sexta-feira, abril 24, 2020

AGLAJA VETERANYI, NAOMI KLEIN, SARAH LUCAS, SIMONE TEODORO & ORIDES FONTELA


DAS ESFERAS DO TRIVIAL – UMA: É VIVENDO QUE SE APRENDE - Meus pensamentos são desproporcionalmente maiores que o meu tamanho, acho, claro, um batoré troncho e buchudo superando a pequenez. Isso desde menino inventando história para brincar e aparecer. Talvez seja essa a razão das dificuldades em encaixá-los adequadamente. Ou mania de grandeza desarrazoada. Destá. A vida e os livros muito me ensinaram, não sou lá entre os bons e os piores aprendentes, talvez um pouco abaixo da média. Mas me esforço e gosto de descobertas, aprendizados constantes, corro atrás. Comigo o ensinamento da maravilhosa educadora Esther Pillar Grossi: Aprender é estar vivo. Fazer pergunta significa saber algo e estar aprendendo, porque não há resposta sem pergunta. Aprender é curtir a graça da vida. E eu curto essa graça a cada dia, principalmente nesses momentos de clausura compulsória, ocasião que ela aconselha: Que durante esse isolamento, cultivemos o calor da maior solidariedade, para que dele renasça uma nova humanidade, não mais desigual como a de agora. Também espero uma nova humanidade depois que tudo isso passar, porque aprendi: você é o que pensa. E eu penso sempre maior que eu mesmo. Assim voo aprendiz e aprendendo. DUAS: PARA ALÉM DA ESTATURA – Como havia dito, desde menino, sempre pensei muito além da minha idade e medida, talvez de forma descabida, mas ousada, inventando até o disforme ou impossível. Achava graça, morria de rir – como ainda hoje me rio das minhas leseiras que se parecem estupendas quando, na verdade, são meras invencionices – ou serão estultices minhas, hem? Avalie. Lembro ainda jovem quando li o saudoso Hélio Jaguaribe: O homem é uma busca individual de sentido, no âmbito de um cosmos destituído de qualquer sentido. O homem é um primata transcendente; a transcendência é inerente à natureza humana (e mais dele aqui e aqui). Culpa dele, isso me dava uma corda, ainda dá, vou por aí transcendendo. TRÊS: DOS MORALISMOS PARA PORNOGRAFIA & OBSCENIDADE - Transcender de mesmo é preciso com a patetada lá do Planalto Central, com seus conceitos moralistas e fajutos que se impõe ditando lá, na maior confusão do que é lícito ou certo, do que é obsceno ou pornográfico, quando, deveras, são despautérios e cotoveladas! Minha nossa! Acho que a ministrada coisonária não bate bem lá da bola ou são tão estúpidos que não dá nem para levá-los a sério. O que eles propagam são minimamente dislates os mais impensáveis. O que fizeram da minha utopia, hem? Pois bem, a respeito disso vou de José Saramago: Não é a pornografia que é obscena, é a fome que é obscena. Doutra forma, a Andrea Dworkin observa que: Pornografia é a sexualidade essencial do poder masculino: de ódio, de posse, de hierarquia, de sadismo, de dominância. Pois é, a trupe coisada ou é obscena ou tão incompetente que chega a ser pornográfica! E como aprendi com Plutarco que: A mente não é uma vasilha para ser enchida, mas um fogo para ser acendido, da minha parte, eu digo: só há pornografia ou obscenidade onde há preconceito, repressão, discriminação. Vou ali tentar salvar a minha insanidade mental. Até segunda-feira! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] minha cidade se sentiu como a cena de um crime. E os criminosos estão se fundindo com a noite, fugindo da cena. Não, não estou falando dos rapazes de preto que quebraram janelas e incendiaram patrulhas policiais. Estou falando dos chefes de Estado que destruíram as redes sociais de segurança e queimaram empregos bons em meio a uma recessão. Confrontados com os efeitos de uma crise criada pelos estratos mais abastados e privilegiados, decidiram cobrar a conta dos habitantes mais pobres e vulneráveis de seus respectivos países. De que outra forma podemos interpretar o comunicado final do G-20, que nem sequer inclui um mísero imposto sobre os bancos ou as transações financeiras [...] mas diz aos governos que cortem seus déficits pela metade até 2013? Trata-se de um corte enorme e importante, e devemos ser muito claros quanto a quem pagará a conta: estudantes que verão uma deterioração adicional em sua educação enquanto suas mensalidades aumentam; aposentados que perderão seus benefícios duramente ganhos; trabalhadores do setor público cujos empregos serão eliminados. E a lista continua. Cortes desse tipo já começaram em muitos países do G-20 e estão a ponto de piorar. Reduzir pela metade, por exemplo, o déficit projetado dos EUA, sem impor um aumento fiscal substancial, significaria um corte fenomenal de US$ 780 bilhões. Os cortes estão ocorrendo [...]. Trechos de Cobrando do povo pela crise dos banqueiros (Uol Noticias, 2010), da escritora, jornalista e ativista canadense, Naomi Klein que no Diálogo interconvicções: A multiplicidade no pano da vida (IHU, 2020), assinalou que: A Doutrina do Choque é uma estratégia política que consiste em usar crises em larga escala para promover políticas que sistematicamente aprofundam a desigualdade, enriquecem as elites e minam os demais [...] Isso é o que essa espécie de economia de o-ganhador-leva-tudo faz com nosso cérebro. Estamos vendo em tempo real que estamos muito mais interconectados entre nós do que nosso brutal sistema econômico nos faz acreditar. [...] Quando se está em um sistema que se sabe que não está cuidando das pessoas e não está distribuindo recursos de maneira equitativa, então sua parte de ‘monopólio’ se iluminará [...] Podemos pensar que estaremos seguros se tivermos bons cuidados médicos, mas se a pessoa que faz nossa comida, que entrega nossa comida e empacota nossas caixas, não pode sequer pagar pelo teste, e muito menos ficar em casa, pois não recebe licença médica, não estaremos a salvo. [...] Portanto, leve em conta isso e pense em como, em vez de acumular e pensar em como pode cuidar de si e de sua família, pode passar a compartilhar com seus vizinhos e controlar as pessoas mais vulneráveis [...]. Veja mais aqui, aqui & aqui.

A POESIA DE AGLAJA VETERANYI
MÃE - Uma vez uma mãe. Disse para o braço: Filho. /Cortou o próprio braço. / Foi à cozinha e preparou para o braço canja / de galinha. Dizia: Filhinho. Come tudo! A mamãe fez / muita sopa. Isso! Isso! / Depois da comida ela pôs o braço na cama. Cobriu- / o. Cantou o braço até o sono. 
1 CARTÃO-POSTAL - A filha / come as velas de aniversário / não / A mãe / Você é como seu pai! / O pai / fica 20 anos fora / envia depois de 20 anos / 1 cartão postal / telefona depois de 20 anos / 1 vez / canta para a filha depois de 20 anos / 1 canção infantil / A filha / envia para a mulher do pai / 1 a 2 saudações / Depois de 20 anos / o pai volta / e morre / 1 vez.
AGLAJA VETERANYI - A poesia da escritora romena Aglaja Veteranyi (1962-2002). Veja mais aqui & aqui.
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A POESIA DE SIMONE TEODORO
AMOR - Quando a torneira da pia estourou, Ana, eu perdi o controle e soquei o espelho do banheiro respingado de pasta de dente. / Tudo era jorro. Sangue, água e ódio, por muito tempo represados / Passei o ano embalsamando carne morta, Ana. Salgando as vísceras pra esconder o mal cheiro / Ana, eu sei: teu bonde parou de súbito, como um coração. Entraste no inferno e no amor com a lucidez de quem sabe que morre. / Entraste na pior escuridão, a que aterroriza com a visão aumentada do pulsar das coisas / Dentes de cego e chicletes, tua crise / Meu inferno, Ana: um romper de cascas, como o massacre de ovos em tua sacola de compras / Meu inferno: profusão de canos furados, desordem de águas incontroláveis, que ardem a respiração se me atingem as narinas e que devagar / me matam / me matam
COM LICENÇA, COM LICENÇA POÉTICA - Tenho apenas minhas mãos / e um tesão maior que o mundo / A vontade de amor / sempre me paralisou o trabalho / Sou anjo esbelto e safado / Solidão me come por dentro / diariamente / Tenho minhas mão / Sou mulher desdobrável / Eu sou
LITANIA PARA QUANDO DESCARRILAREM OS ASTROS - Eu te supunha / asa / hélice / um retalhar de quedas / Eu te sonhava / rito e rio / e te queria ajustada / a meu dia de chuva / e a minha saudade de árvores / Por equinócios e solstícios vários / te gozei / em poro e pelo / Mas eu era a puta / eu era a puta / e você tinha / a pedra / e a estaca / Por equinócios e solstícios vários / nos esfaqueamos / com furor igual / ao de quando o desejo / nos delirava / por equinócios e solstícios vários / Até que o sal / do mar da mágoa / vestiu a ardência / nossas carnes rasgadas
SIMONE TEODORO - A arte da poeta Simone Teodoro, autora das obras Movimento em falso (2016), Distraídas astronautas (2014) e Também estivemos em Pompeia (2019). Ela é mestre e doutoranda em Literatura Brasileira pela UFMG e possui textos publicados em revistas e jornais, tais como Mallarmargens, Germina, Incomunidade, Suplemento Literário de Minas Gerais e no Jornal O Relevo. Ela também edita o blog Cálida Poesia. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Se este mundo é tudo o que existe; se é só isso, dadas as infinitas possibilidades, por que então é tão tosco?
A arte da artista visual inglesa Sarah Lucas, que possui uma proposta de trabalho artístico com emprego frequente de trocadilhos visuais e humor obsceno, incorporando fotografia, colagem e objetos encontrados. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
A obra da poeta Orides Fontela (1940-1998), autora das obras Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986), Trevo (1969-1988), Teia (1996), Poesia Reunida (2006) e Poesia completa (2015). O documentário Orides: A um passo do pássaro (2000), dirigido por Ivan Marques, conta com diversos trechos de entrevistas feitas com a poeta na década de 1990. A sua biografia, O enigma Orides (Hedra, 2015), do jornalista e professor Gustavo Castro, conta com 22 poemas inéditos descobertos pelo autor, além de sua história. Veja mais aqui & aqui.
A música de Quinteto Violado aqui & aqui.
A arte de Tereza Costa Rego aqui & aqui.
O cordel de José Vila Nova aqui.
O pum da batata aqui.
&
Jurema aqui & aqui.


quinta-feira, abril 23, 2020

KAREN BLIXEN, QORPO SANTO, SUSAN SONTAG & CLÁUDIA JACOBOVITZ


VACILOU, LÁ VÃO TRÊS – UMA: LIVROS SÃO TANTAS VIDAS – Cada dia uma história, uma página virada de uma história inconclusa. Às ruas quantos personagens na verdade são autores de narrativas e enredos inconcebíveis, improváveis, inesquecíveis. Cada fala por mínima que seja tem um contexto, mesmo que se pareça um parágrafo solto no ar. Guardo o sussurro de Pamela Lyndon Travers: Tudo que você precisa fazer é ler seus próprios livros. E escrever o que passou por toda a vida, mesmo que André Gide grite: Se um jovem escritor conseguir abster-se de escrever, não deveria hesitar em fazer isso. É que assim rascunhando a trajetória e percalços, possa ter ótimas descobertas. Eu as tive e tenho, mais terei. Um provérbio árabe diz: A coisa mais difícil para o homem é o conhecimento próprio. Porque, como diz Galileu: A maior sabedoria que existe é a de conhecer-se a si próprio. E o Código de Ética indígena: Procure conhecer-se, por si próprio. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você. Sigo e persevero. DUAS: O CHORO DA SAUDADE - Lembro bem certa tardezinha de sábado de não sei quando mais, na sempre aprazível Maceió, encontro o amigo Íbys Maceyoh numa Roda de Choro. Nada mais convidativo para apreciação. Lá pras tantas, um desfile das inesquecíveis do mestre Pixinguinha. O coração chega se comovia com a tocada. Noite alta, no meio da batucada lembrei-me duma de William Shakespeare: Choramos ao nascer porque chegamos a este imenso cenário de dementes. Pelo menos o Choro lava a alma e restaura para seguir na caminhada da vida. Vamos nessa. TRÊS: ENTRE DOIS INIMIGOS – Ainda bem que existe a música pra gente aguentar a recrucificação cotidiana, como se fôssemos o Jesus do Kazantzákis: um emaranhado de descaso, cobiça, mediocridade, avareza, mesquinhez e a putrefação moral. É o mesmo que dar de cara com o desfile de desfeitas dos Coisomínios, empunhando dois inimigos implacáveis: o Coisonário e o coronavírus, duas pragas para transição dessa década em pleno século XXI. Eles expõem ódios e ressentimentos, se dizendo redentores cristãos da moralidade com gritos de retroação incabível. É nessa que ouso Mark Twain: Se Jesus vivesse hoje, há uma coisa que ele não seria: um cristão. Claro que não, pois Jesus resplandece: Ame seus inimigos, faça o bem para aqueles que te odeiam, abençoe aqueles que te amaldiçoam, reze por aqueles que te maltratam. Se alguém te bater no rosto, ofereça a outra face. Não sei, tomara possamos nos salvar desse reinado de equívocos! E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] E a cada vez que eu lia, seu rosto assumia a mesma expressão de um profundo triunfo religioso, e depois ele alisava meticulosamente o papel antes de dobrá-lo e devolvê-lo ao saquinho. Em vez de diminuir, a importância do relato só aumentava com o tempo, como se o mais incrível para Jogona fosse o fato de ele nunca se alterar. O passado, que tanto lhe custara para recuperar, e que antes provavelmente lhe parecia mudar toda vez que nele pensava, agora havia sido capturado, conquistado e ficado para sempre diante de seus olhos. Ele havia se tornado história: agora não sofria mais variações, nem era obscurecido pela sombra das mudanças. [...] A vizinhança da Reserva de Caça e a presença, além da divisa, de animais de grande porte conferiam à fazenda um caráter peculiar, como se fôssemos vizinhos de um grande soberano. Havia por lá seres muito orgulhosos e dava para sentir sua proximidade. O bárbaro tem em alta conta o próprio orgulho, e odeia, ou vê com desconfiança, o orgulho nos outros. Eu serei uma criatura civilizada, vou amar o orgulho de meus adversários, de meus criados e de meu amante; e minha casa será, com toda a humildade, um local civilizado no meio do deserto. Orgulho é a fé na ideia que tinha Deus ao nos conceber. Um homem orgulhoso tem consciência dessa ideia e procura realizá-la. Não luta para obter a felicidade ou o conforto, talvez irrelevantes para a concepção que Deus tem a nosso respeito. Seu êxito está na bem-sucedida realização da ideia divina e é alguém apaixonado por seu destino. Assim como o bom cidadão encontra a felicidade no cumprimento de seu dever para com a comunidade, do mesmo modo o homem orgulhoso encontra a felicidade no cumprimento de seu destino. [...]. Trechos extraídos da obra A fazenda africana (Cosac Naify, 2005), da escritora Karen Blixen (pseudônimo de Isak Dinesen - 1885-1962). Veja mais aqui.

O TEATRO DE QORPO-SANTO
[...] porque não pode haver mundo, nem haveria distinções se tudo fosse igual. Parece que as diversidades constituem a harmonia na espécie humana. [...]
QORPO-SANTO – Trecho da peça teatral O hóspede atrevido, ou O brilhante escondido, extraído da obra Teatro Completo (UFRGS, 1969), do dramaturgo, escritor e jornalista brasileiro José Joaquim de Campos Leão, mais conhecido como Qorpo Santo (1829-1883). Veja mais aqui e aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
[...] A realidade enquanto tal é redefinida - como um artigo para exposição, como um registo para exame, como um alvo para vigilância. A exploração e a duplicação fotográfica do mundo fragmentam as continuidades e inserem os fragmentos num dossiê interminável, fornecendo assim possibilidades de controlo nunca imaginadas com o antigo sistema de registo de informação: a escrita. [...] as fotografias são uma forma de aprisionar a realidade [...], de a imobilizar. [...] Não podemos possuir a realidade, podemos possuir (ou ser possuídos) por imagens [...] não podemos possuir o presente mas podemos possuir o passado. [...] a fotografia significa um acesso instantâneo ao real. Mas os resultados desta prática de acesso instantâneo são outra maneira de criar distância. Possuir o mundo sob a forma de imagens é, precisamente, reviver a irrealidade e o afastamento do real. [...]
O MUNDO DAS IMAGENS - Trecho extraído da obra O mundo das imagens (Dom Quixote, 1986), da escritora, ensaísta, crítica social e ativista estadunidense Susan Sontag (1993-2004). Veja mais aqui & aqui. E mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Pensei muito nessa coisa da materialidade da fotografia e quis fazer as fotos passarem por experiências.
A arte da fotógrafa Cláudia Jacobovitz aqui & aqui.
A arte do gravurista, pintor, desenhista, ilustrador e professor Darel Valença Lins (1924-2017) aqui, aqui & aqui.
A literatura do escritor e dramaturgo Osman Lins (1924-1978) aqui & aqui.
A música de Geraldo Azevedo aqui, aqui & aqui.
A poesia de Lourdes Sarmento aqui.
Una dos Ambulantes de Deus aqui, aqui, aqui & aqui.
Venturosa aqui & aqui.
 

quarta-feira, abril 22, 2020

MADAME DE STAËL, RITA LEVI-MONTALCINI, ELIS COSTA, COLETIVO LUGAR COMUM & MANGANGÁ


SALVE O PLANETA TERRA! É AQUI QUE VIVEMOS! - UMA: TODO DIA É DIA DA TERRA! – O planeta é a nossa morada, está muito estragado com a intervenção humana. Tenho para mim que a Terra sou eu e todos nós, o abrigo, assim que eu sinto: ela dispõe para que possamos viver e cumprir a nossa missão. Em troco, testamos bombas nos mares e desertos, poluímos tudo, destruímos os ecossistemas e insanamente proliferamos nossa destrutiva insanidade. Além disso, ainda escravizamos e abusamos uns dos outros como se entre nós pudesse haver alguém melhor ou privilegiado pela força, riqueza ou poder. Uma lição da Rita Levi-Montalcini: Não há raças, o cérebro dos homens é o mesmo. Existem racistas. Nós devemos superá-los com as armas da sabedoria. Para que eu viva em paz e em harmonia com tudo e todos, dela sigo: Melhor acrescentar vida aos dias do que dias à vida. Assim sou e voo. DUAS: DO QUE SATISFAZ E NÃO! - A vida em primeiro lugar. Não é possível que se promova a exposição humana diante de uma situação tão devastadora e letal. É impossível que se pense em vendas e lucros acima da condição humana, sobretudo numa situação emergencial. Recolho de Immanuel Kant a fala mais que apropriada neste e em qualquer momento desastroso: Eu não aceito que a ética do mercado, que é profundamente malvada, perversa, a ética da venda, do lucro, seja a que satisfaz ao ser humano. Só um louco pode desejar guerras. A guerra destrói a própria lógica da existência humana. E dele o sentimento que me faz consternado: A inumanidade que se causa a um outro destrói a humanidade em mim. TRÊS: INVENTO VIVER! - Piso o chão e sou em direção ao Sol se não houver caminhos aos ventos propícios. Persevero a cada passo e voo pelo que inexiste nas aparências, essencialmente a seguir sem ter que mensurar de tempo ou espaço. Ouço Vladimir Nabokov na minha caminhada: Invente o mundo! Invente a realidade! E assim persigo a minha trajetória, no que ele ecoa no coração: Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz entre duas eternidades de escuridão. A vida é um grande nascer do sol. Não vejo por que a morte não deve ser uma coisa ainda maior. E renasço a cada dia. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Que magia a linguagem do amor toma à poesia e às belas artes! Como é belo amar pelo coração e pelo pensamento! Deixar-te penetrar pelas obras-primas da imaginação, que dependem, todas, do amor; encontrar nas maravilhas da natureza e do gênio algumas expressões a mais para revelar nosso próprio coração. Expressão da romancista e ensaísta francesa, Anne-Louise Germaine Necker, baronesa de Staël-Holstein e mais conhecida como Madame de Staël (1766-1817). Veja mais aqui.

MANGANGÁ & DICIONÁRIO HUMORÍSTICO
Não tenho medo de homem / nem do ronco que ele tem / o mangangá também ronca; vai-se ver, não é ninguém.
MANGANGÁ - Provérbio popular no Nordeste, recolhido do Dicionário humorístico (Leia, 1958), de Folco Masucci. O mangangá é um besouro muito ruidoso, que às vezes assusta, pelo barulho que faz, mas é inofensivo. Assim são certas pessoas, que fazem ameaças em altas vozes, mas se acovardam quando encontram pela frente adversários destemidos. O provérbio serve de advertência a pessoas de tal espécie. Veja mais aqui.

COLETIVO LUGAR COMUM
No Brasil, a dança sempre se organizou no sentido de companhias, com um diretor que gerenciava tudo. Só nos anos 2000 em diante é começaram a surgir os coletivos. Tentamos manter a individualidade e a força criativa de cada um, mas cientes de que estamos tentando criar juntos um algo em comum.
COLETIVO LUGAR COMUM - Ao iniciar suas atividades a partir de agosto de 2007, o grupo de dança Coletivo Lugar Comum reuniu artistas das mais diferentes linguagens, como dança, teatro, música, artes visuais, performance e literatura, tornando-se em um espaço para troca de saberes diversos na busca de propostas que tenham a potência de transformar(nos), esteticamente, politicamente, culturalmente e artisticamente. É formado por Lorena Cronemberger, Cyro Morais, Luciana Raposo, Maria Agrelli, Paloma Granjeiro, Priscilla Figueiroa, Silvia Goes, Maria Clara e Vi Laraia, agregando 14 artistas que se revezam dando aulas uns para os outros, colaborando nas criações, na produção de projetos, na discussão de textos e ideias, na realização de eventos e oficinas, entre outras atividades artístico-culturais. Em 2019, lançou a publicação Comum Singular: 10/12 anos de Coletivo Lugar Comum, organizada por Roberta Ramos, Liana Gesteira e Conrado Falbo, e construída a partir das memórias individuais de cada um, tornando-se uma retrospectiva dos anos de atuação do grupo. Veja mais aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Foram muitos mesmo os obstáculo quando resolvi fazer da dança a minha procissão. Mas nenhum deles se remeteu a minha condição de mulher. Sim, talvez um resquício de uma tradição antiga fizesse com que algumas pessoas, diante da minha dedicação ao trabalho e minha seriedade, estranhassem que sou bailarina. Talvez esperasse de uma bailarina alguém vulgar, rasa. Como disse, um resquício de um tempo que minha profissão era um eufemismo para puta – associação que é outra generalização. Mas quase nunca senti isso. Sempre o estranhamento foi mais direcionado ao entendimento – ou falta dele – de Dança no senso comum.
A arte da bailarina, professora, intérprete e pesquisadora Elis Costa que é licenciada em História pela UPE, Arte-Educadora pela UFPE e Universidade de Coimbra/Portugal, especializanda em Estudos Cinematográficos pela UNICAP, dedicando-se, ainda ao teatro e atuando como integrante do Meu Coletivo de Teatro e da Compassos Cia. de Danças.
A arte do artista plástico e professor Murilo La Greca (1899-1985) aqui, aqui & aqui.
A música da Orquestra Armorial e do Quinteto Armorial aqui.
A poesia de Lourdes Sarmento aqui.
O cordel de Otacilio Batista aqui, aqui & aqui.
As proezas do Biritoaldo aqui.
Cortês aqui & aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
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terça-feira, abril 21, 2020

HILDA HILST, AUGUSTA SAVAGE, BENEDICTA DE MELLO & EL HOYO


UM DIA & OUTRO, A VIDA - UMA: PRONTO PRA VIVER – Meu coração amanheceu inchado. Apesar do sorriso, dói esse tempo triste de tantas incertezas. Enquanto alguns tantos dormem para nunca mais nas garras da celerada pandemia, outros vão apreensivos sem saber para onde, enquanto estúpidos sonegam a vida evocando irresponsavelmente por uma treva totalitária. Não há o que dizer diante disso tudo. Resta o alento da canção e Nina Simone me diz: Esse é o mundo que vocês construíram, agora vão ter que viver nele. Guardo-a comigo e ainda ouço a me embalar: Você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não estiver mais sendo servido. Eu te digo o que a liberdade significa para mim: não ter medo. E vou adiante enquanto ela eterna e pronta pra cantar. DUAS: NEC MORTEM EFFUGERE QUIS, QUAM, NEC AMOREM POTEST - Sim, pronto para viver! Não poderia ser doutra maneira. Passos, dias, tudo segue uma trajetória imprecisa pelo que foi e o que virá. Enquanto respiro, o meu coração incha de amor, apenas. Mesmo que as cenas diárias sejam bolas para fora de campo, é preciso viver e amar. Ou como diz Publírio Sírio: Ninguém pode fugir nem ao amor, nem à morte. Vivo e persevero. TRÊS: A PEITICA DE TODO DIA & O DIA TODO – Barulhada no pé do ouvido: Essa ocupação de ler o dia todo só endoida. Escrever não é profissão, fazer arte não é emprego certo! Esse negócio de música autoral é baboseira, não faz sucesso! Ganhou quanto para passar o dia todo só tendo ideia? O cigarro fede, a bebida é pra irresponsável; se sabe, não aprendeu direito, vá orar que é melhor. De que adianta estudar tanto para não dar em nada! Ufa! Ah, quem aguenta tanta buzina no olho da insatisfação, hem? Chatura braba, reclamações. Nem ligo. Vou de Mário Quintana: Das ilusões / meu saco de ilusões, bem cheio tive-o. / Com ele ia subindo a ladeira da vida. / E, no entretanto, após cada ilusão perdida... /Que extraordinária sensação de alívio! E o coração inchado de amor. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] XVIII - Palomita, lembras-te que mergulhavas o meu pau na tua xícara de chocolate e em seguida me lambias o ganso? Ahhh! tua formosa língua! Evoco todos os ruídos, todos os tons da paisagem daquelas tardes… cigarras, os anus pretos (aves cuculiformes da família dos cuculídeos… meu Deus!) e os cheiros… o jasmim-manga, os limoeiros… e teus movimentos suaves, alongados, meus movimentos frenéticos… Ahhh! Marcel, se te lembras, sentiu todo um universo com as dele madeleines… Deve ter sugado aquela manjuba magnífica do dele motorista com madeleines e avós e chás e tudo… Ah, irmanita, as cortinas malvas, a jarra de prata, os crisântemos dourados, algumas pétalas sobre a mesa de mogno, tu diluída nos meus olhos semicerrados, teu hálito de chocolate e de… “solução fecundante” como diria aquele teu juiz. Ando me sentindo um escroto de um escritor e quando isso começa não acaba mais. O que me faz pensar que eu talvez os seja é toda aquela minha história-tara do dedão do pé do pai. Pulhices de escritor. Outro dia contei ao Tom a história do dedão do pai, como se fosse a história de outro cara, não a minha. Sabes o que me respondeu? “Se algum filho meu tivesse a tara de me chupar o dedão eu dormiria armado.” Ciao. Petite chegou. Apaixonou-se. Uma maçada. Continuo daqui a pouco. [...]. Trecho da obra Cartas de um sedutor (Globo, 2001), da escritora e dramaturga Hilda Hilst (1930-2004), que juntamente com A obscena senhora D (Globo, 2001) e O caderno rosa de Lori Lambi (Globo, 2001), integram a trilogia erótico-pornográfica da autora. O volume das cartas conta o cotidiano de um homem rico, amoral e culto, que busca a explicação para sua incompreensão da vida através do sexo. Ele escreve e envia vinte cartas provocativas para sua casta irmã, textos que se misturam à vida de Stamatius, um poeta que encontra no lixo os manuscritos dele. Após a primeira leitura, percebe-se que ambos – o autor das cartas e o poeta leitor - são a mesma pessoa em tempos e condições diversos, mas com posturas diferentes diante dos mesmos questionamentos. Da mesma autora destaco o poema: Ama-me. Ainda é tempo. Interroga-me. / E eu te direi que nosso tempo é agora. / Esplêndida de avidez, vasta ternura / Porque é mais vasto o sonho que elabora / Há tanto tempo sua própria tessitura. / Ama-me. Embora eu te pareça / Demasiado intensa. E de aspereza. / É transitória se tu me repensas. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

EL HOYO – O POÇO
A ficção suspense/terror El Hoyo (O poço, 2019), dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia, tem como cenário um grande Centro Vertical de Autogestão, em estilo de torre, onde os moradores, que são trocados periodicamente aleatoriamente entre seus muitos andares, são alimentados por uma plataforma, inicialmente cheia de comida, que desce gradualmente pelos níveis . É um sistema destinado a causar conflito, pois os residentes nos níveis mais altos podem comer o máximo que podem, deixando cada vez menos para os que estão abaixo. Todo mês, as pessoas são aleatoriamente transferidas para um novo nível. Cada residente pode trazer um item, um deles, o protagonista, escolheu uma cópia de Dom Quixote e um outro uma faca auto-afiável chamada Samurai Plus. O filme estreou e ganhou o People's Choice Award no Festival Internacional de Cinema de Toronto de 2019. As críticas classificaram o filme como um thriller distópico inventivo e cativante. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Ouço tantas reclamações no sentido de que os negros não aproveitam as oportunidades educacionais oferecidas. Bem, uma das razões pelas quais mais da minha raça não se dedica ao ensino superior é que, assim que um de nós coloca a cabeça acima da multidão, existem milhões de pés prontos para esmagá-la novamente àquele nível morto do lugar-comum, criando um prazo racial da cultura em nossa República. Pois como devo competir com outros artistas americanos se não tiver a mesma oportunidade?
AUGUSTA SAVAGE - A arte da escultora e professora estadunidense Augusta Savage (1892-1962), que instruiu uma geração de artistas de reputação internacional e foi grande ativista pelos direitos civis dos negros. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Não vi ciscar a terra o pintainho, / nem vi no lago espreguiçar-se a lua. / Não vi num ramo balouçar-se o ninho, / nem no dorso do mar vi a falua. / Não vi, em frente, o rumo ao meu caminho... / Vi ruidosa e deserta cada rua... / Meu ser em toda a parte vi sozinho... / Não vi o mato verde, a pedra nua... / Mas se não vi a graça de uma flor, / Nem  plumagem de pássaro cantor, / Bendigo o que não vi, para bem meu... / Não vi o olhar de quem renega... / E a dor de minha mãe ao ver-me cega... / E o rosto de meu pai, quando morreu...
Bendita cegueira, soneto da escritora e educadora Benedicta de Mello (1906-1991), que era cega de nascença e fundou instituições sociais para cegos, tendo publicado diversos livros de poemas.
A obra do médico, professor catedrático, pensador, ativista político e embaixador do Brasil na ONU, Josué de Castro (1908-1973) aqui, aqui, aqui & aqui.
A música do o saudoso arranjador, maestro, compositor e multi-instrumentista Moacir Santos (1926-2006) aqui & aqui.
A poesia de Lelé Correia aqui.
O cordel de Manoel Monteiro aqui.
Cantador aqui.
São José da Coroa Grande aqui & aqui.


segunda-feira, abril 20, 2020

AMANDA PALMER, DJANIRA, ROSA LOBATO, MÁ MATIAZI, TIÊ & KARINA FREITAS


MANUAL DE ESTUPIDOLOGIA – UMA: CONDIÇÃO HUMANA & BANALIZAÇÃO DA MALDADE – Que mundo é este hem? Que coisa! Da para enxergar? Em tempos da Idiocracia do Coiso e seu mínions, cafos & fabos, anestesiados pelo ódio, enquadrados na Lei do Cipolla (aquele mesmo que assinala que o estúpido é mais perigoso que o bandido) e no emburrecimento, imbecilização e insanidade, questiona-se se não seria própria da barulhenta barbárie a afeição pela espetacularização da desgraça e a sedução pelo sangreiro em que a banalidade do mal se sobrepusesse à potência do bem, levados pela vingança e o julgamento de quem estiver fora desses padrões. Quanta mediocridade! O alerta de Hannah Arendt: Vivemos tempos sombrios, onde as piores pessoas perderam o medo e as melhores perderam a esperança. Ela nos ensina que o mal não está somente no outro. Hem? Afinal, quem comete o mal? Se não é o outro e não sou eu, quem? Ninguém é culpado. Mesmo? Quem é ninguém? Nenhum alguém, nem eu? Cadê minha sombra que me esqueci do que sou e não sei. DUAS: A CONDIÇÃO HUMANA ENTRE A NORMOSE & A DESUMANIDADE - Alô, alô! Tem alguém aí? Ah, não! Segue-se atolados na normose, simples servidão a cumprir regulamentos e regras simplesmente, não precisa pensar e nem procurar sentido algum para nada, viver apenas burocraticamente, livre de ter escolhas entre o verdadeiro e o falso. Não ao justo ou direito, o menor prejuízo; não a verdade, a ignorância diante de tantas informações. Isso é vida? A simples sobrevivência com as muletas tecnológicas e mais nada: não se precisa mais de ninguém. Ouvi Bernard Shaw: O maior pecado para com os nossos semelhantes, não é odiá-los mas sim tratá-los com indiferença; é a essência da desumanidade. Eita! Ou, por mim, Anatole France: Preferi sempre a loucura das paixões à sabedoria da indiferença. É que a indiferença, então, seria ou não a nossa condição de desumanidade. O que fizeram da minha utopia? TRÊS: CREPÚSCULO DAS RELIGIÕES, DISTOPIAS & DATAÍSMO – Qual que é: quem tem dinheiro, ganha; quem não tem, amealha amarguras e nunca esqueça dos dízimos, viu! Isso é igual a Mateus 13,13 do Novo Testamento. Agora, sim, a lei do dataísmo em vigência nos leva pelos algoritmos, entre bits e metadados: o ser humano, então, é só o combustível para converter tudo em dinheiro e lucro, apenas. Tudo para o panteão da riqueza comandado pelo deus dinheiro e deus lucro, santos ricaços e tudo o mais da acumulação terrena. Vôte! Inconformado, quase um patafísico e na tentativa de ser apenas um estúpido a menos, vou cantando Bob Dyllan: Quando não se tem nada, não há nada a perder. E vamos aprumar a conversa, gente! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: [...] É sabido que na infância o tempo não passa, na adolescência demora-se, na idade adulta corre, na velhice precipita-se. Nunca ninguém morre, só quem nós matamos na memória, no pensamento e no coração. Pensamento da escritora e dramaturga portuguesa, Rosa Lobato de Faria (1932-2010), autora desse belíssimo poema: De todas as palavras escolhi água, / porque lágrima, chuva, porque mar / porque saliva, bátega, nascente / porque rio, porque sede, porque fonte. / De todas as palavras escolhi dar. / De todas as palavras escolhi flor / porque terra, papoila, cor, semente / porque rosa, recado, porque pele / porque pétala, pólen, porque vento. / De todas as palavras escolhi mel. / De todas as palavras escolhi voz / porque cantiga, riso, porque amor / porque partilha, boca, porque nós / porque segredo, água, mel e flor. / E porque poesia e porque adeus / de todas as palavras escolhi dor.

A MÚSICA DE AMANDA PALMER
É o seguinte: todo mundo parte de alguma carência. Queremos que nos vejam, nos entendam, nos aceitem, se conectem com a gente. Todos nós queremos que acreditem na gente. A única coisa é que os artistas costumam ser mais… veementes a respeito disso. As pessoas sempre querem alguma coisa de você. Seu tempo. Seu amor. Seu dinheiro. Que você concorde com elas, com as posições políticas e pontos de vista delas. E você nunca consegue dar o que querem. Mas você nunca consegue dar às pessoas o que elas querem. Mas pode lhes dar outra coisa. Pode lhes dar empatia. Pode lhes dar compreensão. E isso é muito, e suficiente.
AMANDA PALMER - A arte da artista, cantora, compositora e pianista estadunidense Amanda Palmer, autora do livro A arte de pedir (Intrínseca, 2015), resultante de uma palestra homônima e que trata essencialmente de recorrer ao outro, sem temor, sem vergonha e sem reservas, considerando que por que não pedimos ajuda, dinheiro, amor, com a mesma naturalidade com que pedimos uma cadeira vazia num restaurante ou uma caneta, na rua, para fazer uma anotação. Ela defende que é digno e necessário, e é a conexão entre quem dá e quem recebe que enriquece a vida humana. Longe de ser um manual sobre como pedir, o livro é uma provocação bem-vinda e urgente, que incita o leitor a superar seus medos e admitir o valor de precisar e doar ajuda, sempre.
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O CANTO DE TIÊ
A arte da cantora e compositora Tiê Gasparinetti Biral, que já lançou quatro álbuns de estúdio e vem despontando como grande artista. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da pintora, desenhista, ilustradora e cenógrafa Djanira Motta e Silva (1914-1979). Veja mais aqui.
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A ARTE DE MÁ MATIAZI
A arte da escritora, quadrinista e ilustradora Má Matiazi. Veja mais aqui & aqui.

PERNAMBUCULTURARTES
Delírios gráficos é como tenho chamado parte de meu trabalho em que me expresso através de colagens. É um misto de brincadeira e experimentação. As imagens são criadas a partir de um processo muito intuitivo, tratam da necessidade de se sentir livre, de se lançar e desfazer certezas, procurar caminhos desconhecidos. Qualquer caminho que tenha coração.
A arte da ilustradora e designer gráfica Karina Freitas, que tem seu trabalho reunido no Projeto Curadoria e Cargo Collective.
A literatura do escritor, dramaturgo, tradutor e advogado Hermilo Borba Filho. (1917-1976) aqui & aqui.
A poesia de Oliveira de Panelas aqui.
A música de Maria Dapaz aqui.
Biblioterapia aqui.
Camões & Camonge aqui.
Tolinho & Bestinha aqui.
São Benedito do Sul aqui & aqui.


GONÇAL MAYOS, MARINE PETROSSIAN, PÉTER NÁDAS & IRANDHIR SANTOS

  Imagem: Arrostar aporias , da série Caosmose & O poema nasce do visinvisível - Acervo ArtLAM .   Fábula dos embeiçados desavindos... ...