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segunda-feira, julho 27, 2020

ANDREA ROSE FRASER, JANET CARDIFF, MARTHA ROSLER, GIANA VISCARD & MARTHA BATALHA



DIÁRIO DO GENOCÍDIO NO FECAMEPA – UMA: LUGAR, LUGARES - Vou, tempespaço & simulacros, piso em falso & ilusões de ótica: um lugar é qualquer, lugares se misturam na diluição das paisagens, um caleidoscópio. Onde estou e para vou dá no mesmo, com se fosse e voltasse o mesmo movimento, nos versos de Antonio Machado: Caminhante, não há caminho; faz-se caminho ao andar. Todo ignorante confunde valor e preço. Passos no encalço da liberdade, a culatrear: o meu país se esfacela, nação destruída como uma dor do peito.

DUAS: UM ANO & 7 MESES - Quase 2 anos de estultices, bate-cabeça e bumba-fuá, ódio e desmonte, incompetência e malvadeza. Não bastando o despreparo, a pandemia vira genocídio entre subnotificações, má vontade política no combate e aparelhamento para a blindagem das manipulações, a derrocada da democracia, degeneração das instituições. Lembra o vaticínio de Jean Baudrillard: O pior num ser humano é mesmo saber demais e ser inferior ao que sabe. Se a coesão da nossa sociedade era mantida outrora pelo imaginário de progresso, ela o é hoje pelo imaginário da catástrofe. Sobre milhares de cadáveres, Coisonário moteja: Não sou coveiro, mas vou enricar com funerária! Esse o porvir crepuscular de um país, o epílogo do Fecamepa!

TRÊS: VOLUNTÁRIA QUARENTENA - Ao longe, o que antes mata ínvia, agora canavial queimando matagal morro acima, terra abaixo. Meus olhos na fumaça do futuro, lacrimeja agora. Carl Jung alertava há tempos: É ilusório imaginar que o homem possa dominar e controlar a natureza, se ele não foi ainda capaz de controlar e enxergar a sua própria natureza. Sua visão se tornará clara somente quando você pode olhar para o seu próprio coração. Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta. Conto nos dedos os instantes circundantes, tudo é muito trágico apesar do radiante Sol da manhã aquecendo a Terra tumular e as dormentes cabeças suicidas. Até amanhã. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais abaixo e aqui.

DITOS & DESDITOS: Eu não sou uma pessoa hoje. Eu sou um objeto em uma obra de arte. Eu poderia ter dado um pouco mais de tempo. É divertido vender grandes obras de arte - e é lucrativo. No final, um bom artista é um artista rico. A maior parte do trabalho que colecionamos é sobre sexo ou excremento. Gostamos de pensar em nós mesmos como conhecedores da subcultura da arte. É preciso muita coragem para fazer o que ela faz. Ela vai muito além de onde a maioria dos artistas tem inteligência ou audácia para operar. Expressão da artista performática e escritora estadunidense Andrea Rose Fraser, durante a exposição performática Official Welcome, uma peça de 30 minutos. Ela desenvolveu ao longo dos anos as performances Museum Highlights (1989), Kunst muss hängen ("Art Must Hang") (Galerie Christian Nagel/Cologne, 2001), Official Welcome (2001), Untitled (2003), Little Frank and His Carp (2001) e Projection (2008). Ela atualmente é chefe de departamento e professor de estúdio interdisciplinar da Escola de Artes e Arquitetura da UCLA na Universidade da Califórnia, Los Angeles.

A ARTE DO SOM DE JANET CARDIFF
Meu principal interesse no som é como ele nos rodeia e nos influencia. É invisível, entra em nosso corpo, mas nos atinge de uma maneira muito tridimensional. Se você olhar para a partitura, é fascinante. Existem oito coros diferentes, e dentro de cada coro há um baixo, barítono, alto, tenor e soprano. Você pode ver a partitura movendo-se da esquerda para a direita na página de um coro para outro, para outro, e então eles se agrupam. Quando vi isso, pensei que seria realmente incrível mostrar como o compositor estava pensando sobre isso. Quando você entra no espaço, está cercado por esse movimento da música de um coro para outro, e então ele pula pela sala para outro coro. Em alguns pontos, vem em ondas e ondula, quase como as ondulações de um rio. Era como se o compositor fosse um escultor, e eu queria mostrar como a peça musical era escultural.
JANET CARDIFF – A arte da artista belga-canadense Janet Cardiff que trabalha principalmente com instalações sonoras na perspectiva de que o som pode trazer uma infinidade de lugares e tempos juntos e tem um enorme potencial para tocar, envolver as pessoas. Em suas obras ela explora a emoção, a memória, e através de efeitos ela cria espaços virtuais ancorados na realidade, o que leva seus visitantes para o cruzamento entre ficção e realidade, espaços ilusórios em que a percepção acústica, bem como a estrutural, desempenha um papel importante onde se reúnem em intensidade hipnótica e emocional. Entre seus trabalhos estão The Murder of Crows (2008), Dark Pool (1995), The Paradise Institute (2001) e The Killing Machine (2007), entre outros. Ela desenvolve uma parceria com o alemão George Bures Miller, com quem realizou O Poço Negro (1995), Paraíso Institute (2001), entre outros.
&
A MÚSICA DE GIANA VISCARD
Muito tempo se passou, mas o caminho aventureiro de criar arte, música com o frescor do risco, do inusitado, ainda está comigo.
GIANA VISCARD - A arte musical da cantora e compositora Giana Viscard, que estudou no Centro Livre de Aprendizagem Musical (CLAM/SP) e na Berklee College of Music, em Boston, participou do Coral da USP e frequentou o Groove, Curso Livre de Música, em São Paulo. Ela já lançou os álbuns Tinge (2003), 4321 (2005) e Orum (2013) e fez turnês internacionais. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Honestamente, comecei como pintora, e essas outras coisas eram uma maneira de expressar algo que não era abstrato, porque fui treinado como pintor expressionista abstrato. Gosto de trazer questões que são relativamente abstratas até o nível pessoal. Eu sempre me interessei em abordar pessoas, principalmente mulheres, mas não apenas mulheres, com a ideia de que você me reconhece por outros seres humanos. Mesmo no nível das roupas, pensando no meu trabalho anti-guerra, eu estava muito interessada em que as pessoas com quem lutávamos não se parecessem conosco e era muito fácil demonizá-las. Portanto, usando roupas como substituto da humanidade, em nosso mundo, fiz uma instalação em que coloquei o nome, data de nascimento e número de prisioneiras de algumas mulheres políticas presas pelo governo do Vietnã do Sul com roupas estadunidenses.
MARTHA ROSLER - A arte da artista conceitual estadunidense Martha Rosler, que trabalha com fotografia e texto fotográfico, vídeo, instalação, escultura e performance, além de escrever sobre arte e cultura, centrada na vida cotidiana e na esfera pública, muitas vezes de olho na experiência das mulheres. Veja mais aquiaqui.

PERNAMBUCULTURARTES
O humor é uma resposta aos absurdos da existência. Sempre quis ser escritora, mas precisava pagar as contas. Por isso escolhi profissões que me mantiveram próxima do mundo da escrita enquanto não tomava a decisão. Durante os anos de repórter, aprendi a escrever com foco, rápido e sob pressão; rodei o Rio de Janeiro e o Brasil, conheci pessoas, dramas, lugares. Depois, com a editora, aprendi sobre todas as etapas do processo de edição. Quando eu me mudei para Nova York, fiz um mestrado e tinha um bom emprego numa editora em Manhattan, mas faltava algo, ou, sendo sincera, faltava tudo. Se eu sempre quis ser escritora, então, o que é que estava fazendo ali, aos trinta e tantos anos, ajudando a editar os livros das outras pessoas? Então comecei a escrever, sem me preocupar muito com o resultado. Era mais um acerto de contas comigo mesma, uma decisão que me deixaria em paz com as escolhas de vida.
A arte da jornalista e escritora Martha Batalha, autora das obras A vida invisível de Eurídice Gusmão (2016) e Nunca houve um castelo (2018).
&
A poesia Ascenso Ferreira (1895-1965) aqui, aqui & aqui.
A literatura do escritor, radialista e compositor Antonio Maria (1921-1964) aqui.
Feito d’versos, do poeta popular José Maria Sales Pica-Pau aqui.
Eita, Zé Bestão aqui.
A música de Alceu Valença aqui.
&
O município de Tamandaré aqui & aqui.


quinta-feira, julho 27, 2017

OBJETOS DE BAUDRILLARD, INGEBORG BACHMANN, CARL ORFF, CHLOË HANSLIP, NELSON FREIRE, MITSUKO UCHIDA, DOROTHY IANNONE & NITOLINO!

NITOLINO NO REINO ENCANTADO DE TODAS AS COISAS - A ideia de criação do personagem Nitolino surgiu com o convite feito pela professora e coordenadora pedagógica, Ceiça Mota, da Escola Estadual Josefa Conceição da Costa, bairro de Canaã, Maceió, para recreações com contação de história em turmas de educação infantil. O que era para ser um único momento findou em contínuas apresentações tanto para alunos da educação infantil até as quartas séries do Ensino Fundamental, com as histórias dos meus livros para crianças, como também para estudantes das demais series do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), para os quais desenvolvi atividades com literatura de cordel, tudo enquadrado ao meu projeto Brincarte nas Escolas. Assim foi ao longo de todo mês de julho em 2008, finalizando com o lançamento dos meus livros infantis Turma do Brincarte e Frevo Brincarte, e do cordel Tataritaritatá, com exposição dos meus outros livros publicados, palestras, contação e cantação de histórias. Depois disso, como eu estava recebendo inúmeros convites dos mais diversos educandários, tanto da rede pública como da rede privada de Alagoas e de outros estados, o personagem foi tomando corpo e, já no mês de agosto do mesmo ano, o Nitolino já se apresentava em colégios, associações de moradores, centros recreativos e de saúde, bem como nos mais diversos auditórios das mais variadas instituições sociais, fato que levou a criação do evento Natal do Nitolino, com o objetivo de levar livros, contação de história e promover o hábito da leitura entre crianças das áreas periféricas das cidades, bem como da participação em eventos nas Bienais do Livro, Convenções, Congressos, Palestras e em mesas de debates, fato este que levou durante os anos de 2009, 2010 e 2011, à realização de temporadas do espetáculo Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas, no Teatro Linda Mascarenhas, em Maceió, concomitante ao lançamento do livro homônimo e da segunda edição do livro infantil O lobisomem zonzo, culminando com a gravação do DVD com o resultado dos espetáculos destinados aos alunos da rede pública de ensino e, posteriormente, abertos para o público em geral. Além do mais, Nitolino nada mais é que a minha eterna maneira de ser menino com a perspectiva de que ser criança é pra brincar e ser feliz; com a esperança de que este possa ser um mundo no qual as pessoas possam construir relações saudáveis respeitando uns aos outros, cuidando do planeta e reconhecendo o outro como extensão afetiva de si e de toda irmandade humana; enfim, a minha crença de que o Brasil possa ser um país melhor, mais justo e solidário, porque todo dia é dia de ser criança. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

OS OBJETOS DE BAUDRILLARD
[...] hoje os objetos tornaram-se mais complexos que o comportamento do homem a eles relativo [...] Somos continuamente remetidos, por meio do discurso psicológico sobre o objeto, a um nível mais coerente, sem relação com o discurso individual ou coletivo, e que seria aquele de uma língua dos objetos [...] O homem é reduzido à incoerência pela coerência de sua projeção estrutural. Em face do objeto funcional o homem torna-se disfuncional, irracional e subjetivo, uma forma vazia e aberta então aos mitos funcionais, às projeções fantasmagóricas ligadas a esta estupefaciente eficiência do mundo [...] É da frustrada exigência por totalidade residente no fundo do projeto que surge o processo sistemático e indefinido do consumo. Os objetos/signos na sua idealidade equivalem-se e podem se multiplicar ao infinito: devem fazê-lo para preencher a todo instante uma realidade ausente. Finalmente é porque se funda sobre uma ausência que o consumo vem a ser irreprimível.
Trechos extraídos da obra O Sistema dos Objetos (Perspectiva, 2008), do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007), defendendo que: Sou um dissidente da verdade. Não creio na ideia de discurso de verdade, de uma realidade única e inquestionável. Desenvolvo uma teoria irônica que tem por fim formular hipóteses. Estas podem ajudar a revelar aspectos impensáveis. Procuro refletir por caminhos oblíquos. Lanço mão de fragmentos, não de textos unificados por uma lógica rigorosa. Nesse raciocínio, o paradoxo é mais importante que o discurso linear. Para simplificar, examino a vida que acontece no momento, como um fotógrafo. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.

Veja mais sobre:
O amor de Naipi & Tarobá, Arte e percepção visual de Rudolf Arnheim, Eles eram muitos cavalos de Luiz Ruffato, Improvisação para o teatro de Viola Spolin, a música de Vivaldi & Max Richter, a fotografia de Fernand Fonssagrives, a coreografia de Regina Kotaka, a pintura de Fernand Léger & a arte de Eugénia Silva aqui.

E mais:
Nitolino na Escola Estadual Josefa Conceição da Costa aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.
Duofel, três por um, A sociedade do consumo de Jean Baudrillard, Histórias extraordinárias de Edgar Allan Poe, Tristão & Isolda de Richard Wagner, a coreografia da arte de Pina Bausch, o cinema de Roger Vadim, a pintura de Alice Kaub-Casalonga & Vicente do Rego Monteiro, a arte de Miles Williams Mathis, Amores impossíveis, Poetas de Palmares & Jayme Griz aqui.
Passando a limpo, O mundo líquido de Zygmunt Bauman & muito mais aqui.
A cidade, a urbanização e as enchentes & a arte de Márcia Spézia aqui.
Reino dos sonhos, a literatura de Osman Lins, a poesia de Denise Levertov, A palavra na democracia e na psicanálise de música de Renato Borghetti, a fotografia de Laszlo Moholy-Nagy, a arte de Mike Todd aqui.
Padre Bidião, extraterrestres & novo messias, a pintura de Gino Severini & Liu Yuanshou aqui.
Aquele torneio de chimbra & a pintura de Almada Negreiros aqui.
Uma lembrança perdida no horizonte, a pintura de Inês Dourado & Mary Qian aqui.
Faça seu TCC sem Traumas: livro, curso & consultas aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

A PERDA DE INGEBORG BACHMANN
Usámos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(- o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um aponta-
mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti,
perdi o mundo
.
Poema Uma espécie de perda, extraído da obra O tempo aprazado (Últimos poemas 1957-1967 - Assírio & Alvim, 1992), da poeta e filósofa austríaca Ingeborg Bachmann (1926-1973).

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje é dia de especiais com o compositor alemão Carl Orff e a sua cantata Carmina Burana & Streetsong; a violinista britânica Chloë Hanslip interpretando Mozart, Cinema Paradiso de Ennio Morricone & Fantasy de Franz Waxman; o pianista Nelson Freire interpretando obras de Villa-Lobos & Debussy In Recital; e da pianista e maestro japonesa Mitsuko Uchida interpretando estudo de Debussy & concerto de Beethoven. Para conferir é só ligar o som e curtir.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte da artista visual alemã Dorothy Iannone.
Veja mais aqui.
 

quarta-feira, agosto 10, 2016

BAUDRILLARD, BLANCA VARELA, RÉGIS DE MORAIS, PEDRO JÓIA, FLÁVIO DE CARVALHO & SONINHA PORTO


SOU UM PEDAÇO DE NADA ARRODIADO DE VIOLÊNCIA POR TODOS OS LADOS - Viver torna-se cada dia mais difícil. Botou o pé fora de casa, a guerra começa: caras fechadas e aborrecidas – muita gente acorda de bragulha virada ou pra trás! -, reclamos e discussões ásperas com ofensas e hostilidades – muita gente acorda reclamando que pisou em rastro de corno! -, assaltos, infrigências no trânsito, bate-boca nas calçadas, desfalques nas contas públicas, malversações e falcatruas, superfaturamentos, propinas, fura-fila e privilégios, espancamentos, assassinatos! Ufa, peraí. Aqui não é a resenha matutina das nossas emissoras de rádios, nem a manchete dos jornais que espremidos só sobram sanguinárias notícias, nem os programas vespertinos da televisão: a violência banalizada. A vida humana, no meio disso tudo, é nada. Apenas, uma manchete de jornal, só pra vender, propagar o ódio e o medo. As muitas formas de violência são geradas por dois modos de ação: a primeira, aquela escondida nos ambientes fechados, gabinetes e escritórios de conivência e antiética, ocasião em que se promovem a injustiça, o desrespeito, o escamoteio e o ludíbrio do erário, da honra e da vida pública; a outra, aquela que surge como efeito e consequência da primeira, em que o ódio, a insensatez e o poder da força irracional humana se viram contra o próprio ser humano e quem quer que seja que se encontre próximo ou ao alcance. Ambas são deploráveis, irrespondíveis e injustificáveis. Sim, afinal estamos no século XXI com as mesmas práticas e comportamentos da mais remota ignorância. Tradução: a gente não evoluiu nada. Enquanto a ciência vai ao ápice para alcance da excelência, continuamos seres primitivos que mal aprendemos a lascar a pedra direito. A indignação cedeu lugar ao banal e costumeiro – todos pensam que tudo isso só acontece com os outros, nunca conosco. A guerra é lá longe, as brigas são pra lá, os problemas são dos outros: essa a cegueira incapaz de ver ao lado – bem do ladinho, tão próximo, quase pegando você aí, olhe o bote! - tudo corroendo e se esvaindo destrutivamente. É que o umbigo não permite olhar nem um palmo além do nariz, muito menos o discernimento de que essa violência é responsabilidade de cada um de nós. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui


Curtindo o álbum Pedro Jóia ao vivo com a Orquestra de Câmara Meridional (2015), do guitarrista, compositor e diretor musical português Pedro Jóia.

PESQUISA:
[...] Onde há medo, há ameaças; e onde estão as ameaças está a violência. [...] a violência está em tudo que é capaz de imprimir sofrimento ou destruição ao corpo do homem, bem como o que pode degradar ou causar transtornos à sua integridade psicquica. Resumindo-se: violentar o homem é arrancá-lo da sua dignidade física e mental. Na verdade, a violência devia ser um anacronismo entre homens desde há tanto tempo doutrinados para o respeito pela vida e pelo semelhante. Isto só mostra, contudo, a inutilidade das doutrinações – principalmente quando são de uma tal hipocrisia que faz compreensível o nível atual da agressividade irracional. [...].
Trecho extraído da obra O que é violência urbana (Brasiliense, 1981), do professor e filósofo Régis de Morais.

LEITURA
Junto ao poço cheguei, / Meu olho pequeno e triste / se fez fundo, interior. / Estive junto a mim, / plena de mim, ascendente e profunda, / minha alma contra mim, / golpeando minha pele, / afundando-a no ar, / até o fim. / A escura poça aberta pela luz. / Éramos uma só criatura, / perfeita, ilimitada, / sem extremos para que o amor pudesse agarrar-se. / Sem ninhos e sem terra para o domínio.
Fonte, poema extraído da obra Canto Villano. (1978 - Voz de la autora (Entre Voces), da poeta peruana Blanca Varela (1926-2009). Tradução de Antonio Miranda – Portal da Poesia Íbero-Americana. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: 
[...] Mas foi o próprio sistema quem criou as condições objetivas dessa reação brutal: recolhendo para si todas as cartas, ele força o Outro a mudar o jogo e a mudar as regras do jogo. As novas regras do jogo são ferozes porque o jogo é feroz. A um sistema cujo excesso de poder coloca um desafio insolúvel, os terroristas respondem por um ato cujo intercambio é insolúvel e impossível. Então é o terror contra o terror. [...] O terror não tem uma finalidade, é um fenômeno extremo, isto é, ele está para além de sua finalidade, de certa forma: ele é mais violento que a violência. [...] o que é insuportável é muito menos a infelicidade, o sofrimento ou a miséria do que a potência e sua arrogância. O que é insuportável e inaceitável é a emergência dessa recente potência mundial.
Trecho de A violência mundial, extraído da obra A violência do mundo (Anima, 2004), do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: GRATIDÃO/CONVITE
Manifesto a minha gratidão pela deferência e convite generoso da poetamiga Soninha Porto, para o evento que será realizado pela Associação Cultural Poemas à Flor da Pele (Imagens: arte de Giovaniung Jung Oliveira). Veja mais aqui.

Veja mais sobre Nascente Poético, Jean-François Lyotard, Jorge Amado, Gonçalves Dias, Flavio Rangel & Millôr Fernandes, Damiano Damiani, Deusa Opália, Emilia Biancardi & Raízes Musicais da Bahia, Max Klinger & Ivoneide Lopes aqui.

DESTAQUE; NEUROFILOSOFIA & NEUROCIÊNCIA COGNITIVA
A reunião regular do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, cedeu lugar para a reunião do projeto Café, Sabor e Saberes, definindo a realização do curso As Pensadoras: As Grandes Mulheres Filósofas da História, a ser ministrado pelo professor Álvaro Queiroz, a partir do dia 30 de agosto, no auditório Iris II, do Cesmac – Maceió – AL. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do do arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, escritor, filósofo e músico Flávio de Carvalho (1899-1973).
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



sábado, julho 23, 2016

BAUDRILLARD, DAVID LYNCH, DORIS UHLICH, BERNARD MIÈGE, EFIGÊNIA ROLIM, VICENTE REDONDO, EDILSON VIRIATO, SANDRA HIROMOTO, ÉRICA CHRISTIEH & SARAH BRASIL

ELUCUBRAÇÕES DAS HORAS CORRIDAS –(Imagem: arte do diretor, roteirista, produtor, artista visual, músico e ator estadunidense David Lynch) – Há tempos eu não sei o que dizer de certas coisas, penso eu haver equívocos demais: intolerância, superficialidade, engodo, tautologias, embustes, ofensas. Danou-se! A cada dia que se passa as pessoas se ofendem com mais e maior facilidade, por isso as relações se tornaram tão voláteis, descartáveis, de tudo não valer um cuspe – principalmente quando ele bate na cara: aí é revertério de pernadas, mãozadas, injúrias, blasfêmias, até perdigoto acidental vira pé de guerra. Como há tempos já se dizia que visita de mais de três dias é a pior das indesejáveis, amizade que dure esse período já é exitosa, avalie: não se atura mais o outro, ou desfizeram-se os laços - amizade só dura o tempo do interesse, amigo só quando se precisa. A necessidade dita as relações, quando fica congestionada por incompreensões ou contaminadas pelas indiferenças – já não há graça alguma em nada -, uma nova substitui feito uma roupa que se troca no cabide, sentimentos na lata de lixo. Tudo só é agradável até a hora da discordância, quando por um cabelinho de sapo emerge inimizades que, no apurado, não se sabe direito como foi que tudo começou: a era da descontinuidade. Parece mais que todo mundo está de saco cheio, sobrecarregado de tédio, esborrando angústia desconhecida, asco de tudo. O adulto gregário só no bar ou na foto de família – esta, por sua vez, só em enterro ou festa que finda com farpas e canivetes afiados -, o umbigocentrismo ocupou tudo e cada um falando pelos cotovelos. Blábláblá. Algaravias. Enquanto isso, eu vou só e a pé pelas ruas, acenando, sorrindo, no luxo que me dou de ser estrangeiro a dar bom dia em qualquer lugar no país em que nasci. Às vezes até me vejo Garabombo, o invisível, destá. E pra quem achou que eu havia morrido, ainda estou vivinho da silva e carregando o coração na ponta dos dedos, acaso algum assaltante fantasma resolva me surpreender pra que eu não tenha mais nada o que fazer. E vamos aprumar a conversa. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

Imagem: a arte da pintora, designer, poeta visual, editora de Artes Visuais do Jornal Memai e especialista em Marketing e poéticas da arte contemporânea, Sandra Hiromoto.

 Curtindo as músicas dos álbuns Saga de Virgulino Ferreira, o Lampião, Astro Rei, Eu quero é cantar Luiz e Sarah Brasil e a sinfonia da passarinhada, da cantora e compositora Sarah Brasil.

PESQUISA:
[...] Uma nova comunicação que se de si para si mesma e onde reina o tautismo, neologismo que condensa tautologia, autismo e totalidade.
Trecho extraído da obra O pensamento comunicacional (Vozes, 2000), do teórico da mídia, administrador acadêmico e professor Ph. D em Economia, Bernard Miège, apresentando a evolução e as principais correntes fundadoras do pensamento comunicacional, destacando as problemáticas surgidas sobre temas como indústrias culturais, a introdução das tecnologias de informação e comunicação na sociedade e nas organizações, e a análise das teorias da comunicação.

LEITURA
[...] Respiro fundo. Essa maldita ansiedade que não me deixa aproveitar mais a minha profissão. Por mais que seja lindo ser professor, ainda há um espinho incomodando o meu coração, que se contorce e queima ao se lembrar do depoimento da Naomi. O fato de agressões sem motivos ou razão acontecerem tão frequentemente com professores, no Brasil, me aterroriza. Não posso evitar de pensar, que talvez a próxima vítima seja eu. Chega até ser ridículo sentir medo daquilo que eu sonhei para minha vida. Enquanto me aproximo da sala, sinto uma mão puxar a minha blusa delicadamente e desperto surpresa com aquele rosto tão angelical, que me olha sorrindo.
Trecho do livro Meu delírio, a ser lançado pela escritora Érica Christieh.

PENSAMENTO DO DIA: 
 [...] não estamos mais no drama da alienação, mas no êxtase da comunicação. E este êxtase é obsceno. [...] caminhamos para um mundo inteiramento funcional, operatório, racional, positivo, sem o mínimo buraco, de uma transparência total, logo, extremamente mortal. [...] o virtual e o viral caminham juntos, a recente irrupção dos vírus eletrônicos oferece uma anomalia remarcavel: diríamos que existe um prazer moleque das máquinas em amplificar; ou em produzir efeitos perversos, em exceder suas finalidades pelas suas próprias operações. Existe aí uma peripécia irônica e apaixonante. Pode ser que a inteligência artificial se parodie a ela mesma nessa patologia viral, inaugurando aqui uma espécie de verdadeira inteligência.
Trecho extraído da obra El otro por si mismo (Anagrama, 1988), do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: 
A arte da premiadíssima dançarina e coreógrafa austríaca Doris Uhlich. Veja mais aqui.

Veja mais sobre Reino dos Sonhos, Osman Lins, Denise Levertov, Laszlo Moholy-Nagy, Mike Todd aqui.

DESTAQUE
A arte da poeta, contadora de história, artista plástica, escultora e estilista Efigênia Rolim – a Rainha do Papel.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
Nu - Acrílico e pastel sobre madeira, do pintor espanhol Vicente Romero Redondo.
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Imagem: arte do escultor, pintor, gravador, desenhista, professor de dança e curador Edilson Viriato.
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja aqui e aqui.



DIDI-HUBERMAN, LINDA DEANE, ADALYN GRACE & MARINÊS

    Imagem: Acervo ArtLAM .   Das loas & toadas no cavalo-marinho... - O afamado artesão Tirésia já nasceu assim: cego e vaticinado...