sexta-feira, agosto 01, 2008

ZÉ-CORNINHO & AS TRELAS DO DORO



ZÉ-CORNINHO: O PINTUDO MAIS GAIÚDO DO MUNDO!




Zé-corninho era a peste: motorista-de-prefeitura, guará-de-cana, cheleléu-de-seu-Palmeira, caseiro, vigia, garçon-de-bodega, desencaminhador-de-puta, anotador-do-pule-de-bicho, tirador-de-pé-coco, desentumpidor-de-pia-e-similares, aprumador-de-antena, pescador, puxador-de-âncora, sanfoneiro e triangulista, botador-de-gato-na-energia, de jacaré-na-água, de-macaco-no-telefone; desatador-de-nó-cego, atrepador-de-poste, desatolador-de-bug, carregador-de-trouxa-de-roupa e macho de dezesseis trepeças que lhe empenavam o juizo de tanta gaia bem botada, dele num poder ver fio de alta tensão, mode não causar curco-circuito e findar morrendo eletrocutado pela peruca-de-touro.
Verdade! Onde passasse, sempre suspendia o fornecimento de energia elétrica. Pronto! Se faltou energia, foi ele! Juro! A ponto da companhia energética já andar doida para pegá-lo pelos gatos e pelas gaias.
Um detalhe: é o corno mais bem servido de pêia, merecedor do alcunha Minino de Itu. Quer ver? Escuta só!
Um dia seu Palmeira resolveu mandá-lo pra tomar conta da casa de praia. O Zé pra lá de satisfeito com o emprego, levou mulher e uma carreira de bruguelo de num ter mais fim. Uma prole escadinha de amarelinhos, tudo autenticado com as fuças do pai, cagado e cuspido.
O sujeitinho agora no bem-bom, deu de pescar de cundunda a tubarão. E de mão. Só usava vara quando estava à sesta, e rede uma vez lá na vida.
Seu Palmeira mesmo estava feliz por todo dia chegar peixe fresquinho em sua casa, enviado pelo eficiente empregado. E o patrão que não era besta nada, já tava com intenção de abrir uma peixaria pra dar vencimento ao pescado de casa e ganhar dinheiro com o desinfeliz-das-costas-ocas.
Aí, nesse meio termo, eis que certo final de semana, seu Palmeira saiu da capital para a cidade do descanso na casa de praia, não antes acompanhar uma procissão dum santo desse de veneração.
A certa altura do cortejo, não se sabe porque a imagem achou de se enganchar num fio-de-alta-tensão, causando o maior caga-raio na bunda dos fiéis. Um rebuliço dos grandes. Foi rabo-de-saia tostado que só, de vê-se a caçola estrupiada e a bunda quase que torrada de beata.
O patrão que era sabido demais da conta ficou dando um dengo de compaixão, consolando as descaçoladas e tangendo as quase-pinguins até sua casa para se recomporem da tragédia.
Foi quando mal cruzaram o portão se arranchando pelos cantos, eis que surge Zé-corninho providente com garapa na mão para todas, nu da cintura pra cima e expondo uma tanga minúscula com a metade dos culhões e o mondrongo quase todo de fora.
Menino, vixe! Foi um deus-nos-acuda delas desmaiarem, uma a uma, ali na hora com tamanha afronta de pervertido.
Foi preciso chamar bombeiro, enfermeira, vigilantes-da-fé-de-jesuisis, a cruz-vermelha, benzedeiros, a porra toda para socorrê-las.
Quando já se davam por restabelecidas e que viam o volume da trouxa com o pra-te-vai do Zé, eram novos suspiros e desmaios com nova correria da tropa de choque.
Foi aí que seu Palmeira se emputeceu e mandou o calhorda ajegado embora daquele jeito mesmo, sem direito nem a tirar nem um só cisco de dentro de casa.
- Rua, seu depravado! Fora-daqui!
Zé todo entristecido com a injustiça, havia, afinal de contas, prestado um bom serviço com a garapa para acalmar as doentinhas-da-bunda-queimada, mas, destá, juntou os mijados e partiu com sua prole.
Ainda vi-lo semana passada atrepado na caçamba de um caminhão-de-lixo, deve de ser sua nova profissão.
- E aí, Zé? - gritei.
- Desmaiaram pelo culhão, imagine se emborcam em riba da pêia, iam morrer entaladas!
Héhéhéhéhéhé!

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