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quarta-feira, agosto 26, 2020

CORTÁZAR, EDUARDO GALEANO, AGRIPPINA VAGANOVA, APOLLINAIRE & MARACATU


DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: SABE AQUELA... ANDANÇAS, ERRÂNCIAS... - Não há outra coisa a fazer do que rever o feito diante do futuro que só tenho neste exato momento, ou nenhum. Ou seja, ruminar o que fiz ou deixei de fazer. Sei, a primeira vez que larguei o pé no mundo, não lembro, acho, aos dez anos: bigodinho precoce segurando a venta sobre os beiços, uma baforada contra o vento, uma espiada pela fresta da porta de uma delas, uma lapada de dois dedos no copo, era tudo que não podia e coragem no gole, vontade além da conta – era a minha contribuição para sobrecarga da Terra. Fiz e refiz, peito estufado, menino-homem, ah, se era. Fui e tantas vezes regressei dali em diante, andejo, nariz empinado em qualquer direção, carregado de lembranças e sonhos, estrada afora, jornada de muito, até agora. Nesse curso, bem lembrou Julio Cortázar: Cada vez irei sentindo menos, e, recordando mais. A memória é um espelho que mente de forma escandalosa. Fabulação à toa, aos montes, contei no amiudado do tempo corrido, e ele também me falou das andanças de dedos na caneta pro papel: Escrever é uma luta contínua com a palavra. Um combate que tem algo de aliança secreta. De fato, rabiscos e reminiscências, outras tantas garatujas de rememorações. Acabei de crer: sou um sujeito de esquecimentos e recordações involuntárias, parece mais corda repassando fatos uns por sobre outros, imagens tantas do que fui e nem sou mais, vou nessa, muita trilha pra tirar.


DUAS PASSADAS, CAMINHOS, PARAGENS... - Quanta estrada, abundantes histórias, de umas e outras inventadas, quantos envultamentos, maiores assombrações. Oriunda das crendices, coisas que foram ficando, e no meio de algumas delas identificadas patranhas emergentes. Na maior parte, metáforas cuspidas da sabedoria. Disso Eduardo Galeano me disse: Os contadores de história, os contadores de história, só podem contar enquanto a neve cai. A tradição manda que seja assim. Os índios do norte da América têm muito cuidado com essa questão dos contos. Dizem que quando os contos soam, as plantas não se preocupam em crescer e os pássaros esquecem a comida de seu filhotes. Sim, só aqui não tem neve e a coisa pinta assim no pingo do meio dia. Já vi gente contar cada uma de parar o tempo, a correnteza do rio, tudo paralisado, e a gente tremendo de medo. Com efeito, de menino até crescido, no pé do ouvido, lá barulhava recorrentes narrativas dos da terrinha – coisas de antanho, do arco da velha -, da minha avó esquecida do acalanto, malsinações, encantamentos, dos aboios dos vaqueiros e das toadas dos matutos sabidos, coisa da boa dos prazeres da Literatura de Cordel e dos alfarrábios do Cascudo. Ah, coisa mais maior de grande no coração.

TRÊS PEGADAS, DESTINOS, VISAGENS... – Imagem: a bailarina e pedagoga russa Agripina Yakovlevna Vaganova (1879-1951), pelo fotógrafo tcheco František Drtikol (1883–1961) – Sou muitas histórias, sim sou, daquelas indefinidas, intermináveis – coisa de quem tomou água de chocalho, de soltar lorota de manhã e bater a língua nos dentes tarde afora, emendar tagarela noite adentro e no final ainda perguntar: quer outra, ah, hahahahahaha. É muita corda prum Pinóquio da ventriloquia, feito Nitolino no Circo Itinerante. Ainda conto inúmeras, para cima e para baixo, indo e voltando, quase infinitas porque ainda tenho não sei quantas ainda para contar. Como aquela em que ela, tal Agrippina Vaganova, linda, nua, maravilhosa, bailou no meu prazer. Coisa de jamais esquecer! Ah, ela, para sempre inesquecível! Mesmo que Guilhaume Apollinaire insista no verso: Vamos passando, passando, pois tudo passa / Muitas vezes me voltarei / As lembranças são trompetas de caça / Cujo som morre no vento. Vamos, vamos mesmo, vambora. Dos passos nódoas de um enorme passado, fuga da memória e paisagens limítrofes, ave de arribação. Qual o quê, as mãos expressam o dia do desiderato, o que sou nesta terra que me fez. No meu corpo as dores de moedas inválidas, excesso de chão na sola dos pés, caminhos, destinos, paragens. A gente tem que ir, fomos feito pra isso, seguir e viver. Carpe diem! Até mais ver.

MARACATU DE BAQUE SOLTO
Apesar da pobreza em que há tanto tempo se debate o Nordeste, do ponto de vista da Cultura do nosso Povo tem uma força que me comove e alenta. [...] e chama que temos o dever legal aos que se seguem, renovada e recriada para expressar nosso país, nosso povo e nosso atormentado e glorioso tempo.
Trechos do prefácio de Ariano Suassuna para a obra Maracatu de baque solto (Quatro Imagens, 1998), de Pedro Ribeiro e Maria Lucia Montes, tratando sobre a cana, os brincantes, a festa, maracatu e maracatus, no cenário dos municípios de Carpina, Nazaré da Mata, Aliança, Igaraçu, Vicência, Tracunhaem, Pau d’Alho, Araçoiaba, Glória do Goitá, Lagoa de Itaenga, Feira Nova, Lagoa do Carro, Buenos Aires, Chã da Alegria, Goiana, Itaquitinga e Condado, em edição bilíngue e fartamente ilustrado. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


segunda-feira, janeiro 27, 2020

MOZART, KLÁRA WÜRTZ, SCHELLING, JENNA GRIBBON, CARTA DE AMOR, ARIANO & ARTE PERNAMBUCANA


CONSTANZE, UMA CARTA DE AMOR - Esta a minha carta de amor, o amor que me faz vivo até agora. O amor que me faz recordar da infância tão promissora nos meus olhos grandes de Salzburgo, eu já era a nona maravilha entre aplausos e gentilezas. Herdei a música do meu pai, reis e rainhas eram reais, não um jogo de tabuleiro, eu sentado à mesa com a distinção de grau de cavaleiro, logo via os homens que pouco se apreciavam uns aos outros. O amor pelos devaneios, La finita semplice, e com a adolescência tornei-me infeliz criatura: desprezado, humilhado, a frieza das amargas verdades. Era o amor sempre e vivia tocando para as mesas e cadeiras, indiferença e hostilidades. Mesmo assim, a Missa da Coroação, a Sinfonia Concertante, a Posthornserenade, Idomeneu, tudo pelo amor. Eu sonhava quartetos de cordas, concertos, sinfonias, óperas. E ao despertar, a insatisfação corroía, valia-me das carícias e beijos da priminha e de outras saltitantes moças que me caíam às graças. Logo Rosa foi a primeira paixão para os andantes de deusa. Fui para Mannhein e me apaixonei pela Aloysia, a voz soprano de ouro na beleza estonteante. Para ela muitas árias e sequer me reconheceu no segundo encontro, fui rejeitado. Caí no mundo por força de um pontapé, fui bater em Viena, não menos recusado, expulso. Logo Constanze, antes cunhada, com seus olhos penetrantes deu-me abrigo nos seus braços abertos e o Rapto de Serralho na nossa fuga. O amor, altos e baixos, extravagâncias, as minhas angústias: melancólico, irrequieto, a busca pela conquista da liberdade e amava demais até As Bodas de Fígaro! Apesar do sucesso, a pobreza não era o único obstáculo: o ataque secreto dos inimigos. Quanto desamor. Na verdade, mais um fracasso: ondas exitosas seguiam-se por desastradas. Até Don Giovanni, a tragédia do amante de tantas conquistas amorosas: a ópera da morte e da noite. Eu caminhava para a ruina. Apesar dos aplausos, morria de fome, o ânimo fraquejava. O coração invernou, caminhava num pesadelo. Um estalo: A flauta mágica. Perseverava, persistia. Nenhum reconhecimento, ninguém que me amasse e eu à procura de estima e afeto. Valia-me apenas de Constanze, ah, querida, não fique triste, esteja sempre segura do meu amor. É por você que falo de amor enquanto sonho e ao despertar pelos campos, fontes e ventos. É por você que falo de amor até comigo mesmo, quando não há ninguém para escutar nem receber o meu amor universal. Porque é preciso um grande amor para se viver ou criar uma obra de arte, o amor é fundamental. Ah, minha Constanze como a amo, apesar da nossa quase miséria beirando ao desespero, eu a amo e muito e demais. Sei fui derrotado, todos me deram as costas, fracassei. A vida não tem nenhum valor, só um réquiem, a presença da morte prematura e a vala comum. Adeus, meu amor, meu único amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Aquilo que conhecemos na história ou na arte é essencialmente o mesmo que também existe na natureza: é que a absolutez inteira é conatural a cada um deles, mas essa absolutez se encontra em potencias diferentes na natureza, na história e na arte [...] A música nada mais é que o ritmo prototípico da própria natureza e do próprio universo, que por intermédio dessa arte irrompe no mundo afigurado [...]. Trechos extraídos da obra Filosofia da arte (Edusp, 2001), do filósofo do Idealismo alemão Friedrich Wilhelm Joseph Schelling (1775-1854), que em outro de seus estudos, “Primeiro projeto de um sistema da filosofia da natureza: esboço do todo (EDIPUCRS, 2004), assinala que: [...] A inteligência é produtiva de dois modos, ou cega e inconsciente ou livre e com consciência; inconscientemente produtiva na intuição do mundo, com consciência na criação de um mundo ideal. [...]. Veja mais aqui & aqui.

MOZART
Falo do amor ao despertar, falo do amor quando sonho, com as flores, com os campos, as fontes, os ecos, o ar, os ventos, e se não houver alguém que me escute, falo deste amor comigo mesmo. Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor.
MOZART - O compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) teve uma vida repleta de amor e fracasso. Na adolescência e já professor, envolveu-se com a pianista alemã Rose Cannabich (1764-1839), a quem dedicou uma sonata para piano. Depois se apaixonou pela bela soprano Aloysia Weber (1760-1839), pela qual foi rejeitado, para quem dedicou muitas de suas árias. Por fim, apaixonou-se por Constanze Weber (1762-1842), irmã de Aloysia, com quem conviveu até a sua morte. Várias obras dão conta da vida de Mozart e de suas paixões, entre elas, Mozart, sociologia de um gênio (Jorge Zahar, 1995), de Norbert Elias; Constanze Mozart: Eine Biographie (Bohlau Verlag, 2018), de Viveca Servatius; Constanze Mozart geb. Weber: Ein biografischer Roman (Kaufmann Ernst, 2006), de Heidi Knoblich; Mozart (Objetiva, 1999), de Peter Gay; e o drama de época Amadeus (1984), do cineasta Milos Forman. Veja mais aqui & aqui.

A MÚSICA DE MOZART: KLÁRA WÜRTZ
Devemos agradecer ao movimento histórico da performance, que colocou de volta ao centro da cena a estrutura da obra e se despediu da abordagem egocêntrica e de sua obsessão pela perfeição instrumental. Essa obsessão, que culminou nos anos quarenta e cinquenta, enfatizou aquelas seções do trabalho que permitiam exibir a perfeição instrumental, tornando assim os mecanismos de ação pretendidos pelo compositor muito mais difíceis de se comunicar com sucesso.
KLÁRA WÜRTZ – A arte da premiada pianista húngara Klára Würtz, que fez quase 20 gravações em CD, entre as quais as Sonatas para Piano completas de Mozart, entre outras. Ela é professora de piano no Conservatório de Artes de Utrecht e vive em Amsterdã, na Holanda. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Sensualidade, beleza e romantismo são todos aspectos da minha realidade em minhas interações com as mulheres e com o meio da tinta, e isso se reflete no trabalho. Sim, o trabalho é, em parte, sobre minha complicada relação com a história da pintura - não apenas com a maneira como as mulheres foram retratadas na pintura, mas também com a linhagem patrilinear de artistas dos quais meu trabalho descende. Estou tão mergulhado na história da maneira como os homens brancos traduziram idéias e imagens em tinta, que tenho certeza de que nunca poderei pensar em uma abordagem masculina eurocêntrica da pintura como algo além de pintura. A pintura de mim mesmo com um bigode, a pintura de um "banhista" poderia ter sido alternadamente intitulada "Problemas com o papai". Adoro o trabalho de tantos homens dessa história, mas estou lutando com minha própria inclinação para fazer um trabalho que vem diretamente de uma tradição que me deixaria de fora até muito recentemente, e que continua a excluir muitas vozes.
JENNA GRIBBON – Arte da artista visual estadunidense Jenna Gribbon, que tem realizado exposições consagradores em diversos países. Veja mais aquiaqui.

A ARTE PERNAMBUCANA
A arte do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui & aqui.
O premiado dramaturgo Luiz Marinho (1926-2002) aqui.
O filme Amarelo Manga, de Claudio Assis aqui.
A poesia de Valmir Jordão aqui.
A arte de Zé Galdino aqui.
A música de Bonny Brown aqui & aqui.
O Brasil Holandês aqui.
Lia de Itamaracá aqui.
O município de São Bento do Una aqui & aqui.
&
A arte palmarense de Luciah Lopez aqui, aqui & aqui.


segunda-feira, julho 22, 2019

ARIANO SUASSUNA, NATSUME SOSEKI, CORALIE CLÉMENT, ROBERTO PLOEG & DESTINO DO AMOR


DESTINO DO AMOR - Lá iam Paulinésio e Virginácia enamorados, suspirando encantados entre as juras de amor eterno. Pareciam mais nascidos um para o outro, coisa mais linda. Eles num passeio por distantes paisagens paradisíacas, rostinhos colados, tão amáveis, amorantes: Minha nossa quanta formosura na natureza! E sorriam leves e soltos, beijos e afagos. A certa altura da viagem, deu-se o imprevisto. Ao despertarem, constataram: um acidente. E o pior: eles, os únicos sobreviventes. Em derredor, a tragédia; e, à primeira vista, naquela dramática situação, não havia como sair daquela desventura: estavam em apuros, prisioneiros em uma cratera inóspita, entre morros sinistros e ínvio matagal. Saíram, então, se recompondo e, de mãos dadas, olharam em todas as direções, havia de dar em algum lugar. Passos e expectativas pela acidentada geografia intransitável: escombros, obstáculos, lamaçal e nenhum pé de gente. Andaram por toda manhã por encostas, ruínas, entre trovoadas e ventanias. Já passava do meio dia quando ela arreou exausta, completamente fatigada. Vamos, não amoleça. Não aguento mais, meus pés queimam, minhas pernas doem, estou com sede, exaurida. Não esmoreça, vamos! Vá buscar socorro, eu fico aqui. Não, vamos juntos. Ela começou a derramar um pranto atônito: E se aparecem animais terríveis e ferozes, ou coisas do outro mundo para nos atormentar, a perna cabeluda, o chupa-cabra, mortos vingadores! Não vamos desesperar! Tenho medo. Vamos! Estou assustada, não consigo me mover! Vamos! Tentaram prosseguir, o Sol já descia no horizonte quando ela entrou definitivamente em pânico. Ele fez de tudo para controlar o paroxismo dela. Ele estava confiante, era o seu amor. Ela, por sua vez, duvidava se havia qualquer possibilidade de saírem dali com vida, de tão apavorada. Tentou reanimá-la, debalde. Então recorreu à fé: Façamos o seguinte, uma jura, uma oração. Tá. Vou fazer uma prece e ao terminar, eu vou jogar uma moeda e se der cara, a gente supera essa e se casa para sempre; se der coroa, que a terra nos seja leve. Topa? Ele levantou-se e caçou nos bolsos por uma moeda. Encontrou, foi até um canto e fez menção de rogar por forças ocultas. Ao retornar, jogou a moeda para cima. Vupt! Olhou, abriu: deu cara! O universo conspira a nosso favor. Vamos, respire fundo, a gente sairá dessa. E seguiram noite adentro, e, não se sabe como, encontraram socorro providente. Estavam incrédulos como haviam suplantado todas as adversidades, nem sabiam ao certo como conseguiram, de tão surpresos: Foi um milagres dos céus! Ao chegarem, foram saudades com festa em Alagoinhanduba. Aproveitaram a ocasião e, sequiosos por melhor fortuna, marcaram casamento no civil, religioso e com a parentalha toda. No dia aprazado, lá estavam eles festejando a cerimônia. Ela, feliz da vida, olhou para ele e disse firme: Ninguém pode mudar a mão do destino! Não mesmo, disse ele aos desposá-la jubiloso, escondendo as duas moedas coladas só com uma face dos dois lados. O resto é com a vida. Não se pode dizer, ao certo, se foram ou se estão felizes para sempre, evidentemente. O amor tem dessas coisas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Após um instante, a mulher caminhou, com os olhos baixos, outra vez na direção dele. Quando estava a apenas dois passos de Sanshiro, erguei sutilmente a cabeça, fitando-o de frente. Seus olhos eram tranquilos, com o contorno estreito e alongado, e as pálpebras superiores delineadas por uma longa dobrinha transversal. [...] A mulher passou por ele. Sanshiro, ainda parado, observou atentamente a silhueta que se distanciava. Ela chegou à bifurcação. No instante em que ia dobrar, voltou-se ainda mais uma vez. Sanshiro ficou desconcertado por sentir as faces lhe corarem. A mulher sorriu e fez um gesto com a cabeça como que perguntando se era ali mesmo que devia dobrar. Sanshiro fez que sim. A silhueta da mulher seguiu para a direita, escondendo-se atrás da parede branca. [...] A mulher ainda lembrava. Sanshiro ficou sem mais o que dizer. Como ela terminou dizendo “desculpe por aquele dia”, ele encerrou com um breve “não foi nada”. Ambos olhavam os galhos da cerejeira. Nas pontas da arvore restavam algumas folhas mordiscadas pelas larvas. A bagagem da mudança do professor não chegava nunca. [...] Ela estava parada na escuridão. Via-se apenas seu avental todo branco. Ainda com o balde na mão, Sanshiro subiu dois ou três degraus. A mulher não se movia. Ele subiu mais dois degraus. Naquele local lúgubre, os rostos de Sanshiro e de Mineko chegaram a uma distância de apenas uns trinta centímetros um do outro. [...].
Trechos da obra Sanshiro (Estação Liberdade, 2013), do escritor e filósofo japonês Natsume Soseki (1867-1916). Veja mais aqui.

A MÚSICA CORALIE CLÉMENT
Se as letras são um pouco tristes, ao menos que a música seja mais leve.
Curtindo os álbuns L'ombre et la lumiere (2001), Salle des Pas Perdus (2001), Bye Bye Beauté (2005) e Toystore (2008), da cantora francesa Coralie Clément, que possui um estilo variado que vai desde o folk, chanson, jazz e bossa nova. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Recife é uma mulher buchuda com um neném no braço, apoiado no quadril (como a índia Tupinambá de Eckhout), e na mão uma sacolinha de compras. Bucho de vida. Vida de aperreio e movimento retratada frente à cidade que serpenteada por rios e banhada pelo sol, serena flutua no mar. O flamboyant dá charme com sua folhagem fina e suas flores vermelhas.
A arte do pintor holandês radicado em Pernambuco, Roberto Ploeg. Veja mais aquiaqui.

A OBRA DE ARIANO SUASSUNA
Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa. O sonho é que leva a gente para a frente. Se a gente for seguir a razão, fica aquietado, acomodado.
A obra do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


quinta-feira, junho 13, 2019

FERNANDO PESSOA, ARIANO SUASSUNA, ROGER GARAUDY, DOROTHEA LANGE & OPHLEIA ÚNICO AMOR!


OPHELIA, ÚNICO AMOR – Ah, Ophelia, geminiana Lisboa, minha criancinha que descobri datilógrafa da Baixa lisboeta, a Lídia de Reis e a vida passa à beira do rio, a Daise do soneto já antigo de Álvaro, a quem tudo é tão puro e doce e o seu sorriso na hora absurda do Cancioneiro, está comigo na floresta do alheiamento. A foto do seu sobrinho era, na verdade, para você. Era você que eu queria encontrar. E envio outra, autografada: “em flagrante delitro”, como as palavras de pórtico: criar é preciso, viver não é necessário. Ainda não é finda a vida, como na prece a alma é vil. Você é aquela que durmo como um cão corrido no caminho para todo o resto do Universo, quero ser sempre como a passagem das horas. Amo como o amor ama, porque todos os dias, quero que diga qualquer coisa para eu acordar de novo, pastor amoroso das ficções do interlúdio de Caieiro. Ah, musa da Lisbon Revisited, não quero nada, tenho o direito de ser doido de pedra, quero ser sozinho no céu azul da minha infância e vivo a sonhar irrequieto com o coração longínquo – meu coração é um balde despejado! -, serei sempre o que não nasceu para isso. (Se eu me casasse com a filha da minha lavadeira, ou com a boca bonita da filha do caseiro, talvez fosse feliz). Mas não, amanhã direi as palavras, ou depois de amanhã, minha alma partiu-se como um vaso vazio no desejo físico de se encontrar ali outra vez, meu amor. Grandes são os desertos e tudo é deserto, quem me dera ouvir de alguém a voz humana. Há um poeta em mim que Deus me disse na análise e autopsicografia. Você não devia ter ouvido o que dizia Álvaro, meu algoz, só o meu amor devia ser levado a sério. Da primeira vez o amor passou, meu destino pertencia a uma outra Lei de Mestres que não permitiam nem perdoavam. Nasci para ser sozinho, não mereço a sua companhia. Recebi todas as suas cartas, leio e releio, perturbado e dividido, Álvaro nos persegue. O que há em mim de pecaminoso e nocivo, nada mais que o meu estúpido amor por você, a única amada. Foi preciso quase uma década para reencontrá-la e ouvi-la ao telefone, sempre temi não fazê-la feliz, essa dor me corroi. Nunca diga que sou poeta, se muito faço versos, apenas. Tenho que escrever, é só o que faço. Acordo de noite e escrevo, a minha vida, a minha obra, mesmo que nada valha, se é que vale alguma coisa, sou eu: o maior alienado, morador onde Deus é servido conceder-me, em companhia da minha solidão com insetos e a escuridão. Existo e não me suicido antes do assunto, sei apenas escrever asneiras. Sei que todas as minhas cartas de amor são ridículas, todas as palavras esdrúxulas com sentimentos esdrúxulos. Mas saiba, de coração, únicamada, sou seu Nininho. Nininhoninhozinho, sempre e muito seu, jinhos, jinhos e mais jinhos. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aquiaqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] o homem crê cada vez menos que a felicidade se identifica com a força e a possessão. [...] Seus sonhos ou seus projetos de felicidade estão cada vez mais ligados a uma arte de viver novas relações com a natureza, com os outros homens, com o futuro e a transcendência. Novas relações com a natureza que não sejam mais relações de conquistadores mas de namorados. [...] Novas relações com os outros homens que não sejam nem o individualismo da selva nem o golilha totalitário, mas relações de comunidade e de amor. Esta necessidade fraternal traduz-se pela constituição de múltiplas comunidades de base. [...] A felicidade é, antes de tudo, o amor. [...] Novas relações com o porvir e o transcendente, relações que já não seriam as da simples extrapolação quantitativa, tecnologia, meios, à maneira da “futurologia” positivista, mas invenção do futuro. A transcendência não é apenas ultrapassagem e ruptura, mas descoberta de possíveis novos, que procuro e crio por meio próprio esforço, ao mesmo tempo que a acolho como um dom. [...] A felicidade é esta criação, a participação na criação continuada de um homem sempre mais um, de um mundo sempre mais humano.
Trechos de A felicidade, extraído da obra Palavra de homem (Difel, 1975), do filósofo francês Roger Garaudy (1913-2012). Veja mais aqui e aqui.

O SANTO E A PORCA
[...] (Afastam-se todos. A cena deve dar ideia da solidão de Euricão, solidão que vai crescendo até o fim). EUDORO: Mas espere... EURICÃO: Afaste-se! Saia de junto de mim! EUDORO: Eurico, você guardou esse dinheiro muito tempo, não foi? EURICÃO: Guardei, toda a minha vida! Quase toda a minha vida! Desde que minha mulher me deixou! Agora, posso falar nisso, pois tudo perdeu a importância diante da porca! EUDORO: Eurico, o dinheiro não é tudo neste mundo. Você tem sua filha, tem a todos nós que agora somos sua família. Deixe de depositar toda a sua vida nesse dinheiro! Não dê importância ao que não vale nada! Porque... EURICÃO: Por que o quê? Que é que você quer dizer? Diga, termine! EUDORO: Será melhor dizer mesmo, Eurico! EURICÃO: Dizer o quê? Diga logo, é melhor do que me esconder alguma coisa grave. Que é? EUDORO: Esse dinheiro está todo recolhido, Eurico! Tudo o que você tem aí não vale nem um tostão! [...].
Trecho do terceiro ato da peça teatral O santo e a porca (Nova Fronteira, 2017), do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Não é por acaso que o fotógrafo se torna um fotógrafo mais do que o domador de leões se torna um domador de leões. A câmera é um instrumento que ensina as pessoas a ver sem uma câmera. Deve-se realmente usar a câmera como se amanhã você ficasse cego. Viver uma vida visual é um empreendimento enorme, praticamente inatingível. Eu apenas toquei, apenas toquei. Embora haja talvez uma província em que a fotografia possa nos dizer nada mais do que vemos com nossos próprios olhos, há outra em que nos prova quão pouco nossos olhos nos permitem ver.
A arte da fotógrafa estadunidense Dorothea Lange (1895-1965). Veja mais aquiaqui e aqui.

A OBRA DE FERNANDO PESSOA
A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo.
A obra do poeta e filósofo português Fernando Pessoa (1888-1935) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.


sexta-feira, agosto 18, 2017

ARIANO, LYA LUFT, WALLON, AS VEIAS DE GALEANO, FECAMEPA, JOÃO DE CASTRO, RIVAIL, POLÍTICAS EM DEBATE & MANOCA LEÃO

A VIDA NA JANELA – Imagem: conversando com alunos do Ginásio Municipal dos Palmares - Ainda ontem flores reluziam no jardim ornando muros e passagens da infância pros que no futuro darão trabalho à humanidade, mas não, o futuro é agora e já passou, nada demais, já era apenas ontem, o que hoje se encontra na memória e ainda ontem o carnaval de todas as folias pra se esbaldar santos dias de gozo e mais tivesse para enforcar a quarta-feira de cinzas vindoura pra nunca mais ser como antes e só felicidade doravante e o ano inteiro, de agora em diante e nunca mais uma vida sisuda racional de pagamentos no fim do mês, de bater ponto atrasado todo dia e se estourar por semanas de labor mais sem graça e só poder viver apenas no final de semana, nunca mais ter que aturar patrões e chefias desalmadas na base da pilha carga toda e os dentes no pescoço exangue pra viver de chupar o sangue alheio no vampirismo mútuo uns aos outros famélicos hospedeiros que matam e morrem e são levados na enchente de muitos metros de água dentro de casa pro flagelo de ver a vida roubada lavando os pecados. Ainda ontem as procissões dos dias santificados ecoando seus passos no tempo como os cortejos fúnebres das velhas esperanças conduzidas pelas novas e resignadas esperanças já premidas de quase desesperança no meio da correria da farra do consumo pelas liquidações de queima de estoque incendiando cobiças de afetos largados para serem pisoteados pela satisfação de risos incontroláveis. Ainda ontem e eu pensava ser hoje e não, era o desfile de todos os sonhos de príncipe encantado da apaixonada eternamente adolescente, a dama seminua escultural do jovem príapo enamorado, o glamour dos semideuses das telas de todos os quadrantes para incendiar a libido das fãs mais ardorosas com os coloridos folguedos dos desejos e prazeres, os pais fracassados seguidos pelas mães viúvas de ontem na incompletude dos anseios diante do paraíso perdido no tempo e espaço das pontes e castelos que sumiram nas areias dos quintais mais remotos, as ingênuas geringonças quiméricas dos visionários mais ousados da loucura coletiva, o arrastado das longas barbas grisalhas dos silenciosos venerandos mestres vetustos com seus discípulos contritos, dos que chantageiam equívocos e vendem a alma na fabricação de equívocos tornados em verdades pra novos equívocos se perpetuarem nos anais históricos mais oficiais da mentira de tudo, ou dos que não sabem o que fazer no meio do semáforo entre o resolvido e as tensões do por resolver nas agonias dos desafios irresolvíveis que ficam pra amanhã e depois no esquecimento, e nunca mais ter que aguentar o bafo das políticas tacanhas dos bolsos graúdos de poço sem fundo, incapazes de transmitir a boa nova pela compulsória falácia de fazer pagar para ser entretido com suas promessas embusteiras a revelar virtudes não conquistadas, defeitos possuídos, oh, não! Ainda ontem parecia uma fotografia, uma pintura perfeita, viva na imaginação, mas não era, ainda ontem era hoje e a vida que passou na janela. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

POLÍTICAS EM DEBATE
Neste sábado, a partir das 16hs, estarei no programa Políticas em Debate, na Rádio Farol FM 90,7, com apresentação de Manoca Leão.

A CRIANÇA E O ADULTO – Para a criança, só é possível viver sua infância. Conhecê-la compete ao adulto. Contudo, o que ira predominar nesse conhecimento, o ponto de vista do adulto ou o da criança? Se o homem sempre começou colocando-se a si mesmo em seus objetos de conhecimento, atribuindo a estes uma existência e uma atividade conformes à imagem que tem das suas, o quanto essa tentação não deve ser forte quando se trata de um ser que vem dele e deve tornar-se semelhante a ele – a criança, cujo crescimento ele vigia, guia e a quem muitas vezes lhe parece difícil não atribuir motivos ou sentimentos complementares aos seus. Para seu antropomorfismo espontâneo, quantas oportunidades, quantos pretextos, quantas aparentes justificativas! [...] Em suma, é o mundo dos adultos que o meio lhe impõe e disso decorre, em cada época, certa uniformidade de formação mental. Mas nem por isso o adulto tem o direito de só conhecer na criança o que põe nela. E, em primeiro lugar, a maneira como a criança assimila o que é posto nela pode não ter nenhuma semelhança com a maneira como o próprio adulto o utiliza. Se o adulto vai mais longe que a criança, a criança, à sua maneira, vai mais longe que o adulto. Tem disponibilidades psíquicas que outro meio utilizaria de outra forma. Várias dificuldades coletivamente superadas pelos grupos sociais já possibilitaram que muitas dessas disponibilidades se manifestassem. Com a ajuda da cultura, outras ampliações da razão e da sensibilidade não estão potencialmente na criança? Trechos extraídos da obra A evolução psicológica da criança (Martins Fontes, 2007), do filósofo, médico e psicólogo francês Henri Wallon (1879-1962). Veja mais aqui.

CENTO E VINTE MILHÕES DE CRIANÇAS NO CENTRO DA TORMENTA - Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta. Passaram séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. Este já não é o reino das maravilhas, onde a realidade derrotava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus das conquistas, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os. São muito mais altos os impostos que cobram os compradores do que os preços que recebem os vendedores [...] nós habitamos, no máximo, numa sub-América, numa América de segunda classe, de nebulosa identificação. É a América Latina, a região das veias abertas [...]. Trechos extraídos da obra As veias abertas da América Latina (Paz e Terra, 1979), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui.

VISÃO DO MUNDO - O mundo não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui forma, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem. É uma ideia assustadora: vivemos segundo o nosso ponto de vista, com ele sobrevivemos ou naufragamos. Explodimos ou congelamos conforme nossa abertura ou exclusão em relação ao mundo. E o que configura essa perspectiva nossa? Ela se inaugura na infância, com suas carências nem sempre explicáveis. Mesmo se fomos amados, sofremos de uma insegurança elementar. Ainda que protegidos, seremos expostos a fatalidades e imprevistos contra os quais nada nos defende. Temos de criar barreiras e ao mesmo lançar pontes com o que nos rodeia e o que ainda nos espera. Toda essa trama de encontro e separação, terror e êxtase encadeados, matéria da nossa existência, começa antes de nascermos. Trecho de A marca no flanco, extraído da obra Perdas & Ganhos (Record, 2003), da escritora e tradutora gaúcha Lya Luft. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CONTRASTES FILOSÓFICOS – [...] Às vezes queremos muito alguma coisa e fazemos tudo para obtê-la, mas nossos esforços não levam a nada. Outras vezes, ao contrário, quando não fazemos senão esperar, quando somos somente pacientes, as coisas acontecem naturalmente. Parece, então, que nossa passividade agiu: fomos então ativos ou passivos? Talvez seja mesmo necessário agir sobre si mesmo para saber esperar. Da mesma maneira, pensamos às vezes que as paredes que sustentam o teto da casa são passivas, até o dia em que desmoronam. Vemos então como elas agiam de maneira eficaz. Concluímos, então, que tudo age sobre tudo sem que o percebamos. Tudo pode, portanto, ser considerado, ao mesmo tempo, ativo e passivo. [...] Trecho extraído da obra O livro dos grandes contrastes filosóficos (Log On, 2008), de Oscar Brenifier e Jacques Després.

COISAS DO AMOR - [...] Pelas quatro horas da tarde, avistou-se a “Estrela da Manhã” e ela correu para avisar Fernando. O doente estava muito mal e, quando avistou Isaura, olhou-a com terrível expressão de ansiedade. – Isaura – falou ele – já se avista a Barcaça? – Já! – respondeu a mulher, com o coração batendo no peito com tanta força que ela se sentia sufocada. – E a bandeira está içada no mstrou? – perguntou ainda o marido. – Está, sim! – disse Isaura; e acrescentou, antes que um bom impulso pudesse detê-la: - Mas não é branca como você disse não, é treta! – Então não posso mais! – falou Fernando, como se sua dor fosse tanta que ele não pudesse reter a vida por mais tempo. Seus olhos fecharam-se e ele deixou pender a cabeça. – Fernando! – gritou sua mulher desesperada e só agora acordando para a gravidade do que fizera. – Fernand0, não é verdade! A bandeira é branca. Mas era tarde. Fernando acabara de morrer. [...]. Trecho extraído da obra A história de amor de Fernando e Isaura (Bagaço, 1994), do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna (1927-2014). Veja mais aqui, aqui & aqui.

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Ministério da Saúde informa: use seringa por oito vezes, mas se contaminar, jogue fora, doido!
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ÁGUA VIDA ÁGUA
Mas que momento difícil
Que Deus vem me inspirar
Para falar de “Água Vida”
Pra humanidade salvar
Num curto espaço de tempo
Este livro vai marcar
Deus, como escreves certo
“Por linhas tortas o ditado”
Um mundo cheio de encrencas
Que por ti é observado
É uma luta desigual
Contra o mal e o pecado
A Água é Vida, é tudo
Sem ninguém compreender
Por isso desperdiçam tanto
No futuro pode não ter
É isso que a humanidade
Preciso logo saber
Por mais que nós eduquemos
Ninguém procura saber
Nem sabem da importância
Do que se faz pra viver
Por isso desperdiçam tudo
Coisas do “ser ou não ser?”
Seja a Água Potável
Ou a de Igarapé
Seja as dos Grandes Rios
Temos é que botar fé...
Mas o povo não entende
Valei-nos! Maria de Nazaré
Acham por que a Amazônia
Tem o grande potencial
Da Água desse Planeta
Nunca vai faltar, que tal?
Mas se esquecem duma coisa:
Da devastação que é o mal
[...]
Trecho extraído da obra Água, Vida Água (Autor, 2011), do poeta e ativista cultural João de Castro.

A arte de Rivail Azevedo.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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MARIANA ENRÍQUEZ, NILGÜN MARMARA, MARIANA MAZZUCATO & NEGRITUDE SEM IDENTIDADE

    Imagem: Acervo ArtLAM . Ao som dos concertos Suíte Brasileira (2023) e Cantata Ayabás (2025), da maestra, pesquisadora, compositora ...