terça-feira, agosto 26, 2008

VOTO MORAL: VAMOS APRUMAR A CONVERSA



VOTO MORAL

Luiz Alberto Machado

A consolidação indubitável da democracia é confirmada, dentre outras ações, pelo exercício pleno do voto. Por resultado de tal participação, a escolha individual se reflete no anseio da coletividade, formando, assim, livremente, os desígnios da população.

Afinal, com o embate eleitoral nasce o nosso discernimento para optar por aquele que represente bem os nossos objetivos, muito embora a gente nunca tenha acertado. Pelo menos tentamos e precisamos tentar sempre.

Infelizmente, com a pugna dos candidatos nasce o caos e, com ele, uma grita de discordâncias que vai se insinuando até se acentuar claramente sobre a nossa preferência.

Na verdade, é um zoadeiro dos diabos que não leva a lugar nenhum. Isso porque se é para o bem da democracia, temos de fazer cumprir o nosso papel.

Por causa disso somos molestados por despropósitos imensuráveis e imblóglios que mais confundem as já tacanhas frivolidades de metas nas arguições fúteis dos postulantes. É cada patranha chega dar nos nervos.

Virulentamente invadem com propostas perniciosas e inócuas a nossa santa paciência, carregados de imposturas e engodos, como o de salvar a humanidade de mais de milhares de anos de vícios em apenas um mandato.

Os detentores dos despautérios se comprometem a melhorar nossa condição de vida, quando tal propositura foge das esferas de tal pleito.

Para se ter uma idéia do desplante, os intrépidos sequer encaram de frente as contradições sociais já imanentes nas questões por eles advogadas, desconhecendo totalmente a tragédia que há por trás da nossa sobrevivência. Inclusive, muitos dos que estão agora pleiteando cargos eletivos já tiveram oportunidade de representar nossa gente. E, apesar disso, nada fizeram ou se tem feito para amenizar as rachaduras de tais contradições. Pelo contrário, avalizaram o tempo todo tais controvérsias.

No entanto, esses incólumes pretendentes prometem deus e o mundo, azucrinando não só com os seus portentosos carros-de-som nossos ouvidos, com as mais fervorosas aparições, com discursos de meia tigela, encardidos pela força do tempo, com a imunidade dos santos e a impunidade dos desmiolados.

Mesmo assim, desprestigiados sob a pecha da ineficiência, fazem tudo para chamar atenção, não conseguindo esconder no bojo de suas candidaturas que por trás das decisões políticas, há todo um processo de acordo, conchavos e pizzas. E que no final das contas, sobra pra gente mesmo. E só.

Perdulários, insistem em não admitir que o legislativo seja um antro de aves de rapinas, sedentas de poder; que o executivo seja o ninho das raposas obesas, sentadas sobre o baú dos interesses gerais; e que o judiciário seja a preguiça absorta, contando cifrões e sentenças prescritas.

Falastrões, apenas, com discursos distantes da ação inventam de tudo antes da eleição. Depois, quem vê o cara de novo morre, só 4 anos depois mesmo quando eles precisam abrir os dentes, os braços e o bolso de novo. Sem contar a nossa triste recaída de reeleger as trepeças mais reincidentes da história. Eu mesmo só vejo todo mundo dizer que fulano dos grudes não podia ser sequer eleito, quando, na verdade, o sujeitinho já tem 5 ou 6 mandatos encarreados, reeleito ninguém sabe como. Coisas do Brasil mesmo.

Contudo, devemos exercer o voto seguindo o critério moral, seja na majoritária, quanto nas proporcionais.

Vigilantes. O voto deve ter o sentido do dever cumprido para produzir efeitos benéficos e cobrar dos nossos eleitos que alijem todos os trapaceadores que sequer ruborizam diante do flagrante dos seus próprios pecados.

O sufrágio universal é a nossa subscrição voluntária na participação de nossa posição antagônica mediante tantos descalabros.

Precisamos exercer a cidadania e, com ela, pleitear condições mais favoráveis de vida. E isso votando consciente para que o Brasil possa contar, de verdade, com o brasileiro.

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