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segunda-feira, junho 04, 2018

KAFKA, AUDEN, PAULINA CHIZIANE, HERMETO, LUKÁCS, ALAIN RESNAIS, FLÁVIO DE CARVALHO & VITAL CORRÊA DE ARAÚJO


É CADA UMA QUE DÁ DEZ – Imagem: arte do arquiteto, pintor, teatrólogo e escritor Flávio de Carvalho (1899-1973). - Toda madrugada na janela eu converso com ela, a estrela libertária que me guia e ouve, falo pelos cotovelos todos os meus ais e paradoxos. Foi ela quem me ensinou a rir da minha loucura e admirar a dos outros, escondida – cada um esconde como pode; eu escancaro das tripas, coração. Daqui dá pra vê-la a me mostrar o pêndulo das pessoas no agito das vitrines e vidraças, rolês e danças, rodoviárias e aeroportos; ah, sou levado pros invisíveis nos antros dos guetos, abrigos, hospitais, presídios, quanta devastação e o meu coração dói. Vivemos, quer queira quer não, pelo apreço e sofrimento do que tenha ou não, do querem às mãos, braços dados e o que possa a imaginação dos quereres, quanta calamidade nos sentimentos arrebatados. Ninguém é poupado, vassalos da poção do amor na inquietude da paixão e o álibi luzente, as armadilhas dos amantes ancestrais e a vida é a vida, nada e nada mais. Do inopinado sempre o desaviso: o alerta dos sentidos no flerte e o prelúdio, tudo se mistura entre a mira e o alvo, prevalece o frêmito carnal, a chama eletrizante que pulsa na pele e veias, carecimentos e dissipações, clamores e entregas. Nesse torvelinho a razão é o estorvo, seja lá o que Deus quiser, príncipes encantados e donzelas imaculadas que sempre estiveram à espera do amor, o verdadeiro; e o sorvedouro idílico vai na valsa onírica de rosas e nuvens, nada pras ameaças que assomam tácitas entre passos e piruetas. No desfecho, quase impossível sobreviver à provação, quase se morre de tão obcecado e rendido. E em cada um os seus tenebrosos porões e sótãos, entre o que enobrece e o que aflige, o que ama e odeia. Até que a fera ruge, a luz se apaga no coração, quanta fúria e crueldade de sobra e por troco. Aprendi a domar meus monstros com as palavras suaves: o segredo da poesia. Ninguém merece nossos esturros, somos nós mesmos que pagamos o pato, ora. Isso eu sei, guardo comigo. Conquanto, soluções de plantão: é só passar a bronca pro outro, pronto, livrou-se, lavou as mãos, resolvido. No final, luzes e sombras, o casulo se esvai no escuro da solidão e silêncio. Contudo, quem aprende a lição, hem, na verdade olvida, como eu: fazendo uma merda atrás da outra. Porquanto tenha só abusado da sorte na areia da praia, lazer domingueiro ou de feriadão, o castelo de areia, lá vem o mar subindo manso, a maré e não, a onda, não, lá vem, não, pelo amor de Deus não, a água nem aí, não, acabou-se o que era doce. Pra quem vive na corda bamba qualquer sopapo é crucial e haja catabi entrando pela perna de pinto e saindo pela perna de pato. É a vida e lá se vão os ventos omnidirecionais com seus encantos e desamores no fortuito embalo das paixões. É cada uma que dá dez! © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui.

RÁDIO TATARITARITATÁ:
Hoje na Rádio Tataritaritatá especial com a música do compositor e multi-instrumentista Hermeto Pascoal: Live in Montreaux, Zumbumbê bum-á, Slave Mass, Cérebro Magnético, Natureza Universal ao Vivo & Live in Jazz Sous Les Pommiers; & muito mais nos mais de 2 milhões de acessos ao blog & nos 35 Anos de Arte Cidadã. Para conferir é só ligar o som e curtir. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aquiaqui, aqui, aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA – [...] Ah, aprende-se o que é preciso que de aprenda! Aprende-se quando se quer uma saída; aprende-se a qualquer custo. Fiscaliza-se a si mesmo com o chicote; à menor resistência flagela-se a própria carne. A natureza do macaco escapou de mim frenética, dando cambalhotas, de tal modo que com isso meu primeiro professor quase se tornou ele próprio um símio, teve de renunciar às aulas e ser internado em um sanatório. Felizmente saiu logo de lá. [...] Seja como for, no conjunto eu alcanço o que queria alcançar. Não se diga que o esforço não valeu a pena. No mais, não quero nenhum julgamento dos homens, quero apenas difundir conhecimentos; [...]. Pensamentos extraídos de Um relatório para uma Academia (Companhia das Letras, 1999), do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924). Veja mais aqui.

ONTOLOGIA – [...] No trabalho estão contidas in nuce todas as determinações que, como veremos, constituem a essência do novo dentro do ser social. O trabalho pode ser considerado, pois, como fenômeno originário [Urphänomen], como modelo do ser social; o esclarecimento destas determinações proporciona já, portanto, uma imagem tão clara acerca de suas características essenciais, que parece metodologicamente vantajoso começar com sua análise [...] A posição do fim se origina numa necessidade humano-social; mas, a fim de que chegue a uma posição autêntica do fim, a investigação dos meios (isto é, o conhecimento da natureza) deve ter alcançado um determinado nível, coerente com esses meios; se esse nível ainda não foi alcançado, a posição do fim permanece como projeto meramente utópico, uma espécie de sonho [...]. O ponto, pois, no qual o trabalho se relaciona, desde o ponto de vista da ontologia do ser social, com o surgimento do pensamento científico e sua evolução, é precisamente o âmbito por nós denominado investigação dos meios [...] quando os resultados do reflexo não existente se cristalizam numa práxis estruturada em termos de alternativa, a partir daquilo que existe somente de maneira natural, pode surgir algo existente no marco do ser social – por exemplo, uma faca ou um machado –, isto é, surge uma forma de objetividade desse ser existente total e radicalmente nova. Pois, a pedra, na sua existência e em seu ser-em-si natural, nada tem a ver com a faca ou o machado [...] Enquanto ser biológico, o ser humano é um produto da evolução natural. Com sua autorrealização, que, naturalmente, também nele mesmo pode significar um retrocesso dos limites naturais, mas nunca o desaparecimento, a plena superação desses limites, o ser humano ingressa num novo ser e por ele mesmo fundado: o ser social [...] todas as representações ontológicas dos seres humanos, independentemente do grau de consciência em que isso ocorre, são amplamente influenciadas pela sociedade, e não vem ao caso se o componente dominante é o da vida cotidiana, o da fé religiosa etc. Essas representações cumprem um papel extremamente influente na práxis social dos seres humanos, condensando-se com frequência em um poder social real [...] superação da mudez meramente orgânica do gênero, sua continuação no gênero articulado, em desenvolvimento, do ser humano que se forma enquanto ente social, é – considerada desde um ponto de vista ontológico-genético – o mesmo ato que o do surgimento da liberdade [...]. Trechos extraídos da obra Ontología del ser social: el trabajo (Herramienta, 2004), do filósofo, crítico literário e teórico marxista húngaro Georg Lukács (1885-1971). Veja mais aqui e aqui.

BALADA DE AMOR AO VENTO - [...] Meu pai, minha mãe, meus avós e todos os defuntos. Aceitei esta oferta, esta humilhação, que é o testemunho da minha partida. Vou agora pertencer à outra família, mas ficam estas vacas que me substituem1. Que estas vacas lobolem mais almas, que aumentem o número da nossa família, que tragam esposas para este lar, de modo que nunca falte água, nem milho, nem lume [...] É como vos digo, cada mundo tem a sua beleza. No campo é mais belo o rosto queimado de sol. São belas as pernas fortes e musculosas, os calcanhares rachados que galgam quilómetros para que em casa nunca falte água, nem milho, nem lume. São mais belas as mãos calosas, os corpos que lutam ao lado do sol, do vento e da chuva para fazer da natureza o milagre de parir a felicidade e a fortuna [...] venceu-me a carne, venceu-me o coração, sou apenas a escrava do sentimento que é mais forte do que eu [...]. Trechos extraídos da obra Balada de amor ao vento (Ndjira, 2010), da escritora moçambicana Paulina Chiziane. Veja mais aqui e aqui.

DOS POEMAS BREVES E DOS POEMAS BREVES - I - Receio haja muitos caixa-d’óculos filisteus / que preferem o museu Britânico ao próprio Deus. II - Honremos, como ideal, / o homem vertical, / embora valorizemos / só o horizontal, mesmo. III - Rostos particulares em lugares públicos / É coisa mais gentil e mais sensata / Do que, em lugares particulares, rostos públicos. IV - a esperança de um poeta: ser, / Como os queijos de certos vales, / Local, mas estimado alhures. V - Quem poderá jamais imaginar / Calvino, Pascal ou Nietzsche / Como um róseo garoto rechonchudo? VI - sem mãe capaz de amá-lo / Descartes divorciou / a mente da matéria. Poemas do poeta, dramaturgo e editor britânico Wystan Hugh Auden (1907-1973). Veja mais aqui.

A ARTE DE ALAIN RESNAIS
Já destaquei aqui On connaît la chanson (Amores Parisienses, 1997) e o premiado documentário Noite e Neblina (Nuit et brouillard, 1955), do cineasta francês Alain Resnais (1922-2014). Poderia ter muitos outros destaques, a exemplo do polêmico e belíssimo drama-romance Hiroshima mon amour (1959), com roteiro da Marguerita Duras; o drama romântico Mélo (Melodia infiel, 1986), baseado na peça homônima de Henri Bernstein de 1929; o drama ficção científica Je t’aime, je t’aime (Eu te amo, eu te amo, 1968), contando uma viagem no tempo de um suicida que pode reviver; e o drama Muriel ou o Tempo de um Regresso (1963), e muitos tantos outros da lavra. Veja mais aqui e aqui.


O livro Ora pro nobis Scania Vabis, de Vital Corrêa de Araújo & muito mais na Agenda aqui.
&
CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do arquiteto, pintor, teatrólogo e escritor Flávio de Carvalho (1899-1973).
Veja mais aqui.
&
Devoção de amor, a literatura de Philip Roth, o teatro de Maria Clara Machado & a arte de Luciah Lopez aqui.
 

quinta-feira, dezembro 01, 2016

IARA RENNÓ, EDWARD YANG & ELAINE JIN, NORMAN LINDSAY, PINO DAEN & OS AMORES DE EDNEIMAR

OS AMORES DE EDNEIMAR, A VIÚVA NEGRA - Imagem: Meditando con las musas, do pintor e ilustrador italiano Pino Daen (1939-2010) - Edneimar amou. Da primeira vez, ciumenta, possessiva, implacável. Quase morre aos prantos adolescentes, tratada sob calmantes e prescrições médicas. Daquela vez quase não via futuro algum, havia perdido de vez a felicidade, doía-lhe a alma e o coração. Quando saiu do negrume dessa solidão, anos haviam passados e ela se viu nos braços da paixão pela segunda vez. Amou além da conta aos beijos e bocas e sexo, até ver-se arrancada de si, quase levada abismo abaixo. Safou-se das garras da infelicidade, não poupando sofrimentos. Pegou o beco às topadas, levou tudo nos peitos e seguiu em frente. Jurou nunca mais amar, bateu no peito, vida afora. Quando menos se esperava, amou pela terceira vez: uma tórrida paixão que lhe atravessava da vagina à alma coração adentro. Entregou-se sem limites, vida escancarada. Amou profundamente de tal forma imensamente que foi capaz de se perder de si para quase nunca mais voltar. Era a viva outra vez, além de tudo que já pudera. Mas eis que a vida prega das suas peças e o amor sucumbiu contra a sua vontade, negando-se a si e a tudo, revolvendo suas carnes e implodindo seus desejos. Coração dilacerado, juntando os trapos do que restava de amor-próprio, percebeu que homem algum é capaz de amar. Viu-se revoltada e sem estribeiras, arrancando os cabelos, punindo a si mesma. Não podia mais ser assim, nunca mais. Ao primeiro simpatizante deu-se submissa para, em pleno gozo, enforcar-lhe a vida. O segundo que lhe estendeu a mão, ela fez-se amante de todos os prazeres para emborcar-lhe roto na primeira sepultura aberta. O terceiro que lhe sorriu, enfeitiçou-se de todas as acrobacias libidinosas para vergar-lhe priápico no ápice do orgasmo, enterrado na vala da estrada que deixou pra trás. O quarto que lhe acenou e outros tantos que surgiram do nada, todos tragados pela sina de sua inexorável danação. Muitos expiraram sob sua sanha, era pouco, nada lhe satisfazia o íntimo. Insaciável de cio e vingança deu-se de frente entre fotos, cartas, versos e lembranças do último amor que lhe fizera da paixão o ódio mortal. E rasgou tudo, queimou nas brasas do corpo e esconjurou no incêndio do maior gozo a sua solidão e desespero, apagando forçosamente todos os pensamentos e imagens que guardara no mais recôndito do seu ser, daquele último e derradeiro amor, pra nunca mais. Não mais amara, substituindo um e outro por sua salvação, não havia como se satisfazer daquilo. Já condenada por si mesma, tornou-se, talqualmente todos os homens que tivera, incapaz de amar. © Luiz Alberto Machado. Veja mais aqui

 Curtindo o talento e a arte da cantora e compositora Iara Rennó.

Veja mais sobre:
Nada como o sol raiando para um novo dia, Mary Del Priore, Mark Twain, George Frideric Handel, Kóstas Ouránis, Sarah Connolly, Mika Lins, Dora Carrington, Christopher Hampton, Emma Thompson, William-Adolphe Bouguereau, Melanie Lynskey, Mariza Lourenço, Sexualidade & Erotismo aqui.

E mais:
Todo dia é dia da mulher aqui.
O presente na festa do amor aqui.
O serviço público & a responsabilidade do servidor público aqui.
Os crimes de sonegação & o Direito Penal & Tributário aqui.
O tango noturno molhando o desejo aqui.
Fecamepa no reino da ficha suja aqui.
Aids & Educação, John Dewey & Pesquisa em Educação aqui.
A psicologia, os adolescentes & as DST/AIDS aqui.
Fecamepa aqui e aqui.
Palestras: Psicologia, Direito & Educação aqui.
Livros Infantis do Nitolino aqui.
&
Agenda de Eventos aqui.

DESTAQUE: YI YI
O drama Yi Yi (As coisas simples da vida, 2000), do diretor Edward Yang, conta a história que se passa entre um casamento e um enterro, o cotidiano de uma família da classe média de Taipei, visto pelos olhos do filho mais moço, um menino tímido e pensativo. O filme foi premiado em Cannes 2000 e o destaque fica por conta da atriz Elaine Jin.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do pintor australiano Norman Lindsay (1879-1969).
Veja mais aqui, aqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra: Dia Mundial de Combate à AIDS
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.


quarta-feira, agosto 10, 2016

BAUDRILLARD, BLANCA VARELA, RÉGIS DE MORAIS, PEDRO JÓIA, FLÁVIO DE CARVALHO & SONINHA PORTO


SOU UM PEDAÇO DE NADA ARRODIADO DE VIOLÊNCIA POR TODOS OS LADOS - Viver torna-se cada dia mais difícil. Botou o pé fora de casa, a guerra começa: caras fechadas e aborrecidas – muita gente acorda de bragulha virada ou pra trás! -, reclamos e discussões ásperas com ofensas e hostilidades – muita gente acorda reclamando que pisou em rastro de corno! -, assaltos, infrigências no trânsito, bate-boca nas calçadas, desfalques nas contas públicas, malversações e falcatruas, superfaturamentos, propinas, fura-fila e privilégios, espancamentos, assassinatos! Ufa, peraí. Aqui não é a resenha matutina das nossas emissoras de rádios, nem a manchete dos jornais que espremidos só sobram sanguinárias notícias, nem os programas vespertinos da televisão: a violência banalizada. A vida humana, no meio disso tudo, é nada. Apenas, uma manchete de jornal, só pra vender, propagar o ódio e o medo. As muitas formas de violência são geradas por dois modos de ação: a primeira, aquela escondida nos ambientes fechados, gabinetes e escritórios de conivência e antiética, ocasião em que se promovem a injustiça, o desrespeito, o escamoteio e o ludíbrio do erário, da honra e da vida pública; a outra, aquela que surge como efeito e consequência da primeira, em que o ódio, a insensatez e o poder da força irracional humana se viram contra o próprio ser humano e quem quer que seja que se encontre próximo ou ao alcance. Ambas são deploráveis, irrespondíveis e injustificáveis. Sim, afinal estamos no século XXI com as mesmas práticas e comportamentos da mais remota ignorância. Tradução: a gente não evoluiu nada. Enquanto a ciência vai ao ápice para alcance da excelência, continuamos seres primitivos que mal aprendemos a lascar a pedra direito. A indignação cedeu lugar ao banal e costumeiro – todos pensam que tudo isso só acontece com os outros, nunca conosco. A guerra é lá longe, as brigas são pra lá, os problemas são dos outros: essa a cegueira incapaz de ver ao lado – bem do ladinho, tão próximo, quase pegando você aí, olhe o bote! - tudo corroendo e se esvaindo destrutivamente. É que o umbigo não permite olhar nem um palmo além do nariz, muito menos o discernimento de que essa violência é responsabilidade de cada um de nós. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. Veja mais aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui


Curtindo o álbum Pedro Jóia ao vivo com a Orquestra de Câmara Meridional (2015), do guitarrista, compositor e diretor musical português Pedro Jóia.

PESQUISA:
[...] Onde há medo, há ameaças; e onde estão as ameaças está a violência. [...] a violência está em tudo que é capaz de imprimir sofrimento ou destruição ao corpo do homem, bem como o que pode degradar ou causar transtornos à sua integridade psicquica. Resumindo-se: violentar o homem é arrancá-lo da sua dignidade física e mental. Na verdade, a violência devia ser um anacronismo entre homens desde há tanto tempo doutrinados para o respeito pela vida e pelo semelhante. Isto só mostra, contudo, a inutilidade das doutrinações – principalmente quando são de uma tal hipocrisia que faz compreensível o nível atual da agressividade irracional. [...].
Trecho extraído da obra O que é violência urbana (Brasiliense, 1981), do professor e filósofo Régis de Morais.

LEITURA
Junto ao poço cheguei, / Meu olho pequeno e triste / se fez fundo, interior. / Estive junto a mim, / plena de mim, ascendente e profunda, / minha alma contra mim, / golpeando minha pele, / afundando-a no ar, / até o fim. / A escura poça aberta pela luz. / Éramos uma só criatura, / perfeita, ilimitada, / sem extremos para que o amor pudesse agarrar-se. / Sem ninhos e sem terra para o domínio.
Fonte, poema extraído da obra Canto Villano. (1978 - Voz de la autora (Entre Voces), da poeta peruana Blanca Varela (1926-2009). Tradução de Antonio Miranda – Portal da Poesia Íbero-Americana. Veja mais aqui e aqui.

PENSAMENTO DO DIA: 
[...] Mas foi o próprio sistema quem criou as condições objetivas dessa reação brutal: recolhendo para si todas as cartas, ele força o Outro a mudar o jogo e a mudar as regras do jogo. As novas regras do jogo são ferozes porque o jogo é feroz. A um sistema cujo excesso de poder coloca um desafio insolúvel, os terroristas respondem por um ato cujo intercambio é insolúvel e impossível. Então é o terror contra o terror. [...] O terror não tem uma finalidade, é um fenômeno extremo, isto é, ele está para além de sua finalidade, de certa forma: ele é mais violento que a violência. [...] o que é insuportável é muito menos a infelicidade, o sofrimento ou a miséria do que a potência e sua arrogância. O que é insuportável e inaceitável é a emergência dessa recente potência mundial.
Trecho de A violência mundial, extraído da obra A violência do mundo (Anima, 2004), do sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard (1929-2007). Veja mais aqui, aqui e aqui.

IMAGEM DO DIA: GRATIDÃO/CONVITE
Manifesto a minha gratidão pela deferência e convite generoso da poetamiga Soninha Porto, para o evento que será realizado pela Associação Cultural Poemas à Flor da Pele (Imagens: arte de Giovaniung Jung Oliveira). Veja mais aqui.

Veja mais sobre Nascente Poético, Jean-François Lyotard, Jorge Amado, Gonçalves Dias, Flavio Rangel & Millôr Fernandes, Damiano Damiani, Deusa Opália, Emilia Biancardi & Raízes Musicais da Bahia, Max Klinger & Ivoneide Lopes aqui.

DESTAQUE; NEUROFILOSOFIA & NEUROCIÊNCIA COGNITIVA
A reunião regular do Grupo de Pesquisa de Neurofilosofia e Neurociência Cognitiva, cedeu lugar para a reunião do projeto Café, Sabor e Saberes, definindo a realização do curso As Pensadoras: As Grandes Mulheres Filósofas da História, a ser ministrado pelo professor Álvaro Queiroz, a partir do dia 30 de agosto, no auditório Iris II, do Cesmac – Maceió – AL. Veja mais aqui.

CRÔNICA DE AMOR POR ELA
A arte do do arquiteto, engenheiro, cenógrafo, teatrólogo, pintor, escritor, filósofo e músico Flávio de Carvalho (1899-1973).
Veja mais aquiaqui e aqui.

CANTARAU: VAMOS APRUMAR A CONVERSA
Paz na Terra
Recital Musical Tataritaritatá - Fanpage.
Veja  aqui e aqui.



MARY OLIVER, ROSI BRAIDOTTI, VERONICA GORRIE & CHACRINHA

  Imagem: Acervo ArtLAM .   O segredo da brochura artesanal... - Uma fedentina tomou conta do lugar: Que fedor! De onde vem? Tem defunto...