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quinta-feira, junho 15, 2023

ALFONSINA STORNI, GALEANO, RUBEM ALVES, CRIATIVIDADE & ALDRAVIAS

 

 Imagem: Acervo ArtLAM.

Ao som da Sinfonietta (1951), da canção coral Salve a juventude (1950), dos 12 prelúdios para piano (1953), do Quarteto de cordas (1945), das Suites para orquestra nº 1 e 2 (1948-1950), dos Poemas Sinfônicos nº 1 – Luzes das estepes (1958) e nº 2 – A façanha do herói (1959), da compositora russa Galina Ustvolskaya (1919-2006). Veja mais aqui.

 

DAS VÉSPERAS DE QUASE – Estradas muitas por onde fui, quase nenhum aceno e esquinas outras trastejando solidões. Escapei de emboscadas inauditas e de quantos nosofóbicos saponizados – ah, eles eram tantos e vinham do paleolítico e iam outros do neolítico no meio da barbárie de agora, todos oriundos ou destinatários de Rungholt e ao som das risadas dos sinos nas costas do Mar de Wadden. Deles a sensação de chuva descarregando coisas do nunca visto, o tempo cobrava recompensas extraviadas. Entre um e outro, eis Brian Jacques elucubrando no passeio: As lágrimas são apenas água e as flores, as árvores e as frutas não podem crescer sem água. Mas deve haver luz solar também. Um coração ferido vai sarar com o tempo, e quando isso acontecer, a memória e o amor daqueles que perdemos ficam selados no nosso interior para nos confortar. De mim o poema resistia na tormenta como se fosse uma carta a um possível morador doutra galáxia, tudo porque estrelas nasciam no chão e eram almas ressurretas. Era como se atravessasse o sertão no meio do mar, como a mata era do rio e o mundo findava no litoral e nunca mais precisasse de morrer todos os dias. Saíam dos escondidos pelo temporal do agreste com a expectativa do que vinha me dizer Dorothy Sayers sorridente: A grande vantagem de dizer a verdade é que ninguém acredita nela... Fatos são como vacas. Se você olhar na cara deles por tempo suficiente, eles geralmente fogem... E com ela fiquei contente por poder ser um mentiroso em Stonehenge e dali juntos escapulimos dos indesejáveis e pegamos carona no asteroide para um passeio numa evaporação cósmica, ou melhor: no meio de uma superposição quântica, sei lá. Ao retornar fui saudado efusivamente pelas filhas de seu Rube que me presentearam esferas de Klerksdorp. Não me contive, parecia menino solto aos brinquedos. Só me dei conta ao ser tocado por Joyce Carol Oates: Todos nós temos inúmeras identidades que mudam de acordo com as circunstâncias... Acho que a arte é a comemoração da vida em sua variedade... Ah, sim, quase nem ouvi direito por causa de velhas vozes dos de mais pra lá ou pra cá, esquecia o que foi dito ou lido, e fiquei como quem perdeu o caminho e não precisava mais ir para lugar nenhum nem voltar, inventando inspiração numa ráfaga da surpresa escatológica porque já superamos todos os limites permitidos para nossa sobrevivência fracassada. Guardei tudo na memória e fiquei só, voo adiante no amanhecer.

 

DITOS & DESDITOS

Imagem: Acervo ArtLAM.

[...] Não é de hoje que a escola é chata. Ela sempre foi assim e isso acontece porque as coisas são impostas às crianças. A prova de que uma criança gosta de ir à escola é se, na hora do recreio, ela está conversando com os amigos sobre as coisas que a professora ensinou. E não se vê isso. Então fica evidente que elas gostam da escola por causa da sociabilidade, dos amiguinhos, por causa do recreio. Mas elas não estão interessadas naquilo que se ensina na escola. Você acha que um adolescente, vivendo na periferia, pode ter interesse em dígrafos (grupo de duas letras usadas para representar um único fonema)? Não tem interesse nenhum. Existe outra expressão terrível: grade curricular. Já brinquei que deve ter sido cunhada por um carcereiro. A criança está vivenciando problemas que não têm nada a ver com os assuntos das aulas. Mas os professores apenas se justificam, dizendo que o programa afirma que é aquilo que se deve ensinar e acabou. Eu diria que na escola tradicional não se leva em consideração o desejo de aprender da criança. Elas expressam isso através dos questionamentos que fazem. [...].

Trecho extraído do artigo Aprender para quê? (Revista Época, 344, 2004), do psicanalista, educador, teólogo e escritor Rubem Alves (1933-2014). Veja mais aqui e aqui.

 

ARTE & CRIATIVIDADE NA EDUCAÇÃO – Durante muitas décadas realizei inúmeras pesquisas a respeito deste tema e, entre estas, encontrei um encaminhamento interessante a respeito: [...] Orientamos os nossos trabalhos assumindo que a Criatividade indica princípios fundamentais para aqueles que pretendem ser criativos em suas práticas artísticas e educativas, tanto para artistas quanto para professores. Compreendemos que a educação assume dois importantes papéis, o de dar acesso ao saber já produzido e de potencializar a ação criadora dos estudantes para que eles, ao longo de sua formação, aprendam a fazer escolhas, definir metas e criar projetos para suas vidas pessoal e profissional. [...]. Trecho extraído da obra Criatividade, educação e arte: potências e desafios (UFES Proex, 2021), da professora Stela Maris Sanmartin, organizadora do volume. A partir daí encontrei maior aprofundamento sobre a temática: [...] a criatividade não resulta de desdobramentos inatos e hereditários, nem tão pouco de relações puramente espontâneas com o meio social, mas apenas se desenvolve por meio da apropriação da cultura. Parece óbvio a afirmação de que não se cria algo novo a partir do nada [...] O papel da educação escolar consiste em produzir, sobre a base biofísica, a humanização dos seres humanos, tendo como referência as máximas conquistas do desenvolvimento já trilhado pelo gênero humano. Assim sendo, a educação escolar possibilita o pleno desenvolvimento da criatividade à medida que coloca os seres humanos em contato com as objetivações mais ricas já elaboradas pela humanidade. É preciso, portanto, subjetivarmos aquilo que fora objetivado pelas gerações precedentes. A formação da criatividade não se dá pelo ensino de saberes cotidianos, espontâneos e de senso comum, mas tão somente por meio da transmissão dos conteúdos clássicos, como é preconizado pela pedagogia histórico-crítica. Quanto mais o indivíduo se apropriar do patrimônio humano-genérico em suas máximas expressões, mais rico será o desenvolvimento do seu psiquismo, o que lhe garante os instrumentos necessários para ser plenamente criativo. Lutar contra a alienação, é possibilitar que as conquistas da humanidade, implementem-se na particularidade da vida dos sujeitos, de modo que os indivíduos estabeleçam uma relação mais consciente com o patrimônio humano-genérico. [...]. Trechos extraídos da obra A criatividade na arte e na educação escolar: uma contribuição à pedagogia histórico- crítica à luz de Georg Lukács e Lev Vigotski (UNESP, 2014), da professora Cláudia Saccomani.

 

CRIATIVIDADE & ARTE – Foi, então, que embarquei no trinômio Educação-Criatividade-Arte ao me deparar com o seguinte:  [...] A criatividade que permeia a Arte e o seu ensino apresenta-se como um conceito importante na constituição humana. [...] Dessa maneira, entende-se que o processo criativo não acontece de forma linear e contínua, mas de maneira dialética e dinâmica. Igualmente, a criatividade não pode ser vista como inata, associada a uma ideia de dom e, sim, como fruto de diversos fatores, dentre eles o acesso aos materiais necessários para a criação, juntamente com a importância da vontade do aluno em desenvolver suas próprias ideias, oriundas de experiências anteriores. [...] a prática educativa deve sair do engessamento de um único foco de trabalho, incentivando os educandos a pensarem sobre novas possibilidades de aprender perante o conteúdo didático apresentado. Por meio da estimulação dos processos criativos dos próprios professores, com a implementação da formação continuada, o docente é levado a uma experiência aplicada desejando trabalhar a criatividade e as potencialidades no contexto escolar. [...] estimulando o uso da criatividade na realização das atividades cotidianas, trazendo a experiência dos alunos para dentro do processo criativo, ofertando e construindo uma prática ligada a aspectos singulares da subjetividade humana, garantindo ao aluno o acesso às mais variadas análises e evitando que ocorra uma limitação e um empobrecimento da experiência educacional. [...]. Trechos extraídos do artigo Arte e criatividade: um olhar sobre a importância das aulas de Arte nos anos finais do Ensino Fundamental (Revista Educação Pública, julho de 2022), do professor e pesquisador Willian Júnio do Carmo. Veja mais aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALMA NUA

Imagem: Acervo ArtLAM.

Eu sou uma alma nua nestes versos, \ Alma nua que angustiada e sozinha \ Deixa suas pétalas espalhadas. \ Alma que pode ser uma papoula, \ Que pode ser um lírio, uma violeta, \ Um penhasco, uma selva e uma onda. \ Alma que como o vento vagueia inquieta \ E ruge quando está sobre os mares, \ E dorme docemente numa fenda. \ Alma que adora em seus altares, \ Deuses que não descem para cegá-la; \ Alma que não conhece cercas. \ Alma fácil de dominar \ Com apenas um coração para partir \ Para em seu sangue quente para regá-lo. \ Alma que quando é primavera \ diz ao inverno que se atrasa: volta, \ deixa cair a tua neve no prado. \ Alma que quando neva se desfaz \ Em dores, clamando pelas rosas \ Com que a primavera nos envolve. \ Alma que às vezes solta borboletas \ Em campo aberto, sem marcar distância, \ E lhes fala libidinosamente das coisas. \ Alma que há de morrer de um perfume, \ De um suspiro, de um verso em que se implora, \ Sem perder, se possível, a elegância. \ Alma que nada sabe e tudo nega \ E negando o bem, o bem propicia \ Porque se nega quanto mais vem, \ Alma que costuma existir como delícia \ Toca as almas, despreza a pegada, \ E sente uma carícia na mão. \ Alma que está sempre insatisfeita com ela, \ Como os ventos ela vagueia, corre e gira; \ Alma que sangra e delira incessantemente \ Por ser a nave que parte da estrela.

Poema da poeta suíça Alfonsina Storni (1892-1938). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 

OUTROS DITOSAquele que mata um homem, mata uma criatura que raciocina, e que é a imagem de Deus; aquele que destrói um bom livro mata a própria razão, mata a imagem de Deus, por assim dizer. Muitos homens não passam de um fardo para a terra; mas um bom livro é o sangue vital, precioso de um espírito de mestre, embalsamado e guardado propositadamente como um tesouro para uma vida além da vida... Pensamento do poeta, polemista e intelectual inglês John Milton (1608-1674). Veja mais aqui.

 

DOS ABRAÇOS – [...] Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o Sul. Ele, o mar, estava do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza. E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: - Me ajuda a olhar! [...]. Trecho extraído da obra O livro dos abraços (L&PM, 2005), do jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015). Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

 

ALDRAVIAS

[…] A alma surge primeiro. O poeta vem depois, juntando os pedaços e dando sentido ao que foi sentido, agora de forma metafórica, artística. [...].

Trecho de Aldravia e catarse, do poeta e professor Admmauro Gommes, extraído da publicação As aldravias dos Palmares: produção de textos poéticos de professores e estudantes (Rascunhos/Semed-Palmares, 2023). Veja mais aqui, aqui e aqui.

 


sábado, dezembro 25, 2021

JOAN DIDION, LATIF PEDRAM, NÚRIA AÑÓ & WALTHER MOREIRA SANTOS

 

 

TRÍPTICO DQP – Labirinto Verbo... – Ao som do álbum Dance: Piano Collection (Chandos, 2008), da pianista britânica Kathryn Stott. – A vida era um salto no quintal, não mais, hoje será de mim no mapa da jornada pelas cartas de tarô: um louco de pedra na porta como se eu fosse o carro da desgraça ladeira abaixo, justiça alguma e a roda da fortuna nas garras do carcará com seu ataque para roubar o vigor dos fracos. Francamente era nada mais que o enforcado suspenso no tempo com o golpe na torre da destruição. Logo apareceu o poeta Virgilio para meu espanto a me mostrar sobre a porta da caverna da sibila de Cumas o desenho da mulher que logo se tornou viva e era a papisa que chegava com o cometa Leonard – ou melhor, como quem esculpida sobre as lajes da catedral para me levar no passo de Yu com a dança de Teseu pelas pedras brancas e azuis escuras da catedral de Amiens, enquanto me purificava para que eu tivesse acesso ao seu lar na The Lotus Eaters. Hem? Lá fez a revelação de tesouro incalculável oculto no seu ventre – o tosão de ouro de Cólquida, as maçãs de ouro do jardim das Hespérides, o machado de dois gumes, mais e mais. E não demorou muito para ser a puta com toda solenidade da cama na viagem iniciatória ao centro escondido de seu clitóris. Muito foi o prazer a percorrer de mãos dadas pelas espiras em degraus do zigurate, alegando me salvar do papa demoníaco, do anjo negro, do mago sobrecarregado de embuste, do imperador corrupto. Eu mais que gostando, como poderia, não sei, era nada mais que a imperatriz a me levar pro seu palco de Madonna sussurrando Celebration ao meu ouvido: I think you wanna' come over… and if it makes you feel good then I say do it, / I don't know what you're waiting for…Feel my temperature rising / There's too much heat I'm gonna' lose control / Do you want to go higher, get closer to the fire, / I don't know what you're waiting for… E deitou-se no chão frio e me fez tirar suas botas, para agarrar-me loucamente e depois me arrastar até ficar nua na cama do palácio cretense de Minos. Era ali Pasifae como se eu fosse o seu touro priápico indomável para todos os orgasmos. E nem bem o primeiro gozo emergiu e ela me deu o fio de Ariadne para enfrentar o minotauro que sou no meu próprio labirinto, a me fazer o enamorado tolo que ia pelos duzentos metros de Chatres, seguindo as suas pegadas que deram num templo de Khajuraho com o aviso de que eu devia encontrar o eremita cego em Angkor. Não era isso que eu queria e ela era uma vairocana no centro da mandala dupla, feito uma japonesa budista de Shingon para me dar o lótus de oito pétalas dos confins tibetanos e ao comê-las logo me apareceu a virgem lua que me deu da sua vagina linda o círculo mágico do labirinto de Leonardo da Vinci. Ao me dar nasceu uma estrela esperança pelas três dimensões de dédalo helicoidal, a me embriagar com a dança em círculos concêntricos do inextrincável segredo de Salomão e as doutrinas ascético-místicas e cabalísticas do ato. Quando olhei direito era ela a alquimista temperante a me oferecer a mandala escondida na caverna do seu sexo para eu poder encarar a morte no templo de Borobudur, onde o Homem de Java me esperava para que ela se tornasse a montanha de Hsinhsien, sim, aquela de Wuchang esperando sentada o seu marido que foi pra guerra e nunca mais voltou. Não deu para ver que o Sol raiava e o julgamento seguia célere na janela do mundo. Ao me ver sem saber o que fazer, ela me confidenciou como se fosse Joan Didion: Eu já perdi contato com algumas pessoas que eu costumava ser. Para libertar-nos das expectativas dos outros, devolver-nos a nós mesmos - aí está o grande e singular poder do respeito próprio. Você precisa escolher os lugares dos quais não irá se afastar. Era para eu saber que, na vida, o que se faz, apenas é cavar o próprio buraco.

 


A tertúlia no Deserto Feliz... - Imagem da cenógrafa, ilustradora, performer e artista multimídia Dora Longo Bahia. - Dali a minha cidade era a mesma tal e qual aquele Deserto feliz (2007) do Paulo Caldas: mesmices, vidas bestas, tráfico de animais e de vidas, exploração sexual e o marasmo das doentias pensagens dos que acham que vivem. Estava só e segui meu caminho. Ao dobrar a esquina apareceu-me Jéssica como tantas outras, a me oferecer seu corpo púbere. Estava faminta, dei-lhe um prato de comida e me contou de sua fuga de estupro do padrasto, em busca de um alemão Mark em Berlim. Quando menos esperei, ela não estava mais ali de não mais sabê-la por meses e anos. Apareceu-me, então, Bernardo Soares à procura dela. Não era alemão, pelo sotaque lusitano... Apresentou-se e insistiu para saber onde ela estava, eu não sabia e perguntei por Fernando e ele me disse que o ortônimo estava em tertúlia ébria com seus muitos heterônimos, da qual ele se vira excluído e reduzido à leitura apenas do seu desassossego, mais nada. Não sabia ele que eu sabia dos mares de Admmauro. Quando mencionei, puxou-me pelo braço e no bar mais próximo pediu uma bebida. Ingeriu e pediu outra e mais outra como se aprontasse para um pugilato. Logo se sentou numa mesa armado de copo e garrafa para lamentar o seu desespero – a paixão por ela. Disse-me ser um trivial ajudante de guarda-livros, simples empregado, solitário alfacinha e autor de um único livro inútil e que, para ele, nada valia por ser uma autobiografia sem fatos de quem nunca existiu, tediosa, trágica e indiferente à estética, próprio dos visitantes das casas de pasto. Se um jogo de máscaras, logo entendi, pareceu ter entrado num paroxismo inquisidor: Você conheceu o poeta sul-africano Alexender Search? Soube do filósofo neopagão António Mora que morreu doido num hospício de Caiscais? Já leu o Tratado da Negação e os Princípios da Metafísica Esotérica de Raphael Baldaia? E falou sem parar sobre uns tais Charles, o James Search e o Anon, um certo Jean Seul, o Pacheco, o Pêro Botelho, o Thomas Crosse, nomes e outros nomes que sequer antes ouvira, tão loquazes quanto a sua eloquência. Quase nem entendia direito o que questionava e contava deste ou daquele, ora. Por fim, o olissiponense, quase adernando com sofreguidão de enrolar a língua baça da Baixa pro Tejo, me disse: Se um homem escreve bem só quando está bêbado, dir-lhe-ei: embebede-se. E se ele me disser que seu fígado sofre com isso, respondo: o que é o seu fígado? É uma coisa morta que vive enquanto você vive, e os poemas que escrever vivem sem enquanto... Abruptamente saiu gritando: fogo!

 


O fogaréu de Sheila... - Imagens: a arte da escultora, fotógrafa e artista visual Keila Alaver. - As labaredas eram reais naquela onírica situação. Era como se tudo ardesse com os ventos agourentos de Poi-i-Komri. E não era Gengis Khan pisoteando as páginas arrancadas dos livros da mesquita de Bukara, nem Augusto mantendo suas ideias políticas na Roma antiga contra as obras oraculares e proféticas, ou o cumprimento da ordem do sultão para os que eram contrários ao Alcorão. Não, não era. Também não era a biblioteca do Quixote benzida pelo escrutínio da fúria inexorável e incendiária do padre, do barbeiro e da sobrinha do autor, nem o final do Nome da Rosa de Umberto Eco com o incêndio da biblioteca do mosteiro e o bibliotecário cego Burgo se desesperando com as chamas da fogueira de livros. Não, não era. Muito menos estudantes levados por Goebbels depurando mais de 25 mil livros na limpeza do Ato contra o Espírito Não Germânico, nem aquela triste queima dos 55 mil livros do centro cultural Hakim Nasser Kosrow Balki. Não. Nem o incêndio da biblioteca de Alagoinhanduba, nem aquela diária da Fenelon Biblioteca. Logo ouvi para minha surpresa: Olheu! Era Sheila toda frochosa carregando o anátema dos seus enciumados oitocentos mil maridos. Era ela toda piromaníaca nas minhas ideias a me deixar a par da ocorrência: uma diretora Savonarola do colégio grifado, queria por que queria repetir o incêndio de Persépolis e conseguiu chamar atenção para se eleger prefeita da cidade. Queimou todos os livros da biblioteca e não foi a primeira vez naquela escola. Eu que me inquietava com seu útero imanizante e abrasado, subitamente fui surpreendido por um poetaguado intrometido que imediatamente recitou pra ela: Essa moça é cangaceira / bota o rifle na cintura / enfrenta a feroz criatura / na maior das desgraceiras / se brincar é cachaceira / de tomar o que vier / quem pensa que é mulher / logo vê que é bronqueira. / Essa moça é bandoleira / de endoidar qualquer um / bota amante no jejum / solta vai pela buraqueira / de deixar o cabra apaixonado / com os pneus tudo arriado / amalucado na maior leseira. Ela então fitou o impetuoso dos pés à cabeça, deu-lhe as costas e me entregou um saco contendo as obras do premiado escritor e ilustrador Walther Moreira Santos: O doce blues da salamandra (MXM, 2000), Um certo rumor de asas (Nova Prova, 2003), Helena Gold (Geração, 2003), Dentro da chuva amarela (Geração, 2006), O Ciclista (Autêntica, 2008), O metal de que somos feitos (Cepe, 2014), Todas as coisas sem nome (Cepe, 2017) e Arquiteturas de vento frio (cepe, 2017). Enquanto conferia atordoado pela presença dela, apareceu-me Latif Pedram que jamais conhecera e na hora pensei ser mais um dos apaixonados dela: Nós, os poetas e os escritores afegãos, somos cativos desta encarnação da estupidez que se abateu sobre nós como um manto de chumbo. Quem era? Aquele mesmo que foi o fundador e líder do Partido do Congresso Nacional do Afeganistão e do Conselho do Afeganistão do Tajiquistão! Até ele? Parecia mais mangando da desgraça do nosso genocídio Fecamepa do Coisonário. Ela que me disse quem era e aproveitou para me recitar um poema de Alex Polari: Nossa geração teve pouco tempo / começou pelo fim / mas foi bela a nossa procura / ah! Moça, como foi bela a nossa procura / mesmo com tanta ilusão perdida / quebrada, / mesmo com tanto caco de sonho / onde até hoje / a gente se corta. Era como se ouvisse os trechos do The Dead Writer (Babelcube, 2018), da escritora espanhola Núria Añó: Prefiro estar do lado dos perdedores, das pessoas incompreendidas ou solitárias, em vez de escrever sobre os fortes e poderosos. Uma espera sem fim que aceita como outra parte do que eles chamam de amor. Era ela e esta a minha cidade, Valuna, porque não há mais Bacuna, mulher amada. Até mais ver.

 

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domingo, novembro 14, 2021

JHUMPA LAHIRI, BALTASAR GRACIÁN, JULIANA VALVERDE & JUAREIZ CORREYA.

 

 

TRÍPTICO DQP – A palavra calada... - Ao som dos álbuns Um cravo bem variado (Vol. 1,1996 – Vol. 2, 2006) e Um pouco de tudo (A Little bit of Everything, 2016) da pianista Regina Schlochauer. - Lá vou eu dia mais dia menos insulado em minhas próprias ideias e arroubos. Sigo como quem perdeu a vírgula e foi expatriado, quando não estranho em meu próprio país. Apesar de esgotado como se não tivesse mais nada a fazer, não preciso agradar, nem quero, diante de mim só desvios por descaminhos e bifurcações, nenhum pouso certo. Escapo e me seguro como posso para não ser levado de roldão, porque não quero me salvar dessa enlouquecida dissimilitude no meio de dogmas, superstições e notícias falsas - quantas insuficiências, privações. Na verdade, quanta gente ofendida, mal-humorada, umbigocentrista com seus acicates... Vira e mexe, o que rende? Não mais que loas irreveláveis. Vale dizer, o que quer que se faça, a crassa ignorância de acólitos vetores ressentidos, abraçados com seus próprios rancores e a repetirem aos borbotões o que nunca leram do vetusto Oráculo manual y arte de prudência (Sextante, 2006), do escritor espanhol Baltasar Gracián y Morales (1601-1658): Não se vive seguindo uma só opinião, um só costume ou um só século... Não há nada tão amável quanto a virtude, nem tão detestável quanto o vício. Só a virtude basta a si mesma. Faz-nos amar os vivos e lembrar os mortos... Um homem atento percebe que é ou será visto. Sabe que as paredes têm ouvidos e que o que é malfeito acaba sendo conhecido... Ah, não! Quantas máscaras pros seus disfarces de homo habilis, rudolfensis, erectus, heidelbergensis, neanderthalensis, ergasters, sapiens, fabers, communicans, o ludens do Huizinga, o videns do Sartori, – até o Homo Deus de Yuval Noah Harari:... estamos à beira de uma revolução importante. Os humanos correm o risco de perder seu valor econômico porque a inteligência está se desvinculando da consciência... - e o retrocedens (Vixe! Nossa! Será mesmo?). Nada por acaso. É como se um guarda-chuva encontrasse de novo uma máquina de costura sobre a mesa de autópsia para copularem desordenada e explicitamente. E, por causa disso, o tempo parasse de não mais. Sou salvo porque, de repente, ela chega e ao presenciar todo meu espanto, recitou-me um trecho d’O haver de Vinicius de Moraes: Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura / Essa intimidade perfeita com o silêncio / Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo / - Perdoai-os! porque eles não têm culpa de ter nascido... Ah, como é prazeroso tê-la ali, revê-la, ouvi-la. Em retribuição, saquei do violão e entoei a canção que fiz para A palavra calada de Vital Corrêa de Araújo: desfibra a palavra quando cala / quando o caule da árvore da fala / que é vento verbo e alicerce / anoitece / quando as seivas todas são sugadas / e o trêmulo das folhas proibido / quando os discursos são lacrados / dentro das praças sitiadas / e o som negado aos ouvidos / e o grito cortado na garganta / e o medo aberto no meio abrupto do dia / desfibra a palavra quando a árvore da fala / e os frutos dos gritos são demolidos / pelos silêncios vivos. Sim, anoitecia. Ao final, ela me premiou um sorriso, sabia: era a minha forma de escapar da loucura.

 


Não era apenas uma... – Imagem: arte da artista visual Juliana Valverde: Sigo meu caminho rumo a regeneração fazendo colagens, recortando colando ressignificando ideias relações inquietações através arte arquitetura educação. - Sim, ela me salvou da loucura extrema, muito embora eu saiba que não detenho nenhuma sanidade mental no meio desse genocídio que virou o meu país, no meio desse tempo escatológico de últimos instantes. Sim, foi nos braços dela de Vênus restaurada de Man Ray, como se fosse Juba na pele da atriz neozelandesa Kerry Fox, a me envolver nas cenas do Intimité (2001) de Patrice Chéreau, por todas as manhãs, tardes e noites: embaraçados e sem tem ter o que dizer se não sabíamos nada um do outro. Nela, nada se equiparava: a vida é música e sequer sei em que direção sopra o vento. Para quem audiófilo ou melômano tanto faz – afinal, como já dissera o ensaísta e critico literário inglês, Walter Pater (1839-1894): Toda arte aspira à condição de música. E ela era música e nela sequer sabia por quantos anos consecutivos. Era ela, nada mais.

 


A semana passou... – Tudo passou e passa. E era Admmauro Gommes no Congresso Nacional de Escritores que a Semed-Palmares promoveu no meio da exposição da Biblioteca Municipal das artes do Pintando na Praça, oportunidade em que revi amigamigos & outras personagens de décadas passadas. No Teatro Cinema Apolo, o Carlos Calheiros me levou para um bate-papo na Associação dos Artesãos Palmarenses e, todos os dias, sem desgrudar das comemorações da antologia dos 70 Setembros, do poetamigo Juareiz Correya e o seu Poema vago olhando a cidade: Minha cidade / ficará gravada / num poema lívido e vago. / Não será preciso citar becos e ruas / inevitáveis em sua anatomia. / Nem correr com a memória / as lembranças, e os minutos de agora. / Minha cidade / não será vista / num poema sentimental. / Conservarei oculto até o seu nome / neste poema / de amor silente / às suas coisas, a ela mesma. E esta cidade sou eu dedilhando a minha canção para o poema dele Ponte sobre águas turvas e a gente às gaitadas cultuando Ascenso e festejando Hermilo com os versos do Americanto amar América e eu me sentisse abraçado com José Terra e João Guarani ainda meninos na sala da minha casa, com a maior torcida por Mariama, cantando juntos como se eu fosse Paulo Diniz no Poema para Léa. E era a Livro7 e os sonhos do Recife, os amigos e as rodadas dos pileques exaltados por becos e ruas, os versos e os desenganos, a teimosia, o abraço fraterno e a urgência de vida... Saudades demais... E a salvação novamente é dela no meio do meu naufrágio, sussurrando nua Jhumpa Lahiri ao meu ouvido: Há momentos em que me assombro com cada quilômetro que viajei, cada refeição que fiz, cada pessoa que conheci, cada quarto em que dormi. Por comum que pareça, há momentos em que tudo fica além da minha imaginação... Esta é a verdade sobre os livros: eles permitem que você viaje sem mover seus pés. Tudo é vivo, transpira e geme... Até mais ver.

 

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domingo, novembro 07, 2021

YASMINA REZA, ALICIA DUJOVNE ORTIZ, SEAMUS HEANEY, ROQUE DALTON, ANA SANTIAGO & LANGLOIS

 

 

TRÍPTICO DQP – Trevas da noite no céu do dia & vice-versa... – Ao som da pianista austríaca Emma Schmidt, interpretando obras de Busoni, Alban Berg e Schoenberg no álbum 3 Piano Pieces (Naxxo, 2015). – Sempre tive a impressão de que sou o que escapuliu do vão de quatro paredes e pernas no meio destes atordoados dias. Desde quando seja lá o que for dos caminhos inventados pelas palavras, atento a cada instante, o voo. É como se todo dia fosse véspera de um cataclismo e nada desse por conta, porque um holocausto silencioso e nada suave em sua ameaça. Minhas lembranças são como retratantigos na fabulação livre e sei, cioso em toda parte me espalhei pelas ruas e túmulos, entre vivos e mortos – mais mortos que vivos, eram ou são, não sei -, corpestranhos que professam seus repúdios de nada, soterrados pelos desmandos e complôs. Quão vão tudo se parece e não exagero nem superestimo, muita confusão entre a tenacidade e a intolerância, ceticismo e rancor (e o meu nome escondido na boca dum sapo qualquer, disseram e me rio). Na verdade, mais um momento interrompido – para quem lia O elogio ao ócio (GMT, 2002), de Bertrand Russel: A ideia de que os pobres devem ter direito ao lazer sempre chocou os ricos... O trabalho mantinha os adultos longe da bebida e as crianças afastadas do crime... Eu penso que o fato de se permitir que essas pessoas sejam ociosas não é nem de longe tão nocivo quanto o fato de se exigir dos assalariados que escolham entre o sobretrabalho e a privação... -, era um zunzunzum a tratar de Emma. Quem? Alguém apontou um saco cheio, logo ali abandonado. Aproximei-me e eram publicações, capas duras, brochuras. Logo deu pra ver o volume da Crônica de Lúcio Cardoso; e, ao remexer hesitante, entre outros, logo embaixo o Diário dele. De quem seria? Eram muitos. Mexer não devia, toda precaução. Alguém havia esquecido ali num canto alguns livros, ou jogado no lixo, parece – era prática que se tornou costumeira no país. Curioso, procurei por quem perguntar a posse daquilo. Ao invés disso, o que ouvi foi a respeito de Emma. De novo, quem? Saí acompanhando e constatei que não era a idolatrada ativista Goldman, nem a Bovary de Flaubert, era outra. Ora, quem? Era uma tal que se passava por Schmidt – só depois soubera, na verdade Anna Ecklund (1882-1941) -, que julgavam possuída por espírito maligno, ou coisa do gênero. Vôte! Disseram chamar por não sei quem, enquanto repetiam que era a Banga da Besta que reapareceu e havia endoidecido. De novo? Esse povo crédulo inventa cada coisa. Ah, como tudo anda tão confuso, de perder o fio. Aos sons e gemidos, apareceu-me a poeta argentina, Alicia Dujovne Ortiz: Quando a água / ferve / é / uma chuva calma que dura toda a / tarde mas / quando / o azeite é / frito / é / um aguaceiro violento no verão grandes / gotas quentes beijos de lábios que arrancam / os poros resposta de beijos grossos ou / gotas de pele e ouço / oh eu ouço a / tempestade das cebolas fritas o gemido da / carne na grelha e às vezes das xícaras sim / das xícaras que docemente choram / baixinho se eu as / encher de chá ai / meu Deus um ovo balança quando vou quebrá-lo meu cotovelo na mesa esmaga / parentes e aumento da / dor / pela minha casa pelos meus gestos uma voz conhecida / ! Devo dizer-lhe secretamente que, / na minha infância, mal / conseguia segurar uma / maçã viva / demais com minhas próprias mãos. Eu também, desde criança tudo me escapa entre os dedos, ou dissolve de nem me dar conta, até o sonho na perda da memória.

 


A vida não poupa ninguém... – Imagem: Cassandra implora vingança de Minerva contra Ajax, do pintor neoclássico francês Jerome-Martin Langlois (1779-1838) – Não demorou muito e mais adiante, novamente só no meio da loucura do trânsito inexorável, semáforos, frenagens, roncos de motores, zoadas sonoras, e lá estava mesmo era envolvido na trama do Deus da carnificina (Âyiné, 2021), da dramaturga francesa Yasmina Reza: crianças às agressões, os pais se envolvendo, incialmente, apaziguadores, até o escandaloso irascível de nenhuma conciliação: desaforos, sangue nas vestes, o risível e o patético, a ruína de gente e mundo. Para mim, ali a Loucura repulsiva, como se eu estivesse deveras nas cenas adaptadas por Polanski do teatro dela: aqueles que não se refazem ou não conseguem superar suas perdas e derrotas. Tento por todos os meios poupar a mãe dos salafrários e dos néscios, sobreviventes do genocídio como eu, quase impossível. Ou melhor, tal como Sobre nossa moral poética, do poeta salvadorenho Roque Dalton: Não confundir, somos poetas que escrevem / da clandestinidade em que vivemos / Não somos, pois, cômodos e impunes anônimos: / de frente estamos contra o inimigo / e cavalgamos muito perto dele, na mesma trilha. / E o sistema e os homens / que atacamos através de nossa poesia / com nossa vida lhes damos a oportunidade de que sejam cobrados / dia após dia. Sim, no fim é tudo muito tristalegre, confusainda, para quem já foi longalém: ainda sofro porque sei que tudo passa, nenhuma dor é maior que a esperança. Esta cidade é a minha – um hospício bizarro a céu aberto -, e algo me diz que ela não mais existe.

 


A mulher-biblioteca... – Imagens: Arte da artista Ana Santiago. - Desfiava então fiapos de sonhos e afazeres por trezentas vezes tantos dias de não deu ou deu não e extrema solidão. Porque a vida é o que vem depois de ser feliz na grama molhada com o cheiro de coisas agradáveis, até que enfim! E soletrava o nome de tudo que via, o mistério de cada ser e objetos. E a artista que soubera, repentinamente emergiu vigorosa e linda, como se me convidasse pelas dependências do seu ateliê. E fui, entrei e era tudo muito belo e ela me ofertou uma rosa e era o poema (para Marie) do poeta irlandês Seamus Heaney (1939-2013): Amor, aperfeiçoarei para você o menino / Que em meu cérebro com diligência manheira / Cava com pá pesada e faz com relva arrimo / Ou patinha no esterco de funda caleira. / Todo ano eu semeava o metro de jardim. / Com camadas de céspede o muro eu erguia / Para ter distantes galinhas e bacorim. / Todo ano, à entrada deles, o monte ruía. / Ou no lodo sugante eu chapinhava / Com gosto e representava fluidez da caleira, / Mas sempre meus bastiões de argila e vasa / Rompiam-se com a vinda da chuva-criadeira. / Amor, aperfeiçoe para mim este menino / De estreitos e imperfeitos limites quebrando ao léu: / Dentro em novos limites agora, ordene o domínio / E quadre o círculo: quatro paredes e um anel. Fiquei comovido e, ao mesmo tempo, surpreso: dos olhos dela os seus quadros e cerâmicas, cores e risos, e eu me deliciando de sua profusa arte no sorriso poético dos seios de versos e páginas que descobriam seu ventre e coxas e pernas e livros - na minha cabeça ela era bailarina estadunidense Trisha Brown (1936-2017) dançando nua para dinamitar meus pensamentos e emoções. E com a oferta de suas mãos livros emergiam e ela, a mulher-biblioteca, a me dispor do que jamais saberia de todas as coisas e me rendia em lê-la e tudo o mais, até detectar entre os volumes os 31 livros de poemas de Vital Corrêa de Araújo (entre eles, eu vi Revérberos do sal sublevado e Céu – estábulo de relâmpago), os 30 livros de Admmauro Gommes (entre eles Cláudio Veras e a alógica poesia de Vital Corrêa de Araújo e Vate Vital: aspectos da obra poética de Vital Corrêa de Araújo), e muitos outros que me ensinaram ser a vida uma pausa de ondas e luto pelos devires e nada mais restava a não ser inteiro na íntegra gratidão daquele momento. Até mais ver.

 

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