastradas. Até Don Giovanni, a tragédia do amante de tantas conquistas amorosas: a ópera da morte e da noite. Eu caminhava para a ruina. Apesar dos aplausos, morria de fome, o ânimo fraquejava. O coração invernou, caminhava num pesadelo. Um estalo: A flauta mágica. Perseverava, persistia. Nenhum reconhecimento, ninguém que me amasse e eu à procura de estima e afeto. Valia-me apenas de Constanze, ah, querida, não fique triste, esteja sempre segura do meu amor. É por você que falo de amor enquanto sonho e ao despertar pelos campos, fontes e ventos. É por você que falo de amor até comigo mesmo, quando não há ninguém para escutar nem receber o meu amor universal. Porque é preciso um grande amor para se viver ou criar uma obra de arte, o amor é fundamental. Ah, minha Constanze como a amo, apesar da nossa quase miséria beirando ao desespero, eu a amo e muito e demais. Sei fui derrotado, todos me deram as costas, fracassei. A vida não tem nenhum valor, só um réquiem, a presença da morte prematura e a vala comum. Adeus, meu amor, meu único amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Aquilo que conhecemos na história ou na arte é essencialmente o mesmo que também existe na natureza: é que a absolutez inteira é conatural a cada um deles, mas essa absolutez se encontra em potencias diferentes na natureza, na história e na arte [...] A música nada mais é que o ritmo prototípico da própria natureza e do próprio universo, que por intermédio dessa arte irrompe no mundo afigurado [...]. Trechos extraídos da obra Filosofia da arte (Edusp, 2001), do filósofo do Idealismo alemão Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854), que em outro de seus estudos, “Primeiro projeto de um sistema da filosofia da natureza: esboço do todo (EDIPUCRS, 2004), assinala que: [...] A inteligência é produtiva de dois modos, ou cega e inconsciente ou livre e com consciência; inconscientemente produtiva na intuição do mundo, com consciência na criação de um mundo ideal. [...]. Veja mais aqui & aqui.

MOZART
Falo do amor ao despertar, falo do amor quando sonho, com as flores, com os campos, as fontes, os ecos, o ar, os ventos, e se não houver alguém que me escute, falo deste amor comigo mesmo. Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor.
MOZART - O compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) teve uma vida repleta de amor e fracasso. Na adolescência e já professor, envolveu-se com a pianista alemã Rose Cannabich (1764-1839), a quem dedicou uma sonata para piano. Depois se apaixonou pela bela soprano Aloysia Weber (1760-1839), pela qual foi rejeitado, para quem dedicou muitas de suas árias. Por fim, apaixonou-se por Constanze Weber (1762-1842), irmã de Aloysia, com quem conviveu até a sua morte. Várias obras dão conta da vida de Mozart e de suas paixões, entre elas, Mozart, sociologia de um gênio (Jorge Zahar, 1995), de Norbert Elias; Constanze Mozart: Eine Biographie (Bohlau Verlag, 2018), de Viveca Servatius; Constanze Mozart geb. Weber: Ein biografischer Roman (Kaufmann Ernst, 2006), de Heidi Knoblich; Mozart (Objetiva, 1999), de Peter Gay; e o drama de época Amadeus (1984), do cineasta Milos Forman. Veja mais aqui & aqui.

A MÚSICA DE MOZART: KLÁRA WÜRTZ
Devemos agradecer ao movimento histórico da performance, que colocou de volta ao centro da cena a estrutura da obra e se despediu da abordagem egocêntrica e de sua obsessão pela perfeição instrumental. Essa obsessão, que culminou nos anos quarenta e cinquenta, enfatizou aquelas seções do trabalho que permitiam exibir a perfeição instrumental, tornando assim os mecanismos de ação pretendidos pelo compositor muito mais difíceis de se comunicar com sucesso.
KLÁRA WÜRTZ – A arte da premiada pianista húngara Klára Würtz, que fez quase 20 gravações em CD, entre as quais as Sonatas para Piano completas de Mozart, entre outras. Ela é professora de piano no Conservatório de Artes de Utrecht e vive em Amsterdã, na Holanda. Veja mais aqui.

A ARTE DE JENNA GRIBBON
Sensualidade, beleza e romantismo são todos aspectos da minha realidade em minhas interações com as mulheres e com o meio da tinta, e isso se reflete no trabalho. Sim, o trabalho é, em parte, sobre minha complicada relação com a história da pintura - não apenas com a maneira como as mulheres foram retratadas na pintura, mas também com a linhagem patrilinear de artistas dos quais meu trabalho descende. Estou tão mergulhado na história da maneira como os homens brancos traduziram idéias e imagens em tinta, que tenho certeza de que nunca poderei pensar em uma abordagem masculina eurocêntrica da pintura como algo além de pintura. A pintura de mim mesmo com um bigode, a pintura de um "banhista" poderia ter sido alternadamente intitulada "Problemas com o papai". Adoro o trabalho de tantos homens dessa história, mas estou lutando com minha própria inclinação para fazer um trabalho que vem diretamente de uma tradição que me deixaria de fora até muito recentemente, e que continua a excluir muitas vozes.
JENNA GRIBBON – Arte da artista visual estadunidense Jenna Gribbon, que tem realizado exposições consagradores em diversos países. Veja mais aqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui & aqui.
O premiado dramaturgo Luiz Marinho (1926-2002) aqui.
O filme Amarelo Manga, de Claudio Assis aqui.
A poesia de Valmir Jordão aqui.
A arte de Zé Galdino aqui.
A música de Bonny Brown aqui & aqui.
O Brasil Holandês aqui.
Lia de Itamaracá aqui.
O município de São Bento do Una aqui & aqui.
&
A arte palmarense de Luciah Lopez aqui, aqui & aqui.


EMMA LAZARUS, NADINE GORDIMER, LAGERLÖF, YOURCENAR & JOAN RODRIGUEZ

    Ao som de Pavane por une infante défunte (1899), de Maurice Ravel , com a Orchestre National de France, sob a regência da maestrina fin...