
OS OBJETOS DE BAUDRILLARD
[...] hoje os objetos
tornaram-se mais complexos que o comportamento do homem a eles relativo [...] Somos
continuamente remetidos, por meio do discurso psicológico sobre o objeto, a um
nível mais coerente, sem relação com o discurso individual ou coletivo, e que
seria aquele de uma língua dos objetos [...] O homem é reduzido à incoerência pela coerência de sua projeção
estrutural. Em face do objeto funcional o homem torna-se disfuncional,
irracional e subjetivo, uma forma vazia e aberta então aos mitos funcionais, às
projeções fantasmagóricas ligadas a esta estupefaciente eficiência do mundo
[...] É da frustrada exigência por
totalidade residente no fundo do projeto que surge o processo sistemático e
indefinido do consumo. Os objetos/signos na sua idealidade equivalem-se e podem
se multiplicar ao infinito: devem fazê-lo para preencher a todo instante uma
realidade ausente. Finalmente é porque se funda sobre uma ausência que o consumo
vem a ser irreprimível.
Trechos
extraídos da obra O Sistema dos
Objetos (Perspectiva, 2008), do
sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007), defendendo
que: Sou
um dissidente da verdade. Não creio na ideia de discurso de verdade, de uma
realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim
formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro
refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos
unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais
importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece
no momento, como um fotógrafo. Veja mais aqui,
aqui, aqui, aqui & aqui.
Veja
mais sobre:
O amor
de Naipi & Tarobá, Arte e
percepção visual de Rudolf Arnheim, Eles
eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, Improvisação para o teatro de Viola
Spolin, a música de Vivaldi & Max
Richter, a fotografia de Fernand
Fonssagrives, a coreografia de Regina Kotaka, a pintura de Fernand Léger & a arte de
Eugénia Silva aqui.
E mais:
Duofel, três por um, A sociedade do consumo de Jean
Baudrillard, Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe, Tristão & Isolda
de Richard Wagner, a coreografia da arte de Pina Bausch, o cinema de Roger
Vadim, a pintura de Alice Kaub-Casalonga & Vicente do Rego Monteiro,
a arte de Miles Williams Mathis, Amores impossíveis, Poetas de Palmares & Jayme
Griz aqui.
A cidade, a urbanização e as enchentes & a arte de Márcia
Spézia aqui.
Reino dos sonhos, a literatura de Osman Lins, a poesia de Denise Levertov, A palavra na democracia e na psicanálise de Jurandir Freire Costa, o cinema de Pedro Almodóvar, a música de Renato Borghetti, a fotografia de Laszlo Moholy-Nagy, a arte de Cédric Cazal & Mike Todd aqui.
&
A PERDA
DE INGEBORG BACHMANN
Usámos a dois: estações do ano, livros e uma
música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por Invernos, por um septeto
vienense e por
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(- o jornal dobrado, a cinza fria, o papel
com um aponta-
mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura
inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti,
perdi o mundo.
perdi o mundo.
Poema Uma
espécie de perda, extraído da obra O tempo
aprazado (Últimos poemas 1957-1967 - Assírio & Alvim, 1992), da poeta e
filósofa austríaca Ingeborg Bachmann
(1926-1973).
RÁDIO
TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o compositor
alemão Carl Orff e a sua cantata Carmina Burana &
Streetsong; a violinista britânica Chloë
Hanslip interpretando Mozart, Cinema Paradiso de
Ennio Morricone & Fantasy de Franz Waxman; o pianista Nelson
Freire
interpretando obras de Villa-Lobos & Debussy In Recital; e da pianista e maestro japonesa Mitsuko Uchida interpretando estudo de Debussy & concerto de
Beethoven. Para
conferir é só ligar o som e curtir.
A ARTE DOROTHY
IANNONE
A arte da artista visual alemã Dorothy
Iannone.