quinta-feira, abril 05, 2007

CONCEIÇÃO EVARISTO, SIMONE WEIL, BEAUVOIR, KOLLONTAI, ZEKTIN & EMMA GOLDMAN!!

 
CRÔNICA DE AMOR POR ELA - Nada merece mais a nossa gratidão que o ventre materno, seja ela simples dona de casa alagoana ou uma resignada do mosteiro de Argenteuil. Decerto todos nós passamos pelo canal de parturição. Nós, vivos ou mortos, já viajamos nove meses na aeronave do ventre, dependentes da ternura materna até termos a consciência do oxigênio e da vida. Nada seria interessante se não fosse o poder da concepção que elas carregam no ventre, seja ela secretária executiva de Natal ou trabalhadora de Orange. Nada é mais admirável que a fecundação quando tudo se faz de prazer atravessando a zona pelúcida para gerar filhos da vida, adubados pelo carinho e a ternura da maternidade, seja de uma simples balconista de Terezina ou aquela de Guaratinguetá de Di Cavalcanti. Admirável é a sua anatomia, o seu design belo de recipiente do amor e do prazer, seja ela gueixa de Kioto, Aprés le l bain de Degas ou vendedoras de frutas da Martinica. Ou mesmo a de Unamuno no banho, ou costureira do mercado de Abi Djan. Que seja amada como uma simples rendeira de Aracati, ou mestiça do Gabão; ou tuaregue do Níger; ou ticoqueira da cana-de-açúcar. Que seja amiga mesmo como camponesa nordestina ou do milharal do Haiti. Ou mesmo uma cachorrona sexy, maluca pauleira, fatal miss ou sedutora perversa. Que seja malandra, dócil ou abestada, ou quitandeiras do Recife, prostitutas de Brasília ou a executante de alaúde de Caravaggio. Sempre serão belas mesmo que seja uma simples jovem turca, ou esquimó da Groenlândia ou, mesmo, a Garota de Ipanema. Sempre serão exuberantes mesmo na simplicidade daquela das colinas de Chittagong em Bangladesh ou aquela lavadeira de Portinari. Ou uma nativa birmanesa, ou aquela marabá de Rodolfo Amoedo. Ou mesmo a colhedora de chá do Ceilão ou uma linda índia Kamayurá. Ou, ainda, Le bain au serail de Theodore Chasseriau. Pode ser uma humilde tecelã de seda em Bali ou operária de qualquer montadora de São Bernardo do Campo. Ou a nômade Fars, ou humilde verdureira da feira de Caruaru. Pode ser uma dedicada vendedora de cosméticos de Aracaju ou Nu à contre jour de Bonnard. Ou uma Diana de Lee Falk, ou a Danae de Rembrand. Pode ser uma teimosa da vida ou Fleurs de la prairie de Maillol ou humilde enfermeira de um hospital de João Pessoa. Pode ser uma adolescente eterna sonhadora ou a estudante de Anita Malfati ou uma nativa das ilhas Trobriand, ou a Vênus Anaduomene de Ingres ou As Artes de Van Gogh. Que seja musa dos escritores, poetas e compositores ou mesmo uma perdida nas veredas da vida, ou Vairumati de Gaugin, Vênus de Brozino ou a que carda lã no Nepal. Seja a Bovary de Balzac ou a dedicada submersa entre marido e filhos. Ou a Nu de Modigliani ou uma passageira de Olinda; seja a mãe de Almada Negreiros, ou de Gorki, ou Valentina de Guiido Crepax. Seja ela Velta, ou Lôra Burra, a Vênus de Urbino de Ticiano ou Léda Atomique de Salvador Dali; ou femme de frisant de Toulouse-Lautrec; ou uma da cadeira de David Lingare. Mas também que seja ela Safo, louca, aguerrida ou desgarrada. Que seja uma sumidade intelectual ou muçulmana de Oman, mestiça de Cuenca, mulata do Rio de Janeiro ou mesmo estabanada andrógina da noite na paulicéia desvairada. Seja mesmo o que for: a “Mulher” de Geraldinho Azevedo & Neila Tavares, ou mesmo “Todas elas juntas num só ser” de Lenine & Carlos Rennó, ou tantas outras grandes e anônimas mulheres deste planeta, aqui só gratidão. Obrigado por existirem. Esta a minha homenagem, MULHER. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.Veja mais aqui.

A POESIA DE CONCEIÇÃO EVARISTO
 
A noite não adormece
Nos olhos das mulheres
A lua fêmea, semelhante nossa,
Em vigília atenta vigia
A nossa memória.
A noite não adormece
Nos olhos das mulheres
Há mais olhos que sono
Onde lágrimas suspensas
Virgulam o lapso
De nossas molhadas lembranças.
A noite não adormecerá
Jamais nos olhos das fêmeas
Pois do nosso sangue-mulher
De nosso liquido lembradiço
Em cada gota que jorra
Um fio invisível e tônico
Pacientemente cose a rede
De nossa milenar resistência.
Poema da escritora Conceição Evaristo. Veja mais aqui.




SIMONE WEIL – “De entre os seres humanos, apenas conhecemos completamente a existência daqueles a quem amamos”. A escritora, mística e filósofa francesa Simone Weil (1909 – 1943), tornou-se operária de uma montadora automobilística para escrever sobre o cotidiano dentro das fábricas. Ela lutou na Guerra Civil Espanhola ao lado dos republicanos e na resistência francesa em Londres, sendo, posteriormente impedida de retornar à França. É autora dos livros A condição operária e outros escritos sobre a opressão (Paz e Terra, 1979), A gravidade e a graça (1986), Espera de Deus (ECE, 1987), Pensamentos desordenados acerca do amor de Deus (ECE, 1991), Aulas de Filosofia (Papirus, 1991), O enraizamento (Edusc, 2001), Opressão e liberdade (Edusc, 2011), A fonte grega (Cotovia, 2006), entre outras obras. Veja mais aqui.

SIMONE DE BEAUVOIR – “Como quer que seja, uma volta ao passado não é mais possível nem desejável. O que se deve esperar é que, por seu lado, os homens assumam sem reserva a situação que se vem criando; somente então a mulher poderá viver sem tragédia. A escritora, filósofa existencialista, ativista política, feminista e teórica social francesa Simone de Beauvoir (1908-1896), exerceu influencia substancial no existencialismo e na teoria feminista, autora de diversos romances, ensaios, biografias, autobiografia e monografia sobre filosofia, política e questões sociais. É autora do livro O segundo sexo (1949), um ensaio filosófico que analisa detalhadamente acerca da opressão sofrida pelas mulheres, tornando-se um tratado fundamental do feminismo contemporâneo. Veja mais aqui.

EMMA GOLDMAN – “Aos que ousam o futuro pertence. A anarquista e ativista libertária lituana Emma Goldman (1869-1940), é autora do livro da sua autobiografia Living my life (1931), e da obra O individuo, a sociedade e o Estado e outros ensaios (1940 - Hedra, 2007), que trata acerca da defesa da liberdade do individuo criticando a submissão ao pode estatal e a militarização estratégia dos Estados Unidos. Veja mais aqui e aqui.

CLARA LEMLICH"O fabricante tem voto; os chefes têm votos; os capatazes têm votos, os inspectores têm de votos A menina que trabalha não tem voto Quando ela pede para ter um edifício em que ela deve trabalhar feita limpa e segura, os funcionários não.. temos que escutar. Quando ela pede para não trabalhar longas horas, eles não tem que ouvir... Até os homens no Legislativo em Albany representá-la, bem como os patrões e os capatazes, ela não vai conseguir justiça; ela não terá condições justas é por isso que a mulher trabalhando agora diz que ela deve ter o voto”. A ativista comunista e líder da revolta de 20 mil, uma greve em massa de trabalhadores da indústria de vestuário estadunidense em 1909, Clara Lemlich (1886 - 1982), dedicou sua vida à campanha pelo voto feminino, pelos direitos do consumidor, na defesa dos desempregados e dos idosos. Veja mais aqui.

ALEXANDRA KOLLONTAI - A líder revolucionária e teórica do marxismo russso Alexandra Kollontai (1872-1952), foi militante ativa na Revolução Russa de 1917 e teve atuação marcante entre as mulheres trabalhadoras em 1898, após abandonar o marido e a vida privilegiada de riqueza. Ela é autora de obras como Base social da questão feminina (1908), A nova mulher (1918) e A moral sexual (1921), entre outros livros publicados. Veja mais aqui.

CLARA ZETKIN - A política comunista alemã Clara Zetkin (1857-1933), militava junto ao movimento operário e se dedicava à conscientização feminina. Ela fundou e dirigiu a revista Igualdade, que durou 16 anos (1891-1907). Em 1910 participou do II Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague, quando propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher e indicando o dia 8 de Março, para lembrar operárias mortas num incêndio em Nova Iorque em 1857.. Em 1915 ela fez uma conferência sobre a mulher, refletindo sobre a situação da mulher no seu tempo. Veja mais aqui.



Veja mais Frineia, Euclides da Cunha, Ana Terra, Federico Fellini, Amedée Ernest Chausson, Jean-Léon Gérôme & Antonio Parreiras aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Imagem: A partida (1981 - Acrílico e colagem sobre madeira), da pintora Tereza Costa Rego. 
Veja aqui e aqui.
  Arte: Derinha Rocha
Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá

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