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domingo, novembro 07, 2021

YASMINA REZA, ALICIA DUJOVNE ORTIZ, SEAMUS HEANEY, ROQUE DALTON, ANA SANTIAGO & LANGLOIS

 

 

TRÍPTICO DQP – Trevas da noite no céu do dia & vice-versa... – Ao som da pianista austríaca Emma Schmidt, interpretando obras de Busoni, Alban Berg e Schoenberg no álbum 3 Piano Pieces (Naxxo, 2015). – Sempre tive a impressão de que sou o que escapuliu do vão de quatro paredes e pernas no meio destes atordoados dias. Desde quando seja lá o que for dos caminhos inventados pelas palavras, atento a cada instante, o voo. É como se todo dia fosse véspera de um cataclismo e nada desse por conta, porque um holocausto silencioso e nada suave em sua ameaça. Minhas lembranças são como retratantigos na fabulação livre e sei, cioso em toda parte me espalhei pelas ruas e túmulos, entre vivos e mortos – mais mortos que vivos, eram ou são, não sei -, corpestranhos que professam seus repúdios de nada, soterrados pelos desmandos e complôs. Quão vão tudo se parece e não exagero nem superestimo, muita confusão entre a tenacidade e a intolerância, ceticismo e rancor (e o meu nome escondido na boca dum sapo qualquer, disseram e me rio). Na verdade, mais um momento interrompido – para quem lia O elogio ao ócio (GMT, 2002), de Bertrand Russel: A ideia de que os pobres devem ter direito ao lazer sempre chocou os ricos... O trabalho mantinha os adultos longe da bebida e as crianças afastadas do crime... Eu penso que o fato de se permitir que essas pessoas sejam ociosas não é nem de longe tão nocivo quanto o fato de se exigir dos assalariados que escolham entre o sobretrabalho e a privação... -, era um zunzunzum a tratar de Emma. Quem? Alguém apontou um saco cheio, logo ali abandonado. Aproximei-me e eram publicações, capas duras, brochuras. Logo deu pra ver o volume da Crônica de Lúcio Cardoso; e, ao remexer hesitante, entre outros, logo embaixo o Diário dele. De quem seria? Eram muitos. Mexer não devia, toda precaução. Alguém havia esquecido ali num canto alguns livros, ou jogado no lixo, parece – era prática que se tornou costumeira no país. Curioso, procurei por quem perguntar a posse daquilo. Ao invés disso, o que ouvi foi a respeito de Emma. De novo, quem? Saí acompanhando e constatei que não era a idolatrada ativista Goldman, nem a Bovary de Flaubert, era outra. Ora, quem? Era uma tal que se passava por Schmidt – só depois soubera, na verdade Anna Ecklund (1882-1941) -, que julgavam possuída por espírito maligno, ou coisa do gênero. Vôte! Disseram chamar por não sei quem, enquanto repetiam que era a Banga da Besta que reapareceu e havia endoidecido. De novo? Esse povo crédulo inventa cada coisa. Ah, como tudo anda tão confuso, de perder o fio. Aos sons e gemidos, apareceu-me a poeta argentina, Alicia Dujovne Ortiz: Quando a água / ferve / é / uma chuva calma que dura toda a / tarde mas / quando / o azeite é / frito / é / um aguaceiro violento no verão grandes / gotas quentes beijos de lábios que arrancam / os poros resposta de beijos grossos ou / gotas de pele e ouço / oh eu ouço a / tempestade das cebolas fritas o gemido da / carne na grelha e às vezes das xícaras sim / das xícaras que docemente choram / baixinho se eu as / encher de chá ai / meu Deus um ovo balança quando vou quebrá-lo meu cotovelo na mesa esmaga / parentes e aumento da / dor / pela minha casa pelos meus gestos uma voz conhecida / ! Devo dizer-lhe secretamente que, / na minha infância, mal / conseguia segurar uma / maçã viva / demais com minhas próprias mãos. Eu também, desde criança tudo me escapa entre os dedos, ou dissolve de nem me dar conta, até o sonho na perda da memória.

 


A vida não poupa ninguém... – Imagem: Cassandra implora vingança de Minerva contra Ajax, do pintor neoclássico francês Jerome-Martin Langlois (1779-1838) – Não demorou muito e mais adiante, novamente só no meio da loucura do trânsito inexorável, semáforos, frenagens, roncos de motores, zoadas sonoras, e lá estava mesmo era envolvido na trama do Deus da carnificina (Âyiné, 2021), da dramaturga francesa Yasmina Reza: crianças às agressões, os pais se envolvendo, incialmente, apaziguadores, até o escandaloso irascível de nenhuma conciliação: desaforos, sangue nas vestes, o risível e o patético, a ruína de gente e mundo. Para mim, ali a Loucura repulsiva, como se eu estivesse deveras nas cenas adaptadas por Polanski do teatro dela: aqueles que não se refazem ou não conseguem superar suas perdas e derrotas. Tento por todos os meios poupar a mãe dos salafrários e dos néscios, sobreviventes do genocídio como eu, quase impossível. Ou melhor, tal como Sobre nossa moral poética, do poeta salvadorenho Roque Dalton: Não confundir, somos poetas que escrevem / da clandestinidade em que vivemos / Não somos, pois, cômodos e impunes anônimos: / de frente estamos contra o inimigo / e cavalgamos muito perto dele, na mesma trilha. / E o sistema e os homens / que atacamos através de nossa poesia / com nossa vida lhes damos a oportunidade de que sejam cobrados / dia após dia. Sim, no fim é tudo muito tristalegre, confusainda, para quem já foi longalém: ainda sofro porque sei que tudo passa, nenhuma dor é maior que a esperança. Esta cidade é a minha – um hospício bizarro a céu aberto -, e algo me diz que ela não mais existe.

 


A mulher-biblioteca... – Imagens: Arte da artista Ana Santiago. - Desfiava então fiapos de sonhos e afazeres por trezentas vezes tantos dias de não deu ou deu não e extrema solidão. Porque a vida é o que vem depois de ser feliz na grama molhada com o cheiro de coisas agradáveis, até que enfim! E soletrava o nome de tudo que via, o mistério de cada ser e objetos. E a artista que soubera, repentinamente emergiu vigorosa e linda, como se me convidasse pelas dependências do seu ateliê. E fui, entrei e era tudo muito belo e ela me ofertou uma rosa e era o poema (para Marie) do poeta irlandês Seamus Heaney (1939-2013): Amor, aperfeiçoarei para você o menino / Que em meu cérebro com diligência manheira / Cava com pá pesada e faz com relva arrimo / Ou patinha no esterco de funda caleira. / Todo ano eu semeava o metro de jardim. / Com camadas de céspede o muro eu erguia / Para ter distantes galinhas e bacorim. / Todo ano, à entrada deles, o monte ruía. / Ou no lodo sugante eu chapinhava / Com gosto e representava fluidez da caleira, / Mas sempre meus bastiões de argila e vasa / Rompiam-se com a vinda da chuva-criadeira. / Amor, aperfeiçoe para mim este menino / De estreitos e imperfeitos limites quebrando ao léu: / Dentro em novos limites agora, ordene o domínio / E quadre o círculo: quatro paredes e um anel. Fiquei comovido e, ao mesmo tempo, surpreso: dos olhos dela os seus quadros e cerâmicas, cores e risos, e eu me deliciando de sua profusa arte no sorriso poético dos seios de versos e páginas que descobriam seu ventre e coxas e pernas e livros - na minha cabeça ela era bailarina estadunidense Trisha Brown (1936-2017) dançando nua para dinamitar meus pensamentos e emoções. E com a oferta de suas mãos livros emergiam e ela, a mulher-biblioteca, a me dispor do que jamais saberia de todas as coisas e me rendia em lê-la e tudo o mais, até detectar entre os volumes os 31 livros de poemas de Vital Corrêa de Araújo (entre eles, eu vi Revérberos do sal sublevado e Céu – estábulo de relâmpago), os 30 livros de Admmauro Gommes (entre eles Cláudio Veras e a alógica poesia de Vital Corrêa de Araújo e Vate Vital: aspectos da obra poética de Vital Corrêa de Araújo), e muitos outros que me ensinaram ser a vida uma pausa de ondas e luto pelos devires e nada mais restava a não ser inteiro na íntegra gratidão daquele momento. Até mais ver.

 

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terça-feira, novembro 28, 2017

BASHÔ, LÚCIO CARDOSO, CANETTI, CHAUÍ, MARCUS VIANA, BRUNA BEBER, ROCCO FORGIONE & IBIRAJUBA

BATICUM & TEIBEI - Imagem do artista italiano Rocco Forgione. - A coisa não está para brinquedo. Soludão de mesmo, só na vez do açodamento ou no calor da iminência. Maior teitei na lapada. Pronto, parece resolvido. Será? E quando vai ver: um labirinto de broncas. Dabou-se! Aí é a hora de ajeitar aqui, espichar ali, remendar acolá, e o que era pra sair bonito dá num monstrengo cada vez mais desfigurado. E agora vai ver a merda feita. Por conta disso, tomei uma atitude: não leio mais jornais, há tempos que as notícias são as mesmas, muda, apenas e, às vezes no muito, só os nomes, mas a situação é a mesma desde que nasci: a corda só arrebenta do lado desprevenido. E quem tem tempo pra se defender do imprevisível, hem? Também não assisto mais tevê: a programação parece a mesma de décadas, há sempre uma onda pra gente boiar, isto desde que inventaram um tal do zeitgeist, paradigmas para serem seguidos à risca, na boa. E como nem todo mundo anda na linha - que ninguém é besta, tá doido? -, há sempre aquela de um olho na missa e outro no padre. Esfrega pra enxergar: a desconfiança é geral. Também, pudera. Em quê acreditar, são outros quinhentos. Ah, sempre me disseram sob o signo da maior persuasão que quando chegasse aos cinqüenta, eu ia ver direitinho como é que é a cor da chita. Resultado: já passei disso e não vejo mais nada. Quando muito finjo que nem vejo, melhor. Vai que de repente topa com uma revolta no ar: vende-se este estrupício, pague qualquer coisa e leve essa desgraça pra você! Ora, faça-me um favor. Todo mundo só oferece o que não quer mais, filantropia com o imprestável. Quando não é isso, o despropósito no primeiro poste: corno é foda, tudo que vê quer ler. Sacou? Vamos e convenhamos: quando a emoção fala mais alto – ou melhor, quando a cabeça do cipó é quem manda no riscado, a gramática vai pro calão e se lasca toda! Isso se você não se ferrar junto, no maior desmantelo. E haja revertério. No meio disso é só meter o sarrafo! Maior esporro! De pensante vira asno e os disparates só fabricam teréns rocambolescos. Melhor brincar de palíndromo: a torre da derrota! Quem encara? É de sair arrolando a doação de órgãos pra quando bater as botas: os olhos quando nada, mistura as coisas com tudo duplo, córnea pra quê te quero: já era oftalmologista recorrente; cheirar que é bom dói no pulmão; músculos, tudo entrevado; coração batendo biela; fígado em petição de miséria; o prazer é ter de saber eficiente gestão de dores pra todo lado; afinal, no frigir dos ovos, o que é que presta mesmo pra serventia, hem? Nossa, a certidão de que já morreu e ninguém avisou. Resta apenas ficar brincando de bem ou malmequer com as lembranças, memórias fugidias, momentos felizes, decepções, vexames e quejandos. Fazer o quê? Melhor respirar fundo, olhar pros lados, se precaver e seguir adiante refugiado num dia qualquer do passado – remembranças e das muitas, essas ainda não apagaram. Aprendeu? Baticum & teibei. E boa sorte. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais 

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com Pantanal, a suíte orquestral Olga, A música dos 4 elementos, Sete Vidas amores & guerras, Raio & Trovão, entre outras, do violinista, tecladista e compositor Marcus Viana. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui & aqui.

PENSAMENTO DO DIA -  [...] O soberbo, no orgulho desmedido, considera que tudo lhe é permitido; abjeto, na humilhação desmedida, considera que nada lhe é permitido. O primeiro se torna dominador insolente; o outro, servo adulador, invejoso e ressentido. Ambos, submissos às suas paixões, são fonte de novas servidões, pois o soberbo julga-se livre porque domina e despreza os outros, enquanto o abjeto adulador imagina-se dependente dos favores do soberbo que, por deninção, nunca hão de vir. [...]. Trecho da obra Política em Espinoza (Companhia das Letras, 2003), da filósofa e educadora brasileira Marilena Chauí. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

MASSA & PODER – [...] Aqui, tudo se baseia na total ausencia de perturbações. Qualquer movimento é indesejável, todos os ruídos são execráveis.  [...] Apesar de tudo conservou-se nos nossos concertos uma pequena dose de descarga física. O aplauso representa a gratidão aos interpretes; trata-se de intercambio de um ruído breve e caótico por outro prolongando e bem organizado. [...] Os espectadores podem permanecer sentados; a paciência coletiva se torna visível em toda sua clareza. Todos têm a liberdade de sapatear, mas não se movem de seus lugares. Têm a liberdade de aplaudir com as mãos. Está prevista uma determinada duração para o espetáculo, e normalmente não há motivos para reduzi-la; pelo menos durante este tempo as pessoas permanecem juntas. E, durante este tempo, uma série de acontecimentos podem ocorrer. Não é possível saber de antemão de que lado e quando será marcado o gol, além disso, à margem destes acontecimentos centrais, muitos outros podem acopntecer que provocam manifestações ruidosas. A voz é ouvida com freqüência e em ocasiões distintas. [...]. Trecho da obra Massa e poder (EdUnB, 1983), do escritor e ensaísta búlgaro e Prêmio Nobel de Literatura de 1981, Elias Canetti (1905-1994). Veja mais aqui e aqui.

IBIRAJUBA – O municio de Ibirajuba é formando administrativa pelo distrito sede e pelo povoado do Alto de São Francisco, possuindo cachoeiras, além de cavernas com pinturas rupestres. Trata-se de vocábulo indígena que significa "árvore amarela", do tupi ybirá: árvore, tronco, madeira; e yuba: amarelo, louro. Originou-se do povoado de Gameleira, árvore comum na localidade. Pertencia ao município de Altinho, sendo criado pela Lei estadual nº 4.943, de 20 de dezembro de 1963 e instalado em 19 de junho de 1964. Possui muitas pedras em seu território, as mais famosas são as duas pedras de Delmiro, um comerciante da região. Localizada em plena Serra da Mandioca, no centro da cidade, existe um açude, que antes de sua escavação, aquela área abrigava a grande e frondosa gameleira, que nomeou a cidade. Veja mais aqui.

DIÁRIO DE ANDRÉ - [...] Que é o para sempre senão o existir continuo e líquido de tudo aquilo que é liberto da contingência, que se transforma, evolui e deságua sem cessar em praias de sensações também mutáveis? Inútil esconder: o para sempre ali se achava diante dos meus olhos. Um minuto ainda, apenas um minuto – e também este escorregaria longe do meu esforço para captiá-lo, enquanto eu mesmo, também para sempre, escorreria e passaria – e comigo, como uma carga de detritos sem sentidos e sem chama, também escoaria para sempre meu amor, meu tormento e até mesmo minha própria fidelidade. Sim, que é o para sempre senão a última imagem deste mundo – não esxclusivamente deste, mas de qualquer mundo que se enovele numa arquitetura de sonho e de permanência – a figuração de nossos jogos e prazeres, de nosos achaques e medos, de nossos amores e de nossas traições – a força enfim que modela não esse que somos diariamente, mas o possível, o constantemente inatingido, que perseguimos como se acompanha o rastro de um amor que não se consegue, e que afinal é apenas a lembrança de um bem perdido – quando? – num lugar que ignoramos, mas cuja perda nos punge, e nos arrebata, totais, a esse nada ou a esse tudo inflamado, injusto ou justo, onde para sempre nos confundimos ao geral, ao absoluto, ao perfeito de quie tanto carecemos. [...]. Trecho extraído da obra Crônica da casa assassinada (Cibilização Brasileira, 2009), do escritor, jornalista, dramaturgo e pintor Lúcio Cardoso (1912-1968). Veja mais aqui.

LADAINHA POEMAS 29, 79 & 97 – 29 – Laura me leva para a água / Não é só assim que somos felizes / Mas aqui somos mais / É bom passar minúsculos / Olhando para uma coisa só / Como se nunca tivéssemos inventado / Uma imagem sequer do futuro / E então ficamos cerca de um minúsculo / Olhando para o mar e fingindo / Que o movimento das ondas / Era parecido com estender lençóis / E quem as estendia éramos nós / Você sabe, a água não para de ser água / E nós não parávamos de tentar ] Arrumar o mar, que não nos incomoda / Ele é um peixe amando outro peixe / Laura gosta de arrumar a cama / Todos os dias, eu desligo o ventilador / Porque a cama é um tipo de mochila / De encosta, de bandeja, de sola de pé / Para os morcegos; prisma ao que gosta / de dormir, balcão ao que gosta de acordar / Não sei explicar mas é como chegar na água / E saber nadar, muito mais ainda assim e por tudo / É sobre conseguir chegar naquilo que eu sou / E cada vez mais perto daquilo que sou com alegria / É uma camisa de força do avesso / Muito boa para mergulho - 79 - Poder é perigo / e hoje acordei / rindo / Dom é tom / e hoje acordei / rindo / Querer é criatura / e hoje acordei / rindo / Na cara a boca / na pia o prato / sujos de feijão. 97. - Escrever é irmão / do andar e primo / do voltar, substitua / No inverno é bom / Escrever com calma / e inventar um cinzeiro flutuante / chegar e sair descalço do poema / No verão bombom / Escrever é sempre / o tempo é uma mula elástica em fuga / e se conselho fosse bom / Sair na rua de moletom. Poemas recolhidos da obra Ladainha (Record, 2017), da poeta e tradutora Bruna Beber.

4 HAICAIS DE BASHÔ
 
O sol de inverno:
a cavalo congela
 a minha sombra.

Chuva de verão
perna de garça
então se torna curta.

Que lua, que flor
nada, bebo umas doses
aqui sozinho.

Quero ainda ver
nas flores no amanhecer
 a face de um deus.
Extraídos do livro Complete Basho Haiku in Japanese (State University of New York Press, 2004), do poeta japonês Matsuo Bashô (1644-1694).

Veja mais:

A poesia de William Blake aqui, aqui, aqui & aqui.
A literatura de Stefan Zweig aqui e aqui.
O pensamento de Claude Lévi-Strauss aqui e aqui.
A literatura de Érico Veríssimo aqui, aqui e aqui.
A psicanálise de Erich Fromm aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do artista italiano Rocco Forgione.
Veja mais aqui.
 

terça-feira, novembro 13, 2007

GOETHE, MESTRE ECKHART, LÚCIO CARDOSO, SUZANA FLAG, EMBOLADA, VIOLÕES DO BRASIL, GONG LI & MUITO MAIS!!!!




AVISO: A CORAGEM É UMA QUESTÃO DE EMBRIAGUÊS. ISSO PORQUE TODO SÓBRIO SABE QUE QUEM TEM CU, TEM MEDO - Já vi que você é persistente mesmo e se chegou até aqui é porque quer entrar no embalo. Então, vamos aprumar. Pra onde? Sei lá! Pra começo de conversa acho que tudo está equivocado na vida. E acredito, mesmo sem ter fé em nada, que a gente não nasce pra viver. Se assim fosse, seria uma parcialidade que não combinaria com o que podemos chamar de verdade, mas só para o equívoco. Agora, tenho pra mim que a gente rebenta mesmo é pra morrer. O que se comemora na ordem crescente quando das festas de nossos aniversários, é a contagem regressiva. E se brechar direitinho no toitiço da pinoia, você vai ver que quanto mais o tempo passa, mais a gente envelhece e se arruma para se escafeder. Aí sim, a meu ver há razão para comemorar porque, afinal, vamos bater a caçoleta a qualquer tropicada mesmo. Quando der fé já fomos pro saco e tudo que a gente fez na vida vai pro beleleu. Então, em razão disso é que eu acho que a vida não é só comer e cagar, beber e mijar, foder e gozar, comprar e passar troco, se pendurar na cacunda dos outros, futucar as oportunidades, se inficar no furico da ocasião para ser melhor que tudo e todos, pois que como estamos todos equivocados, a vida pode ser outra coisa além do que percebemos na nossa caolhice sectária. Veja só, se a gente parar para pensar a merda rá, num é? É, como dizem: pensou, peidou; falou, cagou. Mas como a cabeça não foi feita só para levar gaia ou pra elas darem circuito quando a gente pega o pé-de-pano no bem-bom do sujeito, aí é bom a gente ocupar os miolos com coisa que não bostência de nada. E mesmo correndo o risco eu coloco a questão daquelas três perguntinhas irrespondíveis que ficam martelando o cocuruto do apaideguado: de onde eu vim? Que é que estou fazendo aqui? Pra onde eu vou? Pois bem, se botar na roda, as respostas serão óbvias: você veio da casa-de-caralho, porra! Hum... Quanto ao que você está fazendo aqui, pode testar, pois, a grande maioria dos marmanjos mangadores vai responder na bucha: você veio pra tomar no cu, seu fresco! Com relação à terceira inquirição, todo maloqueiro vai cuspir na sua cara que você vai findar na casa-da-peste! É ou não é? Apois, será que a vida não teria outro sentido? Vamos aprumar a conversa & tataritaritatá! Veja mais aqui.


Imagem: a arte do pintor e ilustrador britânico Spencer John Derry.


Curtindo O cd/dvd/livro Violões do Brasil (Senac, 2007), organizado pela pesquisadora Myriam Taubkin, apresentando a trajetória do instrumento no país. Veja mais aqui.

EPÍGRAFEPara compreender que o céu é azul em qualquer parte, não é preciso dar a volta ao mundo, frase atribuída ao poeta, filósofo e cientista alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

A SABEDORIA E A MAESTRIA – Entre as obras do teólogo, filósofo neoplatônico e místico Mestre Eckhart (1260-1320), um dos grandes símbolos da intelectualidade da Idade Média e fecundo pensador da filosofia medieval, destaco o trecho do seu pensamento: Em verdade, um homem que se tenha despojado inteiramente do que é seu estará de tal modo envolvido por Deus, que nenhuma criatura o conseguirá tocar, sem tocar primeiro em Deus; e aquilo que deverá chegar até ele, deverá primeiro passar por Deus; aí receberá primeiro o seu sabor e tornar-se-á divino. Veja mais aqui.

MALEITA – No livro Maleita (1934 - Civilização Brasileira, 2005), do escritor, jornalista, dramaturgo e pintor Lúcio Cardoso (1912-1968), conta a história de um viajante às margens do rio São Francisco, que funda uma pequena cidade que atrai imigrantes de várias partes e, com eles, a tragédia: a maleita que pode destruir o povoado. Da obra destaco o trecho: Com a doença, os urubus aumentavam. As rodas, no alto, cresciam, silenciosos e inumeráveis. Sobre o rio, as garças fugiam agora. [...] Agua estagnada em latas e bacias abandonas nas vielas. O calor ardendo sobre aquilo tudo, uma preguiça doentia correndo no sangue dos homens, a aldeola, para trás, aborrecida no desespero e inutilidade [...]. Veja mais aqui.

EMBOLADA – No livro Cantadores: poesia e linguagem do sertão cearense (Cátedra, 1978), do escritor, professor, advogado, jornalista e historiador Leonardo Mota (1891-1948), encontro um trecho de uma embolada recolhida pelo autor: Sou cobra de veado, / esturro de leão, / fiz pauta do cão, / mato envenenado, / sou desembraçado, / eu estruo gente, / sou que nem serpente, / rife carregado... / cantado lesado / mato de repente. Veja mais aqui e aqui.

MEU DESTINO É PECAR – Em 2002, tive oportunidade de assistir no Teatro Planetário da Gávea, no Rio de Janeiro, à montagem da peça teatral Meu destino é pecar, de Suzana Flag, pseudônimo de Nelson Rodrigues, com direção de Gilberto Grawronski, contando a história do viúvo Paulo que sem conseguir esquecer Guida, a mulher morta, se casa com uma jovem, Leninha, que não o ama, mas aceita o matrimonio para evitar que o pai alcóolatra vá para a cadeia. Na fazendo onde passará a morar, ela sofre o assédio do cunhado Maurício. O destaque é para atuação das atrizes Bel Garcia, Susana Ribeiro e Malu Galli. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

TEMPTRESS MOON – O filme Temptress Moon (Tentação da Lua, 1996), dirigido por Chen Kaige, conta a história ocorrida em 1912, na queda da dinastia Qing com a abdicação do imperador, provocando o declínio de famílias e a história de crianças que crescem, vão e retornam para Xangai, com a inversão de papéis numa trama para lá de interessante. O destaque do filme vai para atua da atriz chinesa Gong Li. Veja mais aqui.

IMAGEM DO DIA
Todo dia é dia da atriz chinesa Gong Li.
 

VEJA MAIS:

Gruta do Céu, Platão, Manuel Vásquez Montalbán, Brad Fraser, Amos Gitai, Roberta Sá, Bruno Steinbach, Sexualidade Humana, Yael Abecassis & Benvinda Palma aqui

Fecamepa, Franz Joseph Haydn, César Vallejo, Augusto Boal, Teresa Berganza, Sabina Spielrein, Rosa Bonheur, William-Adolphe Bouguereau & Keira Knightley aqui.  


Paul Celan, Elizabeth Savalla, A mulher da sombrinha, Cláudio Santoro, A mulher do pai, Carmine Gallone, Pierre-Paul Prud'hon, Suzy Smith, A lenda de Alamoa, Maria Félix & Carmen Silvia Presotto aqui.  

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Leitora parabenizando o Tataritaritatá!
Veja aqui e aqui.


MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...