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quinta-feira, setembro 12, 2019

FRANZ SCHUBERT, STEVE BIKO, JOANNA BAILLIE, MARIAN KEYES, NATALÍ PAIVA, GHUGHA TÁVORA & AS CANÇÕES PARA THERESE


AS CANÇÕES PARA THERESE – Não pertenço mesmo a este mundo, sempre fui o atarantado menino voz de soprano que nunca cresceu, ouvidos de algodão e caído no meio dos corredores de pedra, quase consumido pelo horror das granadas do bombardeio terrificante, espatifando janelas. A paz se foi e o coração doeu desde então até o sangradouro de agora. A vida suspensa pelos óculos com aros de aço, tímido incorrigível e atrapalhado com as palavras, desajeitado lacônico, um obscuro míope recluso no ócio das horas do quarto silencioso. Esse, o meu mundo. Guardo o momento em que cantei pela última vez num domingo de julho. O violino me iluminava com as chamas das velas de sebo e guardava a severa e atemorizante reprovação de Beethoven. Vivi sobre a corda da escolha: entre o salário regular na vida pesada como aristocrata da fraternidade dos esfomeados, ou a morte em vida pela música. Não olvidei das tolas composições, fracassei na matemática: um poema sobre a sabedoria de Deus e a necedade do homem – optei pelas privações. Ah, minha mãe coberta de razão: sempre fui um inútil estúpido e ocioso. Ah, meu pai sempre me teve por um anêmico recusado da prisão de uma escola normal e do serviço militar compulsório: sou um material deficiente para a morte, um simples gorducho apalermado. Os poucos ganhos, sabe-se lá como, eram logo gastos, fugiam-me às mãos pelos ventos irreparáveis: vivia à beira da indigência. Meus olhos só viam a voz encantadora de Therese, só a ela e eu podia ser feliz. Eu a amei, muito, demais. Para ela cento e cinquenta canções inspiradas, todas as canções de quem fora recusado: faleceu a minha fala, nem mesmo adeus. Tudo se foi, o fervor da minha paixão trocado pelos biscoitos do padeiro. Fui enxotado, cão sarnento, coisa asquerosa. Ela indiferente: não valho mesmo nada, sei. Restou-me a solidão do meu cachimbo nas notas do Eri-King de Goethe, ele também ignorou. As sinfonias, a ópera e as numerosas canções nunca ouvidas: dormiam nas gavetas abandonadas, jaziam meus sentimentos profundos e a minha dor por Therese: o amor me pagou com aflições, levou-me à dieta com cerveja, canções e tristezas. Não me envergonho dos fracassos e a pobreza me amargura - um copo de vinho, por favor. Não consigo me livrar daquela que tanto amei, não sei mais nada. Vendi todos os direitos e prêmios por merrecas, sonho recorrente com meu pai me esbofeteando a me jogar fora de casa. Nada mais restava. Os antros dos prazeres de meretrício fizeram a minha vida a Sinfonia inacabada. Sou nada, apenas a teimosia: quando o reconhecimento está distante, a honra medra nada. Impaciente com os padrões do mundo: vermes rastejantes e roedores que apodrecem no pó e matavam em mim todos os céus. Sucumbi minado pela enfermidade e decepções contínuas. Salvou-me, por um instante, A serenata: não sabia que era tão bonita. O alento para A última sinfonia e as jornadas de inverno. Era a minha triste música: ela confortará a todos, porque ouvirão o anjo que chama por mim. Por fim, enterrei o mestre, brindemos: serei o próximo a ser sepultado no esquecimento. Nunca pertenci a este mundo, todos meus tesouros esfacelados e esperança dissolvida: a morte arrebatou-me o corpo. Ninguém me venceu, sou pássaro a voar e a imortalidade guardou-me a alma: caminho entre as estrelas. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & mais aqui e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] Procura provar que é mentira considerar o negro uma aberração do “normal”, que é ser branco. É a manifestação de uma nova percepção de que, ao procurar fugir de si mesmos e imitar o branco, os negros estão insultando a inteligência de quem os criou negros. [...]. Trecho extraído dos panfletos Escrevo o que eu quero, do médico e ativista sul-africano Steve Biko (1946-1977), idealizador do Movimento de Consciência Negra, assassinado brutalmente pela polícia racista do apartheid. Sua vida foi registrada no filme Um Grito de Liberdade (Cry Freedom - 1987), dirigido por Richard Attenborough e baseado nos livros de Donald Woods. Trata-se de um relato da amizade entre dois homens, o editor liberal de um jornal e o ativista negro sul-africano. Veja mais aqui.

ALGUÉM FALOU: As pessoas estão sempre encorajando-se mutuamente a fazer coisas que a outra pessoa não fará. E depois, levam o maior susto quando a pessoa realmente faz. Ninguém sabe quanto é forte até precisar ser. Na verdade, a vingança não é nenhum prato - É uma emoção. Ou qualquer outra coisa. Com a qual não vale a pena a gente perder tempo. Eu me sentia como se estivesse no inferno. E compará-lo com o inferno de outra pessoa não diminui em nada a dor do meu. Não é obrigatório que um ser humano esteja acompanhado para ser feliz. Liberdade é apenas mais uma palavra para definir a situação de quem não tem mais nada a perder. Na vida real, muitas vezes é quase impossível dizer qual a decisão que se deve tomar, porque o que se ganha e o que se perde muitas vezes são equivalentes. A sorte anda com os corajosos. A vida é tão, tão preciosa. Pensamento da escritora e advogada irlandesa Marian Keyes. Antes de se tornar escritora, ela trabalhou como garçonete e em escritórios em Londres, lutando contra o alcoolismo e a tentativa de suicídio.

O TEATRO DE JOANA BAILLIE
[...] Uma peça é certamente mais perfeita para ser montada no palco, assim como o armário, e por que não deveria apontar com toda a minha força para fazer as coisas o mais perfeito possível, por mais curto que eu possa cair no mercado? [...] não portanto, você encontra falhas em mim ou aumenta o número daqueles que são para discretamente me deixar de lado como escritora de guarda-roupas. Eu ainda vou continuar tendo minha bateria e minhas trombetas, e minhas situações marcantes e minhas cenas laterais e minhas cenas de fundo, e todo o resto em minha mente, sussurrar Eu escrevo, apesar de tudo o que você pode dizer em contrário. [...] Mas a dor da mulher é como uma tempestade de verão. Por mais curto que seja violento. Um coração disposto acrescenta penas ao calcanhar.
JOANA BAILLIE - A dramaturga e poeta britânica Joanna Baillie (1762-1851) escreveu seu primeiro texto teatral Arnold, não obtendo êxito. Em seguida ela publicou uma série de volumes com o título Plays on the Passions, o primeiro deles A Series of Plays, desenvolvendo ora tragédias e comédias, algumas intituladas como Basílio, Julgamento, De Monfort, Ódio, entre outras. As tragédias Kayner e Constantino Paleólogo, foram reunidas no volume Miscellaneous Plays. Referências recolhidas do estudo A facilidade do apagamento da história: ‘Orra’, a rasura da voz feminina e a tragédia na loucura (Matraga.2019), da professora e pesquisadora Vanessa Cianconi. Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
[...] Entendi desde muito novinha que conhecimento é a ferramenta do poder, e só a sabedoria guia esse fluxo. Até porque, o controle é tão ilusório como querer impedir o nascer dos sonhos. Todo mundo sonha, dormindo... Acordado. Quando duvido muito e sinto a onda do conflito se aproximar, silencio... O silêncio não erra, porque até errado ele está certo. É o estado mais econômico de pausar. Há quase 2 anos morando em Natal, em um estudo integral autônomo sobre o corpo e a mente... Quando venho na casa de mainha consigo entender com tanta facilidade essa minha sede insaciável pelo conhecimento, essa minha não necessidade de planos a longo prazo e fixação por destinos. Vou... vou... Vôo! Penso que a falta de vontade pelo técnico intelecto transforma o ser sábio em um especialista no diálogo sensorial. Ai quando o acesso ao parágrafo de obras e versos chega, é só direcionamento... Não tem espaço pra lamento. É, tudo que tem que ser está sendo. Agora... Idas e vindas, partidas e chegadas. [...].
A arte da fotógrafa Natalí Paiva, que também desenvolve atividades de facilitadora e instrutora em Tantra Yoga. Veja mais aqui & aqui.

A OBRA DE SCHUBERT
Dou ao mundo o que trago no coração.
A obra do compositor austríaco Franz Peter Schubert (1797-1828) aqui e aqui.
PS: A grande paixão do compositor foi a jovem cantora soprano austríaca Therese Grob (1798- 1875), a música os uniu: ela cantou a Missa em F, D.105, que ele compôs para o centenário da igreja paroquial de Lichtental. A partir disso ele montou um álbum de canções, muitas composições levadas pela paixão por ela, conhecidas posteriormente como álbum de Therese Grob. Tentou casar-se, mas uma lei proibia o consentimento: um músico era incapaz de sustentar uma família. Ele foi rejeitado e ela casou-se com o padeiro. O compositor jamais se casou. Essas composições estão registradas em álbuns tais como The Schubert Therese Grob Songbook - New Perspectives – Songbook (Somm Recordings, 2001), com performances de Dorothee Jansen e Francis Grier, e em volumes como A coleção de músicas de Therese Grob de Schubert (Music and Letters, 1968), de Maurice J. E. Brown & Franz Schubert: o homem e seu círculo (Tudor, 1928), de Newman Flower.
&
UNA-SE
A arte do multiartista imaginauta Ghugha Távora. Veja mais aqui, aqui & aqui.


sexta-feira, abril 12, 2019

MANOEL DE BARROS, KURT GÖDEL, ANGELINA SILVA, GHUGHA TÁVORA & O PUM DA BATATA


O PUM DA BATATA - Era uma vez um rapaz que se engraçou duma moça faceira. Trocaram olhares, passaram um pelo outro no meio do festeiro, sumiram e voltaram, até que um dia se encontraram e trocaram conversa para lá e para cá, se riram, se engraçaram e, depois de mais de nove horas, namoraram. Foi aquele amor. Beijos e abraços, ficou acertado domingo dele ir para a casa dela passar o dia, conhecer os pais, e assim se deu. Chegando lá, foi apresentado aos familiares dela, pais, irmãos e irmãs dela, mais de oito arrodeando a mesa farta no almoço. Chegou a hora, um peru assado à mesa, muita comida, pediram para ele destrinchar. Na horagá que passou a faca de banda, pum! Eita! Todos se riram, ele ficou encabulado. Aí o sogro disse: Aí, peidão, passa a coxa desse peru pra cá! Risadas. Ele todo chateado foi servindo uns e outras a cada pedido. Findaram de almoçar e a mangação corria solta, até chegar a hora de ir embora. Despediu-se e foi para casa todo borocochô e jurando: Nunca mais volto lá. Morava sozinho, sem pai nem mãe, um tio deu as caras e ele contou. Oxe, que é que é isso, meu filho, quer se vingar? Como? Vá lá no mato, arranque uma batata e bote enterrado do lado do batente, lá na casa deles, antes deles acordarem. Oxente? Depois cochichou no ouvido dele, ah, tá! Vá. Ele foi, arrancou a batata e plantou ainda de madrugada no batente da casa do sogro. Uma semana depois ele apareceu, era véspera de São João e iam fazer uma fogueira na frente de casa. O sogro ia saindo na porta, deu um espirro e atchim, poim! Eita! O que é isso? Poin. Ai, meu Deus? Prum. A sogra veio, toda se acabando de rir dele: Que é isso, homem? Poim. Eita, até tu véia? E ela: Eu não, pum!Aí, tais vendo? Tu também. E se riam e peidavam: Isso é contagioso! O irmão mais velho: Que é que tá havendo, hem? Poin! Vixe! A irmã encostada: Que fedor é esse, gente? Poim. Tu também? Ih! Pegou! Pronto, Zé, pum, Maria, poin, Zefinha, puf, Judite, prei, tudo peidando, que é que houve? O genro só olhando. Eles se dizendo: Pegamos um mal feio! A do meio veio: Bença, pai! Brum. Eita, esse veio danado! Fedor da peste! Pegamos a doença de Abinagildo, foi? Chama João! Pei. Oi, pai! Puf. Vai chamar o boticário, vai! Pif. O boticário quando viu: Tem jeito não, pof, eu tô me peidando todo agora também! Vamos buscar o doutor e ele: Vôte! Vrum! O que é isso? Poin. Lá em casa está todo mundo assim e o boticário também! Pei. Eu também agora, pof! Tem remédio pra isso não! Toin. Nessa hora o padre ia passando e poin! Danou-se! Até o padre? Valei-me, puf. É lá na casa deles, tuf, estão todos, poin, se peidando, poin, assim! Benzodeus. Vamos todos para lá, poin, vamos. O padre pegou a água benta, puf, benzeu-se e foram todos para a casa dos peidões, poin, poin. Rezas de joelhos a manhã toda, toin, orações de todo jeito tarde para noite, poin, e nada, pum, só poin, poin, poin. Aí o genro vendo tudo aquilo, falou: Eu tenho um remédio pra isso que é tiro e queda! Como? Pelamordedeus diga logo qual o xarope pra cura disso, vá! E tome poin, puf, pei! Pum! Entrem todos no quarto que eu vou resolver essa bronca agora. Ninguém aguenta não! Entrem! Vamos morrer enturidos! Vambora! Entraram e, conforme o tio havia cochichado no ouvido dele, foi no mato, pegou uma tora de pinhão, chegou lá, ficou dando uma pisa de pinhão em cada um, umas lapadas de volta e outra vez, pronto, tudo curado. Viva! Agora ninguém peida mais! Só depois do café da manhã, do almoço e da ceia. Ah, não! Ah, sim. Aí ele tornou-se o genro querido do sogro e muito agradado por todos, casou-se com a filha formosa que namorava e não se sabe, ao certo, se foram felizes para sempre ou não, mas que casaram, casaram. E peidaram muito daí por diante. Pum, poin. PS: recriação de narrativa de Cêça - Conceição de Oliveira Cavalcanti, de Arcoverde, recolhida de Contos Populares Brasileiros: Pernambuco (Massangana/Fundaj, 1994), organizada por Roberto Benjamim. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo & aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Qualquer coisa em que você pode desenhar um círculo ao redor não pode ser explicada por si mesma sem se referir a algo fora do círculo – algo que você tem que assumir mas não pode provar. Eu estou mentindo. [...] É claro que hoje estamos longe de poder fundamentar a visão teológica de mundo cientificamente, mas acredito que já é possível apreender de maneira puramente racional (sem ter que recorrer a alguma religião ou crença) que a visão teológica de mundo é completamente compatível com todos os fatos conhecidos (inclusive as condições que reinam sobre a nossa Terra). O famoso matemático e filósofo Leibniz tentou demonstrar isto 250 anos atrás, e é isto que tentei fazer nas minhas últimas cartas. O que chamo de visão teológica de mundo é a ideia que o mundo e tudo que nele existe tem um significado e uma razão e na verdade um significado bom e inquestionável. Disto segue imediatamente que nossa existência terrestre, uma vez que ela tem um significado muito duvidoso, só pode ser o meio cujo objetivo é uma outra existência. A ideia que tudo no mundo tem um significado é, afinal, exatamente análoga à ideia que tudo tem uma causa, e é sobre esta que toda ciência está baseada. [...]
Trecho extraído da obra Collected Works (v. III, Oxford, 1995), do filósofo, matemático e lógico austríaco Kurt Gödel (1906-1978), criou a teoria da indecidibilidade lógica com os teoremas da incompletude, o primeiro deles, o da numeração, que assinala que qualquer sistema axiomático recursivo autoconsistente capaz de descrever a aritmética dos números naturais, há proposições naturais verdadeiras que não podem ser provadas a partir dos axiomas, codificando expressões formais como números naturais. O segundo teorema da incompletude, uma extensão do primeiro, mostra que tal sistema não pode demonstrar sua própria consistência.

A POESIA DE MANOEL DE BARROS
[...]
II
Desinventar objetos. O pente, por exemplo. Dar ao pente funções de não pentear. Até que ele fique à disposição de ser uma begônia. Ou uma gravanha. Usar algumas palavras que ainda não tenham idioma.
[...]
palavra que eu uso me inclui nela
[...]
Extraído de O livro das ignorãças (Civilização Brasileira, 1993), do poeta Manoel de Barros (1916-2014), livro este em que o autor desvenda os caminhos de sua criação poética, que em uma entrevista concedida à jornalista Martha Barros, do Correio Brasiliense (1990), expressou que:
Ao poeta penso que cabe a tarefa de arejar as palavras. E não deixar que morram de clichês. Pegar as mais espolegadas, as mais prostituídas pelos lugares-comuns e lhes dar novas sintaxes, novas companhias. Colocar, por exemplo, ao lado de uma palavra solene, um pedaço de esterco. O poeta precisa reaprender a errar a língua. Esse exercício poderá nos devolver a inocência da fala. Porque no assunto não há nada de novo. Tudo creio que já foi pensado e dito por tantos e tontos. Ou quase tudo. Ou quase tontos. De modo que não há novidades debaixo do Sol – e isso também já foi dito. Então, o que se pode fazer é dizer de outra forma. Se for para tirar gosto poético, é bom perverter a linguagem. Temos de molecar o idioma, os idiomas. O nosso paladar de ler anda com tédio. É preciso injetar nos verbos insanidades, para que eles transmitam aos nomes os seus delírios. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual portuguesa Angelina Silva. 
Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

A ARTE IMAGINAUTA DE GHUGHA TÁVORA
A arte do artista visual imaginauta, designer educacional e empreendedor socio-cultural Ghugha Távora em uma entrevista exclusiva. Confira aqui.
&
Outras histórias do Abinagildo Peidão aqui, aqui & aqui.


segunda-feira, outubro 29, 2018

WALMIR AYALA, ZÉLIA DUNCAN, SANDRA REIS & PINTANDO NA PRAÇA


PINTANDO NA PRAÇA – Numa manhã ensolarada de sábado de outubro, aconteceu a quinta edição do Projeto Pintando na Praça que foi uma verdadeira festa artística. O projeto desenvolvido pelo poetamigo & artista plástico Paulo Profeta, por meio do Instituo de Belas Artes Vale do Una, de Palmares – PE, tem alcançado seus objetivos e engrandecendo o cenário cultural palmarense e da região Mata Sul de Pernambuco. Tive a oportunidade de participar da edição anterior e constatar o processo evolutivo e a adesão cada vez maior de artistas da região e de outros estados, como também da população palmarense. Dessa vez não ficou por menos, pois, além de possibilitar o reencontro com o amigo artista plástico José Durán y Duran & a escritoramiga Socorro Durán, também teve a presença efusiva da arte do inquieto e criativo imaginauta Gugha Távora, do professor Clovis Eraldo Parízio, as canções do cantor e compositor parceiramigo Zé Ripe, do projeto Lendo na Praça Pública da amiga Rute Costa, do artesanato dos jovens Epifanio Bezerra (Palmares) & Celso Madeira (Igarapeba), a arte do jovem Wil de Igarapeba, pinturas & desenhos, conversas com Marquinhos & todo pessoal da Fundação de Hermilo, com João Paulo & Mary Filha da Biblioteca Fenelon Barreto, com o acadêmico escritor Reginaldo Oliveira, os radialistas Toínho DuRego & Alberto Passos, afora trocar ideias e mandar ver na participação geral. Marcaram presença os artistas plásticos da capital pernambucana, Fernando Lúcio, Sebastião Rosa, Vandrade, Zé de Moura, Ricardo Carvalheira, Robertson Rodrigues, Fábio Santos, Leo Luna, Marcelo Marroquin, Nadilson Junior, Alexandre Freitas, Maycon e Eduarda Tenório, alguns entre os quais participantes das edições anteriores e já destacados aqui no blog. Para tanto, foram montados dois estandes na Praça Paulo Paranhos, um em frente do anfiteatro e, o outro, no centro da praça. Nestes espaços pintores, desenhistas, artistas visuais, escritores, artesãos, músicos e público em geral, puderam interagir corpo a corpo, numa comunhão entre a arte e a vida. Sem dúvida trata-se de um dos mais importantes eventos da região que a cada ano vai ganhando prestígio e se tornando marca carimbada dos acontecimentos que ocorrem anualmente. Nada mais representativo que ver em plena praça pública artistas e público interagindo num evento ímpar como este. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS:
[...] Pensei na felicidade que a arte pode trazer, no bem que pode fornecer ao mundo. Porque esta educação visual não está divorciada de nenhum outro plano, mas implica, numa harmonização total e ampla. A arte pode trazer um bem no mundo na medida em que consiga impor seu caráter construtivista, muitas vezes a partir de uma urgente iconoclastia. [...]
Trecho extraído da obra A criação plástica em questão (Vozes. 1970), do poeta, teatrólogo, romancista e critico de arte Walmir Ayala (1933-1991). Veja mais aqui.

A ARTE PINTANDO NA PRAÇA
Veja mais do Pintando na Praça aqui e aqui.

O Professor Cloves Parízio

O artista visual & imaginauta Ghugha Távora. Veja mais aqui.

O artesanato de Epifanio Bezerra (Palmares) & Celso Madeira – Acervo do Barro Igarapeba.

O desenho de Wilmison da Silva Calado (Wil de Igarapeba) aluno do Instituto promotor & demais participantes do evento.

AGENDA: 
LENDO EM PRAÇA PÚBLICA
O Projeto Lendo em Praça Pública é desenvolvido pela professora especialista em Linguistica e Coordenadora de Lingua Portuguesa do Ensino Fundamental da Semed-Palmares, Rute Costa, e realizado nos finais de semana na Praça da Luz e em outras praças locais. O evento conta com exposição de livros disponíveis para leituras de pais e estudantes participantes. 
&
POEMAS DE INDOLORES
AMAR – Amar seria simples, se fosse fácil amar... / mas, amar é renúncia e ninguém quer / a si mesmo renunciar.
DESEJO – Te desejo que / todos os dias e noites / penses, sonhes, / planejes, desejes / estar comigo. / Assim, como eu / não consigo ficar sem.
SEXO – Hoje é sexo por sexo, / ficar por ficar. / É desejo nada além, / é apenas carne, pele e suor. / Oh, carne pecaminosa / que me deixa desejar / mesmo ciente que não devo / essa matéria alimentar.
AMOR X LUXÚRIA – Viver é verbo que não conjugo. / Ver é verbo que pratico, / por não ser louca o suficiente / para dela me desfazer. / Ninguém jamais deu importância / aos sentimentos de um pobre / como o de Romeu à Julieta / acham ser luxo exclusivo dos ricos. / Seus bens por idolatria, valorizam, / morrem de medo de perdê-los. / Jamais morrem por amor / nunca por conhecê-lo.
AUSÊNCIA – Abraça-me com ternura / toca-me com o coração / permita-me ver a beleza / do afeto em sua doação. / Saudades do beijo na face / de quando trocávamos carinhos / quanta compreensão trocada / estando hoje, toda esquecida. / Por onde anda o afeto? / Sinto que a emoção desertou / foi furtada por um beijo, / ou pelo simples desejo de ser / compreendido e correspondido?
INDOLORES: POÉTICAS & MEMÓRIAS – Poemas extraídos do livro Indolores: poéticas & memórias (Rascunhos, 2019), da escritora e professora Rute Costa, que desenvolve o projeto Leitura na Praça e é integrante da Amigos da Biblioteca. Veja sua entrevista aqui.

 &
Duzentos & cinquenta & um golpes, Frida Kahlo, Nélida Piñon, Lya Luft, Karl Backman, Barreiros, Bartyra Soares, Zé Ripe, George Harrison, Rita Lee, Camargo Guarnieri & Rachel Dolly d’Alba aqui.
&
O dia é hoje, agora! Carlos Fuentes, Noémia Sousa, Gayatri Chakravorty Spiva, Giácomo Sinapsi, Ivo Korytowski, Lagoa dos Gatos, Humor jurídico de Carlos Cavalcante, Djavan, Bidú Sayão, Daniela Spielmann & Zé Ripe aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje curta na Rádio Tataritaritatá a música da cantora, compositora e atriz Zélia Duncan: Pelo sabor do gesto em cena ao vivo, Tudo Esclarecido, Tô tatiando & Raridades, novidades e colaborações  & muito mais nos mais de 2 milhões & 800 mil acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Veja mais aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...