quarta-feira, setembro 11, 2019

NIETZSCHE, STEPHEN GOULD, JARED DIAMOND, MARIETTA BADERNA, CITRALAKSHANA & OS AMORES DE BETTINA


OS AMORES DE BETTINA – Ah, ensolarada Bettina, o seu ser nunca tocou a terra, nem poderia com tantos sonhos. No meu peito dança a sua graça espontânea de animal selvagem, um bicho enjaulado para cuidar, raiz de Frankfurt na alegria de viver mais que a vida desejada. Quem me dera o seu amor de livre pássaro pela Karoline, aquela que se matou com a adaga no peito por paixão proibida: o mote para seus afetos ao ver-me olhos grandes enamorados. Quem me dera impelido pela paixão de um grande amor por sua amável mãe e tornar-me, com isso, o seu desiderato. Quem me dera estar na sua fantasia de bailarina Mignon apaixonada pelo velho poeta, a dançar a música oculta porque nada mais lhe interessava. Só você podia ouvir a música e bem poderia me castigar e revitalizar com a sua felicidade. Weimar não seria nunca a única cidade em que se poderia viver. Sei que perseguiu o semideus músico – a música era a natureza, a revelação: suas mãos sobre os ombros dele. Ele compôs o hino de Mignon e você se libertou nas palavras cobertas de nuvem. Não é fácil construir o amor do princípio ao fim: não há realidade mais elevada que o devaneio do amor. Não há quem a governe e eu viveria a fantasia e a verdade de suas cartas, como se fosse a própria revolta dos tecelões da Silésia cantada por Heine no meu coração. Não me veria alarmado com sua exuberância, sou entusiasmo inflamado diante da poética epistolária de sua loucura fascinante. Nunca a mandaria embora, jamais, como fez o octogenário: seria o amado imortal das suas aspirações. Tenho comigo todos os Colóquios com os demônios, O livro do rei, a correspondência e a sua pregação aos humanos e à natureza: sou sua aura combatente e ativista das causas dos perdedores, entre os radicais estudantes que o despótico governo prussiano temia - sou o desfile à luz de tochas só para você. Eu aprendi a amá-la do mesmo jeito: sua escrita, aventuras e invenções, sua aversão às danças artificiais dos elfos e os jogos nas copas das árvores e palácios floridos. Minha pequena musa nua com sua lira, você ressuscitou lindamente em mim após a morte de todos que a rodeavam. Eu direi tudo, essa minha comunhão com a sua vida imortal inflamada de amor. Tenho o mesmo empenho paciente e inquebrantável de anos inteiros, qual espírito sussurrando a revolução dos tempos de quem escreveu livros que ninguém leu. Ouço a Heróica e você está sempre viva em minha mente: o tempo consolida as paredes mestras de um amor verdadeiro. Nada deteve seus planos elaborados, nem a mim deterá, porque o velho mundo rangeria de verdade suas enferrujadas dobradiças com a nossa entrega amorante. Comigo, sim, você seria a razão dos meus poemas: musa e vidente, única, mesmo que se fizesse bruxa ou anjo, casta ou devassa, borboleta ou lagarta. Sou mais um entre seus ilustres admiradores, eu sei, só que em mim o amor ditou nenhuma regra. As minhas respostas jamais serão circunspectas, porque no meu coração sitiado você será sempre o memorial que encantou o velho poeta. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] A história seguiu diferentes rumos para os diferentes povos devido às diferenças entre os ambientes em que viviam e não devido a diferenças biológicas entre os povos [...] A disciplina de história geralmente não é considerada uma ciência, mas algo mais próximo de humanidades. Na melhor das hipóteses, a história é classificada entre as ciências sociais, e é considerada a menos científica. [...] A maioria dos historiadores não se vê como cientistas e recebe pouco treinamento nas ciências reconhecidas e suas metodologias. A ideia de que a história não passa de uma massa de detalhes é captada em muitos aforismos: “A história é apenas um maldito fato atrás de outro”, “A história é mais ou menos um palavrório”, “A história não tem mais leis do que história um caleidoscópio”, e assim por diante. Não se pode negar que seja mais difícil extrair princípios gerais estudando história do que estudando as órbitas planetárias. [...] As ciências históricas se preocupam com cadeias de causas imediatas e finais. Em grande parte da física e da química, os conceitos de “causa final”, “propósito” e “função” não têm sentido, mas eles são essenciais à compreensão dos sistemas vivos em geral e das atividades humanas em particular. [...] As dificuldades enfrentadas pelos historiadores para estabelecer relações de causa e efeito na história das sociedades humanas são muito semelhantes às dificuldades com que se deparam astrônomos, climatologistas, ecólogos, biólogos da evolução, geólogos e paleontólogos. Em graus variados, cada um desses campos é atormentado pela impossibilidade de realizar intervenções experimentais controladas e repetidas, pela complexidade que surge de inúmeras variáveis, pela consequente singularidade de cada sistema, pela impossibilidade de formular leis universais e pelas dificuldades de prever propriedades emergentes e o comportamento futuro. [...]. Trechos extraídos da obra Armas, germes e aço: os destinos das sociedades (Record, 2013), do biólogo, fisiologista, biogeógrafo e escritor estadunidense Jared Diamond.

ALGUÉM FALOU: [...] devemos propor outra metáfora e reconhecer que nós também temos de trilhar um caminho reto e estreito, cercado de estradas para a perdição. Se começarmos a reprimir nossa busca da compreensão da natureza, para saciar a nossa própria excitação intelectual de uma tentativa equivocada de apresentar uma frente unida que não existe e não deveria existir, então estaremos realmente perdidos. [...]. Trecho extraído do ensaio Evolução como fato e teoria (Discover, 1981), do paleontólogo e biólogo estadunidense Stephen Jay Gould (1941-2002). Veja mais aqui e aqui.

CITRALAKSHANA - Há muito tempo, quando os homens não morriam antes de chegar a sua hora, um brâmane veio chorar junto de um rei santo e queixou-se de que seu filho lhe fora arrebatado prematuramente. O rei dirigiu-se a Yama, o deus da morte, que contudo recusou renunciar ao filho do brâmane. Assim o próprio Brama apareceu e ordenou ao rei: “Fiel à sua forma e com a ajuda de cores, pintarás o filho do brâmane, para que seja igual a ele”. O rei pintou o rapaz, e deste modo Brama restituiu-lhe a vida e devolveu-o ao brâmane. Lenda indiana originada da pintura referida no Citralakshana, conservado apenas no Tanjur Tibetano, e recolhido da obra Lenda, mito e magia na imagem do artista: uma experiência histórica (Presença, 1979), de Ernest Kris e Otto Kurz. Veja mais aqui.

A ARTE DE MARIETTA BADERNA - A bailarina italiana Marietta Baderna (1828-1892), estreou no balé aos 12 anos de idade, passando, em seguida a fazer parte da companhia de dança do teatro Scala, de Milão, tornando-se, aos 21 anos de idade, a prima ballerina assoluta. Ela obteve sucesso por toda Itália e em turnês por outros países europeus. Ela veio para o Brasil, fugindo da repressão desencadeada pelas revoluções de 1848, encantando-se e participando ativamente da cultura brasileira, com espetáculos miscigenados com ritmos africanos que chocaria o público conservador e racista da época. Por se tratar de uma mulher livre, bonita e talentosa, afora ser uma personalidade rebelde, passou a se chamar Maria Baderna, causou furor e desafiava os preconceitos moralistas, angariando uma legião de admiradores que passaram a ser chamados de “badernistas” ou “baderneiros”. Por essa razão, o seu nome deu origem ao termo baderna, significando confusão, desordem e bagunça. Ela era considerada a Rainha das Fadas, transformada em divindade pagã, musa da juventude romântica, admirada pelos intelectuais e desejada pelos aristocratas. Além de namoradeira, ela às vezes dançava em bailes, praças e praias. Nessas ocasiões, longe da rigidez dos palcos, preferia os ritmos calientes como o sensual lundum, a cachuca e a umbigada, ritmos relegados aos lugares frequentados apenas por escravos. Em Recife ela protagonizou um escândalo, em 1851, ao encenar um lundum. Apesar dos protestos racistas, a temporada foi um sucesso e marcou o início do abrasileiramento da artista, cujo primeiro contato com as danças dos negros e mulatos tinha sido pela leitura das Cartas Chilenas, do poeta e inconfidente Tomás Antônio Gonzaga. Ela foi amiga do ator João Caetano, contemporânea de cantoras famosas como Candiani e elogiada por escritores e jornalistas como José de Alencar ou José Maria da Silva Paranhos, o futuro Visconde do Rio Branco. Mesmo assim, ela foi perseguida e marginalizada. Dela, o escritor José de Alencar se expressou: A graciosa sílfide que sempre aplaudimos saiu de cena e entrou para os dicionários. Relatos extraídos da obra Maria Baderna: a bailarina de dois mundos (Record, 2001), de Silverio Corvisieri, que assinala ser a bailarina o retrato de uma autêntica heroína que, por trás de sua atividade de dançarina, conspirou e enfrentou todo tipo de perigo por seus ideais revolucionários. Veja mais aqui.

A OBRA DE NIETZSCHE
Os maiores acontecimentos e pensamentos são os que mais tardiamente são compreendidos.
A obra do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900) aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
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BETTINA BRENTANO
Quando nos sentimos dispostos a amar queremos que nos amem, sem pensar que essa exigência afasta o gênio do amor.
A escritora, compositora, cantora, artista, ilustradora e ativista social Bettina Brentano (de nascimento Elisabeth Katharina Ludovica Magdalena Brentano – 1785-1859), foi, também, ativista dos direitos da mulher, tendo como suas obras mais populares os apontamentos corrigidos da correspondência que manteve com Goethe, Karoline von Günderode (que suicidou-se com um golpe de adaga no peito) e seu irmão, o poeta Clemens Bretano. Ela utilizou o pseudônimo de Beans Beor, tendo cultivado paixões e amizades com Goethe – por quem ela se apaixonou perdidamente, uma vez que a mãe dela foi o grande amor do poeta -, Beethoven e Pückler, como também Schumann, Marx, Liszt, Kinkel, Brahms, os Grimms e até Napoleão. Foi a musa suprema de um movimento literário, figurando entre as mais singulares personagens e mais representativas do século romântico.


MARTIN AMIS, PHYLLIS A. WHITNEY, ROSANA PALAZYAN & PAULA BERINSON

    Ao som dos álbuns Violão Popular Brasileiro Contemporâneo (1985), Camerístico (2007), Original (2002) e Dois Destinos (2016), do vio...