sábado, julho 22, 2017

O MEDO DE BAUMAN, QUINTETO VIOLADO, DUOFEL, MEREDITH MONK, RACHEL PODGER, SOPHIA NARRETT & RALPH LEWIS.

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ? - A primeira resposta foi o medo de barata, pois a catsaridafobia é a mais comum entre todas as fobias. A ofidiofobia aparece logo em seguida na mesa das revelações: rastejado de cobra deixa o cabelo em pé de muita gente. Os musófobos também logo se entregam: qualquer remexido de catitas ou guabirus, logo sobem em cima da cadeira. O aracnófobo fica todo arrepiado a qualquer menção de teias, seja das mais pirrototinhas às caranguejeiras, extensivo aos lacraus e similares. Os melissófobos não podem ouvir falar de mel, zangão ou abelha-raínha, que se borram todo. Isso afora tantos outros medos estranhos e incomuns que aparecem. Nem ignoro, pois desde bem criancinha com o boi da cara preta ao não faça isso que o bicho vai lhe pegar, que metem medo na gente, seja no seio familiar, na escola, nos templos, nas relações sociais, tudo sobrecarregado de interditos e punições. No meu tempo mesmo tinha o Velho do Saco, aquele que levaria qualquer criança que causase contrariedade aos pais ou adultos, ou que fosse desobediente ou tranquinas. Eu mesmo cheguei ao ponto de ter medo pavoroso até o do coração de Jesus aceso no alto da sala, de tanto medo que pais e parentes imprimiram na infânca, de passar noites e mais noites sem dormir por causa de um bicho horroroso que havia embaixo da cama. Por conta disso, não largava o cós da saia da minha mãe. Temendo tudo, mortos-vivos, vampiros, espíritos erráticos, a La Ursa, os ETs, os astronautas que foram pra Lua, cavernas, terrenos baldios, casas abandonadas, alagadiços e charcos, ora, fui crescendo e perdendo alguns desses temores, contudo ganhando outros tantos e novos na adolescência. Tanto é que há os medrosos que distribuem seus medos generosamente para todos, como aqueles que temem até qualquer surpresa, a ponto de passar mal ou cair duro com qualquer insinuação de agouros ou acidentes, bem como aqueles geradores das brabas e perogosas circunstâncias malévolas, as quais a gente nem saber mesmo como apareceram, ou de estranhos pânicos que nem sabíamos que tínhamos antes, como os acrófobos ou os abissófobos: as alturas e o abismo são verdadeiros terrores porque levam às quedas intermináveis; os nictóofobos que podem ter ablepsifobia ou acluofobia: o medo de escuro e da cegueira; os isolófobos não podem ficar só, os pirófobos diante de qualquer centelha ou riscado de fósforos, ou os mirmecóbofos que correm diante de qualquer formiga e por aí vai. Os tripanófobos como eu não podem ver seringa ou injeção, lona na hora. Os brontófobos, ceraunófobos ou tonitrófobos não se sentem bem em dias de tempestades com trovoadas e relâmpagos. Os tatófobos possuem o terrível medo de serem entrerrados vivos, ou aqueles que por causa dos filmes viraram selachófobos e, por tabela, talassófobos: nem vão mais à praia temendo serem devorados por cações ou mesmo tubarões. Os que se tornaram tanatófobos que pensam que vão ficar pra semente, ou os que chegaram aos extremos, como os fobófobos ou pantófobos: tudo mete medo, até mesmo as fobias. Quando não ficam paralisados, congelam arrepiados dos pés à cabeça, choram, gritam, mesmo diante de uma lagartixa ou morcegos, sentem tonturas ou mesmo uma fraqueza nos joelhos diante de um caçotinho ou dum cururu no canto do terraço, ou de gafanhotos, libélulas, lesmas, vagalumes, da mesma forma que diante de despachos ou de catimbós. Encontrei quem me dissesse que morre de medo de ladrões, quem não? Fazem questão de dizer que basta qualquer mal-encarado já vai logo se escondendo. Ué? Há quem se renda à rupofobia ou misofobia: basta ver qualquer poeirazinha lá no mais escondido de qualquer móvel que logo perde o controle aos tremeliques. Ou agoráfobos aos montes, bibliófobos incorrigíveis: se eu soubesse quem inventou estudo eu mataria. E fronemófobos nem se fala: ah, dá medo pensar muito e descobrir que não tem mais jeito pra nada, só a morte. Curioso mesmo foi me deparar com eisoptrófobos, sobretudo nesse tempo umbigocentrista de metrossexuais e glamourosas, não é pra menos diante da espetacularização, banalização e naturalização da violência pelos veículos de comunicação de massa, tanto nos telejornais como em programas alarmistas montados sob os mais duvidosos alardes ideológicos. Parece mais que imprimir o medo é a arma pro consumo, desconfio, principalmente pras prescrições de medicamentos com teores de panacéia e do lazer que vende felicidade gratuita. Não me surpreende saber que há medo pra tudo e pra todo mundo, distribuídos no varejo ou no atacado, basta só escolher o mais apreciável pras manias de cada um e meter-se patologicamente no meio dessa redoma. Eu, hem!?! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

O MEDO LÍQUIDO DE BAUMAN
Bizarro, embora muito comum e familiar a todos nós, é o alívio que sentimos, assim como o súbito influxo de energia e coragem, quando, após um longo período de desconforto, ansiedade, premonições sombrias, dias cheios de apreensão e noites sem sono, finalmente confrontamos o perigo real: uma ameaça que pode mos ver e tocar. Ou talvez essa experiência não seja tão bizarra quanto parece se, afinal, viermos a saber o que estava por trás daquele sentimento vago, mas obstinado, de algo terrível e fadado a acontecer que ficou envenenando os dias que deveríamos estar aproveitando, mas que de alguma forma não podíamos -  e que tornou nossas noites insones... Agora que sabemos de onde vem o golpe, também sabemos o que possamos fazer, se há algo a fazer, para afastá-lo – ou pelo menos aprendemos como é limitada nossa capacidade de emergir incólumes e que tipo de perda, dano ou dor seremos obrigados a aceitar. [...] Podemos profetizar que, a menos que seja controlada e domada, nossa globalização negativa, alternando-se entre privar os livres de sua segurança e oferecer segurança na forma de não-liberdade, torna a catástrofe inescapável. Sem que essa profecia seja feita e tratada seriamente, a humanidade pode ter pouca esperança de torná-la evitável. O único início promissor de uma terapia contra o medo crescente e, em última instância, incapacitante é compreendê-lo, até o seu âmago – pois a única forma promissora de continuar com ela exige que se encare a tarefa de cortar essas raízes. O século vindouro pode muito bem ser a época da derradeira catástrofe. Ou pode ser o tempo em que um novo pacto entre os intelectuais e o povo - agora significando a humanidade em seu conjunto – seja negociado e trazido à luz. Esperemos que a escolha entre esses dois futuros ainda nos pertença.
Trechos da obra Medo líquido (Zahar, 2008), do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (1925-2017), tratado sobre a origem, a dinâmica e os usos do medo, o pavor da morte, o medo e o mal, o horror do inadministrável, o terror global e o pensamento contra o medo, fazendo um inventário dos medos presentes e apresentando um diagnóstico mapeado das origens comuns das ansiedades contemporâneas, analisando os obstáculos para o pleno conhecimento da situação e eimaninando os mecanismos que possam deter a influencia do medo sobre as vidas humanas. Veja mais aqui, aqui, aqui & aqui.

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Quando ela dança tangará no céu azul do amor, A condição pós-moderna de François Lyotard, Estética da desaparição de Paul Virilio, a música de Anna-Sophia Mutter, a pintura de Alex Alemany & Eloir Junior, a arte de David Peterson & Luciah Lopez, a poesia de Isabel Furini & Carlos Zemek aqui.

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Elucubrações das horas corridas, O pensamento comunicacional de Bernard Miège, O outro por si mesmo de Jean Baudrillard, a arte de David Lynch & Edilson Viriato, a coreografia de Doris Uhlich, a pintura de Vicente Romero Redondo & Sandra Hiromoto, a música de Sarah Brasil, Efigênia Rolim & Érica Christieh aqui.
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A poética do espaço de Gaston Bachelard, Neurociência cognitiva de Steven Pinker, Visão hoslística em psicologia e educação, a música de Renato Borghetti, a pintura de Antonio Rocco, Mácia Malucelli, Menalton Braff & Diego Lucas aqui.
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Barrigudos, afagando o ego aqui.
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Ah, se em todo lugar houvesse amor, Origem do indivíduo reprimido de Herbert Marcuse, Exército da arte de Vladimir Maiakovski, Teatro pobre de Jerzy Grotowski, o cinema de Ken Loach & Eva Birthistle, a pintura de Edgar Degas, Os Saltimbancos de Chico Buarque, Brincarte & Literatura Infantil & O lobisomem zonzo aqui.
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MEDOS & SUPERSTIÇÕES DE RALPH LEWIS
Deve-se compreender que a superstição jamais existe onde as causas reais de uma coisa ou condição são conhecidas, ou onde o fato pode suplantar a suposição. [...] Quase todo homem acredita que nada realmente acontece por acaso e que existe uma causa para todas as coisas, conhecidas ou desconhecidas do homem. Se o homem compreende a causa, ele tente utilizá-la ao máximo ou procura evitar seus resultados, se os considera perigosos ou prejudiciais. Quando, contudo, não consegue perceber ou compreender a causa, ainda, assim, não declara que a ocorrência foi um acidente. Em vez disso, a atribui, com mais frequencia, a uma causa desconhecida. Porém, a menos que seja bastante inteligente, na maioria das vezes, atribui as causas desconhecidas a poderes sobrenaturais; isto é, se não pode perceber uma causa ou compreendê-la, em sua opinião, ela deve pertencer a outro mundo ou esfera de influencia. Nisso vemos, também, o ego do homem. Este tema e respeita as coisas que não pode compreender ou dominar. [...] Para evitar sermos supersticiosos, o que temos de fazer, é, primeiramente, tentar compreender as causas das coisas; se não conseguirmos, não devemos presumir que conhecemos a causa. Tal presunção, sem base em fatos, é perigosa. Segundo, lembrar-nos de que não existe o chamado sobrenatural; há apenas leis Cósmicas e naturais que existem por todo universo. O sobrenatural é um termo inventado pelo homem, para explicar-se a si mesmo, ou tentar explicar o que não compreende. [...]
Trechos extraídos da obra O santuário do eu (Renes, 1976), do escritor e místico Ralph M. Lewis (1904-1987), que adotou o pseudônomo de Sir Validivar. (Imagem: Sanctuary by Sarah Treanor). Veja mais aqui, aqui e aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o conjunto instrumental-vocal Quinteto Violado, a violinista e maestro britânica Rachel Podger, o Duofel formado pela dupla de violonistas Fernando Melo e Luiz Bueno, e a compositora, performer, vocalista, cineasta e cenógrafa estadunidense Meredith Monk. Para conferir é só ligar o som e curtir.

A ARTE DE SOPHIA NARRETT


KRISHNAMURTI, MILLÔR, CELSO FURTADO, JOSEPH CAMPBELL, BARBOSA LIMA SOBRINHO, GILVAN LEMOS, RIO UNA & MARQUINHOS CABRAL

MARQUINHOS CABRAL: DESDE MENINO SOLTO NA BURAQUEIRA – A gente aprontou muitas e tantas no quintal lá de casa e nos cômodos da casa dele ...